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8.1.25

E lá vamos nós para o ano de 2025!


Começamos com o prenúncio de novas guerras e conflitos, postulados pelos EUA pelas mãos de de Donald Trump, um mentiroso compulsivo e um ser humano terrível, mas no comando da nação mais rica do planeta.

Espero que a China e a Rússia assumam as brigas que o “trumpismo” está propondo.

Por aqui temos os problemas que nos guiam nos último dois anos: um governo tentando implementar algumas políticas públicas para combater as desigualdades (timidamente), a mídia corporativa cobrando “ajuste fiscal”, ou seja, menos gastos sociais e mais dinheiro nas mãos dos ricos, ausência de regulação das redes sociais, orçamento secreto, em que pese os esforços do ministro do STF Flávio Dino, além dos desmandos dos governos estaduais e municipais.

De resto estamos bem, mas com ressalvas.

Saímos de uma eleição municipal, na qual a direita saiu vitoriosa e a esquerda recuperou parte do terreno que havia perdido recentemente e já começamos a preparação para as eleições de 2026 (Presidente, Senadores, Deputados Federais e Estaduais).

No mundo a extrema direita continua com seus avanços, agora acobertada pelo X (ex-twitter) e pelo Facebook. Não haverá mais moderação na Meta, igualando-se ao X. A melhor possibilidade e a saída dessas plataformas, para a manutenção da saúde mental e da preservação da verdade.

Da minha parte recomento fortemente o ICL, seja no canal do Youtube ou no portal. Excelentes jornalistas e bons programas de entrevistas, além das aulas magnas, sempre brilhantes.

Hoje – 08/01/2025 – estamos relembrando a tentativa de golpe, cometido a dois anos. Precisamos relembrar para não esquecer, assim como fez o filme Ainda estou aqui com a ditadura empresarial militar que vigorou no país de 1964 até 1985, mais ou menos.

Aliás, tivemos uma ótima noticia nestes primeiros dias do ano: a premiação com o Globo de Ouro de melhor atriz para Fernanda Torres pelo seu papel neste filme, Em breve prometo comentá-lo por aqui.

Outra boa noticia foi a troca efetuada na SECOM, com a saída do ministro Paulo Pimenta, excelente quadro do Partido dos Trabalhadores, mas, assim como a maioria das lideranças do PT (e da esquerda de forma geral) ainda analógico, falta-nos a compreensão do mundo e das redes digitais.

As boas notícias são inúmeras, mas as derrotas também estão ali mesmo, a espreita.

Vamos aguardar o que vem por aí e continuar nas batalhas, uns, como eu, nas redes sociais e outros nas ruas, nos partidos, ONGs e movimentos sociais.

22.2.24

Lula falou de improviso?

A mídia comercial nativa fez um estardalhaço com relação a fala de Lula na Etiópia, quando criticou duramente o regime sionista de Israel

A defesa do povo palestino é necessária e urgente. Estão sendo dizimados de forma covarde e violenta, aproximadamente 30.000 mortes, sendo um terço delas crianças.

Some-se a isso a posse e o domínio do território, tanto a Faixa de Gaza como a Cisjordânia, com a justificativa de combater o Hamas9 que cometeu o atentado terrorista no último mês de outubro.

A intenção do governo de plantão em Israel parece ser confinar o povo Palestino num espaço que facilite a sua aniquilação.

O mundo não pode se calar ante tal situação, por isso Lula foi duro ao abordar a questão numa entrevista coletiva.

Disse que a ação de Israel se assemelhava aquela realizada por Hitler, quanto se dispôs a eliminar o povo judeu. E, de fato, se assemelha.

Em nenhum momento Lula usou a expressão “holocausto”, mas as autoridades do regime sionista insistem nessa mentira.

Num primeiro momento a imprensa nativa, com a Globo News, Folha, Estadão, O Globo e demais congêneres, partiram pra cima do presidente, fazendo eco a lenga-lenga do governo de Israel, propagando mentiras e exageros.

