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11.8.09

Pela extinção do Senado

Insisto que não se trata de uma proposta oportunista ou moralista, nem mesmo de uma ideia antifederativa.
A necessária proporcionalidade entre as unidades da Federação está mantida na Câmara dos Deputados, conforme já demonstrei aqui.
Concordo plenamente com as análises de Luis Nassif – clique aqui para ler – que aponta um golpismo tucano nessa onda moralista. Querem destituir Sarney para apoderar-se da direção do Senado, assim ficaria mais fácil combater o candidato do presidente Lula em 2010.
No entanto, isso não é impeditivo para considerar a extinção pura e simples do Senado da República. Proposta, aliás, defendida por Eduardo Suplicy na sua primeira eleição, salvo traição desta frágil memória.
Hoje, no Terra Magazine, li uma entrevista com o presidente da OAB defendendo que se abram processos por quebra do decoro parlamentar contra os 81 senadores.
Ótimo!
Assim poderemos separar o joio do trigo, se é que há trigo por ali.
Clique aqui para ler a entrevista com Cézar Britto.

25.4.09

Ajudando a entender os assuntos "quentes" da semana

Claro que tem o clássico de domingo, assunto que não pode faltar, afinal decisão do Campeonato Paulista de Futebol envolvendo Corinthians e Santos é conversa para mais de metro, como se diz lá em Minas Gerais.
Mas teve o bate-boca no STF. A grande mídia ficou do lado do Gilmar Mendes, assim como se coloca sempre ao lado do Daniel Dantas. Já a blogosfera fechou, majoritariamente, com o ministro Joaquim Barbosa.
Quer entender a razão?
Veja a seguir cenas de denúncias explícitas:



A Veja condena o ministro Joaquim Barbosa e ainda por cima usa de preconceito da sua manchete, clique aqui (se tiver estômago para suportar a leitura do panfletão da Abril) e leia o máximo do pensamento da mídia de esgoto.
Desta vez, pelo menos, não culparam o Lula e o PT pelas desavenças.
No site do Luis Nassif Online tem até poesia sobre o tema, clique aqui e leia.
O Luiz Carlos Azenha, no Vi o mundo, abre para apoios, inclusive o de Nita Freire (é só clicar aqui para ir até o texto). Aqui o Azenha reproduz um texto, brilhante, do Mauro Santayana, publicado no JB do dia 24/4/09, imperdível!
A CartaCapital dá capa para o ministro Joaquim Barbosa. Um texto muito equilibrado e, como sempre, coloca os pingos nos “is”, ou seja, trata o fato como fato e opinião como opinião. Clique aqui e leia o editorial desta semana, assinado por Mino Carta.
Mudando de assunto temos o escândalo da vez: as passagens usadas pelos senhores deputados e senadores da república (assim mesmo, com letras pequenas).
É cortina de fumaça!
Não que a discussão não seja merecida, é claro que é!
Mas o problema é bem maior, a discussão verdadeira deveria ser ética e ter como centro a distinção entre as coisas públicas e as coisas privadas.
Esse é um problema que assola toda a sociedade. Não sabemos distinguir o que é público e o que é privado.
A cultura política do nosso país propiciou este descalabro.
Eu diria mais, esse negócio das passagens aéreas é troco miúdo!
Não custa lembrar que temos vários assuntos pendentes:
- a constituição da BrOi: empresários compram empresa de telefonia sem desembolsar um tostão! Vejam o que diz o site especializado Teletime (é só clicar no link);
- o episódio da Alstom (leiam aqui a coletânea de matérias feita por um blog petista sobre o tema).
Em temas como estes temos os verdadeiros assaltos ao erário público!
Sem contar os vários outros "negócios" que cercam as doações para partidos políticos (de oposição e situação nas varias esferas de governo), por exemplo.
Discutir cada escândalo serve apenas aos interesses momentâneos, tanto é que a mídia, com raras exceções, dificilmente dá seguimento às denuncias.

18.10.08

A semana não foi fácil

Primeiro para minha pessoa: a recuperação da cirurgia da catarata que estava indo muito bem, danou-se! Pintou uma pequena inflamação e fiquei um tanto quanto assustado, pois parecia que o olho vertia sangue. Minha esposa disse que eu estava exagerando, em todo caso tive que retomar o repouso e voltar com os colírios do pós-operatório e ainda somar um antiinflamatório.
Isso, de certa forma, prejudicou minhas leituras nesta semana de recesso pedagógico, ou do saco cheio como gostam os alunos.
Mas é impossível não comentar alguns acontecimentos:

Campanha eleitoral em São Paulo
O marquetingue da Marta escorregou feio. Ao fazer insinuações, mesmo que sutilmente, sobre a orientação sexual do Kassab, atentou contra a história do Partido dos Trabalhadores e a da própria candidata, que tanto sofre com as picuinhas da imprensa e com o preconceito por defender a união civil entre homossexuais, por exemplo.
Lembro-me como se fosse hoje dos acontecimentos da campanha de 1989. Lula impediu que a campanha fosse levada para o mesmo fosso que Collor e o Grupo Globo a remeteu. E olha que material não faltava!

