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15.10.24

As emendas PIX venceram as eleições municipais

Segundo os analistas da grande mídia o Centrão ganhou as eleições municipais.

Isso, em parte, é verdade.

Temos uma realidade bastante complexa, com “novidades” na política que vira de cabeça para baixo nosso entendimento da política institucional. É nesse contexto que surgem “coahcs” messiânicos, estelionatários de várias matizes e demais oportunistas.

Mídia Ninja fez uma excelente matéria sobre as emendas pix, que faz com que consigamos compreender como o sequestro do Orçamento fez a vitória da direita e extrema-direita.

Nós, cidadãos comuns, não nos atentamos aos votos que elegem senadores e deputados. Os partidos políticos, na sua maioria, também priorizam  os cargos executivos em detrimento dos legislativos.

Essa pouca atenção pode custar caro. Partidos de direita e extrema-direita estão atentos às vagas do Senado, serão duas em jogo nas eleições de 2026, que poderão levar a enormes modificações na Constituição Federal e no ordenamento jurídico de forma geral.

Na eleição municipal conseguimos perceber como o sequestro do Orçamento garantiu a eleição de uma enormidade de prefeitos (no primeiro turno) e a ida ao segundo turno nas capitais, todos ligados à direita ou extrema-direita.

Bolsonaro não foi reeleito, mas isso não garantiu o fim do bolsonarismo, que continua campeando por todo o país, inclusive com algumas novidades que conseguem ser pior – se é que isso é possível – como o surgimento do Pablo Marçal em São Paulo, por exemplo.

Precisamos – nós os progressistas e democratas – voltar os olhos para os cargos legislativos, até como forma de educação política da população.

É urgente também a educação política, com foco na Constituição Federal, nas escolas. Mais uma tarefa que deve ficar a cargo dos professores, tarefa esta que deveria caber aos partidos políticos, que durante muito tempo assumiram esse papel.

                                            @_politize

Um excelente instrumento de educação política pode ser encontrado aqui:

https://politizeeducacao.com.br/ 

27.2.24

Política, mentiras e armações diversas

Ontem conversei com uma querida amiga que se nega a falar sobre política. Ela teve uma experiência pessoal que a deixou muito magoada por isso quer distância desse tema. No fim da conversa ela disse que não “há verdades” nos políticos.

Gostaria de partir disso: não existem verdades absolutas, mas sim visões das "verdades".

 

Imagem da Terra Plana


Imagem de <a href="https://br.freepik.com/vetores-gratis/planeta-bonito-do-planeta_1103753.htm#query=terra%20plana&position=26&from_view=keyword&track=ais&uuid=5a0c1010-e906-4ea2-b42e-9ebaf6e1368b">Freepik</a>


Imagem de um "político honesto"


semelhante à imagem da Terra Plana - Fonte: Poder360





Quando estudante, aprendi que as verdades podem ser fabricadas. Mesmo diante de imagens, ela, a verdade, pode ser mudada. No caso de uma reportagem filmada a narrativa – palavra da moda – pode ser alterada pela simples posição da câmera. Podemos afirmar que a fotografia revela uma verdade diferente a depender do ângulo revelado.

Mas não podemos brigar com o fato em si. Ele existe, mas a interpretação, ou leitura desse fato, depende da visão de mundo de cada um, seja jornalista, acadêmico ou um cidadão comum como eu.

Na minha maneira de pensar os políticos, gestores e agentes públicos têm o dever de não mentir. Quando o fizerem devem ser severamente punidos, com a perda do cargo e, principalmente, dos vencimentos.

Hoje temos uma lista enorme de mentirosos provados. Ex-presidentes da República, militares de alta patente, Governadores de estados, juízes, desembargadores, senadores, deputados etc. As mentiras dessas pessoas normalmente resultam em crimes ou acobertamento deles.

Na questão que envolve crimes de políticos existe uma arma terminal: o voto! Mas a mentira é consagrada nas urnas, como vemos hoje no caso de deputados e senadores, que compõem a maioria do Congresso Nacional, que se defendem com novas mentiras, hoje chamadas de fake News.

