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24.9.24

Celulares nas escolas. Proibir é a solução?

 

Tudo de que você precisa está dentro de um livro.

Seu filho não pode chegar à internet sem passar pelo livro.

Se não for capaz de escrever o que pensa e de entender o que lê, vai pra internet pra virar um idiota.

A internet está cheia de idiotas. Ela conseguiu dar palco pro canalha, pro invejoso.

A humanidade, vocês adultos sabem, não presta.

E você multiplica a potencialidade dessa maldade na internet...

Ziraldo

 O MEC anunciou semana passada que está elaborando medidas para banir os celulares das escolas.

Medida polêmica, mas, a meu ver, necessária, uma vez que os celulares estão sendo usados de maneira ruim pelas crianças e pré-adolescentes, fazendo da vida dos profissionais da educação um verdadeiro inferno.

                               A proibição dos celulares durante as aulas valerá em todo o Brasil. - 
                                                                        Fonte:  Getty Images/Reprodução
Quando essas traquitanas tecnológicas começaram a ganhar corpo o ideal seria tê-las como apoio no aprendizado e na pesquisa, mas esse ideal foi desvirtuado por completo e, a cada avanço dessas tecnologias modernas, aumenta o prejuízo no desenvolvimento de habilidades essenciais na formação do indivíduo.

Alguns países com pesquisa de ponta na educação já estão retrocedendo, principalmente com relação às crianças e pré-adolescentes.

É comum relatos de isolamento dos jovens entretidos com o celular e seus joguinhos, alguns deles muito mal-intencionados.

Quando olhamos os pátios das escolas na hora do intervalo, vemos um bando de autômatos, tais quais zumbis, presos às telas, ao invés das brincadeiras de antes.

Claro que o uso dos celulares, de maneira indiscriminada e mal-educada, não se faz só na escola, é um reflexo da sociedade, por isso serão necessárias campanhas junto ao público adulto para que alterem seu comportamento ao lidar com esses equipamentos.

Some-se as questões apresentadas o efeito nocivo da bets, esses malditos cassinos virtuais, que levam muitas pessoas, inclusive crianças e adolescentes ao endividamento.

É preciso fazer algo, imediatamente.

O que vocês acham da medida anunciada pelo MEC?

Não é possível que as redes sociais substituam a vida vivida!

30.6.09

Mudanças no ensino médio

Deu na Agência Brasil: o Conselho Nacional de Educação aprovou mudanças no Ensino Médio!
Quais mudanças? Temo que nem eles, os sábios, saibam.
Estou irritado com a notícia. Tratam a educação com recursos de palanque.
Como sempre o acerto é feito “por cima”. Os agentes maiores das mudanças, os professores como este que vos escreve, são os últimos a saber.
Haverá um “boom” de consultores, aqueles que conhecem todos os caminhos, prontos a vender seus dons e adivinhações.
Que precisamos mudar os rumos da escola, isso é fato! Que as famílias precisam retomar alguns valores basilares da sociedade, como ética, cidadania e solidariedade também é fato! Que precisamos educar nossos jovens para a participação política também é verdade! Como fazer? Quem tem as respostas? Não deveríamos construí-las em sociedade?
Por fim cada Secretaria Estadual, ou Conselho, deverá dizer o que nós, os professores, deveremos fazer.
Bem, abaixo o texto da Agência Brasil, intercalado com meus comentários, em vermelho, é claro!


