26.7.13

O Estado laico é indispensável para uma sociedade justa.

Vou aproveitar o final de férias e esse frio congelante aqui de Guarulhos para fazer uma confissão a vocês: eu já fui religioso! Sim, católico apostólico romano! Inclusive passei alguns dias recluso num seminário em Uberaba (MG), quando tinha pouco mais de 14 anos, preparando-me para abraçar o sacerdócio, no caso via Maristas.
A curiosidade e a chatice - não sei se repararam mas sou chato -, evitaram que tomasse tal caminho.
Comecei por questionar o pecado original e depois o celibato. Perante a resposta de que tais princípios pertenciam ao conjunto de dogmas da Igreja e, sendo dogma, não se questiona, desencanei.
Ao voltar para Varginha (MG) cidade onde morava, passei a observar as Igrejas. A nova matriz estava quase pronta, linda, feita em concreto aparente, com ar condicionado, piso maravilhoso etc. e tal. 
Notei que quando chovia a Igreja era fechada. Quando perguntei ao "zelador" a razão de tal acontecer, ele me explicou que era para evitar que os transeuntes, molhadas, danificassem a Igreja. No frio intenso também estava fechada. 
Percebi então que era um hábito de todos os templos, fosse qual fosse a religião.
A única exceção a essa regra era o centro espírita kardecista, que ficava próximo ao estádio de futebol. Lá funcionava uma escola municipal durante o dia, em algumas noites os médicos atendiam gratuitamente, tinha curso de teatro para comunidade, havia vida e práticas solidárias naquela edificação.
Comecei a questionar as religiões e a necessidade delas para a minha vida.
Ao estudar o socialismo com mais afinco, principalmente quando voltei para São Paulo aos 18 anos, desliguei-me completamente de qualquer tipo de crença, embora tenha muita simpatia pelas religiões de matriz africana.
Digo isso para esclarecer a minha insistência em propagar via redes sociais a necessidade do Estado laico.
Existem questões que são de responsabilidade do Estado, chamamos de políticas públicas e que não podem servir a esta ou aquela confissão religiosa, crença ou não crença.
Por exemplo: a educação sexual. Ela tem que ser concebida para a formação dos cidadãos, já o que diz respeito a "moral religiosa" deve ser tratado no âmbito da Igreja e da família, sem nenhuma ingerência do poder público, desde que respeitadas as leis vigentes.
Dentro da questão da educação sexual aparecem dois outros temas muito delicados: orientação sexual e aborto.
Ambos dizem respeito ao indivíduo e cabe ao Estado, nas suas políticas públicas, trazer informações que preservem a saúde e os direitos civis. Não cabe ao Estado determinar a orientação sexual de um indivíduo, muito menos proibi-la. Cabe a ele garantir segurança jurídica para a escolha feita pelos indivíduos.
Também não é o Estado que deve dizer à mulher que ele deve abortar ou não. Muito menos cabe às Igrejas determinar o que o Estado deve dizer a essa mulher. Cabe ao Estado garantir que esse direito, respeitadas as convenções médicas e éticas, possa ser exercido por aquela mulher que assim o desejar.
Ao aborto precede uma boa educação sexual, para que o jovem decida o melhor momento para exercitar a sua sexualidade de forma responsável. Disso faz parte o acesso aos métodos contraceptivos modernos e eficientes, que o Estado deve garantir também.
Às igrejas cabe fazer a cabeça dos seus fiéis, expressar publicamente suas opiniões, mas não podem interceder nas políticas do Estado.
Percebam que defender o Estado laico não é defender o Estado ateu, mas sim um Estado que seja tolerante com todas as religiões e crenças, inclusive com a ausência delas.


18.7.13

Espionagem dos EUA no Brasil

Outro dia escrevi no Facebook que essa história de espionagem dos EUA no Brasil só era novidade para os leitores de Veja e congêneres. Os leitores da CartaCapital já sabiam disso desde os anos de 1990, ou seja, desde o século passado.
Uma série de matérias de autoria do jornalista Bob Fernandes tratou das estripulias do tio sam por aqui por longo espaço de tempo, além de contar com ótima documentação e registros fotográficos.
Hoje o jornalista - o melhor texto do país na minha modesta e insignificante opinião - publicou no seu blog, matéria tratando do tema e, mais importante, com a capa das edições e links para as matérias.
Sensacional! Tanto para quem leu à época e quer recordar, quanto para aqueles que teimam em navegar nas trevas da grande mídia comercial brasileira.
Deleitem-se:
Como os EUA espionaram o Brasil

17.6.13

R$ 0,20?



