22.3.09

AI - 5: a ditadura oficializa o que já praticava

Ontem (13/12) o Ato Institucional nº 5 fez 40 anos.
Em 13 de dezembro de 1968 os bandidos que derrubaram o governo legítimo de João Goulart, puseram no papel aquilo que já praticavam desde o fatídico 1º de abril de 1964: terror de Estado, tortura, censura e tudo o mais que os fardados e os civis boquirrotos ousaram fazer, com apoio de uma parcela da classe média insossa e ignorante e de uma mídia alinhada com os EUA.
Nossa elite de merda temia perder uns poucos anéis com as Reformas de Base propostas pelo governo de João Goulart.
A mídia nativa, tão cretina quanto hoje, com Carlos Lacerda e os Mesquita à frente, compunham editoriais alertando para o perigo “vermelho”, brandindo contra o presidente “comunista” – como se um latifundiário, da estirpe de Jango, pudesse ser comunista!
O Estado de S. Paulo produziu caderno especial sobre o AI-5. Clique aqui para ouvir, ver e ler. O material é, do ponto vista técnico, excelente, pena omitir o papel do próprio jornal no golpe de 64 e, ainda por cima, nos dá a impressão, em muitos momentos, que tudo eram flores entre 64 e 68 e, somente depois do AI-5 a liberdade foi cerceada. Não foi assim. Veja, por exemplo, o texto do AI nº 1 clicando aqui, ele data de 9/4/64.
Clique aqui e leia especial na Agência Brasil. Preste atenção aos links indicados, particularmente neste, que comenta sobre o papel da OAB neste episódio de tão amarga lembrança para os brasileiros.
O melhor texto, que nos dá a exata dimensão desse crime hediondo cometido pelos bandidos, de farda e também pelos sem farda, é o editorial de CartaCapital desta semana assinado por Mino Carta.
Lá pelas tantas Mino diz o seguinte:
“Diz o Estadão no seu suplemento que a sociedade brasileira apoiou o golpe. Que sociedade, caras-pálidas? Agrada-me, entre parênteses, usar o lugar-comum, tão apropriado, no entanto, para acentuar a palidez dos rostos privilegiados. Sim, a sociedade dos clubes faustosos, dos bairros elegantes, das redações abastadas, e do seu time aspirante, sequioso de ascensão. Enfim, dos democratas da democracia sem povo.”
Clique aqui para ler na íntegra, texto imperdível.
O Rodrigo Vianna fez ótima matéria na TV Record sobre o tema, clique aqui para vê-la.
O que mais me deixa triste é notar que tais episódios, essenciais para compreendermos nosso país, estão banidos dos programas de História da escola básica. Parece que não existiram. Costumo brincar com os amigos professores de cursinho que a História do Brasil termina em Getúlio Vargas. Espero que a ousadia de algumas instituições, que têm cobrado o período mais recente da nossa história nos seus exames de ingresso, contribua para uma melhor reflexão sobre esses temas.

Para entender um pouco mais sobre o tema ou personalidade, basta clicar no título:
Atos Institucionais
Reformas de Base
Ditadura Militar no Brasil
Carlos Lacerda
João Goulart

No Youtube
Comício da Central do Brasil
Ditadura Militar no Brasil
Discurso de Márcio Moreira Alves

Este texto foi publicado em 14/12/08.

3 comentários:

Renato disse...

Infelizmente ainda há os que defendem esses bandidos, que mentiram sobre Jango, tomaram o poder alegando defender a democracia e praticaram toda sorte de crimes.
Parabens prof. por não deixar cair em esquecimento esse episódio tão triste da vida do nosso país

Caio Junqueira disse...

Caros,

vejam este vídeo, seria qualquer semelhança, mera coincidência?

http://www.youtube.com/watch?v=hAiy_RHmQZc

É a mesma moeda, só muda o lado. O fundamentalismo e a intolerância ideológica não são o caminho para o futuro.

Prof Toni disse...

Caio discordo completamente. A tentativa de golpe na Venezuela se parecia sim com a ditadura. Embora discorde do Chávez num montão de coisas, a começar pela reeleição (sou contra qualquer reeleição), você não pode negar que o processo venezuelano se dá pelas regras da democracia ocidental: voto direto da população. Aliás, penso que em nenhum país se votou tanto quanto na Venezuela como na última década. Agora nós, da elite, temos o péssimo hábito de só gostar de eleições que combinem com nossa opinião...