6.8.11
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22.5.10
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20.11.09
Israel alimenta o ódio dia após dia
Tenho certeza de que virão vários comentários, anônimos como sempre, ofendendo-me e também ao povo palestino. As acusações são muito variadas, vão de anti-semita a referências sobre minha querida mãe.
Mas não é possível calar-me sobre o crime mais recente do estado de Israel: a expansão dos assentamentos judaicos na parte oriental de Jerusalém. É um crime e uma provocação contra o já sofrido povo palestino. Mais adubo para o ódio reinante.
Vejam a matéria da BBCBrasil sobre o caso clicando aqui e aqui uma outra matéria, mostrando como os israelenses privam o povo palestino do acesso a água.
Deparo-me agora com uma notícia no mínimo estúpida: Israel quer que os palestinos destruam o estádio construído em Ramala, alegando que o estádio repousa um tantinho em terras israelenses! Soa como ofensa a inteligência mediana. Clique aqui e confira a notícia na íntegra.
Não é possível tamanha passividade da comunidade internacional diante dos crimes do estado israelense. Esperava um pouco mais do senhor Obama neste caso.
29.10.09
Venezuela e Mercosul
Entenda o que muda com a Venezuela no Mercosul
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em São Paulo
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira o protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL. A decisão ocorre depois de meses de discussões entre parlamentares governistas e de oposição.
A matéria já passou pela Câmara. Após aprovação na comissão, deverá ser votada no plenário do Senado.
O protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL foi assinado em 2006 e deve ser aprovado por todos os integrantes para que o país se torne um membro integral do bloco.
Argentina e Uruguai já ratificaram o ingresso da Venezuela no MERCOSUL. O Paraguai espera a decisão do Brasil para votar o protocolo.
Abaixo, a BBC Brasil responde a algumas perguntas sobre os impactos da entrada da Venezuela no MERCOSUL.
Que impacto a entrada da Venezuela no MERCOSUL deverá ter no bloco e nas relações com outros países?
Setores contrários à entrada da Venezuela no MERCOSUL afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos e que a adesão de seu país pode ser prejudicial ao bloco.
De acordo com analistas consultados pela BBC Brasil, o estilo "personalista" de Chávez pode ser motivo de temor em alguns países da região.
"É um tipo de governo que, de alguma forma, traz outro comportamento para dentro do MERCOSUL", diz Sônia de Carmago, professora da PUC-Rio. Segundo ela, enquanto Lula tem uma atuação "agregadora" em política externa, o presidente venezuelano é mais intempestivo e cultiva um "nacionalismo exacerbado".
José Alexandre Hage, professor de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, questiona ainda como o bloco irá agir diante de problemas que a Venezuela tradicionalmente tem, como os conflitos com a Colômbia.
"Se a Venezuela entra no MERCOSUL, de certa forma estamos corroborando os problemas dela. E a rivalidade que a Venezuela tem com a Colômbia, por exemplo? Como fica o bloco?", questiona.
O discurso antiamericano do presidente da Venezuela também é visto por alguns como um problema, e há o temor de que possa prejudicar as relações do bloco com os Estados Unidos. "Uma alta dose de Chávez no MERCOSUL pode aumentar uma ideologização antiamericana", diz Hage.
Há ainda o temor de que a presença da Venezuela prejudique as negociações para um acordo de livre comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia.
No entanto, o argumento dos defensores do ingresso da Venezuela no MERCOSUL é o de que não se pode impedir a entrada do povo venezuelano no bloco devido à atual circunstância política e que deixar o governo Chávez isolado seria pior.
"O problema não é a Venezuela, todo mundo quer que a Venezuela faça parte do MERCOSUL. O problema é o governo Chávez", diz Georges Landau, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
A Venezuela deve se beneficiar da integração comercial com o MERCOSUL. De acordo com alguns analistas, também o bloco teria benefícios com o ingresso do país.
"Do ponto de vista de se criar um bloco político mais coeso, a entrada da Venezuela pode ajudar. De certa forma, os países que compõem o MERCOSUL são muito parecidos na essência, com governos de centro-esquerda, com traços de certo nacionalismo. O Chávez é um pouco mais denso nesse nacionalismo, isso pode dar ao bloco um pouco mais de consistência", afirma Hage.
