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4.12.24

A SS (SP/SP) paulista

Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos
e outros quase brancos, tratados como pretos

Haiti

Canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil


Nesta segunda -feira a polícia paulista mais uma vez ocupou as manchetes pela quantidade de assassinatos e desmandos cometidos nos últimos dias, para surpresa de zero pessoas.

Isso não é novidade. A PM de São Paulo, e, a bem da verdade, a da BA, RJ, PE e demais unidades da federação, continuam matando sem maiores consequências, a não ser o julgamento dos parceiros.

É difícil escolher o episódio mais chocante.

O secretário de Segurança Pública e o Governador são diretamente responsáveis pela letalidade policial. O primeiro por estimular, por suas falas e seu (péssimo exemplo) e o segundo por sinalizar com a impunidade para os policiais/bandidos.

Um jovem foi atirado do alto de uma ponte porque a moto estava sem placa. Casal foi agredido a cacetadas por não parar numa blitz. Policial a paisana mata jovem negro (dependente químico) com 11 tiros – pelas costas.

Se voltarmos um pouco no tempo teremos casos chocantes em outros períodos de governo, mas no governo atual essa política de extermínio tem recebido elogios e aplausos das autoridades, só falta pagar bônus pelos assassinatos.

O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, o ex-capitão da ROTA (Rotas Ostensivas Tobias de Aguiar – batalhão de elevada letalidade) foi expulso do seu batalhão por excesso de mortes na sua conta.

O governador disse recentemente que os familiares das vítimas da “Operação Verão” – uma operação de vingança da polícia em razão da morte de um policial – poderiam reclamar na ONU ou na liga da justiça que ele “não está nem aí”. Um atestado de impunidade pelas 56 mortes na famigerada operação.

Por isso a Polícia Militar tem que acabar!

Preste atenção: ninguém está falando que a polícia deve acabar, mas que a polícia militar tem que acabar.

A política de (in) segurança pública precisa ser revista em todas as unidades da federação.

Os policiais não podem ter ao seu dispor um tribunal de exceção, no qual são julgados por seus pares, precisam ser submetidos ao julgamento como qualquer outro cidadão ou cidadã.

 

6.5.24

A mídia e a 3ª via

Faz tempo que a mídia nativa vem buscando uma “3ª Via” na tentativa de derrubar Lula e um projeto de centro-esquerda para o país.

Esse esforço da mídia e o equívoco da pouca atenção estratégica às eleições legislativas vem forçando uma composição cada vez mais a direita por parte do PT e do seu candidato.

Para refrescar a memória, tivemos Collor de Mello – o caçador de marajás –, depois Lula derrotou José Serra, dando início a um período de polarização entre PT e PSDB, marcando uma derrota ímpar da mídia hegemônica que se dividiu.


Na reeleição de 2006 houve maior equilíbrio por parte da mídia, pois o Lula não se mostrou tão feio assim no primeiro mandato, embora cercado pelo escândalo do chamado mensalão, ainda assim a eleição foi decidida no segundo turno, com Lula obtendo pouco mais de 60% dos votos no segundo turno derrotando o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin.

Quando Lula indicou Dilma para sua sucessão a mídia resolveu se mexer e escolheu José Serra como a melhor opção para o Brasil. Foi ungido como a melhor alternativa para o Brasil pós Lula. Não deu certo. Dilma venceu com 55% dos votos válidos.



Para a sucessão de Dilma a mídia resolveu mudar de assunto, mas não muito e buscou uma alternativa dentro do PSDB mesmo, o herdeiro de Trancredo Neves foi o escolhido e o nomde de Aécio Neves passa a fazer parte do cenário nacional.

Também não deu certo. Dilma venceu com 51,5% dos votos e Aécio deu voz a necessidade de impossibilitar um novo governo do PT. Acabou aí a convivência civilizada da polarização até então existente.


Apoiado por um Congresso horrível, que só perde para o atual, Eduardo Cunha começou com as pautas bombas, inviabilizando de fato o governo, levando ao impeachment da presidenta.

Veio o Temer, seguido por Bolsonaro e, depois de 2022, Lula voltou. Novamente num governo de frente ampla, tendo que recorrer ao fisiologismo do Congresso, com o agravamento da conquista de parte importante do Orçamento da União por parte dos senhores deputados e senadores.

Todos esses momentos apresentaram um dado em comum: o pavor das elites conservadoras ao Lula e a busca, às vezes desesperadas, por uma alternativa democrática de direita!

Embora ainda faltem mais de 2 anos para a próxima eleição presidencial a cena se repete: a direita busca um representante “confiável”, perfumado e que saiba usar talheres à mesa.

O nome da vez é o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. O governador que não sabe andar pela capital de São Paulo, que nunca morou em São Paulo e que foi escolhido pelo povo paulista como seu governador.

Bolsonarista moderado, como a mídia quer vende-lo, não existe! Se é bolsonarista, por definição, não pode ser moderado.

Será que a imprensa corporativa vai cometer esse equívoco novamente?