24.2.12
23.2.12
Paulo Henrique Amorim racista? Claro que não...
Paulo Henrique Amorim fez um acordo na justiça para encerrar um processo que o Heraldo Pereira, jornalista da Globo, lhe movia em razão de ter sido chamado de "negro de alma branca" por PHA.
Quem domínio básico da língua portuguesa sabe o significado da expressão. Quer dizer que o "negro" em tela não se reconhece como tal, preferindo alinhar-se aos brancos, inclusive com posturas subservientes.
Sobre o ocorrido o jornalista Leandro Fortes, um dos melhores textos da imprensa brasileira, fez o texto que reproduzo abaixo:
Racista é a PQP, não PHA!
Paulo Henrique Amorim, assim como eu e muitos blogueiros e jornalistas brasileiros, nos empenhamos há muito tempo numa guerra sem trégua a combater o racismo, a homofobia e a injustiça social no Brasil. Fazemos isso com as poderosas armas que nos couberam, a internet, a blogosfera, as redes sociais. Foi por meio de pessoas como PHA, lá no início desse processo de abertura da internet, que o brasileiro descobriu que poderia, finalmente, quebrar o monopólio da informação mantido, por décadas a fio, pelos poderosos grupos de comunicação que ainda tanto fazem políticos e autoridades do governo se urinar nas calças. PHA consolidou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e muitos outros com humor, inteligência e sarcasmo, características cada vez mais raras entre os jornalistas brasileiros. Tem sido ele que, diuturnamente, denuncia essa farsa que é a democracia racial no Brasil, farsa burlesca exposta em obras como o livro “Não somos racistas”, do jornalista Ali Kamel, da TV Globo.
Por isso, classificar Paulo Henrique Amorim de racista vai além de qualquer piada de mau gosto. É, por assim dizer, a inversão absoluta de valores e opiniões que tem como base a interpretação rasa de um acordo judicial, e não uma condenação. Como se fosse possível condenar PHA por racismo a partir de outra acusação, esta, feita por ele, e coberta de fel: a de que Heraldo Pereira, repórter da TV Globo, é um “negro de alma branca”.
O termo é pejorativo, disso não há dúvida. Mas nada tem a ver com racismo. A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo, é a expressão angustiada de muitos que militam nos movimentos negros contra aqueles pares que, ao longo dos séculos, têm abaixado a cabeça aos desmandos das elites brancas que os espancaram, violentaram e humilharam. O “negro de alma branca” é o negro que renega sua cor, sua raça, em nome dessa falsa democracia racial tão cara a quem dela usufrui. É o negro que se finge de branco para branco ser, mas que nunca será, não neste Brasil de agora, não nesta nação ainda dominada por essa elite abominável, iletrada e predatória – e branca. O “negro de alma branca” é o negro que foge de si mesmo na esperança de ser aceito onde jamais será. Quem finge não saber disso, finge também que não há racismo no Brasil.
Recentemente, fui chamado de racista por um idiota do PCdoB, partido do qual sou, eventualmente, eleitor, e onde tenho muitos amigos. Meu crime foi lembrar ao mundo que o vereador Netinho de Paula, pagodeiro recentemente convertido ao marxismo, havia espancado a esposa, em tempos recentes. E que havia dado um soco na cara do repórter Vesgo, do Pânico na TV. Assim como PHA agora, fui vítima de uma tentativa primária de psicologia reversa cujo objetivo era o de anular a questão essencial da discussão: a de que Netinho de Paula era um espancador, não um negro, informação esta que sequer citei no meu texto, por absolutamente irrelevante. Da mesma forma, Paulo Henrique Amorim se referiu a Heraldo Pereira como negro não para desmerecer-lhe a cor e a raça, mas para opinar sobre aquilo que lhe pareceu um defeito: o de que o repórter da TV Globo tinha “a alma branca”, ou seja, vivia alheio às necessidades e lutas dos demais negros do país, como se da elite branca fosse.
