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19.5.12

A revista Veja e a insustentabilidade das suas verdades fabricadas


Já faz algum tempo que tento mostrar aos meus interlocutores as maracutaias da revista Veja, porta estandarte das publicações da Editora Abril.
A TV Record e a revista CartaCapital têm demonstrado de forma inequívoca que, além de praticar um jornalismo de péssima qualidade, a publicação com sede na Marginal do Tietê tem enveredado pelo mundo do crime, seja guiada pelo Carlinhos Cachoeira – hoje chamado de bicheiro e criminoso pela mídia, mas até ontem qualificado como empresário do ramo de jogos pela mesma – ou abrindo espaço para o seu sócio, senador Demóstenes Torres.
O impávido senador ocupou as páginas amarelas da porcalhona para detonar o Congresso e seus pares.
A revista articula notas, notícias, reportagens investigativas e outras artimanhas sempre de acordo com os seus interesses mais sórdidos.
Isso a parte da mídia não comprometida com os interesses corporativos do PIG (Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique Amorim) tem mostrado com sobras.
Hoje tive acesso, por indicação dos amigos virtuais do Twitter, a um artigo demolidor sobre as fraudes e interesses nebulosos da revistinha mais lida do país, mas que é chamada de revista de fofocas pela imprensa internacional.
Trata-se da análise de uma matéria de capa lidando com a delicada questão dos agrotóxicos. O texto é assinado por Elenita Malta Pereira, doutoranda em História na UFRGS. Primeiro li no blog Outras Palavras e depois no Observatório da Imprensa.
Leiam os trechos que selecionei (para ler a matéria na íntegra basta clicar no nome das publicações apontadas acima):

A matéria “A verdade sobre os agrotóxicos”, publicada na Veja (edição de 4/1/2012), revisita um tema que é alvo de polêmicas, oposições apaixonadas e amplas discussões no Brasil desde os anos 1970. No entanto, apesar de décadas de controvérsia, já no título, a revista demonstra que pretende revelar a verdade sobre o assunto. A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), em carta-resposta à Veja, considerou o tratamento dado a um tema tão controverso como “parcial e tendencioso”, apontando uma série de equívocos na reportagem.
(...)
Motivada pela divulgação, em dezembro de 2011, de um estudo sobre contaminação de alimentos por pesticidas promovido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) referente ao ano de 2010, a reportagem da Veja começa questionando o uso da palavra “agrotóxico”: o “nome certo é defensivo agrícola”. Segundo a matéria, “agrotóxico” é um termo impreciso e carregado de julgamento valor; já “defensivos” seria correto, porque esses produtos não servem para intoxicar o ambiente ou o consumidor, mas para “defender” a plantação de pragas, insetos e parasitas. Esse debate é antigo, construído ao longo de uma verdadeira contenda, que foi protagonizada por ecologistas, políticos e representantes das indústrias agroquímicas, desde os anos 1970. A própria nominação dos agroquímicos determinava de que “lado” estava quem nomeava: de um lado executivos das indústrias fabricantes que, obviamente, queriam vender seus produtos, pesquisadores que recebiam financiamento dessas empresas para suas pesquisas e funcionários públicos, todos trabalhando para “defender” seus interesses. Do outro lado, entidades ambientalistas de vários estados, professores universitários e pesquisadores preocupados com o efeito desses produtos na saúde das pessoas e da natureza.
O termo agrotóxico, mais do que portar um juízo de valor, está consolidado na legislação brasileira sobre o tema, a Lei 7.802/89. A palavra já estava presente na primeira legislação estadual, a Lei 7.747, publicada no Rio Grande do Sul, em dezembro de 1982, fruto de um amplo debate liderado por políticos, pesquisadores e ecologistas. O ecologista José Lutzenberger considerou a publicação dessa lei uma “vitória sem precedentes”, uma conquista da sociedade civil, inédita em diversos países. Por outro lado, o termo “defensivos agrícolas” também não é isento de valor: expressa que essas substâncias são boas, defendem a lavoura de pragas. No entanto, o próprio conceito do que pode ser considerado praga é questionável, depende do ponto de vista de quem está observando uma plantação. O que é praga na agricultura que usa produtos químicos pode ser um aliado no controle natural de insetos realmente prejudiciais, e até mesmo um indicador da saúde das plantas para quem pratica agricultura ecológica.
(...)
A matéria da Veja faz afirmações de forma leviana e irresponsável para a população leiga no assunto, passando a impressão que os agrotóxicos não são tão perigosos assim. Ela diz que os alimentos que lideram o ranking da ANVISA de forma alguma representariam risco à saúde, que os resíduos estão dentro dos níveis seguros e que o uso de agrotóxicos não autorizados não é prejudicial à saúde. Neste último caso, a justificativa seria o alto custo para os fabricantes alterarem os rótulos, indicando outros cultivos onde os pesticidas poderiam ser utilizados. Aqui, podemos perceber mais uma vez que os interesses das empresas sempre são relevantes e merecem ser preservados.
(...)
Consultando os arquivos dos jornais de maior circulação do país, é possível constatar uma quantidade impressionante de notícias sobre envenenamento e morte de agricultores, cuja causa envolveu a aplicação de produtos químicos na lavoura. Há períodos em que as ocorrências são diárias, envolvendo famílias inteiras, em cidades do interior do Brasil. Casos de jovens que dormiram durante meses, sem perspectiva de acordar, depois do contato com agrotóxicos; bebês que ficaram doentes por causa do leite, já que a vaca que o fornecia comeu pasto contaminado com pesticidas; crianças que morreram pela ingestão de água contaminada; agricultores fulminados durante pulverizações aéreas sem aviso prévio, entre outros, são exemplos nefastos de que o equipamento não é garantia de segurança total.
Artigo da Gazeta Mercantil (Porto Alegre, 28/05/1975) relata que o consumo de pesticidas no Brasil aumentou dez vezes entre 1964 e 1974 e questiona: “em que medida esse consumo teria sido fortemente incentivado, provocando o uso indiscriminado e exagerado de defensivos?” Se por volta de 1974 o consumo somava cerca de 74 mil toneladas anuais, o que dizer das cerca de 1 milhão toneladas em 2010 (de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola)? O estímulo ao uso intensivo desses produtos interessa aos fabricantes, pelos altíssimos ganhos, mas, ao mesmo tempo, provoca prejuízos não totalmente contabilizados ao ambiente e à vida humana.
(...)
Outra informação da matéria da Veja é que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no registro de agrotóxicos”. No entanto, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), nosso país é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Diversos produtos vedados nos Estados Unidos e na Europa são comercializados livremente aqui. Se o controle fosse mesmo rigoroso, o Brasil seria o maior consumidor mundial de agrotóxicos?

A matéria merece ser lida na sua totalidade. Podemos concluir que a Veja não pratica somente um péssimo jornalismo, destituído de ética e valores humanísticos, mas também e principalmente faz uso da canalhice pura e simples.

21.4.12

Nova revista de humor na praça


A revista Veja conseguiu se superar! Só pode ser brincadeira essa capa! Resolveram nivelar-se com o CQC e Casseta e Planeta; agora não jogam mais no time das semanais, logo terão programa na Globo, com direito a piadas racistas, sexistas e imbecilidades correlatas.
A credibilidade da revista há muito foi para o brejo, pelo menos para as pessoas que conseguem pensar com certa autonomia.
Descrédito, envolvimento com o banditismo, manipulação eleitoral...
Como ela ainda consegue tantos e incautos leitores?


