19.5.12
A revista Veja e a insustentabilidade das suas verdades fabricadas
21.4.12
Nova revista de humor na praça
23.10.11
Caco Barcelos e o bom jornalismo
31.5.11
SBT Brasil, mais um telejornal conservador e requenguela
15.5.11
Curta a norma culta, mas com parcimônia!
24.10.10
A armação que pode vir nesta semana final
Leiam:
26.9.10
A liberdade de expressão está ameaçada no país
Embora o atual governo, ao longo de seus dois mandatos, pouco tenha incomodado as estruturas desses poderosos grupos, eles não conseguem perdoar um nordestino, mestiço e operário no palácio que estava reservado somente aos privilegiados, que comandam esse país desde antes de sua existência como tal.
O governo Lula merece críticas, como tudo aquilo que é obra humana. Para aqueles que, como eu, militaram durante muito tempo na construção de um partido popular – o PT –, que venderam muitas estrelas para alimentar núcleos, diretórios e campanhas, tais críticas beiraram o desencanto ao final do primeiro mandato.
18.9.10
Repórter de Veja denunciado à Polícia Federal
22.8.10
Serra e Folha: Decadência de um modelo de manipulação midiática
31.7.10
O papel do professor frente a mídia empresarial
13.1.10
A mídia e o Programa Nacional de Direitos Humanos
DIREITOS HUMANOS
O jornalismo derrotado
Por Marcos Rolim em 12/1/2010
Reproduzido do sítio Gramsci e o Brasil, 12/1/2010
Via Observatório da Imprensa, sugestão do Gustavo Paim Pamplona
A julgar pelos noticiários, um fantasma assola o Brasil: o Programa Nacional de Direitos Humanos em sua terceira versão (PNDH-III). Todas as potências da Santa Aliança unem-se contra ele: setores da mídia, políticos conservadores, o agronegócio, os militares e a cúpula da Igreja. Os críticos afirmam que o programa propõe a "revisão da Lei de Anistia", que é autoritário ao propor "controle sobre os meios de comunicação", além de ser "contra o agronegócio". Radicalizando, houve quem – fora dos manicômios – identificasse no texto disposição por uma "ditadura comunista". É hora de denunciar esta farsa onde a desinformação se cruza com o preconceito e a manipulação política.
Auxiliei a redigir o texto final do Programa, juntamente com os professores Paulo Sérgio Pinheiro e Luiz Alberto Gomes de Souza. A parte que me coube foi a da Segurança Pública, mas participei de todos os debates. Assinalo, assim, que a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos havia proposto uma "Comissão de Verdade e Justiça"; nome que traduzia a vontade de "investigar e punir" os responsáveis pelas violações durante a ditadura. O PNDH-III, entretanto, propôs uma "Comissão da Verdade", porque prevaleceu o entendimento de que o decisivo é a recuperação das informações, ainda sonegadas, sobre as execuções e a tortura.
Prática democrática
O Programa não fala em "revisar a Lei da Anistia"; pelo contrário, afirma que a Comissão deve "colaborar com todas as instâncias do Poder Público para a apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979". Para quem não sabe, a lei citada é a Lei de Anistia. A notícia, assim, era o afastamento da pretensão punitiva. O caminho escolhido, como se sabe, foi o oposto; o que não assinala informar mal, mas desinformar, simplesmente.
No mais, é interessante que os críticos nunca tenham se manifestado quando, no período do presidente Fernando Henrique Cardoso, propostas muito semelhantes foram apresentadas. Senão vejamos: no que diz respeito aos conflitos agrários, o PNDH-I (1996) já propunha "projeto de lei para tornar obrigatória a presença no local, do juiz ou do Ministério Público, no cumprimento de mandado de manutenção ou reintegração de posse de terras, quando houver pluralidade de réus, para prevenir conflitos violentos no campo, ouvido também o Incra". O PNDH-II, seis anos depois, repetiu a proposta.
Qual a novidade, neste particular, do PNDH-III? Apenas a ideia de mediação dos conflitos; prática que tem sido usual e que seria institucionalizada por lei. A senadora Kátia Abreu, então, pode ficar tranquila. Se o governo apresentar o projeto, ela terá a chance de se posicionar contra a mediação de conflitos e exigir que o tema seja resolvido à bala, como convém a sua particular concepção de democracia.
