21.1.14

Existem diferentes raças humanas?

Para tal questão nada melhor do que a resposta de um estudioso da área, por isso segue o texto do amigo Walter Guilherme Schatzer. A publicação original está no facebook (https://www.facebook.com/walterguilherme.schatzer/posts/208667729335043).
Gostaria de salientar que o uso da expressão "raça negra" assumiu uma conotação política, de afirmação, englobando negros e mestiços. A discussão proposta pelo texto vai no sentido de combater o sentimento racista que observamos destacar-se em determinados segmentos da nossa sociedade.
Aproveitem a leitura.



Raças Humanas.

Diante de tantos casos de racismo que a mídia tem relatado achei interessante publicar aqui no FB um pequeno resumo didático sobre a divisão da espécie humana em raças.
Os geneticistas, desde antes da 2ª guerra mundial colocaram em cheque a validade de se dividir a humanidade (considerada uma subespécie pela maioria dos especialistas) em raças (em “biologuês”, subespécies). Para simplificar a questão, peço licença para fazer uma analogia (que como toda analogia tem suas limitações).
Imagine que você resolve dividir os cães domésticos (na verdade uma subespécie) em duas raças – os brancos e os pretos. Certamente se pode perceber o quanto isso carece de sentido. Dentro da chamada raça negra teremos uma variabilidade enorme (pastor alemão, pitbull, dobermann, mastino napolitano, rottweiler, Schnauzer, poodle, etc), o mesmo ocorrendo dentro da chamada raça branca. Fica claro que não se pode classificar um grupo de indivíduos numa mesma utilizando apenas uma característica como critério.
Em ambiente natural, raças são consideradas como grupos de indivíduos de uma dada espécie em que certa combinação de características foi selecionada pelo ambiente específico desse grupo (ver "ecótipo"). Sim, é o velho Darwin e sua “Seleção Natural”. Para que a formação de raças de uma mesma espécie seja produzida é importante que por várias gerações diferentes grupos dessa espécie permaneçam geograficamente isolados, garantindo que variações genéticas peculiares de um grupo não sejam transmitidos, por migração, a grupos vizinhos. Assim, isolamento geográfico, e variações genéticas que ocorrem ao acaso, podem levar diferentes populações inicialmente de uma mesma espécie a se diferenciarem umas das outras. Em muitos casos, depois de muitas gerações, as diferenças acumuladas podem levar ao isolamento reprodutivo, isto é, chegam a ficar tão diferentes (algumas vezes as variações são sutis) que não conseguem mais combinar seus genes (não podem mais fazer sexo com produção de descendência fértil em condições naturais). Em outros casos, as variações genéticas não diferenciam o suficiente para que tal isolamento ocorra, nesse caso, mas sempre com muito cuidado, poderemos dizer que houve raciação.
Para que a espécie humana pudesse gerar diferentes raças, populações deveriam permanecer isoladas por muitas gerações (alguns especialistas calculam, no mínimo 10, outros, 22 gerações, enfim não há acordo). Nós humanos, desde nossa origem, sempre tivemos a mania de perambular, e tais isolamentos podem ter acontecido durante tempo suficiente para que algumas combinações de alelos (variações de um mesmo gene) fossem selecionadas pelo ambiente, mas não sem eliminar uma grande diversidade para a maioria das demais características. Se ainda adicionarmos a dinâmica das colonizações, guerras de conquistas, migrações por catástrofes, e a recente (?) globalização, mesmo esse pequeno número de características usadas no passado para definir raças humanas, como a cor da pele, está se dissipando (basta ver a seleção holandesa de futebol) em meio ao que alguns chamam de miscigenação.
Vários estudos foram realizados (ver texto indicado de Sérgio Pena e Wikipédia no final do texto) para medir efetivamente as variações genéticas dentro de populações restritas que eram classificadas por raça. A conclusão (ler textos indicados para mais dados) pode ser resumida no abaixo:
“... usemos um exemplo fantasioso: uma catástrofe nuclear destruiu toda a população da Terra, deixando ilesa apenas a população de uma pequena cidade de Minas Gerais. Nesse caso, 85% da diversidade humana seria preservada!”.
Sérgio Pena - A inexistência biológica versus a existência social de raças humanas: pode a ciência instruir o etos social? (http://www.usp.br/revistausp/68/02-sergio-telma.pdf)
Estudiosos de diversas áreas concluíram que a divisão em raças, não tem e jamais teve, um embasamento científico válido. A origem dessa divisão, já não é segredo, são os interesses de exploração. Povos conquistados são explorados em suas riquezas naturais e em sua força de trabalho há muitos séculos. Em alguns casos, civilizações ditas avançadas necessitavam de justificativas para validar a escravidão sem ferir preceitos morais e “espirituais”. Nada mais confortável do que classificar os povos subjugados pela força, usando os critérios que estivesses mais à mão, como diferentes e inferiores. Assim, (grande novidade) o sectarismo racial é apenas um resíduo de tempos em que a escravidão era uma política inerente aos povos ditos mais civilizados.
Há muitos outros aspectos envolvidos com esse tema, eugenia (positiva e negativa), a questão das cotas raciais no Brasil, entre outros, questões que ganham relevância no presente momento da história do Brasil e do mundo. Que esse texto possa auxiliar àqueles que desejam refletir honestamente sobre eles e provocar aos que aceitam passivamente a repetição de mentiras até que elas se tornem verdades.
Referências;
http://pt.wikipedia.org/wiki/Raças_humanas (às vezes eles acertam).
• Sérgio Pena - http://www.usp.br/revistausp/68/02-sergio-telma.pdf
• Texto de Claude Lévi-Strauss – Raça e História - disponível em http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Raça-e-História-Lévi-Strauss.pdf
 

