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24.10.10

A armação que pode vir nesta semana final

O Luiz Carlos Azenha, do ótimo Vi o Mundo, nos alerta sobre a possibilidade armações - das mais variadas - que poderão ocorrer nesta reta final da campanha eleitoral.
Leiam:

Alerta de quem é do ramo: a armação que pode vir nos dias finais de campanhapor

Luiz Carlos Azenha

O alerta é de um jornalista experiente, com amplos contatos na comunidade de informações, com arapongas e ex-arapongas.
Não nasce de um evento específico, mas de um encadeamento lógico de fatos: a campanha sórdida e subterrânea na internet, os panfletos apócrifos, as chamadas por robôs e a farsa de Campo Grande, onde o único ferido — realmente ferido — foi um militante petista com um corte no supercílio (que não apareceu no Jornal Nacional).
Vem da repetição de um padrão no telejornal de maior audiência: Dilma, agressiva; Serra, vítima. Um padrão que se manteve na noite deste sábado, quando a Globo omitiu o discurso do governador paulista Alberto Goldman em que ele sugeriu uma comparação entre Lula e Hitler (com menção ao incêndio do Reichstag), omitiu que militantes de PT fizeram um cordão de isolamento para que uma passeata tucana avançasse em Diadema e destacou o uso, por eleitores de Serra, de capacetes para se “proteger” das bolinhas de papel.
O colega, em seu exercício de futurologia, mencionou o Rio de Janeiro como o mais provável palco de uma armação, por dois motivos:

1) é onde fica a Globo;

2) é onde subsiste a arapongagem direitista.

Como lembrei neste espaço, anteriormente, foi assim o golpe midiático perpetrado em 2002, na Venezuela, retratado nos documentários A Revolução Não Será Televisionada e Puente LLaguno.
Parte essencial daquele golpe, que juntou militares insatisfeitos com a oposição em pânico e apoio maciço da mídia, foi a acusação de que militantes chavistas tinham atirado em civis desarmados, quando as 19 mortes registradas num confronto entre militantes das duas partes resultaram de tiros disparados por franco-atiradores e policiais de Caracas leais à oposição. Porém, foram semanas até que tudo ficasse claro para boa parte dos venezuelanos e para a opinião pública internacional.
O Brasil de 2010 não é a Venezuela de 2002, mas não custa ficar alerta.

25.4.09

Ajudando a entender os assuntos "quentes" da semana

Claro que tem o clássico de domingo, assunto que não pode faltar, afinal decisão do Campeonato Paulista de Futebol envolvendo Corinthians e Santos é conversa para mais de metro, como se diz lá em Minas Gerais.
Mas teve o bate-boca no STF. A grande mídia ficou do lado do Gilmar Mendes, assim como se coloca sempre ao lado do Daniel Dantas. Já a blogosfera fechou, majoritariamente, com o ministro Joaquim Barbosa.
Quer entender a razão?
Veja a seguir cenas de denúncias explícitas:



A Veja condena o ministro Joaquim Barbosa e ainda por cima usa de preconceito da sua manchete, clique aqui (se tiver estômago para suportar a leitura do panfletão da Abril) e leia o máximo do pensamento da mídia de esgoto.
Desta vez, pelo menos, não culparam o Lula e o PT pelas desavenças.
No site do Luis Nassif Online tem até poesia sobre o tema, clique aqui e leia.
O Luiz Carlos Azenha, no Vi o mundo, abre para apoios, inclusive o de Nita Freire (é só clicar aqui para ir até o texto). Aqui o Azenha reproduz um texto, brilhante, do Mauro Santayana, publicado no JB do dia 24/4/09, imperdível!
A CartaCapital dá capa para o ministro Joaquim Barbosa. Um texto muito equilibrado e, como sempre, coloca os pingos nos “is”, ou seja, trata o fato como fato e opinião como opinião. Clique aqui e leia o editorial desta semana, assinado por Mino Carta.
Mudando de assunto temos o escândalo da vez: as passagens usadas pelos senhores deputados e senadores da república (assim mesmo, com letras pequenas).
É cortina de fumaça!
Não que a discussão não seja merecida, é claro que é!
Mas o problema é bem maior, a discussão verdadeira deveria ser ética e ter como centro a distinção entre as coisas públicas e as coisas privadas.
Esse é um problema que assola toda a sociedade. Não sabemos distinguir o que é público e o que é privado.
A cultura política do nosso país propiciou este descalabro.
Eu diria mais, esse negócio das passagens aéreas é troco miúdo!
Não custa lembrar que temos vários assuntos pendentes:
- a constituição da BrOi: empresários compram empresa de telefonia sem desembolsar um tostão! Vejam o que diz o site especializado Teletime (é só clicar no link);
- o episódio da Alstom (leiam aqui a coletânea de matérias feita por um blog petista sobre o tema).
Em temas como estes temos os verdadeiros assaltos ao erário público!
Sem contar os vários outros "negócios" que cercam as doações para partidos políticos (de oposição e situação nas varias esferas de governo), por exemplo.
Discutir cada escândalo serve apenas aos interesses momentâneos, tanto é que a mídia, com raras exceções, dificilmente dá seguimento às denuncias.