Polícia x Polícia
Mais uma demonstração da “capacidade de gerenciamento” do PSDB. Governam o estado de São Paulo desde 1995, sem interrupções, conseguiram afundar a educação, saúde e a segurança pública. Por estes temos lido que São Paulo, quando comparado aos outros estados da federação, paga muito mal aos seus professores e aos seus policiais.
O conflito, armado, entre policiais civis e militares trouxe ao público o autoritarismo do Serra e a incapacidade de lidar com extremos e de negociar.

Seqüestro em Santo André
Uma situação limite vivida pelos policiais, reféns e familiares.
Causam-me estranheza: a) o caso de uma refém libertada ter voltado para o cativeiro, penso que seja um caso único no mundo, que sirva de lição para que nunca mais aconteça; b) o acesso que a mídia teve ao seqüestrador. Não tem cabimento entrevistas ao vivo e a condição de estrelato que ele assumiu, mesmo sem ter pedido; c) o desfecho trágico, até agora sem uma explicação plausível por parte das autoridades estaduais, inclusive o governador.

A crise econômica dos EUA
O Brasil resiste à hecatombe, embora contra a vontade da mídia.
Se dependesse dos jornais e TVs nós já estaríamos de pires na mão batendo nas portas do FMI e seus asseclas.
Ela é séria e deve afetar o Brasil sim! Parece-me que muito mais na questão do crédito, que já escasseou para o cidadão comum e também para os investimentos privados.
Também devem sofrer aquelas empresas que se desviaram de sua atividade principal para ganhar dinheiro com operações especulativas.

O papel da nossa mídia nisso tudo
Lamentável!
Esforçaram-se para super-dimensionar a peça publicitária imbecil da campanha de Marta, sem fazer uma auto-crítica de episódios passados, inclusive de ataques à própria candidata no tocante às suas relações conjugais.
A Folha de S. Paulo protege o Serra de maneira descarada. Se tomarmos por base o noticiário da crise área, de responsabilidade federal, já deveríamos ter notícias do “Caos na segurança pública” na esfera estadual. Mas nada, apenas notícias assépticas, sem análises consistentes, amenizando as responsabilidades dos tucanos.
Já pensaram se tal crise acontece num estado governado pelo PT, PSB ou PC do B?
Aliás, Eduardo Guimarães, Luiz Carlos Azenha e Luis Nassif têm nos mostrado como a indignação da mídia nativa é altamente seletiva. Compensa lê-los com freqüência. Sem esquecer das leituras da CartaCapital e do Blog do Mino, é claro!
Quanto ao caso de Santo André, mais uma vez a tragédia é colocada no ar de olho no Ibope. O sensacionalismo barato toma a TV, principalmente a aberta, mas ecoa também no noticiário da TV paga. É óbvio que é um acontecimento extraordinário e como tal deve receber atenção da mídia, mas não seria o caso de submeter o noticiário a um interesse maior: a vida dos reféns?
Essa mania de transformar tudo em Big Brother é revoltante. Agora temos uma novidade copiada – argh! – dos estadunidenses: cada canal de TV leva para os seus estúdios uma infinidade de psicólogos, psiquiatras, especialistas dos mais diversos calibres. De maneira insana, traçam perfis, diagnósticos e apontam soluções a partir do conforto do estúdio e da distância dos fatos, como se fossem os donos de toda a verdade do mundo!
Finalmente a tal crise. Criticam a “aparente calma” do presidente Lula. Queriam o quê? Por acaso deveria ele alardear o pânico? Esconder-se embaixo da cama na Granja do Torto?
Ele cumpre o papel de estadista, que deve transmitir calma numa situação como essa, ao mesmo tempo em que toma medidas para diminuir os impactos negativos do episódio.
Caso a mídia fosse correta poderia tecer críticas quanto às medidas tomadas ou a velocidade das decisões, nunca a aparente calma do presidente.

7.9.08

Isso não é propriamente um texto, é uma obra-prima!

Todos que me lêem sabem da admiração que tenho pelos textos de Luis Nassif, além do Bob Fernandes, Mino Carta, Luis Carlos Azenha e alguns poucos outros jornalistas nativos.
Hoje Nassif apresentou uma verdadeira obra-prima no seu blog. Por isso vou reproduzir o texto na íntegra - tim-tim por tim-tim - e também enviá-lo para minhas listas de e-mail, na esperança de que muitas outras pessoas o leiam.
Deleitem-se:
O parto de uma Nação

