19.12.07

A transposição do São Francisco

Foto: Terra Magazine

Tema polêmico. Ganhou destaque nos jornais por conta da greve de fome de Dom Luiz Cappio, bispo de Barra (BA).
Obra de grande valor político-eleitoral para Lula, foi bandeira de sua primeira eleição e tema central da reeleição, sendo menina dos olhos de um dos pré-candidatos à presidência da República em 2010, Ciro Gomes, que, como até o mandacaru sabe, é um dos preferidos do presidente Lula para sucedê-lo.
Do ponto de vista político temos as lideranças da Bahia colocando obstáculos à transposição, enquanto aquelas do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco, se é que é possível colocá-las todas no mesmo barco, apóiam o projeto.
Os técnicos também divergem. Vejam o texto:

O curioso é que, da forma como a questão é colocada, num contexto um tanto inconseqüente, pois nos dá a nítida impressão da magnitude dos custos do projeto, tanto os financeiros como os imputados ao meio ambiente, parece-nos que as pessoas perderam o censo crítico de analisar as coisas. É como se houvesse a proposta para a realização de um projeto de esfriamento das águas do Pacífico para minimizar os efeitos do El Niño, "laçando-se" um iceberg da Antártica e rebocando-o até o local do esquentamento, para amenizar a temperatura daquele pedaço do Oceano Pacífico que tem tanta importância para a vida dos nordestinos. No nosso modo de entender a comparação tem a mesma magnitude.
(Transposição das águas do Rio São Francisco para o abastecimento do Nordeste semi-árido: solução ou problema? – João Suassuna – em http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/joao.html - acessado em 19/12/07 - 23H13.)

A visão do governo é outra:
O objetivo da integração de bacias é captar 26 metros cúbicos por segundo (m³/s) das águas do Velho Chico, ou 1% do rio despeja no mar, para abastecer as bacias dos Rios Jaguaribe (CE), Apodi (RN), Piranhas-Açu (PB e RN), Paraíba (PB), Moxotó (PE) e Brígida (PE). Essas águas serão usadas para o abastecimento humano e dessedentação animal e, somente nos anos hidrologicamente favoráveis, para o desenvolvimento de atividades econômicas.
Para isso, o empreendimento prevê a construção de dois canais - o Leste levará água para Pernambuco e Paraíba, e o Norte, já denominado de Celso Furtado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atenderá aos estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. As captações serão feitas em dois pontos: em Cabrobó e no lago da Barragem de Itaparica, ambos abaixo da barragem de Sobradinho.
(Deputado paraibano quer mobilização de Estados em favor da integração de bacias – 25/01/05 – em
http://www.integracao.gov.br/saofrancisco/noticias/noticia.asp?id=735 – acessado em 19/01/07 – 23H25)

Clique aqui e leia ótima coletânea de textos, organizado pela Fundação Joaquim Nabuco.
Aqui o projeto completo, no site do Ministério da Integração Nacional.
Leia aqui a carta “Ao povo do Nordeste”, de Dom Luiz Cappio por ocasião da sua primeira greve de fome em 2005.

4 comentários:

Re disse...

Sinceramente fico em´cima do muro nesta questão da transposição rio. E eu odeio ficar em cima do muro. Como não sou especialista tenho muits dúvidas em relação ao custo-benefício e, principalmente ao custo do impacto ambiental.

Toni:
Um Feliz Natal para ti e para a tua família!!! Que 2008 seja um ano de muitas realizações e energias positivas para vocês!

Abraço fraterno da amiga Re

Prof Toni disse...

Eu também tenho cá minhas dúvidas quanto a isso, mas vale a pena ler a carta do Ciro Gomes.

elo disse...

o projeto tem umm relatório oficial dos pros e contras.
Os pros são faceis de se advinhar e eos contras me parecem fiéis a realidade.
O projeto me parece razoavel.
Até agora sou a favor.

Romário disse...

Olá Professor
Realmente essa é uma obra muito polêmica. Venho apenas pedir para mostrar algum artigo falando acerca do posicionamento das lideranças da Bahia.
Deixo também meu posicionamento contrário a Transposição, embora saiba que não possui efeito prático algum. Ela já está em andamento, talvez gere alguns empregos a curto prazo - se o exército cascar fora. Mas a médio e a longo prazo acredito que ela não mudará muito a região. Ah... se ela for concluída, evidentemente.
Abraço
Romário H. Petrolândia-PE
romahipolito@yahoo.com.br