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27.11.14

O Enem 2014, as críticas e a educação brasileira

Edilson Adão Cândido da Silva e Laercio Furquim Jr*

A prova de ciências humanas e suas tecnologias da edição do Enem 2014, realizada em 9 de novembro, teve um tom crítico e caracterizou-se pela alta qualidade. Foi pautada por um forte teor social e tocou em temas polêmicos, como se espera de uma prova de humanidades comprometida com a excelência acadêmica. Não foram poucos os educadores que se viram representados nela. No entanto, a partir de uma interpretação equivocada, ou mesmo desconhecendo as diretrizes básicas da normatização educacional brasileira, alguns poucos enxergaram na prova um tal “aparelhamento político”, muito nos parecendo uma transferência para o debate educacional do verdadeiro “fla-flu” em que se convertera os embates entre petistas e tucanos verificado no último pleito presidencial. O debate por esse caminho distorce o verdadeiro caráter avaliador que a prova fizera, ao nosso ver, de forma adequada.
Provavelmente, essa reação fora motivada pelos temas inquietantes em que a prova ousou abordar, como a situação das negras e dos negros na sociedade brasileira e a decorrente política de ação afirmativa; consumismo exacerbado e publicidade infantil, abordados pela filosofia e tema da redação; a (i)mobilidade urbana; desigualdade; direitos humanos e os 50 anos do golpe militar.
Esses críticos demostraram um certo “estarrecimento” perante o perfil da prova. Ora, o que é estarrecedor é alguém que se arvora educador protestar contra uma prova que toca nas feridas das mazelas sociais do país. Ignorar ou omitir a realidade social brasileira é que deve causar indignação. Reivindicar uma prova de humanidades que não se toque na temática da ação afirmativa, da cruel desigualdade brasileira, na responsabilidade da indústria automobilística em ter historicamente ao lado dos nossos dirigentes patrocinado o engessamento do tráfego nas metrópoles brasileiras, nas raízes históricas da política nacional, nas sequelas do regime militar é que deve causar estranheza.
Desde os anos 1990, quando teve início forte reformulação na educação brasileira com a segunda alteração da Lei de Diretrizes e Bases, criação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCNs), entre outras iniciativas, independentemente de governo tucano ou petista, o tom da educação e dos educadores é progressista. A retomada de um discurso mais conservador é fenômeno do momento presente na sociedade brasileira, em que se vê até uma parcela dela pedindo a volta do regime militar. Provavelmente, seja o Brasil caso único no mundo atual: manifestações contra o regime democrático e pedindo um retorno à ditadura. Obviamente que isso não pode ser levado a sério e, muito menos, o processo educativo deve se pautar por tal pequeneza. Igualmente óbvio é que podem coexistir no ambiente escolar professores conservadores e progressistas, mestres de esquerda e de direita, já que seria hipocrisia negar que professores tenham suas opções ideológicas, produto de suas formações, mas a ideologia não pode poluir o processo pedagógico. O ENEM não fez isso e acusá-lo de aparelhamento beira a leviandade.
Inspirado no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o exame foi criado em 1998 na gestão do ministro Paulo Renato, do PSDB, e, desde então, tornou-se um dos protagonistas da educação brasileira. Inicialmente, com o propósito de avaliar o desempenho do estudante em sua etapa conclusiva no ensino médio e balizador de políticas públicas, foi aprimorado  e convertido em ferramenta de acesso ao ensino superior a partir de 2009. Essa mudança levou o Enem a tornar-se um dos maiores exames seletivos do mundo e na última edição contou com mais de oito milhões de participantes. Ao nosso ver, precisa ser lapidado, melhorado, mas é um ganho a sua chegada como ferramenta de avaliação. A concentração dos exames numa única edição anual parece ser sua maior falha, pois a margem para riscos e falsas denúncias torna-se muito alta. Isso já deveria ter sido corrigido.
Contudo, há um projeto pedagógico por trás do exame, uma matriz curricular coerente e esse encaminhamento do Enem ajuda o professor no planejamento de suas aulas, assim como a preparação dos estudantes. As seis competências e trinta habilidades das humanidades têm sido corretamente cumpridas e nos parece que quem age de má fé na tentativa de desqualificar a prova, sequer sabe disso.
* Edilson Adão Cândido da Silva e Laercio Furquim Jr. são mestres em ciências pela USP e autores de Geografia em rede (editora FTD)

