Mostrando postagens com marcador FHC. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FHC. Mostrar todas as postagens

6.11.09

Caetano é tão parecido com FHC

Caetano Veloso, aquele ex-compositor genial, e FHC, aquele ex-presidente que quebrou o Brasil três vezes ao longo de dois mandatos, resolveram tirar a semana para descer o sarrafo no Lula.
FHC delirou, como sempre e Caetano foi deselegante e grosseiro, defeitos que ele aponta nos outros, mas o macaco quando senta em cima do próprio rabo...
Rodrigo Vianna matou a pau o que acontece! Abaixo parte do texto:

"Toda essa gente se engana/ Ou então finge que não vê que eu nasci/ Pra ser o superbacana/
Eu nasci pra ser o superbacana/ Superbacana Superbacana / Superbacana Super-homem/ Superflit, Supervinc,Superist, Superbacana."

Toda vez que alguém me conta uma história, tenho mania de sair cantarolando. Algo se move em meu incosnciente, e traz à tona canções às vezes esquecidas há muitos anos.

Foi o que aconteceu, hoje, quando uma amiga me enviou o link, com a entrevista do Caetano Veloso ao "Estadão". A manchete na primeira página é: "Marina Silva não é analfabeta como Lula". Então, vocês imaginam o resto - http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091105/not_imp461314,0.php

O mais engraçado é a foto interna, na capa do "Caderno 2". Uma amiga matou na hora, sem saber nem do conteúdo da entrevista: "mas, gente, Caetano tá a cara do FHC".

Aqui o link para a matéria completa.

10.2.08

A Guerra Fria cultural e FHC

Recebi do amigo Marco Antônio o texto que reproduzo abaixo.
O livro “Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura” pode ser encontrado aqui. Já o “Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível” aqui.
Penso que seja interessante conferir nas obras dessas pesquisadoras, esclarecem um período interessante da história do Brasil e de algumas personalidades quase que endeusadas por estas bandas.
Boa leitura!


Dinheiro da CIA para FHC

Sebastião Nery

"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap".
Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.

Fundação Ford
Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos.
E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.

Agente da CIA
Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.
Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias.
Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.

Quem pagou
Acaba de chegar às livrarias brasileiras um livro interessantíssimo, indispensável, que tira a máscara da Fundação Ford e, com ela, a de Fernando Henrique e muita gente mais: "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura", da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editado no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro).
Quem "pagava a conta" era a CIA, quem pagou os 145 mil dólares (e os outros) entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique foi a CIA. Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas:
"Consistente e fascinante" ("The Washington Post"). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" ("Spectator"). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente" ("The Times").

Milhões de dólares
1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153).
2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).
3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).

FHC facinho
4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).
5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritórios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).
6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.

Fonte: Tribuna da Imprensa Online – 09 e 10/01/08.

29.11.07

Mais clareza e menos leguleios

O texto abaixo está no Valor Econômico de hoje:

No momento em que uma sociedade está passando por uma transformação política, é muito difícil entender as razões e o conjunto de forças que empurram os atores para posições extremas. Mas não é tão complicado definir as responsabilidades por enormes mudanças de rumo dos atores institucionais, como governos e partidos, e, neles, de pessoas com grande capacidade de liderança interna ou peso eleitoral capaz de submeter interesses de seu partido, ou de um governo. Nesses momentos, o protagonismo das crises e das mudanças torna-se público, até porque tem uma função de propaganda, de convencimento dos seus pares (num partido) ou de um setor social mais amplo - seu papel político é aparecer nas páginas dos jornais, moldar opiniões, confrontar adversários.
A introdução é um pouco longa para justificar uma ignorância - onde o PSDB quer chegar? - e apontar um protagonismo - onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quer que o PSDB chegue? Por enquanto, a conclusão que se chega, juntando as duas pontas, é surpreendente: o PSDB é um partido que já esteve no poder e tem os candidatos com maiores chances de suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Introjetou, no entanto, um perfil de partido parlamentar que, sem chances de chegar ao poder pelo voto, radicaliza o discurso e aposta na desestabilização política, como se precisasse de forças "de fora" da institucionalidade para chegar à Presidência. FHC tem grande contribuição na formatação desse perfil partidário que se, em 2006, já reduziu as suas chances de vitória, em 2010 pode comprometer as chances, agora grandes, do partido voltar ao poder.
Nas crises de 1954, 1955, 1961 e 1964, a UDN, como um partido, foi empurrado, especialmente pelo jornalista Carlos Lacerda, para a estratégia de desestabilização de regimes instituídos pelo voto. A UDN era um partido que não conseguia superar o favoritismo da aliança PSD-PTB; Carlos Lacerda era o candidato que, fortemente apoiado numa classe média conservadora, tinha ambições presidenciais, mas não conseguia arregimentar mais do que uma classe média conservadora (além de uma classe alta conservadora) com um discurso elitista, anticomunista e passional. A intencionalidade golpista do partido e de seu maior líder (ou o mais barulhento) não era obscura. Em 1954, em contenda para depor Getúlio Vargas (PTB), o ex-ditador que havia voltado ao poder pelo voto, o embate era pessoal.
O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jorge Ferreira, no artigo "Crises da República: 1954. 1955 e 1961" (in "O Brasil republicano: o tempo e a experiência democrática", org. dele e de Lucilia de Almeida Neves Delgado), cita frase do udenista Herbert Levy que resume o que foi a campanha de desqualificação pessoal de Vargas: "O Sr. Getúlio Vargas passou a representar para os brasileiros o que pode haver de pior em matéria de caudilhismo; o corruptor por excelência, o ambicioso do poder a qualquer preço, o acolitador dos desonestos, dos violentos, dos deformados moralmente". Em 1955, já de antemão derrotada pela aliança PSD-PTB (consubstanciada na candidatura de Juscelino Kubitschek, do PSD, à Presidência, e de João Goulart, do PTB, à vice), a UDN tirou do bornal uma carta grosseiramente falsificada onde um deputado argentino trataria com Goulart da venda de armas para a formação de supostas "brigadas de choque obreiras" no Brasil. Em 1961, quando o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resistiu à tentativa militar de não dar posse a Jango, depois da renúncia de Jânio Quadros, udenista por acaso, Lacerda, já governador do Rio, estampou na primeira página do seu jornal, "A Tribuna da Imprensa": "Denys, agora é escolher: comunismo ou democracia". Denys era Odílio Denys, o ministro da Guerra, e Lacerda pedia a consumação do golpe.
Tudo isso é passado. Não se quer aqui atribuir intenções golpistas ao PSDB. Apenas mostrar que, de forma incongruente à sua condição de partido com chances de chegar ao poder pelo voto, ele tem assumido cada vez mais o discurso de quem pede ajuda "de fora". FHC é o porta-estandarte desse discurso. Incluiu na trouxa de tudo o que já falou de politicamente incorreto contra um presidente legitimamente eleito algumas pérolas a mais, no 3º Congresso do PSDB. A mais grosseira foi de novo "acusar" Lula de ter menos anos de escola que os ilustrados tucanos, ele, FHC, principalmente. A mais grave, no entanto, é a insistente tentativa de associar Lula ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A "denúncia" da articulação de um terceiro mandato para Lula é insuflada pelos tucanos mais radicais, porque essa "intenção" transformaria o petista em Chávez, naquele que não quer sair do poder e o manipulará em favor de sua manutenção na Presidência por tempo indeterminado. FHC seria aquele que denuncia a intenção. Disse ele: "Hitler foi eleito, Mussolini foi eleito, nas ditaduras, Stálin foi eleito. Não é suficiente ter eleições para ter democracia" (...) "Eu não estou acusando. Estou dizendo que existe o risco [do terceiro mandato]. E este risco está no ar, e mais do que no ar, está em ações que começam a se organizar" (...) "Espero que o presidente Lula, com mais clareza do que disse até agora, com menos leguleios para justificar o companheiro da Venezuela, diga: 'sou contra'."
Pela lógica, e partindo do princípio de que o PSDB não tem razões para assumir a estratégia da desestabilização para conseguir chegar ao poder - pois ela pode desestruturar candidaturas suas com chances reais de vitória - FHC e os tucanos mais radicais estão tirando do baú um modelo que não serve e não serviu ao país, e não convém ao partido. Supõe-se, então, que em algum momento o PSDB vai se rearticular com um outro perfil - pode até permanecer à direita, mas resolverá a confusão em que se meteu, de achar que ser oposição é desestabilizar um poder constituído, que vai naturalmente mudar de mãos pelo voto se a democracia for mantida. Mas existe o risco de isolar-se abraçado a uma classe média mais conservadora, como Lacerda e a UDN no passado, e, indispondo-se com o eleitor, afastar a possibilidade de conquistar o poder pelo voto - o que provocaria um acirramento dessa posição. Lacerda, reconheçamos, foi melhor nisso. Ainda bem.
Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
O texto está disponível (só para assinantes) aqui.