5.11.06

Emir Sader: uma condenação injusta e sem sentido

Numa mostra da qualidade do nosso judiciário, o professor Emir Sader foi condenado, como explica a matéria abaixo, somente por ter reagido às ofensas daquele oligarca do sul, o senador-sinhozinho Bornhausen.
O professor Emir Sader merece nossa solidariedade. Tive a honra de colocar a minha assinatura no Manifesto, ela recebeu o número 1587, espero que todos os poucos leitores deste blog também o façam.


Manifesto em solidariedade a Emir Sader
Da Redação – Carta Maior
A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu.
O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de
artigo publicado (clique no link para ler o texto na íntegra) no site Carta Maior , no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: “(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado”.
Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças.

Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.

(Os que desejarem assinar o manifesto podem fazê-lo através do endereço www.petitiononline.com/emir/petition.html)

Um comentário:

Paiva disse...

Diferentes segmentos sociais colocam para a escola a necessidade de encarar de frente esses temas.Embora tb não creio em culpa do professor acredito que é uma das responsabilidades do educador tratar sobre as 2 tematicas referidas. Será que uma outra pesquisa daria uma porcentagem diferente se o tema fosse sustentabilidade, consumismo,violência,racis-mo e outros semelhantes ?