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22.4.24

Voltando depois da gripe

Olá, pessoas amigas e amigos!

Estive ausente por conta de uma gripe histórica, nunca sofri tanto com ela, como integro o grupo de 60+ creio ter me livrado de uma hospitalização graças às vacinas!

Mas vamos ao que interessa.

Há uma preocupação entre os progressistas sobre a fragilidade da comunicação do governo federal. Esse diagnóstico é mais ou menos generalizado, com raras exceções.

A dificuldade está no prognóstico. O que fazer para consertar tal questão?

Temos pessoas muito boas na área, como é o caso do youtuber Felipe Neto. Que tal uma assessoria dele para a formação de comunicadores para estimular os progressistas na disputa das narrativas?

Lembro-me, com saudades, do Instituto Cajamar, que instrumentalizava a juventude petista, lá no século passado, com elementos de política, sociologia etc. Munidos desses conhecimentos teóricos íamos para as práticas, militando nos movimentos populares e sindicatos. A receita poderia ser repetida, talvez com assessoria do Felipe Neto e André Janones, embora esse último tenha queimado o filma recentemente.

É fato que as forças progressistas precisam melhorar sua comunicação nas redes sociais, assim como é fato que precisam melhorar o relacionamento com os evangélicos, que hoje formam um contingente muito grande nesse país que sempre se arvorou em ser um grande país católico.

Na verdade, temos duas urgências: melhorar a comunicação do governo nas redes sociais e a interlocução com os evangélicos.

Aguardo sugestões de como fazer isso.

5.4.24

Aventuras e desventuras tecnológicas

 

Quando ainda lecionava era um entusiasta das inovações tecnológicas. Isso desde o final do século passado.

Usava aplicativos em sala de aula com alguma maestria, auxiliava meus “parças” de trabalho em algumas aventuras por esse maravilhoso mundo tecnológico.

Fonte: Ensino – Guia de Educação. Disponível em https://canaldoensino.com.br/blog/305-aplicativos-educacionais-para-utilizar-em-sala-de-aula. Acesso em 02/04/24.

Existiam limitações, não tínhamos a quantidade de aplicativos que temos hoje e as escolas pouco investiam em tecnologia.

Certa vez ouvi de um colega, após ajudá-la a encontrar uma informação para a aula de Biologia, que ele só encontrava lixo no mundo virtual. Era o tempo dos inúmeros mecanismos de busca, o Google não havia monopolizado esse segmento ainda.

Era o tempo do Orkut, das listas de e-mails e dos blogs. Estimulei o uso das comunidades do Orkut para dicas de estudo e trocas acadêmicas entre os alunos.


Na primeira década do século XXI dei início a esse blog, em plena ebulição do “mensalão. Tinha por hábito comentar as capas das principais revistas semanais.

Costumava reproduzir matérias de autores que considerava interessantes e trabalhava bastante com hiperlinks, era o momento que pensávamos em um ambiente de colaborações, não havia competição entre os blogs e a maioria dos conteúdos estava aberto.

Era um bom espaço de discussão, tanto para meus alunos como para pessoas progressistas, embora eu tenha recebido muitas críticas, principalmente pela defesa da causa palestina e do governo Lula.

Usei Orkut, blog, lousa digital, gravação de aulas e demais traquitanas digitais em diferentes épocas.

Em 2010 tem início a Primavera Àrabe, que eclodiu na Tunísia e rapidamente se espalhou, primeiro nos países árabes do norte da África e depois atingiu o Oriente Médio.

O movimento foi difundido por meio do uso do celular e das chamadas redes sociais e rapidamente o Orkut, Twitter, MSN, Blogger etc., foram tomados pelas cenas que representavam o descontentamento da população com o nível de vida, corrupção e outros desmandos naqueles países.

O papel das redes sociais foi fundamental no processo, mobilizando as pessoas e fazendo pressão sobre as autoridades.

Eu não conseguia compreender direito o alcance daquilo tudo e, tempos depois conseguimos ver o resultado daquelas revoltas

Mas, de fato, ficou marcado em minha memória o ano de 2013 e o tal “Não são só 20 centavos”. Não era mesmo.

O Brasil foi sacudido por protestos, que começaram pequenos e foram crescendo e tomando conta do país.

A direita, espertamente, se apropriou da bandeira inicial e depois começou a protestar contra “tudo isso que está aí”.

No início eram tratados pela mídia como pequenos grupos de baderneiros, mas, de repente essa mesma mídia se colocou ao lado dos  manifestantes.

Nesse contesto aparecem inúmeros movimentos, como o MBL e O vem pra rua, que mobilizam inúmeras pessoas, visando o afastamento da presidenta Dilma e, ao mesmo tempo, tem início uma perseguição aos professores, chamados de “doutrinadores e esquerdistas”.