Não concordo com a expressão usada por PHA. Mas não posso deixar de me posicionar nesse momento em que um jornalista militante contra o racismo é acusado, levianamente, de ser racista, apenas porque se viu na obrigação de fazer um acordo judicial ruim. Não houve crime, sequer insinuação, de racismo nessa pendenga. Porque se pode falar muita coisa sobre Paulo Henrique Amorim, menos, definitivamente, que ele é racista. Qualquer outra interpretação é falsa ou movida por ma fé e vingança pessoal de quem passou a ser obrigado, desde o surgimento do blog “Conversa Afiada”, a conviver com a crítica e os textos adoravelmente sacanas desse grande jornalista brasileiro.
30.1.12
Ainda existe emoção
Tenho certeza de que 2012 não será o fim do ano, mas, às vezes, parece que tem uma galera que quer fazer um ensaio de fim de mundo.
A desocupação do Pinheirinho - em São José dos Campos - foi um exemplo desses ensaios.
Abaixo uma matéria da Record News.
Impossível não se emocionar.
26.1.12
Presidenta Dilma se solidariza com vítimas do Rio de Janeiro
Hoje no Blog do Planalto foi publicada a seguinte nota:
Uma ação ilegítima dos jagunços PMs, autorizada por juízes mentecaptos e comandados pelo fascista que governa o Estado, não foi condenada como deveria!
Isso significa apoio? É concordância ou omissão?
Pobres perderam suas moradias e seus pertences, foram agredidos e humilhados por homens armados.
Nenhuma palavra da presidenta Dilma! Isso me decepciona muito!
Presidenta Dilma manifesta solidariedade às vítimas de desabamento no Rio
A presidenta Dilma Rousseff manifestou solidariedade à população do Rio de Janeiro e aos familiares das vítimas do desabamento de três prédios do centro da capital fluminense. Em Porto Alegre, a presidenta afirmou que está em contato com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.
Seria muito pedir à presidenta que ele fizesse algo semelhante com relação a desocupação do Pinheirinho em SJC?“Eu tenho certeza que a população gaúcha se une a mim para se solidarizar com a população carioca. Eu acompanhei no dia de hoje com o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral todo o esforço que o município e o estado estão fazendo e transmiti a eles meus sentimentos e a esperança de que as pessoas sejam encontradas com vida.”
Uma ação ilegítima dos jagunços PMs, autorizada por juízes mentecaptos e comandados pelo fascista que governa o Estado, não foi condenada como deveria!
Isso significa apoio? É concordância ou omissão?
Pobres perderam suas moradias e seus pertences, foram agredidos e humilhados por homens armados.
Nenhuma palavra da presidenta Dilma! Isso me decepciona muito!
24.1.12
Pinheirinho: revolta e impotência
Fonte: G1
Fazia tempo que um episódio não despertava tantos sentimentos confusos como este do Pinheirinho.
Falta-me clareza para refletir, mas sobra dor para um desabafo.
É como se a tal desocupação coroasse a tragédia social na qual se transformou o governo do estado de São Paulo, um verdadeiro Tucanistão, como escreveu alguém no tuiter outro dia.
Outros estados de federação experimentaram alternância dos partidos na condução dos seus governos, menos São Paulo. É o mesmo grupo desde 1982, com algumas dissidências.
E não se trata de pragmatismo, mas sim de uma violência gratuita, de um desprezo pelos pobres e pelos indefesos que nos faz lembrar a ditadura militar.
É pura ideologia: defesa intransigente da propriedade privada, mesmo quando o proprietário é um notório salafrário, apoio a especulação imobiliária, enfim, NEOLIBERLISMO a toda prova!
São vários episódios, que marcam essa estratégia de castração da palavra e do pensamento.
Na USP começou pelo processo de escolha do Adolf Rodas e culminou com a ocupação policial do campus.
A limpeza da cracolândia mistura o desastre estadual com o municipal. Temendo uma ação do governo federal, adiantaram-se num show de violência, incompetência e desumanidade sem par.
Agora o Pinheirinho, em São José dos Campos.