17.4.09

Reportagem sobre o Vietnã

Existem jornalistas que ainda valem a pena ler, ver ou ouvir.
Dentre o seleto grupo de brasileiros nesta área, Luiz Carlos Azenha é nome certo.
A Rede Record tem mostrado uma série de matérias que ele fez no Vietnã.
Compensa!
Abaixo a primeira parte, existem outras no Youtube:

18.10.08

A semana não foi fácil

Primeiro para minha pessoa: a recuperação da cirurgia da catarata que estava indo muito bem, danou-se! Pintou uma pequena inflamação e fiquei um tanto quanto assustado, pois parecia que o olho vertia sangue. Minha esposa disse que eu estava exagerando, em todo caso tive que retomar o repouso e voltar com os colírios do pós-operatório e ainda somar um antiinflamatório.
Isso, de certa forma, prejudicou minhas leituras nesta semana de recesso pedagógico, ou do saco cheio como gostam os alunos.
Mas é impossível não comentar alguns acontecimentos:

Campanha eleitoral em São Paulo
O marquetingue da Marta escorregou feio. Ao fazer insinuações, mesmo que sutilmente, sobre a orientação sexual do Kassab, atentou contra a história do Partido dos Trabalhadores e a da própria candidata, que tanto sofre com as picuinhas da imprensa e com o preconceito por defender a união civil entre homossexuais, por exemplo.
Lembro-me como se fosse hoje dos acontecimentos da campanha de 1989. Lula impediu que a campanha fosse levada para o mesmo fosso que Collor e o Grupo Globo a remeteu. E olha que material não faltava!

Polícia x Polícia
Mais uma demonstração da “capacidade de gerenciamento” do PSDB. Governam o estado de São Paulo desde 1995, sem interrupções, conseguiram afundar a educação, saúde e a segurança pública. Por estes temos lido que São Paulo, quando comparado aos outros estados da federação, paga muito mal aos seus professores e aos seus policiais.
O conflito, armado, entre policiais civis e militares trouxe ao público o autoritarismo do Serra e a incapacidade de lidar com extremos e de negociar.

Seqüestro em Santo André
Uma situação limite vivida pelos policiais, reféns e familiares.
Causam-me estranheza: a) o caso de uma refém libertada ter voltado para o cativeiro, penso que seja um caso único no mundo, que sirva de lição para que nunca mais aconteça; b) o acesso que a mídia teve ao seqüestrador. Não tem cabimento entrevistas ao vivo e a condição de estrelato que ele assumiu, mesmo sem ter pedido; c) o desfecho trágico, até agora sem uma explicação plausível por parte das autoridades estaduais, inclusive o governador.

A crise econômica dos EUA
O Brasil resiste à hecatombe, embora contra a vontade da mídia.
Se dependesse dos jornais e TVs nós já estaríamos de pires na mão batendo nas portas do FMI e seus asseclas.
Ela é séria e deve afetar o Brasil sim! Parece-me que muito mais na questão do crédito, que já escasseou para o cidadão comum e também para os investimentos privados.
Também devem sofrer aquelas empresas que se desviaram de sua atividade principal para ganhar dinheiro com operações especulativas.

O papel da nossa mídia nisso tudo
Lamentável!
Esforçaram-se para super-dimensionar a peça publicitária imbecil da campanha de Marta, sem fazer uma auto-crítica de episódios passados, inclusive de ataques à própria candidata no tocante às suas relações conjugais.
A Folha de S. Paulo protege o Serra de maneira descarada. Se tomarmos por base o noticiário da crise área, de responsabilidade federal, já deveríamos ter notícias do “Caos na segurança pública” na esfera estadual. Mas nada, apenas notícias assépticas, sem análises consistentes, amenizando as responsabilidades dos tucanos.
Já pensaram se tal crise acontece num estado governado pelo PT, PSB ou PC do B?
Aliás, Eduardo Guimarães, Luiz Carlos Azenha e Luis Nassif têm nos mostrado como a indignação da mídia nativa é altamente seletiva. Compensa lê-los com freqüência. Sem esquecer das leituras da CartaCapital e do Blog do Mino, é claro!
Quanto ao caso de Santo André, mais uma vez a tragédia é colocada no ar de olho no Ibope. O sensacionalismo barato toma a TV, principalmente a aberta, mas ecoa também no noticiário da TV paga. É óbvio que é um acontecimento extraordinário e como tal deve receber atenção da mídia, mas não seria o caso de submeter o noticiário a um interesse maior: a vida dos reféns?
Essa mania de transformar tudo em Big Brother é revoltante. Agora temos uma novidade copiada – argh! – dos estadunidenses: cada canal de TV leva para os seus estúdios uma infinidade de psicólogos, psiquiatras, especialistas dos mais diversos calibres. De maneira insana, traçam perfis, diagnósticos e apontam soluções a partir do conforto do estúdio e da distância dos fatos, como se fossem os donos de toda a verdade do mundo!
Finalmente a tal crise. Criticam a “aparente calma” do presidente Lula. Queriam o quê? Por acaso deveria ele alardear o pânico? Esconder-se embaixo da cama na Granja do Torto?
Ele cumpre o papel de estadista, que deve transmitir calma numa situação como essa, ao mesmo tempo em que toma medidas para diminuir os impactos negativos do episódio.
Caso a mídia fosse correta poderia tecer críticas quanto às medidas tomadas ou a velocidade das decisões, nunca a aparente calma do presidente.

