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24.8.22

Prof.ª Juliana

Está na hora de fazer escolhas!

Gostaria de apresentar a candidatura a deputada estadual da Prof.ª Juliana, vereadora da cidade de Americana, uma jovem liderança do Partido dos Trabalhadores.

Voz progressista solitária na Câmara dos Vereadores da cidade tem demonstrado que com trabalho, persistência e apoio da população é possível melhorar a vida das pessoas.

Ter uma pessoa como a Prof.ª Juliana na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo significará uma enorme esperança de  melhoria no estado de SP, com práticas políticas verdadeiras, aquela política que visa apenas o bem estar da população.

Veja um pouco da sua trajetória:



8.1.19

Uma breve análise do período petista

Os governos Lula e Dilma trouxeram inúmeros benefícios ao povo brasileiro, mas pouco alteraram as causas estruturais da desigualdade social no Brasil.
Os rentistas continuaram nadando de braçada, não houve reforma agrária, portanto a concentração fundiária continuou nos mesmos patamares.
O ganho real do salário mínimo foi modesto, a diminuição da pobreza e da pobreza extrema, fato mais notável dos governos petistas, se deu por meio do Bolsa Família, por exemplo.
No campo educacional houve significativa expansão do ensino universitário federal e do acesso das camadas mais pobres da população por meio de inovações como o incremento do FIES, a criação do PROUNI e o ENEM como instrumento de ingresso, principalmente nas instituições federais.
O Nexo Jornal elaborou uma série de gráficos com indicadores do período. Reparem como a partir da reeleição de Dilma a coisa desanda. Clique aqui para ler.
Convém lembrar do papel do candidato derrotado, que não só torceu contra (leia aqui e aqui), mas desdobrou-se para impedir as ações de governo no Congresso e as tais pautas bombas (aqui e aqui) do Cunha e asseclas.
Claro que faltou habilidade política para Dilma contornar tudo isso e pesou sobremaneira a estratégia do PT de colocar-se sempre na defensiva, desde o período do Mensalão.

16.11.13

Não houve mensalão


Basta que procurem um pouco, sem muito esforço, para encontrar várias críticas que fiz ao governo Lula neste blog.
Lembrarei algumas: o deslumbramento de alguns companheiros com o poder (na base daquele velho ditado: quem nunca comeu melado...); a ausência da reforma agrária; a lerdeza nas mudanças na educação; a pouca eficiência do sistema de saúde; os lucros dos bancos (continuam sendo recordistas – isso implica numa anomalia do sistema) e, finalmente, a ausência de uma reforma que trouxesse novas práticas políticas, fazendo com o que o antigo “é dando que se recebe” fosse substituído por algo digno no nome POLÍTICA.
Para que vocês compreendam meu atual estado de espírito faz-se necessário recordar alguns eventos. Farei isso de forma breve, sem recorrer a anotações ou pesquisas, o que poderá acarretar um ou outro equívoco de datas ou nomes, mas a essência é a que segue.
Filiei-me ao PT em 1982, no diretório de Santo Amaro. Neste mesmo ano participei ativamente da campanha eleitoral, tendo apoiado para deputado federal o senhor Genoíno, para deputado estadual o senhor Fernando do Ó e para vereadora (em São Paulo) a socióloga Caterina Koltai. Mesmo atuando na coordenação da campanha na Zona Sul de São Paulo eu era apenas um fedelho, de 20 anos, que me surpreendia com a maneira como aqueles companheiros faziam política, com alma e razão, sem dinheiro, mas com muita criatividade.
Naquele mesmo ano o grupo que apoiava Fernando do Ó em Santo Amaro rompeu com Genoíno. Não concordávamos com determinadas práticas políticas. Práticas essas restritas ao ato de fazer política, longe da corrupção ou desvios éticos.
Continuei participando das campanhas eleitorais subsequentes e algumas ações do PT em Santo Amaro e na região do M’boi Mirim (Jardim Ângela, extremo pobre da Zona Sul).
Sofri muito com a derrota para o Collor em 1989 e para FHC em 1994, mas nesta segunda oportunidade já carregava muita desilusão com os caminhos do PT e do sindicalismo petista.
A derrota para FHC em 1994 implicou numa mudança de rumos radical do PT, mudança essa que não me agradou. Em 1995 Zé Dirceu assume a presidência do PT, marcando de forma indelével a alteração de percurso do partido, várias práticas que eu considerava essenciais à formação política da juventude, foram deixadas de lado.
Desde então restringi minhas participações às campanhas eleitorais, mas sem grande entusiasmo e, a partir de 2000, convenci-me de que não mais deveria votar, enquanto o voto fosse obrigatório, uma das maiores excrescências da nossa “democracia”, juntamente com o financiamento privado das campanhas.
Mesmo relutante votei em Lula em 2002. No final de 2003 estava muito frustrado com os resultados do primeiro ano de governo. Na reeleição de 2006 fui convencido por diversos companheiros que a opção da reeleição era melhor do que a oferecida pela eleição e, num segundo mandato, Lula poderia radicalizar com algumas medidas como a reforma agrária, por exemplo.
Ante a tentativa da mídia em golpear a candidatura de Lula, cerrei fileiras com antigos e novos companheiros, pois meu caminho de participação ficou limitado à Internet.
Voltei a exercer o “direito” de voto, mesmo que de maneira relutante, e votar nas candidaturas de esquerda.
Nesse período, um pouco antes da reeleição, eclodiu o escândalo do chamado mensalão. Nunca acreditei nessa hipótese, embora tenha certeza de que houve por parte alguns crimes eleitorais, assim como houve em outros governos e em vários níveis de poder.
Para embasar a minha descrença seguem breves indagações:

