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19.5.12

A revista Veja e a insustentabilidade das suas verdades fabricadas


Já faz algum tempo que tento mostrar aos meus interlocutores as maracutaias da revista Veja, porta estandarte das publicações da Editora Abril.
A TV Record e a revista CartaCapital têm demonstrado de forma inequívoca que, além de praticar um jornalismo de péssima qualidade, a publicação com sede na Marginal do Tietê tem enveredado pelo mundo do crime, seja guiada pelo Carlinhos Cachoeira – hoje chamado de bicheiro e criminoso pela mídia, mas até ontem qualificado como empresário do ramo de jogos pela mesma – ou abrindo espaço para o seu sócio, senador Demóstenes Torres.
O impávido senador ocupou as páginas amarelas da porcalhona para detonar o Congresso e seus pares.
A revista articula notas, notícias, reportagens investigativas e outras artimanhas sempre de acordo com os seus interesses mais sórdidos.
Isso a parte da mídia não comprometida com os interesses corporativos do PIG (Partido da Imprensa Golpista, segundo Paulo Henrique Amorim) tem mostrado com sobras.
Hoje tive acesso, por indicação dos amigos virtuais do Twitter, a um artigo demolidor sobre as fraudes e interesses nebulosos da revistinha mais lida do país, mas que é chamada de revista de fofocas pela imprensa internacional.
Trata-se da análise de uma matéria de capa lidando com a delicada questão dos agrotóxicos. O texto é assinado por Elenita Malta Pereira, doutoranda em História na UFRGS. Primeiro li no blog Outras Palavras e depois no Observatório da Imprensa.
Leiam os trechos que selecionei (para ler a matéria na íntegra basta clicar no nome das publicações apontadas acima):

A matéria “A verdade sobre os agrotóxicos”, publicada na Veja (edição de 4/1/2012), revisita um tema que é alvo de polêmicas, oposições apaixonadas e amplas discussões no Brasil desde os anos 1970. No entanto, apesar de décadas de controvérsia, já no título, a revista demonstra que pretende revelar a verdade sobre o assunto. A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), em carta-resposta à Veja, considerou o tratamento dado a um tema tão controverso como “parcial e tendencioso”, apontando uma série de equívocos na reportagem.
(...)
Motivada pela divulgação, em dezembro de 2011, de um estudo sobre contaminação de alimentos por pesticidas promovido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) referente ao ano de 2010, a reportagem da Veja começa questionando o uso da palavra “agrotóxico”: o “nome certo é defensivo agrícola”. Segundo a matéria, “agrotóxico” é um termo impreciso e carregado de julgamento valor; já “defensivos” seria correto, porque esses produtos não servem para intoxicar o ambiente ou o consumidor, mas para “defender” a plantação de pragas, insetos e parasitas. Esse debate é antigo, construído ao longo de uma verdadeira contenda, que foi protagonizada por ecologistas, políticos e representantes das indústrias agroquímicas, desde os anos 1970. A própria nominação dos agroquímicos determinava de que “lado” estava quem nomeava: de um lado executivos das indústrias fabricantes que, obviamente, queriam vender seus produtos, pesquisadores que recebiam financiamento dessas empresas para suas pesquisas e funcionários públicos, todos trabalhando para “defender” seus interesses. Do outro lado, entidades ambientalistas de vários estados, professores universitários e pesquisadores preocupados com o efeito desses produtos na saúde das pessoas e da natureza.
O termo agrotóxico, mais do que portar um juízo de valor, está consolidado na legislação brasileira sobre o tema, a Lei 7.802/89. A palavra já estava presente na primeira legislação estadual, a Lei 7.747, publicada no Rio Grande do Sul, em dezembro de 1982, fruto de um amplo debate liderado por políticos, pesquisadores e ecologistas. O ecologista José Lutzenberger considerou a publicação dessa lei uma “vitória sem precedentes”, uma conquista da sociedade civil, inédita em diversos países. Por outro lado, o termo “defensivos agrícolas” também não é isento de valor: expressa que essas substâncias são boas, defendem a lavoura de pragas. No entanto, o próprio conceito do que pode ser considerado praga é questionável, depende do ponto de vista de quem está observando uma plantação. O que é praga na agricultura que usa produtos químicos pode ser um aliado no controle natural de insetos realmente prejudiciais, e até mesmo um indicador da saúde das plantas para quem pratica agricultura ecológica.
(...)
A matéria da Veja faz afirmações de forma leviana e irresponsável para a população leiga no assunto, passando a impressão que os agrotóxicos não são tão perigosos assim. Ela diz que os alimentos que lideram o ranking da ANVISA de forma alguma representariam risco à saúde, que os resíduos estão dentro dos níveis seguros e que o uso de agrotóxicos não autorizados não é prejudicial à saúde. Neste último caso, a justificativa seria o alto custo para os fabricantes alterarem os rótulos, indicando outros cultivos onde os pesticidas poderiam ser utilizados. Aqui, podemos perceber mais uma vez que os interesses das empresas sempre são relevantes e merecem ser preservados.
(...)
Consultando os arquivos dos jornais de maior circulação do país, é possível constatar uma quantidade impressionante de notícias sobre envenenamento e morte de agricultores, cuja causa envolveu a aplicação de produtos químicos na lavoura. Há períodos em que as ocorrências são diárias, envolvendo famílias inteiras, em cidades do interior do Brasil. Casos de jovens que dormiram durante meses, sem perspectiva de acordar, depois do contato com agrotóxicos; bebês que ficaram doentes por causa do leite, já que a vaca que o fornecia comeu pasto contaminado com pesticidas; crianças que morreram pela ingestão de água contaminada; agricultores fulminados durante pulverizações aéreas sem aviso prévio, entre outros, são exemplos nefastos de que o equipamento não é garantia de segurança total.
Artigo da Gazeta Mercantil (Porto Alegre, 28/05/1975) relata que o consumo de pesticidas no Brasil aumentou dez vezes entre 1964 e 1974 e questiona: “em que medida esse consumo teria sido fortemente incentivado, provocando o uso indiscriminado e exagerado de defensivos?” Se por volta de 1974 o consumo somava cerca de 74 mil toneladas anuais, o que dizer das cerca de 1 milhão toneladas em 2010 (de acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola)? O estímulo ao uso intensivo desses produtos interessa aos fabricantes, pelos altíssimos ganhos, mas, ao mesmo tempo, provoca prejuízos não totalmente contabilizados ao ambiente e à vida humana.
(...)
Outra informação da matéria da Veja é que “o Brasil é um dos países mais rigorosos no registro de agrotóxicos”. No entanto, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), nosso país é o principal destino de agrotóxicos proibidos no exterior. Diversos produtos vedados nos Estados Unidos e na Europa são comercializados livremente aqui. Se o controle fosse mesmo rigoroso, o Brasil seria o maior consumidor mundial de agrotóxicos?