Conselho Nacional de Educação aprova reforma curricular do ensino médio

Amanda Cieglinski - Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou hoje (30) a proposta de reforma curricular e organizacional do ensino médio que foi apresentada pelo Ministério da Educação (MEC) em maio. O projeto chamado “ensino médio inovador” irá apoiar iniciativas das secretarias estaduais de educação para melhorar a qualidade do ensino oferecido e tornar a etapa mais atraente.
Como assim mais atraente? Quem determinará o que é “mais atraente”?
Segundo o conselheiro Mozart Neves Ramos, o CNE recebeu várias sugestões de entidades da sociedade civil que foram incorporadas ao projeto. O texto final deve ser divulgado até o fim da semana.
Que bom! Pelo menos eles dizem que não sabem o que dizer. Tem que mudar, como mudar, bem isso a gente resolve depois.
Os principais pontos da proposta apresentada pelo MEC não foram alterados. Entre eles está o aumento da carga horária de 2,4 mil para 3 mil horas/ano e uma reforma organizacional do currículo. O atual modelo da grade curricular, dividido em 12 disciplinas tradicionais, será dividido em quatro eixos mais amplos (trabalho, ciência, tecnologia e cultura) para incentivar a interdisciplinaridade.
Como se alterações na nomenclatura fizesse a mágica acontecer! E a formação dos professores? As condições de trabalho?
“É importante agora implementar corretamente a proposta e trabalhar principalmente a formação do professor. É preciso que a universidade compreenda qual é a proposta e formar os professores para esse modelo”, apontou Neves.
Ou seja, a proposta está aí, agora nós formaremos os professores para executá-las! Diga-se que é uma proposta que nem sequer foi publicada! Será que essa galera conhece o país do qual falam? De qual universidade estão falando?
Hoje durante a tarde o CNE se reuniu com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) justamente para discutir a questão da formação.
Entendi! Haverá cursos de pós-graduação para todos os professores do ensino médio! Agora vai!
Outra mudança proposta pelo ministério é que os alunos tenham no mínimo 20% de disciplinas optativas dentro do currículo. Todas essas mudanças têm por objetivo tornar a escola mais atraente para o jovem. Pesquisas apontam que o atual modelo é considerado desinteressante, o que aumenta a evasão e diminui o tempo do brasileiro nos bancos escolares.
Mas e os brasileiros que não chegam ao ensino médio? E esta anomalia, esse crime contra a juventude, chamado ensino noturno? E a galera que abandona a escola para trabalhar? Engordar a renda da família?
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, cabe à escola corresponder às expectativas do aluno e não o contrário. Segundo ele, o orçamento de 2010 destinará de R$ 50 milhões a R$ 100 milhões para a proposta. “A partir do momento que nós superamos o gargalo do vestibular tradicional [com a criação do novo Enem], destravamos um processo de diversificação do ensino médio que já ocorre em vários estados”, avaliou.
Quais expectativas dos alunos? De todos? De qualquer aluno? É o típico discurso genérico! Quem garante que o novo ENEM não será o novo gargalo?
As secretarias de educação deverão responder a um edital que será divulgado pelo MEC para inscrever propostas inovadoras que “serão potencializadas com apoio federal”, disse o ministro. A ideia, segundo Haddad, é que essas experiências sejam disseminadas na rede. Inicialmente, o MEC vai financiar a implantação de projetos em 100 escolas.

6.5.09

MEC propõe reformulações para o Ensino Médio

A imprensa tem noticiado ao longo da semana a intenção do MEC em promover uma reformulação no Ensino Médio.
Numa primeira olhada, uma vez que não temos nenhum documento mais completo ainda, só o noticiário da mídia, parece-me que tem a cara dos PCNs dos anos 90.
Eu mesmo participei de uma experiência que trilhava esse caminho, mas na educação de adultos, no NEA-USP (Núcleo de Educação de Adultos), por volta de 1998/99. Se assim for a novidade já tem 10 anos e a dificuldade reside em implementá-la.
Dos textos que circularam na semana, escolhi os que seguem abaixo por serem sucintos. Antes de republicá-los aqui os enviei para alguns colegas de labuta no magistério. Assim que as opiniões chegarem, vou colocá-las nos “comentários”.

