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11.10.09

Folha de São Paulo: um jornal irresponsável

O jornal citado no título publicou uma matéria em 19/7/09 dizendo que os infectados com a gripe suína chegariam, em dois meses, a 35 milhões de brasileiros, no mínimo!
Abaixo segue reprodução do texto.

Qual foi a calculadora que o senhor Hélio Schwartsman usou para chegar a tão brilhantes conclusões?
Lembro-me que muitos dos estimados blogueiros indicados aí ao lado esbravejaram e contestaram a matéria da Folha, com muita precisão e lógica.
Eu preferi esperar.
Agora posso dizer que a Folha mente e, além de fazê-lo descaradamente, é irresponsável, pois contribui para instaurar o pânico e desorganizar nosso precário sistema de saúde pública.
A propósito, nesta semana que passou fui diagnosticado com a tal gripe.
Pertenço ao grupo de risco – calma, não estou grávido, sou diabético e obeso – e me tratei em casa. Tamiflu por 5 dias, um antibiótico para combater a “manchinha” no pulmão, distância dos familiares e já estou quase inteiro.

1.8.09

Cidadania, a gente se vê por aqui

É comum vermos discursos autopromocionais nos meios de comunicação que compõem a mídia corporativa.
Vendem a imagem de gente boa com muita criatividade e com campanhas dispendiosas.
Quando o exercício pleno da cidadania se faz necessário, omitem-se.
Além de cidadania a imprensa tem certas obrigações, implícitas e explícitas, que não podem ser abandonadas.
Não vou voltar a falar do sensacionalismo do tratamento dado a “gripe suína”, mas sim da ausência de uma manifestação cidadã, principalmente das redes de TV.
Com a penetração que tem no território nacional poderiam, facilmente, transformar-se no maior instrumento de prevenção da influenza A junto à população.
E onde estão nossos publicitários, premiados no mundo inteiro por sua excelência e criatividade?
Estava hoje imaginando peças publicitárias – com animações e algum senso de humor, se possível – instruindo a população a lavar as mãos, proteger boca e nariz com o lenço ao tossir e espirrar, evitar aglomerações etc.
Que tal o Maurício de Souza ceder o Cascão e toda a Turma da Mônica para este grande empreendimento?
Já imaginaram tais peças sendo vistas por milhões de brasileiros nos intervalos das novelas, jogos de futebol, programas de variedades que inundam manhãs e tardes do brasileiro?
Este deveria compor o papel social da TV – e da mídia de forma geral – que está declarado na Constituição e que os proprietários dos impérios tanto falam.

28.7.09

Desinformação e pânico

Esse é o resultado do tratamento que a imprensa dispensa à gripe A.
Qual a razão?
Existem várias: é uma gripe para a qual não existe vacina; atingiu, no Brasil, a classe média; foi cercada de mistérios desde os primeiros casos; o governo demorou a disseminar informação de segurança e, finalmente, nossa imprensa é muito ruim.
A forma como a mídia tratou o início foi horrível e alimentou essa sensação de pânico que vivemos nesse momento.
Hoje, conversando com uma amiga que teme enviar o filho para a escola por causa da aglomeração na sala de aula. Esqueci de perguntar se ela proibiu cinema, shows, shopping etc.
Lembro-me que quando criança – faz tempo, em plena ditadura – o governo escondeu, de forma criminosa, uma epidemia de meningite. Tentava preservar o Brasil como sede de um Pan-americano, se a memória não me trai. A censura e a falta de informação foram mortais, muitos foram vitimados por causa dessa irresponsabilidade.
Hoje temos um efeito contrário, pois a informação existe em quantidade, pena que não obedeça a critérios de qualidade.
Ano passado a mídia corporativa levou o pânico à população anunciando uma epidemia mortal de febre amarela. Resultado: pessoas foram hospitalizadas – duas morreram – por terem tomado a vacina desnecessariamente.
Agora é a “gripe suína”. E, para sorte da população brasileira, os dois estados com mais problemas – São Paulo e Rio Grande do Sul – são governados pelo PSDB, fossem governos petistas e estaríamos lascados!
Ainda assim um imbecil anunciou na Folha de S. Paulo que 35 milhões de brasileiros seriam contaminados pela atual gripe, com a mesma irresponsabilidade que uma jornalista – também da Folha – mandou todo mundo sair correndo, ano passado, para tomar a vacina contra a febre amarela.
Sou radicalmente contra a censura, mas penso que chegou a hora destes irresponsáveis, com diploma de jornalista ou sem ele, pagarem por estes crimes contra a saúde pública.