23.10.11

Caco Barcelos e o bom jornalismo

Caco Barcelos é genial! Ele não combina com a Globo, sempre que posso vejo Profissão Repórter. Vejam a aula de jornalismo que ele dá num programa da Globo News:

31.5.11

SBT Brasil, mais um telejornal conservador e requenguela

Faz algum tempo prometi a mim mesmo não dar ouvidos ao noticiário da TV, mas, confesso, me deixei seduzir pela vistosa propaganda de mais uma investida do SBT pelo jornalismo. Realmente sou reincidente, também acreditei que eles fariam um bom jornalismo quando contrataram a Ana Paula Padrão.
Pois bem, enquanto preparava a janta sintonizei a TV da cozinha no SBT.
Lá estavam Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade. Na página de apresentação do telejornal está escrito: “Liberdade editorial e credibilidade, fatores para o exercício de um jornalismo claro e transparente, são os alicerces que formam o compromisso do SBT com a notícia e a análise profunda dos fatos.”. Não é animador?
Pois é! A primeira notícia que assisti dizia respeito ao livro de Português que ensina “a falar errado”. A Globo deitou e rolou sobre o tema. Na tentativa de linchamento do ministro Haddad valeu até o Zorra Total, aquele humorístico que não faz ninguém rir.
A matéria até que foi honesta. Deu a palavra ao ministro no bate boca com o senador Álvaro Dias.
Um repórter explicou didaticamente o que o livro apresenta, entrevistou uma professora, daquelas que está na sala de aula trabalhando com educação de adultos, que demonstrou a validade da teoria que o tal livro apresenta.
Aliás, leia aqui o texto que escrevi sobre o tema.
A coisa foi bem, até o momento que a loirinha Rachel Sheherazade comentou a matéria. Aí a coisa desandou completamente.
Disse que o MEC distribuiu livros com doutrinação ideológica, que ensinam a falar errado e ainda distribuí um kit-gay de quebra!
Não é possível! Os caras requentam notícias de alguns anos atrás – o caso da doutrinação ideológica – e manipulam descaradamente!
Melhoria seria uma novelinha mexicana nesse horário.
Clique na imagem e veja a matéria:

15.5.11

Curta a norma culta, mas com parcimônia!

Neste final de semana estive com alguns amigos, comemorando o aniversário de duas belas mocinhas: Letícia e Mariana.
Mas, como acontece com todos aqueles que abraçam o magistério com paixão, lá pelas tantas embarcamos, alguns dos convivas, numa animada discussão sobre tema educacional. O ponto de partida foi uma matéria que saiu no Jornal Nacional sobre um livro didático de Português.
Segundo uma das convivas do animado churrasco, o JN mostrou que o MEC aprovou um livro que ensina nossas crianças a falar errado.
Como não havia assistido a dita matéria, manifestei-me da seguinte forma: “prefiro ler a obra, não acredito nas notícias veiculadas pela grande mídia e muito menos acho possível formar juízo sobre as coisas a partir de textos de alguns minutos”.
Aproveitei este final de domingo para pesquisar sobre o tema.
O vídeo da matéria está aqui.
O portal IG tem algumas notícias sobre o tema. Leia aqui uma matéria com uma das autoras, aqui outra acompanhada pela nota oficial do MEC e aqui um blog hospedado no IG, mas com viés condenatório à obra.

Meu entendimento do que li até agora: um livro dedicado ao ensino de jovens e adultos (e não crianças) dedica um capítulo a língua falada nas ruas, fábricas, lojas, escolas etc. Tem como objetivo acolher os alunos que perderam o passo da escolarização formal, mostrando que a maneira de se fazer é válida no ambiente escolar, mas não naqueles de exames formais, busca de emprego etc. Não se trata, portanto de ensinar crianças a falar errado, mas sim de dizer a jovens e adultos que eles não precisam se envergonhar da forma como se expressam, isso não lhes pode cassar a cidadania e o direito à livre expressão das suas opiniões.
A edição do Jornal Nacional é de má fé, não diz claramente que o livro destina-se a educação de jovens e adultos. Também não diz que o tema é tratado em um único capítulo do livro e que tem por objetivo acolher os jovens e adultos que perderam o “tempo certo” de escolaridade.
Os autores do livro recomendem que não sejam usados os termos “certo” ou “errado” para qualificar o texto dos alunos, mas sim “adequado” ou “inadequado”. Qual o problema?
Para não ser acusado de estar jogando fora da minha posição – afinal sou professor de Geografia e não de Língua Portuguesa – recomendo a leitura dos textos do Sírio Possenti, particularmente Implicâncias, no Terra Magazine.
Da minha parte fico incomodado quando leio um texto jornalístico – ou ouço um profissional com formação universitária – escrevendo com erros grosseiros. Defendo ainda o ensino da Língua Portuguesa até o último ano da Universidade.
Mas não podemos transformar o domínio da norma culta em mais um instrumento de dominação e opressão!

24.10.10

A armação que pode vir nesta semana final

O Luiz Carlos Azenha, do ótimo Vi o Mundo, nos alerta sobre a possibilidade armações - das mais variadas - que poderão ocorrer nesta reta final da campanha eleitoral.
Leiam:

Alerta de quem é do ramo: a armação que pode vir nos dias finais de campanhapor

Luiz Carlos Azenha

O alerta é de um jornalista experiente, com amplos contatos na comunidade de informações, com arapongas e ex-arapongas.
Não nasce de um evento específico, mas de um encadeamento lógico de fatos: a campanha sórdida e subterrânea na internet, os panfletos apócrifos, as chamadas por robôs e a farsa de Campo Grande, onde o único ferido — realmente ferido — foi um militante petista com um corte no supercílio (que não apareceu no Jornal Nacional).
Vem da repetição de um padrão no telejornal de maior audiência: Dilma, agressiva; Serra, vítima. Um padrão que se manteve na noite deste sábado, quando a Globo omitiu o discurso do governador paulista Alberto Goldman em que ele sugeriu uma comparação entre Lula e Hitler (com menção ao incêndio do Reichstag), omitiu que militantes de PT fizeram um cordão de isolamento para que uma passeata tucana avançasse em Diadema e destacou o uso, por eleitores de Serra, de capacetes para se “proteger” das bolinhas de papel.
O colega, em seu exercício de futurologia, mencionou o Rio de Janeiro como o mais provável palco de uma armação, por dois motivos:

1) é onde fica a Globo;

2) é onde subsiste a arapongagem direitista.

Como lembrei neste espaço, anteriormente, foi assim o golpe midiático perpetrado em 2002, na Venezuela, retratado nos documentários A Revolução Não Será Televisionada e Puente LLaguno.
Parte essencial daquele golpe, que juntou militares insatisfeitos com a oposição em pânico e apoio maciço da mídia, foi a acusação de que militantes chavistas tinham atirado em civis desarmados, quando as 19 mortes registradas num confronto entre militantes das duas partes resultaram de tiros disparados por franco-atiradores e policiais de Caracas leais à oposição. Porém, foram semanas até que tudo ficasse claro para boa parte dos venezuelanos e para a opinião pública internacional.
O Brasil de 2010 não é a Venezuela de 2002, mas não custa ficar alerta.