É extraordinário o que estamos testemunhando nesses tempos de Satiagraha: é o parto de uma Nação.
Haverá ainda muita frustração pela frente, muita sensação de impotência, muito ceticismo se o país conseguirá ser alçado à condição de Nação civilizada. Mas a marcha da história é inevitável.
Está-se em plena batalha da legalidade contra o crime organizado. Os jovens juízes, procuradores, policiais que ousaram arrostar décadas de promiscuidade estão no jogo. Se eventualmente forem calados agora, a decepção geral será o combustível para a reação de amanhã.
O país está submetido a duas forças que caminharam em paralelo mas, agora, começam a colidir.
Uma delas, a consolidação de valores republicanos – não necessariamente de práticas – como a impessoalidade no trato da coisa pública, a transparência cada vez maior, movimento acelerado pelo advento de novas tecnologias de informação, a reação contra a impunidade.
Ao mesmo tempo, tem-se um país institucionalmente refém de desequilíbrios enormes. A falta de transparência do ciclo que se esgota abriu espaço para amplos abusos em todos os poderes – Executivo, Legislativo, Judiciário e mídia, grande capital.
Criou-se uma enorme Nação de rabo preso em um momento em que a disseminação de valores e de tecnologia definia novos níveis para a transparência.
Ao mesmo tempo, o mundo (e o Brasil) ingressou em um ciclo de financeirização que permitiu a expansão ampla do crime organizado. Descrevo em detalhes esse processo no meu livro “Os Cabeças de Planilha”. Já tinha descrito esse modelo no meu “O Jornalismo dos anos 90”, no capítulo referente à CPI dos Precatórios.
A falta de regulação e controle nos mercados, a existência de paraísos fiscais, a complacência das autoridades reguladoras (e da mídia) criaram uma imensa zona cinzenta onde se misturou a contravenção fiscal com a corrupção política, a simbiose de “figuras notáveis” com o crime organizado. A falta de um regramento adequado e de instituições que combatessem os abusos, permitiu essa promiscuidade ampla.
Esse é o nó.
Agora, as instituições estão aí. Mas há um pesado passivo que não interessa a muitos que venha à tona. O resultado dessa batalha de transição é que definirá os rumos do país: se submetido aos limites da lei; ou do crime organizado.

Os novos atores
Aí entram dois atores. O primeiro, a mídia.
Já escrevi várias vezes sobre o tema, e volto a ele. Nesse ambiente promíscuo, parte da mídia passou a se valer da denúncia não como um instrumento de melhoria dos hábitos econômicos e políticos, mas como instrumento seletivo de poder. O esgarçamento dos critérios jornalísticos abriu espaço para os abusos que, agora, chegam a um ponto de alto risco para imagem da mídia.
Nesse movimento, papel essencial foi desempenhado pela diretoria de redação da Veja. Graças ao seu amadorismo, conduzindo uma operação de alto risco – os pactos com Daniel Dantas – escancarou um modelo que, em mãos mais hábeis, levaria mais tempo para ser percebido.
O segundo ator são os órgãos de repressão ao crime organizado, que surgem no início dos anos 90 e se consolidam a partir da gestão Márcio Thomaz Bastos no Ministério da Justiça.
A maior parte do dinheiro do crime organizado transita pelo mercado financeiro, através de operações esquenta-esfria, de doleiros, de esquemas em paraísos fiscais, um universo intrincado que passa ao largo da compreensão do cidadão comum.
Tenho muito orgulho em ter contribuído de alguma maneira para preparar esse terreno para o combate ao crime organizado.
No início dos anos 90 passei análises sobre o mercado financeiro para o juiz Walter Maierovitch, o primeiro brasileiro a estudar seriamente o fenômeno do crime organizado.
No início de 2003, a convite de Márcio Thomaz Bastos dei uma das duas palestras de abertura do Seminário que ocorreu em Pirinópolis, juntando Ministério Público Federal, Polícia Federal, COAF, Banco Central, Secretaria da Receita Federal. Juntei as informações e análises que tinha coletado na cobertura da CPI dos Precatórios e dos esquemas de doleiros – que serviram de base para meu livro.
Surpreendi-me ao me dar conta da extensão do trabalho que se propunha, essa integração necessária entre os diversos órgãos, a busca de ferramentas de análise, de equipamentos de monitoração, o entusiasmo dos jovens funcionários públicos e as figuras mais velhas, respeitáveis, de Cláudio Fontelles, Paulo Lacerda e Márcio Thomaz Bastos.
Montou-se a organização, preparam-se os funcionários públicos e lhes foi conferida uma missão. E eles passaram a seguir o manual. Institucionalizava-se o combate ao crime organizado. E, institucionalizado, passava a se tornar, também, impessoal. Assim como em nações civilizadas, não havia mais intocáveis a serem preservados.
Nesse momento, deu-se o choque com o Brasil velho.
O choque do antigo
No início havia convivência estreita entre os dois poderes: a nova estrutura de repressão ao crime organizado e a mídia.
Houve muitos abusos, sim, invasão de escritórios de advocacia, vazamento de peças do inquérito. É possível que abusos continuem a ser cometidos. Mas tudo era suportado, defendido pela mídia, na condição de aliada preferencial, tendo acesso aos “furos” e blindagem contra abusos.
A convivência prosseguiu enquanto órgãos de mídia entendiam que a aliança lhes garantia salvo-conduto. Explodiu quando se revelou a extensão da Operação Satiagraha.
Aparentemente, a Operação Satiagraha flagrou quatro grupos envolvidos com o crime organizado: advogados, juízes, políticos e jornalistas/empresas jornalísticas. O que se pretende, agora? Julga-se ser possível varrer o processo para baixo do tapete? Em plena era da Internet, dos blogs, dos sites, do e-mail, julga-se ser possível passar em branco essa monumental manipulação das informações que se vê agora?
O jogo está no fim. Daqui para diante será esperneio. Continuarão assassinando reputações, promovendo factóides, manipulando ênfases. É possível que destruam Paulo Lacerda, Protógenes, De Sanctis e todos os que ousarem enfrentar esse tsunami. Mas não conseguirão parar a história.
Desse lamaçal, vai emergir uma nova mídia, uma reavaliação na qual os jornais sérios entenderão, em algum momento, que não dá mais para se envolver até o pescoço por uma solidariedade corporativista com os que transigiram.
E não adianta tentar transformar essa guerra em um Fla x Flu, Lula x oposição, PSDB x PT. Não cola. É uma briga da lei contra o crime organizado. Há que se definir limites para evitar abusos. Mas o que está em jogo é a tentativa de desmonte dessa estrutura.
Apostar que serão bem sucedidos, será apostar no atraso, na falta de leis, na manutenção dos abusos da mídia e dos grampos ilegais, no império do crime organizado, na promiscuidade entre poderes.
É esse o país que vamos entregar para nossos filhos? É evidente que não.

