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14.3.24

Cadê o ministério do governo Lula?

O tempo vai passando, já vai para mais de um ano da posse do Governo Lula e parte significativa da população não tem em mente os nomes dos ministros e ministras.

Enquanto Flávio Dino estava no Ministério da Justiça ele era destaque da comunicação dos atos de governo, até porque os bolsominions do Congresso insistiam em chamá-lo com frequência para depor e, por consequência, passaram vergonha.

Mas era secundado, com destaque, por Sílvio Almeida, Nísia Trindade, Sônia Guajajara, Aniele Franco dentre outras, às vezes no Congresso, às vezes na mídia.

A saída de Flávio Dino para o STF parece ter emudecido o Ministério. E temos ali pessoas brilhantes, capazes de enfrentar a inteligência (?) de Nikolas Ferreira, Zé Trovão, Carol de Toni e congêneres.

O que acontece? Qual a razão desse silêncio homérico de um Ministério com pessoas tão capazes?

Claro que temos alguns ministros que melhor seria que não estivessem por lá. Algumas perdas, como Ana Moser, são irreparáveis, mas ainda assim temos valorosos colaboradores e valorosas colaboradoras no governo, por que os deixar à margem da comunicação do governo?

Às vezes o excesso de holofotes sobre Lula não contribuí para a imagem dele, seria melhor deixar as grandes decisões, ou aquelas que causam grandes impactos sobre a população por conta dele e as decisões cotidianas nas mãos dos outros integrantes do governo.

Lula precisa agilizar a sua “brigada” de boas notícias, seria bom termos nomes como o Felipe Neto neste lugar, ou mesmo André Janones, que sabem o idioma das redes sociais, mesmo que fossem para distribuir boas notícias para a militância e está repercutir nas redes.

Há uma nítida dificuldade de se lidar com esses instrumentos modernos de comunicação, como o X, Instagram e TikTok, por exemplo. Não consigo imaginar o Lula, ou o ministro Padilha, fazendo as dancinhas típicas do TikTok, mas é necessário disputar e ocupar esses espaços virtuais.

  

13.3.24

01 de abril de 1964

 No mês de março algumas pessoas e instituições comemorarão o golpe de 1964, que instituiu uma ditadura militar, com forte apoio do empresariado nacional, com raras exceções.

Leonardo Silva de Recife, Pernambuco, Brasil , CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Prefiro lembrar a data, com muita raiva, de 01 de abril, quando, de fato, os tanques foram às ruas e deram início a um longo período de terror, que matou e “desapareceu” muitos brasileiros e brasileiras valorosos.

Infelizmente o governo Lula opta por ignorar a data, assim como está ignorando os mortos e desaparecidos políticos em nome de uma pacificação, que mais se assemelha e uma rendição aos milicos.

Ao contrário de países vizinhos, que passaram por ditaduras semelhantes, não punimos os militares e os civis que mataram e desapareceram com pessoas, deixando muitas famílias com a dor da perda e de não poder plantear seus mortos

Lançar luzes sobre esse passado recente é fundamental para que ele não se repita e seria muito pedagógico para construção do nosso futuro.

Penso que a tentativa de golpe de 8/1/23 e toda a movimentação da extrema direita, com protagonismo de alguns oficiais das Forças Armadas, tem uma relação óbvia com a impunidade do que aconteceu a partir de 1964.

Esse acerto de contas é muito necessário, tanto o acerto com o 8/1//23, quanto o acerto de contas com a ditadura cívico-militar de 1964. Sem isso nunca teremos um país de verdade.

Não entendo que as Forças Armadas sejam pacificadas deixando esses indivíduos, que cometeram crimes, livres, leves e soltos.

Precisam ser punidos de acordo com os regulamentos das Forças Armadas e de acordo com a justiça criminal também. Na sua maioria esses oficiais são pessoas perversas, que tem um senso muito próprio de democracia e verdade.

A partir de 1964 deram início a uma guerra interna, contra comunistas que, segundo eles, estariam prontos para tomar o país. Em nome dessa guerra torturaram, mataram, despareceram com operários, estudantes, políticos e pessoas anônimas.

