27.9.08

O Brasil melhora, mas a passos lentos

Por estes dias o IBGE divulgou a nova edição do PNDA – Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. Clique aqui para ter acesso a ela na íntegra ou aqui, para vê-la num caderno especial do jornal O Estado de S. Paulo.
Os indicadores apresentam, sem exceção, melhorias.
O problema é o ritmo destas melhorias.
Para não receber pauladas dos meus amigos petistas/lulistas, é importante ressaltar que estes mandatos do Lula foram significativos para os mais pobres. Muitos foram incluídos na situação de consumidores, tiveram acesso a uma maior quantidade de bens de consumo, bem como saneamento básico, saúde e educação.
Até mesmo o combate à corrupção teve relativo sucesso no primeiro mandato, embora o ímpeto tenha refreado neste segundo mandato.
Os acertos continuam sendo feitos pelos “de cima”, como tudo desde Caminha até nossos dias, por isso a sociedade se vê excluída do processo.
Se é verdade que mais crianças estão na escola e que muitos jovens pobres tiveram acesso ao ensino universitário por meio do ProUni, é verdade também que a qualidade da educação é sofrível, com avanços tímidos, sem envolvimento da sociedade.
Algumas instituições que fazem parte do ProUni parecem escolas de suplência, isso graças a proliferação de cursos universitários nos dois desgovernos do FHC, enquanto o ensino básico continua patinando, tanto nos indicadores nacionais quanto internacionais.
A questão da educação passa por uma forte política de Estado, com algo em próximo de 10% do PIB reservado a ela, como investimentos e não gastos, além de uma forte mobilização popular, com uso de rádio, TV e agressivo marquetingue.
Escolarização obrigatória e ensino de período integral! Professores com dedicação exclusiva às suas escolas! Salários e condições de trabalho dignos! Participação intensa de todas as instâncias da sociedade, da família, essencial, ao STF.
Lula e os partidos da base aliada (partidos? Quaquaqua!) não tocaram neste trauma nacional como deveriam, embora reconheça no ministro Fernando Haddad um ótimo técnico/político da área, pena que sempre subordinado aos ditames da política econômica.
A distribuição de renda melhora a olhos vistos. Desde 1993 experimentamos sucessivas reduções no Índice de Gini (clique aqui se você não sabe o que é isso), indicador da desigualdade de renda.
Esbarramos, contudo, num impedimento que a diminuição da desigualdade se acelere: a Reforma Agrária.
Sem profundas mudanças no sistema de acesso à terra e produção agrícola continuaremos patinando eternamente na distribuição da renda.
No primeiro mandato os sinais de que ela – a Reforma Agrária – ocorreria eram inequívocos, a começar pela equipe que coordenava o processo, comandada por Plínio de Arruda Sampaio.
O apoio do MST e capacidade de interlocução do governo com as organizações que lutam pela reforma agrária era sinal de que desta vez seria diferente.
Bastou o tempo para desmentir nossas esperanças.
É claro que melhorou o tratamento da Agricultura Familiar, por outro lado não se construiu uma política agrícola para o país, por isso o presidente da República tornou-se refém da “bancada ruralista” em diversas negociações no Congresso Nacional.
Já na reeleição o MST sinalizava que a coisa não andava lá essas coisas nas relações com Lula e a tal base aliada, mas ainda assim manifestou seu apoio. No presente instante o desencanto é geral. O latifúndio conseguiu tirar do governo pessoas da índole de Marina Silva, derrotada pelo estrategista de Daniel Dantas, o senhor Mangabeira Unger – conhecido como Ministro do “Futuro” –, gestor dos projetos de intervenção na Amazônia
Esses dois pilares são fundamentais para a construção de um país de verdade, sem eles, erguidos e bem fundamentados, não iremos a lugar algum, estaremos condenados aos soluços de crescimento econômico com espasmos de desenvolvimento.
Finalmente tinha a esperança de que a eleição do Lula, faria com que o capitalismo brasileiro se voltasse para o sistema produtivo em detrimento do capital financeiro.
Não é o que vemos.
O país é um paraíso para os especuladores, que aqui desembarcam para navegar nos mares tranqüilos do ganho fácil e garantido.

3 comentários:

Renato disse...

é a cruz e a espada.
Para quem acompanhou o PT ao longo desses 28 anos o governo Lula é até certo ponto ineficiente, ..... Mas comparado a FHC,Itamar, Collor, etc, etc... é covardia, como comparar Pelé com Biro Biro.
Mas vejo como minha maior decepção com o governo é a questão da reforma agraria e o ponto de maior aprovação pessoal minha são as politicas de inclusão práticadas mesmo que timidamente ou as vezes até de forma equivocada mas que pela primeira vez na história deste país um presidente teve vontade de fazer

Quim disse...

Tonim, faz mais de mês que não encho seu saco... vou tentar caçar algo para te azucrinar.

Sobre esse post, só lembrei de um frase que vi no que restou do muro de Berlim:
"Alles wird besser, aber nichts wird gut"...

Algo como "Tudo está melhor, mas nada está bom". Encaixa bem no seu post.

Xô ir caçar algo para encher teu saco.

Prof Toni disse...

Verdade Quim, melhorou, mas está ruim, quer dizer, precisava melhorar tanto e com tanta pressa, que o que está sendo feito é pouco...