4.10.08

Indicação de algumas boas leituras

Final de semana com a obrigação de votar, mesmo que você não se sinta representado por nenhum candidato!
Uma leitura que me chamou a atenção está no site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha. Uma série de reportagens da Conceição Lemes denuncia o O LOBBY DO AMIANTO EM VISITA A GILMAR MENDES (clique no título para ler). Além desta, existem no site outras sobre o mesmo tema, imperdíveis.
Para quem gosta de cinema recomendo uma navegada no blog Sombras Elétricas (clique no título para acessá-lo).
Pouco se diz do “mar de lama” (já que a grande mídia gosta da expressão...) vigente no Rio Grande do Sul. É um escândalo se sobrepondo ao outro. Mas qual a razão de não lermos nada sobre isso nos grandes jornais do país? Será que é porque o governo do RS é do PSDB? Por isso é bom dar uma passadinha no RS Urgente para saber dos podres dos tucanos do Sul. Clique aqui para lê-lo.
O ótimo Ferréz solta a pena no texto Sobre políticos e Porcos.
No Blog do Rovai uma boa análise sobre a campanha eleitoral municipal e seus possíveis reflexos na campanha de 2010. Clique aqui para ler.
Para ler sobre a campanha que mobiliza a atenção da mídia no mundo, recomendo o blog A Escolha do Próximo Porteiro.

27.8.08

Obama visto do Quênia

A excelência de CartaCapital ganhou cores mais fortes, agora conta com a colaboração de Luiz Carlos Azenha, também editor do site Vi o Mundo. Com ótimos textos ele vem abrilhantando as edições desta que considero a melhor semanal publicada no Brasil.
Sua última contribuição trata da família queniana de Barack Obama, o candidato dos Democratas para ocupar a cadeira de presidente dos EUA, ou, como diz um blog listado aí do lado, candidato ao cargo de “próximo porteiro” deste império moderno.
Como é bom ler jornalista que ainda honram a profissão.
Abaixo pequena amostra do texto:

Obama visto do Quênia

Luiz Carlos Azenha, de Kogelo

Diante de uma barraquinha de refrigerantes, numa rodovia do interior do Quênia, a imagem de Osama Bin Laden desperta a atenção. O chefe da Al-Qaeda é definido na mídia ocidental como o inimigo público número 1. É curioso que um pintor de placas queniano use a imagem do mentor de ataques terroristas para fazer propaganda de seu trabalho.
A imagem é surpreendente, especialmente em um país onde um atentado atribuído a Al-Qaeda matou mais de 200 em 1998, quando carros-bomba explodiram simultaneamente nas embaixadas dos Estados Unidos na capital, Nairóbi, e na vizinha Tanzânia. O mundo então mal tinha ouvido falar de Bin Laden.
Resolvo perguntar ao motorista:
– Steve, quem é mais popular aqui, Bush ou Bin Laden?
– Bin Laden.
A resposta reflete a relação de amor e ódio dos habitantes com o Ocidente. Nos maneirismos, no sotaque e nos rituais, o Parlamento do Quênia parece cópia da Casa dos Lordes, um exemplo concreto da influência que o Reino Unido ainda exerce sobre a ex-colônia.


Clique aqui para ler toda a matéria.

13.7.08

A mídia e Daniel Dantas

De repente todos os órgãos da chamada grande imprensa descobriram que Daniel Dantas não é flor que se cheire. Será?
As revistas Veja e Istoé Dinheiro esmeravam-se, não faz muito tempo, em dar páginas e capas, inclusive a primeira foi porta-voz de um dos seus dossiês, aquele no qual denunciava que figuras de proa do governo atual, incluído o próprio presidente Lula, detinham contas “secretas” no exterior.
A grande exceção nessa trama sempre foi a revista CartaCapital. A revista comandada por Mino Carta não economizou tinta para denunciar e mostrar as falcatruas que o banqueiro de ACM aparecia. De 1998 para cá conta-se, pelo menos, 20 notícias de capa sobre as artimanhas de Daniel Dantas e seus bons companheiros.
A revista eletrônica Teletime também. Assim como alguns jornalistas como Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Bob Fernandes.
Destaca-se na semana a cobertura da revista eletrônica Terra Magazine para as peripécias do Daniel Dantas. Prende-solta-prende-solta. Vejam alguns textos que merecem ser lidos:
Exclusivo: PF prende Dantas e organização criminosa
Inferno de Dantas - Um Raio X do Opportunity Fund
Dantas-Nahas: Para entender a organização
PF viveu guerra e espionagem para prender Dantas
Com prisão preventiva, um xeque-mate em Dantas
Dantas: "Vou contar tudo! Detonar!"
Maierovitch: Gilmar Mendes está "extrapolando"
Para quem desejar compreender esse episódio em profundidade, recomendo algumas leituras do blog Luiz NassifOnline, especialmente as listadas a seguir:
O caso Veja (série de matérias denunciando o péssimo jornalismo de Veja, suas maquinações e estripulias, dentre elas as ligações de alguns jornalistas com Daniel Dantas)
Fogo de encontro
A luta contra os paraísos fiscais
O xadrez de Dantas
Considero estas leituras, bem como o acompanhamento do Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim e do Vi o Mundo do Luiz Carlos Azenha, indispensáveis àqueles que querem compreender o imbróglio Daniel Dantas.

1.7.08

Novidades mirabolantes do mundo árabe

Nos últimos meses tenho recebido e-mails com imagens espetaculares dos Emirados Árabes.
São fotos maravilhosas, parecendo coisa de ficção científica ou filme do Spielberg!
Fico sempre ressabiado, hábito dos tempos de Minas Gerais.
Desta feita me deparei com uma matéria de um jornalista excelente, que “in locum” verificou tais avanços tecnológicos e nos manda um bom texto, recheado com algumas imagens significativas.
Clique aqui para ler “No século 21, tecnologia se descola da fé”, de Luiz Carlos Azenha.