17.1.14

O politicamente correto e o avesso dele



Passamos recentemente por uma onda do politicamente correto. As palavras deveriam ser medidas e cuidadas com máxima atenção.
Houve uma reação a essa onda, compreensível, pois tudo estava ficando muito chato, muita patrulha. O politicamente incorreto começou a dar audiência, ficou engraçado. Publicaram até livros com esse adjetivo no título. Claro que podemos questionar a qualidade e seriedade desses livros, mas eles venderam um bocado.
Algumas celebridades e outras subcelebridades aderiram à onda. Alguns idiotas, que se dizem humoristas, mas, dependendo da conveniência travestem-se de jornalistas, exageraram na prática do politicamente incorreto e deram a esse exagero o nome de liberdade de expressão.
Vivemos um momento em que algumas pessoas acham que podem dizer qualquer coisa, sobre qualquer pessoa em nome da liberdade de expressão. Ignoram os limites da lei, da decência, da privacidade e da honra do outro.
A grande mídia ataca indivíduos impunemente, acusa sem provas, lança suspeitas e depois fica tudo por isso mesmo.
Os jovens vociferam pelas redes sociais seus preconceitos, plantando mais ódio nessa nossa terra fertilizada por tanta desigualdade.
Bradam contra os nordestinos, depois contra os pobres e, o ápice da canalhice, contra os negros.
Parece que vivemos uma onda conservadora que não tem limites! É adolescente anunciando venda de negros pelo Mercado Livre por R$ 1,00 (clique aqui para saber sobre isso), mais um jovem gay assassinado brutalmente (aqui você saberá do que estou falando), terras de índios invadidas como no velho oeste (leia aqui sobre esta barbaridade). Poderíamos gastar muitos parágrafos descrevendo atos estúpidos e desumanos. Estes bastam.
Será isso fruto da vitória do individualismo? Não temos mais práticas solidárias e colaborativas na vida? Tudo parece resumido à competição desenfreada, sem ética, com a regra única do “se dar bem”.
Qual a saída? Eu como professor batalho nas aulas para mostrar valores humanistas, solidários, cooperativos. Combato o preconceito em todos os momentos e cuido para que as coisas ocorram dentro de limites éticos. Mas em casa, qual é o balizamento que esses garotos e garotas recebem? Do Big Brother? Do Datena, Marcelo Rezende?
Estamos vendo crescer uma juventude reacionária e, talvez, fascista. Às vezes sinto neles o desencanto dos cínicos.

3.12.13

Por que no Brasil tudo é tão caro?