Fonte:
Luis Nassif Online – 07/09/08.

30.8.08

Luis Nassif narra mais uma peripécia da Veja

Luis Nassif continua mostrando os caminhos tortuosos percorridos pela revista Veja. O tema da matéria de hoje é a relação desta com Paulo Lacerda, diretor da ABIN e ex-diretor da Polícia Federal.
Nassif demonstra, de forma irretocável, mais uma vez os métodos da revista.
Veja o trecho incial da matéria:
O assassinato do intocável

Na edição de 20 de outubro de 2004, Veja veio com uma capa bombástica: “Os Intocáveis, A guerra do grupo de agentes de elite contra o crime organizado e a corrupção na Polícia Federal”.
No dia 13 de agosto de 2008, a capa “Espiões Fora do Controle”, falando da mesma PF e dos mesmos métodos elogiados anteriormente.
Para ler o restante é só clicar aqui.

25.7.08

13% ao ano

A nova taxa SELIC (clique aqui para saber o que é isso) pode significar um tiro no pé do país. Mesmo que não trave o crescimento, inibe a sua velocidade, o que é muito ruim, uma vez que precisamos de crescimento para diminuir o desemprego e melhorar o padrão de renda da população.
Clique aqui para saber quem ganha com os juros altos.
Somente lastreado numa sólida política de crescimento econômico os agentes políticos poderão brigar por desenvolvimento, quanto menor ou mais lento esse crescimento, pior para os agentes menos organizados e com menor poder de “fogo político”.
O texto que segue foi retirado do blog do Luis Nassif. Como sempre uma análise clara, responsável e recheada de bom senso.


O samba do Copom

O Banco da Inglaterra tem que administrar dois problemas: a inflação e o crescimento. Esta semana, os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) de lá não conseguiram de forma alguma chegar a um consenso. Se sobem os juros, combatem a inflação mas afetam o crescimento; se reduzem os juros, estimulam o crescimento mas aquecem a inflação.
Houve um racha total entre os que propunham aumento, redução e manutenção dos juros.

***
O Copom (Comitê de Política Monetária) brasileiro tem um problema adicional, que não existe para o Banco da Inglaterra: as contas externas. A libra é moeda conversível. O câmbio tem importância para regular atividade econômica e/ou preços. Como os juros estão baixos, aumentos adicionais não trazem forte impacto sobre as contas públicas.
Mesmo assim, os sábios ingleses não conseguiram chegar a um consenso para definir os rumos da taxa.

***
No Brasil, os jovens do Copom não têm o menor vacilo: em qualquer hipótese, sobem os juros. Mesmo tendo de administrar quatro problemas: inflação, crescimento, dívida pública e contas externas. Não há avaliação da relação custo-benefício de uma pancada de 0,75 ponto na taxa Selic.

Olha o custo:

1. Em termos de dívida pública, significa R$ 4,8 bilhões adicionais em pagamento de juros. É quase meia Bolsa Família.
2. Em relação às contas externas, significará derrubar mais ainda o dólar, em um momento de franca deterioração do déficit externo.
3. Em relação ao próprio combate à inflação, significa tornar muito mais virulenta o refluxo do câmbio. Quanto maior a queda, agora, mais intensa será a desvalorização quando o mercado perceber a não sustentabilidade do déficit.

***
O terrível nessa história é a incapacidade do BC de apostar na dinâmica da economia. Suponha um doente, com uma infecção qualquer. O médico receita antibiótico e acompanha a evolução da doença. Quando sente que o pior já passou, trata de reduzir a dosagem para evitar seqüelas no organismo.
Há inúmeros sinais de que o pico da inflação já pode estar chegando ao fim.
O último dado da FGV mostra uma menor pressão do preço dos alimentos. Suponha que os preços internacionais de commodities mantenham o mesmo nível atual – já que é quase impossível supor altas adicionais nas cotações. Significará, no mínimo, que não haverá inflação de alimentos no segundo semestre.

***
Caso ocorra uma valorização do dólar, haverá tendência de queda nas commodities, reduzindo um dos principais fatores de pressão sobre a inflação.
No campo do crédito, os bancos estão trabalhando com cuidado redobrado para evitar uma explosão da inadimplência. E há indicadores da própria FGV e da Serasa mostrando menor propensão das indústrias a investimentos adicionais.

***
Se houve a senhor idade e a competência do Banco da Inglaterra, nossos jovens do Copom no mínimo manteriam a taxa Selic no nível atual. Aguardariam mais algum tempo observando o desenrolar desses processos.
Principalmente porque há uma defasagem de tempo entre alta de juros e reflexos na economia.
Mas só conhecem o samba de uma nota só: aumentar juros.