A presidenta Dilma sofreu impeachment e os “movimentos” elegeram deputados e vereadores, para combater os “doutrinadores”.

Nas redes sociais cresceram perfis de extrema-direita, como o Brasil Paralelo e a Revista Oeste, especialistas em espalhar fake news.                    

Esse processo avança para as campanhas contra vacinas, a ciência, e as artes.

Tais movimentos elegeram Jair Bolsonaro, claro, com o apoio da mídia, que depois se arrependeu e da maioria da população.

Foram quatro anos de inferno promovido pela extrema-direita e com muita mentira e boçalidade, mas conseguiram eleger vários expoentes do negacionismo e com poucos neurônios como o Bolsonaro.

Resta esperar que a justiça cumpra o seu papel e coloque esses bandidos na cadeia o mais rápido possível,

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    

27.10.14

Explode o preconceito nas redes sociais. Qual a minha culpa nisso?



O amigo de labuta Tiago Fuoco levantou uma questão pra lá de interessante: o que nós, professores de Humanas, estamos fazendo das nossas aulas?
Ele parte do princípio de que o fato dos nossos alunos e alunas externarem seus preconceitos, destilando ódio por todos os poros nas redes sociais, é também nossa responsabilidade, uma vez que esses jovens chegam a passar três anos, ou até mais, conosco.
Não quero carregar mais essa cruz para a profissão. Devo lembrar que nosso tempo de aula é bastante restrito quando o comparamos com o tempo de convivência familiar, comunitária e roda de amigos dos nossos alunos e alunas.
Mas que Tiago colocou-me algumas pulgas na orelha, isso colocou. Talvez tenhamos que repensar o currículo de Humanas. Sem consultar dados, mas apenas apelando à memória, digo que sempre que se apresenta uma nova disciplina no Ensino Médio sacrifica-se a carga horária de Geografia e História.
Outro dia alguém publicou um artigo, não vou procurá-lo agora, dizendo que se todas as “novas disciplinas” propostas pelos congressistas fossem aprovadas, o Ensino Médio teria pelo menos 20 horas de aula por dia, seis dias por semana!
            Por outro lado, lembro ao Tiago e demais colegas de labuta, que muitos professores fazem coro aos alunos nas lamúrias racistas e preconceituosas, inclusive nas redes sociais!
            Isso é estarrecedor! Pensar que um sujeito ou sujeita passou quatro anos numa universidade preparando-se para lecionar e sai por aí atacando nordestinos, gays, pretos, religiões de matriz africana etc. é o fim da picada!
            Em conjunto com os colegas que ensinam Português precisamos trabalhar com clareza a questão da liberdade de expressão, inclusive os limites legais para o seu exercício, precisamos também trabalhar mais política em sala de aula.
            Esses jovens precisam saber o que faz um vereador, um deputado, um senador um prefeito e assim por diante; necessitam entender a divisão dos três poderes, sabendo o papel de cada um deles na tal democracia representativa.
            Várias vezes os alunos me lançaram perguntas fora do “programa da FUVEST”, do tipo: “como se funda um partido político?”; “por que o prefeito não coloca mais polícia na rua?”; “por que a Dilma não prende os corruptos então?”; perguntas lógicas e necessárias, mas se paramos para respondê-las sempre haverá alguém dizendo que estamos praticando “embromation”.
            A escola precisa, como um corpo, tomar pra si essas reflexões, inclusive junto aos docentes. Não é possível que um professor racista, seja de Matemática, Física ou Geografia, esteja em sala à frente de dezenas de jovens.
            Os partidos políticos precisam fazer-se presentes no cotidiano desses jovens, não é possível apostar tudo na propaganda de TV e transformar projetos, quando os tem, em sabonete.
            Claro que estamos diante de uma novidade. É a primeira eleição que usamos as redes sociais com essa intensidade, com a presença forte de uma geração que não conheceu o terror da Ditadura, o desemprego dos Planos Cruzado, Collor e Real, que só conhece o evento das privatizações pela Veja.
            Os órgãos de imprensa devem ser chamados à responsabilidade e atuarem no combate ao preconceito, seja ele de qualquer tipo. Não precisamos do assombro da ditadura do politicamente correto, mas não dá pra aceitar humoristas (?) oferecendo bananas aos negros, ou diminuindo um ser humano por causa do seu sexo ou orientação sexual!
            Esse fenômeno de intolerância que aflorou agora nas eleições, principalmente em São Paulo, tem muito o dedo da grande mídia, mas outros fatores não podem ser desprezados, como a escola, as igrejas...