29.4.14
16.4.14
A incompetência não tem ideologia
Fico
constrangido com a afirmação contida no título, mas não há outra possibilidade
quando observamos o dia a dia do cidadão.
Em
Guarulhos, cidade onde moro, é governada pelo PT há quatro ciclos (o prefeito
Almeida está cumprindo seu segundo mandato) e o descuido com as pessoas é
gritante. Precisamos reconhecer que as áreas mais carentes receberam mais
atenção, principalmente nos dois primeiros mandatos petistas, comandados pelo
Elói Pietá. Isso significou uma melhora substancial de regiões mais remotas da
cidade, como o bairro dos Pimentas, por exemplo.
Por outro lado, são notáveis
os problemas que se acumulam no dia a dia do cidadão. Praças e ruas mal
cuidadas, calçadas intransitáveis, hospitais públicos lotados, uniformes e
material escolar em falta... Ou seja, coisas básicas para garantir boas condições
de vida para as pessoas.
A
mídia apresenta notícias diárias sobre a ausência de material escolar e a
péssima qualidade do mesmo em diversos municípios da região metropolitana.
Também é lugar comum a falta dos uniformes para os estudantes. Chama a atenção o fato de que
os preços e atrasos são muito semelhantes nos mais diversos municípios, administradas por partidos diferentes.
Hoje,
vendo o jornal matinal da TV, apareceu uma notícia de que a prefeitura de São Paulo se superou. Designou um
fiscal para cuidar de dois cones que sinalizam a existência de um buraco numa
importante via da Zona Leste. O buraco está lá faz mais de 15 dias. Não seria
mais barato consertar o buraco? A inovação é enorme: fiscal de buraco, isso é
inédito.
14.4.14
9.4.14
Censuraram a Raquel Sherazade?
O
SBT resolveu colocar as barbas de molho e tirou do ar a jornalista (?) Raquel
Sherazade – até agora não sei qual a grafia correta do nome desta moça.
Algumas
pessoas estão bradando contra o que chamam de censura, comparando o episódio
aqueles ocorridos no período da ditadura cívico-militar.
Não
creio que a analogia seja aplicável. A “censura” preventiva imposta pelo SBT
está relacionada aos crimes que a mesma cometeu. Sim, isso mesmo, pois quem
incita ações criminosas, criminoso é. Além do mais ela fez uso de um espaço que
é uma concessão pública, pois, até que se prove o contrário, o “ar” ainda não
foi privatizado.
As
falas dessa moça foram criminosas. Não digo aquelas aleivosias lançadas contra
o governo, mas, por exemplo, a maneira como ela elogiou os justiçamentos
praticados Brasil adentro, estimulando que os cidadãos façam justiça com as
próprias mãos.
Na
sequência do seu pronunciamento desastroso tivemos o assassinato de um homem –
no Espírito Santo – acusado de estupro, que, soube-se depois, não fora cometido
por ele e o espancamento de outro delinquente – este no Rio de Janeiro – achado
amarrado a um poste. Soube-me mais tarde que esse justiçamento foi realizado
por bandidos milicianos.
Nossa
TV aberta carece de qualidade. Pululam na telinha, ao cair da tarde e início da
noite, programas policiais que praticam os mesmos crimes. Incitam a violência e
atentam contra a Constituição Federal.
Outorgam-se
o título de jornalismo investigativo, mas apenas reproduzem os boletins de
ocorrência e, quase sempre, a versão oficial da polícia.
Têm
uma enorme facilidade para desqualificar os pobres e os pretos, mas não
demonstraram a mesma ferocidade contra, por exemplo, os traficantes que
carregavam quase meia tonelada de cocaína no helicóptero pertencente a um
deputado federal em MG. Aliás, tal fato parece que foi fruto da nossa
imaginação, uma vez que a imprensa esqueceu rapidamente o assunto.
Precisamos
estar atentos, pois liberdade de expressão não é um valor absoluto, ela é
limitada pela lei e deve ser guiada pela ética e decência. O direito à crítica
sempre deve ser respeitado, mas a mentira e manipulação devem ser punidas
exemplarmente!
1.4.14
Não pode haver perdão para os torturadores e estupradores
Hoje
é 1º de abril. Dia da mentira, mas também foi no dia de hoje, em 1964, que os
militares apearam do poder o presidente João Goulart e instauraram em nosso
país, com amplo apoio do setor empresarial e da mídia comercial, uma ditadura
que matou, torturou, estuprou e desapareceu com centenas de pessoas, que ousaram
discordar dos caminhos trilhados por aqueles que detinham o poder.