19.6.08

Luta na Terra de Makunaima

Vejam o clipe promocional do documentário sobre a disputa na Terra Indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima:

http://uk.youtube.com/watch?v=J86r4noeQgM

Será apresentado no próximo dia 23, às 20h30m, na TV Cultura de São Paulo.

24.5.08

As terras indígenas e a soberania territorial

A disputa na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, envolvendo arrozeiros e nativos tem trazido a tona muitas discussões sobre as terras indígenas no Brasil.
Para minha surpresa até mesmo alguns órgãos da mídia conservadora, como é caso da Folha de S.Paulo, têm defendido os interesses indígenas que, neste caso, significa defender a lei e a Constituição.
Por outro lado, grupos apoiados por bobagens e grosserias, como aquelas ditas por um general recentemente, mostram-se preocupados com a soberania sobre o território brasileiro, dentre outras asneiras.
Tal manifestação só pode ter origem na má fé ou na ignorância, pois é garantido ao Estado brasileiro fazer-se presente nesta reserva, como em quaisquer outras, de acordo com o prescrito na própria constituição brasileira: ameaça às fronteiras, garantia da soberania sobre recursos minerais e outros estratégicos.
No excelente site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, encontrei a entrevista com o antropólogo Fernando Vianna, que reproduzo a seguir:


"ESSA É UMA IDÉIA QUE OSCILA ENTRE A TOLICE E A PARANÓIA"