Reação vexatória
Quanto à reação ao tal ranking de veículos comprometidos com os direitos humanos, o assombro é ainda maior, porque o primeiro PNDH trouxe a ideia de: "Promover o mapeamento dos programas de rádio e TV que estimulem a apologia do crime, da violência, da tortura, das discriminações, do racismo, [...] e da pena de morte, com vistas a [...] adotar as medidas legais pertinentes". A mesma proposta foi repetida no PNDH-II.
Assinale-se que o PNDH-II propôs, além disso: "Apoiar a instalação do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e TV [...] e coibir práticas contrárias aos direitos humanos" e "Garantir a fiscalização da programação das emissoras de rádio e TV, com vistas a assegurar o controle social [...] e a penalizar as empresas [...] que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos".
Uau! Não são estas as armas dos inimigos da "liberdade de expressão"? Mas, se é assim, por que os críticos não identificaram o "ovo da serpente" na época?
Mais uma vez, ao invés de aprofundar o debate sobre as políticas públicas, a maior parte da mídia se deliciou com a reação vexatória dos militares, com o oportunismo da direita e com o medievalismo da Igreja, e o fez às custas da informação, para não variar.
Nota do Viomundo: De quebra, golpeia-se a ideia de que os cidadãos brasileiros, independentemente de filiação partidária, participem da formulação de políticas públicas, quaisquer que sejam as políticas públicas. É um retrocesso democrático proporcionado por aqueles que dizem defender a democracia! É a democracia dos coronéis, em que o bispo, o general e o dono do jornal se reuniam para decidir o que podia e o que não podia -- e não estou falando do que podia ou não ser feito, mas do que podia ou não ser proposto, já que todos os três PNDH, os do FHC e o de Lula, são meras proposições. É o mau jornalismo a serviço do retrocesso político, é a recompensa ao jornalismo-cafajeste praticado no Brasil.
Fonte: Vi o Mundo
10.11.09
SARESP cancelado, mas e a competência do secretario Paulo Renato?
O SARESP é uma avaliação de múltipla escolha, aplicada pela Secretária da Educação do Estado de São Paulo para alunos da rede estadual de ensino que estão na 2ª, 4ª, 6ª e 8ª série do Ensino Fundamental, e 3º ano do Ensino Médio. Neste ano seria estendido também para a rede privada.
A empresa contratada pelo Governo do Estado de São Paulo para produzir a avaliação não deu conta do recado. A Secretaria de Educação soube disso semana passada, mas tentou maquiar sua incompetência: organizou uma força-tarefa de funcionários públicos para tentar dar conta do recado no final de semana.
O expediente não funcionou.
O interessante é que não faz muito tempo que a arrogância do secretario Paulo Renato transbordou pelas páginas dos jornais, rádios e TVs, dando lições ao ministro Fernando Haddad de como organizar o ENEM. Ele fez o diagnóstico dos erros cometidos pelo atual ministro e ainda deu “aula” de como deveria ser feito o ENEM.
Agora não consegue organizar o exame estadual!
Lembremos que quando do vazamento do ENEM o Ministério da Educação demorou algumas horas para agir, cancelando a prova. A mídia, no seu conjunto, fez um esforço enorme para jogar a responsabilidade no Ministro, com apoio de Paulo Renato e a trupe tucana.
E agora Paulo Renato?
No web site da Secretaria de Educação encontramos uma nota tímida, publicada no final da tarde de ontem. Clique aqui e leia a tal nota.
Cadê a mídia e sua sagrada missão de informar? E aquelas continhas marotas, para sabermos de quanto foi o prejuízo para os cofres públicos e quem vai arcar com eles?