Forjaram fugas, atropelamentos e suicídios. A impunidade faz parecer que os agentes do Estado que possuem armas possuem também o poder sobre a vida e a morte das pessoas não armadas.

Enquanto não houver julgamentos e reparações históricas, principalmente a localização dos corpos daqueles que foram assassinados, não haverá paz.

Precisamos seguir o exemplo da Argentina, Chile e Uruguai, nossos vizinhos que viveram ditaduras semelhantes e mostrar para os jovens do que eles foram capazes.

Assim terminaremos de vez com a escola sem partido e deixaremos os adeptos das ditaduras sem coragem de colocar a cara a mostra.

9.1.24

Um ano depois: democracia inabalada?

Dia 8/1/23 fomos surpreendidos por uma tentativa de golpe de estado no Brasil.

Uma turba bolsonarista, instruída ao longo do mandato do inelegível, resolveu tomar de assalto os prédios dos três poderes da República e depredá-los.

A primeira reação foi de incredulidade. Não pensei que o bolsonarismo fosse tão longe nos seus intentos. Na sequência apareceu a ansiedade: qual seria o poder de reação do governo Lula?

A reação veio rápida, projetando as figuras do ministro Flavio Dino e do seu segundo homem do Ministério Ricardo Capelli, que com rapidez e agilidade coordenaram a reação do governo a sanha golpista.

A intervenção decretada na Segurança Pública do DF evitou o segundo e definitivo passo do golpe: entregar o poder de restaurar a ordem pública às FFAA por meio de uma GLO, dispositivo constitucional da Garantia da Lei e da Ordem.

Por outro lado, o Ministro Múcio, tentou, e continua tentando proteger os golpistas das Forças Armadas, principalmente o alto oficialato golpista, fatos amplamente documentados, até porque eles, os militares golpistas, se incriminaram com relativo prazer e gozo.

Outra coisa que chamou a atenção foi a autoincriminação dos marginais que invadiram os palácios! Filmaram-se, fotografaram-se, discursaram, quase sempre apoiados em teorias conspiratórias ou ideias estúpidas, como pedir auxílio aos Ets.

Quando voltamos os olhos para esses fatores aleatórios a vontade é de rir, pois são muito idiotas, e, às vezes, chorar.

Não podemos simplesmente sorrir em razão do avanço da extrema direita no mundo, estão ganhando eleições, como na Itália e marcham sem pudor com manifestações fascistas em todos os cantos, inclusive, mais recentemente, na vizinha Argentina.

A democracia brasileira é frágil, basta atentar para o histórico de golpes de estado em nosso país, e continua abalada, embora o título da manifestação institucional de ontem diga o contrário. Falta povo na rua para defendê-la!

Falta também punições exemplares a quem tentou o golpe de estado, sejam os próprios baderneiros, quem os financiou e quem os instigou, sejam políticos, militares ou gente rica.

Ontem o ICL Notícias estampou uma foto emblemática no seu portal, que reproduzo abaixo com o link da matéria. 


3.11.22

Na luta contra o fascismo a democracia marcou seu primeiro gol

Estamos nos aproximando do fim de um triste período da nossa história republicana, com pouco republicanismo.

Em alguns setores a mentira, agora apelidada de fake news, tem prevalecidos e assistimos cenas patéticas, ou assustadoras, a depender da percepção do espectador.

Adultos usam crianças como escudo em protestos, ilegais, contra o resultado das urnas. Inventam supostas prisões, às vezes do Lula, presidente eleito, às vezes de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo que conduziu com maestria o processo eleitoral.


Rodovia Castelo Branco – 1/11/22. - TV Globo

As narrativas se acumulam e o ridículo e a cafonice da nossa classe média salta aos olhos, tanto de quem tem, pelo menos, dois neurônios em funcionamento como para o público do exterior.

Enquanto isso Lula, o presidente escolhido pela maioria, trabalha sem descanso, mesmo sendo sua posse apenas primeiro de janeiro de 2023.

O trabalho de reconstrução será gigantesco.

Este não será um governo petista, assim como não foram os de Lula e Dilma, pois contaram com forças políticas diversas, caminhando sempre para o centro político, mas com a inserção do povo mais pobre.

Desta vez a diferença é a própria campanha eleitoral, que de início incorporou amplos setores da sociedade que perceberam o risco da escalada fascista na nossa sociedade.