O estopim das manifestações em São Paulo foi o aumento da passagem de ônibus. Não que o valor do aumento seja exorbitante, mas a qualidade do transporte e o seu preço são coisas de arrepiar, verdadeiro desrespeito com os seres humanos.
A reação violenta da Polícia Militar de São Paulo só fez aumentar as manifestações. Nos dois primeiros dias, quando o “poder” de fogo se voltava apenas contra os manifestantes, a mídia os deplorava, mas quando as balas de borracha começaram a atingir jornalistas, aí a coisa ficou séria.
Em apenas um dia a Folha de S. Paulo contou 15 jornalistas atingidos. Outros foram presos. A prisão mais absurda foi a do repórter da CartaCapital, que portava um perigoso frasco com vinagre!
Isso mesmo, os imbecis que comandam a “puliça” transformaram vinagre em arma letal!
Nós, os militantes de outras gerações, passamos a perguntar: quem são esses jovens e o que querem realmente?
Parece-me que nem eles mesmos têm a resposta. É como se a gente vivesse um momento de explosão de descontentamento. Faltam representatividade e expressão política para tanto descontentamento.
O PT, que esteve à frente de tantas manifestações importantes desde o seu nascedouro, está muito ocupado com a administração e com a governabilidade. Não representa mais essa juventude sedenta por um país melhor e mais justo.
Hoje, durante a gigantesca e linda manifestação, muitos se revoltavam com as bandeiras dos partidos de esquerda, como o PSTU e PSOL, deixando claro que o movimento não tem dono e nem é representado por nenhum partido.
As causas parecem difusas e, às vezes, confusa. No andar da carruagem todos querem carona e muitos se aproveitam, mas quando descobertos são rejeitados.
Quem dará direção política a esse movimento? Até onde pode chegar o poder dessa mobilização? E os oportunistas da direita raivosa, já começaram a chamar pelos milicos?
De tudo que vi até agora:
1 – “a praça é do povo”, o direito à livre manifestação tem que ser garantido a qualquer custo!
2 – a violência da PM paulistana foi desproporcional. Claro está que o serviço reservado atuou, os nossos deputados estaduais devem ter vergonha na cara e chamar os servidores públicos – seja coronel ou secretário de governo – para dar explicações e investigar mais esse desmando.
3 – a mídia também tem que pagar o preço do seu comportamento raivoso dos primeiros dias. A partidarização do Marcelo Rezende (Rede Record) e Datena (Rede Bandeirantes) não pode ficar impune.
4 – a participação dos partidos políticos é legítima, a manipulação dos eventos não! “Precisamos estar atentos para ver emergir a qualquer momento o monstro do fundo da lagoa”.
5 – é papel dos ativistas e militantes da blogosfera esclarecer, numa batalha constante com a mídia convencional, todos os eventos que brotam em cada manifestação.
6 – é urgente que políticos progressistas, como o prefeito Fernando Haddad e a presidenta Dilma, se manifestem com veemência, defendendo as manifestações, até por uma atitude de coerência com o passado e a história deles.
7 – por fim deixo para vocês um link que recebi no facebook e que diz muito desse momento histórico que estamos vivendo:

17.4.13

Tráfico de órgãos em MG - sobre isso a mídia grandona não dá manchete!

“Querem trocar juiz após vir à tona nome de tucano acusado de traficar órgão”