1 – Mensalão, na definição dos doutos juízes supremos e da mídia de esgoto, consistiu em pagamentos mensais para parlamentares votarem a favor do governo. Então quais eram esses projetos? Se isso é verdade tais projetos devem ser anulados, bem como os seus efeitos, pois frutificaram a partir de fraudes e atos de corrupção, não acham?

2 – Por que diabos um deputado do PT, como o João Paulo, precisaria receber dinheiro (uma única vez de R$ 50.000) para votar favoravelmente em projeto do governo do seu próprio partido?

3 – Quem financiou o tal mensalão? Sim, pois a grana veio de algum lugar. O juiz sol, Joaquim Barbosa, afirma que veio da VISANET. Se isso foi feito com dinheiro público por que não foi pedida a devolução dos valores? E quem recebeu parte importante desse dinheiro, como a Rede Globo, não vai devolver o que recebeu?

4 – Cadê os sinais exteriores de riqueza de Genoíno? O cara continua com o patrimônio muito parecido com aquele de 1982. Pelo menos indiquem onde está o dinheiro que ele apurou com os desvios dos quais é acusado.

5 – Por que todos os réus foram julgados pelo STF, enquanto em caso análogo, do chamado Mensalão Mineiro (que na verdade é do PSDB), os réus comuns serão julgados pelo juiz de primeira instância e só os detentores de mandatos eletivos serão julgados pelo STF (serão mesmo?)?

6 – O juiz sol nos explicou, para os leigos em direito, que usaria o princípio do “domínio dos fatos” para julgar aqueles políticos de elevado quilate envolvidos no mensalão. Aí vem o criador do “domínio dos fatos” e diz que a coisa toda estava errada e que os juízes do STF não tinham compreendido direito o “domínio dos fatos” etc. e tal. Este princípio será aplicado em todos os casos análogos? Mesmo de forma equivocada?

7 – Por que a perícia da PF, que diz que não houve dinheiro público nas operações analisadas, foi suprimida do processo?

8 – Como é possível que juízes da mais alta Corte, digam com todas as letras, que estavam condenando este ou aquele réu, mesmo sem que houvesse provas para tal? Isso está gravado, além de ter sido transmitido ao vivo pela TV!

