24.6.10
Operação chumbo impune
Para se justificar, o terrorismo do Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.
Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Sequer tem o direito de escolher seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são punidos. Gaza está sendo punida. Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma justa as eleições no ano de 2006. Algo semelhante ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista ganhou as eleições em El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e desde então viveram submetidos às ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
São filhos da impotência, os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com pouca pontaria sobre as terras que eram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à beira da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficiente guerra de extermínio vem negando, há anos, o direito à existência da Palestina.
Pouca Palestina resta. Passo a passo, Israel a está exterminando do mapa.
Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão consertando a fronteira. As balas consagram os restos mortais, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que esta invadisse à Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que este invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina e, os almoços seguem. A comilança se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico gerado pelos palestinos na espreita.
Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, e que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que zomba do direito internacional, e é também o único país que legalizou a tortura dos prisioneiros.
Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não poderia bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico poderia devastar a Irlanda para liquidar ao IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou esse sinal verde provêm da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional dos seus servos?
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam-se os milhares de mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está testando com êxito nesta operação de limpeza étnica.
E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. A cada cem palestinos mortos, há um israelense.
Gente perigosa adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos chamam a acreditar que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos chamam a crer que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que devastou Hiroshima e Nagasaki.
A chamada comunidade internacional existe?
É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os EUA se autodenominam quando fazem teatro?
Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial aparece mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações bombásticas, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.
Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam suas mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.
A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma que outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti-semitas.
Eles estão pagando, com sangue, uma conta alheia.
*Eduardo Galeano é escritor e jornalista uruguaio, autor de As Veias Abertas da América Latina e Memórias do Fogo.
Artigo publicado em Diário Liberdade
Eu encontrei esse texto no Opera Mundi.
21.6.10
15.6.10
Sobre a Copa do Mundo da África do Sul
A histeria da Copa do Mundo tomou as ruas! Ora uma festa bonita e interessante, ora estressante e irritante.
As vuvuzelas me irritam profundamente. Hoje o trânsito de São Paulo também! Por volta das 15 horas o congestionamento ultrapassava os 200 km e as pessoas dirigiam - ou tentavam - como tresloucadas. O número de acidentes foi assutador!
Não torci pelo Brasil contra a Coréia e nem torcerei. Ao menos enquanto persistir esse futebol medíocre, burocrático e "de resultados".
Isso não tem a nada a ver com ser brasileiro ou não, isso tem a ver com gostar de um jogo bem jogado e também com o privilégio de ter visto a seleção de 1970 e a de 1982. Na minha modesta opinião a de 82 jogava mais bonito que a de 70, embora a de 70 tivesse mais craques (do meio de campo para a frente).
Dunga é um excelente técnico, mas para times como o Juventude, Avaí ou outros desses intermediários, ou ainda aqueles que estão desesperados para não cair de divisão no campeonato, mas para a Seleção Brasileira falta-lhe experiência.
Com a safra de boleiros que temos hoje no país, ver um meio de campo como a da Seleção dá até tristeza.
Neste time a defesa me parece a coisa mais sólida. Colocaria apenas o Roberto Carlos no lugar do Michel Bastos.
Já no meio campo gostaria de ver Ganso, Elias e Hernanes.
No ataque, se a formação fosse com 2 atacantes, poderiam ser o Robinho e o Nilmar ou o Diego Tardelli. Se com três atacantes teria que entrar o Ronaldinho Gaúcho na parada.
Li outro dia que o Brasil foi a seleção que menos levou atacantes para esta Copa, isso é emblemático!
Acompanho os jogos, quando possível, pela ESPN Brasil. O time de comentaristas é muito bom e não tem o ufanismo tonto do Galvão Bueno e do Luciano do Valle.
Neste evento o slogan deles me desagradou: Copa do Mundo na ESPN: nada mais importa.
Achei a frase infeliz! Tem muita coisa que importa: o povo que sofre, a política (afinal estamos em ano de eleições), os conflitos pelo mundo ...
Então ficamos assim: Copa do Mundo é apenas um torneio esportivo, não temos obrigação de torcer por ninguém, posso torcer livremente pela seleção que mais me agrada, sem renunciar à cidadania brasileira ou ter que me refugiar no Kosovo.
4.6.10
Sobre as eleições que se aproximam (Parte II)
1989 - Uma derrota inesquecível
Não há como negar que as eleições de 1989 marcaram a vida de todos que dela participaram.
