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7.9.10

16 anos de (des)governo tucano em São Paulo e a saúde pública

Os sucessivos governos tucanos em São Paulo tem se destacado pela destruição dos serviços públicos.
Talvez os amigos sociólogos consigam explicar a razão de ainda terem o apoio de grande parte da população deste estado. Eu tenho muitas dificuldades em compreender tal fenômeno.
São Paulo tem piorado seus indicadores sistematicamente ao longo dos últimos anos. Escolha uma área e lá encontrará o estado mais rico da federação em franca decadência.
Chamam-me a atenção a educação e a saúde particularmente.
Vejam que excelente texto sobre o caos da saúde pública em São Paulo, em que pese todo o repasse de verbas federais:

O sucateamento da saúde pública de São Paulo

João Paulo Cechinel Souza (*)

Os mutirões da saúde, proclamados e anunciados por José Serra como sua principal plataforma de trabalho na Saúde, têm na falácia do discurso e na grande mídia seus sustentáculos operacionais. Para os seguidores de teorias inocentes e despudoradas, como se faz parecer o dito presidenciável, os mutirões são a salvação da lavoura em meio a uma grande seca. Traz a resolução dos mais diversos problemas, que cotidianamente enfrentamos no país nessa área, através da contratação de alguns profissionais, que sairiam Brasil afora com essa nobre tarefa.
Numa análise simplista pode parecer plausível. E é – para problemas pontuais, que, diga-se de passagem, são raros na assistência à saúde. Em sua maioria, cirurgias para correção de catarata e problemas de próstata (apenas para citar aqueles referidos por Serra com mais frequencia), necessitam de avaliação pré e pós-operatória imediatas, além, obviamente, do seguimento ambulatorial dos pacientes submetidos a tais intervenções.
Infelizmente, como já escrevemos e evidenciamos em artigo anterior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16821), o acompanhamento prolongado e qualificado dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) não parece ser a preocupação do ex-governador de São Paulo.
Para se ter uma idéia melhor do que estamos falando, basta trazer aos leitores a avaliação de 350 mil usuários do SUS de São Paulo, efetuada pela própria Secretaria de Estado da Saúde (SES) – e cuja publicação só foi divulgada (tardiamente) após esforços oriundos de várias instituições e entidades vinculadas à Saúde no Estado, além de alguns órgãos de imprensa (http://www.saude.sp.gov.br/content/vuuecrupru.mmp). Resumidamente, a maior parte desses cidadãos relata ausência de vacinas do calendário básico em diversas unidades de saúde da SES, analgesia durante o parto realizada com “panos quentes” e a demora absurda na realização de diversos exames complementares.
No município de São Paulo, o atual prefeito Gilberto Kassab, seguidor e fiel escudeiro de Serra, pauperizou a tal ponto alguns dos hospitais sob tutela da Autarquia Municipal, que há vários meses, por exemplo, não existem colchões em hospitais da Zona Leste da cidade – uma das regiões de concentração das famílias mais carentes economicamente, enquanto a população atendida se aglomera dentro dos pronto-socorros como animais num abatedouro. A estratégia é clara – e antiga: o próprio Serra, junto com FHC, já a utilizou diversas vezes antes, durante sua gestão no Governo Federal, com os hospitais e universidades federais. Primeiramente, precariza-se ao máximo uma das “portas de entrada” da população aos serviços oferecidos pelo Estado (no caso, um pronto-socorro, hospital ou unidade básica de saúde).
Num segundo momento, aproveita-se a divulgação midiática da situação (demora no atendimento ou na realização de exames) e sua reverberação junto à população atingida pelo caso. Apresenta-se, então, a estratégia “milagrosa” – e sofismável, que há quase duas décadas permeia o dia-a-dia do atendimento à saúde no Estado de São Paulo: a entrega dessas instituições às Organizações Sociais (OSs).
Para se ter uma ideia da dimensão do problema, essas mesmas OSs, regulamentadas pela Lei 9637/98 (mas instituídas por Medida Provisória anterior), têm autorização para contratar (com dinheiro público) funcionários e serviços sem a necessidade de se realizar qualquer concurso ou licitação. Parece estranho, não? Mas assim têm funcionado em boa parte das instituições vinculadas à SES de São Paulo e que prestam atendimento por essas latitudes. A forma sui generis de administração de recursos oriundos do erário público encontra na alegação de que são entidades “sem fins lucrativos” a explicação nada plausível e totalmente incompreensível que Serra pretende utilizar de um lado a outro do país – e Geraldo Alckmin terminará de implantar em São Paulo. Os privilégios de alguns poucos diretores e gestores privados e o oferecimento à população, em contrapartida e como regra absoluta, de serviços de baixa complexidade tecnológica (que não realizam transplantes ou sessões de hemodiálise, por exemplo), já foi alvo de questionamento de diversas entidades e do próprio Ministério Público do Estado – que encontraram nessas aberrações administrativas uma forma quase perfeita de ludibriar uma série princípios legais ora vigentes no país, como a lei de licitações e o controle público dos gastos do setor.
Detalhe administrativo. Foi a isto que se resumiu a Saúde Pública paulista e paulistana sob a gerência demotucana. No mais, o ignominioso tratamento dispensado ao setor e a forma displicente de tratar aquele que deveria ser seu público alvo faz com que Serra continue utilizando álcool gel para higienizar suas mãos toda vez que chega perto desses cidadãos – e óleo de peroba no rosto toda vez que vai à televisão dizer que a Saúde foi, é ou será sua prioridade. De concreto, não deve conseguir mais do que o cantores genéricos para suas propagandas...

