31.8.06

31 de março de 1964, ou seria 1º de abril?

Ou seria 1 de abril? Não importa, mas não devemos apagar essa data da nossa história. As novas gerações têm o direito de saber o que significou a Ditadura Militar no nosso país.
Políticos, professores, juízes, padres, estudantes... Cassados, alguns, aqueles que ousaram combater com as mesmas armas, que optaram pela luta armada, também foram caçados.
Não podemos aceitar calados as manifestações do comandante do exército, como aquelas que foram publicadas no último 31 de março*.
Precisamos fazer como nossos vizinhos argentinos e criar uma “Comissão de Verdade”*.
Não se trata de revanchismo ou vingança, esses sentimentos não podem ser alimentados por uma nação, mas sim de sabermos o que aconteceu.
Que as famílias possam chorar os seus mortos, que os torturados possam se livrar de todos os medos e que os torturadores paguem por seus crimes.
Tenho lembranças de tempos tristes e de medo. Medo pelos nossos parentes que, de alguma forma, estavam na oposição, fosse no movimento estudantil, sindical ou político.
Tristes pela censura, pelas amarradas colocadas na sociedade civil.
O pior é sabermos que entidades como OAB, amplos setores da Igreja Católica, jornais como Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo, dentre muitos outros se colocaram ao lado dos golpistas.
Vejam que eu falo em golpistas e não revolucionários! Mesmo contando com o apoio da classe média inculta e da Igreja emprenhada de sentimentos medievais, precisaram das armas para calar setores significativos da sociedade.
Foi uma longa noite na nossa história. Tudo ficou pior com AI-5*.
Despertamos com o movimento estudantil em 77* e depois o sindicalismo comandado pelos metalúrgicos do ABC*.
Veio o movimento pela anistia* (1979), Diretas Já* (1984) e Assembléia Constituinte* (1986).
Sempre ponteados por tristezas imensas: Rio Centro*, atentados contra ABI, OAB*, CEBRAP*, assassinato de Wladimir Herzog* e do operário Manoel Fiel Filho*, dentre vários outros crimes, verdadeiras ações terroristas (de estado) que não podem e não devem ser esquecidas.

* Links para matérias que aprofundam os temas citados.
Clique aqui para ter acesso a versão dos militares.

2 comentários:

Brisa disse...

Importantíssimo revisitar o passado para não cometer os mesmos erros no presente nem no futuro.

Anônimo disse...

Eu entrei no link para "ver o lado do miltares".Como uma coisa dessas ainda pode existir?
Eu fucei no site inteiro e é tudo a mesma m...!!!!