Em
1979, quando a ditadura não encontrava mais sustentação e a reação dos
movimentos populares era intensa, os ditadores de plantão promulgaram uma Leia
da Anistia. De forma vexatória se auto anistiaram. No cenário internacional não
há episódio semelhante.
Sempre
digo que as mortes em combate, mesmo que as forças sejam desiguais, são
aceitáveis, afinal foi uma decisão dos combatentes estarem ali e naquelas
condições. Os crimes cometidos pelos degenerados que ocupavam cadeiras nas
chamadas “forças de segurança” foram outros, não foram em combate.
Presos
e presas, já dominados e enjaulados, foram submetidos a todo tipo de tortura
que se possa imaginar, além de outros que nossa imaginação não alcança.Quando
os canalhas erravam a mão ocorriam os assassinatos.
Outros
presos eram simplesmente “desaparecidos”.
Os
relatos do Araguaia então são de impressionar! Ali o PC do B tentou implantar
um movimento guerrilheiro. Quando o exército (com letra pequena mesmo!) foi combate-la
conseguiu destruí-la. Alguns foram presos. Todos foram torturados. Alguns foram
executados. Dentre estes, há o relato de que o corpo de um dos líderes,
Osvaldão, foi esquartejado, os pedaços pendurados em helicóptero para sobrevoar
os povoados e mostrar ao povo o que restou do guerrilheiro.
Isso
não é coisa de gente normal!
São
inúmeros os relatos de mulheres estupradas e torturadas diante dos seus
companheiros. Até mesmo crianças foram presas!
Para
esses crimes não pode haver perdão. O Estado tem de capturar esses facínoras e eles
têm que pagar pelo que fizeram.
Os
livros de História da escola básica devem dedicar um espaço digno para contar
esse pedaço horroroso da nossa história, só assim faremos com que ele não se
repita.
20.3.14
TV Globo: Do golpe de 1964 à censura hoje
Debate sobre caminhos e descaminhos da Rede Globo com gente que sabe muito do assunto. Transmissão pela WEB.
19.3.14
20.2.14
O que acontece na Venezuela?
A Venezuela
passa neste momento por enorme conflito. De um lado uma
oposição golpista, que não consegue ganhar no voto e tenta dar o golpe. Do
outro o presidente Nicolás Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez.
A mobilização
política na Venezuela sempre foi muito intensa e, frequentemente, as tensões
descambam para o conflito e a pancadaria.
Hugo Chávez foi eleito e reeleito,
além de ser aprovado num processo revogatório, que consiste num plebiscito no
qual os eleitores dizem se o ocupante do cargo em questão termina o mandato ou
não.
As eleições
venezuelanas são sempre acompanhadas por órgãos internacionais, tais como a ONU
e a OEA, além de ONGs, como o Centro Jimmy Carter.
A mídia é controlada
por algumas famílias, assim como no Brasil, mas isso levou a uma forte reação
no 2º mandato de Chávez, que construiu uma mídia estatal, que tem na TeleSur
sua maior representação. Ainda assim 80% da TV estão nas mãos da oposição.
Gostaria de
sugerir alguns vídeos que são esclarecedores.
No primeiro a Globonews
resolveu debater a situação da Venezuela hoje e chamou para tal o professor
José Augusto Guilhon – professor de RI da FEA-USP – e Igor Fuser, também
professor de RI, mas da UFABC. Igor Fuser dá uma aula sobre Venezuela
e ainda dá um pito na mídia e na Globo.
É só clicar aqui.
No segundo
vídeo George Galloway, parlamentar britânico, detona um almofadinha, formado
pela CNN e a mídia reacionária.
No terceiro um
documentário forte e emblemático, que desnuda o papel de mídia e as técnicas de
manipulação utilizadas no golpe contra Chávez em 2002.
10.2.14
E aparece o primeiro cadáver
Lamentável a morte do cinegrafista da Rede Bandeirantes de TV, Santiago Andrade, vítima de um "rojão" durante manifestações no RJ
Protestar e discordar todos podem. Esquerda, direita e centro. Isso é regra da convivência democrática.
Concordar ou não vai de cada um.
Usar de violência nos protestos é cabível, principalmente para se fazer ouvir, ou, como foi o caso do nosso país durante muito tempo, quando impera a ditadura e não existem canais de expressão política.
Criminalizar manifestações a priori é um risco grande. Bem como imputá-las a este ou aquele partido.