Fonte: Congresso em Foco

3.6.14

Os limites das avaliações educacionais externas



Os limites das avaliações educacionais externas
O movimento Todos Pela Educação, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave) promoveram em março o Seminário Internacional Devolutivas das Avaliações de Larga Escala.
Nesse seminário, o objetivo central foi discutir o aproveitamento das avaliações escolares em suas mais diversas modalidades. Estiveram presentes especialistas do Brasil, Canadá, EUA, Espanha, dentre outros.
Houve uma profusão de avaliações escolares desde a década de 1990 no Brasil, como Enem, Enade, Prova Brasil, no âmbito nacional, e Saresp, no estado de São Paulo, para citar exemplos de todos os níveis de ensino.
Inicialmente um enorme alvoroço tomou conta dos educadores: afinal, qual é o objetivo dessas avaliações? Para que elas sejam bem-sucedidas, obter tal resposta é condição essencial, inclusive para que os professores sejam convencidos de sua necessidade.
Dentre as avaliações citadas, a de maior abrangência é a Prova Brasil, denominada Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc). Essa avaliação tem por objetivo mensurar a qualidade do ensino ministrado nas escolas públicas. Ela atinge as redes municipal, estadual e federal, sendo aplicada em escolas que possuam ao menos 20 alunos matriculados nas séries avaliadas.
Já o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) tem por objetivo avaliar o sistema de ensino paulista para monitorar as políticas públicas de educação.
A pergunta essencial é: realizadas as avaliações, tabulados os resultados, o que é feito com eles?
Na verdade, eles deveriam servir de base para reorientar os sistemas de ensino e as unidades escolares, suprindo eventuais deficiências. No entanto, está aí o calcanhar de Aquiles dos sistemas avaliativos. O processo parece estacionar nos gestores das secretarias de educação, pouco atingindo os professores na unidade escolar.
Aparentemente eles não são absorvidos pelos professores nas salas de aulas, então, de um lado, se tornam apenas mais uma tarefa burocrática e, de outro, desvios importantes distorcem os objetivos iniciais.
Um exemplo claro desse desvio é a utilização de resultados e índices obtidos nas avaliações para premiar os professores desta ou daquela escola com bônus de produtividade.
Outro exemplo é o estabelecimento de ranking de escolas, utilizando-se os indicadores para classificá-las e assim atribuir maior ou menor mérito a esta ou àquela equipe.
Está claro que esses não são os objetivos almejados por esses sistemas de avaliação, portanto eles tendem a ser insuficientes para tais metas, ao mesmo tempo em que os distancia dos objetivos iniciais e essenciais.
Os professores precisam ser envolvidos em cada um desses processos, desde sua elaboração, aplicação das provas e, principalmente, o trabalho com os resultados obtidos.
Já temos notícias de gestores escolares que organizam cursos preparatórios específicos para a Prova Brasil, por exemplo. Outros que estimulam os alunos com maior dificuldade de aprendizagem a não fazer a prova, evitando assim uma queda acentuada no Ideb, indicador que, no caso do estado de São Paulo, determina o pagamento de bônus salarial aos professores das escolas com melhor desempenho.
Desvios como esses têm que ser evitados, caso contrário os objetivos das avaliações serão escamoteados.
O Ministério da Educação e as secretarias de educação municipais e estaduais devem acentuar esforços, numa ampla campanha de publicidade, para esclarecer pais e alunos sobre os objetivos e a necessidade dessas avaliações.
Talvez assim aplaque o anseio da mídia por noticiar os resultados delas como se houvesse apenas competição entre os estados ou as unidades escolares.
Por outro lado, é necessário compreender que os resultados obtidos não são apenas reflexo do trabalho do professor ou da capacidade do aluno. É preciso considerar o contexto no qual a escola está inserida, bem como o aluno e sua família.
Assim, fatores como problemas familiares, violência, dificuldades de moradia, mobilidade, alimentação e outras carências podem ter um peso significativo no resultado final da avaliação.
É urgente envolver toda a comunidade escolar nos processos de avaliação externa, cada segmento cumprindo seu papel, sob pena de perdermos uma ótima oportunidade de realizar importantes correções de rumo nos sistemas de ensino e nas unidades escolares.
Também é necessário aperfeiçoá-los para que não haja sobreposição de recursos e perda de tempo, para avançar a educação no Brasil.

