20.2.14
O que acontece na Venezuela?
29.10.09
Venezuela e Mercosul
Entenda o que muda com a Venezuela no Mercosul
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em São Paulo
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira o protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL. A decisão ocorre depois de meses de discussões entre parlamentares governistas e de oposição.
A matéria já passou pela Câmara. Após aprovação na comissão, deverá ser votada no plenário do Senado.
O protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL foi assinado em 2006 e deve ser aprovado por todos os integrantes para que o país se torne um membro integral do bloco.
Argentina e Uruguai já ratificaram o ingresso da Venezuela no MERCOSUL. O Paraguai espera a decisão do Brasil para votar o protocolo.
Abaixo, a BBC Brasil responde a algumas perguntas sobre os impactos da entrada da Venezuela no MERCOSUL.
Que impacto a entrada da Venezuela no MERCOSUL deverá ter no bloco e nas relações com outros países?
Setores contrários à entrada da Venezuela no MERCOSUL afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos e que a adesão de seu país pode ser prejudicial ao bloco.
De acordo com analistas consultados pela BBC Brasil, o estilo "personalista" de Chávez pode ser motivo de temor em alguns países da região.
"É um tipo de governo que, de alguma forma, traz outro comportamento para dentro do MERCOSUL", diz Sônia de Carmago, professora da PUC-Rio. Segundo ela, enquanto Lula tem uma atuação "agregadora" em política externa, o presidente venezuelano é mais intempestivo e cultiva um "nacionalismo exacerbado".
José Alexandre Hage, professor de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, questiona ainda como o bloco irá agir diante de problemas que a Venezuela tradicionalmente tem, como os conflitos com a Colômbia.
"Se a Venezuela entra no MERCOSUL, de certa forma estamos corroborando os problemas dela. E a rivalidade que a Venezuela tem com a Colômbia, por exemplo? Como fica o bloco?", questiona.
O discurso antiamericano do presidente da Venezuela também é visto por alguns como um problema, e há o temor de que possa prejudicar as relações do bloco com os Estados Unidos. "Uma alta dose de Chávez no MERCOSUL pode aumentar uma ideologização antiamericana", diz Hage.
Há ainda o temor de que a presença da Venezuela prejudique as negociações para um acordo de livre comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia.
No entanto, o argumento dos defensores do ingresso da Venezuela no MERCOSUL é o de que não se pode impedir a entrada do povo venezuelano no bloco devido à atual circunstância política e que deixar o governo Chávez isolado seria pior.
"O problema não é a Venezuela, todo mundo quer que a Venezuela faça parte do MERCOSUL. O problema é o governo Chávez", diz Georges Landau, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
A Venezuela deve se beneficiar da integração comercial com o MERCOSUL. De acordo com alguns analistas, também o bloco teria benefícios com o ingresso do país.
"Do ponto de vista de se criar um bloco político mais coeso, a entrada da Venezuela pode ajudar. De certa forma, os países que compõem o MERCOSUL são muito parecidos na essência, com governos de centro-esquerda, com traços de certo nacionalismo. O Chávez é um pouco mais denso nesse nacionalismo, isso pode dar ao bloco um pouco mais de consistência", afirma Hage.
O ingresso da Venezuela no MERCOSUL pode aumentar o poder de influência de Hugo Chávez na região?
Alguns analistas afirmam que o ingresso da Venezuela no MERCOSUL dará a Chávez mais poder de influência na região. O país, que já integra a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), ganharia um palco importante.
"Aumenta o grau de projeção de Chávez, tem muito mais espaço de articulação", diz Hage. "Ganharia um palco muito melhor que Unasul e Alba, que são expectativas, enquanto o MERCOSUL, apesar da crise, realmente existe."
Como os venezuelanos veem a adesão do país ao bloco?
Nesta semana, um dos principais opositores de Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, veio ao Brasil e defendeu a aprovação da entrada da Venezuela no MERCOSUL. O líder opositor afirma que o povo venezuelano não pode ser punido com o isolamento por causa do governo Chávez.