1.9.09
No nosso país as vítimas viram criminosos, basta que a mídia assim o queira
01/09/2009
Secretaria Nacional do MST
Fizemos uma mobilização em todo o país e um acampamento em Brasília em defesa da Reforma Agrária e obtivemos vitórias importantes, relacionadas à solução dos problemas dos trabalhadores do campo. A jornada de lutas conquistou do governo federal medidas muito importantes, embora estejamos longe da realização da Reforma Agrária e da consolidação de um novo modelo agrícola. Além disso, demonstrou à sociedade e à população em geral, que apenas a organização do povo e a luta social podem garantir conquistas para os trabalhadores e trabalhadoras.
A principal medida do governo, anunciada durante a jornada, é a atualização dos índices de produtividade, que são utilizados como parâmetros legais para a desapropriação de terras para a Reforma Agrária. Os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante brasileira fecharam posição contra a revisão dos índices e passaram a utilizar os meios de comunicação para pressionar o governo a voltar atrás.
Essas conquistas deixaram revoltados os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante, que defendem apenas seus interesses, patrimônio e lucro, buscando aumentar a exploração dos trabalhadores, da natureza e dos recursos públicos. Nesse contexto, diversos órgãos da imprensa burguesa - os verdadeiros porta-vozes dos interesses dos capitalistas no campo - como Revista Veja, Estadão, Correio Brazilienze, Zero Hora e a TV Bandeirantes, passaram a atacar o Movimento para inviabilizar medidas progressistas conquistadas com a luta.
Não há nenhuma novidade na postura política e ideológica desses veículos, que fazem parte da classe dominante e defendem os interesses do capital financeiro, dos bancos, do agronegócio e do latifúndio, virando de costas para os problemas estruturais da sociedade e para as dificuldades do povo brasileiro. Desesperados, tentam requentar velhas teses de que o movimento vive às custas de dinheiro público. Aliás, esses ataques vêm justamente de empresas que vivem de propaganda e recursos públicos ou que são suspeitas de benefícios em licitações do governo de São Paulo, como a Editora Abril.
Diante disso, gostaríamos de esclarecer a nossos amigos e amigas, que sempre nos apóiam e ajudam, que nunca recebemos nem utilizamos dinheiro público para fazer qualquer ocupação de terra, protesto ou marcha. Todas as nossas manifestações são realizadas com a contribuição das famílias acampadas e assentadas e com a solidariedade de cidadãos e entidades da sociedade civil. Temos também muito orgulho do apoio de entidades internacionais, que nos ajudam em projetos específicos e para as quais prestamos conta dos resultados em detalhes. Aliás, todos os recursos de origem do exterior passam pelo Banco Central. Não temos nada a esconder.
Em relação às entidades que atuam nos assentamentos de Reforma Agrária, que são centenas trabalhando em todo o país, defendemos a legitimidade dos convênios com os governos federal e estaduais e acreditamos na lisura do trabalho realizado. Essas entidades estão devidamente habilitadas nos órgãos públicos, são fiscalizada e, inclusive, sofrem com perseguições políticas do TCU (Tribunal de Contas da União), controlado atualmente por filiados do PSDB e DEM. Desenvolvem projetos de assistência técnica, alfabetização de adultos, capacitação, educação e saúde em assentamentos rurais, que são um direito dos assentados e um dever do Estado, de acordo com a Constituição.
Não esperávamos outro procedimento desses meios de comunicação. Os ataques contra o Movimento são antigos e nunca passaram da mais pura manifestação de ódio dos setores mais reacionários da classe dominante contra trabalhadores rurais que se organizaram e lutam por seus direitos. Vamos continuar com as nossas mobilizações porque apenas a pressão popular pode garantir o avanço da Reforma Agrária e dos direitos dos trabalhadores, independente da vontade da classe dominante e dos seus meios de comunicação.
28.7.09
Desinformação e pânico
Qual a razão?
Existem várias: é uma gripe para a qual não existe vacina; atingiu, no Brasil, a classe média; foi cercada de mistérios desde os primeiros casos; o governo demorou a disseminar informação de segurança e, finalmente, nossa imprensa é muito ruim.
A forma como a mídia tratou o início foi horrível e alimentou essa sensação de pânico que vivemos nesse momento.
Hoje, conversando com uma amiga que teme enviar o filho para a escola por causa da aglomeração na sala de aula. Esqueci de perguntar se ela proibiu cinema, shows, shopping etc.