A matéria merece ser lida na sua totalidade. Podemos concluir que a Veja não pratica somente um péssimo jornalismo, destituído de ética e valores humanísticos, mas também e principalmente faz uso da canalhice pura e simples.

21.4.12

Nova revista de humor na praça


A revista Veja conseguiu se superar! Só pode ser brincadeira essa capa! Resolveram nivelar-se com o CQC e Casseta e Planeta; agora não jogam mais no time das semanais, logo terão programa na Globo, com direito a piadas racistas, sexistas e imbecilidades correlatas.
A credibilidade da revista há muito foi para o brejo, pelo menos para as pessoas que conseguem pensar com certa autonomia.
Descrédito, envolvimento com o banditismo, manipulação eleitoral...
Como ela ainda consegue tantos e incautos leitores?


6.12.09

Revista Veja: esqueçam o que eu publiquei

Já faz algum tempo que eu prometi não mais tratar das coisas da revista Veja neste espaço. Mas a desfaçatez dos cabras dos Civita não tem limites. Observem como era tratado o sr. José Roberto Arruda, o homem do panetone, há 5 meses (clique na imagem para ler a reportagem no site da dita cuja):




E o tratamento que recebe agora:


Isso sem nenhuma autocrítica, análise sobre eventuais erros, nada! Tudo acontece assim no reino dos Civita, como se eles nada soubessem...

25.8.09

Moradores de rua tocam fogo na revista Veja

É com a alma lavada e enxaguada, como diria Odorico Paraguassu, que vejo este filme no Youtube.
19 de agosto - Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. 2009 - Cinco anos do massacre de pessoas em situação de rua no Centro de São Paulo. Ato na Praça da Sé. Repúdio à revista Veja e à reportagem "Profissão Mendigo" publicada na Veja São Paulo (edição n° 2126 / agosto).