22.6.09

Uma gripe de "classe"

O jornal SPTV noticiou que três colégios suspenderam as aulas por causa de registros da gripe entre seus alunos.
Todos os alunos contrairam a danada em viagem ao exterior.
Logo nenhum desses colégios fica no Capão Redondo.

4.5.09

A gripe e o surto de desinformação reinante

Sei que não é correto publicar textos na íntegra, mas o caso requer que seja feito assim. Abaixo segue excelente artigo do Dr. Rogério Tuma, articulista da área de saúde da revista CartaCapital, tratando de maneira sóbria, direta e bastante honesta, a "gripe suína".
Na edição desta semana a revista apresenta outra matéria sobre o mesmo tema: "Se os EUA espirram...", de autoria do Antonio Luiz M.C. Costa também imperdível, pena que não esteja disponível no site.

Epidemia de despreparo

Rogerio Tuma
A falta de preparo, o desconhecimento e a influência econômica interferem no discurso de autoridades sanitárias no mundo todo. Em vez de alertar a população, acabam por alarmá-la, provocando mais estragos que o próprio surto virótico.

A gripe suína é provocada por um tipo de vírus influenza, da mesma família que pode provocar a gripe comum e a aviária. Esta espécie é o mais frequente motivo de infecção de vias aéreas por vírus em humanos, porcos e aves, podendo causar desde um simples resfriado até uma grave pneumonia.
É provocada mais frequentemente pelo vírus influenza tipo A, subtipo H1N1. A infecção passa de um porco doente para outro por contato com secreções de espirros, gotículas de saliva e contato físico íntimo. Vez ou outra um desses vírus sofre mutação genética, o que permite a contaminação das vias aéreas de outros animais, principalmente humanos. Além de criá-los em cativeiro com pouco espaço, o que facilita a contaminação, somos muito parecidos geneticamente com os porcos.
Muitos tecidos vivos utilizados na medicina para substituir os nossos provêm de porcos. Por conta dessa semelhança e proximidade, não é raro uma epidemia de gripe suína atingir humanos e vice-versa. Outro vírus que também pode provocar a gripe suína, o influenza A H3N2, é originário de gripes humanas.
No caso da influenza suína, a morbidade é muito alta. Traduzindo: depois de passar do porco para o humano, é muito fácil a transmissão de um homem para outro, mas a sua mortalidade é baixa, isto é, o risco de uma gripe se transformar em pneumonia letal é de 1% a 4 %. Esta característica é a que melhor difere a atual epidemia da gripe aviária, em que o vírus é muito mais estranho aos humanos e atingiu mortalidade de 20%.
O mundo todo, todo ano e o ano todo tem gripe. Algumas são mais graves, pois toda infecção viral provoca uma resposta do organismo infectado com a produção de anticorpos e inflamação. Algumas vezes, a reação é tão intensa que passa a ser perigosa por si só.
Isto é mais comum quando o vírus é muito mais estranho ao organismo que infecta e, portanto, muito mais antigênico. A cepa específica que provoca a epidemia no México tem pedaços de genes da influenza aviária, humana e suína. É a primeira vez que uma mutação tão complexa é identificada. Se o fenômeno se traduz em reação inflamatória mais intensa e maior risco de morte, ainda está por ser definido.
Quando estamos diante de uma epidemia, a melhor conduta é evitar o lugar onde ela começou e onde existem mais casos clínicos. É medida errada do governo não sugerir às pessoas deixarem de viajar para os lugares por turismo até que a situação esteja controlada. Todo o prejuízo das companhias de turismo e da economia local compensa ao se poupar uma vida que seja. Além disso, como as mudanças virais são muito rápidas, ninguém colocaria um familiar na região onde um vírus com alto poder de infecção está se espalhando. Mesmo que a chance de morrer em decorrência seja muito baixa, ela não é nula.
As epidemias ocorrem por erro dos países que não vacinam seus animais e não têm programa educativo ou de orientação para os criadores de porcos e aves. Em alguns lugares o porco doente é abatido e servido na mesa do criador.
É alarmante o desserviço prestado pelos governantes e autoridades ao comentar fatos com desconhecimento e falta de bom senso. O governo dos Estados Unidos, ainda expressando o pensamento de que o mundo pertence aos americanos, reclama publicamente que já tem problemas demais com o Afeganistão e a crise econômica, e os mexicanos lhes aparecem com uma epidemia. Já faz mais de três anos que aumentou a incidência de gripe suína nos EUA.