26.9.10

A liberdade de expressão está ameaçada no país

Isso é fato! Mas, ao contrário do que dizem Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Rede Globo, Revista Veja e toda a turma da grande mídia, as ameaças não tem origem no governo Lula ou nos blogs sujos.
Quem ameaça a liberdade de livre expressão no Brasil é a mídia, por meio de seus grandes conglomerados e do pensamento único conservador, reacionário e preconceituoso.
Embora o atual governo, ao longo de seus dois mandatos, pouco tenha incomodado as estruturas desses poderosos grupos, eles não conseguem perdoar um nordestino, mestiço e operário no palácio que estava reservado somente aos privilegiados, que comandam esse país desde antes de sua existência como tal.
O governo Lula merece críticas, como tudo aquilo que é obra humana. Para aqueles que, como eu, militaram durante muito tempo na construção de um partido popular – o PT –, que venderam muitas estrelas para alimentar núcleos, diretórios e campanhas, tais críticas beiraram o desencanto ao final do primeiro mandato.
No entanto, não podemos negar os avanços significativos para a maioria da população, resultantes das políticas levadas a cabo por este governo.
No combate a miséria, por exemplo, os programas de transferência de renda teem sido bem sucedidos.
A política externa tem se firmado de maneira autônoma com relação às grandes potências, distanciando-se de maneira inequívoca da órbita estadunidense e assumindo um protagonismo mundial jamais visto em nossa história.
Por outro lado as iniciativas quanto à Reforma Agrária foram muito tímidas, da mesma forma que considero a questão educacional um nó que o governo federal apenas arranhou.
Mas jamais a mídia gozou de tanta liberdade.
Em parte pela sua irresponsabilidade, em parte pela conivência dos aparatos que deveriam conter os exageros cometidos pela mesma.
Os órgãos da grande mídia manipulam, mentem, inventam, injuriam e difamam de forma tranqüila e sossegada. Parecem confiar nas falhas do sistema judiciário para agirem impunemente.
Quando são punidos por seus destemperos, tais punições sequer fazem cócegas em seus bolsos. Por isso compensa continuar com as irresponsáveis matérias de cunho político eleitoral ou que servem a interesses de grupos específicos.
Brigam com os fatos dia após dia, sem se importar com as conseqüências. A máquina de denúncia consiste – neste momento de intensa disputa eleitoral – oferecer argumentos, melhor seria dizes munição, a determinados candidatos.
Estes, de caráter duvidoso, escudam-se nas publicações. Aparecem então no horário eleitoral as marretadas: “conforme noticiou a revista tal...”, ou, “deu no jornal tal...”.
Não quero censura prévia, mas sim uma justiça rápida, que ofereça o direito de resposta ao ofendido na mesma proporção da ofensa e que faça pesa no bolso desses grandes grupos a sua irresponsabilidade.
Precisamos, como fazem Reino Unido e EUA, só para simplificar, de pesadas indenizações contra esses imbecis. Suas mentiras e invencionices devem custar muito caro, assim pensarão duas vezes antes de atirar contra a honra de pessoas e instituições, agirão com mais responsabilidade ao informar e tratar a notícia.
Também urge uma grande depuração ética e mudanças profundas nos hábitos desses safados.
Louvo o Estado de S. Paulo, que seguindo o exemplo de CartaCapital, declarou em editorial qual o candidato que apóia. Pena que, ao contrário do que faz a revista dirigida por Mino Carta, continua misturando opinião com notícia, fatos com torcida eleitoral.
E assim caminha a nossa mídia, mais uma vez tenta um golpe contra o processo eleitoral na sua reta final. Em 2006 conseguiu evitar a reeleição de Lula no primeiro turno. Tenta o mesmo recurso agora.
Desta vez, porém temos a blogosfera! Os temidos blogs sujos, dentre os quais humildemente gostaria de ver este incluído, reagem contra a manipulação midiática.
Luiz Carlos Azenha, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, Maria Frô, Eduardo Guimarães, Cloaca News, NaMaria News, DoLaDoDeLá, O Biscoito Fino e a Massa e mais um grande número de combatentes da liberdade de expressão, colocam sua energia, tempo e inteligência contra as tentativas de manipulação e contra a mentira.
Por isso temos o dever de denunciar esses canalhas!

18.9.10

Repórter de Veja denunciado à Polícia Federal

Essa notícia foi publicada em primeira mão no Blog do Len, alguma coisa aconteceu e ele saiu do ar, corri para copiar do Blog do Saraiva:

Bomba! Onésimo denuncia Policarpo da VEJA em depoimento à Polícia Federal

Notícia quente de fonte mais quente ainda. A coisa está prestes a feder para um jornalista da Veja.
Segundo a fonte, o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, deu depoimento à Polícia Federal que desdiz a alegação que teria sido convidado a participar de um grupo de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. Quando perguntado sobre afirmações anteriores respondeu que “ouviu errado”.
Segundo Onésimo, quem inventou toda a história de grupo de espionagem da campanha de Dilma foi o jornalista Policarpo Junior, da revista Veja. Onésimo acusa o jornalista ainda de estar de posse de documentos que foram roubados no comitê de Dilma, o tornando responsável no mínimo de receptação de produto de furto. Policarpo poderá ser processado segundo o agente da Polícia Federal que informou a nossa fonte.
Onésimo, que depois de aposentado se tornou da membro equipe de espionagem chefiada pelo Marcelo Itagiba que José Serra montou no Ministério da Saúde, revelou que depois brigou com o grupo, porém ainda possui as gravações ilegais que fez a mando do grupo de espionagem montado por Serra. Segundo Onésimo, o grupo investigou a vida de todo mundo, desde adversários até aliados.
O depoimento de Onésimo à Polícia Federal corre em segredo de justiça, portanto não temos link para apontar para o depoimento, mas podemos afirmar que a fonte é quente e depois que vazar essa informação, a PF não vai mais conseguir segurar a informação.
Em breve, muito em breve, essa bomba vai estourar no colo do Serra e do jornalismo criminoso da revista Veja. O jantar entre Policarpo e Onésimo noticiado pelo Conversa Afiada na semana passada era um acerto de contas entre os dois. Policarpo está tremendo na base e querendo saber do teor do depoimento de Onésimo.
Se nós conseguirmos a cópia do documento nós publicamos aqui.

Do Blog do LEN (Coeditor do Terra Brasilis)

22.8.10

Serra e Folha: Decadência de um modelo de manipulação midiática


Segue abaixo um dos mais brilhantes textos de análise do papel da Folha de S.Paulo no processo eleitoral que está acontecendo.
Idelber Avelar, pessoa inatacável do ponto de vistas das qualificações acadêmicas alimenta um dos melhores blogs, o renomado O Biscoito Fino e a Massa.