Da mesma maneira que não foi possível engolir a história de sabotagem do Metro de SP durante a campanha eleitoral de 2010, quando o governador Alckmin e o candidato Serra, tentaram jogar nas costas do PT a incompetência da gestão tucana, também não podemos acusar o PSOL pelo assassinato do cinegrafista da Band - Santiago Andrade - nas manifestações do RJ, com base apenas no depoimento de alguém, que ainda por cima ouviu falar.
Discordo das posições do PSOL no tocante ao "Fora Dilma!". Também não acho razoável a campanha "não vai ter copa", mas daí a responsabilizar Marcelo Freixo ou qualquer outra liderança expressiva do partido pela morte do rapaz vai um exagero muito grande.
Apostar no "quanto pior melhor", estratégia da extrema esquerda e dos tais black blocs é uma temeridade muito grande. A chance de se produzir cadáveres em abundância com essa tática de luta é enorme. Também a chance de avivar o fascismo é quase certa.
Da mesma forma que criticamos a extrema esquerda por dar os braços a direita raivosa, não podemos dar os braços a essa mídia manipuladora.
Imagino que seja prudente aguardarmos as investigações e exigir apuração rigorosa desse crime.
Protestar e discordar todos podem. Esquerda, direita e centro. Isso é regra da convivência democrática.
Concordar ou não vai de cada um.
Usar de violência nos protestos é cabível, principalmente para se fazer ouvir, ou, como foi o caso do nosso país durante muito tempo, quando impera a ditadura e não existem canais de expressão política.
Criminalizar manifestações a priori é um risco grande. Bem como imputá-las a este ou aquele partido.
Da mesma maneira que não foi possível engolir a história de sabotagem do Metro de SP durante a campanha eleitoral de 2010, quando o governador Alckmin e o candidato Serra, tentaram jogar nas costas do PT a incompetência da gestão tucana, também não podemos acusar o PSOL pelo assassinato do cinegrafista da Band - Santiago Andrade - nas manifestações do RJ, com base apenas no depoimento de alguém, que ainda por cima ouviu falar.
Discordo das posições do PSOL no tocante ao "Fora Dilma!". Também não acho razoável a campanha "não vai ter copa", mas daí a responsabilizar Marcelo Freixo ou qualquer outra liderança expressiva do partido pela morte do rapaz vai um exagero muito grande.
Apostar no "quanto pior melhor", estratégia da extrema esquerda e dos tais black blocs é uma temeridade muito grande. A chance de se produzir cadáveres em abundância com essa tática de luta é enorme. Também a chance de avivar o fascismo é quase certa.
Da mesma forma que criticamos a extrema esquerda por dar os braços a direita raivosa, não podemos dar os braços a essa mídia manipuladora.
Imagino que seja prudente aguardarmos as investigações e exigir apuração rigorosa desse crime.
21.1.14
Existem diferentes raças humanas?
Para tal questão nada melhor do que a resposta de um estudioso da área, por isso segue o texto do amigo Walter Guilherme Schatzer. A publicação original está no facebook (https://www.facebook.com/walterguilherme.schatzer/posts/208667729335043).
Gostaria de salientar que o uso da expressão "raça negra" assumiu uma conotação política, de afirmação, englobando negros e mestiços. A discussão proposta pelo texto vai no sentido de combater o sentimento racista que observamos destacar-se em determinados segmentos da nossa sociedade.
Aproveitem a leitura.
Gostaria de salientar que o uso da expressão "raça negra" assumiu uma conotação política, de afirmação, englobando negros e mestiços. A discussão proposta pelo texto vai no sentido de combater o sentimento racista que observamos destacar-se em determinados segmentos da nossa sociedade.
Aproveitem a leitura.
Raças
Humanas.
Diante
de tantos casos de racismo que a mídia tem relatado achei interessante publicar
aqui no FB um pequeno resumo didático sobre a divisão da espécie humana em
raças.
Os geneticistas, desde antes da 2ª guerra mundial colocaram em cheque a validade de se dividir a humanidade (considerada uma subespécie pela maioria dos especialistas) em raças (em “biologuês”, subespécies). Para simplificar a questão, peço licença para fazer uma analogia (que como toda analogia tem suas limitações).
Imagine que você resolve dividir os cães domésticos (na verdade uma subespécie) em duas raças – os brancos e os pretos. Certamente se pode perceber o quanto isso carece de sentido. Dentro da chamada raça negra teremos uma variabilidade enorme (pastor alemão, pitbull, dobermann, mastino napolitano, rottweiler, Schnauzer, poodle, etc), o mesmo ocorrendo dentro da chamada raça branca. Fica claro que não se pode classificar um grupo de indivíduos numa mesma utilizando apenas uma característica como critério.