Até mesmo setores progressistas entenderam que Lula deveria pedir desculpas. Penso que não seja o caso e a diplomacia brasileira acertou, a meu juízo, em ter sido tão enfática na defesa da fala do presidente Lula.

Por outro lado, apareceram aqueles que disseram que a intervenção foi desastrada e partiu da cabeça do presidente, mas sem citar de onde vem essa informação.

Apenas a jornalista Heloísa Vilela afirmou que não houve improviso; clique aqui para ler a matéria dela.

Fonte: iclnoticias.com.br - 20/2/24

Essa ladainha parece ser eterna e disfarça um preconceito contra um líder extremamente expressivo, que não é escolarizado o suficiente para agradar a elite.

Lula é forjado na luta sindical e tem como característica os discursos inflamados e as falas relativamente espontâneas, isso não quer dizer que vive falando o que lhe vem à cabeça e muito menos que ele não ouve os seus ministros e conselheiros.

Lula é um cara intenso, sensível e intuitivo. Erra? Claro, afinal é apenas um ser humano com inteligência privilegiada. Mas me parece que sempre que alguns discordam do que ele fala acusam-nos de improviso, quando acerta elogiam seus assessores e conselheiros.

Lula está no seu terceiro mandato e muitos ainda não engolem que um retirante nordestino ocupe o cargo de Presidente da República Federativa do Brasil.

9.1.24

Um ano depois: democracia inabalada?

Dia 8/1/23 fomos surpreendidos por uma tentativa de golpe de estado no Brasil.

Uma turba bolsonarista, instruída ao longo do mandato do inelegível, resolveu tomar de assalto os prédios dos três poderes da República e depredá-los.

A primeira reação foi de incredulidade. Não pensei que o bolsonarismo fosse tão longe nos seus intentos. Na sequência apareceu a ansiedade: qual seria o poder de reação do governo Lula?

A reação veio rápida, projetando as figuras do ministro Flavio Dino e do seu segundo homem do Ministério Ricardo Capelli, que com rapidez e agilidade coordenaram a reação do governo a sanha golpista.

A intervenção decretada na Segurança Pública do DF evitou o segundo e definitivo passo do golpe: entregar o poder de restaurar a ordem pública às FFAA por meio de uma GLO, dispositivo constitucional da Garantia da Lei e da Ordem.

Por outro lado, o Ministro Múcio, tentou, e continua tentando proteger os golpistas das Forças Armadas, principalmente o alto oficialato golpista, fatos amplamente documentados, até porque eles, os militares golpistas, se incriminaram com relativo prazer e gozo.

Outra coisa que chamou a atenção foi a autoincriminação dos marginais que invadiram os palácios! Filmaram-se, fotografaram-se, discursaram, quase sempre apoiados em teorias conspiratórias ou ideias estúpidas, como pedir auxílio aos Ets.

Quando voltamos os olhos para esses fatores aleatórios a vontade é de rir, pois são muito idiotas, e, às vezes, chorar.

Não podemos simplesmente sorrir em razão do avanço da extrema direita no mundo, estão ganhando eleições, como na Itália e marcham sem pudor com manifestações fascistas em todos os cantos, inclusive, mais recentemente, na vizinha Argentina.

A democracia brasileira é frágil, basta atentar para o histórico de golpes de estado em nosso país, e continua abalada, embora o título da manifestação institucional de ontem diga o contrário. Falta povo na rua para defendê-la!

Falta também punições exemplares a quem tentou o golpe de estado, sejam os próprios baderneiros, quem os financiou e quem os instigou, sejam políticos, militares ou gente rica.

Ontem o ICL Notícias estampou uma foto emblemática no seu portal, que reproduzo abaixo com o link da matéria. 


1.1.23

Feliz 2023, 2024, 2025, 2026...

 


Só agora, com Lula e o ministério empossado, me animei a desejar um bom ano novo para todos vocês.

Foram quatro anos de apreensão, muito choro e desânimo. A cada dia a sensação de que estávamos no fundo do poço e, no dia seguinte, a gente descobria que era mais fundo, parecia um buraco sem fundo.