Serra e Folha: Decadência de um modelo de manipulação midiática

Há algumas diferenças entre a campanha presidencial de 2006 e a deste ano, e uma das mais notáveis é a perda de influência dos setores da mídia que apostaram numa compreensão unilateral da informação. Esse (des)entendimento da informação como uma avenida de mão única é parte da explicação do colapso da candidatura de José Serra e do baile sociológico-estatístico sofrido por um de seus suportes, o DataFolha. Eles apostaram no mundo velho.
Desde o princípio, a candidatura de Serra optou por um modelo de relação com a informação: a opção pela compra da boa vontade dos oligopólios de mídia com contratos públicos em São Paulo, a truculência na direção da TV Cultura e a forte tendência autoritária, censora, de ligar para redações pedindo cabeça de jornalista ou de reagir agressivamente a qualquer pergunta indócil, questionadora. Essa tendência se manifestava tão mais claramente justo quando o Sr. Serra e a direita brasileira insistiam que o governo federal “censura” a mídia, como se não soubéssemos o que a imprensa brasileira publica sobre o presidente Lula.
Superestimando o poder dos conglomerados máfio-midiáticos do país, Serra apostou neles as suas fichas e perdeu. Foi mais um de seus muitos erros, numa lista que inclui a sucessão de trapalhadas na escolha de um vice que ele nunca vira, a modorrenta e ególatra espera à qual submeteu a si e seus correligionários antes de se candidatar, a ingênua ideia de que poderia dar xeque-mate em Aécio simplesmente esperando sentado em sua cauda de pavão, o privilégio ao método de bastidores, conchavos e guilhotina em vez do embate de peito aberto na pólis. Não são esses, no entanto, os motivos de sua derrota, como sabe qualquer interessado em política brasileira que não viva em Marte. O motivo básico de sua derrota é só um: o povo quer continuar o governo Lula e quem continua o governo Lula, segundo o próprio, é a Dilma. Assim de simples.
Por isso, é de uma desfaçatez inominável que a Folha faça um editorial de cônjuge traído, chilique de cornudo(a) que se sente abandonado(a) pelo seu candidato, o mesmo que a Folha teimosamente insiste em não endossar em editorial. Lendo a Folha de hoje, não há como não fazer a pergunta: como é possível que ela não soubesse que essa seria a estratégia, que esses “erros” de Serra, afinal de contas, não são simples erros, mas consequências necessárias da própria concepção de política de Serra nos últimos tempos? Descobriram agora que ele é autoritário, não ouve ninguém, adora conchavos e tem tendência ao autismo político? Onde estiveram nos últimos vinte anos em que lhe ofereceram apoio, editorialistas da Folha? Ou vocês não enxergaram antes porque estavam lá nos bastidores dos conchavos também? Que tal agora descobrir que Serra tem uma política de comunicação baseada no unilateralismo, na troca de favores com os oligopólios e com a distorção mentirosamente neutra da informação? Que tal, por exemplo, fazer uma investigação e revelar como é possível que três funcionários ou membros do PSDB sejam "sorteados" para fazer perguntas num debate aí na sua própria cozinha, Folha? Que tal avançar nas descobertas, Folha?
A Folha não pode dizer claramente que os “erros” de Serra não foram “erros”, mas consequência lógica e inevitável de uma concepção de política. Afinal de contas, essa foi a concepção na qual a Folha apostou também, a da fabricação de escândalos, falsificação de documentos, a mentira pura e simples e a blindagem vergonhosa em volta do Sr. Serra (ao ponto de jamais terem publicado, por exemplo, jornalismo real sobre os escabrosos negócios da Educação em São Paulo). Superestimando seu próprio poder, usando um instituto de pesquisa para fazer politicagem e reagindo de forma autista a uma realidade que ainda parecem incapaz de entender, o Grupo Folha é o mais siamês parceiro de derrota de José Serra, o candidato que agora zanza como um zumbi vampiresco pelas madrugadas da internet, desdizendo hoje o que disse ontem.
Que o Grupo Folha tenha a dignidade de fazer a autocrítica dessas escolhas antes do mergulho final na irrelevância.
Idelber Avelar - Revista Fórum

31.7.10

O papel do professor frente a mídia empresarial

O trabalho do professor em sala de aula enfrenta um desafio constante: como ser crítico – e alimentar essa criticidade no aluno – sem ser parcial?
Várias vezes me deparei com essa questão e vi colegas recorrendo ao discurso panfletário, confundindo o papel do professor – que não é de fazer cabeça – com o de guru.
Durante alguns anos fui professor de Atualidades de um cursinho pré-vestibular aqui em São Paulo. Os alunos e as alunas eram originários das melhores escolas de ensino médio de São Paulo e também de outros estados do país. Estudiosos – quase todos – enfrentavam o desafio de buscar uma vaga no prestigioso curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas.
Também lecionava a mesma disciplina para jovens interessados em ingressar na ESPM – outra instituição de prestigio –, mas na área de comunicação.
Pois bem, a tarefa era selecionar notícias pertinentes a estes exames e trabalhá-las em sala com os alunos e alunas.
Ora, os jovens tinham em casa a Veja, Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo e outras publicações do gênero. Eram raros aqueles que conheciam a CartaCapital, Le Monde Diplomatique ou sites com a qualidade do Luis Nassif Online.
Ao mesmo tempo os blogs ainda eram utilizados apenas como diários pessoais, poucas interferências políticas existiam nesse mundo.
Luiz Carlos Azenha, do Vi o mundo ou Paulo Henrique Amorim do Conversa Afiada, davam os primeiros passos nesse mundo virtual.
Cuidei primeiro de mostrar essas fontes desconhecidas e, quando era o caso, identificar sua origem ou posição ideológica, como é o caso do portal Agência Carta Maior, claramente de esquerda.
Levava para a sala de aula o confronto das visões dessas fontes com aquelas que eles estavam acostumados em casa.
Claro que gerou um grande desconforto e, à primeira vista, minha ideia não bem compreendida, pois alguns entenderam que eu queria fazer “a cabeça da moçada”.
Foi por volta de 2005 que comecei a usar o blog com mais freqüência para estes debates, principalmente por ocasião do tal “mensalão do PT”.
Sempre tive o cuidado de franquear a palavra no blog para todos, desde que se identificassem e fossem respeitosos.
A partir desse episódio percebi que devemos oferecer todas as opções de fontes informativas aos alunos. Claro que não precisamos levar até eles aquilo que eles já têm.
Precisamos mostrar o outro lado. Precisamos alimentá-los de informações e conhecimento.
Eles que decidam o que fazer com estas informações e conhecimento, não nos compete direcioná-los.
Por isso penso ser importante divulgarmos matérias como esta que está no Fazendo Média:
Documentos recentemente desclassificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos através da Lei de Acesso à Informação (FOIA, por suas siglas em inglês) evidenciam mais de US$ 4 milhões em financiamento a meios e jornalistas venezuelanos durante os últimos anos.
Clique no título acima para ler a matéria na íntegra.
Ou ainda o Blog da Cidadania que nos oferece esta notícia:
Clique no texto para ler a matéria inteira.
São dois exemplos inquestionáveis do poder de informação e de análise dos blogs e sites fora do circuito comercial.
Assim cumprimos nosso papel de professores: abrimos portas e janelas que dificilmente nossos alunos e alunas teriam acesso sem o nosso auxílio.

13.1.10

A mídia e o Programa Nacional de Direitos Humanos

Que o jornalismo empresarial brasileiro caminha rapidamente para o buraco não é novidade!
Que lhe falta credibilidade e honestidade até as portas sabem, mas, ainda assim, as chamadas do Jornal Nacional, a capa da Veja e as manchetes da Folha, Estadão, O Globo e congêneres continuam a fazer a cabeça da "classe média" nacional. Infelizmente! Quer seja por falta de tempo, comodismo ou simples ignorância mesmo.
Reproduzo abaixo, copiando do Vi o Mundo, artigo que mostra de maneira resumida e exemplar a desinformação e desonestidade que campeia no debate sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos III:

DIREITOS HUMANOS
O jornalismo derrotado

Por Marcos Rolim em 12/1/2010
Reproduzido do sítio
Gramsci e o Brasil, 12/1/2010

Via Observatório da Imprensa, sugestão do Gustavo Paim Pamplona

A julgar pelos noticiários, um fantasma assola o Brasil: o Programa Nacional de Direitos Humanos em sua terceira versão (PNDH-III). Todas as potências da Santa Aliança unem-se contra ele: setores da mídia, políticos conservadores, o agronegócio, os militares e a cúpula da Igreja. Os críticos afirmam que o programa propõe a "revisão da Lei de Anistia", que é autoritário ao propor "controle sobre os meios de comunicação", além de ser "contra o agronegócio". Radicalizando, houve quem – fora dos manicômios – identificasse no texto disposição por uma "ditadura comunista". É hora de denunciar esta farsa onde a desinformação se cruza com o preconceito e a manipulação política.
Auxiliei a redigir o texto final do Programa, juntamente com os professores Paulo Sérgio Pinheiro e Luiz Alberto Gomes de Souza. A parte que me coube foi a da Segurança Pública, mas participei de todos os debates. Assinalo, assim, que a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos havia proposto uma "Comissão de Verdade e Justiça"; nome que traduzia a vontade de "investigar e punir" os responsáveis pelas violações durante a ditadura. O PNDH-III, entretanto, propôs uma "Comissão da Verdade", porque prevaleceu o entendimento de que o decisivo é a recuperação das informações, ainda sonegadas, sobre as execuções e a tortura.