Fonte: Luis Nassif Online – 25/7/06.

14.7.08

Para além de Daniel Dantas

Luis Nassif expõe com muito didatismo a gênese do processo que assola o país. Claro que a figura do político corrupto, tão presente no noticiário e no anedotário popular, é a cereja do bolo, mas é de fácil percepção que, independente dos políticos, a máquina de corrupção e de criminalidade viceja na iniciativa privada, principalmente nas rodas de finanças.
Se desejar conferir o artigo na publicação original, clique aqui, se tiver preguiça de ir até o blog Luis Nassif Online leia-a abaixo:


O Estado brasileiro contra o crime

Coluna Econômica: 10/07/2008

A operação que prendeu Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta é simbólica – até pelo perfil dos três prisioneiros. Chegou-se ao centro do crime organizado, não especificamente pelos nomes envolvidos, mas pelas inter-relações que permeiam esse mundo complexo das finanças internacionais.
A primeira vez que se chegou perto desse mundo foi na CPI dos Precatórios. Inicialmente foi montada para senadores poderem atacar inimigos estaduais. Quando evoluiu, se percebeu que estava enveredando por terras nunca antes percorridas: o grande submundo do crime. Aí, a CPI recuou. O tema voltou a ser tangenciado na CPI do Banestado e volta agora, com essa operação da Polícia Federal.
Esse mundo começou a se formar a partir da grande liberalização financeira iniciada no início dos anos 70. Ganhou corpo nos anos 80 e maioridade nos anos 90. Em meu livro “Os Cabeças de Planilha” tento descrever esse processo.
O modelo foi baseado em alguns atores. Primeiro, o livre fluxo de capitais. Depois, a disseminação de paraísos fiscal. Finalmente, a possibilidade de criação de fundos off-shore – sediados nesses paraísos – em que a propriedade do capital era escondida.
O modelo permitiu juntar de tudo no mesmo balaio. Dinheiro de narcotráfico, petrodólares, corrupção política, caixa 2, comércio de jogadores de futebol, jogadas financeiras, junto com recursos de procedência legal.
Os Estados nacionais acabaram perdendo o controle sobre esses processos. O crime organizado avançou como nunca se vira antes.
O que se viu nos anos 90 foi uma esbórnia, similar – mas com muito maior intensidade – que a ocorrida no primeiro grande processo de universalização financeira, que pega as três últimas décadas do século 19 e vai até a Primeira Guerra.
Cria-se uma cadeia com muitos agentes. Há o agente público corrupto – no caso, o ex-prefeito Celso Pitta. Depois, o operador, o homem que sabe pensar os grandes negócios e remunerar o agente – no caso, Naji Nahas. Esse processo de sair e entrar com dinheiro exige know how. Passa por doleiros, por operações financeiras sofisticadas para “esquentar” ou “esfriar” dinheiro, por conhecimentos internacionais.
Finalmente, tem a figura do banqueiro de investimento, o gestor de fundos, o sujeito que junta esse dinheiro da contravenção com dinheiro oficial e passa a buscar investimentos na economia formal. Aí entra Daniel Dantas, personagem que misturava o banqueiro que tratava com dinheiro clandestino e corruptor.
Gradativamente, os Estados nacionais começam a enquadrar esse modelo. Anos atrás, após os escândalos da Enron, o Congresso americano aprovou uma lei severíssima, que acabou inibindo o jogo nas grandes corporações. Se se lembrar, até Citigroup e IBM andaram se envolvendo com corrupção na América Latina.
Depois, os Departamentos de Receita avançaram, atuando em conjunto com as forças anti-crime organizado. Casos como da Asltom, ou a abertura de inquérito contra o UBS em Nova York marcam esse novo movimento.
A prisão dos três personagens joga o Brasil, finalmente, na linha de frente da atuação contra o crime organizado.

13.7.08

A mídia e Daniel Dantas

De repente todos os órgãos da chamada grande imprensa descobriram que Daniel Dantas não é flor que se cheire. Será?
As revistas Veja e Istoé Dinheiro esmeravam-se, não faz muito tempo, em dar páginas e capas, inclusive a primeira foi porta-voz de um dos seus dossiês, aquele no qual denunciava que figuras de proa do governo atual, incluído o próprio presidente Lula, detinham contas “secretas” no exterior.
A grande exceção nessa trama sempre foi a revista CartaCapital. A revista comandada por Mino Carta não economizou tinta para denunciar e mostrar as falcatruas que o banqueiro de ACM aparecia. De 1998 para cá conta-se, pelo menos, 20 notícias de capa sobre as artimanhas de Daniel Dantas e seus bons companheiros.
A revista eletrônica Teletime também. Assim como alguns jornalistas como Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Bob Fernandes.
Destaca-se na semana a cobertura da revista eletrônica Terra Magazine para as peripécias do Daniel Dantas. Prende-solta-prende-solta. Vejam alguns textos que merecem ser lidos:
Exclusivo: PF prende Dantas e organização criminosa
Inferno de Dantas - Um Raio X do Opportunity Fund
Dantas-Nahas: Para entender a organização
PF viveu guerra e espionagem para prender Dantas
Com prisão preventiva, um xeque-mate em Dantas
Dantas: "Vou contar tudo! Detonar!"
Maierovitch: Gilmar Mendes está "extrapolando"
Para quem desejar compreender esse episódio em profundidade, recomendo algumas leituras do blog Luiz NassifOnline, especialmente as listadas a seguir:
O caso Veja (série de matérias denunciando o péssimo jornalismo de Veja, suas maquinações e estripulias, dentre elas as ligações de alguns jornalistas com Daniel Dantas)
Fogo de encontro
A luta contra os paraísos fiscais
O xadrez de Dantas
Considero estas leituras, bem como o acompanhamento do Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim e do Vi o Mundo do Luiz Carlos Azenha, indispensáveis àqueles que querem compreender o imbróglio Daniel Dantas.

