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28.1.23

Foi golpe

Michel Temer discorda do Lula sobre o golpe sofrido por Dilma Rosseuf em 2016, mas vejam, na própria voz do golpista, o que disse no programa Roda Viva há um ano.

O que mais me surpreende é o que os jornalistas e comentaristas da própria TV Cultura, são incapazes de recuperar essas imagens durante os noticiários da emissora.



27.7.22

Dilma é uma pessoa decente

Nesta semana Dilma tem sido bombardeada pela mídia a respeito de falta de habilidade política no trato com Michel Temer, o grande articulador do golpe do impeachment que a tirou da Presidência da República.


Foto de Valter Campanato/Agência Brasil

Algumas pessoas, que eu respeito, mas divirjo, alegam que lhe faltou “inteligência” para contornar a crise instada pelo Aécio Neves e patrocinada pelo presidente do Congresso deputado Eduardo Cunha.

Vamos por partes:

1 – Ela cometeu alguns erros, a meu ver, na condução da política econômica. Isso aconteceu por muitas concessões feitas ao “Centrão” em nome da governabilidade, essa praga existente no nosso sistema que permite um “presidencialismo de coalizão”.

2 – Chegou a uma situação que fazer concessões desfiguraria completamente o seu governo, no caso o apoio ao Eduardo Cunha. Ela resolver não pagar esse preço.

3 – O Congresso apostou nas “pautas bombas” (caso não lembre é só clicar aqui), o que inviabilizaria o governo.

4 – Faltou uma articulação política mais atuante, como o Lula por exemplo, mas quando se optou por esse recurso o destino da Presidenta já estava traçado.

5 – Michel Temer, vice-presidente na chapa de Dilma, atuou firmemente na traição ao programa de governo que ele havia assinado.

6 – O antipetismo militante da mídia empresarial atuou firme, sem dar um minuto de descanso para Dilma e o PT.

Penso que a descrição acima seja um breve resumo do caminho do impeachment de Dilma Rousseff.

Agora fica aqui um desafio: em que parte da nossa Constituição está previsto a destituição de uma autoridade por falta de habilidade?

Não seria o caso de se esperar o fim do mandato e na eleição mandá-la para casa cuidar do neto?

Outros presidentes cometeram o mesmo alegado crime: “pedaladas fiscais” – clique aqui para refrescar a memória – e nada aconteceu. Terá sido então reflexo do machismo estrutural presente na nossa sociedade.

O resultado do golpe jurídico-parlamentar está aí, é só abrir a janela e a consciência e observar o que está acontecendo a sua volta.

O golpe de 2016, sacramentado pela eleição de 2018, nos levou de volta ao mapa da fome, recordes de desemprego, falta de vacina e medicamentos etc.

As tais acusações da mídia e de parte dos companheiros progressistas são infundadas. Dilma apenas reagiu a um notório traidor, um indivíduo que terá como destino a lata de lixo da história.