Prática democrática
O Programa não fala em "revisar a Lei da Anistia"; pelo contrário, afirma que a Comissão deve "colaborar com todas as instâncias do Poder Público para a apuração de violações de Direitos Humanos, observadas as disposições da Lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979". Para quem não sabe, a lei citada é a Lei de Anistia. A notícia, assim, era o afastamento da pretensão punitiva. O caminho escolhido, como se sabe, foi o oposto; o que não assinala informar mal, mas desinformar, simplesmente.
No mais, é interessante que os críticos nunca tenham se manifestado quando, no período do presidente Fernando Henrique Cardoso, propostas muito semelhantes foram apresentadas. Senão vejamos: no que diz respeito aos conflitos agrários, o PNDH-I (1996) já propunha "projeto de lei para tornar obrigatória a presença no local, do juiz ou do Ministério Público, no cumprimento de mandado de manutenção ou reintegração de posse de terras, quando houver pluralidade de réus, para prevenir conflitos violentos no campo, ouvido também o Incra". O PNDH-II, seis anos depois, repetiu a proposta.
Qual a novidade, neste particular, do PNDH-III? Apenas a ideia de mediação dos conflitos; prática que tem sido usual e que seria institucionalizada por lei. A senadora Kátia Abreu, então, pode ficar tranquila. Se o governo apresentar o projeto, ela terá a chance de se posicionar contra a mediação de conflitos e exigir que o tema seja resolvido à bala, como convém a sua particular concepção de democracia.

Reação vexatória
Quanto à reação ao tal ranking de veículos comprometidos com os direitos humanos, o assombro é ainda maior, porque o primeiro PNDH trouxe a ideia de: "Promover o mapeamento dos programas de rádio e TV que estimulem a apologia do crime, da violência, da tortura, das discriminações, do racismo, [...] e da pena de morte, com vistas a [...] adotar as medidas legais pertinentes". A mesma proposta foi repetida no PNDH-II.
Assinale-se que o PNDH-II propôs, além disso: "Apoiar a instalação do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e TV [...] e coibir práticas contrárias aos direitos humanos" e "Garantir a fiscalização da programação das emissoras de rádio e TV, com vistas a assegurar o controle social [...] e a penalizar as empresas [...] que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos".
Uau! Não são estas as armas dos inimigos da "liberdade de expressão"? Mas, se é assim, por que os críticos não identificaram o "ovo da serpente" na época?
Mais uma vez, ao invés de aprofundar o debate sobre as políticas públicas, a maior parte da mídia se deliciou com a reação vexatória dos militares, com o oportunismo da direita e com o medievalismo da Igreja, e o fez às custas da informação, para não variar.

Nota do Viomundo: De quebra, golpeia-se a ideia de que os cidadãos brasileiros, independentemente de filiação partidária, participem da formulação de políticas públicas, quaisquer que sejam as políticas públicas. É um retrocesso democrático proporcionado por aqueles que dizem defender a democracia! É a democracia dos coronéis, em que o bispo, o general e o dono do jornal se reuniam para decidir o que podia e o que não podia -- e não estou falando do que podia ou não ser feito, mas do que podia ou não ser proposto, já que todos os três PNDH, os do FHC e o de Lula, são meras proposições. É o mau jornalismo a serviço do retrocesso político, é a recompensa ao jornalismo-cafajeste praticado no Brasil.




Fonte: Vi o Mundo

10.11.09

SARESP cancelado, mas e a competência do secretario Paulo Renato?

O SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), marcado para acontecer nos dias 10, 11 e 12 de novembro de 2009, foi cancelado de surpresa.
O SARESP é uma avaliação de múltipla escolha, aplicada pela Secretária da Educação do Estado de São Paulo para alunos da rede estadual de ensino que estão na 2ª, 4ª, 6ª e 8ª série do Ensino Fundamental, e 3º ano do Ensino Médio. Neste ano seria estendido também para a rede privada.
A empresa contratada pelo Governo do Estado de São Paulo para produzir a avaliação não deu conta do recado. A Secretaria de Educação soube disso semana passada, mas tentou maquiar sua incompetência: organizou uma força-tarefa de funcionários públicos para tentar dar conta do recado no final de semana.
O expediente não funcionou.
O interessante é que não faz muito tempo que a arrogância do secretario Paulo Renato transbordou pelas páginas dos jornais, rádios e TVs, dando lições ao ministro Fernando Haddad de como organizar o ENEM. Ele fez o diagnóstico dos erros cometidos pelo atual ministro e ainda deu “aula” de como deveria ser feito o ENEM.
Agora não consegue organizar o exame estadual!
Lembremos que quando do vazamento do ENEM o Ministério da Educação demorou algumas horas para agir, cancelando a prova. A mídia, no seu conjunto, fez um esforço enorme para jogar a responsabilidade no Ministro, com apoio de Paulo Renato e a trupe tucana.
E agora Paulo Renato?
No web site da Secretaria de Educação encontramos uma nota tímida, publicada no final da tarde de ontem. Clique aqui e leia a tal nota.
Cadê a mídia e sua sagrada missão de informar? E aquelas continhas marotas, para sabermos de quanto foi o prejuízo para os cofres públicos e quem vai arcar com eles?

1.9.09

No nosso país as vítimas viram criminosos, basta que a mídia assim o queira

Como nossa mídia porcorativa (só pra imitar Maria_Frô) adora coincidências!
Foi só os sem-terra conseguirem uma vitória importante - dentre tantas batalhas perdidas nesse governo - que novamente tentam transformar as vítimas em criminosos.
Assim que o governo sinalizou que os novos índices de produtividade seriam aprovados a guerra recomeçou.
Quem deu o primeiro tiro? Um monte de gente. Rede Bandeirantes, Zero Hora, Estadão, enfim, todos aqueles que representam covardemente o latifúndio e a economia rentista que prevalece sobre a produtiva. Claro que o disparo mais vistoso foi dado por Veja neste final de semana, trazendo a tona novamente os "escândalos financeitos" envolvendo MST e governo.
Não tenho estômago para ler Veja, mas vou tentar, fazer mais esforço para tentar compreender até onde vai o esforço criativo desses brontossauros da manipulação.
Enquanto isso sugiro algumas leituras esclarecedoras:
O Caso de Veja - dossiê preparada por Luis Nassif
Abaixo nota oficial do MST:
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra responde aos recentes ataques veículados em diferentes meios de comunicação