Não houve mensalão! Aqueles que estão condenados e neste momento levados às prisões foram julgados ao arrepio da lei.
Alguns não cometeram crime algum, como foi o caso do Gushiken que teve seu nome enlameado pela mídia e, apesar de todos os esforços, não houve descaramento suficiente para envolvê-lo até o final do processo.
Creio que o mesmo ocorre com Genoíno.
Outros cometeram crimes eleitorais, crimes estes cometidos em todas as campanhas, desde 1989, ou já esquecemos o que foi o governo Collor? Ou esquecemos a compra de votos para o projeto da reeleição de FHC? Os anões do orçamento? A máfia dos sanguessugas? Ou, para concluir, o maior de todos os escândalos da República: o programa de privatização do governo FHC, tão bem retratado e documentado no livro “A privataria tucana”?
No cerne de todos esses problemas: um sistema político remendado, com uma lógica perniciosa aos interesses públicos e financiado pela iniciativa privada!
Por isso a necessidade da reforma política, mas não aquela acertada pelas elites dominantes e carimbadas pela mídia, uma reforma amplamente discutida pela sociedade, que traga uma nova maneira de fazer política e que tenha financiamento público das campanhas.
Juntamente com tal reforma a sociedade tem que estabelecer uma regulação da mídia, que garanta pluralidade e que não censure, mas que imponha pesadas penas para a ofensa, destruição de reputações e outras iniquidades praticadas pela mídia de esgoto, que ponteia em nosso país!

29.10.12

Algumas constatações pós-eleitorais



A estratégia do PSDB e dos demais conservadores, mídia inclusive, de arrastar todos os nomes do PT para a mesma lama, deu com os burros n’água!
Por quê? Não sei responder. Tenho algumas pistas, e a mais consistente dela faz-me pensar que os mais pobres associaram a sua inclusão no “mercado consumidor” com o Lula e aqueles a quem ele defende.
Penso que essa vitória não é do PT – ou dos partidos da base aliada que conquistaram muitas prefeituras – mas é uma vitória do personalismo, beirando a mitificação, do ex-presidente Lula. Óbvio que os menos favorecidos de sempre têm razões concretas para essa mitificação, ela não é obra midiática ou construída apenas em cima de sonhos e utopias.
No caso de São Paulo o mais significativo do resultado da eleição majoritária é o enterro do funesto José Serra. Sua biografia de socialdemocrata foi sepultada com a guinada a direita durante as presidenciais de 2010. Nela associou-se aos grupos ultraconservadores cristãos, que lutam para manter a criminalização do aborto e sonegam direitos às minorias, particularmente aos homossexuais.
Fez uma campanha desnorteada, baseada apenas em denúncias e desqualificação do opositor, sem apresentar propostas concretas para a cidade. Isso para um homem que já foi meio prefeito e meio governador não caiu bem perante o povo.
Martelou o mensalão dia e noite, quando mensalão não houve, permitam-me discordar dos homens de preto que fazem a justiça desse país. O crime ali cometido chama-se "caixa 2", com sobras de campanhas eleitorais e contribuições clandestinas. É um crime menor? Para nós, cidadãos decentes, não! Para a justiça sempre foi, até semana passada.
Eu não sou defensor do caixa 2 de campanha eleitoral, seja ele do PT ou do PSDB, mas não sou a favor da condenação de um e o completo silêncio cúmplice – da mídia, da direita conservadora e dos chamados partidos de extrema esquerda – e abonador para o outro.
Devemos caminhar rapidamente para o financiamento público de campanha, assim poderemos colocar algum cabresto no poder econômico, caso contrário adeus representatividade.
Aliás, no meu entendimento a tal democracia representativa está com os dias contados. Ela precisa se reinventar. Talvez aperfeiçoarmos os instrumentos da democracia direta, ou reconhecermos outras formas de representação, como fizeram recentemente os equatorianos e bolivianos.