A última vez que o povo brasileiro havia escolhido seu presidente fora em 1960, sendo eleitos Jânio Quadros – que renunciaria 8 meses após a posse – tendo como vice-presidente João Goulart, derrubado por uma quartelada cívico-militar em 1964.
Era, portanto a primeira vez que eu poderia, e toda uma geração, escolher livremente o presidente da República.
Desde a minha primeira eleição, em 1982, aos vinte anos votei no PT e nos seus candidatos.
Além disso, sempre estive ao lado das candidaturas mais à esquerda dentro do Partido.
Vendi camisetas, broches, fiz rifas entre os amigos, ajudei a vender convites para almoços, bailes e shows.
Era assim, de maneira apaixonada e entregue que fazíamos as campanhas.
Aquela eleição era por demais especial. Tinha claro que a simples conquista do Executivo não faria nada mudar, mas pensava no poder de educação política que tal conquista nos traria. Na fantástica mobilização dos militantes e eleitores, isso sim capaz de forjar um novo tempo, mesmo que a luta fosse dura e demorada.
A Rede Globo fabricou o caçador de marajás, Fernando Collor, obscuro político alagoano. Teve até Globo Repórter para ele. Claro que rendeu capa de Veja.
Brizola era um candidato forte, bom de palanque e bom de TV, mas ainda com um discurso à moda antiga.
Lula representava o novo nesse cenário todo. Sindicalista de origem, com um Partido vigoroso, ainda imune as denúncias de corrupção, recheado de intelectuais, artistas e lideranças sindicais.
As armadilhas foram imensas, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Mas a campanha era feita com garra e mesmo os profissionais que trabalhavam nela eram, antes de tudo, militantes, ativistas e acreditavam no que faziam.
Dentre os artistas famosos lembro-me de Marília Pera, para minha decepção, alinhando-se com Collor. Eu estava na passeata que ladeou o teatro onde ela estava em temporada, se não me engano era o Jardel Filho. Lembro-me também que nós mesmos organizamos um cordão de proteção para que não houvesse nenhum ato mais atabalhoado ou de provocação.
O golpe mais duro foi o aparecimento da Miriam Cordeiro no programa do Collor. Lula ganhou minha admiração quando não permitiu a exposição da filha na contrapropaganda.
E, finalmente, para nossa tristeza veio o desempenho pífio no último debate. Nada demais, pois o Collor era muito ruim de cena, mas claro que a Rede Globo deu uma força, editou o debate para os jornais e transformou um empate em terrível derrota.
A frustração com a derrota foi imensa. Meu desejo era ir embora desse país, não conseguia entender como o povo pode escolher Collor, um ser artificial, produzido pela mídia como nos pastelões do cinema, típico ator charlatão, em detrimento do operário.
Naquela eleição o projeto que fez nascer o PT foi sepultado, dali em diante guinadas pragmáticas levaram-no ao governo, vagarosamente.
Mas tenho saudade daqueles tempos. As discussões políticas eram freqüentes, a campanha muito politizada, as pessoas se expressando livremente, um desejo imenso de participar e de se fazer ouvir.
Eram outros tempos.
Rede Povo
Sem medo de ser feliz
2º Turno
22.5.10
16.5.10
Sobre as eleições que se aproximam (parte I)
Sensação estranha essa: as eleições estão quase chegando e não sei o que pensar direito!
Digo isso por que tal fato nunca me aconteceu antes – pelo menos quanto ao meu voto essa afirmação é verdadeira.
Em 1982 tinha meus candidatos muito antes de novembro chegar: Lula para governador; para o Senado Jacó Bitar; José Genoíno para Deputado Federal; Fernando do Ó para Deputado Estadual e Catarina Koltai para vereadora. Aliás, Catarina era um voto de protesto contra o preconceito dos camaradas “operários e intelectuais”, que sempre bradavam contra as propostas por ela apresentadas, tidas como burguesas pelos demais companheiros.
Em 1985 Suplicy para prefeito. Vejam aqui uma parte do horário eleitoral. É interessante observar os atores e jogadores de futebol presentes na campanha.
1986: eleição para Assembléia Constituinte. A campanha para Deputado Federal ganhou grande importância. Na zona sul de São Paulo o grupo de operários que havia participado da campanha de Genoíno em 1982 resolveu apoiar Florestan Fernandes. Para deputado estadual Fernando do Ó, importante liderança do Movimento de Oposição Metalúrgica. Para governador Eduardo Suplicy.