Lembro-me que quando criança – faz tempo, em plena ditadura – o governo escondeu, de forma criminosa, uma epidemia de meningite. Tentava preservar o Brasil como sede de um Pan-americano, se a memória não me trai. A censura e a falta de informação foram mortais, muitos foram vitimados por causa dessa irresponsabilidade.
Hoje temos um efeito contrário, pois a informação existe em quantidade, pena que não obedeça a critérios de qualidade.
Ano passado a mídia corporativa levou o pânico à população anunciando uma epidemia mortal de febre amarela. Resultado: pessoas foram hospitalizadas – duas morreram – por terem tomado a vacina desnecessariamente.
Agora é a “gripe suína”. E, para sorte da população brasileira, os dois estados com mais problemas – São Paulo e Rio Grande do Sul – são governados pelo PSDB, fossem governos petistas e estaríamos lascados!
Ainda assim um imbecil anunciou na Folha de S. Paulo que 35 milhões de brasileiros seriam contaminados pela atual gripe, com a mesma irresponsabilidade que uma jornalista – também da Folha – mandou todo mundo sair correndo, ano passado, para tomar a vacina contra a febre amarela.
Sou radicalmente contra a censura, mas penso que chegou a hora destes irresponsáveis, com diploma de jornalista ou sem ele, pagarem por estes crimes contra a saúde pública.
25.4.09
A Folha de S. Paulo aderiu ao padrão Veja de contar a sua "verdade"
Soube-se depois que o documento não era verdadeiro.
O jornal teve uma atitude sensata, mas, como no epsiódio da "ditabranda", não reconheceu o erro por completo. Leiam o trecho de matéria da Folha de hoje sobre o acontecido:
"Autenticidade de ficha de Dilma não é provada
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil
Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar
DA SUCURSAL DO RIO
A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada -bem como não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto". "
14.2.09
Imprensa oba oba!
A falta de massa crítica e a onda do tipo “Galvão Bueno” no episódio da brasileira que alega ter sido agredida na Suíça, levou o governo brasileiro ao exagero.
Antes dos fatos apurados e antes de ouvir as autoridades locais, já havia por aqui certezas, convicções e condenações.
No Jornal da Band de quinta-feira o âncora Ricardo Boechat ficou indignado com a falta de firmeza do governo brasileiro no episódio.
E agora? Vai falar o quê?
O site da BBCBrasil oferece uma visão mais equilibrada, clique aqui.
O Estadão de hoje recobra o equilíbrio, depois de começar chutando o pau da barraca, embora, reconheçamos, o episódio, se verdadeiro, justificará esse sentimento de repulsa e horror. Clique aqui para acompanhar a cobertura do Estadão.
A Folha Online - clique aqui para ler - reproduz a BBC e acrescenta algumas matérias novas, também equilibradas, mas na edição impressa a Folha capricha, até com um enviado especial a Zurique. Na primeira matéria de 12/2, a Folha dizia que:
“Uma advogada brasileira de 26 anos foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira.
Grávida de três meses de gêmeas, Paula Oliveira sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela continua em repouso, mas já não corre mais risco de morte.
De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.
A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.
Quando foi abordada, a advogada, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Um dos agressores tinha uma suástica na cabeça.”
Somente a partir do dia 14, com a presença do enviado especial, a cobertura recebeu um tom mais crítico.
Não se trata de condenar a advogada brasileira, mesmo por que não tenho elementos para tal, mas sim de desejar que a imprensa tenha compromisso com os fatos e com a apuração dos mesmos. Nossa mídia está mal acostumada, apenas reproduz as declarações que recebe, claro, as que lhes são convenientes.
3.2.09
A mídia transforma em verdade a versão de um dos lados do conflito
Cenas que lembravam a asquerosa invasão que Israel promoveu em Gaza recentemente.
Bombas explodindo, tiros, barricadas, muita fumaça e notícias de mortos e feridos.
UOL, Terra, G1 e demais portais soltaram a informação de que a reação da população era por conta do assassinato, em confronto com os policiais, de um morador fugitivo do sistema prisional.