O executivo, tanto o estadual como o municipal, aliado ao judiciário fez de um bairro pobre um lugar de terror e medo.
Não vou aqui contar a história, parte da imprensa o fez com competência.
Clique aqui para sentir um pouco do que foi o domingo de sangue de São José dos Campos. Aqui um brilhante texto do Rodrigo Martins, mostrando que o despacho do judiciário paulista orientava para o enfrentamento com a Polícia Federal. Aqui você pode ler um pouco da “justificativa” para a reintegração do Pinheirinho. Mais um pouco da história pode ser lida aqui.
Protegida pelos acordos entre executivo e judiciário a PM mostrou toda a sua selvageria. Bateu à vontade. Censurou a imprensa. Segregou e marcou com fitas azuis os moradores, talvez lição aprendida com os nazistas nos guetos da 2ª Guerra Mundial.
Abaixo links para alguns vídeos sobre o episódio:
Não sei como posso contribuir para que tais coisas não aconteçam.
Não sei o que fazer neste instante. Isso me entristece e exaspera.
17.1.12
Posso ser do contra?
Saiu um artigo no site da CartaCapital – leia aqui – criticando aqueles que criticam o BBB. É uma peça um tanto quanto sacripanta, pois embola e empacota coisas diferentes na mesma embalagem.
A crítica ao clichê é correta, nisso o texto está coberto de razão.
Às vezes, a forma como a crítica ao BBB“n” é feita lembra-me o machismo dos anos 70, quando os homens desancavam as novelas, mas sempre davam uma boa espiada. Ou quando a classe média nutria grande desprezo - com certo verniz intelectual - pela programação da TV, mas estava sempre por dentro de tudo, alegando que via, de soslaio, na TV da empregada.
Eu também não gosto de clichês, mas não suporto modismos e pouco apreço tenho pelas peças da TV aberta. Quanto aos shows "realísticos", começados com a Casa dos Artistas no SBT do Sílvio Santos, meu desprezo é maior ainda.
Não consigo compreender de onde vem a satisfação das pessoas, algumas até com boas doses de inteligência, em apreciar a vida dos outros, ainda mais uma vida encenada, coreografada e bizarra na maioria das vezes. E ainda tem gente que paga por isso nos canais de TVs fechados.
Talvez a psicanálise explique. Ou não.
Podem me chamar de chato, mas passo ao largo das discussões sobre isso, uma vez que já me manifestei com veemência contra esta merda, pouco me importa se houve estupros, bebedeiras ou bacanais.
Não assisto. Meu filho, na minha casa, não assiste.
Outro dia, respondendo a uma onda de reclamações no tuiter e facebook sobre o tema, sugeri alguns sites para baixar filmes de excelente qualidade. Assim as pessoas podem ocupar melhor o seu tempo e, ao mesmo tempo, evitar importunar as pessoas adeptas de nova modalidade de voyeurismo.
Se levarmos o texto de autoria do Matheus Pichonelli ao pé da letra, deveremos, a partir de agora, seguir todas as ondas, guiarmo-nos pelo rumo da boiada. Gostar de MPB não é bacana, bacana mesmo é curtir Michel Teló ou Restart. Frida Kahlo deve ser renegada como o diabo, talvez trocada por uma popozuda da hora.
Para o meu gosto pessoal a TV deveria cumprir outro papel, principalmente num país tão grande como o nosso e tão desconhecido da maioria de nós. A minha TV ideal teria pouco espaço para enlatados, mesmo que produzidos aqui, teria muita educação, música e dramaturgia, espaços para manifestações regionais, além de estimular a participação política e auxiliar nos cuidados com a saúde da população.
Por outro lado, as pessoas têm o direito de assistir, ler, ouvir o que bem entenderem, mesmo que seja a coroação da futilidade e da imbecilidade, desde que preservem o direito dos outros a opção diversa, mesmo que essa opção seja um Chico Buarque, Tarsila do Amaral ou Hitchcock.