publicado em 17 de abril de 2013 às 13:12
Paulinho, então com 10 anos, foi sedado e teve os órgãos retirados quando ainda estava vivo
A dor de Paulo Pavesi
por Leandro Fortes, em CartaCapital 
Sozinho, escondido em Londres, na Inglaterra, depois de ter conseguido asilo humanitário na Itália, em 2008, o analista de sistemas Paulo Pavesi se transformou no exército de um só homem contra a impunidade dos médicos-monstros que, em 2000, assassinaram seu filho para lhe retirar os rins, o fígado e as córneas.
Paulo Veronesi Pavesi, então com 10 anos de idade, caiu de um brinquedo no prédio onde morava, e foi levado para a Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas, no sul de Minas, onde foi atendido pelo médico Alvaro Inhaez que, como se descobriu mais tarde, era o chefe de uma central clandestina de retirada de órgãos humanos disfarçada de ONG, a MG Sul Transplantes. Paulinho foi sedado e teve os órgãos retirados quando ainda estava vivo, no melhor estilo do médico nazista Josef Mengele.
Na edição desta semana de CartaCapital, publiquei uma reportagem sobre o envolvimento do deputado estadual Carlos Mosconi (PSDB) com a chamada “Máfia dos Transplantes” da Irmandade Santa Casa de Poços de Caldas.
Mosconi, eleito no início do ano, pela quarta vez consecutiva, presidente da Comissão de Saúde (!) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, foi assessor especial do senador Aécio Neves (PSDB-MG), quando este era governador do estado. Aécio o nomeou, em 2003, presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMG), à qual a MG Sul Transplantes, idealizada por Mosconi e outros quatro médicos ligados á máfia dos transplantes, era subordinada.
As poucas notícias que são veiculadas sobre o caso, à exceção da matéria de minha autoria publicada esta semana, jamais citam o nome de Carlos Mosconi. Em Minas Gerais, como se sabe, a imprensa é controlada pela mão de ferro do PSDB. Nada se noticia de ruim sobre os tucanos, nem quando se trata de assassinato a sangue frio de uma criança de 10 anos que teve as córneas arrancadas quando ainda vivia para que fossem vendidas, no mercado negro, por 1,2 mil reais. Nada.
Esse silêncio, aliado à leniência da polícia e do judiciário mineiro, é fonte permanente da dor de Paulo Pavesi. Mas Pavesi não se cala. De seu exílio inglês, ele nos lembra, todos os dias, que somos uma sociedade arcaica e perversa ao ponto de proteger assassinos por questões políticas paroquiais.
Como sempre, a velha mídia nacional, sem falar na amordaçada mídia mineira, não deu repercussão alguma à CartaCapital, como se isso tivesse alguma importância nesses tempos de blogosfera e redes sociais.
Pela internet, o Brasil e o mundo foram apresentados ao juiz Narciso Alvarenga de Castro, da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas. Em de 19 de fevereiro desse ano, ele condenou quatro médicos-monstros envolvidos na máfia: João Alberto Brandão, Celso Scafi, Cláudio Fernandes e Alexandre Zincone. Eles foram condenados pela morte de um trabalhador rural, João Domingos de Carvalho.
Internado por sete dias na enfermaria da Santa Casa, entre 11 e 17 de abril de 2001, Carvalho, assim como Paulinho, foi dado como morto quando estava sedado e teve os rins, as córneas e o fígado retirados por Cláudio Fernandes e Celso Scafi. Outros sete casos semelhantes foram levantados pela Polícia Federal na Santa Casa.
Todos os condenados são ligados à MG Sul Transplantes. Scafi, além de tudo, era sócio de Mosconi em uma clínica de Poços de Caldas, base eleitoral do deputado. A quadrilha realizava os transplantes na Santa Casa, o que garantia, além do dinheiro tomado dos beneficiários da lista, recursos do SUS para o hospital. O delegado Célio Jacinto, responsável pelas investigações da PF, revelou a existência de uma carta do parlamentar na qual ele solicita ao amigo Ianhez o fornecimento de um rim para atender ao pedido do prefeito de Campanha (MG). A carta, disse o delegado, foi apreendida entre os documentos de Ianhez, mas desapareceu misteriosamente do inquérito sob custódia do Ministério Público Estadual de Minas Gerais.
Ontem, veio o troco.
A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu as audiências que aconteceriam de hoje, 17 de abril, até sexta-feira, 19 de abril, para se iniciar, finalmente, o julgamento do caso de Paulinho. Neste processo, estão sendo julgados, novamente, Cláudio Fernandes e Celso Scafi, além de outros acusado, Sérgio Poli Gaspar.
De acordo com a assessoria do TJMG, o cancelamento se deu por conta de uma medida de “exceção de suspeição” contra o juiz Narciso de Castro impetrada pelo escritório Kalil e Horta Advogados, que defende Fernandes e Scafi. A defesa da dupla, já condenada a penas de 8 a 11 anos de cadeia, argumenta que o juiz teria perdido a “necessária isenção e imparcialidade” para apreciar o Caso Pavesi.
Ou seja, querem trocar o juiz, justo agora que o nome do deputado Carlos Mosconi veio à tona.
Eu, sinceramente, ainda espero que haja juízes – e jornalistas – em Minas Gerais para denunciar esse acinte à humanidade de Paulo Pavesi que, no fim das contas, é a humanidade de todos nós.
Leia também:
Leandro Fortes: Tucano é acusado de tráfico de órgãos