 
Texto publicado no portal da Edições SM, canal Somos Mestres no setor de Notícias da Educação.

21.1.11

Enem, SiSU, ProUni e outras coisas mais...

Hoje li inúmeras queixas e reclamações sobre o funcionamento do SiSU e do ProUni, tem até ações contra uma ou situação criada pelo MEC quanto a estes dois processos seletivos.
Alguns oportunistas estão esperneando. Querem a cabeça do ministro Haddad numa bandeja!
Os moços e as moças bem nascidos continuam reclamando de ter que dividir a possibilidade de acesso à universidade pública com a plebe ignara.
Esbravejam por que não conseguiram acessar o “sistema” na hora que quiseram, ou tiveram que persistir muito para consegui-lo.
Dos mais de 3 milhões de jovens que prestaram o Enem, pouco mais de 1 milhão se inscreveram no SiSU.
Os jovens pobres – oriundos da escola pública – não o fizeram em massa por que sabem que a concorrência continua desleal ou por não possuírem o conjunto de informações necessárias para fazê-lo.
Ignoram que a maioria das universidades públicas oferece moradia estudantil e bolsas de auxílio aos muito carentes, enfim, coisas que há uns 15 anos eram impensáveis para os garotos e garotas pobres.
Então podemos pensar que a maior parte das vagas das instituições federais disponíveis no SiSU ficará com os de sempre, mas agora eles reclamam pela democratização do acesso!
Há um perigo espreitando atrás dos muros das universidades: ela poderá ser de todos, um dia! Os primeiros e importantes passos estão dados com a afirmação do Enem.
Claro que precisa ser aprimorado!
Evidente que com os recursos disponíveis não deveríamos ter problemas nos sites do MEC!
Mas daí querer desqualificar todo o processo por causa de problemas operacionais vai uma grande distância!
Só mesmo o oportunismo político ou de classe para fazê-lo.

29.11.10

O Enem no olho do furacão

As mazelas da educação no Brasil são conhecidas por todos. Elas guardam correspondência com o gigantismo do nosso território e das nossas potencialidades.
O desarranjo é de tal dimensão que aquele que conseguir colocar o sistema educacional nos trilhos passará para a história como herói nacional!
Isso explica a visibilidade que o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – alcançou, para o bem e para o mal.
Infelizmente as duas últimas edições deste exame trouxeram inúmeros dissabores para os estudantes, familiares, educadores e sociedade em geral.
Em 2009 ocorreu o roubo da prova e seu posterior vazamento para a mídia – um ato criminoso ainda não esclarecido. O desgaste foi imenso e os prejuízos – financeiros, pedagógicos e políticos – idem.
Já neste ano, os erros formais ganharam destaque. Cabeçalhos dos gabaritos invertidos, cadernos misturados, numeração das questões fora de ordem, dentre outros problemas, destacaram-se.
A mídia superdimensionou tais problemas e o poder Judiciário intercedeu de maneira estabanada, gerando um clima de intranqüilidade desnecessário por todo o país.
Neste momento, tudo indica que a solução encaminha-se para o bom senso, dando aos alunos e alunas prejudicados o direito de realizarem a prova novamente. Dos 3,3 milhões de candidatos que prestaram a prova, algo próximo de 2.000 deverão refazê-la.
É preciso aproveitar este momento para desencadear uma discussão acerca do Enem que envolva professores e pensadores da Educação. Não se trata, em absoluto, de negar a validade do exame ou querer extingui-lo, como desejam alguns, movidos por puro oportunismo político.
No entanto, não podemos nos negar a refletir sobre ele e buscar o seu aperfeiçoamento.
No nosso contexto – grande dimensão territorial, diversidade cultural e regional, convém perguntar: cabe um exame de caráter nacional? Não seria mais interessante sua regionalização?
E ainda, pode o mesmo instrumento ser usado para vários propósitos de avaliação?
Na forma como está o Enem, ele serve para o ingresso na universidade, assemelhando-se a um imenso vestibular nacional ou certificação do Ensino Médio, substituindo os exames de suplência e ainda para balizar os projetos pedagógicos das escolas.
Os professores precisam ser ouvidos. Cabe ao MEC criar instrumentos para que aqueles que estão na sala de aula, vivenciando o cotidiano da educação, possam manifestar-se.
É necessário explicar como a prova é elaborada, a maneira como é corrigida e deixar claro todos os critérios de avaliação.
Afinal não se pode avaliar os alunos e as alunas sem explicar-lhes o que se quer saber!