12.7.10

Sobre as eleições que se aproximam (Parte III)

No texto que tratava da Parte II escrevi sobre as eleições de 1989. Um marco na vida dos jovens e adultos daquele tempo, principalmente daqueles que ainda sonhavam com o socialismo, mas também daqueles que apenas esperavam um Brasil melhor, mais justo e com oportunidades iguais para todos.
Depois de 89, o PT começou uma guinada rumo ao pragmatismo, buscando ocupar cargos no executivo, mais até do que no Legislativo.
Lembro-me que um grande grupo de companheiros considerava que ocupar os cargos no Legislativo seria mais importante, considerando este um espaço de educação e propaganda política. Nossa visão foi derrotada seguidamente nas disputas internas. Até mesmo o espaço destas disputas sofreu restrições, até chegar a proibição, fato que culminou com a expulsão das “tendências” que não aceitaram a submissão à burocracia partidária.
Neste tempo ganha força no Partido a figura do Zé Dirceu. Senti que era a hora de buscar outros caminhos.
Em 1992 deixei de ser bancário e abandonei a militância sindical. Alguns anos depois a partidária.
Embora afastado do Partido, participei das campanhas de 1994 e 1998. Sempre votei nos candidatos do PT aos cargos executivos e para aqueles do Legislativo votava apenas na legenda.
Já não me movia a esperança, mas sim a escolha do menos pior.
Nas eleições de 2002 o quadro ficou muito confuso, por causa da profusão de alianças. Forças conservadoras se aliavam à candidatura petista. Veio então a Carta ao Povo Brasileiro (clique aqui se desejar lê-la).
Também circulou a notícia que parte da cúpula petista havia se reunido com os Marinho, buscando, pelo menos, uma posição equidistante da Rede Globo com relação à eleição que viria. Parece que tais reuniões funcionaram.
Aí caiu a ficha! A expressão socialismo foi eliminada do programa de governo. As lideranças petistas curvavam-se ao deus mercado e, com a tal carta, tranqüilizava as oligarquias, tanto a agrária quanto a urbana, de que todas as mudanças viriam para que nada mudasse.
Ainda assim a escolha que tínhamos: Lula ou Serra. A candidatura Lula tinha um fiador importante na minha forma de ver as coisas: o MST!
Votei em Lula e na legenda para o Legislativo.
Passei a pensar, a partir daí, na importância da liberdade de votar. O PT começou a atuar como os outros partidos convencionais. Todas as apostas estavam colocadas no horário eleitoral e no marketing. Não mais se pensava em educar para a política ou renovar as lideranças.
Prova disso são os políticos profissionais – que o PT nasceu criticando – que a legenda formou. Temos indivíduos com mais de 25 anos dentro do parlamento!
Por isso a importância do voto livre! Não podemos conviver com o voto obrigatório se quisermos chamar nosso país de democracia. Onde já se viu o cidadão ser obrigado a exercer um direito?
O voto livre faria com que os partidos políticos buscassem nos convencer que votar é importante. Isso não seria possível apenas com o horário eleitoral! Os partidos precisariam atuar cotidianamente, construir programas, vincularem-se aquela parte da sociedade a qual representam.
Em 2004 e 2008, nas eleições municipais simplesmente não votei. Também justifiquei, só deixei de comparecer à Seção Eleitoral.

12.8.09

Até tu, Marina Silva?