A habilidade do presidente Lula será a fiadora da participação desses setores no governo, mas será preciso que se coloque claramente para a sociedade sob quais condições isso acontecerá.

Precisamos recuperar a política e a credibilidade dos políticos e isso demandará tempo, paciência e sabedoria.

As instituições precisarão ser recuperadas, deixando claro que elas pertencem ao estado brasileiro e não ao governo a ou b.

Aqui a torcida organizada do Corinthians fazendo o serviço que caberia  à Polícia Rodoviária Federal: desmanchar um bloqueio criminoso!


O novo governo também deverá clarear para a sociedade que não cabe às religiões interferirem nas questões de Estado.

São tantas coisas a serem feitas que o trabalho será hercúleo e precisaremos da união do campo progressista, sob a liderança do presidente Lula, para fazê-las.


4.8.22

O período Lula


Acervo FPA

Algumas coisas cansam muito nas redes sociais.

Uma delas é tentar mostrar os acertos dos governos Lula. A quantidade de bobagens e mentiras é muito grande.

Resolvi postar uma matéria do UOL, com base em estudos da FGV sobre o “período Lula”.

Agora se você acha que a FGV e o UOL são comunistas, bom, aí não temos nada para conversar, considero um caso perdido.

O período de junho de 2003 a julho de 2008 foi a fase de maior expansão para a economia brasileira das últimas três décadas, indica estudo divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Nesses cinco anos, a indústria se expandiu, as vendas do comércio registraram alta e a geração de emprego e renda cresceu.... –

Para ler a matéria clique aqui.

Mas, se quiser algo mais robusto veja:

A Era Lula e sua questão econômica principal crescimento, mercado interno e distribuição de renda

André M. Biancarelli1

Resumo

O presente texto procura jogar luz sobre o que se julga ser a característica distintiva da Era Lula em termos econômicos: uma maior sintonia entre objetivos econômicos e sociais. A hipótese com a qual se trabalha é a de que o conteúdo social do desenvolvimento brasileiro, ensaiado na Era Lula, é não apenas defensável do ponto de vista moral, como também se mostra a melhor alternativa econômica diante das dificuldades e limitações enfrentadas pelo Brasil atualmente.

As seções do texto tratam, na sequencia, do contexto histórico a envolver essas questões; dos bons resultados do governo Lula (2003-2010); das dificuldades e reações no mandato de Dilma (pós-2011) e, por fim, de algumas ideias e prioridades para renovar e aprofundar este “social-desenvolvimentismo”.

Biancarelli, André M. A Era Lula e sua questão econômica principal: crescimento, mercado interno e distribuição de renda. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 58, p. 263-288, 2014. DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v0i58p263-288

Clique aqui, depois baixa o PDF.

 

7.9.11

A corrupção não é nenhuma novidade


Consegui localiza esse texto - de minha autoria - na Internet. Ele foi publicado na revista Galileu Vestibular 2007. Ele está um pouco truncado, parece que falta uma parte, mas eu não tenho o original e nem mesmo uma edição impressa da revista.
Embora datado, em razão dos escândalos que rolavam então, ainda podemos aproveitar a ideia central do texto: corrupção é uma via de mão dupla, bandido é o corrupto e o corruptor. Não tenho notícias de um agente do poder municipal subornando um agente do poder federal. Sempre temos numa ponta a iniciativa privada e na outra o agente público.