Fonte: Vi o mundo

27.2.13

A enviada do Tio Sam



A mídia conservadora teve um prato cheio na última semana: a visita de Yoani Sanchés! A Veja e seus congêneres lavaram a alma. Alguns camaradas da esquerda ainda deram uma força para a mercenária ao impedi-la de falar.
Poderiam tê-la deixada falar livremente e enredá-la em suas contradições e mentiras, que, diga-se de passagem, são inúmeras.
Falta-lhe densidade intelectual e representatividade entre os opositores do regime cubano. É uma deslumbrada que alegava a impossibilidade de sair de Cuba, mas morou 2 anos da Suíça.
Faz tempo coloquei o link do blog dela no meu. Basta olhar ao lado na seção “Soy loco por ti América”. Claro que tomei o cuidado de linkar outros que a contestam. É assim que se faz a informação circular, regrinha básica que a nossa mídia não segue: dar voz aos dois lados!
Aliás, quem ouviu os dois lados neste caso? A grande mídia acusa aqueles de esquerda por impedir a tal de falar, mas deram voz aos seus opositores? Claro que não!
Sob o meu ponto de vista ela é apenas uma figura insignificante do ponto de vista intelectual e político, uma pessoa com muito dinheiro que se coloca contra o seu país e o seu povo, não merece o meu respeito.
Críticas cabem aos montes à Ilha, mas para fazê-las tem que ter moral e responsabilidade, começando por reconhecer suas conquistas.
Sobre a visita da fanfarrona leiam:
Veja (Nojo!)

14.1.13

Corrupção não é só política

Excelente o texto do Le Monde.