Em 1988 participei ativamente da campanha da Erundina – era assim que era chamada – para prefeita. As pesquisas davam o 3º lugar para ela, indicando a vitória de Paulo Maluf, isso a menos de uma semana da eleição. Para vereadora votei e fiz campanha para Tereza Lajolo. No grupo de apoio a Tereza me coloquei contra, assim como o grupo de apoiadores da Zona Sul, a sua ida para a Secretaria Municipal de Transporte.
Pela primeira vez observei claramente a diferença entre discurso e prática, principalmente por parte de algumas tendências (grupamentos políticos) que atuaram na campanha da vereadora. Insistiram na sua ida para o Executivo pensando apenas nos cargos possíveis de serem ocupados com políticos profissionalizados.
6.5.10
30.4.10
Quando o 1º de Maio era um dia de luta
Alguns amigos me tem como bom contador de histórias e por isso chegam a duvidar de algumas que conto.
Dentre elas costumo lembrar com saudosismo das várias comemorações do 1º de Maio – Dia do Trabalhador. Algumas na Praça da Sé, outras em São Bernardo.
Lembro-me de uma em São Bernardo. Corria o Governo Sarney. Uma multidão no Paço Municipal.
No palanque alternavam-se artistas do quilate de Zé Geraldo e grupos como o Galo de Briga. Eles estavam conosco, todos trabalhadores, não eram contratados com cachês milionários.
Lula prepara-se para o discurso.
A multidão aplaude e canta palavras de ordem.
Sarney tinha acabado de lançar o “tíquete do leite”. Funcionava assim, você se cadastrava numa associação de moradores e recebia um talão com vários tíquetes que eram trocados na padaria por um litro de leite “C”.
Lula disse que isso era desrespeitoso. Que o trabalhador deveria ter salário suficiente para beber o leite da vaca a, b ou c.
Que voltas o mundo dá.
Em São Paulo, no ano de 1989, o comício foi ameaçado por um grupo de skinheads. Os militantes da CUT armaram um excelente esquema de segurança e pegamos os caras, com a ajuda providencial dos punks, na saída do Metrô Sé.
No palanque as críticas eram direcionadas a festa da Força Sindical, que no seu papel histórico de âncora do peleguismo, levava os trabalhadores para o CERET-Tatuapé e sorteava carros entre os presentes.
As coisas estão mais calmas agora, as Centrais até combinaram um discurso unificado: redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
A CUT fará comemorações sofisticadas, mas mais politizadas do que nos anos anteriores.
A Força Sindical continuará com o sorteio de automóveis, quase duas dezenas.
Veja um resumo da programação das Centrais clicando aqui.
Enquanto isso continuo contando as histórias de um tempo de líderes combativos, de tentativas de levar adiante um movimento de educação política e emancipação dos trabalhadores...
21.4.10
Algumas escolhas nós fazemos, outras são feitas para nós...
Ainda não é o fim do ano, mas aquela nostalgia do que não fizemos e a sensação de que precisamos arrumar um montão de coisas já bate à porta.
Fui golpeado no final do ano passado com a demissão da escola onde lecionava havia quase cinco anos. Pior, o novo dono, na apresentação geral que aconteceu no meio do ano, sugeriu que os colegas buscassem informações comigo, sobre a idoneidade e correção da empresa no trato com os “colaboradores”, uma vez que eu já trabalhara para o grupo em tempos idos.
Nesta apresentação ele – o novo dono – prometeu uma escola “Premium”, com profissionalização e projeto pedagógico de excelência. E eu acreditei! Infelizmente a escola que tinha até “experimental” no nome está sendo transformada numa escola tradicional, aos poucos e sem os requisitos necessários às boas escolas tradicionais.
Uma página virada.
Comecei numa nova escola neste ano, distante de casa. Voltei a enfrentar o trânsito de São Paulo e uma realidade que ainda não tinha vivenciado: condomínio fechado.
Estou tateando ainda, o projeto é interessante, mas como tudo que é novo essa experiência também amedronta.
Os novos colegas – alguns conhecidos de outras frentes de labuta – são ótimos e estou adorando retomar as aulas no Fundamental II. Fazia já 12 anos que não trabalhava com 6º ano (antiga 5ª série).
Mas sinto falta de algo mais no campo profissional. Alimento um sonho, já faz um tempo, de enveredar pela área de tecnologias educacionais e educação à distância. Talvez seja o momento de começar a me preparar para essas possibilidades.