PROBLEMA HISTÓRICO E GENERALIZADO

Prática da corrupção foi disseminada em praticamente todos os governos do país

A corrupção no País é sistêmica, atingindo todos os setores da sociedade, pautandose quase sempre pela oportunidade. 
Temos o jovem rico pagando ao segurança para furar a fila da balada, o moço pobre furando a fila na bilheteria do estádio, o bancário subornando o guarda para que ele ignore o desrespeito à lei, o deputado ou qualquer outra autoridade do poder público visando engordar seus lucros. 
Não podemos ignorar que a corrupção não é uma via de mão única: se tem um corrupto tem também um corruptor, ambos criminosos. 
Entra governo e sai governo, os escândalos se multiplicam e se renovam. 
Às vezes disfarçados de "megaobra", às vezes camuflados de caixa 2 — ou dinheiro não contabilizado. Definitivamente, a corrupção não foi inventada pelo governo Lula e muito menos é este o governo mais corrupto da história. 
Num rápido passeio por um desses sites de busca, como o Google, encontraremos referências à corrupção nos governos de Getúlio, JK, Jango, nos presidentes da ditadura militar, Sarney, Collor, FHC e Lula. Em todas as crises, a imprensa trombeteia tratar-se da maior da História. 
A sucessão de escândalos neste governo, no entanto, foi impressionante. Já a incapacidade do seu principal partido, o PT, em responder a eles de forma convincente, optando pela estratégia do silêncio e apostando no esquecimento do eleitor, parece ter sido bem sucedida.
A Polícia Federal está muito mais atuante do que em governos anteriores, é claro. 
Independentemente dessa atuação, podemos lembrar o mensalão, a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro de Brasília e agora a compra do dossiê contra o candidato ao governo de São Paulo José Serra. 
Divulgar documentos comprobatórios ou indicativos de atos de corrupção não é crime. O crime está no método usado e principalmente na origem do dinheiro para comprá-lo, quase R$ 2 milhões.
Quando pensamos que o governo e o PT encontraram fácil o caminho da reeleição do presidente Lula, eles mesmos atiram contra si.

22.12.09

Turbulências de final de ano

Não gosto deste período de festas. Como não sou cristão nem consumista o natal não me diz muita coisa.
Às vezes fico depressivo com tanta movimentação e consumo. São tantas pessoas que não podem entrar nessa festa...
A profissão também não ajuda. Normalmente é o período de formaturas dos alunos da escola básica. Atuo no Ensino Médio faz algum tempo e é neste período que nos despedimos de algumas turmas – cliquem aqui para ler sobre isso –, aquelas que encerram este ciclo. Normalmente depois de acompanhá-los por três anos, pelo menos, isso nos faz tristes, pelo distanciamento, e felizes pelo sucesso desses meninos e meninas com os quais trabalhamos com tanto zelo.
Outra marca da profissão – para aqueles que lecionam em escola privada – neste período é a tão temida demissão.
Aí a gente tem que sacudir a roseira, correr atrás e preparar-se para outra realidade e novas vivências.
Isso explica minha ausência nesta última semana.
Agora, com tudo calmo, vou tratar de cumprir promessas.
Em outubro escrevi um texto apontando as maiores qualidades que via neste governo. Cliquem aqui para lê-lo.
Prometi escrever um com iguais defeitos.
Recebi uma sugestão de uma ex-aluna: questão ambiental. Um amigo, também professor de Geografia, destacou a o mesmo tema e adicionou a questão agrária. Outro colega destacou o distanciamento entre o que o PT pregava e o que fez, uma vez no governo. O último comentário, registrado na postagem, diz respeito às alianças para compor a chamada “base aliada”.
Penso que são bons temas para começar a escrever, alguma outra sugestão?

3.10.09

Governo Lula: melhor do que os anteriores, pior do que esperava

Já comentei em outras postagens que o governo Lula me decepcionou com relação à política educacional e política agrícola.
Considero esses dois temas como muito sensíveis e vitais para um Brasil mais justo.
Também penso que queda da taxa básica de juros foi lenta e ela ainda continua muito elevada, o que, a meu ver, impede mais investimentos produtivos.
Vejam, isso tudo dentro dos marcos do capitalismo, como era de se esperar de um governo com tal leque de alianças e que produziu a “Carta ao povo brasileiro” pouco tempo antes da primeira eleição. Clique aqui para ler este documento histórico.
Minhas críticas e dissabores não contam com a ingenuidade de quem pensava que teríamos um governo socialista ou então estávamos às portas de um processo revolucionário.
Vejo grandes acertos:
a – política externa: independência da esfera de influência dos EUA e aposta firme na construção de relações estáveis Sul–Sul, além da diversificação de parceiros comerciais; projeção do país como interlocutor confiável nas negociações comerciais e geopolíticas; intensa movimentação diplomática e aproximação comercial de outros emergentes (BRICS); ações propositivas no âmbito da OMC;
b – mercado interno: políticas de transferência de renda acopladas a exigência de presença dos filhos dos beneficiários na escola; desoneração progressiva de alguns setores, como da construção civil; ampliação do crédito e do acesso ao sistema bancário aos pobres;
c – educação: projetos de formação de professores ou apoio aos estados que desenvolvam projetos nesse sentido; ampliação do ENEM; PROUNI, embora com a ressalva para a vida fácil de algumas instituições com esse projeto; criação do Fundeb; criação do piso nacional para os professores (ainda insuficiente é verdade);
d – política agrícola: aumento do financiamento para a agricultura familiar;
e – infra-estrutura: investimentos na Petrobras e reforma de parte da malha rodoviária.