Texto publicado na Revista Weekend - nº 57 - 26/11/2010.

19.11.10

Por que todo mundo se mete a falar sobre educação?

Tal pergunta sempre me intrigou. Quando temos um problema de saúde pública no país a imprensa ouve o Ministro da Saúde e também médicos. Quando ocorrem os "deslizamentos" de terra no verão eles ouvem o prefeito e alguém da área de Geografia, Geologia ou Engenharia. Sempre buscam os especialistas.
Mas, quando o assunto é educação, até a Miriam Leitão opina!
Sobre isso o cientista Miguel Nicolelis, brilhante como sempre, concedeu uma entrevista para Conceição Lemes, registrada no site Vi o Mundo do jornalista Luiz Carlos Azenha.
Vejam a introdução da matéria:

Nicolelis: Só no Brasil a educação é discutida por comentarista esportivo
por Conceição Lemes
Desde o último final de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Ministério da Educação (MEC) estão sob bombardeio midiático.
Estavam inscritos 4,6 milhões estudantes, e 3,4 milhões submeteram-se às provas. O exame foi aplicado em 1.698 cidades, 11.646 locais e 128.200 salas. Foram impressos 5 milhões de provas para o sábado e outros 5 milhões para o domingo. Ou seja, o total de inscritos mais de 10% de reserva técnica.
No teste do sábado, ocorreram dois erros distintos. Um foi assumido pela gráfica encarregada da impressão. Na montagem, algumas provas do caderno de cor amarela tiveram questões repetidas, ou numeradas incorretamente ou que faltaram. Cálculos preliminares do MEC indicavam que essa falha tivesse afetado cerca de 2 mil alunos. Mas o balanço diário tem demonstrado, até agora, que são bem menos: aproximadamente 200.
O outro erro, de responsabilidade do Inep, foi no cabeçalho do cartão-resposta. Por falta de revisão adequada, inverteram-se os títulos. O de Ciências da Natureza apareceu no lugar de Ciências Humanas e vice-versa. Os fiscais de sala foram orientados a pedir aos alunos que preenchessem o cartão, de acordo com a numeração de cada questão, independentemente do cabeçalho. Inep é o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, órgão do MEC encarregado de realizar o Enem.
“Nenhum aluno será prejudicado. Aqueles que tiveram problemas poderão fazer a prova em outra data”, tem garantido desde o início o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Isso é possível porque o Enem aplica a teoria da resposta ao item (TRI), que permite que exames feitos em ocasiões diferentes tenham o mesmo grau de dificuldade.”
Interesses poderosos, porém, amplificaram ENORMEMENTE os erros para destruir a credibilidade do Enem. Afinal, a nota no exame é um dos componentes utilizados em várias universidades públicas do país para aprovação de candidatos, além de servir de avaliação parabolsa do PRO-UNI.
“Só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem”, afirma, indignado, ao Viomundo o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte. “Eu vi a entrevista do ministro Fernando Haddad ao Bom Dia Brasil, TV Globo. Que loucura! Como jornalistas que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!”
Nicolelis é um dos maiores neurocientistas do mundo. Vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde há décadas existe o SAT (standart admissions test), que é muito parecido com o Enem. Tem três filhos. Os três já passaram pelo Enem americano.

Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.

10.11.10

O Enem não deve ser cancelado!