Uma entrevista com o antropólogo Fernando Vianna sobre a polêmica em torno da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima:
Como você vê a disputa judicial?
Olha, procurando ter a real medida do que significa essa disputa. Por um lado, ela está longe de ser apenas judicial; por outro, naquilo que tem de judicial, está por demais desgastada. O processo de demarcação da Raposa/Serra do Sol foi demoradíssimo e conturbadíssimo, mas está concluído. Sua conclusão, conforme o procedimento pertinente, foi um decreto de confirmação oficial, a chamada homologação, de abril de 2005.
Com a homologação, também conforme manda o figurino, veio a ordem de retirada dos ocupantes não-índios. O que há agora é uma reabertura de discussão no STF, motivada por ação que quer evitar essa retirada dos não-índios – retirada, sobretudo, entenda-se, de um grupo de seis ou sete produtores de arroz que se recusam de todo modo a sair dali.
Tem gente que olha para isso, não conhece a história que há por trás, e diz: “está certo; é um estado da federação defendendo o seu setor produtivo”. Têm outros que olham, também ignoram a história regional, e pensam: “é legítimo; a Justiça está aí para acolher as posições em litígio e decidir o que for melhor para a sociedade; não apenas os índios têm direitos, mas os produtores também”. É legítimo que os arrozeiros e o governo que os apóia briguem na Justiça? Sem dúvida. Ocorre que, há vários anos, eles não têm feito senão brigar, de maneira às vezes demasiado literal, e não parecem ser o tipo de pessoa que se conforma em perder...
Por que você diz isso?
Porque considero um duplo pano-de-fundo. Primeiro, o fundo histórico, jurídico, moral e ético do que é demarcar terras indígenas em nosso país, e o tanto de disputa que já está aí implícito. Demarcar não é algo que se faça assim de qualquer jeito, para “dar terra para os índios”. É um longo e detalhado processo definido por lei. Nas esferas judiciais e políticas apropriadas, ao longo pelo menos das duas últimas décadas, os setores contrários à demarcação da Raposa já promoveram a disputa que se admite num Estado de Direito, e, apesar da enorme pressão de que são capazes, perderam.
Perderam porque a área é incontestavelmente indígena, e o ordenamento jurídico brasileiro ampara os direitos territoriais indígenas. A esta altura, então, a retirada dos ocupantes não-índios era para ser um procedimento pacífico: um mero cumprimento do que está previsto no Decreto de Homologação. Mas o fato é que, antes e depois da homologação, o poder local de Roraima – esse estado criado em 1988 e que até hoje vive de absorver verbas federais e de oferecer incentivos fiscais – partiu para uma briga muito mais literal do que a judicial e política.
Estou falando – e este é o segundo pano-de-fundo da questão – de bloqueio de estradas, de queima de construções, de invasões de entidades, de atentados, seqüestros, tiroteios e assassinatos contra os defensores da demarcação da Raposa, algo que se verifica, em reiteradas ondas de violência, desde o início dessa história. Eu diria, enfim, que isso que hoje pode parecer uma singela “disputa judicial” no Supremo entre partes em litígio é a repetição de um esperneio de quem não admite perder e, quando perde, recorre à violência – como já recorreu tantas vezes.
Como foi o processo de demarcação da Raposa/Serra do Sol?
Difícil, como eu já disse. O reconhecimento de que a Raposa/Serra do Sol é área indígena começou em 1917, com um ato legislativo do governo do estado do Amazonas. A luta indígena pela efetiva demarcação remonta à década de 1970. Já o processo de demarcação nos moldes atuais, pós-Constituição de 1988, arrastou-se de 1992 a 2005. Como todos os processos de demarcação de terra indígena no Brasil, ele encontra seu lastro na Constituição Federal, e obedece a um complexo procedimento administrativo, bastante detalhado e minuciosamente regulamentado pelo Decreto 1775 e pela Portaria 14 do Ministério da Justiça, ambos de 1996.
Tal procedimento, importa destacar, prevê que todos os que se sintam prejudicados (particulares, estados, municípios) apresentem oficialmente seus argumentos, para que o Ministro da Justiça decida se fazem jus a indenizações, se a demarcação deve ser revista nessa ou naquela área ou mesmo se merece ser anulada. É o chamado direito ao contraditório.
Esse direito já foi exercido à exaustão no caso da Raposa/Serra do Sol, conforme os ritos estipulados no decreto 1.775 e conforme, também, os caminhos judiciais disponíveis. Falar do processo de demarcação da Raposa é tratar de uma história cujo tramo final começa em 1996, quando o então ministro da Justiça Nelson Jobim emite um Despacho em que, levando em conta o direito ao contraditório, encaminha a demarcação da Raposa de uma forma que acabará não saindo do papel. Dois anos depois, o ministro da Justiça da vez, Renan Calheiros, refaz o procedimento de seu antecessor e ordena a demarcação física segundo os estudos que haviam sido, de fato, concluídos em 1993.
De lá para cá, se a gente fosse recapitular as idas e vindas desse caso nos três poderes da República – no Executivo, entre Ministério da Justiça, Casa Civil e outros órgãos; no Judiciário, entre TRF da 1ª Região, STJ e o próprio STF; e até no Legislativo Federal, que, embora não tivesse porque analisar o assunto, acabou entrando no jogo – rechearíamos uns tantos parágrafos.
Foram anos de imbróglio administrativo, político e judicial, que atravessaram mandatos presidenciais, gestões de ministros da Justiça, e terminaram com a já tardia homologação de abril de 2005. Quer dizer: depois de várias iniciativas da Funai no sentido de estudar detalhadamente a área (entre 1977 e 1993), depois de mais de 40 contestações à demarcação terem sido formalmente produzidas e encaminhadas ao Ministério da Justiça em 1996, depois de vários titulares da pasta terem avaliado o caso (entre 1993 e 2005), depois de deputados e senadores terem discutido a matéria (sobretudo entre 2003 e 2004), depois de uma sucessão de ações e decisões judiciais que culminaram com o STF “limpando a área” das querelas judiciais em abril de 2005, depois de tudo isso, foi que veio o decreto presidencial de homologação, de 15 de abril de 2005. Não custa lembrar que esse decreto excluiu da terra indígena algumas áreas que nela estavam presentes, conforme o desenho demarcatório definido em 1993 e aprovado em 1998.
O que diz exatamente a Constituição sobre as terras dos índios?
A Constituição de 1988 reflete o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, de que os índios sofreram um significativo esbulho territorial ao longo do processo de colonização. Seu artigo 231 afirma que os índios são detentores de direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. A noção de “direitos originários” implica a assunção por parte do Estado de que os índios, por serem quem são – habitantes destas plagas desde antes da formação do Brasil –, têm direitos territoriais que antecedem a própria constituição do Estado.