Um período duro, mesmo para pessoas que, como eu, viveram o período da ditadura.

Em 2023 a esperança vai nos acompanhar, tenho certeza. Esperança de humanidade, de inclusão, de combate sem tréguas à desigualdade social.

Claro que todos os problemas, produzidos ao longo dos mais de 500 anos de invasão, não serão resolvidos por um homem ou um período de governo.

Precisamos de mudanças profundas, de vigilância constante, creio que teremos que nos dedicar à militância, nos limites das possibilidades de cada um de nós, para que a desigualdade seja reduzida.

Penso que as tarefas serão maiores do que aquelas realizadas nos dois primeiros mandatos. O estrago desses quatro anos do governo do coisa ruim foi muito grande, os retrocessos foram enormes.

Para 2023 tenho um foco pessoal: acertar, no limite do possível, minha saúde física e mental. Já no campo político quero me juntar aos coletivos de militância virtual.

Por isso, nesse momento, gostaria de desejar a todas as amigas e todos os amigos, inclusive aqueles do campo virtual, um feliz 2023 e agradecer a companhia de cada um de vocês, só com essa solidariedade foi possível ultrapassar esses quatro anos.

Muito obrigado, mas é importante lembrar que ainda não podemos soltar a mão de ninguém!



 

 

28.6.22

Votar não é passar um cheque em branco

Seguindo a recuperação dos texto antigos, vai um, publicado em 27/09/2008. Mantive os erros originais, só está atualizado quanto à reforma ortográfica. Infelizmente os links se quebraram e não consegui recuperá-los. 

Vou enviar para alguns ex-alunos, que, embora tenham lido uma coisa ou outra aqui no blog, insistem em me chamar de lulista. 

Não sou e nem nunca fui lulista, apenas votei nele em todas as eleiççoes das quais participei (desde 1982) por considerá-lo o representante das melhores propostas para o conjunto da sociedade, mas nunca deixei de criticar os erros do PT e do próprio Lula.

O voto não é uma carta branca, nem uma procuraçao individual, é uma postura coletiva.

O país melhora, mas a passos lentos

Por estes dias o IBGE divulgou a nova edição do PNDA – Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar. Clique aqui para ter acesso a ela na íntegra ou aqui, para vê-la num caderno especial do jornal O Estado de S. Paulo.

Os indicadores apresentam, sem exceção, melhorias. O problema é o ritmo destas melhorias.

Para não receber pauladas dos meus amigos petistas/lulistas, é importante ressaltar que estes mandatos do Lula foram significativos para os mais pobres.

Muitos foram incluídos na situação de consumidores, tiveram acesso a uma maior quantidade de bens de consumo, bem como saneamento básico, saúde e educação.

Até mesmo o combate à corrupção teve relativo sucesso no primeiro mandato, embora o ímpeto tenha refreado neste segundo mandato.

Os acertos continuam sendo feitos pelos “de cima”, como tudo desde Caminha até nossos dias, por isso a sociedade se vê excluída do processo.

Se é verdade que mais crianças estão na escola e que muitos jovens pobres tiveram acesso ao ensino universitário por meio do ProUni, é verdade também que a qualidade da educação é sofrível, com avanços tímidos, sem envolvimento da sociedade.

Algumas instituições que fazem parte do ProUni parecem escolas de suplência, isso graças a proliferação de cursos universitários nos dois desgovernos do FHC, enquanto o ensino básico continua patinando, tanto nos indicadores nacionais quanto internacionais.

A questão da educação passa por uma forte política de Estado, com algo bem próximo de 10% do PIB reservado a ela, como investimentos e não gastos, além de uma forte mobilização popular, com uso de rádio, TV e agressivo “marquetingue”.

Escolarização obrigatória e ensino de período integral! Professores com dedicação exclusiva às suas escolas! Salários e condições de trabalho dignos! Participação intensa de todas as instâncias da sociedade, da família, essencial, ao STF.