O ingresso da Venezuela no MERCOSUL pode aumentar o poder de influência de Hugo Chávez na região?
Alguns analistas afirmam que o ingresso da Venezuela no MERCOSUL dará a Chávez mais poder de influência na região. O país, que já integra a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), ganharia um palco importante.
"Aumenta o grau de projeção de Chávez, tem muito mais espaço de articulação", diz Hage. "Ganharia um palco muito melhor que Unasul e Alba, que são expectativas, enquanto o MERCOSUL, apesar da crise, realmente existe."
Como os venezuelanos veem a adesão do país ao bloco?
Nesta semana, um dos principais opositores de Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, veio ao Brasil e defendeu a aprovação da entrada da Venezuela no MERCOSUL. O líder opositor afirma que o povo venezuelano não pode ser punido com o isolamento por causa do governo Chávez.
Além disso, há a expectativa de que, com a entrada da Venezuela, aumente o poder de pressão do MERCOSUL sobre o governo Chávez, para que cumpra pré-requisitos democráticos. Em uma audiência no Senado, Ledezma disse que a adesão da Venezuela ao MERCOSUL seria uma chance de "enquadrar" Chávez.
O Protocolo de Ushuaia, parte do Tratado de Assunção, que criou o MERCOSUL, afirma que "a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração" do bloco. Em caso de não cumprimento das cláusulas democráticas, um país pode sofrer suspensão.
"A Venezuela é uma democracia em termos formais, mas tem uma forma de governo muito autoritária", diz Sonia de Camargo.
No entanto, alguns analistas afirmam que os resultados práticos desse tipo de pressão por parte do MERCOSUL podem ficar aquém do esperado. "Não há mecanismos para isso, porque o MERCOSUL é muito pouco institucionalizado", diz Hage.
Apesar das limitações, alguns defensores do ingresso da Venezuela no MERCOSUL afirmam que é melhor ter o país no bloco, atendendo a algumas regras, do que independente e sem controle.
Qual o impacto econômico da adesão da Venezuela ao MERCOSUL?
No ano passado, a balança comercial do Brasil com a Venezuela alcançou US$ 5,7 bilhões, com superávit de US$ 4,6 bilhões para o Brasil.
Desde 2007, o Brasil passou a ser o segundo sócio comercial do país, ficando atrás somente dos Estados Unidos, principal consumidor do petróleo venezuelano.
A Venezuela importa 70% do que consome, a maior parte da Colômbia e dos Estados Unidos. Defensores afirmam que o ingresso do país no MERCOSUL traria vantagens econômicas e fortaleceria o PIB do bloco. Também estenderia o bloco para o norte da América do Sul, com influência na região caribenha e benefícios para os Estados da região norte do Brasil.
Para fazer parte do MERCOSUL, a Venezuela tem de cumprir critérios, entre eles a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC), vigente no comércio do bloco. Críticos afirmam que a Venezuela ainda não cumpriu esses critérios e não aceitou o tratado de tarifas comuns com terceiros países.
1.5.09
A gripe suína e o show da notícia
Meu ceticismo anda em alta. Não consigo me apavorar ou entrar em pânico, mas meus alunos não falam de outra coisa.
As farmácias fizeram um caixa extra, liquidando os estoques de máscaras.
Imagino a grana que os laboratórios que fabricam antigripais estão ganhando nesse momento, não só dos consumidores “comuns, mas principalmente dos governos.
As melhores informações sobre o tema estão na BBCBrasil, clique aqui para ler.
Outra boa fonte de informação é o site Gripe Suína: prevenção, tratamento e contenção, dos pesquisadores Dr. Wladimir J. Alonso e Dra. Cynthia Schuck-Paim.
14.2.09
Imprensa oba oba!
A falta de massa crítica e a onda do tipo “Galvão Bueno” no episódio da brasileira que alega ter sido agredida na Suíça, levou o governo brasileiro ao exagero.
Antes dos fatos apurados e antes de ouvir as autoridades locais, já havia por aqui certezas, convicções e condenações.
No Jornal da Band de quinta-feira o âncora Ricardo Boechat ficou indignado com a falta de firmeza do governo brasileiro no episódio.
E agora? Vai falar o quê?
O site da BBCBrasil oferece uma visão mais equilibrada, clique aqui.
