Faz tempo linquei ao lado, na indicação de leituras, o blog Cremilda Dentro da Escola.
Embora discordando da maioria dos escritos da citada Cremilda, imaginei que o blog apresentasse, de modo coerente, a visão de alguns pais e mães sobre os problemas da escola pública.
Acompanhei-o por um tempo e depois me desencantei. A visão sobre a educação é bastante rústica e os textos tratam de atacar os professores, acusando-os, quase sempre, de responsáveis por tudo de errado que acontece na educação e, principalmente na educação em São Paulo.
O meu principal desapontamento foi com o texto Como educar meu professor. Uma obra de péssimo gosto.
De autoria de Mauro A. Silva é apresentada assim:
“A cartilha “Como educar meu professor” foi idealizada por termos identificado que a maior parte dos professores são mal educados, mal formados e muito “folgados”…
As faculdades e universidades parecem meras vendedoras de diplomas… vendem diplomas em 36 prestações mensais sem juros…”
Onde estão os dados que comprovam tal afirmação? Quem é este Mauro A. Silva que parece conhecer todos os professores deste país? Sim, pois somente conhecendo-os poderia afirmar que a “maior parte” é assim ou assado.
Em dado momento chega a afirmar que o salário do professor, R$ 1.500,00 por uma jornada de 40 horas/semanais, segundo o autor, é bom.
Note que nos textos as responsabilidades do poder público são sempre arranhadas e há uma permanente luta do bem (alunos, pais, Cremilda etc.) contra o mal (professores, dirigentes, políticos etc.).
Essa forma de pensar é muito tosca e inaceitável.
Tenho amigos e familiares no magistério público, tanto municipal quanto estadual, honrando a profissão e nem de longe fazendo as barbaridades que o blog relata.
Existem professores indignos de estarem na sala de aula? Claro que sim, mas profissionais ruins e infelizes existem em todas as áreas: médicos, motoristas, pedreiros, engenheiros, secretárias, jornalistas etc.
Também existem ótimos profissionais, que adoram sua profissão em todas essas áreas.
Cremilda ganharia muito mais se estimulasse a participação nos Conselhos de Escola, se oferecesse instrumentos para que tais participações fossem reais, com amplo exercício de cidadania.
Recuperar a escola pública não pode equivaler à destruição do papel do professor como condutor do processo em sala de aula.
A escola não é a única “produtora” da educação, ela ocupa um pequeno espaço desse processo. A educação começa em casa, na família e prossegue no grupo social, nas práticas cotidianas; a escola responsabiliza-se pelo saber escolar e por parte da socialização dos indivíduos. O professor é um profissional, de fato ele não é pai, mãe, irmão ou amigo. Também não é terapeuta.
Vamos exigir do poder público, equipes multidisciplinares nas escolas, com psicólogos, fonoaudiólogos, oftalmologistas, dentistas, enfim, toda a gama de profissionais que possam orientar e dar suporte às famílias e aos alunos.
Como diria meu sábio avô: cada macaco no seu galho!