01/09/2009
Secretaria Nacional do MST

Fizemos uma mobilização em todo o país e um acampamento em Brasília em defesa da Reforma Agrária e obtivemos vitórias importantes, relacionadas à solução dos problemas dos trabalhadores do campo. A jornada de lutas conquistou do governo federal medidas muito importantes, embora estejamos longe da realização da Reforma Agrária e da consolidação de um novo modelo agrícola. Além disso, demonstrou à sociedade e à população em geral, que apenas a organização do povo e a luta social podem garantir conquistas para os trabalhadores e trabalhadoras.
A principal medida do governo, anunciada durante a jornada, é a atualização dos índices de produtividade, que são utilizados como parâmetros legais para a desapropriação de terras para a Reforma Agrária. Os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante brasileira fecharam posição contra a revisão dos índices e passaram a utilizar os meios de comunicação para pressionar o governo a voltar atrás.
Essas conquistas deixaram revoltados os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante, que defendem apenas seus interesses, patrimônio e lucro, buscando aumentar a exploração dos trabalhadores, da natureza e dos recursos públicos. Nesse contexto, diversos órgãos da imprensa burguesa - os verdadeiros porta-vozes dos interesses dos capitalistas no campo - como Revista Veja, Estadão, Correio Brazilienze, Zero Hora e a TV Bandeirantes, passaram a atacar o Movimento para inviabilizar medidas progressistas conquistadas com a luta.
Não há nenhuma novidade na postura política e ideológica desses veículos, que fazem parte da classe dominante e defendem os interesses do capital financeiro, dos bancos, do agronegócio e do latifúndio, virando de costas para os problemas estruturais da sociedade e para as dificuldades do povo brasileiro. Desesperados, tentam requentar velhas teses de que o movimento vive às custas de dinheiro público. Aliás, esses ataques vêm justamente de empresas que vivem de propaganda e recursos públicos ou que são suspeitas de benefícios em licitações do governo de São Paulo, como a Editora Abril.
Diante disso, gostaríamos de esclarecer a nossos amigos e amigas, que sempre nos apóiam e ajudam, que nunca recebemos nem utilizamos dinheiro público para fazer qualquer ocupação de terra, protesto ou marcha. Todas as nossas manifestações são realizadas com a contribuição das famílias acampadas e assentadas e com a solidariedade de cidadãos e entidades da sociedade civil. Temos também muito orgulho do apoio de entidades internacionais, que nos ajudam em projetos específicos e para as quais prestamos conta dos resultados em detalhes. Aliás, todos os recursos de origem do exterior passam pelo Banco Central. Não temos nada a esconder.
Em relação às entidades que atuam nos assentamentos de Reforma Agrária, que são centenas trabalhando em todo o país, defendemos a legitimidade dos convênios com os governos federal e estaduais e acreditamos na lisura do trabalho realizado. Essas entidades estão devidamente habilitadas nos órgãos públicos, são fiscalizada e, inclusive, sofrem com perseguições políticas do TCU (Tribunal de Contas da União), controlado atualmente por filiados do PSDB e DEM. Desenvolvem projetos de assistência técnica, alfabetização de adultos, capacitação, educação e saúde em assentamentos rurais, que são um direito dos assentados e um dever do Estado, de acordo com a Constituição.
Não esperávamos outro procedimento desses meios de comunicação. Os ataques contra o Movimento são antigos e nunca passaram da mais pura manifestação de ódio dos setores mais reacionários da classe dominante contra trabalhadores rurais que se organizaram e lutam por seus direitos. Vamos continuar com as nossas mobilizações porque apenas a pressão popular pode garantir o avanço da Reforma Agrária e dos direitos dos trabalhadores, independente da vontade da classe dominante e dos seus meios de comunicação.

28.7.09

Desinformação e pânico

Esse é o resultado do tratamento que a imprensa dispensa à gripe A.
Qual a razão?
Existem várias: é uma gripe para a qual não existe vacina; atingiu, no Brasil, a classe média; foi cercada de mistérios desde os primeiros casos; o governo demorou a disseminar informação de segurança e, finalmente, nossa imprensa é muito ruim.
A forma como a mídia tratou o início foi horrível e alimentou essa sensação de pânico que vivemos nesse momento.
Hoje, conversando com uma amiga que teme enviar o filho para a escola por causa da aglomeração na sala de aula. Esqueci de perguntar se ela proibiu cinema, shows, shopping etc.
Lembro-me que quando criança – faz tempo, em plena ditadura – o governo escondeu, de forma criminosa, uma epidemia de meningite. Tentava preservar o Brasil como sede de um Pan-americano, se a memória não me trai. A censura e a falta de informação foram mortais, muitos foram vitimados por causa dessa irresponsabilidade.
Hoje temos um efeito contrário, pois a informação existe em quantidade, pena que não obedeça a critérios de qualidade.
Ano passado a mídia corporativa levou o pânico à população anunciando uma epidemia mortal de febre amarela. Resultado: pessoas foram hospitalizadas – duas morreram – por terem tomado a vacina desnecessariamente.
Agora é a “gripe suína”. E, para sorte da população brasileira, os dois estados com mais problemas – São Paulo e Rio Grande do Sul – são governados pelo PSDB, fossem governos petistas e estaríamos lascados!
Ainda assim um imbecil anunciou na Folha de S. Paulo que 35 milhões de brasileiros seriam contaminados pela atual gripe, com a mesma irresponsabilidade que uma jornalista – também da Folha – mandou todo mundo sair correndo, ano passado, para tomar a vacina contra a febre amarela.
Sou radicalmente contra a censura, mas penso que chegou a hora destes irresponsáveis, com diploma de jornalista ou sem ele, pagarem por estes crimes contra a saúde pública.

25.4.09

A Folha de S. Paulo aderiu ao padrão Veja de contar a sua "verdade"

Recentemente a Folha de S.Paulo reproduziu uma ficha da ministra Dilma como se fosse um documento do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) - temido órgão da repressão que muito atuou na Ditadura Militar.
Soube-se depois que o documento não era verdadeiro.
O jornal teve uma atitude sensata, mas, como no epsiódio da "ditabranda", não reconheceu o erro por completo. Leiam o trecho de matéria da Folha de hoje sobre o acontecido:

"Autenticidade de ficha de Dilma não é provada
Folha tratou como autêntico documento, recebido por e-mail, com lista de ações armadas atribuídas à ministra da Casa Civil

Reportagem reconstituiu participação de Dilma em atos do grupo terrorista VAR-Palmares, que lutou contra a ditadura militar

DA SUCURSAL DO RIO

A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85).
O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era o "arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail. O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada -bem como não pode ser descartada.
A ficha datilografada em papel em tom amarelo foi publicada na íntegra na página A10 e em parte na Primeira Página, acompanhada de texto intitulado "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto". "
Quer dizer: não temos prova de que seja verdadeira, mas também não temos prova de que seja falsa.
Então publique-se assim mesmo e danem-se os fatos e os leitores!
O descaramento não tem limite!

14.2.09

Imprensa oba oba!