O Estadão de hoje recobra o equilíbrio, depois de começar chutando o pau da barraca, embora, reconheçamos, o episódio, se verdadeiro, justificará esse sentimento de repulsa e horror. Clique aqui para acompanhar a cobertura do Estadão.
A Folha Online - clique aqui para ler - reproduz a BBC e acrescenta algumas matérias novas, também equilibradas, mas na edição impressa a Folha capricha, até com um enviado especial a Zurique. Na primeira matéria de 12/2, a Folha dizia que:
“Uma advogada brasileira de 26 anos foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira.
Grávida de três meses de gêmeas, Paula Oliveira sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela continua em repouso, mas já não corre mais risco de morte.
De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.
A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.
Quando foi abordada, a advogada, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Um dos agressores tinha uma suástica na cabeça.”
Somente a partir do dia 14, com a presença do enviado especial, a cobertura recebeu um tom mais crítico.
Não se trata de condenar a advogada brasileira, mesmo por que não tenho elementos para tal, mas sim de desejar que a imprensa tenha compromisso com os fatos e com a apuração dos mesmos. Nossa mídia está mal acostumada, apenas reproduz as declarações que recebe, claro, as que lhes são convenientes.
9.12.08
Quem é o corrupto mesmo?
Parece óbvio, mas diante da mania de nossa mídia de culpar somente os agentes públicos pela corrupção, penso que seja necessário traçar tal obviedade.
Hoje a BBC Brasil apresenta uma matéria na qual afirma que as empresas brasileiras corrompem escancaradamente no exterior! Uns alegarão que estamos ladeados de países de boa estirpe, como a Itália, mas isso não nos engrandece e só vem confirmar aquilo que afirmei no início deste pequeno texto.
Para maior clareza reproduzo abaixo a matéria da BBC:
Brasil é um dos primeiros em ranking de suborno
O Brasil ocupa uma das primeiras posições em um ranking de percepção de suborno transnacional elaborado pela ONG Transparência Internacional (TI).
O estudo, intitulado Bribe Payers Index (“Índice de Pagadores de Suborno”, em tradução livre), foi elaborado a partir de entrevistas com 2.742 empresários de 26 países e analisou a propensão ao pagamento de suborno de empresas dos 22 maiores países exportadores.
Durante as entrevistas, questionou-se sobre a freqüência com que as empresas desses 22 países participam de operações que envolvem subornos nos países de origem dos entrevistados.
A partir daí, foi criado um ranking que lista, nas primeiras posições, os países cujas empresas têm menores índices de corrupção e, em último, os países cujas companhias mais praticam subornos. O Brasil aparece em 17° lugar, empatado com a Itália - na listagem inversa, com os países que mais pagam propina no topo, o Brasil ocupa a 5ª posição.
Brics
Os outros três países que formam com o Brasil o chamado grupo dos Bric (Rússia, Índia e China) tiveram classificações piores no ranking, sendo que a Rússia aparece como o país cujas empresas mais se envolvem em casos de pagamentos de propina no exterior.
Já a Bélgica e o Canadá ficaram empatados em primeiro lugar, o que indica que suas empresas se envolvem menos em casos de corrupção, segundo os entrevistados.
“O índice traz evidências de que companhias dos maiores países exportadores ainda se utilizam de suborno para fazer negócios em países estrangeiros”, diz a presidente da Transparência Internacional, Huguette Labelle.
“A desigualdade e a injustiça que a corrupção causa, tornam vital que os governos redobrem seus esforços para reforçar as leis contra o suborno por parte de companhias estrangeiras. Do mesmo modo, todos os grandes países exportadores devem se comprometer com as medidas da Convenção Anti-Corrupção da OCDE”, completa.
Tipos de corrupção
O relatório também mostra quais os diferentes tipos de subornos utilizados por empresas dos 22 maiores exportadores do mundo.
Segundo pouco mais de 20% dos entrevistados, o tipo de corrupção mais praticado por empresas brasileiras no exterior é o suborno a autoridades públicas menos graduadas, que é definido pela ONG como aquele utilizado para “apressar as coisas”.
Já cerca de 50% dos entrevistados afirmaram que as empresas russas, além do suborno a autoridades menos graduadas, costumam também corromper partidos políticos e altas autoridades.
As empresas mexicanas, por outro lado, foram apontadas por 38% dos empresários ouvidos como aquelas que mais utilizam relações pessoais e familiares para conseguir contratos públicos.
