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29.1.24

Luciano Huck e o jatinho subsidiado

 

Uma notícia de 2019 voltou a cena. Ela conta que o apresentador de TV, o milionário Luciano Huck, comprou um jatinho para sua empresa, financiado pelo BNDES com juros subsidiados.

Confira a notícia aqui na Revista Exame.

O negócio parece ser juridicamente perfeito, sem vícios ou privilégios. Então por que voltar ao assunto?

Em razão do apresentador ter desferido um ataque no “X” contra as empresas estatais, acusando-as de serem responsáveis pelo nosso baixo crescimento e produtividade.


Se ele pensa dessa maneira não seria mais lógico financiar o jatinho para sua empresa no Itaú ou no Bradesco? E com juros de mercado, obviamente.

Mas ele é o retrato pronto e acabado da elite nativa. As benesses do Estado devem estar ao seu dispor e para a patuleia basta pão e água, se não tiver que comam brioches.

Essa é a elite do atraso, como diz Jessé de Souza, e este em particular, ensaia vez por outra, candidatar-se a presidência da República.

O agronegócio sempre vem na mesma batida. Já viram algum expoente do agro reclamando da dinheirama subsidiada do plano safra? Não.

São contra a intervenção do Estado, mas basta um contratempo qualquer, que diminua seus lucros, para exigir, e conseguir, a participação do Estado malvado no seu prejuízo.

Assim também com os demais setores. Quando estão nadando em dinheiro, superexplorando seus trabalhadores, querem distância do Estado, mas quando têm prejuízos, exigem a partilha.

São esses mesmos, com raras exceções, que atacam as políticas públicas voltadas aos mais pobres e desfavorecidos, que endeusam a meritocracia dos herdeiros.

 

2.7.11

As fusões, o monopólio e a concorrência

A minha ignorância em assuntos econômicos não me impediu de compreender que a concorrência é essencial para que nós – os consumidores – tenhamos um pouco de vantagem dentro do capitalismo.
Assim, já nos ensinava Adam Smith, cabe ao Estado zelar pelos mecanismos que garantam a existência da dita cuja.
Pois bem, no que as fusões de empresas, como vem ocorrendo ultimamente, contribuem para o ambiente concorrencial?
Numa primeira e rápida leitura, parece-me que o governo quer patrocinar e incentiva a criação de “empresas fortes” – global players no jargão globalizante –, evitando assim que setores importantes e estratégicos repousem nas mãos de grupos estrangeiros.
Foi assim com a BrOi, com a Friboi, com a Brasil Foods (Perdigão + Sadia) etc. e tal.

Mas como garantir que essas fusões não levem ao monopólio?
Fonte: Fonte: http://convergenciadigital.uol.com.br/
Essas empresas gigantescas sufocam a concorrência e passam a dominar largas fatias do mercado, gerando sobre os fornecedores uma pressão absurda e para os consumidores uma enorme ausência de alternativas.
A mais globalizada das empresas brasileiras, segundo maior grupo privado do país e a maior do mundo em proteína animal realiza estudos regulares com a Datastore para avaliar imagem da marca, potencial de mercado e posicionamento da sua linha de produtos. Os estudos recomendam medidas para ampliar ainda mais a participação de mercado e a satisfação dos consumidores de cortes especiais de carne.(...)

Para nós simples mortais – que ignoramos os mistérios dominados pelos iniciados em Economia –, soa muito estranho a posição do governo.
Num dado instante o BNDES – banco de desenvolvimento controlado pelo Estado – incentiva as fusões e participa delas com capital, de modo a viabilizá-las.
Depois vem o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – autarquia vinculada ao Ministério da Justiça vetando a tal fusão.
Vai entender...
No caso que agitou a semana – fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour – tratamos de um setor vital para a economia: distribuição de alimentos, além do comércio de eletroeletrônicos.
Quais as consequências para os consumidores que uma fusão de tal porte traria?
E para os trabalhadores destas empresas?
Qual a fatia de mercado abocanharia?
Por que o BNDESPar deve aportar capital nessa fusão?
As três primeiras respostas são fundamentais. A depender delas a quarta poderá ou não ser feita.

20.1.08

Capitalismo com patrocínio estatal

A mídia continua a de sempre. Um grande escândalo ronda o governo! Ético, político ou econômico, basta escolher o ponto de vista, mas as semanais fazem vista grossa, com exceção da CartaCapital, como sempre. Depois ainda me perguntam por que sempre recomendo a leitura desta ótima semanal!
A história é bem simples. O governo resolveu patrocinar alguns empresários do ramo de telefonia. Dois deles transformar-se-ão em donos de uma nova empresa, fruto da compra da Brasil Telecom pela Oi. Detalhe interessante: eles não desembolsarão um único centavo na operação!
Leia abaixo um trecho de matéria que está na edição n° 479, nas bancas nesta semana.


Edição 479
Os novos barões
por Sergio Lirio
O governo não poupa esforços para transformar Carlos Jereissati e Sérgio Andrade nos donos de uma “supertele”

Sempre que um governo tenta explicar algo por si só inexplicável acaba por recorrer aos surrados bordões da “razão de Estado” e dos “interesses nacionais”. Tem sido assim ao longo da formação do moderno capitalismo brasileiro, ou à brasileira, que pode ser resumida na história dos (poucos) eleitos pelo poder público para administrar as maiores empresas. Não é diferente agora. A compra da Brasil Telecom pela Oi, que resultará em uma companhia telefônica com faturamento superior a 20 bilhões de reais por ano, antes mesmo de sair do papel, tem tudo para se tornar um clássico do modelo em que as demandas privadas se misturam perigosamente às iniciativas políticas. Nem o potencial de escândalo que inúmeros aspectos da transação suscitam parece abalar o apoio do Palácio do Planalto, artífice da associação entre as concessionárias de telefonia.

Por ironia, as principais resistências, ou no mínimo dúvidas, a respeito da conveniência da operação partem da ministra Dilma Rousseff, freqüentemente apontada pela imprensa como madrinha do negócio. Interlocutores recentes da titular da Casa Civil relataram a CartaCapital quais pontos têm incomodado a ministra:

1. Dilma, não é de agora, defende a criação de uma empresa nacional forte nas telecomunicações, para barrar os avanços da espanhola Telefónica e do mexicano Carlos Slim, que dominam o setor na América Latina. Em meados de 2007, a ministra encomendou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um estudo sobre a melhor forma de estimular a formação de uma tele brasileira. Ela rejeita, porém, os termos da atual operação, pelo fato de os principais compradores, os empresários Sérgio Andrade e Carlos Jereissati, não estarem dispostos a colocar nem 1 centavo do próprio bolso na transação. Para Dilma, seria ideal que os interessados buscassem outra forma de financiamento que não as arcas do BNDES.

2. A ministra preocupa-se com a provável exploração política do fato de a Oi ter investido 10 milhões de reais na Gamecorp, que tem entre seus sócios Fábio Lula da Silva, filho do presidente da República.

Fonte: CartaCapital