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21.7.08

Não tenho mais esperanças

Os acontecimentos dos últimos dias deixaram-me perplexo!
A forma como a mídia trata os diferentes eventos impressionam. Claramente o terreno está sendo preparado para a pizza.
Nas semanais, como era de se esperar, a Época e a Veja mantêm silêncio na capa sobre Daniel Dantas e os desdobramentos da Operação Satiagraha. A CartaCapital colocou o juiz Fausto de Sanctis e o delegado Protógenes Queiroz na capa. Já a Istoé deu destaque aos desencontros entre Tarso Genro e Gilmar Mendes. Nas páginas internas apresenta a hipótese de Fábio “Lula” – o filho do presidente – ter adquirido fazendas no norte do país em sociedade com o Daniel Dantas e o seu cunhado, mas não mencionou, salvo engano, a sociedade de Verônica Dantas com Verônica Serra - filha do José Serra.
Estes crimes, do chamado colarinho branco, são mais danosos ao país e ao povo do que aqueles cometidos pelos bandidos pés-de-chinelo. O roubo do dinheiro público mata! Muito!
Mas aqui é assim. Teve até autoridade federal dizendo que algemas se aplicam aos pretos, pobres e putas. Teve senador indignado com as cenas da prisão dos mafiosos à brasileira.
A celeridade dos Habeas Corpus foi impressionante, ainda dizem que a justiça é lenta.
Só para comparar: meu pai foi “roubado” por uma empresa, que deu um senhor golpe na praça – aliás, estava ela listada entre a turma do piano, aquele escândalo malufista de velhos tempos –, ganhou o processo em todas as instâncias da justiça (?) trabalhista, depois de 10 anos de luta, mas os Oficiais de Justiça (?) não conseguem achar os antigos donos para que paguem o que meu pai tem direito de receber.
Claro, meu pai era um reles motorista, que transportou por anos os dirigentes daquela empresa, inclusive um citado no escândalo da Alstom com o governo paulista.
Consola-me a boa índole e a esperança do Eduardo Guimarães, do Cidadania.com, as notas agressivas e corajosas do Paulo Henrique Amorim, as ponderações do Luiz Nassif, os textos brilhantes do Luiz Carlos Azenha (Vi o Mundo) e do Bob Fernandes (Terra Magazine), além dos meus blogs prediletos, linkados aí ao lado.
Não sei se perceberam, mas não houve nenhum pedido de CPI, seja no Senado ou na Câmara. Nem mesmo o PSOL, nossa UDN pós-moderna, se manifestou sobre os acontecimentos, assim como o povo dos holofotes: Arthur Virgílio, Demóstenes Torres, Agripino Maia...

25.5.08

Capas das semanais

As capas das revistas semanais:



A CartaCapital coloca o temido dragão da inflação na capa, mas pasmem, o dragão ataca o mundo e não apenas nossas terras.
Destaque para a matéria "Caserna reformada", tratando do plano de reforma das Forças Armadas.

A Revista Época continua melhorando, embora pertença à Globo. A edição de aniversário parece interessante. Pena que apresenta o Bill Gates falando de educação.


Se essa capa fosse um trabalho de algum aluno meu já receberia zero só por chamar a Amazônia de pulmão do planeta! Tirando essa bobagem a matéria merece ser lida. A vantagem desta revista é a de oferecer seu conteúdo online.

Do ponto de vista da manipulação a capa de Veja causa estranheza: nenhuma denúncia contra o Governo federal e nenhuma grosseria. Serão novos ventos que sopram a partir da editora?

15.4.08

Educação no centro do debate

A publicação do ENEM trouxe o debate sobre educação para o olho do furacão.
As revistas Época (leia um trecho da matéria clicando aqui) e Veja (leia aqui) trouxeram matérias especiais sobre o tema. Sobre elas escreverei depois.
O Estadão de hoje também. A matéria do Estadão está aqui. O blog do Luis Nassif (clique aqui para acessá-lo), no lápis do próprio, apresenta o seguinte comentário:

O Estadão traz matéria sobre os cursos apostilados utilizados pelas redes municipais de ensino em São Paulo. Elogia o material, os resultados, traz alguns dados de municípios bem sucedidos.
Mas passa ao largo das principais críticas ao sistema:
1. A falta de transparência nos processos de aquisição, que faz com que, em muitas prefeituras, acabe se transformando em negociação entre o prefeito e o curso, com os professores sendo deixados de lado.
2. Não menciona que, ao adquirir esses cursos, as prefeituras investem recursos próprios e abrem mão das próprias verbas do MEC.
3. Não menciona que a própria Secretaria de Educação de São Paulo está preparando seu curso apostilado para garantir a uniformidade do ensino e não abrir mão dos livros oferecidos pelo MEC. E pela preocupação com a falta de controle nesse mercado.
Em suma, há um mercado não regulado aí, com ampla margem para negócios pouco ortodoxos, que passou ao largo da argumentação.

Nassif acerta nestas preocupações e a elas podemos adicionar outras tantas, como por exemplo, a aposta, realizada por municípios e agora também pelo estado de São Paulo, na impossibilidade de formar bons professores, centralização de currículos, “vigilância” sobre professores e alunos, mecanização da aprendizagem etc.
A unificação curricular desta forma é antidemocrática, pois não ouve um dos principais interessados: o professor. Também não leva em conta a sociedade, uma vez que ignora as manifestações de especialistas e entidades de classe.
Outro tema da moda é a estúpida idéia de remunerar os professores em razão dos resultados obtidos pelos seus alunos nos exames externos, como se isso fosse o fim último do processo educacional.
Embora a educação tenha sido um dos principais assuntos da mídia nas últimas semanas, isso ocorreu apenas pelo viés economicista, pautando-se por pequenas questões de ordem estatística ou competitiva, deixando de lado a real importância de um processo educacional digno: uma sociedade mais justa e solidária!