A nobre senadora, no exato sentido da palavra nobre, ameaça abandonar o PT, migrar para o PV e candidatar-se ao cargo de presidente da república.
A senadora é uma legítima petista, do tempo que a utopia guiava o partido e a ideia era fazer política de um jeito diferente, com participação das bases e sem personalismos.
A construção do partido e a sua chegada aos diversos cargos executivos mostraram que entre o que se diz e o que se faz há uma diferença enorme.
Algumas honrosas exceções marcaram essa época: o recentemente falecido deputado federal Adão Pretto – clique aqui para saber quem ele foi – e a senadora Marina da Silva.
Alguns outros que mereceriam destaque foram-se para outras legendas.
Sinceramente, pensei que a senadora abandonaria o partido quando perdeu a queda de braço para o Mangabeira Unger e o pessoal do agronegócio na condução da política ambiental para a Amazônia.
Ali Lula cometeu uma enorme traição, mais uma, às históricas bandeiras do PT e daqueles que seguiram com ele na caminhada até o Planalto.
Ela manteve-se serena.
Diante das movimentações desta semana não sei o que pensar.
Tenho enorme respeito e admiração por Marina Silva, mas migrar para o PV? Partido associado aos tucanos, liderado por um fanfarrão do porte do Gabeira em nada vai acrescentar à sua biografia.
Pior se sair candidata à presidência da república por esse saco de gatos, supostamente de plataforma verde.
Tem razão quem diz que se isso acontecer ela fortalecerá a oposição mais reacionária, encarnada por DEM-PSDB.
Por outro lado, como continuar sua batalha dentro do PT?
Alguns articulistas defendem que ela force uma prévia, mobilizando o partido e talvez rejuvenescendo-o com tal atitude.
Poderia ser a portadora de uma enorme discussão interna, inclusive retomando as questões da democracia e da participação das bases na condução do partido.
Penso apenas que ela não deve cair no personalismo e despolitização da luta política, o que, sem sombra de dúvida, acontecerá se migrar para o PV e candidatar-se a presidência da república.
Às vezes tenho recaídas utópicas!

17.12.07

CPMF, oposição e "eu também" - texto publicado no Valor Econômico

Ótimo texto no Valor Econômico de hoje:

CPMF, oposição e "eu também"

Alguns estudiosos do processo eleitoral têm falado de uma política do "eu também" para se referir à situação em que, num sistema bipartidário, itens de política econômico-social adotados por um dos partidos vêm a contar com o apoio majoritário do eleitorado, levando a que o outro partido passe a copiar as posições do primeiro quanto a esses itens e a procurar assegurar vantagem com base em outros aspectos, talvez secundários, da disputa. Se isso pode ser visto, com certas suposições a respeito do cálculo dos eleitores e da distribuição de suas preferências, como concorrendo para a convergência dos dois partidos em torno do centro do espectro político-ideológico, certamente não há por que inferir daí que o enfrentamento dos contendores se caracterize por menor aspereza e maior racionalidade. Embora não tenhamos, no Brasil, o bipartidarismo, sobram exemplos de política do "eu também", sem dúvida sob formas peculiares, mas de feiúra irracional, que o embate sobre a CPMF ilustra.
Têm sido apontadas por muitos, na verdade, as reviravoltas de PT e PSDB e aliados em torno dos temas correlatos. Se sou PSDB e governo, proponho um imposto provisório para atender a deficiências prementes da saúde, transformo-o de provisório em permanente, desloco os recursos para outros fins - com a forte oposição de um PT oposicionista. Se sou PT e governo, porém, também eu quero a CPMF, também eu me empenho em sucessivas prorrogações de sua vigência e destino-a a fins diversos - com a oposição de um PSDB e aliados oposicionistas, tanto mais intensa e míope (também eu...) quanto mais os recursos envolvidos possam, quem sabe, ajudar a fortalecer um governo aparentemente blindado na percepção e na simpatia populares. Na oposição, quem quer que eu seja, falo de reforma tributária apropriada e consistente, no governo também eu esqueço, adio e recorro a meios eleitoralmente expeditos à mão.
Mas esse triste "eu também" tem uma dimensão maior, relativa a instituições e líderes. A propósito da CPMF, é fácil apontar, na esteira dos eventos de três anos para cá, as deficiências de vários tipos dos quadros político-administrativos petistas, da atuação da "base aliada" e das relações, em geral, entre Executivo e Congresso, ou as destrambelhadas manifestações do próprio Lula. Mas é difícil engolir que o líder parlamentar da derrota do governo na questão da CPMF seja, além do defensor de outros tempos do imposto, o homem da verve truculenta de cangaceiro amazonense pobre de votos, da surra no presidente, do blefe da ameaça da CPI do caixa dois, brandida de mentirinha e convenientemente esquecida, dos insultos no plenário do Senado a um Pedro Simon de loucura quixotesca e respeitável - sem falar das alusões ofensivas aos candidatos potenciais do próprio PSDB à Presidência. Ou que o líder desse líder seja Fernando Henrique Cardoso, da elegância de sempre de repente desvirtuada em estranho azedume de poliglota politicamente incorreto. E que a irracionalidade da conduta atinja, como salientou Alon Feuerwerker em seu blog, o ponto em que quanto mais o governo capitule e conceda nas propostas relativas ao imposto diante das exigências da oposição que o líder comanda, tanto mais se radicalizem as posições contra o governo: para o PSDB, pelo menos, e para a integridade da imagem de paladino da saúde que pode reclamar, é com certeza melhor, em vez de tentar cooptá-lo, deixá-lo em paz em seu oposicionismo de "eu também sei ser destemperado"...
Institucionalmente, de todo modo, a conseqüência negativa mais clara da votação do Senado na madrugada do dia 13 será provavelmente sofrida pelo PSDB. Afinal, numa perspectiva abrangente (e realista), é possível sustentar, como se tem feito, que o que acabamos de presenciar é o jogo em que a democracia fatalmente acaba caindo: oposição faz oposição e pronto, e não cabe esperar que discussões judiciosas do significado da CPMF e de seu corte abrupto para a sociedade neste momento interfiram com o objetivo de trazer dano ao governo, de olho nas possíveis consequências do episódio para as eleições que temos pela frente em 2008 e 2010 (aliás, houve até, na pressa com que a oposição começou imediatamente a falar em "concórdia" depois da derrota infligida ao governo, uma espécie de reconhecimento tácito dos possíveis excessos da postura agressiva). Mas o PSDB, para o qual o quadro já vinha difícil pelas circunstâncias da derrota na última eleição presidencial e a disputa latente de duas candidaturas potencialmente fortes à Presidência, vê as coisas se tornarem mais complicadas com o ineditismo da tensão, que certamente deixará seqüelas, entre os governadores que se expuseram na defesa de maior flexibilidade e a agressividade da bancada de senadores.
Resta esperar, no panorama de crise mais geral dos partidos que os eventos de 2004 e 2005 e as eleições de 2006 produziram, que os desdobramentos institucionais maiores do azedamento de agora possam ser eles mesmos positivos. Talvez favorecendo, por exemplo, a reestruturação capaz de ajudar o sistema político-partidário a recuperar a consistência que parecia vir adquirindo no processo eleitoral de anos recentes.