12.1.19

O golpe já dava sinais de vida em 2007


Considero o momento pelo qual passamos hoje no Brasil como sendo fruto de um golpe de Estado, com origens ainda no primeiro mandato do presidente Lula.
Não como aqueles dos anos de 1950/1960, com os brucutus nas ruas, tanques e mandatos cassados, mas de outro tipo, com apoio da mídia e financiado pelo país hegemônico na América Latina.
Quando as ditaduras destas bandas definharam, nos anos de 1980, as forças democráticas ganharam fôlego e obtiveram sucesso nas urnas, a ponto de, no início dos anos 2000 ocuparem a cadeira presidencial de vários países da América do Sul.
Parecia que a hegemonia dos EUA nesse pedaço do seu eterno quintal estava ameaçada.
Rapidamente a máquina da geopolítica dos EUA se reinventou.
A meu ver o ensaio foi o Mensalão, processo amplamente manipulado pela Mídia e dominado pelo Judiciário. Lula escapou por pouco, mas o estrago na estrutura do PT foi imenso, sem que se conseguisse sequer arranhar o modus operandi do sistema político que permitiu ao país chegar aquele estado de coisas.
O primeiro caso de sucesso apoiou-se numa estrutura do sistema vigente, que fez de Lugo, no Paraguai, sua primeira vítima, num processo de impeachment em tempo recorde. (clique aqui para saber mais)
O impeachment da presidenta Dilma foi a coroação do processo (clique aqui para ler uma excelente análise do impeachment). Teve sua faceta institucional midiática, mas foi alimentado pelas redes sociais e, obviamente, contando com generoso patrocínio de “ONGs” estadunidenses. 
As grandes manifestações de 2013, que não eram só por conta dos R$ 0,20 do aumento da passagem dos coletivos, mas sim “contra tudo isso que está aí” foi o ponta pé inicial.
Não conseguiu impedir a reeleição da presidenta, mas foi fator determinante em tudo que se seguiu até o seu impedimento em 2016.
Fatos semelhantes, com pequenas variações, ocorreram na Argentina e no Equador.
Em 2007 publiquei nesse blog um texto sobre o tema:
As críticas que devem ser feitas ao governo Lula
São inúmeras as críticas que devem ser dirigidas ao atual governo.
Fisiologismo continua sinônimo de governabilidade.
Os praticantes da “democracia de resultados”, aquela que fornece cargos e acesso as negociatas com o dinheiro público, apossaram-se de boa parte da máquina pública.
O executivo mostra-se indeciso para enfrentar o poder da mídia golpista, dos monopólios e do sistema financeiro.
A distribuição da renda e melhoria do acesso aos bens públicos, como educação e saúde, são de uma timidez brutal ante as necessidades do país.
Ainda assim devemos tomar cuidado ao tecer essas críticas, pois corremos o risco de engrossar o caldo da direita raivosa.
Tenho consciência de equívocos cometidos pelo governo e pelo principal partido da base aliada, o PT, mas não consigo perder o temor do GOLPE!
Para ler o texto completo, acompanhado de uma análise de Marco Aurélio Weissheimer da Agência Carta Maior, é só clicar aqui.

8.1.19

Uma breve análise do período petista

Os governos Lula e Dilma trouxeram inúmeros benefícios ao povo brasileiro, mas pouco alteraram as causas estruturais da desigualdade social no Brasil.
Os rentistas continuaram nadando de braçada, não houve reforma agrária, portanto a concentração fundiária continuou nos mesmos patamares.
O ganho real do salário mínimo foi modesto, a diminuição da pobreza e da pobreza extrema, fato mais notável dos governos petistas, se deu por meio do Bolsa Família, por exemplo.
No campo educacional houve significativa expansão do ensino universitário federal e do acesso das camadas mais pobres da população por meio de inovações como o incremento do FIES, a criação do PROUNI e o ENEM como instrumento de ingresso, principalmente nas instituições federais.
O Nexo Jornal elaborou uma série de gráficos com indicadores do período. Reparem como a partir da reeleição de Dilma a coisa desanda. Clique aqui para ler.
Convém lembrar do papel do candidato derrotado, que não só torceu contra (leia aqui e aqui), mas desdobrou-se para impedir as ações de governo no Congresso e as tais pautas bombas (aqui e aqui) do Cunha e asseclas.
Claro que faltou habilidade política para Dilma contornar tudo isso e pesou sobremaneira a estratégia do PT de colocar-se sempre na defensiva, desde o período do Mensalão.