Em ambiente natural, raças são consideradas como grupos de indivíduos de uma dada espécie em que certa combinação de características foi selecionada pelo ambiente específico desse grupo (ver "ecótipo"). Sim, é o velho Darwin e sua “Seleção Natural”. Para que a formação de raças de uma mesma espécie seja produzida é importante que por várias gerações diferentes grupos dessa espécie permaneçam geograficamente isolados, garantindo que variações genéticas peculiares de um grupo não sejam transmitidos, por migração, a grupos vizinhos. Assim, isolamento geográfico, e variações genéticas que ocorrem ao acaso, podem levar diferentes populações inicialmente de uma mesma espécie a se diferenciarem umas das outras. Em muitos casos, depois de muitas gerações, as diferenças acumuladas podem levar ao isolamento reprodutivo, isto é, chegam a ficar tão diferentes (algumas vezes as variações são sutis) que não conseguem mais combinar seus genes (não podem mais fazer sexo com produção de descendência fértil em condições naturais). Em outros casos, as variações genéticas não diferenciam o suficiente para que tal isolamento ocorra, nesse caso, mas sempre com muito cuidado, poderemos dizer que houve raciação.
Para que a espécie humana pudesse gerar diferentes raças, populações deveriam permanecer isoladas por muitas gerações (alguns especialistas calculam, no mínimo 10, outros, 22 gerações, enfim não há acordo). Nós humanos, desde nossa origem, sempre tivemos a mania de perambular, e tais isolamentos podem ter acontecido durante tempo suficiente para que algumas combinações de alelos (variações de um mesmo gene) fossem selecionadas pelo ambiente, mas não sem eliminar uma grande diversidade para a maioria das demais características. Se ainda adicionarmos a dinâmica das colonizações, guerras de conquistas, migrações por catástrofes, e a recente (?) globalização, mesmo esse pequeno número de características usadas no passado para definir raças humanas, como a cor da pele, está se dissipando (basta ver a seleção holandesa de futebol) em meio ao que alguns chamam de miscigenação.
Vários estudos foram realizados (ver texto indicado de Sérgio Pena e Wikipédia no final do texto) para medir efetivamente as variações genéticas dentro de populações restritas que eram classificadas por raça. A conclusão (ler textos indicados para mais dados) pode ser resumida no abaixo:
“... usemos um exemplo fantasioso: uma catástrofe nuclear destruiu toda a população da Terra, deixando ilesa apenas a população de uma pequena cidade de Minas Gerais. Nesse caso, 85% da diversidade humana seria preservada!”.
Sérgio Pena - A inexistência biológica versus a existência social de raças humanas: pode a ciência instruir o etos social? (http://www.usp.br/revistausp/68/02-sergio-telma.pdf)
Estudiosos de diversas áreas concluíram que a divisão em raças, não tem e jamais teve, um embasamento científico válido. A origem dessa divisão, já não é segredo, são os interesses de exploração. Povos conquistados são explorados em suas riquezas naturais e em sua força de trabalho há muitos séculos. Em alguns casos, civilizações ditas avançadas necessitavam de justificativas para validar a escravidão sem ferir preceitos morais e “espirituais”. Nada mais confortável do que classificar os povos subjugados pela força, usando os critérios que estivesses mais à mão, como diferentes e inferiores. Assim, (grande novidade) o sectarismo racial é apenas um resíduo de tempos em que a escravidão era uma política inerente aos povos ditos mais civilizados.
Há muitos outros aspectos envolvidos com esse tema, eugenia (positiva e negativa), a questão das cotas raciais no Brasil, entre outros, questões que ganham relevância no presente momento da história do Brasil e do mundo. Que esse texto possa auxiliar àqueles que desejam refletir honestamente sobre eles e provocar aos que aceitam passivamente a repetição de mentiras até que elas se tornem verdades.
Referências;
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Raças_humanas (às vezes eles acertam).
• Sérgio Pena - http://www.usp.br/revistausp/68/02-sergio-telma.pdf
• Texto de Claude Lévi-Strauss – Raça e História - disponível em http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Raça-e-História-Lévi-Strauss.pdf
Os geneticistas, desde antes da 2ª guerra mundial colocaram em cheque a validade de se dividir a humanidade (considerada uma subespécie pela maioria dos especialistas) em raças (em “biologuês”, subespécies). Para simplificar a questão, peço licença para fazer uma analogia (que como toda analogia tem suas limitações).