Novamente o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – está no meio da confusão!
Ano passado foi o roubo e vazamento da prova, aliás, as investigações sobre o episódio seguem em passo de tartaruga manca.
Desta vez uma série de erros trouxe o exame para as manchetes dos jornais.
Para alguns se trata do 3º turno da campanha presidencial! Mostrar que o governo Lula – usando o Ministério da Educação e o ministro Haddad como exemplo.
Então, vamos por partes.
Os erros são impensáveis para um empreendimento deste tipo. O INEP deveria ser mais zeloso na elaboração do Enem. Os responsáveis pelos erros devem ser exemplarmente punidos e, caso seja a empresa contratada, que pague por isso.
A troca dos cabeçalhos nas provas do primeiro dia é um erro primário e seria facilmente evitado. Pergunta-se: isso inviabilizou a realização da prova? Claro que não! No máximo um pequeno dissabor para os alunos e alunas.
Também apareceram erros na montagem do caderno amarelo. Aproximadamente 30.000 exemplares dos mesmos estavam comprometidos, destes 21.000 foram distribuídos. Isso num total de 10 milhões de provas impressas representa 0,3% de problemas.
Esse erro foi impedimento para que o candidato ou candidata fizesse a prova? Não! Foi dada a eles a possibilidade de trocar o caderno.
Aqui temos um problema maior do que o anterior, pois em razão do tempo pode não ter dado tempo de se fazer a troca. O MEC propõe que estes alunos façam uma nova prova.
A OAB alega que isso fere a universalidade do exame. Claro que ela desconhece o método de construção da prova do Enem. Ele permite que se estabeleça igual parâmetro de dificuldade para provas diferentes.
Foi esse método – desenvolvido a partir da Teoria de Resposta ao Item – que permitiu ao MEC aplicar o Enem 2009 a 160 candidatos que não puderam participar da prova em razão das enchentes no Espírito Santo.
Interessante que naquela ocasião não houve essa grita a respeito da “universalidade” da prova!
Os outros erros encontrados não comprometem ou invalidam o Enem, devemos observá-los com atenção.
Os professores devem ser consultados a respeito das próximas edições e também discutir a metodologia do exame para assim compreendê-lo melhor.
Algumas críticas que surgiram foram tão pesadas e desproporcionais que mais parecem oportunismo, eleitoral, pedagógico ou de “mercado”.

28.7.10

Os resultados do ENEM

Entra ano, sai ano e a ansiedade provocada pelos resultados do ENEM coloca meio mundo com os nervos à flor da pele.
A divulgação dos resultados transforma-se em elaboração de rankings que servem tanto a escola privada quanto a escola pública.
Foram vários comentários no Twitter, por exemplo, dando conta que os melhores resultados das escolas públicas estavam entre as federais, ou seja, por essa linha de raciocínio, o governo federal seria mais eficiente na gestão da educação do que os governos estaduais e municipais.
Erro grosseiro, pois nas escolas federais existe uma disputadíssima concorrência pelas vagas disponíveis. Só entram os melhores alunos, portanto, capacitá-los para o ENEM ou para outros exames externos, torna-se tarefa bem mais tranquila do que no restante da rede pública.
As escolas privadas também lançam mão de concurso de entrada, principalmente aquelas que aparecem nos primeiros lugares, quando não praticam uma seleção pré-exame.
Tal seleção pode ser escancarada, embora dentro das regras propostas pelo MEC, como a criação de uma escola, com o mesmo nome fantasia da “matriz”, onde só entram os melhores alunos. Mas pode ser também disfarçada, como, por exemplo, marcar uma prova de recuperação para o mesmo dia do exame do ENEM.
A publicação dos dados do ENEM tem um mérito: trazer a educação para o centro das discussões!
Mídia, empresários, ONGs, Educadores, o pessoal do bar da esquina, enfim, todos discutem, com mais ou menos propriedade, as mazelas da educação no país.
Surgem também exemplos de boas práticas pedagógicas em vários cantos do país.
Mas a receita para o sucesso no ENEM não é nenhum segredo: professores bem pagos e motivados, estrutura acadêmica de forte apoio ao aluno, valorização do conhecimento, leitura, produção de texto, acesso aos bens culturais etc.
Do lado das escolas privadas não existe mágica possível, é só investir e criar o ambiente que citei no parágrafo acima, já na escola pública dependemos das políticas governamentais e de um papel mais ativo da sociedade, principalmente da presença forte e marcante das famílias dentro do universo escolar.
Um grave problema que vejo neste exame é não termos um currículo nacional mínimo. Dessa maneira o aluno não sabe o que será avaliado, afinal é impossível um exame nacional abranger as diferenças regionais de um país do tamanho do nosso.
O debate está aí, nas manchetes e inúmeros artigos da mídia. Será que vai produzir avanços? Ou voltaremos a ele na publicação dos resultados do próximo ENEM?

