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23.6.09

Que tal acabar com o Senado?

Antes que todos tenham um ataque não estou engrossando os argumentos do PIG - expressão do Paulo Henrique Amorim para designar o Partido da Imprensa Golpista - e querendo dar golpes nas instituições.
Pode parecer pretensioso, mas não resisti e resolvi publicar novamente um texto meu de 9/7/07.
Longe de mim aproveitar a crise que a mídia produziu em torno dos escândalos do senado (a letra minúscula é opção minha) da República, aliás o próprio noticiário demonstra que as notícias estavam na gaveta esperando o momento oportuno, afinal é difícil acreditar que os tais atos secretos conseguiram assim permanecer por longos 14 anos.
Vejam que em 2007 havia uma crise danada no Senado, e, ano após ano, aparece uma diferente.
Não que a Câmara dos Deputados seja muito diferente, mas a discussão não é essa, a discussão é sobre representação proporcional.

Para que serve o Senado da República?

Essa não é uma pergunta oportunista, reflexo dessa enorme exposição dos nossos senadores.
Meus alunos são testemunhas desse questionamento e já faz bastante tempo.
Vejam, esse sistema bicameral seria justificável se houvesse necessidade de uma correção das decisões legislativas, evitando que os estados com maior número de eleitores dessem as cartas, em detrimento daquelas unidades menos aquinhoadas.
Se houvesse uma proporcionalidade de fato, bastaria uma conjunção de interesses dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul – aproximadamente 55% dos eleitores – para que se aprovasse uma determinada lei, deixando à margem da decisão as outras 22 unidades da federação. Supondo, é claro, que interesses regionais superassem todos os outros: ideológicos, culturais, econômicos etc. Assim o Senado cuidaria de devolver o equilíbrio necessário.
Isso se cada eleitor do território brasileiro valesse exatamente a mesma coisa, mas não vale!Numa conta bastante simples basta dividir o número de eleitores, algo próximo de 125.000.000 pelo número de cadeiras: 513. Assim cada 243.000 eleitores teriam direito a 1 deputado.
Claro que estou simplificando, não estou trabalhando aqui com as exigências próprias das eleições para se estabelecer o coeficiente eleitoral ou as particularidades de cada pleito. O pensamento aqui segue a lógica da representação proporcional, ou seja: cada cidadão tem direito a um voto, sem distinção de classe, cor, credo, sexo...
Pois bem, por esta conta simples o estado de SP deveria ter 115 representantes; MG, 56; RJ, 44; BA, 37 e RS, 31. Em razão de dispositivo Constitucional têm, respectivamente: 70, 53, 46, 39 e 31.
Já os estados de Roraima* (233.596 eleitores), Amapá* (360.614 eleitores), Acre* (412.840 eleitores), Tocantins* (882.728 eleitores) e Rondônia* (988.631 eleitores) possuem 8 deputados federais cada, quando na verdade deveriam possuir, respectivamente: 1, 1, 2, 4 e 4.
Quando somamos o Senado à representação federativa, temos uma grave distorção representativa.
No Senado a representação é majoritária, ou seja, 3 cadeiras para cada unidade da federação!Portanto o dispositivo constitucional que limita o número máximo (70) e mínimo (8) de deputados por unidade da federação torna o Senado um instrumento legislativo desnecessário, inútil e dispendioso!

* Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/07/07/materia.2006-07-07.2265431466

27.9.07

Viva a rebeldia do Senado

Ainda não compreendi a derrota do governo na MP que criava a Secretaria do Ponto Futuro (ou algo que o valha), mas imagino que Lula tenha gostado dessa derrota.
É sabido por todos que a nomeação de Mangabeira Unger era um afago ao Vice-Presidente, José Alencar, assim como estava claro o desconforto de Lula em trazer para tão perto essa figura, estranha para ser educado, camaleônica da política nacional.
Assim a derrota no Senado deve ter tido sabor de vitória.
Clique aqui para ler na Folha Online notícia sobre esse assunto.