Lula e os partidos da base aliada (partidos? Quaquaqua!) não tocaram neste trauma nacional como deveriam, embora reconheça no ministro Fernando Haddad um ótimo técnico/político da área, pena que sempre subordinado aos ditames da política econômica.

A distribuição de renda melhora a olhos vistos.

Desde 1993 experimentamos sucessivas reduções no Índice de Gini (clique aqui se você não sabe o que é isso), indicador da desigualdade de renda.

Esbarramos, contudo, num impedimento que a diminuição da desigualdade se acelere: a Reforma Agrária. Sem profundas mudanças no sistema de acesso à terra e produção agrícola continuaremos patinando eternamente na distribuição da renda.

No primeiro mandato os sinais de que ela – a Reforma Agrária – ocorreria eram inequívocos, a começar pela equipe que coordenava o processo, comandada por Plínio de Arruda Sampaio.

O apoio do MST e capacidade de interlocução do governo com as organizações que lutam pela reforma agrária era sinal de que desta vez seria diferente. Bastou o tempo para desmentir nossas esperanças.

É claro que melhorou o tratamento da Agricultura Familiar, por outro lado não se construiu uma política agrícola para o país, por isso o presidente da República tornou-se refém da “bancada ruralista” em diversas negociações no Congresso Nacional.

Já na reeleição o MST sinalizava que a coisa não andava lá essas coisas nas relações com Lula e a tal base aliada, mas ainda assim manifestou seu apoio.

No presente instante o desencanto é geral. O latifúndio conseguiu tirar do governo pessoas da índole de Marina Silva, derrotada pelo estrategista de Daniel Dantas, o senhor Mangabeira Unger – conhecido como Ministro do “Futuro” –, gestor dos projetos de intervenção na Amazônia

Esses dois pilares são fundamentais para a construção de um país de verdade, sem eles, erguidos e bem fundamentados, não iremos a lugar algum, estaremos condenados aos soluços de crescimento econômico com espasmos de desenvolvimento.

Finalmente tinha a esperança de que a eleição do Lula, faria com que o capitalismo brasileiro se voltasse para o sistema produtivo em detrimento do capital financeiro. Não é o que vemos.

O país é um paraíso para os especuladores, que aqui desembarcam para navegar nos mares tranquilos do ganho fácil e garantido.

Texto de 27/9/08.

29.10.12

Algumas constatações pós-eleitorais



A estratégia do PSDB e dos demais conservadores, mídia inclusive, de arrastar todos os nomes do PT para a mesma lama, deu com os burros n’água!
Por quê? Não sei responder. Tenho algumas pistas, e a mais consistente dela faz-me pensar que os mais pobres associaram a sua inclusão no “mercado consumidor” com o Lula e aqueles a quem ele defende.
Penso que essa vitória não é do PT – ou dos partidos da base aliada que conquistaram muitas prefeituras – mas é uma vitória do personalismo, beirando a mitificação, do ex-presidente Lula. Óbvio que os menos favorecidos de sempre têm razões concretas para essa mitificação, ela não é obra midiática ou construída apenas em cima de sonhos e utopias.
No caso de São Paulo o mais significativo do resultado da eleição majoritária é o enterro do funesto José Serra. Sua biografia de socialdemocrata foi sepultada com a guinada a direita durante as presidenciais de 2010. Nela associou-se aos grupos ultraconservadores cristãos, que lutam para manter a criminalização do aborto e sonegam direitos às minorias, particularmente aos homossexuais.
Fez uma campanha desnorteada, baseada apenas em denúncias e desqualificação do opositor, sem apresentar propostas concretas para a cidade. Isso para um homem que já foi meio prefeito e meio governador não caiu bem perante o povo.
Martelou o mensalão dia e noite, quando mensalão não houve, permitam-me discordar dos homens de preto que fazem a justiça desse país. O crime ali cometido chama-se "caixa 2", com sobras de campanhas eleitorais e contribuições clandestinas. É um crime menor? Para nós, cidadãos decentes, não! Para a justiça sempre foi, até semana passada.
Eu não sou defensor do caixa 2 de campanha eleitoral, seja ele do PT ou do PSDB, mas não sou a favor da condenação de um e o completo silêncio cúmplice – da mídia, da direita conservadora e dos chamados partidos de extrema esquerda – e abonador para o outro.
Devemos caminhar rapidamente para o financiamento público de campanha, assim poderemos colocar algum cabresto no poder econômico, caso contrário adeus representatividade.
Aliás, no meu entendimento a tal democracia representativa está com os dias contados. Ela precisa se reinventar. Talvez aperfeiçoarmos os instrumentos da democracia direta, ou reconhecermos outras formas de representação, como fizeram recentemente os equatorianos e bolivianos.