(*) João Paulo Cechinel Souza é médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior.

22.11.09

SARESP: o ápice da incompetência

O SARESP foi um completo engodo. Fracasso sob qualquer prisma analisado. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, comandada pelo ex-ministro Paulo Renato de Souza, omite a palhaçada e para isso conta com a contribuição substancial da grande imprensa.
Não fosse o blog NaMaria News e a gente não saberia coisas como as que seguem abaixo:
A narrativa fecunda em incidentes do SARESP 2009, a barafunda abissal, por enquanto, pode assim ser resumida:
  • Nem todas as escolas/classes/turmas, como preferir, receberam as provas corretamente. Entenda-se: no caderno de provas de português deve constar apenas questões de português e não de geografia ou matemática, que seriam em outro dia, por exemplo. Então o Miguelito está lá respondendo sobre a metafísica de uma charge sobre cortadores de cana e quando vira a página encontra gráficos, números e equações sobre venda de banana a quilo. Miguelito pensa que pirou ou as regras mudaram repentinamente ou ainda, que transformou-se em vidente. Mas não: foi erro do grosso mesmo, daquele mutirão dos 350 (ou mais) levado às pressas para a gráfica tapa-buraco do SARESP, a IGB - Indústria Gráfica Brasileira (Barueri), com os ônibus da JWA Transportadora Turística, contratada sem licitação em caráter de urgência. Problemas desta natureza aconteceram aos montes, em graus vários e diversas localidades paulistas.

  • Nem todos os gabaritos das provas chegaram, quando chegaram não correspondiam com as provas. Quer dizer, a Secretaria da Educação e a FDE disseram ter criado 26 provas diferentes, com 24 questões cada, para evitar o ocorrido com o ENEM, há pouco mais de um mês. Vai daí que cada prova tem sua respectiva folha de respostas - as questões são as mesmas, o que muda é a ordem das perguntas. Se o Miguelito faz a prova modelo 24, deve ter em mãos o gabarito 24, onde assinalará as opções de respostas que julgar corretas. Acontece que Miguelito recebeu o gabarito da prova 13. Entretanto, no modelo 24 a resposta da questão 1 é C, e no modelo 13 é A. Elementar a confusão em cascata a partir disto, no momento da correção. Vale ressaltar que muitas unidades escolares receberam apenas os gabaritos, prova que é bom, necas; é a lei da compensação.