Fábio Wanderley Reis é cientista político e professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais. Escreve às segundas-feiras
fabiowr@uai.com.br

23.9.07

Mensalão ou Caixa 2? A mídia golpista sempre com dois pesos e duas medidas

A mídia golpista nem tenta disfarçar mais a sua opção partidária.
A Polícia Federal apontou recentemente o DNA das operações do publicitário Marcos Valério: a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais.
Estão lá as agências publicitárias, os bancos "emprestadores", as operações com diversas triangulações, notas fiscais, patrocínios de empresas estatais mineiras e dinheiro do próprio tesouro estadual, enfim, os mesmos mecanismos encontrados naquele esquema batizado de “Mensalão do PT”.
Para manter a coerência a imprensa deveria chamar essa operação de “Mensalão do PSDB”.
Mas não é assim.
A capa da Istoé da semana passada lançou um nome: “mensalão mineiro”. A Folha de S. Paulo de hoje e a revista Época trazem um nome mais suave: caixa 2 de Azeredo.
Observem a sutileza das chamadas da Folha de S.Paulo:

Walfrido anotou caixa dois de Azeredo na eleição de 98
Valerioduto financiou aliado de Azeredo uma semana após registro do hoje ministro

Polícia Federal identificou transferência de R$ 200 mil do caixa dois do governador tucano para a candidata ao Senado Júnia Marise (PDT)

Vejam: Walfrido “hoje ministro”; Júnia Marise é do PDT, mas e o Azeredo? Tem partido? Exerce algum cargo hoje? O governador tucano seria Aécio Neves?
A Revista Época menciona Azeredo e o PSDB, mas a manchete sobre o tema é para o ministro Walfrido.
No panfleto tucano, editado pela Abril, a chamada no sumário da edição semanal é “O caixa dois de Azeredo e Walfrido”.