7.2.09

Greve do ABC de 1980

Inspirado pelo Diário Gauche estou procurando por um grande líder sindical que pontificou nesse país nas décadas de 70/80 e tornou-se símbolo da esperança de um novo tempo para a maioria dos brasileiros.
Ele aparece na cena final do vídeo abaixo, se alguém souber de seu paradeiro, favor avisar neste blog.

23.1.09

Presidente Lula é o 'encadeirado' da vez no programa, neste sábado, às 22h30

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é o convidado do programa Bola da Vez deste sábado, que vai ao ar às 22h30 na ESPN Brasil. Em entrevista aos repórteres Paulo Vinícius Coelho, João Palomino e Helvídio Mattos, o chefe de estado brasileiro não se furtou a responder questões sobre assuntos polêmicos, como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Pan-americanos do Rio e a Olimpíada de 2016.
Na conversa, Lula garantiu, por exemplo, que o Governo Federal não desembolsará um centavo para a construção de estádios para o Mundial de futebol a ser disputado no país e que a ajuda, assim que as cidades-sede forem definidas, virá através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e será destinada a obras de infra-estrutura.
No bate-papo, é claro, não poderiam faltar os pitacos do presidente sobre o seu time de coração, o Corinthians, e a seleção brasileira, a qual Lula não deixa de citar em público quando vai bem ou mal dentro das quatro linhas e até fora delas.
Enfim, são motivos mais que suficientes para você, fã de esporte e, mais do que isso, fã de política no esporte, ficar em casa e saborear esta entrevista. Não esqueça, é na noite deste sábado, às 22h30, na ESPN Brasil.

Confira o making of da entrevista do presidente Lula ao 'Bola da Vez'

4.10.08

Lula chama Sadia e Aracruz pelo nome: especuladores!

Esse é o Lula que mereceu meu voto! Esperava essa coragem dele no enfrentamento com as forças reacionárias que dominam este país, escoradas em velhas estruturas partidárias carcomidas, somadas a outras travestidas de portadores da modernidade e da sabedoria erudita.
Tomara que isso não seja uma fase passageira e, na esteira desse discurso, enfrente Gilmar Mendes, defenestre Jobim e mantenha a Polícia Federal e o aparato repressivo do Estado na linha de frente do combate à corrupção!


Lula diz que não haverá pacote e critica Aracruz e Sadia por "ganância"

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (4), em São Bernardo do Campo, que as empresas Aracruz e Sadia estavam especulando e por isso tiveram perdas com a valorização do dólar no mercado financeiro brasileiro. Lula negou a adoção de um pacote de medidas para fazer frente à crise financeira internacional e disse que os efeitos serão combatidos com medidas pontuais, quando necessárias.
“Essas empresas, no fundo, no fundo, estavam especulando contra a moeda brasileira. Portanto, não tiveram prejuízo. Elas praticaram, por conta própria, por ganância, esse prejuízo. Portanto, não coloque isso na crise não. Isso é problema delas, que tentaram especular de forma pouco recomendada”, afirmou o presidente.
As duas empresas apostaram na cotação baixa do dólar e realizaram contratos futuros na expectativa da não valorização da moeda norte-americana. Se o dólar caísse abaixo do que foi contratado, as empresas obteriam lucro. A manobra é conhecida como hedge. Mas com a valorização do dólar diante do real, tiveram perdas nas operações, o que motivou a queda de suas ações.
A assessoria de imprensa da Aracruz disse que não iria responder os comentários do presidente Lula. A Agência Brasil não conseguiu, até o momento, falar com a assessoria da Sadia.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