O professor Wladimir Safatle tenta responder a essa questão nesse singelo e brilhante texto publicado no jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira (03/12/2013).
É um alento um texto desse no meio de tanta ignorância e arrogância, de uma oposição burra e inconsequente e de um governo que teima em exacerbar os seus erros, negando os compromissos históricos do principal partido que o compõe. 
Leiam vagarosamente. Se preciso leiam novamente.

"O mais caro do mundo

Ao que parece, chegou a hora de saudar o Brasil como o novo país "do mais caro do mundo". Foram necessárias décadas para alcançar tamanha conquista e, ao que parece, desta vez ela veio para ficar. Afinal, anos de trabalho árduo permitiram aos brasileiros ter o prazer de pagar o dobro no mesmo carro que outros mortais compram sem tanto sacrifício.
Atualmente, ser brasileiro é ter a satisfação de levar para casa o console Xbox mais caro do mundo. É poder humilhar os estrangeiros ao dizer o preço que pagamos em passagens aéreas, escolas, aluguéis e imóveis arrebentados em lugares com fios elétricos na frente da janela.
Para chegar a este estágio, foi necessário não apenas um conjunto substantivo de equívocos econômicos. Foi preciso muita cegueira ideológica para engolir a ladainha de que nosso troféu de "o mais caro do mundo" foi conquistado exclusivamente através dos impostos mais elevados e dos altos custos trabalhistas.
Não, meus amigos. Só em um mundo (como esse em que alguns liberais vivem) sem países como França, Alemanha ou Suécia o Brasil teria os impostos mais altos. Se nos compararmos aos EUA, veremos que a contribuição fiscal per capita de um brasileiro (US$ 4.000) é bem menor do que a de um norte-americano (US$ 13.550).
Na verdade, depois que se inventa o inimigo, é mais fácil esconder o verdadeiro responsável. Nosso troféu de "o mais caro do mundo" deve ser dedicado a esses batalhadores silenciosos do desastre econômico, a esses companheiros de todos os governos brasileiros: o oligopólio e a desigualdade.
A desigualdade econômica, esta tudo mundo conhece. Ela fingiu por um momento que estava se deixando controlar, mas deu não mais que uma unha para permanecer com todos os gordos dedos. Sempre se combateu desigualdade com revolução fiscal que taxasse os ricos, punisse radicalmente a evasão fiscal e limitasse os grandes salários. Mas, no país "do mais caro do mundo", o tema é tabu. Assim, uma classe de milionários pode empurrar alegremente os preços para cima porque não tem problema algum em pagar pelo mesmo o seu dobro, desde que as lojas ofereçam manobrista VIP e água com gás na saída do estacionamento.
Já a nova onda de oligopólios é uma das grandes contribuições da engenharia econômica do lulismo: os únicos governos de esquerda da galáxia que contribuíram massivamente para a cartelização de todos os setores-chaves da economia. Com uma política de auxiliar a formação de oligopólios via empréstimos do BNDES, o governo conseguiu fazer uma economia para poucos empresários amigos. Nela, não há concorrência. Assim, os preços descobriram que, no Brasil, o céu é o limite.