25.4.09

Ajudando a entender os assuntos "quentes" da semana

Claro que tem o clássico de domingo, assunto que não pode faltar, afinal decisão do Campeonato Paulista de Futebol envolvendo Corinthians e Santos é conversa para mais de metro, como se diz lá em Minas Gerais.
Mas teve o bate-boca no STF. A grande mídia ficou do lado do Gilmar Mendes, assim como se coloca sempre ao lado do Daniel Dantas. Já a blogosfera fechou, majoritariamente, com o ministro Joaquim Barbosa.
Quer entender a razão?
Veja a seguir cenas de denúncias explícitas:



A Veja condena o ministro Joaquim Barbosa e ainda por cima usa de preconceito da sua manchete, clique aqui (se tiver estômago para suportar a leitura do panfletão da Abril) e leia o máximo do pensamento da mídia de esgoto.
Desta vez, pelo menos, não culparam o Lula e o PT pelas desavenças.
No site do Luis Nassif Online tem até poesia sobre o tema, clique aqui e leia.
O Luiz Carlos Azenha, no Vi o mundo, abre para apoios, inclusive o de Nita Freire (é só clicar aqui para ir até o texto). Aqui o Azenha reproduz um texto, brilhante, do Mauro Santayana, publicado no JB do dia 24/4/09, imperdível!
A CartaCapital dá capa para o ministro Joaquim Barbosa. Um texto muito equilibrado e, como sempre, coloca os pingos nos “is”, ou seja, trata o fato como fato e opinião como opinião. Clique aqui e leia o editorial desta semana, assinado por Mino Carta.
Mudando de assunto temos o escândalo da vez: as passagens usadas pelos senhores deputados e senadores da república (assim mesmo, com letras pequenas).
É cortina de fumaça!
Não que a discussão não seja merecida, é claro que é!
Mas o problema é bem maior, a discussão verdadeira deveria ser ética e ter como centro a distinção entre as coisas públicas e as coisas privadas.
Esse é um problema que assola toda a sociedade. Não sabemos distinguir o que é público e o que é privado.
A cultura política do nosso país propiciou este descalabro.
Eu diria mais, esse negócio das passagens aéreas é troco miúdo!
Não custa lembrar que temos vários assuntos pendentes:
- a constituição da BrOi: empresários compram empresa de telefonia sem desembolsar um tostão! Vejam o que diz o site especializado Teletime (é só clicar no link);
- o episódio da Alstom (leiam aqui a coletânea de matérias feita por um blog petista sobre o tema).
Em temas como estes temos os verdadeiros assaltos ao erário público!
Sem contar os vários outros "negócios" que cercam as doações para partidos políticos (de oposição e situação nas varias esferas de governo), por exemplo.
Discutir cada escândalo serve apenas aos interesses momentâneos, tanto é que a mídia, com raras exceções, dificilmente dá seguimento às denuncias.

25.9.08

Veja: a imagem invertida da realidade!

A capa de Veja me surpreendeu!
Não é que ela conseguiu transformar os bandidos em mocinhos, mais uma vez!
Vejam vocês a capa da dita cuja:

Quer dizer que os caras que enterraram os EUA numa das maiores crises de sua história, arrastando parte do mundo com eles, nos salvaram?
Dá para explicar?
O cidadão médio estadunidense que tem comprado essa história de que o “mercado” tudo vê, tudo resolve e tudo vê, deve estar se coçando dentro das calças nesse momento.
O socialismo dos EUA obedece a uma lógica peculiar: a distribuição da renda é feita para os “de cima”. Bancos falidos, mal geridos, recebem grana dos contribuintes, aqueles mesmos que acreditavam na falsa expectativa de riqueza fácil criada pelo sistema.
Isso se deve a mais completa ausência do Estado.
Então a galera que saudou entusiasticamente o neoliberalismo pode enfiar a viola no saco e procurar outras razões para comemorar a derrocada da URSS.