29.11.07

Mais clareza e menos leguleios

O texto abaixo está no Valor Econômico de hoje:

No momento em que uma sociedade está passando por uma transformação política, é muito difícil entender as razões e o conjunto de forças que empurram os atores para posições extremas. Mas não é tão complicado definir as responsabilidades por enormes mudanças de rumo dos atores institucionais, como governos e partidos, e, neles, de pessoas com grande capacidade de liderança interna ou peso eleitoral capaz de submeter interesses de seu partido, ou de um governo. Nesses momentos, o protagonismo das crises e das mudanças torna-se público, até porque tem uma função de propaganda, de convencimento dos seus pares (num partido) ou de um setor social mais amplo - seu papel político é aparecer nas páginas dos jornais, moldar opiniões, confrontar adversários.
A introdução é um pouco longa para justificar uma ignorância - onde o PSDB quer chegar? - e apontar um protagonismo - onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quer que o PSDB chegue? Por enquanto, a conclusão que se chega, juntando as duas pontas, é surpreendente: o PSDB é um partido que já esteve no poder e tem os candidatos com maiores chances de suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Introjetou, no entanto, um perfil de partido parlamentar que, sem chances de chegar ao poder pelo voto, radicaliza o discurso e aposta na desestabilização política, como se precisasse de forças "de fora" da institucionalidade para chegar à Presidência. FHC tem grande contribuição na formatação desse perfil partidário que se, em 2006, já reduziu as suas chances de vitória, em 2010 pode comprometer as chances, agora grandes, do partido voltar ao poder.
Nas crises de 1954, 1955, 1961 e 1964, a UDN, como um partido, foi empurrado, especialmente pelo jornalista Carlos Lacerda, para a estratégia de desestabilização de regimes instituídos pelo voto. A UDN era um partido que não conseguia superar o favoritismo da aliança PSD-PTB; Carlos Lacerda era o candidato que, fortemente apoiado numa classe média conservadora, tinha ambições presidenciais, mas não conseguia arregimentar mais do que uma classe média conservadora (além de uma classe alta conservadora) com um discurso elitista, anticomunista e passional. A intencionalidade golpista do partido e de seu maior líder (ou o mais barulhento) não era obscura. Em 1954, em contenda para depor Getúlio Vargas (PTB), o ex-ditador que havia voltado ao poder pelo voto, o embate era pessoal.
O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jorge Ferreira, no artigo "Crises da República: 1954. 1955 e 1961" (in "O Brasil republicano: o tempo e a experiência democrática", org. dele e de Lucilia de Almeida Neves Delgado), cita frase do udenista Herbert Levy que resume o que foi a campanha de desqualificação pessoal de Vargas: "O Sr. Getúlio Vargas passou a representar para os brasileiros o que pode haver de pior em matéria de caudilhismo; o corruptor por excelência, o ambicioso do poder a qualquer preço, o acolitador dos desonestos, dos violentos, dos deformados moralmente". Em 1955, já de antemão derrotada pela aliança PSD-PTB (consubstanciada na candidatura de Juscelino Kubitschek, do