16.11.13

Não houve mensalão


Basta que procurem um pouco, sem muito esforço, para encontrar várias críticas que fiz ao governo Lula neste blog.
Lembrarei algumas: o deslumbramento de alguns companheiros com o poder (na base daquele velho ditado: quem nunca comeu melado...); a ausência da reforma agrária; a lerdeza nas mudanças na educação; a pouca eficiência do sistema de saúde; os lucros dos bancos (continuam sendo recordistas – isso implica numa anomalia do sistema) e, finalmente, a ausência de uma reforma que trouxesse novas práticas políticas, fazendo com o que o antigo “é dando que se recebe” fosse substituído por algo digno no nome POLÍTICA.
Para que vocês compreendam meu atual estado de espírito faz-se necessário recordar alguns eventos. Farei isso de forma breve, sem recorrer a anotações ou pesquisas, o que poderá acarretar um ou outro equívoco de datas ou nomes, mas a essência é a que segue.
Filiei-me ao PT em 1982, no diretório de Santo Amaro. Neste mesmo ano participei ativamente da campanha eleitoral, tendo apoiado para deputado federal o senhor Genoíno, para deputado estadual o senhor Fernando do Ó e para vereadora (em São Paulo) a socióloga Caterina Koltai. Mesmo atuando na coordenação da campanha na Zona Sul de São Paulo eu era apenas um fedelho, de 20 anos, que me surpreendia com a maneira como aqueles companheiros faziam política, com alma e razão, sem dinheiro, mas com muita criatividade.
Naquele mesmo ano o grupo que apoiava Fernando do Ó em Santo Amaro rompeu com Genoíno. Não concordávamos com determinadas práticas políticas. Práticas essas restritas ao ato de fazer política, longe da corrupção ou desvios éticos.
Continuei participando das campanhas eleitorais subsequentes e algumas ações do PT em Santo Amaro e na região do M’boi Mirim (Jardim Ângela, extremo pobre da Zona Sul).
Sofri muito com a derrota para o Collor em 1989 e para FHC em 1994, mas nesta segunda oportunidade já carregava muita desilusão com os caminhos do PT e do sindicalismo petista.
A derrota para FHC em 1994 implicou numa mudança de rumos radical do PT, mudança essa que não me agradou. Em 1995 Zé Dirceu assume a presidência do PT, marcando de forma indelével a alteração de percurso do partido, várias práticas que eu considerava essenciais à formação política da juventude, foram deixadas de lado.
Desde então restringi minhas participações às campanhas eleitorais, mas sem grande entusiasmo e, a partir de 2000, convenci-me de que não mais deveria votar, enquanto o voto fosse obrigatório, uma das maiores excrescências da nossa “democracia”, juntamente com o financiamento privado das campanhas.
Mesmo relutante votei em Lula em 2002. No final de 2003 estava muito frustrado com os resultados do primeiro ano de governo. Na reeleição de 2006 fui convencido por diversos companheiros que a opção da reeleição era melhor do que a oferecida pela eleição e, num segundo mandato, Lula poderia radicalizar com algumas medidas como a reforma agrária, por exemplo.
Ante a tentativa da mídia em golpear a candidatura de Lula, cerrei fileiras com antigos e novos companheiros, pois meu caminho de participação ficou limitado à Internet.
Voltei a exercer o “direito” de voto, mesmo que de maneira relutante, e votar nas candidaturas de esquerda.
Nesse período, um pouco antes da reeleição, eclodiu o escândalo do chamado mensalão. Nunca acreditei nessa hipótese, embora tenha certeza de que houve por parte alguns crimes eleitorais, assim como houve em outros governos e em vários níveis de poder.
Para embasar a minha descrença seguem breves indagações:

1 – Mensalão, na definição dos doutos juízes supremos e da mídia de esgoto, consistiu em pagamentos mensais para parlamentares votarem a favor do governo. Então quais eram esses projetos? Se isso é verdade tais projetos devem ser anulados, bem como os seus efeitos, pois frutificaram a partir de fraudes e atos de corrupção, não acham?

2 – Por que diabos um deputado do PT, como o João Paulo, precisaria receber dinheiro (uma única vez de R$ 50.000) para votar favoravelmente em projeto do governo do seu próprio partido?

3 – Quem financiou o tal mensalão? Sim, pois a grana veio de algum lugar. O juiz sol, Joaquim Barbosa, afirma que veio da VISANET. Se isso foi feito com dinheiro público por que não foi pedida a devolução dos valores? E quem recebeu parte importante desse dinheiro, como a Rede Globo, não vai devolver o que recebeu?

4 – Cadê os sinais exteriores de riqueza de Genoíno? O cara continua com o patrimônio muito parecido com aquele de 1982. Pelo menos indiquem onde está o dinheiro que ele apurou com os desvios dos quais é acusado.

5 – Por que todos os réus foram julgados pelo STF, enquanto em caso análogo, do chamado Mensalão Mineiro (que na verdade é do PSDB), os réus comuns serão julgados pelo juiz de primeira instância e só os detentores de mandatos eletivos serão julgados pelo STF (serão mesmo?)?