Folha de São Paulo, segunda-feira, 04 de maio de 2009

MEC quer trocar matérias por áreas temáticas
A intenção é eliminar a atual divisão do conteúdo em 12 disciplinas no ensino médio e criar quatro grupos mais amplos

Proposta será discutida hoje pelo Conselho Nacional de Educação; União planeja incentivos financeiros para obter adesão dos Estados

FÁBIO TAKAHASHI - DA REPORTAGEM LOCAL

O Ministério da Educação pretende acabar com a divisão por disciplinas presente no atual currículo do ensino médio, o antigo colegial. A proposta do governo é distribuir o conteúdo das atuais 12 matérias em quatro grupos mais amplos (línguas; matemática; humanas; e exatas e biológicas).
Na visão do MEC, hoje o currículo é muito fragmentado e o aluno não vê aplicabilidade no programa ministrado, o que reduz o interesse do jovem pela escola e a qualidade do ensino.
A mudança ocorrerá por meio de incentivo financeiro e técnico do MEC aos Estados (responsáveis pela etapa), pois a União não pode impor o sistema. O Conselho Nacional de Educação aprecia a proposta hoje e amanhã e deve aprová-la em junho (rito obrigatório).
O novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que deverá substituir o vestibular das universidades federais, será outro indutor, pois também não terá divisão por disciplinas.

Liberdade
Segundo a proposta, as escolas terão liberdade para organizar seus currículos, desde que sigam as diretrizes federais e uma base comum. Poderão decidir a forma de distribuição dos conteúdos das disciplinas nos grupos e também o foco do programa (trabalho, ciência, tecnologia ou cultura).
Assim, espera-se que o ensino seja mais ajustado às necessidades dos estudantes.
O antigo colegial é considerado pelo governo como a etapa mais problemática do sistema educacional. Resultados do Enem mostram que 60% dos alunos do país estudam em escolas abaixo da média nacional.
O governo Lula pretende que já no ano que vem, último ano da gestão, algumas redes adotem o programa, de forma experimental. No médio prazo, espera que esteja no país todo.
"A ideia é não oferecer mais um currículo enciclopédico, com 12 disciplinas, em que os meninos dominam pouco a leitura, o entorno, a vida prática", disse a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar.
Está previsto também o aumento da carga horária (de 2.400 horas para 3.000 horas, acréscimo de 25%).
"A mudança é positiva. Hoje, as disciplinas não conversam entre si", afirmou Mozart Neves, membro do Conselho Nacional de Educação e presidente-executivo do movimento Todos pela Educação.
"A análise de uma folha de árvore, por exemplo, pode envolver conhecimentos de biologia, química e física. O aluno pode ver sentido no que está aprendendo", disse Neves.
A implementação, no entanto, será complexa, diz o educador. "Precisa reorganizar espaços das escolas e, o que é mais difícil, mudar a cabeça do professor. Eles foram preparados para ensinar em disciplinas. Vai exigir muito treinamento."
O MEC afirma que neste momento trabalha apenas o desenho conceitual. Não há definição de detalhes da implementação ou dos custos.
O relator do processo no conselho, Francisco Cordão, disse que dará parecer favorável. "Talvez seja preciso alguns ajustes. Mas é uma boa ideia. Hoje o aluno não vê motivo para fazer o ensino médio."

Modelo de blocos já é adotado em cursos da Unifesp
DA REPORTAGEM LOCAL
A organização do ensino sem a divisão rígida de disciplinas tem sido adotada no ensino superior e em projetos especiais da educação básica no país.
No campus da Baixada Santista (litoral sul de SP) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em vez de disciplinas, foram criados quatro blocos de ensino. Um curso tradicional na instituição tem cerca de 40 matérias. A unidade foi inaugurada em 2006.
A intenção foi integrar melhor os conteúdos apresentados. No ensino superior geralmente há concentração de matérias teóricas no início do curso e práticas no final.
Nas escolas do Procentro (Programa de Desenvolvimento dos Centros de Ensino Experimental), em PE, parte do currículo une diversas matérias. Cerca de 19 mil alunos participam do programa, que une o Estado e a iniciativa privada.
A média no Enem 2007 de uma das escolas do projeto foi superior à do Rio Grande do Sul, a maior do país (62 e 58).