22.3.15

Impeachment não é a resposta à atual crise

Ao sugerir que a solução para a corrupção endêmica seja a saída de Dilma, manifestantes evidenciam seu raso entendimento do regime democrático no país, opina editor-executivo da DW Brasil
por Deutsche Welle — publicado 16/03/2015 10:27
*Por Rodrigo Rimon Abdelmalack, editor-executivo da DW Brasil

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas participar das manifestações convocadas para este domingo 15 por organizações diversas em dezenas de cidades do Brasil e do exterior. O objetivo da maioria: cobrar o impedimento da presidente, acusando-a de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.
E não pode ter sido coincidência a escolha desta data para exercer este precioso direito garantido pela Constituição, já que neste dia nossa jovem democracia completou seus 30 anos, após a posse de José Sarney na Presidência, em 1985.
Juntos, os três maiores grupos organizadores dos protestos têm apenas pouco mais de um milhão de seguidores no Facebook. Mas, nos dias que precederam os protestos, estes foram ganhando atenção, justamente por se tratar de um produto das redes sociais, oriundo de diversos setores da sociedade, diferentes entre si e, a princípio, independentes também de partidos políticos.
Em tempo, políticos de oposição correram a se pronunciar contra um impeachment. Por provocar um "aprofundamento do caos", como disse Marina Silva. Ou por ser comparável a uma bomba atômica, como polemizou FHC: "É para dissuadir, não para usar".
Fato é que a principal exigência formulada pelos manifestantes deixa um gosto amargo justamente nessa data simbólica. Ao concentrar as críticas apenas em Dilma Rousseff, mostram que pouco ou nada entendem do sistema político. E, ao sugerir que a solução para a corrupção endêmica seja um impeachment, evidenciam seu raso entendimento do regime democrático no país.
Não que não haja motivos para protestar. Os brasileiros têm toda razão ao achar que o enorme potencial do país está sendo desperdiçado. O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos, mas não consegue eliminar a fome. Conta com um território de dimensões invejáveis, mas é incapaz de realizar uma reforma agrária. Possui grandes reservas de petróleo, mas a reputação da Petrobras está arruinada. Tem algumas das maiores bacias hidrográficas do mundo, mas falta água nos centros urbanos. Minorias, entre elas indígenas e homossexuais, lutam por garantias elementares. Obras urgentes para garantir a infraestrutura nacional são interrompidas ou nem saem do papel.
Sobre esse cenário espalha-se ainda, como uma sombra, o novo moralismo, que carrega o debate político com discursos de ódio, potencializados, entre outros, pelo avanço da fração religiosa intolerante e pela falência do sistema educacional. E a corrupção, sempre a corrupção.
Agora, protestar contra a corrupção generalizada de olho apenas no Executivo e na figura da presidente ou é muita ingenuidade política ou faz parte de um jogo sujo condenável e nocivo ao desenvolvimento da democracia brasileira. Pois é no Legislativo que estão os principais acusados de tirar proveito dos esquemas de corrupção. Por que eles não são, também, alvos dos protestos?
Diante disso, só há uma resposta: Dilma Rousseff venceu eleições livres e diretas. E não há nenhuma prova de que tenha cometido irregularidades ou enriquecido ilicitamente.
Isso não significa que o eleitor deva baixar a cabeça e acatar seu distanciamento de muitas das promessas que a presidente fez durante a campanha para seu segundo mandato. É mais que justificado o ímpeto de tomar as ruas para cobrar o que foi vendido como programa de governo.
No entanto, o que me parece ser o objetivo oculto desses protestos é reverter o resultado recente das urnas. Não é para isso que existe o recurso do impeachment. Esse respeito Dilma merece, como presidente eleita.
Não esqueçamos que, se hoje todos podem ir às ruas protestar pacificamente, é porque muitos corajosos, como a própria Dilma Rousseff, lutaram pelo fim da ditadura militar. Lançar mão de um recurso tão drástico, que desestabiliza as estruturas democráticas e em última instância pode até expor o país novamente aos riscos de um golpe de Estado, é um gesto irresponsável, seja por convicção, seja por mera inocência política. 

Texto disponível no site da CartaCapital: http://www.cartacapital.com.br/politica/impeachment-nao-e-a-resposta-a-atual-crise-1191.html