6 – O juiz sol nos explicou, para os leigos em direito, que usaria o princípio do “domínio dos fatos” para julgar aqueles políticos de elevado quilate envolvidos no mensalão. Aí vem o criador do “domínio dos fatos” e diz que a coisa toda estava errada e que os juízes do STF não tinham compreendido direito o “domínio dos fatos” etc. e tal. Este princípio será aplicado em todos os casos análogos? Mesmo de forma equivocada?

7 – Por que a perícia da PF, que diz que não houve dinheiro público nas operações analisadas, foi suprimida do processo?

8 – Como é possível que juízes da mais alta Corte, digam com todas as letras, que estavam condenando este ou aquele réu, mesmo sem que houvesse provas para tal? Isso está gravado, além de ter sido transmitido ao vivo pela TV!

Não houve mensalão! Aqueles que estão condenados e neste momento levados às prisões foram julgados ao arrepio da lei.
Alguns não cometeram crime algum, como foi o caso do Gushiken que teve seu nome enlameado pela mídia e, apesar de todos os esforços, não houve descaramento suficiente para envolvê-lo até o final do processo.
Creio que o mesmo ocorre com Genoíno.
Outros cometeram crimes eleitorais, crimes estes cometidos em todas as campanhas, desde 1989, ou já esquecemos o que foi o governo Collor? Ou esquecemos a compra de votos para o projeto da reeleição de FHC? Os anões do orçamento? A máfia dos sanguessugas? Ou, para concluir, o maior de todos os escândalos da República: o programa de privatização do governo FHC, tão bem retratado e documentado no livro “A privataria tucana”?
No cerne de todos esses problemas: um sistema político remendado, com uma lógica perniciosa aos interesses públicos e financiado pela iniciativa privada!
Por isso a necessidade da reforma política, mas não aquela acertada pelas elites dominantes e carimbadas pela mídia, uma reforma amplamente discutida pela sociedade, que traga uma nova maneira de fazer política e que tenha financiamento público das campanhas.
Juntamente com tal reforma a sociedade tem que estabelecer uma regulação da mídia, que garanta pluralidade e que não censure, mas que imponha pesadas penas para a ofensa, destruição de reputações e outras iniquidades praticadas pela mídia de esgoto, que ponteia em nosso país!

20.9.13

Futebol e ditadura

Excelente matéria da ESPN: Memórias de Chumbo: o futebol nos tempos do condor.
A reportagem é do Lúcio de Castro. Trata da ditadura brasileira, da multinacional do terror - a Operação Condor - e as conexões com o futebol.
Não dá pra não ver:

6.8.13

Frio arretado!

O Canal Livre da TV Bandeirantes apresenta mais uma vez o professor Luiz Carlos Molion. Tendo por base o rigor do nosso inverno, os entrevistadores levam o entrevistado a falar sobre o efeito antrópico no aquecimento global.
Sou muito sensível ao pensamento apresentado pelo professor, sua mensagem merecer atenção e reflexão. Sempre me faz lembrar parte de um texto do saudoso professor Milton Santos (citando de memória): "nas basta dizer que o mundo está pegando fogo, temos que estudar e entender os processos com seriedade científica".

2.8.13

Ladrões que mídia adora e protege

Bob Fernandes dá nome aos bois, nomes que a CBN e a Folha de S.Paulo esconde, quanto à Globo ela esconde a própria notícia:

26.7.13

O Estado laico é indispensável para uma sociedade justa.