11.5.08

O caso FARCs, ou Como a Veja ilude os seus leitores

Luis Nassif (clique aqui caso não conheça o blog dele) continua denunciando o péssimo jornalismo da revista Veja. Com textos certeiros Nassif “mata a cobra e mostra o pau”, conforme o dito popular.
Ao esmiuçar a lógica perversa do panfleto semanal ele nos fornece aulas de bom jornalismo e de cidadania.
O que as matérias de Nassif questionam não é o fato de a revista tomar partido, mas sim a maneira como ela manipula os leitores, sem nenhuma sombra de consciência ou bom trato da notícia.
Segundo números alardeados pela própria publicação ela vende 1 milhão de exemplares por semana, seria esse o número de leitores enganados?
Vejam um trecho da última matéria do Luis Nassif:

Na edição de 16 de março de 2005, Veja cometeria mais um de seus malabarismos editoriais, com a matéria “Tentáculos das FARC no Brasil”.
Foi matéria de capa. A ilustração era uma metralhadora e o texto incriminador:
“Espiões da ABIN gravaram representantes da narcoguerrilha colombiana anunciando doação de 5 milhões de dólares para candidatos petistas na campanha de 2002”.
Depois, outro texto:
“PT: militantes serão expulsos se pegaram dinheiro das Farc”.
Havia excesso de textos na capa, ferindo princípios básicos de clareza editorial. A revista estava em plena campanha, na sucessão de capas sobre Lula. E pouco se lhe interessava saber da consistência ou não das matérias. Nas páginas internas, ficaria mais claro o estilo Veja de criar matérias através da manipulação de ênfases.


Para ler a matéria na íntegra e também as outras sobre a Veja, basta clicar aqui.

5.5.08

O Brasil recebeu o IG

Chique não?
Pois é, mas o que isso muda na vida dos comuns mortais que labutam com intensidade na busca da santa sobrevivência diária?
Há um debate muito interessante travado na blogosfera, entre Luis Nassif e Eduardo Guimarães.
Nível elevado, cortês e esclarecedor.
Clique aqui para ler o Luis Nassif, para quem o investment grade é uma armadilha que nos custará caro. Clicando aqui (procure por “A vitória do mercado”) você lê Eduardo Guimarães, que tem a perspectiva de melhoria econômica com essa espécie de abono que recebemos da agência de classificação de risco.
Agora se você ainda não sabe o que é investment grade clique aqui para uma explicação bem didática. Se a dúvida é sobre agência de classificação de risco – papel da Standard & Poor's – clique aqui para descobrir.

25.4.08

O caso Veja – mais um capítulo

Luis Nassif continua sua saga. Artigo após artigo desmonta a forma da revista Veja e dos seus articulistas de aluguel operar.
Abaixo uma pequena amostra do novo texto, intitulado “As relações incestuosas na mídia”:

O que interessa, neste capítulo, é a explicitação das relações de Mainardi com Janaína, e de ambos com Daniel Dantas.
Vamos entender melhor quem é a parceira de Mainardi nesse jogo.
No seu blog, Janaína Leite se apresenta como “consultora”. Não há nenhuma indicação sobre quem são seus clientes. No seu período na "Folha" atuou em uma série de matérias francamente suspeitas, conforme se demonstrará a seguir. Todas elas seguiam a mesma linha de denúncias utilizada por Mainardi quando trata do tema telefonia.
Vamos à análise de quatro casos.

Para ler o texto na íntegra basta clicar aqui.

15.4.08

Educação no centro do debate

A publicação do ENEM trouxe o debate sobre educação para o olho do furacão.
As revistas Época (leia um trecho da matéria clicando aqui) e Veja (leia aqui) trouxeram matérias especiais sobre o tema. Sobre elas escreverei depois.
O Estadão de hoje também. A matéria do Estadão está aqui. O blog do Luis Nassif (clique aqui para acessá-lo), no lápis do próprio, apresenta o seguinte comentário:

O Estadão traz matéria sobre os cursos apostilados utilizados pelas redes municipais de ensino em São Paulo. Elogia o material, os resultados, traz alguns dados de municípios bem sucedidos.
Mas passa ao largo das principais críticas ao sistema:
1. A falta de transparência nos processos de aquisição, que faz com que, em muitas prefeituras, acabe se transformando em negociação entre o prefeito e o curso, com os professores sendo deixados de lado.
2. Não menciona que, ao adquirir esses cursos, as prefeituras investem recursos próprios e abrem mão das próprias verbas do MEC.
3. Não menciona que a própria Secretaria de Educação de São Paulo está preparando seu curso apostilado para garantir a uniformidade do ensino e não abrir mão dos livros oferecidos pelo MEC. E pela preocupação com a falta de controle nesse mercado.
Em suma, há um mercado não regulado aí, com ampla margem para negócios pouco ortodoxos, que passou ao largo da argumentação.