Boa parte da grande imprensa brasileira passou da conta de novo!
A falta de massa crítica e a onda do tipo “Galvão Bueno” no episódio da brasileira que alega ter sido agredida na Suíça, levou o governo brasileiro ao exagero.
Antes dos fatos apurados e antes de ouvir as autoridades locais, já havia por aqui certezas, convicções e condenações.
No Jornal da Band de quinta-feira o âncora Ricardo Boechat ficou indignado com a falta de firmeza do governo brasileiro no episódio.
E agora? Vai falar o quê?
O site da BBCBrasil oferece uma visão mais equilibrada, clique aqui.
O Estadão de hoje recobra o equilíbrio, depois de começar chutando o pau da barraca, embora, reconheçamos, o episódio, se verdadeiro, justificará esse sentimento de repulsa e horror. Clique aqui para acompanhar a cobertura do Estadão.
A Folha Online - clique aqui para ler - reproduz a BBC e acrescenta algumas matérias novas, também equilibradas, mas na edição impressa a Folha capricha, até com um enviado especial a Zurique. Na primeira matéria de 12/2, a Folha dizia que:
“Uma advogada brasileira de 26 anos foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira.
Grávida de três meses de gêmeas, Paula Oliveira sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela continua em repouso, mas já não corre mais risco de morte.
De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.
A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.
Quando foi abordada, a advogada, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Um dos agressores tinha uma suástica na cabeça.”

Somente a partir do dia 14, com a presença do enviado especial, a cobertura recebeu um tom mais crítico.
Não se trata de condenar a advogada brasileira, mesmo por que não tenho elementos para tal, mas sim de desejar que a imprensa tenha compromisso com os fatos e com a apuração dos mesmos. Nossa mídia está mal acostumada, apenas reproduz as declarações que recebe, claro, as que lhes são convenientes.

3.2.09

A mídia transforma em verdade a versão de um dos lados do conflito

Ontem fui surpreendido pelo Record News com a cobertura sobre os conflitos na favela de Paraisópolis.
Cenas que lembravam a asquerosa invasão que Israel promoveu em Gaza recentemente.
Bombas explodindo, tiros, barricadas, muita fumaça e notícias de mortos e feridos.
UOL, Terra, G1 e demais portais soltaram a informação de que a reação da população era por conta do assassinato, em confronto com os policiais, de um morador fugitivo do sistema prisional.
A Folha de S. Paulo de hoje apresenta uma matéria equilibrada, redigida por três bons jornalistas, mas que não apresenta nenhuma novidade e muito menos um “outro lado”.
Já no Estado de S. Paulo o “outro lado” é apresentado, também de forma equilibrada (clique aqui para ler).
Segundo informações que circulam na favela o confronto foi uma reação a EXECUÇÃO de três pessoas, uma delas o indivíduo apontado pela polícia, que estavam ao lado de um carro roubado.
Os executores eram policiais.
É muito comum entre a população pobre e/ou negra da periferia de São Paulo o sentimento de ódio despertado pelas forças policiais. Ou medo. O que dá no mesmo, pois o primeiro sentimento é fruto do segundo.
Basta verificar o grau de violência das forças policiais e contra quem, preferencialmente, essa violência é praticada, de forma indiscriminada.
Falta a nossa imprensa esse saudável hábito, como fez o Estadão no caso, de ouvir e publicar o outro lado.
Falta ainda mais investigação e também jornalistas competentes para escrever textos claros e corajosos, que não se limitem a replicar o que dizem as autoridades ou vender proteção para criminosos da patota.

25.11.08

Tempo de mudar de tempo

Aproxima-se o final de mais um ano.
Logo começarão os “resumos dos fatos mais importantes do ano de 2008”. Coisa bem chata de se ver e se ler. Normalmente a TV dedica boa parte do tempo para as celebridades e para as tragédias. Deprimente!
Naqueles poucos momentos dedicados à política não faltarão menções à eleição de Barack Obama.
Óbvio que um presidente negro num país racista como os EUA é algo de muita significância, mas não é a redenção dos pecados do mundo. Parece-me que os EUA perseguem os modelos fascistas, na busca insana do salvador da pátria. Era o Bush, agora é o Obama.
A crise mundial, provocada pelo deus mercado, também deverá ocupar minutos preciosos, entre a propaganda de um banco e a de outro.
Duvido que a mídia ouse dizer que a culpa é de quem tem a grana e o poder. Ou diga, com todas as letras: o neoliberalismo conduziu o mundo ao fracasso!
Ainda penso que o excesso de lucro é o pai das crises do sistema capitalista, mas prometo voltar ao assunto quando tiver mais tempo.
Aqui, ao sul do Equador, continuaremos neuróticos com nossa mídia grande, ou como gosta Paulo Henrique Amorim, o PIG (Partido da Imprensa Golpista).
Durante muito tempo li nos cadernos de economia que o dólar abaixo de R$ 2,00 seria a plena falência da nossa economia, agora leio que o dólar acima de R$ 2,00 é a própria encarnação do capeta! Vai entender.
Os grandes e graves problemas continuarão esquecidos, providencialmente, nas mesas e gavetas dos editores e dos supremos juízes: crimes do colarinho branco, fusão da BrOi, reforma política, escândalo da Alstom...
A indignação continuará seletiva, só atingirá aqueles que não pertencem ao seleto clube que sempre esteve no poder ou aos seus apaniguados.
A educação continuará sendo discutida nas páginas de Veja, no seu monumental esforço tucano-privatista.
Os nossos não partidos políticos continuarão a não ter projetos para o nosso país. Aliás, terão: contratar o melhor marqueteiro para as eleições de 2010.
Depressão pré-natalina? Pode ser. Na verdade odeio o natal. Aquele velho barbudo com aquele enorme saco nas costas me causa asco. E o casacão? E ainda aquela simulação de neve? Um horror!

7.9.08

Isso não é propriamente um texto, é uma obra-prima!

Todos que me lêem sabem da admiração que tenho pelos textos de Luis Nassif, além do Bob Fernandes, Mino Carta, Luis Carlos Azenha e alguns poucos outros jornalistas nativos.
Hoje Nassif apresentou uma verdadeira obra-prima no seu blog. Por isso vou reproduzir o texto na íntegra - tim-tim por tim-tim - e também enviá-lo para minhas listas de e-mail, na esperança de que muitas outras pessoas o leiam.
Deleitem-se:
O parto de uma Nação

É extraordinário o que estamos testemunhando nesses tempos de Satiagraha: é o parto de uma Nação.
Haverá ainda muita frustração pela frente, muita sensação de impotência, muito ceticismo se o país conseguirá ser alçado à condição de Nação civilizada. Mas a marcha da história é inevitável.
Está-se em plena batalha da legalidade contra o crime organizado. Os jovens juízes, procuradores, policiais que ousaram arrostar décadas de promiscuidade estão no jogo. Se eventualmente forem calados agora, a decepção geral será o combustível para a reação de amanhã.
O país está submetido a duas forças que caminharam em paralelo mas, agora, começam a colidir.
Uma delas, a consolidação de valores republicanos – não necessariamente de práticas – como a impessoalidade no trato da coisa pública, a transparência cada vez maior, movimento acelerado pelo advento de novas tecnologias de informação, a reação contra a impunidade.
Ao mesmo tempo, tem-se um país institucionalmente refém de desequilíbrios enormes. A falta de transparência do ciclo que se esgota abriu espaço para amplos abusos em todos os poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário e mídia, grande capital.
Criou-se uma enorme Nação de rabo preso em um momento em que a disseminação de valores e de tecnologia definia novos níveis para a transparência.
Ao mesmo tempo, o mundo (e o Brasil) ingressou em um ciclo de financeirização que permitiu a expansão ampla do crime organizado. Descrevo em detalhes esse processo no meu livro “Os Cabeças de Planilha”. Já tinha descrito esse modelo no meu “O Jornalismo dos anos 90”, no capítulo referente à CPI dos Precatórios.
A falta de regulação e controle nos mercados, a existência de paraísos fiscais, a complacência das autoridades reguladoras (e da mídia) criaram uma imensa zona cinzenta onde se misturou a contravenção fiscal com a corrupção política, a simbiose de “figuras notáveis” com o crime organizado. A falta de um regramento adequado e de instituições que combatessem os abusos, permitiu essa promiscuidade ampla.
Esse é o nó.
Agora, as instituições estão aí. Mas há um pesado passivo que não interessa a muitos que venha à tona. O resultado dessa batalha de transição é que definirá os rumos do país: se submetido aos limites da lei; ou do crime organizado.