Quando esse sentimento me ataca eu ataco as coisas acumuladas.
Limpo a caixa de e-mail, falo e escrevo sobre as coisas que me deixam tristes...
Resolvi arrumar os contatos do MSN. Lá criei grupos para facilitar minha vida.
Tenho “alunos e ex-alunos”, “colegas de trabalho”, “Família” e “Amigos”.
Tenho “alunos e ex-alunos”, “colegas de trabalho”, “Família” e “Amigos”.
Quando meus alunos terminam o ensino médio, ou mudam de escola, eu desloco o sujeito ou a sujeita do grupo de “alunos e ex-alunos” para o de “Amigos”. Às vezes simplesmente apago o contato.
O mesmo faço no grupo de “colegas de trabalho”. O duro foi perceber que alguns colegas de trabalho, que eu pensava em transferir para o “Amigos” tiveram que ser apagados.
O vulcão Laki e a Revolução Francesa
Leiam abaixo o texto do portal R7 sobre vulcões na Islândia. Trata da hipótese, refutada pelo especialista citado no texto, da erupção do vulcão Laki ter influenciado a Revolução Francesa.
Revolução Francesa sofreu influência de vulcão islandês
Cinzas de outro vulcão, o Laki, causaram fome na Europa e provocaram convulsão social
Não é a primeira vez que um vulcão na pequena e desolada Islândia causa estrago no continente europeu. Há 227 anos, o vulcão Laki entrou em erupção e, segundo registros históricos, espalhou ainda mais cinza que o Eyjafjallajokull, responsável pelo fechamento do espaço aéreo do continente.
O rastro de fome e morte teria ajudado a motivar camponeses da França a aderir à Revolução Francesa (1789), que cortou a cabeça dos reis e derrubou a monarquia no país.
- Não sei se é verdade, mas dizem que um vulcão islandês levou à Revolução Francesa. É interessante, temos que ver ao que esse vai nos levar.
Segundo reportagem publicada no jornal Le Monde nesta terça-feira (20), as erupções do Laki em junho de 1783 e fevereiro de 1784 foram bem mais potentes que as do Eyjafjallajokull, em atividade desde a semana passada.
Cinzas do Laki levaram 20% dos islandeses à morte
O jornal cita o historiador Emmanuel Garnier, da Universidade de Caen. O autor do livro Les Dérangements du temps : 500 ans de chaud et froid en Europe (Os desarranjos do tempo: 500 anos de frio e calor na Europa) diz que as cinzas mataram 80% dos ovinos, a maioria das vacas e dos cavalos na Islândia. Cerca de 20% da população islandesa acabou morrendo de fome.
- Alguns historiadores contam que um casal de homossexuais chegou a ser morto como forma de expiação [penitência].
Garnier cita outros estudos mostrando que a mortalidade no Reino Unido e na França cresceu 30% acima da média, já que muita gente morreu intoxicada pela fumaça. Na Europa, 160 mil pessoas morreram.
O historiador, no entanto, é cético quanto ao vulcão ter motivado a Revolução Francesa de 1789, quando o povo foi às ruas e derrubou o regime aristocrático dos monarcas franceses, cortando a cabeça de Luis 14 e de sua, mulher Maria Antonieta, na guilhotina.
Garnier lembra que, pela primeira vez, o governo socorreu as vítimas em grande escala na França e que o rei conseguiu até mesmo construir uma imagem de "benfeitor" na época. Apesar da ajuda, o pesquisador também lembra que um dos motivos da revolução foi a crise agrícola no campo, que sofreu invernos rigorosos e depois um período de fortes chuvas - o impacto climático foi culpa do vulcão islandês.
Fonte: R7
9.4.10
Meus queridos e minhas queridas leitoras. Sim, refiro-me a todos os quatro ou cinco viventes que ainda tem a paciência de me ler.
Segue um excelente texto de Ladislau Dowbor, um intelectual acostumado a colocar a mão na massa, portanto merecedor do nosso respeito, pois aqueles outros que adoram títulos “honoris causa” e se encantam com os trololós não quero nem mesmo compartilhar do ar que respiram.
O texto foi abreviado por mim, mantive só a introdução, ainda assim está num tamanho um tanto quanto grande para um blog.
Surrupiei o danado da Agência Carta Maior, uma das minhas leituras diárias – ou quase. Querendo deleitar-se com o texto integral é só clicar aqui.
Os Dez Mandamentos
Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. O artigo é de Ladislau Dowbor.