Nassif acerta nestas preocupações e a elas podemos adicionar outras tantas, como por exemplo, a aposta, realizada por municípios e agora também pelo estado de São Paulo, na impossibilidade de formar bons professores, centralização de currículos, “vigilância” sobre professores e alunos, mecanização da aprendizagem etc.
A unificação curricular desta forma é antidemocrática, pois não ouve um dos principais interessados: o professor. Também não leva em conta a sociedade, uma vez que ignora as manifestações de especialistas e entidades de classe.
Outro tema da moda é a estúpida idéia de remunerar os professores em razão dos resultados obtidos pelos seus alunos nos exames externos, como se isso fosse o fim último do processo educacional.
Embora a educação tenha sido um dos principais assuntos da mídia nas últimas semanas, isso ocorreu apenas pelo viés economicista, pautando-se por pequenas questões de ordem estatística ou competitiva, deixando de lado a real importância de um processo educacional digno: uma sociedade mais justa e solidária!

4.4.08

Os blogs e o “dossiê”

Alguns blogueiros de “responsa” estão respondendo devidamente ao “novo escândalo” produzido por aquela revista maldita e reverberado pela Folha (de rabo preso com alguém).
Mesmo órgãos conservadores da mídia, como o Estadão e a Época, não embarcaram nessa onda de peito aberto, fizeram-no com ressalvas.
Seguem dicas dos blogs que se debruçaram sobre o tema. Leitura preciosa é o Carteiro do Poeta (clique aqui). Ele pega leve, usa o Diário Oficial para achar os perigosos espiões que ameaçam o governo Lula.
O sempre ótimo Cidadania.com, do Eduardo Guimarães, destrincha a matéria da Folha de hoje, que aponta para um novo dossiê – quem assistiu aos telejornais da noite já deve ter visto a entrevista coletiva da ministra Dilma Roussef sobre isso. Clique aqui para ler a análise criteriosa do Eduardo.
Luis Nassif tem dado show de bola no episódio. Com aguçado senso jornalístico ele bate pesado na mídia que pratica o péssimo ofício de desinformar, desde os primeiros momentos. Para ler as matérias do Nassif clique aqui, aqui e aqui.

4.3.08

Luis Nassif x Veja

A série de matérias do Luis Nassif sobre o péssimo jornalismo (?) praticado por Veja continua. Para ter acesso a todos os texto é só clicar no link abaixo:
http://luis.nassif.googlepages.com/home

13.2.08

Luis Nassif desvenda o fenômeno Veja – III

Nassif continua sua saga, pronto a demonstrar de forma clara, sem deixar dúvida alguma, o tipo de jornalismo asqueroso praticado pela revista Veja.

No décimo capítulo da série sobre a Veja, relato a segunda tentativa de "assassinato de reputação" perpetrada pela revista, depois do advento da era Dantas. Desta vez o alvo foi o ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Edson Vidigal (clique aqui). Repare como a reportagem anunciou que Vidigal seria julgado pelo Conselho Nacional de Justiça. E, dias depois, de fato houve uma denúncia mas... tomando por base a própria reportagem - uma armação óbvia.

Para ter acesso aos “capítulos” é só clicar aqui.

8.2.08

Luis Nassif desvenda o fenômeno Veja – II

O jornalista Luis Nassif continua sistematizando as denúncias contra o jornalismo praticado pela Revista Veja.
Clique aqui e tenha acesso aos primeiros capítulos desta saga, vale a pena ler com muita atenção!
Neste arquivo você encontrará:

Os momentos de catarse e a mídia
A mudança de comando
A guerra das cervejas
O caso André Esteves
O caso COC
Primeiros ataques a Dantas
Assassinatos de reputação

Caso queira acessar o blog Luis Nassif Online é só clicar aqui.

30.1.08

Luis Nassif desvenda o fenômeno Veja

Todos os leitores deste humilde blog conhecem a admiração e o respeito que tenho por Luis Nassif. Ele nos brinda agora com uma série de análise decifrando para nós, leigos e não iniciados na arte da manipulação, como a revista Veja chegou ao atual estágio de degradação jornalística. Ela só consegue manter-se entre as maiores publicações do país em razão da baixa qualificação intelectual da nossa classe média, suspeito eu que é a mesma turma que garante audiência para os tais BBB.
Leiam o texto que reproduzo abaixo e não deixem de clicar no link final, com paciência para fazer a leitura completa.