PSD, à Presidência, e de João Goulart, do PTB, à vice), a UDN tirou do bornal uma carta grosseiramente falsificada onde um deputado argentino trataria com Goulart da venda de armas para a formação de supostas "brigadas de choque obreiras" no Brasil. Em 1961, quando o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resistiu à tentativa militar de não dar posse a Jango, depois da renúncia de Jânio Quadros, udenista por acaso, Lacerda, já governador do Rio, estampou na primeira página do seu jornal, "A Tribuna da Imprensa": "Denys, agora é escolher: comunismo ou democracia". Denys era Odílio Denys, o ministro da Guerra, e Lacerda pedia a consumação do golpe.
Tudo isso é passado. Não se quer aqui atribuir intenções golpistas ao PSDB. Apenas mostrar que, de forma incongruente à sua condição de partido com chances de chegar ao poder pelo voto, ele tem assumido cada vez mais o discurso de quem pede ajuda "de fora". FHC é o porta-estandarte desse discurso. Incluiu na trouxa de tudo o que já falou de politicamente incorreto contra um presidente legitimamente eleito algumas pérolas a mais, no 3º Congresso do PSDB. A mais grosseira foi de novo "acusar" Lula de ter menos anos de escola que os ilustrados tucanos, ele, FHC, principalmente. A mais grave, no entanto, é a insistente tentativa de associar Lula ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A "denúncia" da articulação de um terceiro mandato para Lula é insuflada pelos tucanos mais radicais, porque essa "intenção" transformaria o petista em Chávez, naquele que não quer sair do poder e o manipulará em favor de sua manutenção na Presidência por tempo indeterminado. FHC seria aquele que denuncia a intenção. Disse ele: "Hitler foi eleito, Mussolini foi eleito, nas ditaduras, Stálin foi eleito. Não é suficiente ter eleições para ter democracia" (...) "Eu não estou acusando. Estou dizendo que existe o risco [do terceiro mandato]. E este risco está no ar, e mais do que no ar, está em ações que começam a se organizar" (...) "Espero que o presidente Lula, com mais clareza do que disse até agora, com menos leguleios para justificar o companheiro da Venezuela, diga: 'sou contra'."
Pela lógica, e partindo do princípio de que o PSDB não tem razões para assumir a estratégia da desestabilização para conseguir chegar ao poder - pois ela pode desestruturar candidaturas suas com chances reais de vitória - FHC e os tucanos mais radicais estão tirando do baú um modelo que não serve e não serviu ao país, e não convém ao partido. Supõe-se, então, que em algum momento o PSDB vai se rearticular com um outro perfil - pode até permanecer à direita, mas resolverá a confusão em que se meteu, de achar que ser oposição é desestabilizar um poder constituído, que vai naturalmente mudar de mãos pelo voto se a democracia for mantida. Mas existe o risco de isolar-se abraçado a uma classe média mais conservadora, como Lacerda e a UDN no passado, e, indispondo-se com o eleitor, afastar a possibilidade de conquistar o poder pelo voto - o que provocaria um acirramento dessa posição. Lacerda, reconheçamos, foi melhor nisso. Ainda bem.
Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
O texto está disponível (só para assinantes) aqui.