Vou aproveitar o final de férias e esse frio congelante aqui de Guarulhos para fazer uma confissão a vocês: eu já fui religioso! Sim, católico apostólico romano! Inclusive passei alguns dias recluso num seminário em Uberaba (MG), quando tinha pouco mais de 14 anos, preparando-me para abraçar o sacerdócio, no caso via Maristas.
A curiosidade e a chatice - não sei se repararam mas sou chato -, evitaram que tomasse tal caminho.
Comecei por questionar o pecado original e depois o celibato. Perante a resposta de que tais princípios pertenciam ao conjunto de dogmas da Igreja e, sendo dogma, não se questiona, desencanei.
Ao voltar para Varginha (MG) cidade onde morava, passei a observar as Igrejas. A nova matriz estava quase pronta, linda, feita em concreto aparente, com ar condicionado, piso maravilhoso etc. e tal. 
Notei que quando chovia a Igreja era fechada. Quando perguntei ao "zelador" a razão de tal acontecer, ele me explicou que era para evitar que os transeuntes, molhadas, danificassem a Igreja. No frio intenso também estava fechada. 
Percebi então que era um hábito de todos os templos, fosse qual fosse a religião.
A única exceção a essa regra era o centro espírita kardecista, que ficava próximo ao estádio de futebol. Lá funcionava uma escola municipal durante o dia, em algumas noites os médicos atendiam gratuitamente, tinha curso de teatro para comunidade, havia vida e práticas solidárias naquela edificação.
Comecei a questionar as religiões e a necessidade delas para a minha vida.
Ao estudar o socialismo com mais afinco, principalmente quando voltei para São Paulo aos 18 anos, desliguei-me completamente de qualquer tipo de crença, embora tenha muita simpatia pelas religiões de matriz africana.
Digo isso para esclarecer a minha insistência em propagar via redes sociais a necessidade do Estado laico.
Existem questões que são de responsabilidade do Estado, chamamos de políticas públicas e que não podem servir a esta ou aquela confissão religiosa, crença ou não crença.
Por exemplo: a educação sexual. Ela tem que ser concebida para a formação dos cidadãos, já o que diz respeito a "moral religiosa" deve ser tratado no âmbito da Igreja e da família, sem nenhuma ingerência do poder público, desde que respeitadas as leis vigentes.
Dentro da questão da educação sexual aparecem dois outros temas muito delicados: orientação sexual e aborto.
Ambos dizem respeito ao indivíduo e cabe ao Estado, nas suas políticas públicas, trazer informações que preservem a saúde e os direitos civis. Não cabe ao Estado determinar a orientação sexual de um indivíduo, muito menos proibi-la. Cabe a ele garantir segurança jurídica para a escolha feita pelos indivíduos.
Também não é o Estado que deve dizer à mulher que ele deve abortar ou não. Muito menos cabe às Igrejas determinar o que o Estado deve dizer a essa mulher. Cabe ao Estado garantir que esse direito, respeitadas as convenções médicas e éticas, possa ser exercido por aquela mulher que assim o desejar.
Ao aborto precede uma boa educação sexual, para que o jovem decida o melhor momento para exercitar a sua sexualidade de forma responsável. Disso faz parte o acesso aos métodos contraceptivos modernos e eficientes, que o Estado deve garantir também.
Às igrejas cabe fazer a cabeça dos seus fiéis, expressar publicamente suas opiniões, mas não podem interceder nas políticas do Estado.
Percebam que defender o Estado laico não é defender o Estado ateu, mas sim um Estado que seja tolerante com todas as religiões e crenças, inclusive com a ausência delas.


18.7.13

Espionagem dos EUA no Brasil

Outro dia escrevi no Facebook que essa história de espionagem dos EUA no Brasil só era novidade para os leitores de Veja e congêneres. Os leitores da CartaCapital já sabiam disso desde os anos de 1990, ou seja, desde o século passado.
Uma série de matérias de autoria do jornalista Bob Fernandes tratou das estripulias do tio sam por aqui por longo espaço de tempo, além de contar com ótima documentação e registros fotográficos.
Hoje o jornalista - o melhor texto do país na minha modesta e insignificante opinião - publicou no seu blog, matéria tratando do tema e, mais importante, com a capa das edições e links para as matérias.
Sensacional! Tanto para quem leu à época e quer recordar, quanto para aqueles que teimam em navegar nas trevas da grande mídia comercial brasileira.
Deleitem-se:
Como os EUA espionaram o Brasil

17.6.13

R$ 0,20?