Assim de memória, imagino serem estes os maiores acertos do governo.
Conto com vocês para melhorar essa lista.
No próximo final de semana publicarei os maiores erros. Na minha modesta opinião é claro!

18.10.08

A semana não foi fácil

Primeiro para minha pessoa: a recuperação da cirurgia da catarata que estava indo muito bem, danou-se! Pintou uma pequena inflamação e fiquei um tanto quanto assustado, pois parecia que o olho vertia sangue. Minha esposa disse que eu estava exagerando, em todo caso tive que retomar o repouso e voltar com os colírios do pós-operatório e ainda somar um antiinflamatório.
Isso, de certa forma, prejudicou minhas leituras nesta semana de recesso pedagógico, ou do saco cheio como gostam os alunos.
Mas é impossível não comentar alguns acontecimentos:

Campanha eleitoral em São Paulo
O marquetingue da Marta escorregou feio. Ao fazer insinuações, mesmo que sutilmente, sobre a orientação sexual do Kassab, atentou contra a história do Partido dos Trabalhadores e a da própria candidata, que tanto sofre com as picuinhas da imprensa e com o preconceito por defender a união civil entre homossexuais, por exemplo.
Lembro-me como se fosse hoje dos acontecimentos da campanha de 1989. Lula impediu que a campanha fosse levada para o mesmo fosso que Collor e o Grupo Globo a remeteu. E olha que material não faltava!

Polícia x Polícia
Mais uma demonstração da “capacidade de gerenciamento” do PSDB. Governam o estado de São Paulo desde 1995, sem interrupções, conseguiram afundar a educação, saúde e a segurança pública. Por estes temos lido que São Paulo, quando comparado aos outros estados da federação, paga muito mal aos seus professores e aos seus policiais.
O conflito, armado, entre policiais civis e militares trouxe ao público o autoritarismo do Serra e a incapacidade de lidar com extremos e de negociar.

Seqüestro em Santo André
Uma situação limite vivida pelos policiais, reféns e familiares.
Causam-me estranheza: a) o caso de uma refém libertada ter voltado para o cativeiro, penso que seja um caso único no mundo, que sirva de lição para que nunca mais aconteça; b) o acesso que a mídia teve ao seqüestrador. Não tem cabimento entrevistas ao vivo e a condição de estrelato que ele assumiu, mesmo sem ter pedido; c) o desfecho trágico, até agora sem uma explicação plausível por parte das autoridades estaduais, inclusive o governador.

A crise econômica dos EUA
O Brasil resiste à hecatombe, embora contra a vontade da mídia.
Se dependesse dos jornais e TVs nós já estaríamos de pires na mão batendo nas portas do FMI e seus asseclas.
Ela é séria e deve afetar o Brasil sim! Parece-me que muito mais na questão do crédito, que já escasseou para o cidadão comum e também para os investimentos privados.
Também devem sofrer aquelas empresas que se desviaram de sua atividade principal para ganhar dinheiro com operações especulativas.