Além disso, há a expectativa de que, com a entrada da Venezuela, aumente o poder de pressão do MERCOSUL sobre o governo Chávez, para que cumpra pré-requisitos democráticos. Em uma audiência no Senado, Ledezma disse que a adesão da Venezuela ao MERCOSUL seria uma chance de "enquadrar" Chávez.
O Protocolo de Ushuaia, parte do Tratado de Assunção, que criou o MERCOSUL, afirma que "a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração" do bloco. Em caso de não cumprimento das cláusulas democráticas, um país pode sofrer suspensão.
"A Venezuela é uma democracia em termos formais, mas tem uma forma de governo muito autoritária", diz Sonia de Camargo.
No entanto, alguns analistas afirmam que os resultados práticos desse tipo de pressão por parte do MERCOSUL podem ficar aquém do esperado. "Não há mecanismos para isso, porque o MERCOSUL é muito pouco institucionalizado", diz Hage.
Apesar das limitações, alguns defensores do ingresso da Venezuela no MERCOSUL afirmam que é melhor ter o país no bloco, atendendo a algumas regras, do que independente e sem controle.
Qual o impacto econômico da adesão da Venezuela ao MERCOSUL?
No ano passado, a balança comercial do Brasil com a Venezuela alcançou US$ 5,7 bilhões, com superávit de US$ 4,6 bilhões para o Brasil.
Desde 2007, o Brasil passou a ser o segundo sócio comercial do país, ficando atrás somente dos Estados Unidos, principal consumidor do petróleo venezuelano.
A Venezuela importa 70% do que consome, a maior parte da Colômbia e dos Estados Unidos. Defensores afirmam que o ingresso do país no MERCOSUL traria vantagens econômicas e fortaleceria o PIB do bloco. Também estenderia o bloco para o norte da América do Sul, com influência na região caribenha e benefícios para os Estados da região norte do Brasil.
Para fazer parte do MERCOSUL, a Venezuela tem de cumprir critérios, entre eles a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC), vigente no comércio do bloco. Críticos afirmam que a Venezuela ainda não cumpriu esses critérios e não aceitou o tratado de tarifas comuns com terceiros países.
17.2.09
Sobre a Venezuela
4.12.08
Algumas leituras recomendadas
Agência Carta Maior
A tragédia geológica que, a propósito de chuvas intensíssimas, abateu-se sobre a população de várias cidades de Santa Catarina atinge a sociedade brasileira pela dor das mortes e tanto sofrimento humano, mas também como pungente peça acusatória pela histórica e acomodada omissão dos agentes sociais públicos e privados que a poderiam ter evitado.
Impossível não nos ficar a impressão que autoridades e mídia, e talvez uma boa parte da sociedade, já assimilaram como fatos naturais do destino brasileiro as horríveis mortes por soterramento e enchentes que anualmente fazem dezenas de vítimas nessas épocas de chuvas mais intensas. Diluem-se assim comodamente nesse cenário de pretenso destino compulsório as responsabilidades públicas e privadas na verdade responsáveis por tantas vidas violentamente ceifadas.
Leia a íntegra da matéria clicando aqui.
CartaCapital
O banqueiro Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa, em razão do suborno que Humberto Braz e Hugo Chicaroni fizeram em seu nome ao delegado da polícia federal Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira quando da deflagração da Operação Satiagraha.
O autor da sentença foi o juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que considerou Dantas, Braz e Chicaroni culpados da acusação de praticarem corrupção ativa. A informação foi divulgada pela TV Globo.
Clique aqui e leia o artigo inteiro.
Escrinhador (Rodrigo Vianna)
Chavez tem que mudar o discurso, pra lidar com um novo tipo de oposição nos próximos anos. Já não bastará colar nos adversários o rótulo de “golpistas”. Além disso, o presidente venezuelano precisa se adaptar a uma nova conjuntura mundial, em que Bush deixa de ser o inimigo e o Petróleo perde valor.
Essa é a leitura que Gilberto Maringoni faz do futuro da Venezuela, depois da eleição do último domingo.
