20.6.07

VEJA x COC

A revista Veja, secundada pelos saites Mídia Sem Máscara e EscolasemPartido.org, resolveu atacar o material de História do Sistema COC.
Não tenho aqui o citado material para comentá-lo, além do que sou professor de Geografia, portanto minha especialidade é outra.
Mas trabalhei no COC aqui em São Paulo por quase 5 anos.
Encontrei no material de Geografia do Sistema COC alguns equívocos, assim como encontrei nos materiais de outros sistemas de ensino: Positivo, CPV, Objetivo... Além de algumas visões que não combinavam com as minhas sobre determinados temas.
Nada que atentasse contra meus princípios, diga-se de passagem, ou que não pudesse ser contornado em sala com a minha estrutura de aula.
Claro que os sistemas de ensino têm grandes limitações do ponto de vista pedagógico. Eles resumem, sintetizam, muito em razão dos vestibulares, ou seja, do “mercado” e por isso estão sujeitos às superficialidades ou mesmo ausência de análises. Isso fica por conta do professor, aí está a vantagem de materiais mais enxutos na minha área, como os do COC e do CPV.
O blog do Luis Nassif tem levado esse embate adiante, fazendo o que o jornalismo de Veja não faz: ouvindo todos os envolvidos, inclusive o COC e dando voz a todas as opiniões. Sugiro uma visita, é só clicar aqui e garimpar os textos e postagens dos leitores.
Aliás aponta uma contradição tremenda desse órgão de desinformação: num mês faz uma matéria extremamente elogiosa ao Sistema COC, logo depois o desanca. Por "coincidência" o grupo Abril tornar-se-á um concorrente do Sistema COC.
Na leitura dos comentários dos freqüentadores do Blog do Nassif surge de forma clara, por parte de alguns, a reivindicação de que o professor seja “neutro” do ponto de vista ideológico.
Só me faltava essa!
Quer dizer que quem escolhe o magistério está proibido de pensar, de ver e interpretar o mundo com as ferramentas adquiridas ao longo de sua vida?
Um leitor afirma que devemos ter posições de “centro”.
Quer dizer que opinião só vale se for de centro?
A Veja pode ser de direita, mas eu não posso discordar dela?
Se discordar dizem que estou sendo doutrinador. E se concordar? Tudo bem?
Penso que o professor não deve usar o seu “poder”, bastante restrito se comparado às outras instâncias sociais, diga-se de passagem, para fazer lavagem cerebral nos alunos e me esforço para assim proceder na prática.
Se num determinado assunto existem dois aspectos para serem considerados, eles devem ser descortinados para os alunos e as alunas, acompanhados de provocações para que eles formem suas opiniões.
Acontece que parte considerável dos alunos chega até nós, no ensino médio, contaminados pelo PUM, pensamento único da mídia, como diz o Luis Carlos Azenha do blog Vi o Mundo.
Nós, professores “acusados” de esquerdistas, temos que nos ocupar em mostrar o outro lado, aquele que a mídia e a sociedade esconderam dos moços e das moças.
Eles lêem a Veja, o Estadão e a Folha de São Paulo em casa, no dentista, no consultório do médico...
Por isso temos que oferecer a eles a Caros Amigos, CartaCapital, ComCiência, Le Monde Diplomatique e os blogs do naipe dos já citados, além do SIVUCA, Reação Cultural, Marconi Leal, dentre tantos outros de ótima qualidade.
Além da leitura integral de livros de boa qualidade.

10 comentários:

Riccardo disse...

O professor e o sistema de ensino têm enorme influência sobre alunos. Os alunos muitas vezes vêem a escola como o conhecimento puro, e por isso os materiais escolares devem conter a versão mais aceita. Mídia que escolhe certos partidos ou ideologias para apoiar existem de monte, mas a escola deve ser um lugar para observar o conhecimento de modo mais neutro possível.