14.9.08

A educação pelo olhar da Revista Veja

Em razão do espaço reduzido terei que fazer aqui a mesma coisa que a revista do grupo Abril fez na sua edição de 20/8/08, quando tratou da educação no Brasil: retirar frases do contexto.
Portanto, considerem esse fato ao lerem o que segue.
Depois de examinar 130 livros de História, Geografia e Português (com quais critérios?) a dita cuja concluiu que o nó da educação brasileira reside em duas pontas: a qualidade dos livros didáticos e a ideologia dos professores, que, segundo a mesma, são todos esquerdistas (quase infantis).
A maior lacuna da reportagem reside aí. Faltou analisar livros e professores de Matemática, Física, Biologia, Química e Inglês, isso para tratarmos do chamado núcleo comum, sem contar Artes, Atualidades, Tecnologias e Mídias, Sociologia, Filosofia, ou ainda Teatro, Música etc., a depender do currículo da escola e da região.
É óbvio que os manuais didáticos contêm erros, sejam conceituais ou factuais, pois são obras de simples seres humanos, portanto sujeitos a todas as falhas inerentes à espécie.
Também não podemos nos esquecer dos gigantescos interesses das editoras de livros didáticos, a Abril inclusive – com as “grifes” Ática e Scipione – principalmente no tocante às vendas para os governos. Sabemos que a produção em massa e, às vezes, a toque de caixa para atender encomendas podem comprometer o “produto”.
Professores panfletários também existem, conheci alguns e vez por outra me acusam disso também, principalmente quando analisam o curso de Geografia do Ensino Médio de três anos a partir de uma aula de 45 minutos.
Feitas estas observações, vamos ao trabalho.
Os livros didáticos escolhidos para o escárnio pela matéria pertencem às seguintes editoras:
Anglo (1 citação)
COC (4)
Objetivo (3)
Pitágoras (2)
Ática (6)
Atual (3)
Harbra (1)
Moderna (9)
Nova Geração (2)
Quinteto Editorial (2)
Saraiva (2)
Scipione (2)
As quatro primeiras empresas são sistemas de ensino, as outras são editoras. Destaque para os 8 problemas apontados em obras da própria Abril.
Os livros apontados estão assim distribuídos:
Geografia (16)
História (19)
Português (2)
Primeiro estranhamento: a maior editora do ramo de sistema de ensino, também fabricante de softwares e computadores, a Positivo, não foi citada uma única vez. Encontramos na publicação Nova Escola – da Fundação Victor Civita – grandes anúncios deste grupo, mais exatamente duas páginas duplas na edição de agosto. Embora encontremos outros anunciantes na mesma revista, alguns criticados na reportagem da Veja, como a Saraiva/Atual (1 página), Objetivo Sistema de Ensino (1 página), Rede Pitágoras (1 página), além de outros que não foram “premiados”: Sistema Maxi de Ensino (1 página). Sistema de Ensino Dom Bosco (1 página) e Expoente Sistema de Ensino (1 página), a ausência das obras do sistema Positivo chama a atenção.
Segundo Estranhamento: a Veja corretamente identifica as editoras Ática e Scipione como pertencentes ao grupo Abril, mas não cita o Sistema de Ensino Ser, também pertencente ao Grupo Abril. Será este o único sistema de ensino neutro e portador da verdade universal? Verifiquem vocês mesmos: http://www.ser.com.br/.
Primeira conclusão: se Veja analisou 130 livros e encontrou 37 problemas, podemos pensar que outros 93 estão em perfeita ordem, de acordo com o INDEX preparado pela Abril? Quais são eles? A quais editoras ou sistemas de ensino pertencem?
Segunda conclusão: os professores de História e Geografia são formados de acordo com as premissas dos senhores Marx e Lênin, pois não? Eles possuem o poder sobre a frágil mente de crianças indefesas há décadas, por isso a conspiração comunista, patrocinada pelos charutos de Havana, grassa em nossa pátria! Façam-me o favor!
Veja mais uma vez usa de má fé ao falar de educação como é de seu costume e, a bem da verdade, essa má fé está presente ao tratar de todo e qualquer assunto.
Ao comentar um equívoco do autor de “Das cavernas ao terceiro milênio 3”, que informa ter sido o presidente Allende assassinado, a revista responde assim: “ O presidente Salvador Allende foi mesmo deposto por generais golpistas com a ajuda material e estratégica da CIA, mas desgastou-se pela própria incompetência e não foi assassinado. Suicidou-se.”
Ora, não está aí um juízo de valor? Incompetência cara-pálida? Não! Foi traído por homens que compunham o aparato de Estado, Pinochet à frente e o apoio não apenas da CIA, mas de todo o aparato de governo dos EUA.
Resvala ainda no preciosismo imbecil, como na crítica a uma apostila de História do Objetivo. Nela o autor afirma: “O mapa que mostra a rota da Coluna Prestes (1925-1927) inclui o estado do Tocantins.” Comentário da revista: “O estado de Tocantins só foi criado em 1988.” Claro que o autor, ou o revisor, poderia ter oferecido uma melhor construção para a frase, mas a gravidade de tal equívoco merece tamanho destaque?
A profundidade das análises de Veja, raramente ultrapassam a de um pires.