O estopim das manifestações em São Paulo foi o aumento da passagem de ônibus. Não que o valor do aumento seja exorbitante, mas a qualidade do transporte e o seu preço são coisas de arrepiar, verdadeiro desrespeito com os seres humanos.
A reação violenta da Polícia Militar de São Paulo só fez aumentar as manifestações. Nos dois primeiros dias, quando o “poder” de fogo se voltava apenas contra os manifestantes, a mídia os deplorava, mas quando as balas de borracha começaram a atingir jornalistas, aí a coisa ficou séria.
Em apenas um dia a Folha de S. Paulo contou 15 jornalistas atingidos. Outros foram presos. A prisão mais absurda foi a do repórter da CartaCapital, que portava um perigoso frasco com vinagre!
Isso mesmo, os imbecis que comandam a “puliça” transformaram vinagre em arma letal!
Nós, os militantes de outras gerações, passamos a perguntar: quem são esses jovens e o que querem realmente?
Parece-me que nem eles mesmos têm a resposta. É como se a gente vivesse um momento de explosão de descontentamento. Faltam representatividade e expressão política para tanto descontentamento.
O PT, que esteve à frente de tantas manifestações importantes desde o seu nascedouro, está muito ocupado com a administração e com a governabilidade. Não representa mais essa juventude sedenta por um país melhor e mais justo.
Hoje, durante a gigantesca e linda manifestação, muitos se revoltavam com as bandeiras dos partidos de esquerda, como o PSTU e PSOL, deixando claro que o movimento não tem dono e nem é representado por nenhum partido.
As causas parecem difusas e, às vezes, confusa. No andar da carruagem todos querem carona e muitos se aproveitam, mas quando descobertos são rejeitados.
Quem dará direção política a esse movimento? Até onde pode chegar o poder dessa mobilização? E os oportunistas da direita raivosa, já começaram a chamar pelos milicos?
De tudo que vi até agora:
1 – “a praça é do povo”, o direito à livre manifestação tem que ser garantido a qualquer custo!
2 – a violência da PM paulistana foi desproporcional. Claro está que o serviço reservado atuou, os nossos deputados estaduais devem ter vergonha na cara e chamar os servidores públicos – seja coronel ou secretário de governo – para dar explicações e investigar mais esse desmando.
3 – a mídia também tem que pagar o preço do seu comportamento raivoso dos primeiros dias. A partidarização do Marcelo Rezende (Rede Record) e Datena (Rede Bandeirantes) não pode ficar impune.
4 – a participação dos partidos políticos é legítima, a manipulação dos eventos não! “Precisamos estar atentos para ver emergir a qualquer momento o monstro do fundo da lagoa”.
5 – é papel dos ativistas e militantes da blogosfera esclarecer, numa batalha constante com a mídia convencional, todos os eventos que brotam em cada manifestação.
6 – é urgente que políticos progressistas, como o prefeito Fernando Haddad e a presidenta Dilma, se manifestem com veemência, defendendo as manifestações, até por uma atitude de coerência com o passado e a história deles.
7 – por fim deixo para vocês um link que recebi no facebook e que diz muito desse momento histórico que estamos vivendo:

17.4.13

Tráfico de órgãos em MG - sobre isso a mídia grandona não dá manchete!

“Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano acusado de traficar órgão”