É muito fácil para alunos do ensino médio confundir opinião de professor (que de humanas quase sempre é de esquerda) com matéria, principalmente porque muitos não fazem questão de diferenciar ambas.

No caso, eu observei no blog do Reinaldo Azevedo (Veja) alguns trechos do material, com alguns erros realmente grotescos, mas não observei uma doutrinação própriamente dita. Porém acredito que muitos professores confundem ensino com opinião, e devem re-avaliar o modo com que colocam os dois lados.

Não que seja seu caso Tonão! hehe

Prof Toni disse...

Riccardo, entendo sua posição e, por vezes concordo, acho até que alguns colegas se desesperam diante do individualismo dessa geração que temos pela frente. Para exercitar o que você diz com relação ao conhecimento convido-o a ler os mesmos trechos no blog do Nassif, com atenção. Veja que o Nassif abre para todos os comentários, desde o fã clube de Veja até o dono do COC... Abração.

MARINA disse...

Tonii,

eu também li essa péssima reportagem da Veja..

eles acham q entendem muito bem história, pobrezinhos..

eh um absurdo, pois eles "sujam" o nome dessa rede de ensino e das escolas q utilizam essas apostilas.
E muita gente acredita plenamente no q a revista diz..

e eu concordo, no ponto q vc diz q vcs professores devem nos passar "O OUTRO LADO". Pois ja bastam praticamente todas as midias passando o lado considerado certo por eles.
Eles passam um lado, vcs o outro, ai tiramos nossas proprias conclusões...


bom é isso!

bjoo toni
ate amanha!!

R.C disse...

Obrigado pela mencao o R.C. :-)

Sérgio de Moraes Paulo disse...

Em primeiro lugar, meus parabéns pelo blog. Ainda aprendo a fazer algo mais enxuto e próprio para a internet como você faz.

Creio que dividimos a mesma opinião quando negamos o ideal do professor "neutro", seja lá o que for isso.

Não há nada de errado em ter opinião. O desafio é ter opinião e ser honesto ao assumí-la.

O professor ainda faz muita diferença na sala de aula. Não há material pedagógico que supere o compromisso de ensinar e a disposição de aprender.

Grande abraço. Volto sempre que puder.


Sérgio de Moraes Paulo (o palpiteiro...)

Prof Toni disse...

É isso camarada! Neutro só sabão e olhe lá!

Manu disse...

Olá... Toni...

Bem que dizem: leu na Veja, azar o seu!

E infelizmente esse meio de desinformação é um dos mais lidos entre a população, por isso lutamos pela democratização da mídia.

Professor não pode ter opinião?! kkk
Realmente, até isso estão querendo proibir!!!!

Imparcialidade não existe, se nem a mídia é imparcial, que dirá nós meros mortais!

Hugo disse...

Eu li a reportagem da Veja, como sempre, com um certo ceticismo.

O que me impressionou mais foi o fato de o autor da matéria ter como idéia do ensino de geografia e história a simples "decoreba" de nomes de rios e de datas importantes para o Brasil. Isso já evidencia o tipo de sistema educacional que a Veja interpreta como correta, ou seja, aquela que incapacita o aluno de pensar e ter uma posição crítica dos fatos.

Outro ponto curioso que concordo com vc Toni, é a Veja cobrar do sistema educacional imparcialidade, ao passo que ela própria exprime de forma até mesmo vulgar o seu posicionamento político.

Me tira uma dúvida. Pq o Coc e o grupo Abril vão virar concorrentes?

Ahh, trabalho no COC, por lá o comentário dos professores foi mais voltado para o fato da Veja "perseguir" o sistema COC devido ao posicionamento político que não só seus livros podem ter, mas também outros materiais didáticos têm.

Prof Toni disse...

Hugo, segundo o blog do Luis Nassif a Abril lançará em breve um sistema educacional, nos moldes dos já existentes.

Hugo disse...

Se deus existir, que ele nos ajude do que vem pela frente...