O papel da nossa mídia nisso tudo
Lamentável!
Esforçaram-se para super-dimensionar a peça publicitária imbecil da campanha de Marta, sem fazer uma auto-crítica de episódios passados, inclusive de ataques à própria candidata no tocante às suas relações conjugais.
A Folha de S. Paulo protege o Serra de maneira descarada. Se tomarmos por base o noticiário da crise área, de responsabilidade federal, já deveríamos ter notícias do “Caos na segurança pública” na esfera estadual. Mas nada, apenas notícias assépticas, sem análises consistentes, amenizando as responsabilidades dos tucanos.
Já pensaram se tal crise acontece num estado governado pelo PT, PSB ou PC do B?
Aliás, Eduardo Guimarães, Luiz Carlos Azenha e Luis Nassif têm nos mostrado como a indignação da mídia nativa é altamente seletiva. Compensa lê-los com freqüência. Sem esquecer das leituras da CartaCapital e do Blog do Mino, é claro!
Quanto ao caso de Santo André, mais uma vez a tragédia é colocada no ar de olho no Ibope. O sensacionalismo barato toma a TV, principalmente a aberta, mas ecoa também no noticiário da TV paga. É óbvio que é um acontecimento extraordinário e como tal deve receber atenção da mídia, mas não seria o caso de submeter o noticiário a um interesse maior: a vida dos reféns?
Essa mania de transformar tudo em Big Brother é revoltante. Agora temos uma novidade copiada – argh! – dos estadunidenses: cada canal de TV leva para os seus estúdios uma infinidade de psicólogos, psiquiatras, especialistas dos mais diversos calibres. De maneira insana, traçam perfis, diagnósticos e apontam soluções a partir do conforto do estúdio e da distância dos fatos, como se fossem os donos de toda a verdade do mundo!
Finalmente a tal crise. Criticam a “aparente calma” do presidente Lula. Queriam o quê? Por acaso deveria ele alardear o pânico? Esconder-se embaixo da cama na Granja do Torto?
Ele cumpre o papel de estadista, que deve transmitir calma numa situação como essa, ao mesmo tempo em que toma medidas para diminuir os impactos negativos do episódio.
Caso a mídia fosse correta poderia tecer críticas quanto às medidas tomadas ou a velocidade das decisões, nunca a aparente calma do presidente.

5.10.08

Ainda esperanças no eleito - editorial da CartaCapital

Todos que me conhecem sabem da minha admiração por Mino Carta. Na CartaCapital desta semana ele escreveu texto que, sinceramente, eu gostaria de ter tido a competência de escrever. Fiz algo parecido outro dia (clique aqui para ler) quando tentei explicar para alguns amigos as razões do meu desencanto com o governo Lula, embora ainda o considere o melhor governo da minha existência como ser político.
Seria muito interessante que Lula ouvisse, ou pelo menos lesse o que escreve o jornalista que, afinal, o acompanha desde as jornadas grevistas do ABC, nos distantes anos 70. Mino Carta é muito melhor conselheiro do que muitos que cercam Lula nas reuniões ministeriais.