Tal punição exigiria uma educação política acurada, que poderia ser adquirida nas aulas de Língua Portuguesa, História, Geografia, Sociologia, Matemática e demais disciplinas que compõem o currículo escolar. Um razoável conhecimento de Biologia evitaria o negacionismo envolvendo vacinas, por exemplo. Conhecimentos de Matemática, combinado com História e Geografia, evitaria o surgimento dos terraplanistas.

Muitas vezes bastaria uma boa interpretação de texto para escapar da burrice.

Isso tudo para dizer que existem políticos honestos e decentes, ao longo da minha vida conheci alguns. Todos seres humanos, portanto sujeito a erros, que, a depender da gravidade dos erros, devem ser excluídos da vida pública.

2.9.22

Sobre educação política

Não me entendam mal, mas, às vezes, sinto saudades das aulas de OSPB. Não a matéria criada pela ditadura, mas aquela que se lecionava nas escolas pública no final dos anos de 1980, especialmente do livro assinado pelo Frei Beto, conforme mencionado no texto abaixo.



Em 2016 publiquei nesse blog o texto abaixo, que trata da necessidade de educação política nas escolas, além dos outros espaços coletivos.

Claro que hoje teríamos outros espaços para essa educação, mas a ideia continua presente.

Enquanto não construirmos um sólido conhecimento na área estaremos suscetíveis aos governos como este que nos apavora e que tantas coisas ruins têm produzido na sociedade.

 

Educação política 

Vivemos uma crise na nossa sociedade. Penso que essa crise tenha começado aí por volta de 1500.

Agora ela está totalmente exposta, seja na política de alta rapinagem seja no cotidiano.

Do deputado safado ao flanelinha que pratica extorsão, passando pelo árbitro de futebol que arruma os resultados dos jogos em benefício de alguns apostadores.

Não é, portanto, uma crise política apenas. Às vezes tenho a impressão de que as pessoas que reclamam, a maioria pelo menos, o fazem por não se beneficiar das maracutaias.

Por outro lado, percebo uma dificuldade muito grande em imputar as responsabilidades pertinentes, mesmo por parte daquelas pessoas razoavelmente informadas e com bom nível de educação formal.

A educação política acontece, prioritariamente, dentro dos sindicatos, partidos políticos, ONGs, associações comunitárias, centros acadêmicos etc. e com o próprio amadurecimento do indivíduo.

É fácil perceber, no entanto que o individualismo presente no nosso modo de vida afasta as pessoas dessas instituições participativas.

Entendo que a ação política, o exercício da cidadania, independe da escolarização, mas, por outro lado, sinto que a escola poderia contribuir decisivamente com a formação política dos nossos jovens.

Não no aspecto partidário, mas no conhecimento da Constituição, por exemplo, assim como dos demais aspectos legais da defesa do cidadão, do conjunto de deveres e direitos pertinentes ao exercício da cidadania, além da história dos partidos políticos, do sindicalismo, do movimento estudantil, enfim das inúmeras oportunidades que, ao longo da história, fizeram do povo protagonista do seu próprio destino, sem depender dos heróis, fabricados ou verdadeiros.

Talvez uma disciplina escolar, calcada nas relações interdisciplinares, que retome o que havia de bom numa matéria imposta pela ditadura militar, OSPB (Organização Social e Política Brasileira), que foi brilhantemente reformulada numa coleção didática escrita por Frei Betto. Teríamos então um grande encontro da História e da Geografia, mediado pelo Português, com o apoio das outras disciplinas escolares para, num esforço conjunto, oferecer ao aluno possibilidades de leitura do mundo que o capacite ao pleno exercício de sua cidadania, entregando-lhe um arsenal adequado para a leitura da grande mídia sem cair na armadilha do sensacionalismo barato das notícias frugais.

Temas como crise política, reforma política, América Latina, ambiente, mídias, saúde (física, mental, sexual), enfim um amontoado de temas que, repito, em conjunto com as outras disciplinas escolares, poderia ser abordado de acordo com os anseios da comunidade escolar e do contexto que lhe diz respeito.

Claro que tal proposta não pode se distanciar de uma melhoria no sistema educacional, com melhores salários e capacitação para os profissionais envolvidos na sua execução.

Texto publicado em 2/09/2016