Os novos atores
Aí entram dois atores. O primeiro, a mídia.
Já escrevi várias vezes sobre o tema, e volto a ele. Nesse ambiente promíscuo, parte da mídia passou a se valer da denúncia não como um instrumento de melhoria dos hábitos econômicos e políticos, mas como instrumento seletivo de poder. O esgarçamento dos critérios jornalísticos abriu espaço para os abusos que, agora, chegam a um ponto de alto risco para imagem da mídia.
Nesse movimento, papel essencial foi desempenhado pela diretoria de redação da Veja. Graças ao seu amadorismo, conduzindo uma operação de alto risco – os pactos com Daniel Dantas – escancarou um modelo que, em mãos mais hábeis, levaria mais tempo para ser percebido.
O segundo ator são os órgãos de repressão ao crime organizado, que surgem no início dos anos 90 e se consolidam a partir da gestão Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça.
A maior parte do dinheiro do crime organizado transita pelo mercado financeiro, através de operações esquenta-esfria, de doleiros, de esquemas em paraísos fiscais, um universo intrincado que passa ao largo da compreensão do cidadão comum.
Tenho muito orgulho em ter contribuído de alguma maneira para preparar esse terreno para o combate ao crime organizado.
No início dos anos 90 passei análises sobre o mercado financeiro para o juiz Walter Maierovitch, o primeiro brasileiro a estudar seriamente o fenômeno do crime organizado.
No início de 2003, a convite de Márcio Thomaz Bastos dei uma das duas palestras de abertura do Seminário que ocorreu em Pirinópolis, juntando Ministério Público Federal, Polícia Federal, COAF, Banco Central, Secretaria da Receita Federal. Juntei as informações e análises que tinha coletado na cobertura da CPI dos Precatórios e dos esquemas de doleiros – que serviram de base para meu livro.
Surpreendi-me ao me dar conta da extensão do trabalho que se propunha, essa integração necessária entre os diversos órgãos, a busca de ferramentas de análise, de equipamentos de monitoração, o entusiasmo dos jovens funcionários públicos e as figuras mais velhas, respeitáveis, de Cláudio Fontelles, Paulo Lacerda e Márcio Thomaz Bastos.
Montou-se a organização, preparam-se os funcionários públicos e lhes foi conferida uma missão. E eles passaram a seguir o manual. Institucionalizava-se o combate ao crime organizado. E, institucionalizado, passava a se tornar, também, impessoal. Assim como em nações civilizadas, não havia mais intocáveis a serem preservados.
Nesse momento, deu-se o choque com o Brasil velho.
O choque do antigo
No início havia convivência estreita entre os dois poderes: a nova estrutura de repressão ao crime organizado e a mídia.
Houve muitos abusos, sim, invasão de escritórios de advocacia, vazamento de peças do inquérito. É possível que abusos continuem a ser cometidos. Mas tudo era suportado, defendido pela mídia, na condição de aliada preferencial, tendo acesso aos “furos” e blindagem contra abusos.
A convivência prosseguiu enquanto órgãos de mídia entendiam que a aliança lhes garantia salvo-conduto. Explodiu quando se revelou a extensão da Operação Satiagraha.
Aparentemente, a Operação Satiagraha flagrou quatro grupos envolvidos com o crime organizado: advogados, juízes, políticos e jornalistas/empresas jornalísticas. O que se pretende, agora? Julga-se ser possível varrer o processo para baixo do tapete? Em plena era da Internet, dos blogs, dos sites, do e-mail, julga-se ser possível passar em branco essa monumental manipulação das informações que se vê agora?
O jogo está no fim. Daqui para diante será esperneio. Continuarão assassinando reputações, promovendo factóides, manipulando ênfases. É possível que destruam Paulo Lacerda, Protógenes, De Sanctis e todos os que ousarem enfrentar esse tsunami. Mas não conseguirão parar a história.
Desse lamaçal, vai emergir uma nova mídia, uma reavaliação na qual os jornais sérios entenderão, em algum momento, que não dá mais para se envolver até o pescoço por uma solidariedade corporativista com os que transigiram.
E não adianta tentar transformar essa guerra em um Fla x Flu, Lula x oposição, PSDB x PT. Não cola. É uma briga da lei contra o crime organizado. Há que se definir limites para evitar abusos. Mas o que está em jogo é a tentativa de desmonte dessa estrutura.
Apostar que serão bem sucedidos, será apostar no atraso, na falta de leis, na manutenção dos abusos da mídia e dos grampos ilegais, no império do crime organizado, na promiscuidade entre poderes.
É esse o país que vamos entregar para nossos filhos? É evidente que não.

Fonte:
Luis Nassif Online – 07/09/08.

29.7.08

CartaCapital já noticiava em 1998 o que a grande mídia só descobriu agora

Abaixo segue texto explicativo da própria revista CartaCapital, explicando toda a sua obra de investigação a respeito de Daniel Dantas, seus sócios, amigos e vítimas, públicos e privados.
A qualidade do texto da revista é muito superior as outras semanais brasileiras. A qualidade do jornalismo praticado também.
Não é neutra, mesmo por que não existe órgão de mídia que o seja, mas não briga com a notícia, prática tão corriqueira em Veja, por exemplo.
A quantidade e a qualidade dos textos elencados, quando nenhum outro órgão da chamada grande imprensa ousava tocar no nome do dito cujo, ou, ao contrário, fazia de acordo com os interesses do mesmo, é prova cabal da qualidade, independência e ousadia desta publicação, pena que não tenha concorrente à altura!


Conforme o prometido, CartaCapital honra o compromisso de ajudar o "jornalismo investigativo" brasileiro, que anda em polvorosa desde a deflagração da Operação Satiagraha pela Polícia Federal, que provocou o entra-e-sai de Daniel Dantas da prisão e tantas outras ebulições na república brasileira.
Para tanto, a revista deixa disponível neste dossiê todo o conteúdo que produziu sobre Daniel Dantas e seus negócios nos últimos dez anos. São mais de noventa textos, reportagens e editoriais de CartaCapital sobre o envolvimento de Dantas em transações em diversas áreas da economia nativa, em especial no setor de telecomunicações.
Elas estão compreendidas em um período que remonta às privatizações do setor de telefonia, ocorridas no fim da década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e chega aos dias atuais, sob a égide do segundo mandato do presidente Lula. É material suficiente para entender como Dantas tornou-se figura tão importante nos bastidores da República, a ponto de alguns terem dito que se fosse revelado todo o conteúdo das negociatas do orelhudo, o País pararia por dois anos
Com isso, CartaCapital espera que a mídia nativa não dê ares de furo ou mesmo de material exclusivo a conteúdo que a revista publicou anos atrás. Bom proveito.

Clique aqui para ler tudo que foi noticiado em CartaCapital sobre o Daniel Dantas, desde 25/11/1998.