11.9.08

Quando o terrorismo interessa, nossa mídia se cala

Homem queimando pneus - Foto do Clarín de hoje
Nossa mídia beira o ridículo quando briga com a notícia.
Quando lhes interessa noticia, julga e condena. Assim age quando o tema é o governo de Hugo Chávez, por exemplo.
Quando não, briga com a própria notícia. Vejam a chamada no portal do Estadão:
BRASÍLIA - O ministro das Finanças da Bolívia, Luiz Alberto Arce, e o embaixador boliviano no Brasil, Maurício Dofler, disseram nesta quinta-feira, 11, que as Forças Armadas vigiarão os dutos de petróleo e gás em território boliviano após opositores ao governo de Evo Morales explodirem um gasoduto que abastece o Brasil. Durante entrevista coletiva em Brasília, Arce evitou falar que o país está em guerra civil, mas afirmou que vê as ações da oposição como terrorismo e uma tentativa de golpe de Estado.

No G1 (Globo.com), nenhuma notícia na capa das 10H30.
Já o UOL noticiou com grande destaque, com uma chamada interessante: Crise na Bolívia.

Vejam um exemplo de notícia do UOL:
Confrontos entre grupos civis de apoio ao governo de Evo Morales e de apoio ao autonomista Conalde (Conselho Nacional Democrático) deixaram ao menos 70 feridos na cidade de Tarija, nesta quarta-feira, informou a imprensa local.
Leia a íntegra da matéria clicando aqui.

O Terra também oferece destaque à crise, mas menor do que o do UOL. É o único a abrir notícia dando voz ao governo boliviano, pois reproduz noticiário da BBC Brasil:
A primeira explosão num gasoduto que abastece o mercado brasileiro foi provocada, nesta quarta-feira, por um incêndio intencional, segundo comunicado do Ministério boliviano de Hidrocarbonetos. Para ler o restante do texto, basta clicar aqui. Para conferir a matéria na BBC Brasil é só clicar aqui.

A Veja segue a sua lógica: os culpados de tudo são os camponeses, os cocaleiros e o próprio Evo Morales, às favas eleições, democracia etc. Vejam o primor do descaramento:
Líderes pró-governo cercam Santa Cruz
11 de Setembro de 2008
A crise na Bolívia se agravou nesta quarta-feira após sindicatos agrários que apóiam o governo do presidente Evo Morales cercarem o departamento oposicionista de Santa Cruz. O objetivo do bloqueio é provocar o desabastecimento de alimentos e combustíveis na região. De outro lado, os protestos contra Morales também se intensificaram em diversas regiões do país, com ataques contra as estruturas energéticas e prédios públicos, além de confrontos entre manifestantes e a polícia.
Leia mais.

Já o Clarín, da Argentina, parece que soube de outra coisa, bem diferente da Veja:
Opositores a Morales tomaron y saquearon ministerios, organismos y aeropuertos en Santa Cruz, Tarija, Beni y Pando. El presidente ordenó abandonar de inmediato el país a Philip Goldberg, al que acusa de incentivar las protestas regionales.
Quer conferir o original? Clique aqui.

E a mídia boliviana? Julguem vocês mesmos:



La Razón (clique no título para ler)
Día violento en Tarija. Casi 50 personas resultaron heridas tras una jornada de violencia de 10 horas.
Fiebre verbal. Cívicos y oficialistas sueltan frases para dar la sensación de que el país va a la guerra civil.
Caos y toma en Santa Cruz. Unionistas ocupan más instituciones. Vándalos cometen más saqueos.
Y la autoridad. Autonomistas no devolverán las oficinas tomadas. Las FFAA controlan los campos de gas.
El conflicto político entre el Gobierno y el opositor Conalde dio otro giro, esta vez en la ciudad de Tarija, donde grupos de civiles, unos seguidores del presidente Evo Morales, y otros del movimiento autonomista, se enfrentaron con palos y petardos

No site Bolivia.com:
Municipios demandan pacificación y diálogo a prefecturas y gobierno
(Enlared Municipal) Pese a las diferencias regionales que pudieran tener, alcaldes y directivos de asociaciones municipales departamentales demandan la urgencia de pacificar al país e inmediatamente establecer un proceso de diálogo frente a la actual escalada de violencia. En medio del enfrentamiento entre las prefecturas opositoras y el gobierno, las autoridades municipales consultadas por Enlared-Onda Local, señalan que en esta hora los municipios pueden ser mediadores en el conflicto.