O fenômeno Veja
http://www.projetobr.com.br/blog/5.html

Recentemente, estimulei uma competição com um blogueiro da revista – contratado especificamente para atacar os adversários de Veja. Havia duas razões relevantes para tanto.
Primeiro, para demonstrar que, com a Internet, cessou o predomínio das grandes publicações. É possível, mesmo sem ter um grande órgão da imprensa tradicional por trás, mobilizar pessoas para esse trabalho cooperativo, de disseminar informações. É o verdadeiro trabalho em rede, no qual – graças à Internet – cada pessoa dá sua colaboração, pegando as informações e levando para seus círculos de conhecidos.
Segundo, para que essa rede, formada nesse período, ajude a dar visibilidade a essas reportagens que passo a publicar.
Não será um desafio fácil. Estaremos enfrentando o esquema mais barra-pesada que apareceu na imprensa brasileira nas últimas décadas. E montado em cima de um tanque de guerra: uma publicação com mais de um milhão de exemplares.
Tenho convicção de que a força do jornalismo e do trabalho em rede permitirão decifrar o enigma Veja. Para tanto, conto com a mobilização de todos vocês. Não se trata mais de um mero exercício esportivo de aquecer uma eleição de Blog. Trata-se, agora, de uma questão nacional que, tenho certeza, ajudará a reabilitar o exercício do jornalismo, mesmo na grande imprensa.

O macartismo e o jornalismo de negócios
O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.
Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.
O primeiro, são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.
O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década.
O terceiro, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.
A partir de agora, e nos próximos dias, publicarei, em capítulos, a história que tenta explicar esse fenômeno de anti-jornalismo.
No capítulo 1 – "Os Momentos de Catarse e a Mídia" – analisam-se as pré-condições que abriram espaço para o estilo que tomou conta da revista nos últimos anos.
No capítulo 2 – "A Mudança de Comando", o que significou a ascensão de Eurípides Alcântara e Mário Sabino ao comando da revista de maior circulação do país. Clique aqui.
O endereço para acessar as matérias é
http://luis.nassif.googlepages.com/home. Ou clicando
aqui.
A partir dessa página se terá acesso aos capítulos que serão publicados.

14.12.07

Baita texto do Nassif

Texto lúcido e claro do Luis Nassif. Jornalistas desse porte ainda nos dão a esperança de uma imprensa apta a discutir o país.

A CPMF e a pequenez nacional

A derrota do governo, no episódio da renovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) traz inúmeras lições.
A primeira é sobre a excepcional falta de criatividade e de despreendimento nos momentos de grandes impasses. O governo não queria estabelecer limitações às formas de aplicar os recursos. A oposição não queria mais recursos, que pudessem melhorar a governabilidade. Prova de que não há nada mais parecido com o PT na oposição do que o PSDB; e nada mais parecido com o PSDB na situação do que o PT.
***
O impasse poderia ter permitido inúmeras saídas consensuais, que ajudassem a aplacar o radicalismo das próximas eleições e passassem à opinião pública uma imagem mais produtiva dos partidos políticos.
A aprovação poderia ser amarrada ao compromisso formal de redução dos encargos trabalhistas. Ou à redução de outros tributos terríveis, como o Pis-Cofins, amarrado à melhoria da arrecadação federal. Poderia ter significado garantia de recursos à saúde e tudo o mais.
Nada a oposição propos; com nada o governo se comprometeu. Sobreveio o impasse.
***
A segunda consequência será a precipitação dos embates internos no PSDB. Único partido com condições de enfrentar o PT nas próximas eleições, o PSDB é um tucano partido ao meio.
Em tempos de paz, os verdadeiros comandantes do partido são os governadores. Por várias razões interessa a eles conviver pacificamente com o governo federal. Primeiro, pela perspectiva de colaboração, que deve marcar um país federativo. Depois, para não ter que enfrentar um líder carismático como Lula, em uma eleição polarizada. Finalmente, para não herdar um país conflagrado, em caso de vitória.
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Na outra ponta, estão os ex, ex-presidente como Fernando Henrique Cardoso, ou senadores de futuro político incerto, como esse truculento Arthur Virgílio. Eles só crescem em ambiente de guerra. A FHC interessa a guerra para ampliar seu espaço no PSDB e interessa que o governo Lula afunde, pois só assim – pelo efeito-comparação – poderia aspirar um julgamento mais benevolente da história para seu governo.
Ao contrário de outros ex-presidentes, como Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, FHC é um ex dotado de nenhuma grandeza, de nenhuma responsabilidade cívica.
Serra e Aécio estão aguardando para se posicionar mais perto das eleições. Correm o risco de herdar um partido exangüe. Se a CPMF não for restaurada, cada problema do governo Lula, cada investimento que deixar de ser feito, cada piora nas áreas sociais terá responsáveis diretos: o PSDB, seus senadores e FHC.
Havia receio de que a aprovação da CPMF pavimentasse o sucesso do governo Lula. Agora, qualquer fracasso terá um responsável direto: a oposição.
***
Os ecos dessa votação serão ampliados com o tempo. Ajudará a reforçar o discurso de que o governo Lula está sendo vítima de uma “conspiração das elites” - apesar da verdadeira elite, o mercado financeiro, nunca ter ganhado tanto.
De qualquer modo, saem divididos o país, a oposição e qualquer veleidade da opinião pública sobre a qualidade dos nossos homens públicos.

CPMF e Selic
Em qualquer economia racional, a derrubada da CPMF levaria o Banco Central a reconsiderar a questão da taxa Selic, que definr o patamar de remuneração dos títulos públicos. Se a carga de juros já era elevadíssima, com o corte da CPMF a necessidade de superávit primário aumentará mais ainda. Por isso mesmo, quanto maior o peso dos juros, maior a percepção de risco no Brasil. O natural seria a queda da Selic.

Luis Nassif
Publicado em: Luis Nassif Online – 14/12/07.