publicado em 17 de abril de 2013 às 13:12
Paulinho, então com 10 anos, foi sedado e teve os órgãos retirados quando ainda estava vivo
A dor de Paulo Pavesi
por Leandro Fortes, em CartaCapital 
Sozinho, escondido em Londres, na Inglaterra, depois de ter conseguido asilo humanitário na Itália, em 2008, o analista de sistemas Paulo Pavesi se transformou no exército de um só homem contra a impunidade dos médicos-monstros que, em 2000, assassinaram seu filho para lhe retirar os rins, o fígado e as córneas.
Paulo Veronesi Pavesi, então com 10 anos de idade, caiu de um brinquedo no prédio onde morava, e foi levado para a Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas, no sul de Minas, onde foi atendido pelo médico Alvaro Inhaez que, como se descobriu mais tarde, era o chefe de uma central clandestina de retirada de órgãos humanos disfarçada de ONG, a MG Sul Transplantes. Paulinho foi sedado e teve os órgãos retirados quando ainda estava vivo, no melhor estilo do médico nazista Josef Mengele.
Na edição desta semana de CartaCapital, publiquei uma reportagem sobre o envolvimento do deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB) com a chamada “Máfia dos Transplantes” da Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas.
Mosconi, eleito no início do ano, pela quarta vez consecutiva, presidente da Comissão de Saúde (!) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi assessor especial do senador Aécio Neves (PSDB-MG), quando este era governador do estado. Aécio o nomeou, em 2003, presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMG), à qual a MG Sul Transplantes, idealizada por Mosconi e outros quatro médicos ligados á máfia dos transplantes, era subordinada.
As poucas notícias que são veiculadas sobre o caso, à exceção da matéria de minha autoria publicada esta semana, jamais citam o nome de Carlos Mosconi. Em Minas Gerais, como se sabe, a imprensa é controlada pela mão de ferro do PSDB. Nada se noticia de ruim sobre os tucanos, nem quando se trata de assassinato a sangue frio de uma criança de 10 anos que teve as córneas arrancadas quando ainda vivia para que fossem vendidas, no mercado negro, por 1,2 mil reais. Nada.
Esse silêncio, aliado à leniência da polícia e do judiciário mineiro, é fonte permanente da dor de Paulo Pavesi. Mas Pavesi não se cala. De seu exílio inglês, ele nos lembra, todos os dias, que somos uma sociedade arcaica e perversa ao ponto de proteger assassinos por questões políticas paroquiais.
Como sempre, a velha mídia nacional, sem falar na amordaçada mídia mineira, não deu repercussão alguma à CartaCapital, como se isso tivesse alguma importância nesses tempos de blogosfera e redes sociais.
Pela internet, o Brasil e o mundo foram apresentados ao juiz Narciso Alvarenga de Castro, da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas. Em de 19 de fevereiro desse ano, ele condenou quatro médicos-monstros envolvidos na máfia: João Alberto Brandão, Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Alexandre Zincone. Eles foram condenados pela morte de um trabalhador rural, João Domingos de Carvalho.
Internado por sete dias na enfermaria da Santa Casa, entre 11 e 17 de abril de 2001, Carvalho, assim como Paulinho, foi dado como morto quando estava sedado e teve os rins, as córneas e o fígado retirados por Cláudio Fernandes e Celso Scafi. Outros sete casos semelhantes foram levantados pela Polícia Federal na Santa Casa.
Todos os condenados são ligados à MG Sul Transplantes. Scafi, além de tudo, era sócio de Mosconi em uma clínica de Poços de Caldas, base eleitoral do deputado. A quadrilha realizava os transplantes na Santa Casa, o que garantia, além do dinheiro tomado dos beneficiários da lista, recursos do SUS para o hospital. O delegado Célio Jacinto, responsável pelas investigações da PF, revelou a existência de uma carta do parlamentar na qual ele solicita ao amigo Ianhez o fornecimento de um rim para atender ao pedido do prefeito de Campanha (MG). A carta, disse o delegado, foi apreendida entre os documentos de Ianhez, mas desapareceu misteriosamente do inquérito sob custódia do Ministério Público Estadual de Minas Gerais.
Ontem, veio o troco.
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu as audiências que aconteceriam de hoje, 17 de abril, até sexta-feira, 19 de abril, para se iniciar, finalmente, o julgamento do caso de Paulinho. Neste processo, estão sendo julgados, novamente, Cláudio Fernandes e Celso Scafi, além de outros acusado, Sérgio Poli Gaspar.
De acordo com a assessoria do TJMG, o cancelamento se deu por conta de uma medida de “exceção de suspeição” contra o juiz Narciso de Castro impetrada pelo escritório Kalil e Horta Advogados, que defende Fernandes e Scafi. A defesa da dupla, já condenada a penas de 8 a 11 anos de cadeia, argumenta que o juiz teria perdido a “necessária isenção e imparcialidade” para apreciar o Caso Pavesi.
Ou seja, querem trocar o juiz, justo agora que o nome do deputado Carlos Mosconi veio à tona.
Eu, sinceramente, ainda espero que haja juízes – e jornalistas – em Minas Gerais para denunciar esse acinte à humanidade de Paulo Pavesi que, no fim das contas, é a humanidade de todos nós.
Leia também:
Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos

Fonte: Vi o mundo