22.9.07

Livro didático: mentiras e manipulações no artigo do Ali Kamel

Luis Nassif jogou um pouco de luz nesta discussão que tomou conta da mídia recentemente: o MEC e os livros didáticos.
Interessante saber que são muitos os interesses que devem ser considerados nesta discussão: políticos, pedagógicos e grana. Agora, pelo jeito que a coisa anda, mais um se soma: o combate rasteiro às ações do governo Lula.
Essa mídia que vive “testando hipóteses”, louca da silva para derrubar o governo, vem desinformando cada dia mais e, de forma alucinada, despolitizando completamente o debate político.
Criticam o governo pelo pouco que ele tem de bom. Pois é justamente esse pouco que descontenta os bem aquinhoados de sempre, aqueles que sempre tiveram todos os privilégios em suas mãos e que construíram, ano após ano, governo após governo, esse enorme abismo social que envergonha todo brasileiro com o mínimo de senso de justiça e solidariedade.
Transcrevo abaixo na íntegra o texto publicado no Blog do Nassif, mas antes clique aqui para ler o artigo que deu origem ao debate: O que ensinam às nossas crianças, de autoria de Ali Kamel.

O caso do livro no índex
Coluna Econômica - 21/09/2007
A guerra ideológica continua produzindo uma vítima recorrente: a notícia. Digo isso a propósito do artigo de Ali Kamel em “O Globo”, reproduzido no “Estadão”, desancando o livro “Nova História Crítica, 8ª série” – acusado por ele de doutrinação comunista –, e denunciando o MEC (Ministério da Educação) de distribuí-lo gratuitamente.
A denúncia repercutiu na imprensa mundial, de “El Pais”, na Espanha, ao “Miami Herald”, nos Estados Unidos.
Na verdade o livro foi adotado pelo MEC em 2002, gestão Fernando Henrique Cardoso, e deixou de ser adotado em abril deste ano, gestão Luiz Ignácio Lula da Silva. E Kamel sabia disso.
Nem a indicação foi culpa de FHC (se é que se pode falar em culpa), nem a desclassificação foi obra de Lula.
Kamel sabia que o processo de seleção de livros, pelo MEC, virou uma política de estado, ainda na gestão FHC, e não houve nenhuma modificação que sinalizasse para sua politização.
O sistema de seleção criado virou padrão para muitos países. O papel do MEC é definir um conjunto de universidades que sejam centros de excelência. Depois, cada qual indica professores para analisar as obras. O MEC avalia apenas se há conflito de interesses, se o professor eventualmente tem ligação com alguma editora.
Em seguida, todos são chamados a Brasília e lhes são entregues os livros sem identificação de editora ou autor. As obras recomendadas entram em uma lista do MEC e são apresentadas às escolas, para escolha dos professores.
Antes, havia um problema. Grandes editoras faziam um trabalho de marketing, enviando vendedores para convencer os professores. O MEC corrigiu o que considerava uma distorção. Passou a editar um Guia de Leitura e a remeter para as escolas. E os professores passaram a fazer escolhas pela Internet. Esse modelo reduziu o poder de fogo das grandes editoras, gerou muita pressão, mas abriu a possibilidades para pequenas e médias editoras entrarem no mercado.
O livro em questão entrou para a lista em 2002, devido à avaliação positiva de um professor da UNESP (Universidade Estadual Júlio de Mesquita Neto), ainda na gestão Paulo Renato de Souza.
Quem retirou de pauta, na última avaliação, em abril passado, foi a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pois os novos avaliadores entenderam que as ressalvas eram fortes demais para que permanecessem. Nem o MEC interferiu no primeiro movimento, nem interferiu no segundo.
A única mudança que fez foi ampliar o número de universidades de quatro para oito. O livro acabou vetado por um avaliador de uma nova universidade incluída na seleção.
Repito, Kamel sabia disso. Mais. Na seleção de trechos que colocou, do livro, menciona o que considera loas aos regimes comunistas. Mas deixou de fora trechos do livro em que há críticas explícitas ao marxismo, a Stalin e a Mao.
Pior: homem que domina as estatísticas, deixou as ferramentas de lado na hora de analisar as obras colocadas à disposição dos professores. Existem 400 livros didáticos apenas na 4ª e 5ª séries. Não se valeu sequer de amostragem estatística, como, por exemplo, avaliar 20 livros e constatar problemas em parte deles.

Fonte: http://www.projetobr.com.br/web/blog/6#4303