A Folha de S. Paulo de hoje apresenta uma matéria equilibrada, redigida por três bons jornalistas, mas que não apresenta nenhuma novidade e muito menos um “outro lado”.
Já no Estado de S. Paulo o “outro lado” é apresentado, também de forma equilibrada (clique aqui para ler).
Segundo informações que circulam na favela o confronto foi uma reação a EXECUÇÃO de três pessoas, uma delas o indivíduo apontado pela polícia, que estavam ao lado de um carro roubado.
Os executores eram policiais.
É muito comum entre a população pobre e/ou negra da periferia de São Paulo o sentimento de ódio despertado pelas forças policiais. Ou medo. O que dá no mesmo, pois o primeiro sentimento é fruto do segundo.
Basta verificar o grau de violência das forças policiais e contra quem, preferencialmente, essa violência é praticada, de forma indiscriminada.
Falta a nossa imprensa esse saudável hábito, como fez o Estadão no caso, de ouvir e publicar o outro lado.
Falta ainda mais investigação e também jornalistas competentes para escrever textos claros e corajosos, que não se limitem a replicar o que dizem as autoridades ou vender proteção para criminosos da patota.
25.11.08
Tempo de mudar de tempo
Logo começarão os “resumos dos fatos mais importantes do ano de 2008”. Coisa bem chata de se ver e se ler. Normalmente a TV dedica boa parte do tempo para as celebridades e para as tragédias. Deprimente!
Naqueles poucos momentos dedicados à política não faltarão menções à eleição de Barack Obama.
Óbvio que um presidente negro num país racista como os EUA é algo de muita significância, mas não é a redenção dos pecados do mundo. Parece-me que os EUA perseguem os modelos fascistas, na busca insana do salvador da pátria. Era o Bush, agora é o Obama.
A crise mundial, provocada pelo deus mercado, também deverá ocupar minutos preciosos, entre a propaganda de um banco e a de outro.
Duvido que a mídia ouse dizer que a culpa é de quem tem a grana e o poder. Ou diga, com todas as letras: o neoliberalismo conduziu o mundo ao fracasso!
Ainda penso que o excesso de lucro é o pai das crises do sistema capitalista, mas prometo voltar ao assunto quando tiver mais tempo.
Aqui, ao sul do Equador, continuaremos neuróticos com nossa mídia grande, ou como gosta Paulo Henrique Amorim, o PIG (Partido da Imprensa Golpista).
Durante muito tempo li nos cadernos de economia que o dólar abaixo de R$ 2,00 seria a plena falência da nossa economia, agora leio que o dólar acima de R$ 2,00 é a própria encarnação do capeta! Vai entender.
Os grandes e graves problemas continuarão esquecidos, providencialmente, nas mesas e gavetas dos editores e dos supremos juízes: crimes do colarinho branco, fusão da BrOi, reforma política, escândalo da Alstom...
A indignação continuará seletiva, só atingirá aqueles que não pertencem ao seleto clube que sempre esteve no poder ou aos seus apaniguados.
A educação continuará sendo discutida nas páginas de Veja, no seu monumental esforço tucano-privatista.
Os nossos não partidos políticos continuarão a não ter projetos para o nosso país. Aliás, terão: contratar o melhor marqueteiro para as eleições de 2010.
Depressão pré-natalina? Pode ser. Na verdade odeio o natal. Aquele velho barbudo com aquele enorme saco nas costas me causa asco. E o casacão? E ainda aquela simulação de neve? Um horror!
7.9.08
Isso não é propriamente um texto, é uma obra-prima!
É extraordinário o que estamos testemunhando nesses tempos de Satiagraha: é o parto de uma Nação.
Haverá ainda muita frustração pela frente, muita sensação de impotência, muito ceticismo se o país conseguirá ser alçado à condição de Nação civilizada. Mas a marcha da história é inevitável.
Está-se em plena batalha da legalidade contra o crime organizado. Os jovens juízes, procuradores, policiais que ousaram arrostar décadas de promiscuidade estão no jogo. Se eventualmente forem calados agora, a decepção geral será o combustível para a reação de amanhã.
O país está submetido a duas forças que caminharam em paralelo mas, agora, começam a colidir.