Ladislau Dowbor
Como sociedade, desejamos não somente sobreviver, mas viver com qualidade de vida, e porque não, com felicidade. E isto implica elencarmos de forma ordenada os resultados mínimos a serem atingidos, com os processos decisórios correspondentes. Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. Não temos a ilusão relativamente à distância entre a realidade política de hoje e as medidas sistematizadas abaixo. Mas pareceu-nos essencial, de toda forma, elencar de forma organizada as medidas necessárias, pois ter um norte mais claro ajuda na construção de uma outra governança planetária. Não estão ordenadas por ordem de importância, pois a maioria tem implicações simultâneas e dimensões interativas. Mas todos os mandamentos deverão ser obedecidos, pois a ira dos elementos nos atingirá a todos, sem precisar esperar a outra vida.
Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Autor teve a prudência de acrescentar a cada Mandamento uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes.
I – Não comprarás os Representantes do Povo
Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Se é aceitável que os responsáveis de um banco central venham das empresas que precisam ser reguladas, e voltem para nelas encontrar emprego?
II – Não Farás Contas erradas
As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não nos indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros, em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas.
III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria
Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das necessidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU calcula que custaria 300 bilhões de dólares (no valor do ano 2000) tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos financeiros no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável morrerem de causas ridículas 10 milhões de crianças por ano. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem constatado nas políticas sociais de muitos países.
IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão
Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra na Índia demonstraram a sua viabilidade, como o mostram as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a poder viver decentemente, e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro-desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra.
V – Não Trabalharás Mais de Quarenta Horas
Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazermos mais coisas interessantes na vida. A subutilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, conforme vimos, com 100 milhões de pessoas na PEA, temos 31 milhões formalmente empregadas no setor privado, e 9 milhões de empregados públicos. A conta não fecha. O setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA. Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver.
VI – Não Viverás para o Dinheiro
A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim um resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais.
VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros
Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta-patente que os autorize a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor.
VIII – Não Tributarás Boas Iniciativas
A filosofia do imposto, de quem se cobra, e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança, e reorientada na aplicação dos recursos, constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta é dono de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre a herança é fundamental para dar chances a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. O imposto sobre a renda deve adquirir mais peso relativamente aos impostos indiretos, com alíquotas que permitam efetivamente redistribuir a renda.
IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento
Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo-benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento.
X – Não Controlarás a Palavra do Próximo
Democratizar a comunicação tornou-se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos em permanência cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas à publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional - e a sua crescente interação entre os dois níveis - gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos como símbolo de sucesso. O sistema circular permite que os custos sejam embutidos nos preços dos produtos que nos incitam a comprar, e ficamos envoltos em um cacarejo permanente de mensagens idiotas pagas do nosso bolso. Mais recentemente, a corporação utiliza este caminho para falar bem de si, para se apresentar como sustentável e, de forma mais ampla, como boa pessoa.
Nesta época interativa, o Altíssimo declarou-se disposto a considerar outros Mandamentos. Sendo o Secretariado do Altíssimo hoje bem equipado, os que por acaso tenham sugestões ou necessitem consultar documentos mais completos, poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sob www.criseoportunidade.wordpress.com. Críticas, naturalmente, deverão ser endereçadas a Instâncias Superiores. Apreciações positivas e sugestões de outros Mandamentos poderão ser enviadas ao blog acima citado, ou no e-mail ladislau@dowbor.org
Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. O artigo é de Ladislau Dowbor.
Ladislau Dowbor
Como sociedade, desejamos não somente sobreviver, mas viver com qualidade de vida, e porque não, com felicidade. E isto implica elencarmos de forma ordenada os resultados mínimos a serem atingidos, com os processos decisórios correspondentes. Os Mandamentos abaixo elencados têm um denominador comum: todos já foram experimentados e estão sendo aplicados em diversas regiões do mundo, setores ou instâncias de atividade. São iniciativas que deram certo, e cuja generalização, com as devidas adaptações e flexibilidade em função da diversidade planetária, é hoje viável. Não temos a ilusão relativamente à distância entre a realidade política de hoje e as medidas sistematizadas abaixo. Mas pareceu-nos essencial, de toda forma, elencar de forma organizada as medidas necessárias, pois ter um norte mais claro ajuda na construção de uma outra governança planetária. Não estão ordenadas por ordem de importância, pois a maioria tem implicações simultâneas e dimensões interativas. Mas todos os mandamentos deverão ser obedecidos, pois a ira dos elementos nos atingirá a todos, sem precisar esperar a outra vida.
Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Autor teve a prudência de acrescentar a cada Mandamento uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes.
I – Não comprarás os Representantes do Povo
Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Se é aceitável que os responsáveis de um banco central venham das empresas que precisam ser reguladas, e voltem para nelas encontrar emprego?
II – Não Farás Contas erradas
As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não nos indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros, em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas.
III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria
Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das necessidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU calcula que custaria 300 bilhões de dólares (no valor do ano 2000) tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos econômicos financeiros no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável morrerem de causas ridículas 10 milhões de crianças por ano. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem constatado nas políticas sociais de muitos países.
IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão
Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra na Índia demonstraram a sua viabilidade, como o mostram as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a poder viver decentemente, e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro-desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra.
V – Não Trabalharás Mais de Quarenta Horas
Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazermos mais coisas interessantes na vida. A subutilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, conforme vimos, com 100 milhões de pessoas na PEA, temos 31 milhões formalmente empregadas no setor privado, e 9 milhões de empregados públicos. A conta não fecha. O setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA. Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver.
VI – Não Viverás para o Dinheiro
A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim um resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais.
VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros
Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do público, e que para tanto precisam de uma carta-patente que os autorize a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor.
VIII – Não Tributarás Boas Iniciativas
A filosofia do imposto, de quem se cobra, e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança, e reorientada na aplicação dos recursos, constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das famílias do planeta é dono de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre a herança é fundamental para dar chances a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. O imposto sobre a renda deve adquirir mais peso relativamente aos impostos indiretos, com alíquotas que permitam efetivamente redistribuir a renda.
IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento
Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo-benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento.
X – Não Controlarás a Palavra do Próximo
Democratizar a comunicação tornou-se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos em permanência cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas à publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria da comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional - e a sua crescente interação entre os dois níveis - gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos como símbolo de sucesso. O sistema circular permite que os custos sejam embutidos nos preços dos produtos que nos incitam a comprar, e ficamos envoltos em um cacarejo permanente de mensagens idiotas pagas do nosso bolso. Mais recentemente, a corporação utiliza este caminho para falar bem de si, para se apresentar como sustentável e, de forma mais ampla, como boa pessoa.
Nesta época interativa, o Altíssimo declarou-se disposto a considerar outros Mandamentos. Sendo o Secretariado do Altíssimo hoje bem equipado, os que por acaso tenham sugestões ou necessitem consultar documentos mais completos, poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sob www.criseoportunidade.wordpress.com. Críticas, naturalmente, deverão ser endereçadas a Instâncias Superiores. Apreciações positivas e sugestões de outros Mandamentos poderão ser enviadas ao blog acima citado, ou no e-mail ladislau@dowbor.org
7.4.10
Hotel Transamérica transforma a zona sul de SP num inferno
O Hotel Transamérica fica localizado na Marginal Pinheiros, artéria viária fundamental para os moradores da Zona Sul de São Paulo.
Hoje tem dois eventos ocorrendo neste hotel, por conta disso a CET - órgão municipal responsável pelo trânsito da capital - interditou um dos acessos ao citado, transformando nossa vida num verdadeiro inferno.
O congestionamento ultrapassa 10 km e não se limita à Marginal, mas compromete todas as vias secundárias que, de algum forma, dão acesso ao local.
Será que a Prefeitura vai multa o Hotel? Os organizadores do evento? Não tem um único tópico na capa dos principais portais falando do assunto, mas se fosse uma manifestação de trabalhadores, aí a conversa seria outra.
Clique aqui para conferir os eventos no Hotel.
Hoje tem dois eventos ocorrendo neste hotel, por conta disso a CET - órgão municipal responsável pelo trânsito da capital - interditou um dos acessos ao citado, transformando nossa vida num verdadeiro inferno.
O congestionamento ultrapassa 10 km e não se limita à Marginal, mas compromete todas as vias secundárias que, de algum forma, dão acesso ao local.
Será que a Prefeitura vai multa o Hotel? Os organizadores do evento? Não tem um único tópico na capa dos principais portais falando do assunto, mas se fosse uma manifestação de trabalhadores, aí a conversa seria outra.
Clique aqui para conferir os eventos no Hotel.
3.4.10
Ao mestre com carinho
Vejam que interessante publicação da Folha de S.Paulo de hoje. Leiam nas entrelinhas, não deixem escapar as letras miúdas.
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