1.10.09

ENEM cancelado!

O MEC anunciou nesta madrugada o cancelamento do exame do ENEM, programado para o próximo final de semana.
O jornal O Estado de S.Paulo publicou matéria denunciando tentativa de venda da prova, veja aqui.

29.9.09

Sábado e domingo: dias reservados para o ENEM

Não perca o exame por bobagem. Organize sua agenda para não se atrasar, previna-se com os documentos exigidos, deixe o material para a prova arrumado com antecedência, ou seja, não dê moleza para o azar!
No UOL Educação você encontra as seguintes recomendações:

Dia do Exame
O Enem 2009 será aplicado em 1.826 municípios brasileiros, nos dias 3 e 4 de outubro, da seguinte maneira:
•3/10 (sábado): das 13h às 17h30 - prova 1: ciências da natureza e suas tecnologias; e ciências humanas e suas tecnologias.
•4/10 (domingo): das 13h às 18h30 - prova 2: linguagens, códigos e suas tecnologias e redação; e matemática e suas tecnologias.
Os portões de acesso aos locais de prova serão abertos às 12h e fechados às 12h55, horário de Brasília (DF). As provas serão aplicadas às 13h, em todo o território nacional. Os locais de prova serão os mesmos nos dois dias. É recomendável que o inscrito compareça ao local de realização da prova com antecedência de uma hora.
Cada área concentra 45 itens de múltipla escolha, distribuídos em blocos de diferentes níveis de dificuldade. Em cada dia serão distribuídos aos participantes quatro diferentes modelos de prova, todos da mesma cor, onde as questões estarão ordenadas diferentemente.
A redação deverá ser feita em língua portuguesa e estruturada na forma de texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, a partir de um tema de ordem social, científica, cultural ou política.
Por motivos de segurança, o participante só poderá ausentar-se do local de prova após duas horas do início do exame.

O que levar
Será necessário apresentar original ou cópia devidamente autenticada de documento de identificação, cartão de confirmação de inscrição, folha de respostas do questionário socioeconômico, caneta esferográfica de tinta preta, lápis preto nº 2 e borracha macia.
Durante a realização da prova não será admitida consulta ou comunicação entre os inscritos, nem a utilização de livros, máquinas calculadoras e agendas eletrônicas ou similares, telefones celulares, pagers, bip, walkman, gravador, mp3 ou superior, relógio com calculadora, canetas eletrônicas ou qualquer outro receptor ou transmissor de mensagens.
Os participantes devem evitar também o uso de boné, óculos escuros ou qualquer outro objeto que cubra os cabelos e orelhas, por critérios de segurança.

Gabarito
Apenas depois de decorridas quatro horas do início do exame o participante poderá deixar sua sala portando o caderno de prova, tanto no sábado quanto no domingo. Caso contrário, ele deverá entregar seu caderno de prova ao aplicador da sala, juntamente com a folha de respostas e a folha de redação (no segundo dia).
Os gabaritos, as provas dos dois dias do Enem 2009 e as regras para que o participante identifique o respectivo modelo de prova estarão disponíveis na internet no domingo, dia 4 de outubro, às 19h, depois do término do exame em todo o território nacional.

28.9.09

ENEM: esquentando as baterias

Semana de nervosismo entre os estudantes, professores, diretores... O que será que nos reserva o ENEM no próximo sábado e domingo?
Espero que apresente coisas boas.
Estou apostando numa prova que valorize a inteligência do aluno e não apenas a capacidade de memorização.
Imagino que os conceitos aparecerão ligados à informação, de maneira contextualizada. Gostaria de ver uma prova com múltiplos temas e não centrada num único assunto.
Creio também que esse formato é pouco prático. Afinal, com 180 questões em dois dias, a prova mais parece uma gincana de resistência do que um teste de conhecimentos.
Se você ainda quer testar seus conhecimentos pode fazer um simulado bem bacana clicando aqui.
Espero que todos tenham uma excelente prova.