E um corolário disso é que as terras indígenas existem independentemente de o Estado reconhecê-las, sendo obrigação dele, entretanto, reconhecê-las, demarcá-las, protegê-las. O texto constitucional também deixa claro que essas terras que os índios “tradicionalmente ocupam” devem ser entendidas em termos daquilo que é necessário para sua reprodução física e cultural.
Daí que sejam descabidos raciocínios ancorados na mera relação entre extensão territorial e densidade populacional indígena, para pretender estipular a quantidade de terra que deve ser reconhecida como indígena. Aos índios se reconhece a extensão territorial que, com base em processos sociais específicos, lhes é imprescindível para sua reprodução. Fatores econômicos e/ou ecológicos - como a prática da agricultura de coivara, rotativa –, e também sócio-políticos – como freqüentes fissões e a conseqüente multiplicação de grupos locais fundados no parentesco – fazem com que tal território seja mais amplo do que se pode supor numa primeira abordagem da questão. Importante frisar que as terras indígenas são propriedades da União; o que se reconhece aos índios é a posse e o usufruto exclusivo sobre elas.
É possível obter uma solução que atenda aos rizicultores?
Aqui, a primeira coisa a ter em mente é que os títulos de que dispõem esses rizicultores são precários, como já afirmou publicamente o ministro Tarso Genro. Eles adquiriram as terras que ora ocupam no início dos anos 1990, num momento em que o processo de demarcação já estava em curso. Tratou-se, deliberadamente, de uma estratégia de enfrentamento ao governo federal e aos trabalhos demarcatórios.
A produção de arroz na área cresceu, ao longo dos anos 1990 e dos primeiros anos do século XXI, beneficiada por isenção fiscal concedida pelo governo roraimense. Ou seja: estamos falando de um claro e articulado processo de criação de um fato consumado, que depois pudesse ser usado – como está sendo – contra a demarcação.
A idéia que o poder local roraimense quer apresentar à opinião pública nacional é a de que a demarcação seria uma grande injustiça com quem esteve tantos anos dedicando-se a trabalhar a terra, mas o fato é que esse trabalho iniciou-se exatamente para obstaculizar o processo de demarcação. Isso para não falar no modo como tais rizicultores, em geral, desrespeitaram a legislação ambiental, ao desviar e poluir cursos d’água, e destruir a vegetação que os ladeia.
Então, estamos diante de uma situação que é desequilibrada por definição: de um lado, sociedades instaladas na região desde que começa a haver documentação histórica, sociedades que dependem da totalidade dessas terras (e de sua integridade ambiental) para continuar-se reproduzindo física e culturalmente; de outro, meia dúzia de caras que, modernamente, resolveram montar seu negócio justamente ali, o que afeta a reprodução física e cultural daquelas sociedades.
Pensar em atender aos rizicultores é pensar em formas de transformar porções de um território indígena – que, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, são de propriedade da União e de posse coletiva dos índios – em propriedade privada. Não me parece que tal transformação seja o melhor caminho para melhorar a vida da população rural de Roraima, 52% da qual é indígena. Eu diria que, antes de se pensar em formas de atender aos arrozeiros, mais vale voltar os olhos para o progresso da reforma agrária – e, enquanto houver um único latifúndio no país, não serão as terras indígenas que impedirão o acesso de não-índios à terra, sobretudo num estado relativamente pouco povoado como Roraima.
A integridade territorial do Brasil corre risco?
Por conta da demarcação da Raposa ou de qualquer outra terra indígena? De jeito nenhum. Essa é uma idéia que oscila entre a tolice e a paranóia, mas que atende ao propósito de desviar o foco das questões realmente pertinentes ao debate. Ela entra de contrabando nessa discussão toda. Não sei bem que papel desempenham nesse jogo os militares que a andaram trazendo de novo à tona bem agora.
O que sei é que o chefe deles, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, quando ministro da Justiça, declarou de posse dos índios e determinou a Funai a demarcação de cinco terras indígenas contíguas na chamada Cabeça do Cachorro, na fronteira do Brasil com Colômbia e Venezuela.
Parece-me que o ministro Jobim não tem nenhuma dúvida de que terras indígenas na fronteira não implicam, de forma alguma, fragilização do Estado Nacional, perspectiva de fracionamento territorial do Brasil. Por que implicariam, por sinal? Que raciocínio mirabolante sustenta essa idéia?
Primeiro, lembremos que não há absolutamente nenhuma restrição a que os militares tenham acesso ao interior das terras indígenas – presença que, por outro lado, já não é tão simples quando se trata de propriedades particulares, diga-se de passagem. Segundo, é uma grande hipocrisia usar essa suposta fragilização como argumento no caso específico da Raposa, quando, como acabamos de ver, há outras terras indígenas homologadas e regularizadas em faixa de fronteira (são dezenas: além das que estão na Cabeça do Cachorrro, mencione-se Yanomami, Vale do Javari, Oiapoque, Tumucumaque, Tikuna, Ashaninka etc.).
Terceiro, fica parecendo que as terras indígenas seriam, no fundo, terra de ninguém, quando não é absolutamente verdade. A sacanagem com os índios, nesse particular, é dupla.
Sacanagem histórica, que não leva em conta o fato de que, há cerca de um século, quando os diplomatas brasileiros tiveram de negociar a definição do trecho da fronteira onde hoje está a Raposa, a presença por lá dos Ingarikó, dos Macuxi, dos Wapixana, e as manifestações de lealdade dos seus chefes ao estado brasileiro, foram fundamentais para que a área, então chamada de “área do contestado”, pretendida pela Inglaterra, viesse finalmente a integrar o território nacional.
Joaquim Nabuco atuou e registrou essa negociação. Então: para ajudar a definir os limites do Brasil os índios servem, mas para continuar vivendo ali não??!!
O outro lado da sacanagem é prático, porque, muitas vezes, são os índios que atuam como fiscalizadores da fronteira, e comunicam fatos preocupantes às autoridades brasileiras. Isso é corriqueiro. Nos últimos tempos, deram-se a conhecer, sobretudo, denúncias indígenas sobre incursões das FARCs na Cabeça do Cachorro, e também sobre a entrada de madeireiros peruanos para cortar árvores em território brasileiro, na terra dos Ashaninka, no Acre.
Na realidade, o risco que a integridade territorial do Brasil corre, a perspectiva da tal da “internacionalização da Amazônia”, vem de outra frente, muitíssimo menos alardeada nos meios de comunicação: a enorme quantidade de terras que vêm sendo adquiridas por estrangeiros na região norte do país. O nacionalismo inteligente deveria estar com os olhos postos nesse tipo de processo, e não apontar suas armas, mais uma vez, contra os índios. Esquece-se que, para internacionalizar a Amazônia, demarcar porções dela como terra indígena pode ser muito mais complicado do que comprá-la, simplesmente.