Mais além da corrupção

por Silvio Caccia Bava

Vamos começar pelo começo: a corrupção é inaceitável e deve ser combatida em todas as suas formas; seus atores – passivos e ativos – precisam ser punidos. A sociedade como um todo vê seus impostos serem desviados, dilapidados, mal geridos. É preciso mais democracia e mais controle público e social para coibir essas práticas, que são tradicionais na história brasileira.
A corrupção assume as mais diversas formas e é como o cupim, penetra em todas as instituições e as corrói por dentro, minando sua legitimidade, sua capacidade de cumprir objetivos sociais e econômicos. Talvez possamos identificar que essas práticas se generalizam no período autoritário, quando a coisa pública era vista como propriedade dos governantes, mas seguramente ela é mais antiga − remonta aos coronéis e às oligarquias descritas, por exemplo, por Jorge Amado. É preciso reconhecer que ela está presente em todos os níveis de governo: municipal, estadual e federal; no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Ameaça constantemente a democracia, o bem-estar e a qualidade de vida da população.
Isso é verdade tanto para os banqueiros que sonegam impostos e as empresas que trabalham com caixa dois ou dão propinas para ganhar uma licitação como para o funcionário público que vende facilidades, o policial que extorque o narcotráfico e lhe dá proteção, o juiz que vende uma sentença ou a ONG que desvia recursos. A rigor, todos deveriam ser processados e, caso se verifique o crime, cumprir a pena.
Por que então há casos de corrupção que se destacam mais que outros? Por que o mensalão ocupou tão intensamente os jornais durante o período da recente campanha eleitoral, e as denúncias contidas no livro Privataria tucana, de Amaury Ribeiro, não prosperaram? Por que a CPI do Cachoeira termina agora sem indiciar ninguém apesar da fartura de provas? Por que ONGs e movimentos sociais são criminalizados, como se fossem meros aparelhos criados para o desvio de recursos? A essas perguntas, para não sermos ingênuos, temos de acrescentar outra: quem são os atores dessas denúncias?
As acusações de corrupção estão sendo usadas para atacar um campo político. O MST já foi vítima desses ataques, as ONGs também, ainda que a própria CPI das ONGs declare que a grande maioria das entidades sem fins lucrativos sejam honestas e realizem importantes trabalhos sociais. No campo dos partidos políticos, o PT está sob fogo cerrado. E quem são os acusadores? A linha de frente desses ataques, se podemos dizer assim, é composta dos grandes jornais, sendo suas “informações” depois repassadas, de forma mais simplificada, pelos telejornais. De forma menos evidente, vemos o PSDB e outros partidos conservadores atuarem nesse mesmo sentido e tomarem iniciativas (todas elas sempre legítimas) como a constituição da CPI das ONGs, criada para apurar denúncias.
Vale lembrar que o Greenpeace, quando subiu os rios da Amazônia com seu barco e denunciou a ação das madeireiras clandestinas no desmatamento da região, mereceu uma campanha orquestrada pelos empresários afetados, com direito a outdoors e passeatas de seus funcionários em Belém, na qual defendiam a Amazônia para os brasileiros e a expulsão da ingerência internacional na região, expressa naquele momento por essa ONG.
Mais do que o combate à corrupção, o grande objetivo desses setores conservadores parece ser desqualificar e criminalizar seus opositores, criando uma imagem pública do conjunto de entidades e movimentos sociais, assim como do PT, e mesmo da pessoa de Lula, a partir de situações que poderiam muito bem ser identificadas nos líderes mais destacados da oposição.
A corrupção é um instrumento das elites que utiliza de seus recursos privados para influenciar as políticas públicas em seu favor, permitindo também a apropriação privada dos recursos públicos e a reafirmação e o aprofundamento das desigualdades. Ela é constitutiva mesmo do nosso modelo precário de democracia. Sem corrupção não há privilégio.
E fica a pergunta: mas se no governo Lula nunca os banqueiros ganharam tanto; no governo Dilma nunca as grandes empresas tiveram tamanho apoio, seja por meio dos financiamentos do BNDES ou de políticas de isenção tributária; se nos últimos anos os grandes meios de comunicação tiveram o maior volume de verbas de propaganda do governo federal, então por que os principais meios de comunicação e os principais partidos conservadores estão movendo essas campanhas?
Em uma análise do governo Lula, André Singer aponta a inclusão social e a entrada em cena de novos atores políticos como a razão desses conflitos. Essas são mudanças estruturais que desequilibram a balança do poder. Tomemos como exemplo a população empobrecida do Nordeste, antes fiel aos coronéis da região, numa relação de dependência que perpetuava o ciclo da desigualdade e da pobreza. Ela passou a engrossar o apoio a Lula e às políticas de resgate da cidadania, o que esse cientista político identifica como lulismo, um deslocamento que tende a se consolidar nos próximos anos. Isso as elites não podem tolerar.
Enfrentar a corrupção é também enfrentar o domínio da máquina pública pelas elites em todos os níveis de governo, é combater o privilégio, é lutar pela transparência e ter o controle social da máquina pública. Para fazer tudo isso é preciso desmontar os atuais mecanismos que asseguram o poder para essas elites. Entra na agenda a reforma política, a luta contra o monopólio dos meios de comunicação. Mas uma reforma política com tal envergadura não passaria no nosso Congresso...

Silvio Caccia Bava

Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil

6.1.13

Feliz 2013!

Reproduzo abaixo a mensagem que mandei aos amigos e as amigas pelo Facebook e email, caso alguém não tenha recebido a culpa foi de uma dessas tecnologias:


5.1.13

Mais uma chacina em SP - a 1ª de 2013.