Jornalista, professor da Faculdade Cásper Líbero e pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Gilberto Maringoni é o autor de um livro fundamental para se entender o que se passa no país vizinho: “A Venezuela que se inventa” (editora Fundação Perseu Abramo).
Ontem, ele foi um dos entrevistados do “Entrevista Record - Mundo”, programa que eu apresento todas as segundas-feiras, às 22horas, na Record News.
A tese de Maringoni é de que Chavez agora não pode mais ficar repetindo (como fez nos últimos anos): “comigo está o povo, na oposição estão os golpistas”. Para ganhar, não basta mais colar esse rótulo nos adversários.
Para ler a matéria completa é só clicar aqui.
7.6.08
Até a Venezuela...
Em que pese a significativa melhora da seleção venezuelana, quando comparada ao time de uma década atrás, o desempenho da seleção brasileira foi medíocre.
A propósito do jogo de ontem, a BBC Brasil noticia:
O presidente venezuelano Hugo Chávez não ficou de fora da festa e aproveitou a oportunidade para provocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recordá-lo de uma antiga advertência.
"Eu já tinha dito ao Lula, que um dia ganharíamos do Brasil, ganhamos do Brasil, chegou o dia, é um dia histórico", disse Chávez ao pedir um "viva a vinotinto", como é conhecida a seleção venezuelana, durante um ato público com membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
Chávez costumava brincar com Lula durante seus encontros bilaterais que um dia a seleção venezuelana ganharia a brasileira. O presidente brasileiro sempre sorria, incrédulo.
Para ler a matéria completa é só clicar aqui.
5.3.08
Arthur Virgílio: senador dos contos do vigário
São Paulo, 04 de março de 2008 – Sobre declaração feita hoje no Senado sobre suposto transporte secreto de armamento para a Venezuela, a TAM esclarece:
1. A companhia não realiza “vôos secretos” à Venezuela ou a qualquer outro destino. A TAM mantém vôo regular diário para Caracas, de passageiros e cargas, desde setembro de 2007;
2. A pedido do Ministério da Defesa, a companhia realizou, em caráter de urgência, uma pesquisa em seus registros dos últimos 15 dias, sem encontrar nenhuma exportação de armas, e repassou essa informação às autoridades. Em seguida, iniciou buscas nos dias anteriores, localizando uma exportação de uma carga de revólveres Taurus para um importador venezuelano, totalizando 1.329,4 kg.
3. A exportação, que seguiu todos os trâmites legais, contou com as autorizações oficiais devidas, e o transporte desse tipo de carga pela TAM é autorizado pelo Exército (Certificado de Registro nº 34704, de 11.10.2006, válido até 30.09.2008), que também emitiu a permissão ao exportador (Guia de Tráfego nº 000319/2008, de 15.01.2008).
4. O transporte regular de exportações da Taurus também é feito para países como os EUA e Argentina, sempre cumprindo todos os requisitos previstos em lei.
A Taurus foi uma das grandes financiadoras da campanha contra o desarmamento no Brasil. Espero que Arthur Virgílio, com apoio da Veja, inicie uma campanha para banir a fabricação de armas no país.
Acesse aqui a publicação original.
3.12.07
Porque Chávez perdeu e Baduel ganhou
Bob Fernandes
Hugo Chávez perdeu o referendo porque, cada vez mais, se isola e isola seu governo. Perdeu porque acreditou ser possível afastar ou afastar-se de antigos e sólidos aliados sem que jamais isso lhe custe, ou viesse a custar, nacos de poder. Hugo Chávez perdeu porque, pelas razões conhecidas e pelas ainda desconhecidas, perdeu o amigo e compadre Raúl Isaías Baduel, o homem que o salvara do exílio, cadeia ou morte em abril de 2002.