Ainda esperanças no eleito
Mino Carta

A crise econômica e financeira que abala o mundo não somente desnuda a falácia da religião do deus mercado, mas também oferece uma lição do Congresso americano, capaz de portar-se como convém à democracia dos três poderes iguais e independentes. A despeito do fracasso de Bush júnior, o regime de governo herdado pelos Estados Unidos dos “pais fundadores” às vezes dá sinais de vitalidade.
Comparações com o Brasil não se recomendam, e tampouco seriam justas. A rigor, carecemos de pais fundadores e da experiência determinante da Revolução Francesa. Poucos países são tão desiguais. Quanto à liberdade, é para a minoria, e os três poderes giram por conta própria e com propósitos distintos, como partes de um mecanismo incoerente antes que ineficaz.
Clareza há em um ponto, indiscutivelmente. Se é verdade que o presidencialismo projeta de forma peremptória a figura presidencial, está claro que Luiz Inácio Lula da Silva atingiu um patamar de popularidade nunca dantes navegado. Na semana passada, neste mesmo espaço, destacava seus 70% de aprovação, conforme as pesquisas de opinião. Escassos dias depois atingimos 80%.
Não é arriscado prever que a influência de Lula pesará sobre os resultados das eleições municipais, sem exclusão de uma ou outra surpresa, decerto rara. Esta profunda, transcendente afinação com o povo brasileiro, que também é afinidade, teria de ser aproveitada muito além dos efeitos de um apoio popular destinado à extinção ao cabo do segundo mandato. Nada impede que o sucessor de Lula faça um governo excelente, mas a aprovação das pesquisas não terá os mesmos alcances. Antes de mais nada, porque o futuro eleito não será um ex-metalúrgico que manteve intacta a fé em si mesmo depois de três derrotas seguidas.
Agora, vejamos: quem é Luiz Inácio Lula da Silva? Pouparei os pacientes leitores de lucubrações psicológicas, sem deixar de acentuar o que é evidente na personalidade do presidente, do cidadão e do indivíduo. Lula é um conciliador. Um negociador. São características largamente exibidas tanto nos tempos de liderança sindical quanto na criação do Partido dos Trabalhadores.
Tal foi, aliás, um dos argumentos de CartaCapital, ao optar pela candidatura dele em 2002 e 2006. A contradizer os pavores empresariais que, em 1989, levaram o presidente da Fiesp, Mario Amato, a anunciar o êxodo de centenas de milhares de brasileiros, na expectativa de razias vermelhas caso Lula chegasse ao poder. Lula alimenta a convicção de que inexiste problema passível de não ser resolvido na conversa, e inúmeras vezes provou ter razões para tanto. Resta ver a que preço, pois há conversas e conversas. De todo modo, outro aspecto é transparente na personalidade do presidente: a sua capacidade de resistir. De insistir com tenacidade incansável. De voltar à carga. No Brasil de hoje, sem descurar das conseqüências da crise americana, muitas são as questões que merecem a aplicação deste Lula negociador tenaz. Sobram-lhe dois anos, e é o espaço à disposição para fazer o que não fez até agora, de sorte a apontar o caminho para o sucessor.
Há reformas a serem realizadas para combater o problema mais grave entre aqueles que assoberbam e tolhem o Brasil, a gritante desigualdade. Rui o cassino global criado pelo neoliberalismo, a bem da compreensão de que o dinheiro tem o valor do puro ar se não for alicerçado pela produção, em proveito do desenvolvimento e da distribuição da riqueza. Do ex-operário apoiado por quatro quintos da nação esperam-se passos decisivos neste terreno.
Muito além do Bolsa Família, recurso medíocre e símbolo de uma situação dolorosa. Não pelas razões de quem clama contra as precariedades do assistencialismo, e sim por causa daquilo que de fato representa. Vejo o povo que mergulha debaixo da mesa dos poderosos para colher as migalhas. E é trágico que estas bastem para seduzi-lo. Dois anos é tempo suficiente para grandes empreitadas.


Fonte: CartaCapital – 03/10/2008.

14.12.07

Baita texto do Nassif

Texto lúcido e claro do Luis Nassif. Jornalistas desse porte ainda nos dão a esperança de uma imprensa apta a discutir o país.

A CPMF e a pequenez nacional

A derrota do governo, no episódio da renovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) traz inúmeras lições.
A primeira é sobre a excepcional falta de criatividade e de despreendimento nos momentos de grandes impasses. O governo não queria estabelecer limitações às formas de aplicar os recursos. A oposição não queria mais recursos, que pudessem melhorar a governabilidade. Prova de que não há nada mais parecido com o PT na oposição do que o PSDB; e nada mais parecido com o PSDB na situação do que o PT.
***
O impasse poderia ter permitido inúmeras saídas consensuais, que ajudassem a aplacar o radicalismo das próximas eleições e passassem à opinião pública uma imagem mais produtiva dos partidos políticos.
A aprovação poderia ser amarrada ao compromisso formal de redução dos encargos trabalhistas. Ou à redução de outros tributos terríveis, como o Pis-Cofins, amarrado à melhoria da arrecadação federal. Poderia ter significado garantia de recursos à saúde e tudo o mais.
Nada a oposição propos; com nada o governo se comprometeu. Sobreveio o impasse.
***
A segunda consequência será a precipitação dos embates internos no PSDB. Único partido com condições de enfrentar o PT nas próximas eleições, o PSDB é um tucano partido ao meio.
Em tempos de paz, os verdadeiros comandantes do partido são os governadores. Por várias razões interessa a eles conviver pacificamente com o governo federal. Primeiro, pela perspectiva de colaboração, que deve marcar um país federativo. Depois, para não ter que enfrentar um líder carismático como Lula, em uma eleição polarizada. Finalmente, para não herdar um país conflagrado, em caso de vitória.
***
Na outra ponta, estão os ex, ex-presidente como Fernando Henrique Cardoso, ou senadores de futuro político incerto, como esse truculento Arthur Virgílio. Eles só crescem em ambiente de guerra. A FHC interessa a guerra para ampliar seu espaço no PSDB e interessa que o governo Lula afunde, pois só assim – pelo efeito-comparação – poderia aspirar um julgamento mais benevolente da história para seu governo.
Ao contrário de outros ex-presidentes, como Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, FHC é um ex dotado de nenhuma grandeza, de nenhuma responsabilidade cívica.
Serra e Aécio estão aguardando para se posicionar mais perto das eleições. Correm o risco de herdar um partido exangüe. Se a CPMF não for restaurada, cada problema do governo Lula, cada investimento que deixar de ser feito, cada piora nas áreas sociais terá responsáveis diretos: o PSDB, seus senadores e FHC.
Havia receio de que a aprovação da CPMF pavimentasse o sucesso do governo Lula. Agora, qualquer fracasso terá um responsável direto: a oposição.
***
Os ecos dessa votação serão ampliados com o tempo. Ajudará a reforçar o discurso de que o governo Lula está sendo vítima de uma “conspiração das elites” - apesar da verdadeira elite, o mercado financeiro, nunca ter ganhado tanto.
De qualquer modo, saem divididos o país, a oposição e qualquer veleidade da opinião pública sobre a qualidade dos nossos homens públicos.