O estudo ainda traz a opinião de empresários sobre quais empresas estrangeiras se envolvem em mais casos de corrupção em seus países.
Os empresários da Europa e Estados Unidos que responderam à pesquisa, por exemplo, consideram que a China e a Itália são países cujas empresas costumam se envolver mais em corrupção na região. Já as companhias suíças e belgas são vistas como as mais honestas.
As empresas chinesas também são vistas nos países da América Latina que participaram da pesquisa (Argentina, Brasil, Chile e México), como as que mais pagam suborno nesta região. As empresas alemãs foram consideradas as mais idôneas.
Setores
O índice também traz os setores da economia cujas empresas mais se envolvem em casos de corrupção.
Um dos rankings aponta quais os tipos de companhia que mais se envolvem, de acordo com os entrevistados, em casos de suborno a autoridades públicas.
Entre os que mais oferecem estes subornos estão empresas que prestam serviços públicos, de construção, imobiliárias e petrolíferas. As mais honestas neste ranking são as que trabalham com computação, pesca e bancos.
Outro ranking aponta aqueles setores cujas empresas mais se envolvem em casos de suborno com o objetivo de influenciar decisões políticas e leis.
Neste caso, as apontadas como mais corruptas também são aquelas dos setores de serviços públicos, construção, imobiliárias e petrolíferas.
Já o setor bancário, que aparece como um dos mais honestos no ranking anterior, não tem um classificação tão boa neste.
O índice ainda aponta que para 49% dos empresários latino-americanos, os esforços de seus governos para erradicar a corrupção têm sido “muito ineficientes”.
O relatório não permite uma comparação com o ranking anterior, realizado em 2006, por analisar menos e diferentes países.
Fonte: BBC Brasil
7.6.08
Até a Venezuela...
Em que pese a significativa melhora da seleção venezuelana, quando comparada ao time de uma década atrás, o desempenho da seleção brasileira foi medíocre.
A propósito do jogo de ontem, a BBC Brasil noticia:
O presidente venezuelano Hugo Chávez não ficou de fora da festa e aproveitou a oportunidade para provocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recordá-lo de uma antiga advertência.
"Eu já tinha dito ao Lula, que um dia ganharíamos do Brasil, ganhamos do Brasil, chegou o dia, é um dia histórico", disse Chávez ao pedir um "viva a vinotinto", como é conhecida a seleção venezuelana, durante um ato público com membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Chávez costumava brincar com Lula durante seus encontros bilaterais que um dia a seleção venezuelana ganharia a brasileira. O presidente brasileiro sempre sorria, incrédulo.
Para ler a matéria completa é só clicar aqui.
10.3.08
O Brasil e a América do Sul
Na verdade ela produz um Especial com o título de BRASIL: GIGANTE VIZINHO. Uma série de matérias – textos e vídeos – sobre o papel do Brasil no subcontinente.
Material de primeira qualidade, vejam:
Para América do Sul, liderança brasileira ainda é promessa
Com metade do PIB do continente e uma extensão territorial que lhe garante fronteira com nove dos seus 11 vizinhos, o Brasil é visto na América do Sul como um potencial líder da região. Mas essa liderança brasileira, intencional ou não, é considerada apenas uma promessa.
"Eu acho que o Brasil tem o papel de grande integrador", diz o ministro do Exterior do Peru, José António Garcia Belaunde, que acrescenta: o país "poderia fazer mais (…) com mais iniciativa e, obviamente, mais investimento".
As palavras do ministro peruano sintetizam um sentimento generalizado identificado pela reportagem da BBC Brasil, que esteve nos outros 11 países da América do Sul para ouvir de políticos, empresários e cidadãos comuns o que eles pensam do seu gigante vizinho.
Há quem considere difícil o Brasil aumentar sua influência regional, mas é comum a opinião de que a maior potência sul-americana deveria fazer mais pelo continente, idéia defendida pelo ex-ministro da Defesa colombiano Rafael Pardo.
"Francamente (as aspirações de liderança brasileira), deveriam ser mais ativas. A idéia da união sul-americana ficou débil, o Brasil parece ter perdido o entusiasmo em relação a essa idéia, e acho que é necessário entusiasmo para a América do Sul ter um processo de integração mais dinâmico do que o tem tido até agora", avalia.