Quer ler o relato completa de tamanha incompetência? É só clicar aqui.

17.2.09

Governo Serra também tira nota zero na Educação

E depois ainda dizem que a culpa é do professor...

O governo Serra divulgou o absurdo da quantidade de zeros que os professores eventuais receberam numa prova feita pela Secretaria da Educação.
O que o tal (des)governo não mostra são os absurdos da educação em São Paulo: a existência desse enorme contingente de professores temporários, por exemplo, eles não são funcionários públicos, mas também não são “celetistas”. Ausência de condições de trabalho adequadas, salários desestimulantes etc.
Claro que machuca a idéia de que um número tão grande de professores, habilitados, não consiga acertar uma única questão em 25.
Perguntinhas básicas: onde foram formados esses professores? Quem autorizou que tais arapucas funcionassem como faculdades? Quem as fiscaliza e como são fiscalizadas?
A mídia se ausenta dessa discussão, essencial para a construção de um país preocupado com os seus cidadãos.
Além disso, a grande mídia se omite em momentos cruciais. Cadê os jornais quando os estudantes pedem MAIS QUALIDADE nos seus cursos, como é o caso daqueles da UNIESP?
Hoje a Folha de S. Paulo, em texto excelente de Laura Caprioglione, nos mostrou, de maneira surpreendente, uma faceta da incompetência tucana na educação, leiam abaixo.

Estado põe aluno em puxadinho de madeira

LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

Os alunos da Escola Estadual Professora Eulália Silva, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, começaram as aulas com uma novidade. Onde havia a quadra de esportes, coberta há cerca de dois anos, os gols e as tabelas de basquete, a gestão José Serra (PSDB) improvisou seis salas de aula feitas de madeirite, aquelas folhas de madeira usadas para cercar obras.
As aulas de educação física, a partir de agora, serão ministradas em um pátio interno da escola, inadequado à prática de esportes de quadra -o pé direito é baixo e a área é pequena.
Ontem, as salas de madeirite não estavam prontas. Operários pintavam as paredes e fixavam as telhas de brasilite. O mobiliário escolar continuava empilhado. Não havia lousas.
Segundo a diretora Tânia Lucia dos Santos Escaler, 44, tudo deverá estar pronto hoje, quando devem começar as aulas dos 504 alunos de 1ª a 4ª séries, que serão alojados no "puxadinho".
A construção de alvenaria da escola tem 30 anos. Dispõe de 12 salas de aula. Mas o número é insuficiente para os 2.000 alunos dos ensinos fundamental e médio (há ainda uma classe para deficientes auditivos).