Fonte: Vi o Mundo – Atualizado em 22 de maio de 2008 às 22H01 Publicado em 22 de maio de 2008 às 21H57.

26.3.08

Ex-agente da CIA conta as armações dos EUA

No site www.viomundo.com.br o Luiz Carlos Azenha reproduz excelente entrevista:
EX-AGENTE DA CIA: COMO OS ESTADOS UNIDOS FINANCIAM A DERRUBADA DE GOVERNOS QUE ATRAPALHAM
É só clicar aqui!

16.1.08

Um médico escreve sobre a febre amarela

O novo site do Azenha está “matando a pau!”, como a gente dizia lá no interior. Clique aqui para fazer uma visita.
Vejam a matéria veiculada ontem, tratando da febre amarela e respondendo, em parte, dúvida que expressei aqui por estes dias:

IMUNIZAÇÃO DE 60 MILHÕES MATOU QUATRO; MÉDICO COMENTA TEXTO ALARMISTA: "DEUS ME LIVRE"

Acabo de entrevistar o Dr. Celso Francisco Granato, da UNIFESP de São Paulo. Ele contou que, na vacinação do ano passado, de 60 milhões de pessoas, resultaram 4 mortes. Ou seja, o risco da vacina causar a doença é de 1 em 15 milhões. Porém, ele lembrou que esse risco É MAIOR do que o enfrentado por pessoas que vivem em cidades ou regiões em que o risco de pegar febre amarela é ZERO. Li, como se fosse meu, texto publicado por colunista da Folha, para que o médico decidisse se eu deveria publicá-lo ou não. Reação do Dr. Granato: "De jeito nenhum, Deus me livre". Sobre a mídia: "É preciso ter uma responsabilidade muito grande nessa hora." A entrevista está na Rádio Viomundo. Fiquem com o texto de outra pessoa que é do ramo:

POR PEDRO SARAIVA

Caro Azenha, sou médico clínico geral e nefrologista formado pela UFRJ. Sou seu leitor assíduo, e resolvi escrever-lhe para ver se pelo menos aqui, no seu blog, um médico consegue espaço para falar sobre essa histeria que envolve a febre amarela.
A cobertura da grande imprensa parece que não consegue chegar ao fundo do poço. Depois de inúmeros factóides e de acusar o presidente até de derrubar aviões comerciais, eles agora aparecem com essa irresponsabilidade de criar pânico na população através de um problema de saúde pública. Tive acesso a um texto da jornalista da Folha, Eliane Cantanhêde (que, aliás, parece ser casada com um dos donos de uma produtora ligada as campanhas eleitorais do PSDB), que dizia o seguinte logo no primeiro parágrafo:
"Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!”
E depois de alguns parágrafos em que não esclarece nada, termina assim:
"O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial, para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais. Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano --e nos seguintes.”
ABSURDO! ESTÃO USANDO A SAÚDE PÚBLICA PARA POLITICAGEM BARATA!

Alguns esclarecimentos:
Colunistas falam de epidemia com uma facilidade incrível para quem não entende o que quer dizer o termo. Epidemia não é o aparecimento de casos de uma doença no jornal. Uma epidemia só se caracteriza quando ocorre um aumento maior que 2x o desvio padrão sobre a incidência média de uma doença nos últimos anos.
Ou seja: Incidência média + 2x desvio padrão.
Não vi até agora nenhum jornal mostrar a incidência da febre amarela nos últimos 10 anos para uma comparação. Repare na média de casos do período FHC e Lula, será por isso que ninguém mostra os números?
1996 - 15 casos
1997 - 3 casos
1998- 34 casos
1999 - 76 casos
2000- 85 casos e 42 mortes
2001 - 41 casos e 22 mortes
2002 - 15 casos e 6 mortes
2003 - 64 casos e 22 mortes - obs.: 58 dos casos diagnosticados na região sudeste, principalmente MG
2004 - 5 casos e 3 mortes
2005 - 3 casos e 3 mortes
2006 - 2 casos e 2 mortes
2007 - 6 casos e 5 mortes
(fonte: Min. Saúde)

Todos esses casos são da forma de transmissão em área silvestre da febre amarela. Desde a década de 1940 que não há relatos da transmissão urbana da febre amarela. Veja bem, transmissão em zona urbana é diferente de diagnóstico em zona urbana. A forma silvestre é endêmica principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste e se comporta de forma cíclica, com surtos a cada 5-7 anos
A transmissão em área silvestre é feita pelo mosquito do gênero Haemagogus, e se dá através, principalmente, de macacos infectados para humanos não imunizados por vacina. A forma urbana é transmitida do homem para homem através do Aedes aegypti, o mesmo da dengue. O risco de retorno da forma urbana não é novo, e existe desde a década de 80 quando houve a reintrodução do Aedes aegypti no Brasil.
Até o momento (15/01/08), apesar de toda histeria, apenas 2 casos foram comprovadamente de febre amarela este ano. E todos contraídos em áreas silvestres. Ou seja, nada de anormal.
Feitos os esclarecimentos, vamos aos comentários sobre a cobertura da mídia.

1- Estão noticiando morte de macacos, supostamente com febre amarela, como se isso fosse um sinal de que a doença está fora de controle. O pior, vários dos macacos noticiados tiveram exame negativo para febre amarela. Ou seja, estão noticiando apenas morte de macacos.
2- Estão noticiando as mortes por febre amarela como um fato novo do governo Lula, como se ninguém morresse da doença nos anos anteriores. Estão confundindo a ausência de casos urbanos com ausência de casos em geral.
3- E o mais grave, estão criando pânico na população e levando a uma corrida desnecessária e prejudicial aos postos de vacinação. Os comentários dos leitores nas edições da internet do Globo, por exemplo, são assustadores. A mídia informa mal os leitores, e deixa que o boca-a-boca crie teorias da conspiração contra o governo.
A vacina da febre amarela não é vitamina C. Ela é feita com vírus vivo atenuado e por isso apresenta contra-indicações e efeitos colaterais. Quem não mora em área de risco ou não vai viajar para uma, não precisa e não deve receber a vacina. Além de tudo, ainda há o risco de falta da vacina para quem precisa.