Produtores e exportadores de carne suína no Brasil querem trocar o nome da gripe para norte-americana ou mexicana, criticando o sobrenome suíno dado para a gripe, ideia tola e errônea. O país que mais levou a sério a pandemia de influenza em 1918 e deu liberdade à imprensa para informar sua população, acabou carregando o peso de nomeá-la, pois, apesar de o vírus ter se espalhado a partir dos Estados Unidos, a gripe que matou milhões virou espanhola.
A Europa parece muito mais preparada para adequar as respostas de governo a esse tipo de ameaça, pois seus dirigentes se reservam a anunciar reuniões com seus técnicos e as precauções são dadas pelos órgãos de saúde e com bom senso. Os Estados também não vacilaram. A comissária de Saúde da União Europeia, Androulla Vassilliou, recomendou claramente aos cidadãos que evitem viagens não essenciais às regiões onde há casos confirmados da doença.
Por aqui acontece o contrário. Não houve nenhuma recomendação aos viajantes brasileiros que visitariam os locais contaminados. Eu gostaria muito de poder utilizar uma cota de passagem dos congressistas e pagar uma viagem a Cancún para o diretor de jornalismo da rede de televisão que anunciava claramente não haver perigo em viajar para o México e para o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que fazia a mesma coisa nos dias iniciais da epidemia.
O mais ridículo foi o argumento: já que a pandemia está fora de controle, tanto faz o lugar do mundo para onde se vai viajar. Só falta agora o governo financiar as passagens em 24 vezes para que os brasileiros possam ver de perto os efeitos da gripe suína no México, ou da aviária na China. Ou, ainda, um tour pelo Saara, onde acaba de eclodir uma epidemia de meningite. Isso sem falar na dengue em nosso litoral.
Outra orientação errada é garantir que a gripe não passa pela carne de porco. É uma meia-verdade. O vírus pode estar presente na carne. Portanto, antes de ser ingerida, ela deve ser aquecida a pelo menos 70 graus.
A primeira morte ocorrida no México foi em 13 de abril, data também da ocorrência do primeiro caso americano. Até a quarta-feira 29, nove países confirmaram a presença de infectados com a gripe suína.
As chances de termos uma gripe igual à de 1918, que matou 40 milhões de pessoas, é muito menor. Não se pode negligenciar o avanço da ciência, muito menos a capacidade de nossa adaptação a situações adversas. Hoje podemos identificar se o vírus influenza está presente nas secreções de homens e animais doentes, com exames de sangue e secreções, em menos de 24 horas.
Existem antivirais que podem combater o H1N1 se o tratamento for iniciado até 48 horas do início dos sintomas: febre de 39 graus, dores de cabeça e no corpo, congestão nasal e tosse, em geral seca. Os antivirais foram deixados à disposição da Organização Mundial da Saúde. Mas não adianta nem precisa correr à farmácia para comprar o remédio. A Roche, que produz o Oseltamivir, doou 3 milhões de doses à OMS e deixou todo seu estoque no Brasil à disposição do Ministério da Saúde. A doutora Karina Fontao, diretora-médica do laboratório no Brasil, afirma ser possível produzir 400 milhões de doses em um ano.
O risco de ocorrer uma epidemia no Brasil não é baixo, por causa da intimidade que temos com o México. Precisamos estar alertas. Dos onze que foram internados por supostamente terem contraído a gripe suína, nenhum deles sequer preencheu os critérios de suspeita. Portanto, não precisamos nos alarmar. O que devemos fazer agora é ter bom senso e educação. Por exemplo, lavar as mãos e cobrir a boca ao tossir ou espirrar.


Aqui o link da publicação original.

1.5.09

A gripe suína e o show da notícia

O show recomeça. Outro dia era a Gripe do Frango, que, fatalmente, extirparia boa parte da humanidade, agora o bicho com gripe é outro, o porquinho!
Meu ceticismo anda em alta. Não consigo me apavorar ou entrar em pânico, mas meus alunos não falam de outra coisa.
As farmácias fizeram um caixa extra, liquidando os estoques de máscaras.
Imagino a grana que os laboratórios que fabricam antigripais estão ganhando nesse momento, não só dos consumidores “comuns, mas principalmente dos governos.
As melhores informações sobre o tema estão na BBCBrasil, clique aqui para ler.
Outra boa fonte de informação é o site Gripe Suína: prevenção, tratamento e contenção, dos pesquisadores Dr. Wladimir J. Alonso e Dra. Cynthia Schuck-Paim.