13.1.12
Cais - Elis Regina
Ela é perfeita como intérprete. Sua voz vai até a alma, emociona, lava, leva aos céus. A música brasileira é muito rica em vozes femininas. Mas Elis Regina é soberba!
22.12.11
6.12.11
29.11.11
19.11.11
18.11.11
Vazamento no RJ: Chevron é a responsável
A mídia começou a se manifestar ontem sobre esse vazamento, se fosse a Petrobras já teria uma galera produzindo marchas com vassouras e outros fazendo vídeo do tipo "Gota de óleo"...
Fonte: Último Segundo - Ciência
1.11.11
Maria Inês: Guia de boas maneiras na política e no jornalismo
Segue um brilhante texto da Maria Inês Nassif, abordando o tratamento que Lula recebeu de parte da imprensa e de seus adversários políticos, quando da divulgação do câncer que o afeta.
Fiquei entristecido com comentários, principalmente no Facebook, de ex-alunos, pessoas com elevado nível de escolarização, partidarizando a doença. Lamentável!
Fiquem com o texto:
Maria Inês: Guia de boas maneiras na política e no jornalismo
do Vermelho.org.br
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.
Por Maria Inês Nassif, em Carta Maior
A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.
Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.
A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.
A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.
A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião têm a obrigação de disseminar esses valores.
A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.
No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.
* Maria Inês Nassif é colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo
Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=167668&id_secao=1
23.10.11
Caco Barcelos e o bom jornalismo
Caco Barcelos é genial! Ele não combina com a Globo, sempre que posso vejo Profissão Repórter. Vejam a aula de jornalismo que ele dá num programa da Globo News:
14.10.11
Não suporto o horário de verão
Inferno!
Santo desconforto! Será que isso compensa mesmo?
Tenho minhas dúvidas quanto à eficácia dessa mudança de horário.
Segundo li no portal Terra (é só clicar aqui para ler também), o horário de verão pode reduzir a produtividade, além de causar outros males, a depender do indivíduo. Alguém já mediu o custo disso?
Segundo nos informa a Wikipédia a ideia brilhante foi de Benjamin Franklin em 1784, mas não conseguiu convencer ninguém da utilidade da proposta – ressalte-se que nem mesmo existia luz elétrica.
Já a Divisão Serviço de Hora nos diz que a ideia foi do britânico William Willett em 1907.
Com todo respeito a ambos, deveriam ter ficado quietos!
Ainda segundo a mesma fonte, o primeiro país a usar do artifício foi a Alemanha durante a 1ª Guerra Mundial, tendo em seguida espalhado a “moda” para a Europa.
No Brasil o horário de verão foi utilizado pela primeira vez em 1931 e, pasmem, aplicado em todo o território nacional, mesmo naquela vasta porção que fica próxima a linha do Equador, portanto com ótima iluminação solar durante todo o ano.
Os defensores desse horário dos domínios das trevas usam argumentos como estes:
- 1% de economia de energia
- EUA e Europa também se utilizam
- redução significativa de consumo no horário de pico
Então por partes:
- será que os prejuízos (produtividade, acidentes de trânsitos, transtornos de saúde etc.) não são maiores do que este 1%?
- EUA e Europa estão fora da Zona Intertropical, portanto a diferença de insolação é substancialmente maior do que no nosso país, tal comparação não se justifica.
- se assim é, então por que não mudamos os horários dos diversos setores de atividade urbana, como comércio, banco, indústria etc., fazendo com haja um “descongestionamento” do tal horário de pico? Isso para sempre, e não apenas no horário de verão.
Eu não suporto tal mudança. Mais de um mês para entrar no ritmo novo e, assim que me acostumo, já está na hora de voltar ao ritmo antigo!
Além do tal horário de verão começar em plena primavera...
PS: esse texto foi publicado em 18.10.09.
12.10.11
11.10.11
Liberdade de expressão: valor inquestionável para o exercício da cidadania
Vagarosamente vamos-nos acostumando a democracia.
Um valor inquestionável para as práticas democráticas – e, principalmente, para o exercício da plena cidadania – é a liberdade de expressão.
