19.8.08

A revista Veja quer discutir educação

Na edição desta semana a famigerada revista da Editora Abril resolveu discutir educação.
Pasmem amigos e amigas, num grande furo de reportagem a Veja achou os responsáveis pelas mazelas do ensino no Brasil, tanto público quanto privado: os professores e autores de livros didáticos de Geografia e História!
Isso mesmo, nós somos culpados! Só faltou, ao final da matéria, pedir camburão e algemas para os “mestres”. Talvez fosse o caso de trazer de volta a OBAN, DOI-CODI, SNI etc. Desta forma seria bem mais fácil eliminar todos os comunistas infiltrados nas salas de aula, pagos com o ouro de Moscou, ou seria melhor dizer com os charutos de Cuba e a grana das FARCs?
Delírio puro!
Já imaginaram se todos os professores do país, das redes pública e privada, fossem filiados a um único partido político? Ou pelo tivessem metade do poder que a tal revista julga que temos? Só para começar a conversa ela não existiria mais, tamanha é a sua desonestidade no trato da notícia.
A análise é simplista e não se sustenta de forma alguma.
Para manter o nível do debate no padrão de ignorância da supracitada, bastaria aos pais que não toleram a “doutrinação comunista” das escolas particulares, trocarem de escola, afinal a tal empresa de jornalismo (que tipo de jornalismo?) não ardorosa defensora das leis de mercado?
Então é simples, se não gosto do serviço educacional prestado por uma instituição, troco de instituição!
No caso da escola pública seria de se perguntar como essa cambada de comunista consegue manter o emprego por tanto tempo? Percebam: independente do partido que assuma a prefeitura, governo do estado ou presidência da República.
Para conhecer um pouco do que é tal revista nada como ler uma série de matérias do Luis Nassif, que mostra com dados e exemplos como a Veja faz um jornalismo que não merece receber tal nome. Clique aqui e entenda um pouco tais mecanismos.
Prometo voltar ao tema para analisar a matéria de forma mais detida.

6 comentários:

Regina Ramão disse...

Te cuida, amigo! Se depender da revistinha dos Civita tu estás na mira. Para quem conhece o dossiê do Nassif, tem é que ter muita cara-de-pau para ainda acreditar em uma linha desta revistola.

Renato Couto disse...

Não li a Veja e nem vou ler, pois a mesma só no dentista, mesmo assim, ainda penso duas vezes, se pego a Caras ou esta...Quando algum dos seus "colunistas" está recebendo um capixulé, eu até entendo, não aprovo, obviamente, mas entendo a ganância humana e que nem todas as pessoas tem caráter...

Sérgio de Moraes Paulo disse...

Boa notícia:

Fiquei sabendo dessa "reportagem" na segunda-feira à noite. Três dias depois. Após muitos anos, comprei um exemplar. Há muito tempo não lia tanta bobagem. E com um texto ruim.

Fiz então uma experiência. Não toquei nesse assunto com ninguém, esperando saber o alcance desses ataques.

Aos números: Desde a segunda-feira passada, até a manhã do sábado, tive contato com aproximadamente 1800 alunos. Apenas um tocou no assunto.

Entre colegas professores, tive contato com aproximadamente umas 60 pessoas. Apenas 3 tocaram no assunto.

Bingo!! Descobri o óbvio: a veja não forma tanto a opinião como imaginamos. Constatei que superestimamos essa porcaria de revista.

Tentando atacar os professores, acabou por revelar a própria fraqueza.

Toni, não sei não, mas acho que estamos próximos do "canto do cisne".

Os Civitas estão desesperados. Sabem que já não dispõem da credibilidade que já tiveram em tão grande proporção.

Quem viver, verá.

Abraço do palpiteiro.

Cássio Augusto disse...

No Blog do Azenha tem um texto interessante sobre o assunto... aliás... a reportagem da Veja seria cômica... se não fosse tão trágica!!!

Bruno C disse...

Oi, Toni, tudo bom? Como estás?

De vez em quando leio teu blog e há um tempo venho pensando se deixo minha opinião ou não. Como fizeste à Veja o mesmo tipo de crítica que tenho em relação às tuas colocações, resolvi hoje escrever.
Acho que tuas críticas são muito simplistas, como foram os motivos retratados pela revista para a má educação no país. Ambos agem como se houvesse o lado do bem e o do mal.
Honestamente, (i) acho a educação no Brasil pífia, (ii) fiquei pasmo com os números mostrados, retratando o conformismo da população em relação a ela, (iii) não gostaria mesmo que meus filhos tivessem doutrinas comunistas na escola, (iv) gostaria que o capitalismo fosse tratado como uma verdade e não como uma possibilidade, (v) não acredito que o capitalismo signifique lucro acima de tudo - por exemplo, o meio-ambiente não pode ser permanentemente afetado pela atividade humana, e isso não se chama responsabilidade ambiental, mas, sim, capitalismo; ético, mas ainda capitalismo -, (vi) não acredito que a chamada responsabilidade social seja função das empresas (pessoas jurídicas), mas das pessoas físicas, entre outros pontos que discordo contigo sobre capitalismo e socialismo. Por isso, quando te vejo tratar o comunismo como solução para qualquer coisa, fico realmente entristecido e pensando nos jovens que têm de ouvir de ti as mesmas coisas que tive que houvir há quase dez anos.
Não sei com que freqüência tu repensas tuas doutrinas e "verdades internas", mas acredito que se fosse na velocidade que se espera de um professor, tu já não mais baterias na mesma tecla repetidamente. Toni, desculpa te contrariar assim, mas nem tu nem a Veja estais sempre certos ou sempre errados. O capitalismo tem suas vantagens. Por que tu não ajudas o mundo a melhorá-lo em vez de continuar batendo na tecla do socialismo? O Homem já demonstrou que o socialismo é bom apenas no papel, uma utopia. Na realidade, ele não funciona com liberdade individual total. E, se um dia o Homem conseguir atingir um desenvolvimento suficiente para viver bem numa sociedade comunista, acho que o mais ideal seria viver numa sociedade anarquista, onde cada um faz apenas o que quer e todos somos geridos pelas leis morais de cada um. Afinal, é esse o grau de desenvolvimento necessário para que a sociedade viva bem "comunistamente".
Espero que tenha me feito entender. Se não, entra em contato se achares válido.

Um abraço!

Prof Toni disse...

Estou devendo um texto mais completo sobre a tese de Veja e farei assim que terminar de lanças as notas do 2º trimestre, afinal vida de professor não é fácil. Quanto ao Bruno a resposta merece uma postagem, farei ainda hoje. Abraços.