23.1.08

Cuba está na capa da Época

Infelizmente não temos todo o conteúdo da reportagem na Internet, mas clicando aqui dá para ler boa parte da matéria.
Já na chamada da matéria a ironia: “Uma outra ilha é possível?”, numa clara alusão ao slogan do Fórum Social Mundial, “Um outro mundo é possível”.
A capa é ruim e compromete a leitura, pois se apóia em chavão anti-Fidel, mas a matéria tem detalhes interessantes, como a entrevista com Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique e com o dissidente Oswaldo Payá Sardiñas.
A terceira entrevista que dá apoio à matéria principal é ruim de doer, com a manifestação de muitos preconceitos contra o Lula, de forma gratuita inclusive. Quem se presta ao papel é o professor de História da América Latina da UFSCar, Marco Antônio Villa. A entrevista não combina com o equilíbrio e sobriedade das duas anteriores.
De resto é aquele negócio de condenar Cuba, lastimar a pobreza da população, destacar o caráter ditatorial do partido único e afirmar, sempre que possível, que Cuba não tem a menor importância para a América e para o mundo.
É “tão sem importância” que a maior potência do planeta gasta os tubos, já vai pra quase 50 anos, para atingi-la e, por outro lado, faz por merecer a capa da própria revista.
Com todas as ressalvas é uma leitura que compensa ser feita.

20.1.08

As capas das semanais

A maior parte da grande mídia brasileira parece satisfeita com os rumos da economia, só não suporta o sapo-barbudo.
A julgar pelas capas das semanais, exceção feita à CartaCapital, todas as outras parecem felizes e satisfeitas com nosso capitalismo e suas particularidades, como por exemplo o fato de não precisar gastar do próprio para ter uma grande empresa. Ou ainda, como em diversos casos desde outros governos, sem risco, pois quando o gestor quebra a empresa o governo, com o dinheiro dos contribuintos socorro o inepto.
Vamos às capas:








2.11.07

A questão dos livros didáticos

Alguns órgãos de imprensa têm desenvolvido verdadeiro cavalo de batalha com relação aos livros didáticos, principalmente os de História e Geografia.
Infelizmente, como normalmente acontece na nossa mídia-espetáculo, a discussão é pouco séria e serve mais para questões ideológicas do que pedagógicas. São diversos os problemas dessas análises.
Um primeiro problema, grave, é a maneira como a crítica é construída pelos jornalistas. Sem querer aqui questionar a enorme sapiência desses “especialistas em generalidades”, falta-lhes conhecimento no campo da pedagogia e também das ciências, mas, acima de tudo, falta-lhes humildade. Quase sempre arrogantes e com as receitas prontas, questionam a posição ideológica dos autores e, ao mesmo tempo, expõem outra, como se só a deles fosse correta e aceitável.
O segundo problema é a fixação contrária à determinada linha de pensamento, ignorando que ela encontra respaldo e legitimidade nas instituições universitárias sérias, quer sejam no Brasil ou em outros países. Todo texto que questiona o capitalismo e o liberalismo como valores absolutos é detonado.
Um terceiro, muito grave, é a falta de transparência na publicação dos artigos. Os órgãos que o fazem, como as revistas Veja e Época ou o jornal O Globo, não dizem ao leitor que são partes interessadas comercialmente nesta discussão.
A Editora Abril possui duas “grifes” para edição de livros didáticos: Ática e Scipione , além da Veja Na Sala de Aula (clique aqui para acessar o site da publicação), que publica sugestões de aulas e manuais para os professores.
Já a Editora Globo possui diversas publicações destinadas a alunos e professores, destacando-se as revistas Época e Galileu.
A Época na Educação (é só clicar aqui para ler) se apresenta assim: “Desde 2001, as revistas ÉPOCA e GALILEU vão para escolas de segundo grau - selecionadas anualmente - com o objetivo de formar leitores críticos e participativos. Os professores utilizam as sugestões dos fascículos produzidos todos os meses para desenvolver atividades com seus alunos.”. Observem que, para a Época, o Ensino Médio AINDA é chamado de segundo grau.
Nesta mesma linha temos a Carta na Escola (clique aqui para ter acesso ao site da revista), publicação da Editora Confiança proprietária da revista Carta capital.
Nós, professores, sabemos que o melhor material didático é aquele que preparamos, todos os outros contém equívocos, imprecisões ou lacunas, pois são feitos para o “atacado” e na sala de aula temos nossas particularidades. Por outro lado todos sabem, não só os professores, que não temos tempo de preparar nosso próprio material, assim somos levados a escolher aquele que melhor nos atende.
Já trabalhei com vários materiais didáticos, tanto com livros como com sistemas de ensino e nenhum me atendeu plenamente, mas nenhum deles inviabilizou minhas aulas ou me impediu de um trabalho conseqüente com o grupo de alunos.
Essa postura macartista da imprensa em nada ajuda o debate, o melhor seria ouvir a voz dos especialistas, tanto aqueles que estão nas Universidades, como aqueles que estão nas salas de aula. Principalmente estes últimos.