Na Constituição de 1988 está escrito (Dos Direitos e Garantias Fundamentais – CAPÍTULO I – DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS):
“IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
Hoje presenciamos na mídia uma série de questionamentos quanto aos limites para esta liberdade – impostos por lei ou exigidos por parcela da sociedade para as tais liberdades.
No tocante a questão legal salta aos olhos o impedimento imposto ao jornal O Estado de São Paulo de mencionar as investigações que envolvem a família Sarney. De maneira equivocada o jornal trata o episódio como censura. É uma restrição jurídica.
Com relação às manifestações da sociedade sobre tais limites temos dois casos que considero emblemáticos: o episódio envolvendo Rafinha Bastos e a regulamentação da mídia.
Vamos tratá-los separadamente.
Rafinha Bastos, integrante da trupe que executa o tal stand up comedy – e tratam disso como se tivessem inventado a roda – foi extremamente grosseiro num comentário sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo (clique aqui para ver e ouvir a preciosidade). Aliás, foi apenas mais uma grosseria, dentre as várias outras cometidas por este moço, seja em rede nacional, no programa de TV ou nos seus shows. Piadas de cunho nazifacistóide são comuns no seu repertório.
Só que desta vez ele mexeu com a “minoria” errada: ricos e famosos com poder comercial na TV.
Marcus Buaiz, marido de Wanessa e sócio do Ronaldo Fenômeno, intercedeu junto à emissora de TV que emprega o boçal. Até o momento a notícia que corre é que ele se encontra afastado do programa.
Observem que o afastamento não se dá por conta da piada de mau gosto cometida pelo infante, mas sim pelo alvo que ele escolheu. Tal alvo tem poder de fogo na mídia e por isso o escarcéu.
Programas de TV como o CQC me irritam profundamente. Ora são humoristas, fazendo piadas, ora são jornalistas trabalhando com informação. A versão varia de acordo com a conveniência.
Por essas e outras, se faz necessário uma regulamentação para o funcionamento da mídia. Não é censura, é limite para o poder que a mídia tem, de maneira a garantir justiça e equidade no tratamento dos indivíduos em todos os órgãos de imprensa.
Os dispositivos constitucionais não foram suficientemente regulamentados, permanecem várias lacunas.
Basta lembrar o caso da Escola Base em São Paulo. Vidas foram destruídas, reputações destroçadas e negado o direito ao trabalho a partir da ação inconseqüente de uma autoridade – um delegado – e a divulgação feita pela TV, Rádio, Jornal e Revistas, do episódio. Para recordar o fato clique aqui.
Poderia listar vários outros exemplos, inclusive no campo da manipulação política, como foi o caso da edição do debate entre Collor e Lula na TV Globo nas eleições de 1989. Clique aqui para lembrar.
Ou ainda os artigos que pipocaram na mídia – com particular destaque para a Folha de S.Paulo e a sua colunista Eliane Catanhede – anunciando bombasticamente uma epidemia de febre amarela no país e sugerindo que as pessoas corressem ao posto de saúde mais próximo para se vacinar. Leia aqui sobre isso.
A punição no primeiro caso – Escola Base – demorou décadas. Os envolvidos pagam caro até hoje pela irresponsabilidade da mídia nativa.
Não vou nem falar da revista Veja, mas vejam aqui capas “brilhantes” desta semanal, que transforma mentira e fofoca em jornalismo.
Precisamos de intervenções legais para garantir a isonomia na liberdade de expressão, além de fazer com que descalabros como estes mencionados sejam seriamente apenados, inclusive com indenizações pesadíssimas, similares aquelas praticadas na imprensa europeia ou estadunidense.
Devem ser punidos os veículos e os executores, os profissionais não podem ficar impunes, alegando estrito cumprimento do dever e respeito à hierarquia. Tal argumento não colou nos tribunais argentinos, quando os oficiais de baixa patente tentaram usá-lo para safar-se das punições pelos crimes cometidos na ditadura.
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