Entre dezembro passado e este, Hugo Chávez perdeu - a oposição não ganhou, mas ele perdeu via abstenção - três milhões de votos. Não se trata de uma transferência bancária nem se dirá que o general agora reformado Raúl Baduel é detentor de 3 milhões de votos, mas é seguro dizer que, ao perder o amigo de quase quatro décadas e compadre, Chávez perdeu um símbolo. Deixou ir-se mais um pedaço da sua própria história.
Em 1982, Chávez e outros três capitães, ao lado de um frondoso Samán de Güere - segundo a lenda a mesma árvore sob a qual um dia Simon Bolívar fizera um juramento - prometeram libertar a Venezuela.
Raúl Baduel era um dos jovens capitães. Um outro está hoje na oposição e o terceiro foi assassinado no Caracaso em 1989 (revolta popular contra o plano econômico de Carlos Andrés Perez). Restaram juntos, até há pouco, Chávez e Baduel. Baduel, a partir de agora, é o grande nome da oposição venezuelana, é o homem a ser batido.
Sabe-se que a história não é feita apenas pelos homens, mas também pelas circunstâncias; econômicas, políticas, sociais..., mas os homens, muitas vezes, são a representação, o receptáculo, a cristalização de um momento, destas circunstâncias. Raúl Isaías Baduel é, desde já, um nome para o presente e para o futuro na Venezuela.
Praticante do Ai-Ki-Do desde os 15 anos, Baduel, 52, valeu-se dos ensinamentos de Sun Tzu em A arte da guerra para salvar Chávez em 2002. Este é um capítulo da história que será sempre condensado na frase dita por Baduel aos golpistas - via celular - na manhã do sábado 13 de abril de 2002, pouco antes do cobiçado Palácio Miraflores ser retomado:
- Se vocês não devolverem o presidente constitucionalmente eleito, Hugo Rafael Chávez Frías, faltarão postes na Venezuela para pendurá-los!
Baduel, paraquedista como Chávez, era então um comandante da Força Aérea em Maracay. Tinha à sua disposição os aviões que poderiam bombardear e decidir a guerra.
Leitor de Confúcio, Borges, Cortázar, o general valeu-se de Sun Tzu; não atacou, aquartelou-se, tornou-se um ímã da resistência e salvou o pescoço e o governo do amigo e compadre.
Diz-se que Baduel queria a presidência da poderosa petroleira PDVSA e que uma recusa de Chávez a tanto teria sido o fator decisivo para a dissidência. Diz-se, e a história terminará por iluminar mais este capítulo.
Com fama de incorruptível, Baduel era e é detentor de tamanho prestígio que foi o único dos personagens do golpe e contragolpe a não ser ouvido pela Assembléia Nacional – o próprio Chávez o foi. Meses depois o plenário do parlamento o receberia de pé, com aplausos da situação e oposição.
Depois feito ministro do Exército por Chávez e em seguida ministro da Defesa, de onde saiu em julho deste ano, Baduel tem pela frente uma rota quase inevitável.
Em 2008 a Venezuela viverá eleições de governadores e uma candidatura aguarda o general em seu Estado, Aragua. Da mesma forma que um dos homens fortes do chavismo, o ex-vice-presidente Diosdado Cabello será candidato à reeleição no Estado Miranda, um dos que abriga a capital Caracas.
É a eterna luta pelo poder. Três homens se movem em direção ao futuro.
Chávez, como sempre diz seu amigo e mestre em história na Academia Militar, o velho general Pérez Arcay, é um jogador de xadrez. Mas, ao contrário do que supõe e/ou alardeiam seus adversários mais ingênuos, não enxerga e não se move pelo tabuleiro de maneira habitual, corriqueira.
Para Chávez, o tabuleiro não é quadrado. Ele o enxerga de uma outra forma, sem contenções laterais como diz Perez Arcay, e por isso costuma surpreender os adversários.
Chávez perdeu, está frágil. Ele é um homem dos llanos, as vastíssimas planícies venezuelanas, desde sempre um convite à reflexão. Chávez certamente irá agora valer-se de uma porção de si mesmo conhecida por poucos; se recolherá para refletir sobre a derrota, mesmo que na aparência e na a mídia siga a exibir a sua mais conhecida faceta e porção, a que faz barulho. Muito barulho.