1.9.08

Quem pauta quem?

Lembro-me de que certa vez o nada saudoso Collor de Mello esbravejou, como era de seu costume, contra a imprensa que tentava pautá-lo, ou seja, direcionar suas ações e reações a partir do que publicava.
Pois bem, é isso que vemos no país hoje.
A Veja publica uma denúncia no final de semana, o Jornal Nacional repercute e na segunda-feira algum senador do PSDB ou do DEM pede uma CPI.
Nesta semana a coisa ficou pior, pois ao associar-se ao ministro do Habeas Corpus Miojo (mas só para o pessoal que tem conta no exterior) conseguiu pautar o presidente Lula.
Cautelosamente e cautelarmente, como gostam os nobres causídicos, o presidente afastou a cúpula da ABIN, inclusive o seu diretor, o ex-delegado da PF Paulo Lacerda, que, a meu ver, prestou excelentes serviços à nação no primeiro mandato do presidente Lula.
Estou apostando que se trata de mais uma mentira de Veja, assim como aquela denúncia das contas no exterior - Lula, Márcio Tomaz Bastos e o próprio Paulo Lacerda, dentre outros -, a grana das FARCs para a campanha do PT, os dólares de Cuba dentro de caixas de uísque e outras aleivosias da ditosa revista.
Sobre a guerra particular contra Paulo Lacerda compensa ler o último trabalho do Luis Nassif sobre o Caso Veja, é só clicar aqui.

30.8.08

Luis Nassif narra mais uma peripécia da Veja

Luis Nassif continua mostrando os caminhos tortuosos percorridos pela revista Veja. O tema da matéria de hoje é a relação desta com Paulo Lacerda, diretor da ABIN e ex-diretor da Polícia Federal.
Nassif demonstra, de forma irretocável, mais uma vez os métodos da revista.
Veja o trecho incial da matéria:
O assassinato do intocável

Na edição de 20 de outubro de 2004, Veja veio com uma capa bombástica: “Os Intocáveis, A guerra do grupo de agentes de elite contra o crime organizado e a corrupção na Polícia Federal”.
No dia 13 de agosto de 2008, a capa “Espiões Fora do Controle”, falando da mesma PF e dos mesmos métodos elogiados anteriormente.
Para ler o restante é só clicar aqui.

19.8.08

A revista Veja quer discutir educação

Na edição desta semana a famigerada revista da Editora Abril resolveu discutir educação.
Pasmem amigos e amigas, num grande furo de reportagem a Veja achou os responsáveis pelas mazelas do ensino no Brasil, tanto público quanto privado: os professores e autores de livros didáticos de Geografia e História!
Isso mesmo, nós somos culpados! Só faltou, ao final da matéria, pedir camburão e algemas para os “mestres”. Talvez fosse o caso de trazer de volta a OBAN, DOI-CODI, SNI etc. Desta forma seria bem mais fácil eliminar todos os comunistas infiltrados nas salas de aula, pagos com o ouro de Moscou, ou seria melhor dizer com os charutos de Cuba e a grana das FARCs?
Delírio puro!
Já imaginaram se todos os professores do país, das redes pública e privada, fossem filiados a um único partido político? Ou pelo tivessem metade do poder que a tal revista julga que temos? Só para começar a conversa ela não existiria mais, tamanha é a sua desonestidade no trato da notícia.
A análise é simplista e não se sustenta de forma alguma.
Para manter o nível do debate no padrão de ignorância da supracitada, bastaria aos pais que não toleram a “doutrinação comunista” das escolas particulares, trocarem de escola, afinal a tal empresa de jornalismo (que tipo de jornalismo?) não ardorosa defensora das leis de mercado?
Então é simples, se não gosto do serviço educacional prestado por uma instituição, troco de instituição!
No caso da escola pública seria de se perguntar como essa cambada de comunista consegue manter o emprego por tanto tempo? Percebam: independente do partido que assuma a prefeitura, governo do estado ou presidência da República.
Para conhecer um pouco do que é tal revista nada como ler uma série de matérias do Luis Nassif, que mostra com dados e exemplos como a Veja faz um jornalismo que não merece receber tal nome. Clique aqui e entenda um pouco tais mecanismos.
Prometo voltar ao tema para analisar a matéria de forma mais detida.