Uma delas, a consolidação de valores republicanos – não necessariamente de práticas – como a impessoalidade no trato da coisa pública, a transparência cada vez maior, movimento acelerado pelo advento de novas tecnologias de informação, a reação contra a impunidade.
Ao mesmo tempo, tem-se um país institucionalmente refém de desequilíbrios enormes. A falta de transparência do ciclo que se esgota abriu espaço para amplos abusos em todos os poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário e mídia, grande capital.
Criou-se uma enorme Nação de rabo preso em um momento em que a disseminação de valores e de tecnologia definia novos níveis para a transparência.
Ao mesmo tempo, o mundo (e o Brasil) ingressou em um ciclo de financeirização que permitiu a expansão ampla do crime organizado. Descrevo em detalhes esse processo no meu livro “Os Cabeças de Planilha”. Já tinha descrito esse modelo no meu “O Jornalismo dos anos 90”, no capítulo referente à CPI dos Precatórios.
A falta de regulação e controle nos mercados, a existência de paraísos fiscais, a complacência das autoridades reguladoras (e da mídia) criaram uma imensa zona cinzenta onde se misturou a contravenção fiscal com a corrupção política, a simbiose de “figuras notáveis” com o crime organizado. A falta de um regramento adequado e de instituições que combatessem os abusos, permitiu essa promiscuidade ampla.
Esse é o nó.
Agora, as instituições estão aí. Mas há um pesado passivo que não interessa a muitos que venha à tona. O resultado dessa batalha de transição é que definirá os rumos do país: se submetido aos limites da lei; ou do crime organizado.
Os novos atores
Aí entram dois atores. O primeiro, a mídia.
Já escrevi várias vezes sobre o tema, e volto a ele. Nesse ambiente promíscuo, parte da mídia passou a se valer da denúncia não como um instrumento de melhoria dos hábitos econômicos e políticos, mas como instrumento seletivo de poder. O esgarçamento dos critérios jornalísticos abriu espaço para os abusos que, agora, chegam a um ponto de alto risco para imagem da mídia.
Nesse movimento, papel essencial foi desempenhado pela diretoria de redação da Veja. Graças ao seu amadorismo, conduzindo uma operação de alto risco – os pactos com Daniel Dantas – escancarou um modelo que, em mãos mais hábeis, levaria mais tempo para ser percebido.
O segundo ator são os órgãos de repressão ao crime organizado, que surgem no início dos anos 90 e se consolidam a partir da gestão Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça.
A maior parte do dinheiro do crime organizado transita pelo mercado financeiro, através de operações esquenta-esfria, de doleiros, de esquemas em paraísos fiscais, um universo intrincado que passa ao largo da compreensão do cidadão comum.
Tenho muito orgulho em ter contribuído de alguma maneira para preparar esse terreno para o combate ao crime organizado.
No início dos anos 90 passei análises sobre o mercado financeiro para o juiz Walter Maierovitch, o primeiro brasileiro a estudar seriamente o fenômeno do crime organizado.
No início de 2003, a convite de Márcio Thomaz Bastos dei uma das duas palestras de abertura do Seminário que ocorreu em Pirinópolis, juntando Ministério Público Federal, Polícia Federal, COAF, Banco Central, Secretaria da Receita Federal. Juntei as informações e análises que tinha coletado na cobertura da CPI dos Precatórios e dos esquemas de doleiros – que serviram de base para meu livro.
Surpreendi-me ao me dar conta da extensão do trabalho que se propunha, essa integração necessária entre os diversos órgãos, a busca de ferramentas de análise, de equipamentos de monitoração, o entusiasmo dos jovens funcionários públicos e as figuras mais velhas, respeitáveis, de Cláudio Fontelles, Paulo Lacerda e Márcio Thomaz Bastos.
Montou-se a organização, preparam-se os funcionários públicos e lhes foi conferida uma missão. E eles passaram a seguir o manual. Institucionalizava-se o combate ao crime organizado. E, institucionalizado, passava a se tornar, também, impessoal. Assim como em nações civilizadas, não havia mais intocáveis a serem preservados.
Nesse momento, deu-se o choque com o Brasil velho.