Seis por meia dúzia
Para acomodar todo mundo, o Eulália sempre teve três turnos diurnos (7h-11h, 11h-15h, 15h-19h), em vez dos clássicos turnos da manhã e da tarde.
Como o tempo de permanência dos estudantes na escola fosse pequeno durante a semana, obrigavam-se professores e alunos a também ter aulas aos sábados. "Nós não estamos trocando seis por meia dúzia", diz a diretora. De fato. Troca-se meia dúzia de dias de aula por cinco, com duração maior (7h-12h e 13h-18h). Com isso, acaba o chamado "turno da fome" -das 11h às 15h.
Segundo a diretora, as novas classes permitirão atender à reivindicação dos professores, que assim economizarão tempo e dinheiro de transporte.
Pais e alunos não ficaram tão animados. No auge do programa Escola da Família, ao qual o Eulália aderiu com entusiasmo em 2003, abrindo suas instalações para atividades extra-classe nos finais de semana, um dos pontos fortes, dizia-se, era o "efeito psicológico" de franquear a quadra a alunos que antes eram obrigados a pular o muro às escondidas para bater uma bolinha.
E agora? "A comunidade tem uma enorme capacidade de adaptação. Encontrará outros lugares para a prática desportiva", diz a diretora, para a qual as aulas de educação física também não serão afetadas. "É só mudar as atividades."
A engenheira Maria Célia Ribeiro Sapucaí, 58, diretora do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, diz que um ponto crítico das novas salas pode ser o isolamento acústico, já que os ambientes serão usados por turmas em geral barulhentas (cerca de 30 meninos com idades entre 7 e 10 anos).
No governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1995), na zona leste de São Paulo, construiu-se a Escola Estadual Cohab Carrãozinho com placas de madeira. Era para ser provisório. Durou 10 anos. Na época, um garoto dizia: "Gosto das aulas de português. Só que, quando a professora faz as leituras, a gente não consegue ouvir tudo nem consegue fazer as lições. O barulho é muito grande".
A diretora do Eulália não se intimida com o precedente: "Eu não crio problema antes de ele existir".
Folha de S. Paulo – 17/02/09.

18.10.08

A semana não foi fácil

Primeiro para minha pessoa: a recuperação da cirurgia da catarata que estava indo muito bem, danou-se! Pintou uma pequena inflamação e fiquei um tanto quanto assustado, pois parecia que o olho vertia sangue. Minha esposa disse que eu estava exagerando, em todo caso tive que retomar o repouso e voltar com os colírios do pós-operatório e ainda somar um antiinflamatório.
Isso, de certa forma, prejudicou minhas leituras nesta semana de recesso pedagógico, ou do saco cheio como gostam os alunos.
Mas é impossível não comentar alguns acontecimentos:

Campanha eleitoral em São Paulo
O marquetingue da Marta escorregou feio. Ao fazer insinuações, mesmo que sutilmente, sobre a orientação sexual do Kassab, atentou contra a história do Partido dos Trabalhadores e a da própria candidata, que tanto sofre com as picuinhas da imprensa e com o preconceito por defender a união civil entre homossexuais, por exemplo.
Lembro-me como se fosse hoje dos acontecimentos da campanha de 1989. Lula impediu que a campanha fosse levada para o mesmo fosso que Collor e o Grupo Globo a remeteu. E olha que material não faltava!

Polícia x Polícia
Mais uma demonstração da “capacidade de gerenciamento” do PSDB. Governam o estado de São Paulo desde 1995, sem interrupções, conseguiram afundar a educação, saúde e a segurança pública. Por estes temos lido que São Paulo, quando comparado aos outros estados da federação, paga muito mal aos seus professores e aos seus policiais.
O conflito, armado, entre policiais civis e militares trouxe ao público o autoritarismo do Serra e a incapacidade de lidar com extremos e de negociar.

Seqüestro em Santo André
Uma situação limite vivida pelos policiais, reféns e familiares.
Causam-me estranheza: a) o caso de uma refém libertada ter voltado para o cativeiro, penso que seja um caso único no mundo, que sirva de lição para que nunca mais aconteça; b) o acesso que a mídia teve ao seqüestrador. Não tem cabimento entrevistas ao vivo e a condição de estrelato que ele assumiu, mesmo sem ter pedido; c) o desfecho trágico, até agora sem uma explicação plausível por parte das autoridades estaduais, inclusive o governador.

A crise econômica dos EUA
O Brasil resiste à hecatombe, embora contra a vontade da mídia.
Se dependesse dos jornais e TVs nós já estaríamos de pires na mão batendo nas portas do FMI e seus asseclas.
Ela é séria e deve afetar o Brasil sim! Parece-me que muito mais na questão do crédito, que já escasseou para o cidadão comum e também para os investimentos privados.
Também devem sofrer aquelas empresas que se desviaram de sua atividade principal para ganhar dinheiro com operações especulativas.