24.9.09

O ENEM vem aí

Cercado de ansiedade em razão das novidades o novo ENEM acontecerá no primeiro final de semana de outubro.
Alguns alunos têm reclamado dos locais de prova. Os organizadores desconhecem a realidade de cidades como São Paulo. Alguns jovens farão a prova a dezenas de quilômetros de sua residência, esse é mais um elemento de tensão para o exame.
Os professores e as escolas privadas também partilham da tensão dos alunos.
Tanto por desejarem o sucesso dos seus pupilos, quanto por serem medidos pelo desempenho deles no ENEM.
A mídia resolveu ranquear as escolas com os dados do ENEM.
É uma falácia estatística.
As escolas oferecem números discrepantes. Numas todos os alunos fazem a prova, noutras não.
Ainda existem escolas que fazem uma seleção rigorosa para ingresso no Ensino Médio, assim já tem uma nota “de partida” elevada, pois excluem aqueles com dificuldades ou menos hábeis.
Outras escolas, inclusivas, aceitam os alunos independentemente do seu grau anterior de sapiência.
Existem outros inúmeros componentes que tornam essa classificação um disparate.
Estou aqui na torcida por meus alunos, meu sobrinho que está com o pé na Universidade e por todos os jovens deste imenso Brasil que colocarão à prova suas habilidades e conhecimentos nos dias 3 e 4/10.
Importante: confira aqui o local da sua prova.

9.5.09

Mapa das Universidades Federais que aceitarão o ENEM em 2010

O UOL Educação preparou um mapa dinâmico indicando a quais universidades federais aderiram ao novo Enem como prova do vestibular 2010. Clique aqui para vê-lo.

10.4.09

Parece que o novo ENEM virá...

A notícia abaixo foi publicada ontem na Agência Brasil.
Num primeiro olhar parece-me positiva, a unificação torna a vida do estudante mais fácil, ao mesmo tempo em que aproveita melhor as vagas das federais.
Tomara que a boa intenção se transforme em boa prática e diminua a tortura do vestibular, pelo menos para aqueles que almejam uma universidade federal.


Prova que vai substituir vestibular das universidade federais será aplicada em outubro

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que deverá fazer o papel de vestibular unificado para as universidades federais, já tem data marcada: 3 e 4 de outubro. O cronograma apresentado ontem (8) aos reitores das instituições prevê a divulgação dos resultados da prova objetiva em 2 de dezembro e da redação em 8 de janeiro de 2010. Pelos cálculos do Ministério da Educação (MEC), o novo exame deverá ter a participação de 4 a 5 milhões de estudantes, em vez dos atuais 3 milhões.
A partir da divulgação dos resultados, o aluno irá se inscrever em um sistema online a partir do número do CPF. O sistema que será semelhante ao usado na seleção de bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni). O estudante deverá escolher cinco opções de cursos, que podem ser em uma mesma universidade ou em instituições federais diferentes. A partir dessa inscrição, o candidato poderá monitorar diariamente como está a concorrência para os cursos escolhidos. Ele poderá alterar, a qualquer momento, a opção que pretende disputar.
“Na prática, o estudante concorre a todas as vagas das universidades federais. A partir do momento que ele percebe que suas chances são menores em um curso específico, ele pode migrar”, explicou o ministro da Educação, Fernando Haddad. Caso o estudante não seja selecionado para o curso que marcou como prioridade, ele pode ser aprovado para a sua segunda opção, de acordo com a sobra de vagas.
Segundo o ministro, esse sistema só poderá ser utilizado pelas universidades que adotarem o Enem como prova única de seleção. Ou seja, aquelas que quiserem aplicar uma segunda fase além do exame nacional não incluirão as suas vagas nesse sistema. “Se a primeira opção do aluno é um curso em que é exigida mais uma fase, ele poderá ser prejudicado, porque, se ele não passar na segunda fase, aquela vaga que ele marcou na segunda opção já terá sido preenchida”, disse.
Haddad ressaltou que os modelos de avaliação seriada adotados por algumas instituição, como a Universidade de Brasília (UnB), não ficam impedidos de existir com o sistema unificado. A universidade poderá reservar parte das vagas para essas formas de seleção, bem como para as políticas afirmativas de cotas. O sistema permitirá ainda que a instituição atribua pesos distintos às notas do aluno nas diferentes provas do Enem. O mecanismo já é usado por algumas seleções que dão maior peso ao resultado das provas da área de exatas, por exemplo, ao selecionar um aluno para o curso de engenharia.
O novo Enem será formado por quatro provas e uma redação que devem ser aplicadas em dois dias. A idéia é que sejam realizados testes de linguagens e códigos, matemática, ciências naturais e ciências humanas, cada um com 50 itens.
Um termo de referência com todos detalhes técnicos foi entregue ontem aos reitores que irão discutir nas universidades se vão aderir ao novo Enem como forma de seleção em substituição ao vestibular. De acordo com Haddad, o ministério ainda não contabilizou quantas instituições manifestaram esse interesse. Mas ele voltou a afirmar que a proposta tem sido bem aceita.
“As instituições têm toda a liberdade para não aderir, aderir como unificado ou aderir parcialmente. Acho que o debate amadureceu nos últimos anos ”, avaliou. Também já foi criado um comitê de governança que será responsável pela criação desse novo modelo de vestibular. Fazem parte do grupo as universidades federais, os secretários estaduais de Educação e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enem.
Ontem o ministro se reuniu com a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Maria Auxiliadora Seabra, para apresentar o novo modelo. Segundo ele, a proposta foi recebida com “satisfação” porque as mudanças pensadas para o ensino médio não podiam sair do papel, uma vez que a etapa era muito voltada ao atual modelo de vestibular. “Finalmente será possível fazer a reestruturação do ensino médio, que hoje é completamente subordinado a um processo [os vestibulares] de que eles [secretários de Educação] não participam”, afirmou.
Na próxima semana, Haddad se reunirá mais uma vez com os reitores das universidades federais para acompanhar a aceitação da proposta.
É esperar para ver, parece ser boa notícia para os estudantes do Ensino Médio.