O barulho, tantas vezes útil, foi um dos responsáveis pela perda de aliados e pela derrota. Com seus silêncios de orientalista, salpicados pela contundência de ataques precisos e cirúrgicos, Raúl Baduel colocou-se no caminho do amigo e da história.
Chávez irá lamber as feridas e pensar no contra-ataque. As histórias pessoais e as das circunstâncias empurraram para caminhos distintos velhos amigos, aqueles que um dia, em nome da lenda chamada Bolívar, juraram libertar a Venezuela.
Fonte: Terra Magazine
1.12.07
Referendo na Venezuela
Clique aqui e assista vários vídeos-reportagens realizados pelo Azenha.
Interessante notar que a mídia brasileira resolveu dar mais atenção à Venezuela. Tanto a Folha de S.Paulo quanto o Estado de S.Paulo enviaram correspondentes.
No site do Estadão (www.estadao.com.br) tem ótimos podcasts com o repórter Lourival Sant´Anna (clique aqui para ouvi-los). Já no site do UOL, na Folha Online, as notícias são geradas por agências internacionais na sua quase totalidade.
Pelo histórico do processo eleitoral até agora, com as agências de pesquisas de opinião sempre antevendo a derrota de Chávez e esta nunca ocorrendo, parece-me que ele leva mais esta.
Não li o texto da reforma constitucional venezuelana, mas cabe ressaltar que as eleições têm sido limpas, supervisionadas por instituições estrangeiras, e, sendo a vontade da maioria do povo venezuelano, expressa de forma livre nas urnas, deve ser respeitada.
17.11.07
A Venezuela deve entrar no Mercosul?
Eu penso que sim, e você?
Para votar clique no endereço:
http://www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/
Quem tem medo da Venezuela?
A Venezuela e Hugo Chávez ganharam destaque nos noticiários brasileiros nas últimas semanas.
A reforma constitucional em curso tem chamado muito a atenção de todos.
Por princípio sou contra a reeleição. Qualquer reeleição. Na minha modesta e não pedida opinião, este péssimo hábito profissionaliza o ato da representação política, o que não é desejável, além de impedir o surgimento de novas lideranças.
Posto isso é óbvio que não me agrada o projeto de alteração constitucional proposto por Hugo Chávez. Mas isso não é da minha conta, isso é do interesse direto da Venezuela e do seu povo.
Devemos perguntar se a lei do país está sendo respeitada. Garanto-lhes que sim!
Os golpistas estão do outro lado e foram apoiados pelos EUA e pela Espanha de José Maria Aznar, um fascista. O seu fascismo para consumo interno não me diz respeito, diga-se de passagem, mas sim ao povo espanhol que o elegeu dentro das regras por eles estabelecidas.
Além de realizada dentro dos limites legais venezuelanos, tal emenda deverá ser referendada pela população da Venezuela para entrar em vigor. Para que mais democracia do que isso? Ou será que só defendemos as regras democráticas quando elas nos dão os resultados que queremos?
Vejam a desfaçatez de alguns políticos brasileiros que nasceram, cresceram e enriqueceram sob os auspícios da ditadura militar! José Sarney, Paulo Maluf e toda a turma do DEM (ex-PFL e antes disso, ex-ARENA). Logo eles criticando as “falhas” da democracia da Venezuela! E com amplo respaldo da mídia, a mesma mídia que em grande parte “marchou com deus pela liberdade” (se não sabem do que estou falando é só clicar aqui).
Outra orquestração da grande mídia nos apresenta o temor de uma corrida armamentista desencadeada por Hugo Chávez. É este o temor dos senhores da verdade? Hugo Chávez e suas poderosas armas?
A revista Época, secundada por Veja, apresentou extensa reportagem sobre as “ameaças” chavistas. Clique aqui e leia a matéria da Época e aqui para ler a opinião da Veja de 07/11/07.