O papel da nossa mídia nisso tudo
Lamentável!
Esforçaram-se para super-dimensionar a peça publicitária imbecil da campanha de Marta, sem fazer uma auto-crítica de episódios passados, inclusive de ataques à própria candidata no tocante às suas relações conjugais.
A Folha de S. Paulo protege o Serra de maneira descarada. Se tomarmos por base o noticiário da crise área, de responsabilidade federal, já deveríamos ter notícias do “Caos na segurança pública” na esfera estadual. Mas nada, apenas notícias assépticas, sem análises consistentes, amenizando as responsabilidades dos tucanos.
Já pensaram se tal crise acontece num estado governado pelo PT, PSB ou PC do B?
Aliás, Eduardo Guimarães, Luiz Carlos Azenha e Luis Nassif têm nos mostrado como a indignação da mídia nativa é altamente seletiva. Compensa lê-los com freqüência. Sem esquecer das leituras da CartaCapital e do Blog do Mino, é claro!
Quanto ao caso de Santo André, mais uma vez a tragédia é colocada no ar de olho no Ibope. O sensacionalismo barato toma a TV, principalmente a aberta, mas ecoa também no noticiário da TV paga. É óbvio que é um acontecimento extraordinário e como tal deve receber atenção da mídia, mas não seria o caso de submeter o noticiário a um interesse maior: a vida dos reféns?
Essa mania de transformar tudo em Big Brother é revoltante. Agora temos uma novidade copiada – argh! – dos estadunidenses: cada canal de TV leva para os seus estúdios uma infinidade de psicólogos, psiquiatras, especialistas dos mais diversos calibres. De maneira insana, traçam perfis, diagnósticos e apontam soluções a partir do conforto do estúdio e da distância dos fatos, como se fossem os donos de toda a verdade do mundo!
Finalmente a tal crise. Criticam a “aparente calma” do presidente Lula. Queriam o quê? Por acaso deveria ele alardear o pânico? Esconder-se embaixo da cama na Granja do Torto?
Ele cumpre o papel de estadista, que deve transmitir calma numa situação como essa, ao mesmo tempo em que toma medidas para diminuir os impactos negativos do episódio.
Caso a mídia fosse correta poderia tecer críticas quanto às medidas tomadas ou a velocidade das decisões, nunca a aparente calma do presidente.

Polícia x Polícia

A blogosfera continua nos brindando com ótimas surpresas! Rodrigo Vianna agora está blogando também.
Outro dia falei da volta do Blog do Mino, na sequência li o Balaio do Kotscho.
Hoje destaco um texto que retirei do Blog do Rodrigo Vianna, leiam:


"CAOS NA POLÍCIA"! "ESTADO SEM LEI"!IMAGINE AS MANCHETES SE O GOVERNADOR FOSSEBRIZOLA OU ALGUÉM DO PT?