21.7.08

Não tenho mais esperanças

Os acontecimentos dos últimos dias deixaram-me perplexo!
A forma como a mídia trata os diferentes eventos impressionam. Claramente o terreno está sendo preparado para a pizza.
Nas semanais, como era de se esperar, a Época e a Veja mantêm silêncio na capa sobre Daniel Dantas e os desdobramentos da Operação Satiagraha. A CartaCapital colocou o juiz Fausto de Sanctis e o delegado Protógenes Queiroz na capa. Já a Istoé deu destaque aos desencontros entre Tarso Genro e Gilmar Mendes. Nas páginas internas apresenta a hipótese de Fábio “Lula” – o filho do presidente – ter adquirido fazendas no norte do país em sociedade com o Daniel Dantas e o seu cunhado, mas não mencionou, salvo engano, a sociedade de Verônica Dantas com Verônica Serra - filha do José Serra.
Estes crimes, do chamado colarinho branco, são mais danosos ao país e ao povo do que aqueles cometidos pelos bandidos pés-de-chinelo. O roubo do dinheiro público mata! Muito!
Mas aqui é assim. Teve até autoridade federal dizendo que algemas se aplicam aos pretos, pobres e putas. Teve senador indignado com as cenas da prisão dos mafiosos à brasileira.
A celeridade dos Habeas Corpus foi impressionante, ainda dizem que a justiça é lenta.
Só para comparar: meu pai foi “roubado” por uma empresa, que deu um senhor golpe na praça – aliás, estava ela listada entre a turma do piano, aquele escândalo malufista de velhos tempos –, ganhou o processo em todas as instâncias da justiça (?) trabalhista, depois de 10 anos de luta, mas os Oficiais de Justiça (?) não conseguem achar os antigos donos para que paguem o que meu pai tem direito de receber.
Claro, meu pai era um reles motorista, que transportou por anos os dirigentes daquela empresa, inclusive um citado no escândalo da Alstom com o governo paulista.
Consola-me a boa índole e a esperança do Eduardo Guimarães, do Cidadania.com, as notas agressivas e corajosas do Paulo Henrique Amorim, as ponderações do Luiz Nassif, os textos brilhantes do Luiz Carlos Azenha (Vi o Mundo) e do Bob Fernandes (Terra Magazine), além dos meus blogs prediletos, linkados aí ao lado.
Não sei se perceberam, mas não houve nenhum pedido de CPI, seja no Senado ou na Câmara. Nem mesmo o PSOL, nossa UDN pós-moderna, se manifestou sobre os acontecimentos, assim como o povo dos holofotes: Arthur Virgílio, Demóstenes Torres, Agripino Maia...

1.6.08

Células-tronco, inflação e desmatamento dominam as páginas das semanais

Cada uma a sua maneira as semanais abordam os problemas mais preocupantes do momento.
CartaCapital apresenta Blairo Maggi, governador do Mato Grosso, na capa e uma matéria densa sobre ele e os seus desafetos ambientalistas. Ouve os dois lados, sem deixar de se posicionar, como acontece normalmente com essa publicação.

Já a revista Istoé coloca na capa o resultado do julgamento pelo STF das células-tronco embrionárias. Apresenta uma matéria sobre o mesmo governador, mais superficial e um pouco mais simpática a ele.

A revista Veja coloca na capa o monstro da inflação. Como tem demonstrado ultimamente a sua capa está mais civilizada e elegante.

Época traz uma matéria de comportamento, que mexe num grande vespeiro: homossexualidade e exército. Compensa ver a entrevista com os dois sargentos no Youtube (clique aqui).
Uma chamada de capa anuncia as “cartas secretas das FARCs para Lula”. Como a matéria não está na internet temo que seja fruto da apreensão do laptop de Raúl Reyes, após a invasão colombiana ao território equatoriano para atacar um acampamento da FARC. Interessante observar que as bombas destruíram tudo que estava ao redor, menos o notebook de forma bem conveniente para o governo Uribe e seu mentor Bush.