Contra-indicações
Crianças com 4 meses ou menos de idade, devido ao risco de encefalite viral (contra-indicação absoluta).
Gestantes, em razão de um possível risco de infecção para o feto.
Pessoas com imunodeficiência resultante de doenças ou de terapêutica: infecção pelo HIV, neoplasias em geral (incluindo leucemias e linfomas), Aids, uso de medicações ou tratamento imunossupressores (corticóides, metotrexate, quimioterapia, radioterapia), disfunção do timo (retirada cirúrgica ou doenças como miastenia gravis, síndrome de DiGeorge ou timoma).
Pessoas que tenham alergia a ovos, uma vez que a vacina é preparada em ovos embrionados.
Pessoas com alergia a eritromicina, um antibiótico que faz parte da composição da vacina.
Pessoas com alergia a gelatina, que faz parte da composição da vacina.
Pessoas com antecedentes de reação alérgica a dose prévia da vacina antiamarílica.
Efeitos colaterais.
Reação alérgica grave (anafilática) ocorre em aproximadamente 1 em cada 131.000 doses aplicadas.
Reações no sistema nervoso central (encefalite) – cerca de 1 caso para cada 150.000 - 250.000 doses.
Comprometimento de múltiplos órgãos com o vírus da febre amarela vacinal - aproximadamente 1 caso para cada 200.000 - 300.000 doses. Acima de 60 anos a incidência desta complicação é maior (cerca de 1 caso para cada 40.000 - 50.000 doses). Mais da metade dos indivíduos com febre amarela vacinal evolui para o óbito.
Se na remota hipótese de alguém morrer por tomar desnecessariamente a vacina a Sra. Eliane Cantanhêde vai se responsabilizar? Ou vai culpar o governo de novo?
Em vez de focar nos inúmeros problemas reais do nosso sistema de saúde, a imprensa prefere criar factóides que em nada ajudam a população.

Clique aqui para conferir a matéria em sua publicação original.

24.10.07

Leituras da Semana

O blog do Eduardo Guimarães continua dando show de bola. Hoje ele escreveu um artigo supimpa, como diria vovó, sobre a Venezuela. Leiam um trecho a seguir:

A franquia midiática internacional de direita está veiculando mais uma das incontáveis mentiras que contam na mídia internacional sobre a situação política na Venezuela. Fotos manipuladas como a que se vê acima, publicada hoje (sexta) pela Folha de São Paulo, tentam passar às pessoas a idéia de que no país caribenho há uma maioria contra o governo Chávez. Não é verdade. Chávez dispõe do apoio de uma maioria expressiva dos venezuelanos. Estive na Venezuela há cerca de dois meses e, portanto, posso afirmar isso, pois me dispus a ir aos bairros pobres de Caracas, afastados do centro anti-chavista da capital venezuelana, para ver, in loco, a realidade social do país e, portanto, posso explicar, detalhadamente, por que não é verdade que a maioria dos venezuelanos - e, nas democracias, quem diz o que é ditadura e o que não é são as maiorias, supõe-se - apóia tanto a Chávez. Direi isso a despeito da relativização que se faz das maiorias dos povos na América Latina quando a questão é pôr gente no poder. O fato é que tudo que a mídia fala sobre isso não passa de golpismo "terceiro-mundista-histórico-de-direita" do mais reles que há.

Clique aqui para ler a obra completa, compensa!

A Rede Blogo continua no ar e está discutindo o mesmo assunto que o Eduardo Guimarães: Venezuela!
Leiam um trecho:
Na Flórida, um americano mandou instalar um outdoor com a mensagem acima: "Não compre gasolina deste bunda". A CITGO pertence à PDVSA, controlada pelo governo da Venezuela. A empresa já anunciou que vai continuar contribuindo com uma ONG americana que fornece óleo diesel para famílias pobres dos Estados Unidos para aquecer a casa durante o inverno. O outdoor provocou polêmica: como a palavra "ass" é considerada um palavrão, o homem que encomendou a mensagem pediu que ela fosse coberta com a imagem de um asno - também "ass" em inglês. A CITGO tem centenas de postos de gasolina nos Estados Unidos.

Clicando aqui você acessa a Rede Blogo.


No Fazendo Média o artigo da Adriana Facina está excelente! Vejam:

Guerras necessárias, humanos supérfluos

Não há como deixar de comentar o espetáculo midático mais aterrorizante da semana. O helicóptero da polícia sobrevoando a favela da Coréia, atirando em dois rapazes que tentavam fugir pelo matagal. Execuções sumárias, sem julgamento, de supostos bandidos. Imagens de guerra exaustivamente veiculadas nos noticiários, invadindo as casas na hora das refeições, interpelando os que chegavam ou partiam para o trabalho. Uma guerra cuidadosamente construída pela mídia e pela indústria do entretenimento. A pergunta é: estamos realmente em guerra?

Quer ler a versão integral do artigo? Clique aqui.
No blog do Luiz Carlos Azenha, Vi o Mundo, tem uma entrevista batuta com o Rodrigo Vianna, aquele repórter que perdeu o emprego na Rede Globo por não concordar com a cobertura eleitoral do ano passado. Ela começa assim:

Rodrigo Vianna, aquele repórter que não serve para a TV Globo, ganhou o prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos. Dia desses trocamos farpas virtuais neste espaço. Eu disse que a privatização das ferrovias no Brasil havia fracassado. O Rodrigo disse que não, que deu o resultado que os concessionários esperavam. Como ele esteve lá, fazendo reportagem, enquanto eu dei palpite confortavelmente sentado em meu aquário - de chefe deste site -, fico com a opinião do repórter.

Clique aqui para lê-la na íntegra.

Boas leituras!