Tenho 20 anos de Jornalismo. Quase todos na rua, como repórter. E nunca vi algo parecido com o que se passou ontem, a poucos metros do Palácio dos Bandeirantes.
Estava na redação da TV Record quando as primeiras imagens apareceram na TV. Chefes de Reportagem (alguns com ainda mais experiência que eu no Jornalismo) pareciam catatônicos: o que é isso? No Estado mais rico (?) do país, a barbárie fardada!
Que nome você, leitor, daria para um confronto armado entre Polícia Civil e Polícia Militar?
"Caos na segurança" seria o mínimo, não?
Ou, ao menos, "crise na polícia".
Os jornalistas dão o nome de "chapéu" àqueles títulos colocados no alto da página, e que em coberturas especiais se repetem, pra marcar o noticiário. Você já deve ter visto nos jornais... Dois anos atrás, durante meses, fomos bombardeados com páginas e mais páginas na imprensa sobre o "caos aéreo". O "chapéu" estava ali, a marcar e editorializar a cobertura sobre as falhas no sistema aéreo brasileiro
Pergunto: o que é mais grave: atraso em vôos ou polícia em greve?
Mas, abro a "Folha" hoje e não encontro o "chapéu" para o noticiário sobre o "caos na segurança".
As informações estão ali - com mapas, fotos, declarações.
Mas, é evidente o tratamento vip dado ao governo tucano por nossa imprensa.
Imagine se algo parecido tivesse acontecido num governo do PT, PCdoB, ou nos bons tempos de Brizola/PDT no Rio?
Qual seria a manchete? Quais seriam os "chapéus" estampados no alto das páginas?
"Estado sem lei", "Barbárie armada"...
(eu poderia inventar vários, porque durante um ano esse foi meu serviço, como redator do caderno "Cotidiano" da "Folha", o início dos anos 90)!
Essa falta de "combatividade" (!) da imprensa escrita com o governo tucano talvez explique porque o tom político na cobertura tenha partido de onde menos se esperava: ontem, era Datena, na "Band", quem cobrava uma palavra do governador!
Cobrava daquele jeito dele, mas cobrava. É o que se espera dos jornalistas numa hora dessas.
Por que Datena pode cobrar e a "Folha" não pode?
O maior jornal do país trata José Serra como se ele anda fosse o editorialista levado para trabalhar na Barão de Limeira pelo seu Frias, nos anos 80.
Serra é da casa, né?
Serra não pode ser cobrado.
Ninguém bota "chapéu" no Serra!

8.2.08

Os cartões corporativos

Novamente a mídia presta um desserviço à política ao trombetear a “farra dos cartões corporativos”.
Melhor seria se ela investigasse os desmandos, ilegalidades e ilegitimidades em todas as esferas do governo: executivo, legislativo e judiciário, bem como em todas as instâncias de governo: federal, estadual e municipal.
Acontece hoje algo semelhante ao “mensalão”. Poderia a imprensa ter, naquele momento, aprofundado a questão e realizado uma grande devasse nos caixas de campanha, escancarando as ilegalidades do sistema operado sabe-se lá desde quando.
Não fez isso. Embarcou numa ação partidária tentando legitimar o impeachment de Lula, deu com os burros n’água!
Novamente repete o erro.
Ao partidarizar a questão elimina a discussão política com “P” maiúsculo e novamente lança tudo o que pode contra o governo, talvez objetivando favorecer os seus candidatos – sim a grande mídia os tem as pencas – nas eleições municipais.
Ignora os problemas nos estados e municípios e quando os mostra, como faz a Folha de S.Paulo de ontem e hoje, só falta pedir desculpa para o seu candidato, no caso do Folhão é o José Serra.
Bem faz a OAB, que pede que todas as suas seccionais dediquem tempo e pesquisa aos cartões estaduais e gastos feitos de maneira semelhante. O pior: os estados não dispõem de um portal de transparência, como o governo federal, o que torna a missão muito mais difícil (clique aqui para acessar o Portal Transparência).
Graças ao Portal Transparência que a imprensa fez todo esse alvoroço, mas de modo classificatório.
Pegaram um ministro comprando tapioca, mas não pegaram o motorista do ex-presidente FHC abastecendo o automóvel 4 vezes no mesmo posto e no mesmo dia. Clique aqui para ver a “prova”, ou procure no Portal pelo nome do servidor.
Leia aqui o que o Blog Onipresente tem a dizer sobre o tema.
Já o Paulo Henrique Amorim, no site Conversa Afiada (clique no título para ter acesso à matéria), dedicou-se a noticiar os gastos, semelhantes aos do governo federal, do governador José Serra. A pressão de PHA deu certo e a Folha de S.Paulo teve que noticiar e tratar do tema também.
Então ficamos combinados: nada de errado com o uso de cartões corporativos e tudo de errado com as despesas ilegais, sejam elas realizadas com cartão corporativo, licitação fraudulenta ou outros meios ilícitos.