Começa 2013 e o faroeste do asfalto continua. Uma chacina sucede a outra. O partido do bico grande e da plumagem colorida continua com sua política de segurança pública equivocada.
Para escarnecer da população o tal partido paulista indicou para a Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Municipal o Coronel Telhada. O mesmo que foi responsável por jogar a tigrada que baba contra um repórter da Folha de S.Paulo, repórter este obrigado a fugir do país para preservar a si e a sua família. (Leia aqui sobre isso)
Agora foram 7 atingidos, só para começar o ano. Dentre eles o homem que filmou o assassinato de um servente de pedreiro por policiais (leia aqui sobre isso, caso já tenha esquecido). (Aqui a polícia nega que um dos mortos seja a testemunha e aqui afirma)
A guerra parece ser total. De um lado a polícia e de outro os pobres e, principalmente, os pretos e mestiços. Vez por outra citam o PCC para embaralhar as cartas. Uns, para que possam defender a barbárie, dirão que muitos policiais morreram ano passado. É verdade! Assassinados covardemente, sem que suas famílias fossem devidamente amparadas pelo Estado.
Mas quem os matou? Não estou perguntando o nome de quem apertou o gatilho, mas dos responsáveis pelo que acontece nos gabinetes e nos quartéis, mas naqueles setores onde soldado só faz ficar plantado à porta.
Os policiais corruptos, interessados em estabelecer e controlar os bandos armados, as tais milícias? A estrutura militar e arcaica que comanda parte disso? A omissão da Corregedoria ante os desmandos dos policiais desonestos? Os baixos salários da “tropa”, que os obriga aos bicos? A leniência dos comandantes? A cegueira política do senhor governador?
Para bater em operário essa polícia é muito eficiente. Lembram-se do Pinheirinho em São José dos Campos? (Refresque sua memória clicando aqui) Mas para combater o crime organizado e a bandidagem a competência desaparece.
Quantas chacinas mais serão necessárias para por fim à polícia militar? A polícia tem que ser um aparato civil, subordinada aos governos eleitos legitimamente.
Martela na minha cabeça a música do Criolo: não existe amor em SP:
“Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu”

6.11.12

Há algo de podre no ar de Guarulhos


É verdade gente, não é sentido figurado! Guarulhos apodreceu! Ontem e hoje um futum insuportável tomou conta de parte da cidade.
Informações que circulam por aqui dão conta de que a Pfizer, grande transnacional farmacêutica é a causadora do odor que empesteia o ar.
Hoje na escola forma inúmeras queixas de dores de cabeça e enjoo. Acordei por volta das 4 horas da manhã e não consegui dormir mais, tal o cheiro que impregnava o ar.
Numa rápida busca no Google só encontrei uma referência no Reclame Aqui.

29.10.12

Algumas constatações pós-eleitorais



A estratégia do PSDB e dos demais conservadores, mídia inclusive, de arrastar todos os nomes do PT para a mesma lama, deu com os burros n’água!
Por quê? Não sei responder. Tenho algumas pistas, e a mais consistente dela faz-me pensar que os mais pobres associaram a sua inclusão no “mercado consumidor” com o Lula e aqueles a quem ele defende.
Penso que essa vitória não é do PT – ou dos partidos da base aliada que conquistaram muitas prefeituras – mas é uma vitória do personalismo, beirando a mitificação, do ex-presidente Lula. Óbvio que os menos favorecidos de sempre têm razões concretas para essa mitificação, ela não é obra midiática ou construída apenas em cima de sonhos e utopias.
No caso de São Paulo o mais significativo do resultado da eleição majoritária é o enterro do funesto José Serra. Sua biografia de socialdemocrata foi sepultada com a guinada a direita durante as presidenciais de 2010. Nela associou-se aos grupos ultraconservadores cristãos, que lutam para manter a criminalização do aborto e sonegam direitos às minorias, particularmente aos homossexuais.
Fez uma campanha desnorteada, baseada apenas em denúncias e desqualificação do opositor, sem apresentar propostas concretas para a cidade. Isso para um homem que já foi meio prefeito e meio governador não caiu bem perante o povo.
Martelou o mensalão dia e noite, quando mensalão não houve, permitam-me discordar dos homens de preto que fazem a justiça desse país. O crime ali cometido chama-se "caixa 2", com sobras de campanhas eleitorais e contribuições clandestinas. É um crime menor? Para nós, cidadãos decentes, não! Para a justiça sempre foi, até semana passada.
Eu não sou defensor do caixa 2 de campanha eleitoral, seja ele do PT ou do PSDB, mas não sou a favor da condenação de um e o completo silêncio cúmplice – da mídia, da direita conservadora e dos chamados partidos de extrema esquerda – e abonador para o outro.
Devemos caminhar rapidamente para o financiamento público de campanha, assim poderemos colocar algum cabresto no poder econômico, caso contrário adeus representatividade.
Aliás, no meu entendimento a tal democracia representativa está com os dias contados. Ela precisa se reinventar. Talvez aperfeiçoarmos os instrumentos da democracia direta, ou reconhecermos outras formas de representação, como fizeram recentemente os equatorianos e bolivianos.