O choque do antigo
No início havia convivência estreita entre os dois poderes: a nova estrutura de repressão ao crime organizado e a mídia.
Houve muitos abusos, sim, invasão de escritórios de advocacia, vazamento de peças do inquérito. É possível que abusos continuem a ser cometidos. Mas tudo era suportado, defendido pela mídia, na condição de aliada preferencial, tendo acesso aos “furos” e blindagem contra abusos.
A convivência prosseguiu enquanto órgãos de mídia entendiam que a aliança lhes garantia salvo-conduto. Explodiu quando se revelou a extensão da Operação Satiagraha.
Aparentemente, a Operação Satiagraha flagrou quatro grupos envolvidos com o crime organizado: advogados, juízes, políticos e jornalistas/empresas jornalísticas. O que se pretende, agora? Julga-se ser possível varrer o processo para baixo do tapete? Em plena era da Internet, dos blogs, dos sites, do e-mail, julga-se ser possível passar em branco essa monumental manipulação das informações que se vê agora?
O jogo está no fim. Daqui para diante será esperneio. Continuarão assassinando reputações, promovendo factóides, manipulando ênfases. É possível que destruam Paulo Lacerda, Protógenes, De Sanctis e todos os que ousarem enfrentar esse tsunami. Mas não conseguirão parar a história.
Desse lamaçal, vai emergir uma nova mídia, uma reavaliação na qual os jornais sérios entenderão, em algum momento, que não dá mais para se envolver até o pescoço por uma solidariedade corporativista com os que transigiram.
E não adianta tentar transformar essa guerra em um Fla x Flu, Lula x oposição, PSDB x PT. Não cola. É uma briga da lei contra o crime organizado. Há que se definir limites para evitar abusos. Mas o que está em jogo é a tentativa de desmonte dessa estrutura.
Apostar que serão bem sucedidos, será apostar no atraso, na falta de leis, na manutenção dos abusos da mídia e dos grampos ilegais, no império do crime organizado, na promiscuidade entre poderes.
É esse o país que vamos entregar para nossos filhos? É evidente que não.
Fonte: Luis Nassif Online – 07/09/08.
29.7.08
CartaCapital já noticiava em 1998 o que a grande mídia só descobriu agora
A qualidade do texto da revista é muito superior as outras semanais brasileiras. A qualidade do jornalismo praticado também.
Não é neutra, mesmo por que não existe órgão de mídia que o seja, mas não briga com a notícia, prática tão corriqueira em Veja, por exemplo.
A quantidade e a qualidade dos textos elencados, quando nenhum outro órgão da chamada grande imprensa ousava tocar no nome do dito cujo, ou, ao contrário, fazia de acordo com os interesses do mesmo, é prova cabal da qualidade, independência e ousadia desta publicação, pena que não tenha concorrente à altura!
Conforme o prometido, CartaCapital honra o compromisso de ajudar o "jornalismo investigativo" brasileiro, que anda em polvorosa desde a deflagração da Operação Satiagraha pela Polícia Federal, que provocou o entra-e-sai de Daniel Dantas da prisão e tantas outras ebulições na república brasileira.
Para tanto, a revista deixa disponível neste dossiê todo o conteúdo que produziu sobre Daniel Dantas e seus negócios nos últimos dez anos. São mais de noventa textos, reportagens e editoriais de CartaCapital sobre o envolvimento de Dantas em transações em diversas áreas da economia nativa, em especial no setor de telecomunicações.
Elas estão compreendidas em um período que remonta às privatizações do setor de telefonia, ocorridas no fim da década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e chega aos dias atuais, sob a égide do segundo mandato do presidente Lula. É material suficiente para entender como Dantas tornou-se figura tão importante nos bastidores da República, a ponto de alguns terem dito que se fosse revelado todo o conteúdo das negociatas do orelhudo, o País pararia por dois anos
Com isso, CartaCapital espera que a mídia nativa não dê ares de furo ou mesmo de material exclusivo a conteúdo que a revista publicou anos atrás. Bom proveito.
Clique aqui para ler tudo que foi noticiado em CartaCapital sobre o Daniel Dantas, desde 25/11/1998.