Observe o quadro comparativo das Forças Armadas do Brasil e da Venezuela apresentado pela Revista Época na sua edição 493, de 29/10/07:
Para nossa imprensa, Chávez é um ditador e assim é apresentado, mas no Paquistão o homem que se apoderou da presidência por meio de golpe de estado, mantém a oposição trancafiada e tem como principal diversão prender advogados é chamado de presidente Pervez Musharraf. Tenho certeza que assim será chamado enquanto durar seu alinhamento com os EUA!
Nossa mídia é assim: desavergonhadamente e descaradamente servindo aos poderosos, sempre!
16.10.07
Qual é a razão do ódio contra Hugo Chávez?
O diário ABC Color, do Paraguai, publicou um editorial de primeira página, no dia 7 de outubro, com esse grosseiro título: “Uma democracia puta”.Não se referia à ditadura do Partido Colorado, que há sete décadas controla o poder e perpetua o Paraguai como um dos países mais pobres do continente. Nem à reconversão dessa ditadura para uma forma “democrática” dessa ditadura, que fez com que a viúva do ex-ditador Alfredo Stroessner comentasse, singelamente: “Só falta o Alfredo”.Não. Referia-se à Venezuela, um regime que teve seu presidente eleito e reeleito várias vezes, submetido à confirmação do voto popular no meio do seu mandato, com um mecanismo de controle dos eleitores sobre os eleitos, que nenhum outro país do continente possui.O ABC Color é o principal jornal do Paraguai. Não é necessário um exercício de memória muito grande para imaginar sua convivência com a ditadura do partido-Estado Colorado. Agora dizem que apóia a Lino Oviedo, recém libertado para tentar bloquear a possibilidade de vitória de Fernando Lugo, derrotando pela primeira vez ao Partido Colorado. O candidato de preferência do jornal foi condenado em trs processos, um deles por participação na morte do ex-vice presidente Luis Argaña, outro deles por tentativa de golpe militar.Esse jornal se atreve a julgar o caráter democrático do regime venezuelano, para tentar bloquear o ingresso da Venezuela no Mercosul. “Se nossos presidentes do Mercosul, mesmo sabendo qual é sua obrigação histórica com a defesa dos princípios e dos valores políticos que iluminam nossos povos, são capazes de se vender ou de ligar-se mediante uma relação adúltera com um ditador megalômano surgido das catacumbas de um passado sinistro, teremos que convir que nossas democracias se vendem como autênticas putas” – diz o editorial do jornal paraguaio.Antes desse final, o jornal fez um apelo aos parlamentares do Paraguai e do Brasil, para que impeçam o ingresso da Venezuela ao Mercosul – porque disso se trata, essa é a operação política que a direita do continente trata de armar. São os aliados paraguaios dos parlamentares da direita brasileira que igualmente se opõem à entrada da Venezuela no Mercosul.Até julho de 2006, o Mercosul se limitava aos conflitos comerciais entre as grandes corporações privadas da Argentina e do Brasil, na disputa de mercados, relegando o Uruguai e o Paraguai a coadjuvantes sem importância. A participação da Venezuela e da Bolívia, posteriormente do Equador e a aproximação de Cuba, permitem romper esse crculo vicioso.Acontece que todos aqueles que continuam identificados com os interesses dos EUA, do chamado “livre comércio”, que se opõem à consolidação e à extensão da integração latino-americana, buscam deter a entrada da Venezuela, com todo o dinamismo e a ampliação de temas que a incorporação do governo de Hugo Chavez representa. Se opoem ao gasoduto continental, se opõem ao Banco do Sul. Se opõem à autonomia do continente diante da hegemonia imperial dos EUA.São esses os que tentam atrasar a integração continental, representando os interesses do império na região. No Paraguai, como no Brasil, são esses os que resistem ao Mercosul, à integração regional, como agentes do “livre comércio”, do FMI, da OMC e do Banco Mundial. Par isso não poupam nem esforços, nem vocabulário grosseiro. São resquícios de um passado que, embora resistindo – como o Partido Colorado – tem seus dias contados.
Leia a publicação no original clicando aqui.