CPMF e Selic
Em qualquer economia racional, a derrubada da CPMF levaria o Banco Central a reconsiderar a questão da taxa Selic, que definr o patamar de remuneração dos títulos públicos. Se a carga de juros já era elevadíssima, com o corte da CPMF a necessidade de superávit primário aumentará mais ainda. Por isso mesmo, quanto maior o peso dos juros, maior a percepção de risco no Brasil. O natural seria a queda da Selic.

Luis Nassif
Publicado em: Luis Nassif Online – 14/12/07.

13.12.07

Governo Lula perde de seus próprios aliados

O Senado sepultou a CPMF e, pelo que diz o governo, de uma vez por todas.
A oposição canta de galo nesta hora, mas o governo perdeu para a sua própria base aliada. Vejam os integrantes da chamada base governista que votaram contra o governo:
César Borges (PR-BA); Expedito Junior (PR-RO); Romeu Tuma (PTB-SP); Geraldo Mesquita (PMDB-AC), Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) e Mão Santa (PMDB-PI).
Com aliados desta qualidade, quem precisa de inimigos?
Seria interessante que alguém da grande fizesse um infográfico – já que este recurso está na moda – mostrando como estes moços votaram na criação e nas prorrogações anteriores, bem como o voto daqueles que desta vez apoiaram a CPMF nestas votações anteriores.
Agora é ver se o governo Lula aprendeu mesmo a fazer política conforme manda a tradição: é hora de punir os dissidentes! Cortar os seus cargos, barrar suas emendas e contingenciar as verbas para a clientela.
Para as eleições do ano que vem a oposição deu uma bela azeitona para o discurso do governo, pois ele poderá culpá-la, usando o fim da CPMF como uma medida que penalizou os mais pobres e impediu o governo federal de fazer mais pelo povo.
Considero a CPMF um imposto injusto por atingir a todos indiscriminadamente. Prefiro aqueles impostos que recaem de forma mais incisiva sobre os afortunados, atenuando os percentuais para os mais pobres.
Como instrumento de controle também se mostrou ineficaz, como demonstra as seguidas operações da Polícia Federal e demais denúncias envolvendo sempre lavagem de dinheiro.
Talvez o fim da CPMF faça o governo repensar o sistema tributário. Não sou daqueles que gritam contra os impostos, mas reclamo da sua destinação.
Sinceramente não me importaria de pagar o que pago, até mais, se o Estado garantisse educação, saúde, moradia e transporte de qualidade decente para todos os cidadãos.
Aí está o maior pecado do governo Lula, a meu juízo, além da prática descarada da fisiologia, com o apelido de “governabilidade”.
Nada de reforma agrária, timidez nas questões educacionais e omissão na saúde pública, ou seja, nada diferente dos tempos de FHC ou mesmo da Nova República, com a diferença que a fatia destinada aos programas sociais é um pouco maior.