16.9.07

Para entender Renan Calheiros

A revista Caros Amigos traçou um perfil fabuloso do senador das Alagoas.
Numa excelente matéria do repórter João de Barros a gente começa a entender por que tantos têm medo de Renan.
Leia um trecho:

As faces de Renan

O REPÓRTER JOÃO DE BARROS PASSOU UMA SEMANA EM ALAGOAS EM BUSCA DO VERDADEIRO RENAN CALHEIROS. OUVIU CORRELIGIONÁRIOS DO SENADOR, ADVERSÁRIOS POLÍTICOS, ALIADOS E EX-ALIADOS, AMIGOS E EX-AMIGOS, PARENTES; JORNALISTAS; E UM PESQUISADOR DA HISTÓRIA ALAGOANA. DA EMPREITADA SALTAM VÁRIOS RENANS, "UM POLÍTICO CAMALEÔNICO" NO DIZER DE UM EX-COMPANHEIRO DE PARTIDO.

O Boeing da Gol pousa no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió. Dia quente e abafado, céu nublado. “Vai chover” – me diz um companheiro de viagem. Caminhamos pelo terminal, futurista, cinco pavimentos que mescla vidro, alumínio e granito, inaugurado pelo presidente Lula, em companhia do então governador Ronaldo Lessa (PSB), do ex-presidente da Infraero Carlos Wilson e do senador Renan Calheiros, em 2005. Tem o formato de um olho humano, projeto do arquiteto Mário Aloísio Barreto Melo. Mal elogio a beleza, o recatado senhor que anuncia chuva diz:

“Bonito ele é, mas a roubalheira que promoveram é que foi uma beleza. Era para custar xis [R$ 52 milhões] e ficou por ípsilon [R$ 238,3 milhões].”

Responsabiliza a empreiteira baiana OAS e “os políticos” pelo superfaturamento. Ele me conta que documentos contábeis foram encontrados “picotados no galpão da Construtora OAS, mas a maior parte foi levada por um caminhão de reciclagem e destruída. Sobraram apenas pedaços de notas fiscais de compras de material elétrico e hidráulico, contas de telefone, comprovantes de entrega de mercadoria e restos de materiais plásticos”. Diz ainda que a obra foi financiada com recursos da Infraero, Embratur e governo do Estado.

“Assim é Alagoas, assim é o Brasil. Rouba-se e não dá em nada.”

A ira desse alagoano não é fortuita. Ouvirei acusações de quase todas as pessoas que vou entrevistar para elaborar o perfil do senador Renan Calheiros, que responde a inquérito na Comissão de Ética do Senado Federal, inquérito que abalou o Congresso – foi acusado de receber ajuda do lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar a pensão da filha, fora do casamento, com a jornalista Mônica Veloso. Vão me relatar escândalos que têm Alagoas como palco – do prefeito de Delmiro Gouvêia, acusado de desviar R$ 13 milhões em licitações fraudulentas, à tortura nos presídios; do caso dos precatórios à ação livre de pistoleiros.

A matéria completa está na edição de agosto (nº. 125).

15.9.07

Voto Secreto no Senado

Texto da Helena Chagas no Blog do Nassif :
A elegia da hipocrisia
Enviada por Helena Chagas
Defensores do voto aberto votaram contra fim do secreto
Quem te viu, quem te vê. Quem viu no início da sessão a animadíssima defesa dos senadores hoje do fim do voto secreto até acredita. Alguns chegam a prever para amanhã o início de uma campanha retumbante nesse sentido. Mas, no dia 13 de março de 2003, quando a Casa derrotou emenda constitucional do senador Tião Viana acabando com o voto secreto para cassações, muita gente boa que discursa hoje para abrir o voto ficou contra.
Arthur Virgílio, por exemplo, que hoje fez veemente defesa do voto aberto no início do julgamento, dizia na ocasião: "O voto secreto é um instrumento que deixa o parlamentar a sós com sua consciência em uma hora que é sublime, em que o voto é livre de quaisquer pressões, que podem ser familiares, do poder econômico, de expressão militar ou de setores do Executivo. Voto pela manutenção do voto secreto".
E assim também fizeram, na ocasião, seus colegas Cesar Borges (DEM), Tasso Jereissati (PSDB), Eduardo Azeredo (PSDB), Heráclito Fortes (DEM), Garibaldi Alves (PMDB), Gerson Camata (PMDB), Agripino Maia (DEM), Edison Lobão (DEM), Marco Maciel (DEM), José Sarney (PMDB), Mão Santa (PMDB) e Leomar Quintanilha (PMDB), entre outros.
Ou seja, muda a platéia, muda o voto.