A posição de liderança e a própria necessidade de um líder regional são ainda tabus para o governo brasileiro. Em 2003, no início do seu primeiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em um discurso diante de novos diretores da hidrelétrica de Itaipu, que o continente pedia por uma liderança vinda de Brasília. "É impressionante como todos esses países estão quase a exigir que o Brasil lidere a América do Sul."
Cobrança
Mas a frase causou um certo mal-estar, já que, desde que começou a trabalhar por um projeto de integração sul-americana, no início dos anos 90, a diplomacia brasileira tem negado uma intenção explícita de liderar a região – uma idéia que poderia desagradar a vizinhos e atrapalhar o processo. Hoje o próprio Lula evita qualquer menção a uma liderança brasileira e sempre que pode repete que a América do Sul "não precisa de um líder".
Porém o fato é que a maior parte das nações sul-americanas continua a ver o Brasil como o país com o maior potencial para promover a integração regional, apesar de considerar que tal potencial ainda não esteja sendo totalmente aproveitado.
Pilares
A integração sul-americana passa atualmente passa pela construção de dois grandes pilares: o econômico e o político. Do ponto de vista econômico, uma das questões que mais geram críticas ao Brasil é a relação comercial.
O mercado de consumo brasileiro é cobiçado por todos os vizinhos e apontado como um dos fatores que mais poderiam favorecer a união regional. No entanto, o Brasil ainda é um dos países mais fechados da região e mantém superávits comerciais com praticamente todo os outros países sul-americanos.
"Em 1991, pensávamos que o nosso acesso a um mercado ampliado permitiria que várias empresas de outras partes do mundo se instalassem no Uruguai", diz José Manuel Quijano, diretor da Comissão Setorial para Mercosul do Uruguai. "Mas isso não se concretizou."
Para Quijano, uma das explicações para a frustração uruguaia está na incerteza em relação ao acesso ao mercado brasileiro. Apesar de ter sustentado déficits com o Uruguai por vários anos desde o início da década de 90, o Brasil tem apresentado superávit com sua antiga Província Cisplatina desde 2004. Em 2006, o Brasil vendeu ao Uruguai quase o dobro do que importou: US$ 1 bilhão contra US$ 640 milhões.
Esse é um processo que se repete na relação com a maioria dos outros países. Hoje o Brasil vende quase dez vezes mais do que compra da Venezuela e quase cinco vezes mais do que importa da Colômbia. Desde problemas de regulamentação alfandegária até a barreira com a língua e a infra-estrutura são apontados como empecilho para se vender mais ao gigante vizinho.
Da ótica de vários especialistas, políticos e diplomatas de outros países da região, a balança comercial é apenas uma das faces do problema. Alguns acreditam que o Brasil não pode se dedicar mais à solução de problemas regionais por causa dos seus próprios desafios.
"O dilema político do Brasil é que (o país) tem todas as condições para ser um líder regional e, em muitos casos, exerce essa liderança no nível político", diz Dante Sica, presidente da consultoria argentina Abeceb, especializada nas relações entre os dois maiores países da região. "Porém o país não tem todos os atributos de um líder, porque tem muitos problemas internos."
Problemas
Na opinião de Sica, tais problemas afetam a capacidade brasileira de investir na região. Para ele, é difícil para o Brasil tomar a decisão política de colocar a mão no bolso para acabar com assimetrias com alguns vizinhos menores. “Como Lula pode ajudar o Paraguai (…) e não dar dinheiro para o Nordeste?”, pergunta.
Como resultado, muitos vêem o Brasil como uma espécie de tigre sem dentes: uma nação que deveria colocar mais dinheiro nas estradas do Peru, pagar mais pela energia comprada dos vizinhos, ajudar em projetos de desenvolvimento sustentável no Equador, mas que não consegue, ou não quer, fazer isso.
Espaços vazios
Nessa espécie de vácuo deixado pelo Brasil, pela primeira vez desde o fortalecimento da idéia de integração um país passou a ocupar espaços na busca por liderança. Com os cofres cheios de petrodólares, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, tem feito em relação a alguns países da região aquilo que o gigante do continente não consegue.
“Acredito que Lula compreendeu apenas recentemente que não pode deixar o cenário latino-americano (e a América Sul) coberto somente pela vigorosa figura de Hugo Chávez”, afirma o ex-ministro do Planejamento venezuelano Teodoro Petkoff, opositor a Chávez.