15.4.08

Educação no centro do debate

A publicação do ENEM trouxe o debate sobre educação para o olho do furacão.
As revistas Época (leia um trecho da matéria clicando aqui) e Veja (leia aqui) trouxeram matérias especiais sobre o tema. Sobre elas escreverei depois.
O Estadão de hoje também. A matéria do Estadão está aqui. O blog do Luis Nassif (clique aqui para acessá-lo), no lápis do próprio, apresenta o seguinte comentário:

O Estadão traz matéria sobre os cursos apostilados utilizados pelas redes municipais de ensino em São Paulo. Elogia o material, os resultados, traz alguns dados de municípios bem sucedidos.
Mas passa ao largo das principais críticas ao sistema:
1. A falta de transparência nos processos de aquisição, que faz com que, em muitas prefeituras, acabe se transformando em negociação entre o prefeito e o curso, com os professores sendo deixados de lado.
2. Não menciona que, ao adquirir esses cursos, as prefeituras investem recursos próprios e abrem mão das próprias verbas do MEC.
3. Não menciona que a própria Secretaria de Educação de São Paulo está preparando seu curso apostilado para garantir a uniformidade do ensino e não abrir mão dos livros oferecidos pelo MEC. E pela preocupação com a falta de controle nesse mercado.
Em suma, há um mercado não regulado aí, com ampla margem para negócios pouco ortodoxos, que passou ao largo da argumentação.

Nassif acerta nestas preocupações e a elas podemos adicionar outras tantas, como por exemplo, a aposta, realizada por municípios e agora também pelo estado de São Paulo, na impossibilidade de formar bons professores, centralização de currículos, “vigilância” sobre professores e alunos, mecanização da aprendizagem etc.
A unificação curricular desta forma é antidemocrática, pois não ouve um dos principais interessados: o professor. Também não leva em conta a sociedade, uma vez que ignora as manifestações de especialistas e entidades de classe.
Outro tema da moda é a estúpida idéia de remunerar os professores em razão dos resultados obtidos pelos seus alunos nos exames externos, como se isso fosse o fim último do processo educacional.
Embora a educação tenha sido um dos principais assuntos da mídia nas últimas semanas, isso ocorreu apenas pelo viés economicista, pautando-se por pequenas questões de ordem estatística ou competitiva, deixando de lado a real importância de um processo educacional digno: uma sociedade mais justa e solidária!