Imagine que você resolve dividir os cães domésticos (na verdade uma subespécie) em duas raças – os brancos e os pretos. Certamente se pode perceber o quanto isso carece de sentido. Dentro da chamada raça negra teremos uma variabilidade enorme (pastor alemão, pitbull, dobermann, mastino napolitano, rottweiler, Schnauzer, poodle, etc), o mesmo ocorrendo dentro da chamada raça branca. Fica claro que não se pode classificar um grupo de indivíduos numa mesma utilizando apenas uma característica como critério.
Em ambiente natural, raças são consideradas como grupos de indivíduos de uma dada espécie em que certa combinação de características foi selecionada pelo ambiente específico desse grupo (ver "ecótipo"). Sim, é o velho Darwin e sua “Seleção Natural”. Para que a formação de raças de uma mesma espécie seja produzida é importante que por várias gerações diferentes grupos dessa espécie permaneçam geograficamente isolados, garantindo que variações genéticas peculiares de um grupo não sejam transmitidos, por migração, a grupos vizinhos. Assim, isolamento geográfico, e variações genéticas que ocorrem ao acaso, podem levar diferentes populações inicialmente de uma mesma espécie a se diferenciarem umas das outras. Em muitos casos, depois de muitas gerações, as diferenças acumuladas podem levar ao isolamento reprodutivo, isto é, chegam a ficar tão diferentes (algumas vezes as variações são sutis) que não conseguem mais combinar seus genes (não podem mais fazer sexo com produção de descendência fértil em condições naturais). Em outros casos, as variações genéticas não diferenciam o suficiente para que tal isolamento ocorra, nesse caso, mas sempre com muito cuidado, poderemos dizer que houve raciação.
Para que a espécie humana pudesse gerar diferentes raças, populações deveriam permanecer isoladas por muitas gerações (alguns especialistas calculam, no mínimo 10, outros, 22 gerações, enfim não há acordo). Nós humanos, desde nossa origem, sempre tivemos a mania de perambular, e tais isolamentos podem ter acontecido durante tempo suficiente para que algumas combinações de alelos (variações de um mesmo gene) fossem selecionadas pelo ambiente, mas não sem eliminar uma grande diversidade para a maioria das demais características. Se ainda adicionarmos a dinâmica das colonizações, guerras de conquistas, migrações por catástrofes, e a recente (?) globalização, mesmo esse pequeno número de características usadas no passado para definir raças humanas, como a cor da pele, está se dissipando (basta ver a seleção holandesa de futebol) em meio ao que alguns chamam de miscigenação.
Vários estudos foram realizados (ver texto indicado de Sérgio Pena e Wikipédia no final do texto) para medir efetivamente as variações genéticas dentro de populações restritas que eram classificadas por raça. A conclusão (ler textos indicados para mais dados) pode ser resumida no abaixo:
“... usemos um exemplo fantasioso: uma catástrofe nuclear destruiu toda a população da Terra, deixando ilesa apenas a população de uma pequena cidade de Minas Gerais. Nesse caso, 85% da diversidade humana seria preservada!”.
Sérgio Pena - A inexistência biológica versus a existência social de raças humanas: pode a ciência instruir o etos social? (http://www.usp.br/revistausp/68/02-sergio-telma.pdf)
Estudiosos de diversas áreas concluíram que a divisão em raças, não tem e jamais teve, um embasamento científico válido. A origem dessa divisão, já não é segredo, são os interesses de exploração. Povos conquistados são explorados em suas riquezas naturais e em sua força de trabalho há muitos séculos. Em alguns casos, civilizações ditas avançadas necessitavam de justificativas para validar a escravidão sem ferir preceitos morais e “espirituais”. Nada mais confortável do que classificar os povos subjugados pela força, usando os critérios que estivesses mais à mão, como diferentes e inferiores. Assim, (grande novidade) o sectarismo racial é apenas um resíduo de tempos em que a escravidão era uma política inerente aos povos ditos mais civilizados.
Há muitos outros aspectos envolvidos com esse tema, eugenia (positiva e negativa), a questão das cotas raciais no Brasil, entre outros, questões que ganham relevância no presente momento da história do Brasil e do mundo. Que esse texto possa auxiliar àqueles que desejam refletir honestamente sobre eles e provocar aos que aceitam passivamente a repetição de mentiras até que elas se tornem verdades.
Referências;
• http://pt.wikipedia.org/wiki/Raças_humanas (às vezes eles acertam).
• Sérgio Pena - http://www.usp.br/revistausp/68/02-sergio-telma.pdf
• Texto de Claude Lévi-Strauss – Raça e História - disponível em http://charlezine.com.br/wp-content/uploads/Raça-e-História-Lévi-Strauss.pdf
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