Para ele, a capacidade do presidente da Venezuela de ameaçar a posição brasileira na integração regional é superdimensionada, especialmente pelos Estados Unidos. Mas ele acredita que o Brasil precisa se dedicar mais para servir de contraponto à posição de Chávez.
A dúvida de muitos é se Venezuela e Brasil disputam uma posição de liderança ou podem trabalhar juntos para o bem da região. Com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, havia quem esperasse ou temesse uma maior aproximação entre os dois países.
Mas a mais recente crise política envolvendo Equador e Colômbia mostrou diferenças claras de ação entre Brasil e Venezuela: o governo brasileiro acionou sua diplomacia, enquanto Caracas mobilizou tropas.
O alívio da crise, obtido no âmbito de negociações na Organização dos Estados Americanos (OEA), também mostrou que o Brasil não é uma superpotência que pode impor soluções sozinha, posição que o próprio governo brasileiro diz nunca ter buscado.
Além disso, na reunião do Grupo do Rio, que selou definitivamente o fim da crise, Lula não estava presente, tendo enviado o ministro Celso Amorim para representá-lo. Coube à argentina Cristina Kirchner e a Hugo Chávez o papel de mediadores na reunião de chefes de governo.
Confrontado com as demandas, o governo brasileiro cita o que considera sucessos e avanços na integração e na atuação brasileira na América do Sul. Dessa lista fazem parte a evolução, mesmo que lenta, da infra-estrutura física, a conclusão de acordos de livre comércio, a criação da Comunidade Sul-Americana das Nações, hoje Unasul, e a criação do Banco do Sul – uma proposta de Chávez abraçada com relutância pelo Brasil.
Aos críticos, a resposta brasileira é que uma integração continental não acontece rapidamente nem sem percalços. Mas inúmeras vozes na América do Sul dizem que, após quase duas décadas de esforços para integrar a região, a liderança brasileira, assim como a formação de um bloco sul-americano, continua no campo das promessas.
* Colaboraram Alessandra Correa (Bolívia e Paraguai), Andrea Wellbaum (Argentina e Uruguai), Daniel Gallas (Venezuela), Márcia Freitas (Peru e Chile) e Pablo Uchoa (Colômbia e Equador)
Veja mais no portal da BBC Brasil.
28.12.07
Benazir Bhutto é sepultada no Paquistão
Seguidores de Benazir Bhutto acompanhavam o caixão
Leia uma boa cobertura sobre o tema na BBC Brasil, é só clicar aqui.
29.11.07
Brasil está entre piores em lista de educação da OCDE
De acordo com a lista, a ser publicada em detalhes na semana que vem, o Brasil fica a frente apenas da Colômbia, Tunísia, Azerbaijão, Catar e Quirguistão.
O estudo testou as habilidades de mais de 400 mil estudantes nos 57 países que, juntos, correspondem a cerca de 90% da economia mundial.
Os estudantes da Finlândia ficaram em primeiro lugar, seguidos pelos de Hong Kong (na China) e do Canadá.
A pesquisa, baseada em testes realizados em 2006, é o principal instrumento de comparação internacional do desempenho entre estudantes do ensino médio.
Conhecimento e aplicação
O teste mediu basicamente o conhecimento de ciências, mas também mediu a capacidade de leitura e incluiu noções de matemática, e como os estudantes aplicavam esse conhecimento para resolver problemas do dia-a-dia.
O estudo afirma que os resultados têm confiabilidade de 95% e que o Brasil estaria entre as posições 50 e 54 da lista.
Ao comentar a lista, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, disse que ela é uma ferramenta para ajudar os governos a definir suas políticas de educação.
“Na economia global competitiva de hoje, educação de qualidade é um dos bens mais valiosos que a sociedade e um indivíduo podem ter”, disse ele.
Segundo Gurría, “a lista é muito mais do que um ranking. Ela mostra o quão bem os sistemas de educação individuais estão equipando os jovens para o mundo de amanhã. Antes de mais nada, mostra aos países seus pontos fracos e fortes.”
O estudo sobre educação da OCDE é publicado a cada três anos. O documento completo será publicado no próximo dia 4 de dezembro.
Clique aqui para ler o artigo na sua versão original.