5.11.07

O "suposto" terceiro mandato de Lula

A imprensa grande está preocupada, até a raiz dos cabelos, com um “suposto” – para usar um termo da moda – terceiro mandato para o presidente Lula.
Não faz o menor sentido tal preocupação. Primeiro por não ser o desejo do presidente, ao menos é o que me parece, e segundo, por que a conjuntura política não está para peixe! Será muito mais difícil, e muito mais caro, passar uma emenda constitucional com esse intento, do que aquela que aprovou a reeleição durante o reinado, desculpem-me, o governo de FHC.
Por outro penso eu que reeleição não é uma coisa saudável para alimentar uma boa cultura partidária. Lembro-me que nos idos de 1980 e poucos, discutíamos no PT a proposta de proibição de reeleição para todos os cargos, assim, pensávamos, as lideranças seriam sempre renovadas e a política jamais se tornaria uma profissão. Bons tempos!
O que me diverte, deveras, é o medo dos setores com representação na bancada da mídia com esse tal de terceiro mandato.

29.9.07

Record News e as manipulações da Folha de S. Paulo

Reproduzo abaixo artigo do Luiz Antonio Magalhães (clique aqui para acessar o blog dele) publicado ontem - 28/8 - no Observatório da Imprensa (clique aqui para acessá-lo):

Circo da Notícia

RECORD NEWS - Como manipular uma notícia
Por Luiz Antonio Magalhães em 28/9/2007
A reportagem que se segue está na Folha de S.Paulo de sexta-feira (28/9), acompanhada de uma foto enorme do presidente Lula e o bispo Edir Macedo apertando o botão para o início das transmissões do Record News. Trata-se, tipicamente, de uma matéria destinada a enganar o leitor, vender gato por lebre, com a intenção de prejudicar Lula.
Foram três os recursos usados para manipular a notícia.
O primeiro é a foto de Lula e Edir, que tem o objetivo de mostrar que os dois são aliados. Os dois outros recursos estão no texto. Primeiro, a Folha mente ao dizer que quando Lula e Edir apertaram o botão, "Serra e Kassab" estavam na platéia. Não é verdade: o governador e o prefeito estavam no palco e participavam do evento no mesmo plano do presidente da República.
Um pouco mais abaixo, a reportagem informa que uma comitiva de ministros participou da cerimônia e "não se sentiu constrangida" com a fala de Edir sobre a Globo. Ora, também estavam presentes secretários e colaboradores do governo Serra. Por que a Folha não registrou o fato ou repercutiu com os tucanos a fala do bispo?
Resposta simples: porque o objetivo do jornal não é jogar cascas de bananas para Serra, candidato da Folha à presidência em 2010, mas para a turma do presidente Lula. O repórter que cobriu o evento estava devidamente pautado e sabia a quem deveria dirigir as perguntas. É mesmo simples assim: basta ler o diário da Alameda Barão de Limeira com atenção para perceber que José Serra é o maior beneficiário da cobertura política do jornal.
A seguir, a "reportagem" da Folha.
***
Bispo da Universal lança TV e ataca "monopólio da notícia"
Copyright Folha de S.Paulo, 28/9/2007
O proprietário da Rede Record e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, aproveitou ontem o lançamento do canal Record News, o primeiro com 24 horas de jornalismo em TV aberta do país, para se dizer "injustiçado" por um grupo que detém o "monopólio da notícia".
Sem fazer alusão à Rede Globo, disse que "fomos injustiçados por muitos anos nas mãos de um grupo de comunicação que mantinha e mantém, por enquanto, o monopólio da notícia do Brasil. Daí surgiu o nosso desejo de levar ao fim esse monopólio, de dar às pessoas o direito de se informar por outro canal de notícias, de formar opinião por si mesmos. Daí surgiu nosso desejo em democratizar a informação".
O discurso foi feito por Macedo minutos antes de acionar, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o botão que simbolicamente ativou o canal.
Estavam na platéia o governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM).
Procurada, a Rede Globo informou que não vai comentar as declarações de Macedo.
Em suas falas, Lula e Serra exaltaram a estréia como um instrumento de pluralidade. "Um novo veículo de notícias amplia muito a diversidade de opiniões e a multiplicidade de enfoque", elogiou Serra.
"A estréia do canal Record News representa um grande momento para a história da televisão brasileira e contribui para que os cidadãos exerçam aquele que é um dos mais sagrados direitos democráticos: o acesso à informação", disse Lula, encerrando o discurso com "Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós", trecho do hino da Proclamação da República.
Comitiva
Os ministros Franklin Martins (Comunicação), Marta Suplicy (Turismo) e Orlando Silva (Esportes) participaram da solenidade.
Os integrantes da comitiva presidencial não se mostraram constrangidos com as declarações de Macedo, embora evitaram comentá-las. "É sempre bom quando nasce uma TV. Assim há mais pluralidade", disse Franklin, enquanto o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), enaltecia a pluralidade.
A cantora Fafá de Belém -musa do movimento pelas Diretas- interpretou o Hino Nacional. De lá, os convidados foram para um coquetel. A Record News exigiu um investimento de US$ 7 milhões. Macedo, que foi preso em 1992 sob acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato, começou a erguer o império de comunicação da Universal no final dos anos 80, quando comprou as três emissoras de TV da Record de São Paulo. Até 94, a Record tinha seis geradoras próprias de TV. Em 95, foram mais oito.
Ainda nos anos 90, a Universal investiu em duas novas redes de TV -Rede Mulher e Rede Família. Neste ano, foram compradas a TV e rádios Guaíba. [Colaborou a Folha Online]