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3.10.11

Nosso racismo quer ser suave

Caros amigos e amigas – que acompanham meus textos e indicações de leituras – peço-lhes licença para republicar aqui uma postagem copiada do Vi o Mundo, que buscou no blog Maria Frô. Ela é imensa para os padrões blogueiros, mas necessário que assim seja.
Ainda hoje conversava com um grupo de alunos da 2ª Série do EM sobre a política de cotas e outras políticas afirmativas.
Falei-lhes sobre autores que cometem livros para “provar” que não existe racismo no Brasil.
Nosso racismo é mais dissimulado do que o dos outros, mas mata!
Leiam o que segue e digam-me se não é para sentirmos vergonha!



As duas mortes do Toni

Por João Negrão, especial para o Maria Frô, no blog da Conceição Oliveira

26/09/2011

Quarta-feira, 21 de setembro de 2011, 19 horas, em Jackson, capital do estado da Geórgia, Estados Unidos, Troy Davis, um negro de 42 anos, recebeu a dose letal que o levaria à morte. Condenado por assassinato, Troy Davis deitou-se na maca para receber as injeções repetindo a mesma frase de 22 anos antes, quando foi preso e condenado: “Sou inocente”.
Quinta-feira, 22 de setembro de 2011, por volta das 23 horas, em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, Brasil, Tony Bernardo da Silva, um negro de 27 anos, africano de Guiné-Bissau, estudante de Economia da Universidade Federal, recebeu um pontapé na traquéia e morreu. O golpe culmina uma sessão de socos e pontapés desferidos por dois policiais e um empresário que duraria em torno de 15 minutos.
Impossível não traçar um paralelo entre as duas mortes.
A primeira foi uma condenação legal, nos moldes da justiça norte-americana, que todos conhecemos, empenhada a condenar negros, ainda que, como é o caso de Troy, haja evidências de inocência. Inclusive depoimento de outro preso assumindo a autoria do crime atribuído a ele. Em vão: Troy não recebeu perdão, não teve a clemência do governador da Geórgia e muito menos direito a recurso na Suprema Corte, dado às evidências de sua inocência.
Difícil não imaginar que se trata de mais um caso de racismo como os que pontuam a crueldade do sistema jurídico e a sociedade racista dos Estados Unidos, especialmente nos estados sulistas como a Geórgia.
Como é difícil não suspeitar que o caso do Toni foi uma expressão pura e cabal de racismo.
Uma condenação prévia: um negro que adentra a uma pizzaria freqüentada por rapagões e moçoilas de classe média alta de Cuiabá, num bairro idem, embora predominantemente de repúblicas estudantis (o Boa Esperança fica ao lado do campus da UFMT) é um bandido. E ainda mais se este negro acidentalmente esbarra na namorada de um desses fregueses.
Afinal, aquele não é um lugar para negros. Pior ainda. Que atrevimento! Um negro que deveria estar na senzala não pode adentrar a uma casa grande dos pequenos burgueses e tocar a mulher branca do sinhozinho.
Então, eis seu crime. E está decretada a pena de morte. Não se sabe se os policiais e o empresário (sinhozinho) estavam armados. Se estivessem teriam desferido vários tiros?  Tenho dúvida. Não sei se não preferiram mesmo usar como instrumentos de execução os socos e pontapés. Afinal, esta na moda uma das marcas da intolerância: matar a porradas negros, homossexuais e todos que esses “bad boys” não toleram por serem diferentes deles, supostamente bem nascidos, bem nutridos e crentes da impunidade. E com um ingrediente macabro: eles se divertem.  E não raras vezes filmam e jogam em suas redes sociais.
Seguindo o mesmo “modelito” que a imprensa em geral aplica a esses casos, todos ciosos a dar voz e vez aos assassinos da elite, tentam desqualificar o morto. Versões diversas surgem por todos lados dando conta que ele tinha passagens pela polícia, era drogado, perdeu a vaga no convênio da UFMT e outras informações nefastas. Como sempre trabalham com meias-verdades, com deturpações dos fatos e a omissão de outros.
Essas versões são disseminadas por advogados e familiares dos assassinos, que encontram voz em veículos de comunicação que, deliberadamente ou não, as propagam sem questionar o contexto da vida do Toni e os depoimentos de amigos, colegas e ex-namorada, todos, unanimemente, testemunhando sua conduta passível e respeitadora.
É compreensível que os advogados e familiares tomem tal atitude. Mas não justifica a postura dos representantes da Universidade Federal de Mato Grosso, que qualificaram o Toni como um indivíduo de má conduta.
O setor da UFMT responsável pelo convênio entre o governo brasileiro e os governos dos países africanos de língua portuguesa, que permitem jovens daqueles países estudarem no Brasil, sempre foi omisso e racista com esses estudantes. Poderia desfilar aqui uma série de descasos, dificuldades criadas e declarações preconceituosas. Não é o caso agora.
Por enquanto fica o registro de que o Toni sempre buscou desesperadamente lutar contra o vício do crack e encontrou pouco apoio na UFMT. Seus amigos se mobilizaram, igualmente seus colegas e professores. Mas a instituição se agarrou na burocracia. Por ele não conseguir mais freqüentar as aulas, o desligaram do convênio, pura e simplesmente. E ficou por isso. Contudo não pouparam declarações cruéis, insensíveis e até irresponsáveis na imprensa.
Esta é a mesma instituição que ignora que drogas como o crack estão se proliferando dentro e na periferia do campus da UFMT do Boa Esperança. Foi ali mesmo que o Toni se viciou. Nas imediações da república em que ele morava, assim como nos corredores da UFMT, a droga e traficantes transitam livremente. Que providência a instituição tem tomado acerca disso? Prefere tapar os olhos e ajudar a condenar seus jovens alunos.
Foi-se o tempo em que o romantismo e a rebeldia de fumar um baseado faziam parte do cotidiano universitário. Agora o ambiente universitário é um dos mercados de drogas pesadas, assim como seu entorno. E a tragédia do crack, a pior delas, bate à porta de todos nós. Meus amigos e colegas, muitos deles vivendo esse drama familiar, sabem do que estou dizendo. Acompanhei esses dramas quando morava ainda em Cuiabá.
Eu mesmo o vivo bem de perto. Tenho um irmão que vive a perambular pelas ruas de Goiânia se consumindo pelo crack. Gilmar, um dos sete filhos adotivos de minha mãe, era um rapaz trabalhador desde criança. Estudou, casou, formou família. Suas três filhas e esposa não agüentaram viver aquela tragédia e o abandonaram. Desde então passou a viver nas cracolândias do bairro Vila Nova, na capital de Goiás.
Minha mãe, já com seus 74 anos e morando agora em Goiânia, acompanha seu infortúnio e, dentro de suas limitações, nos mobiliza a todos para tentar salvá-lo.
O Toni tentou sobreviver. Poucos meses antes de voltar para Brasília, o recebi na minha casa, a qual ele freqüentava com os demais estudantes guineenses. Minha mulher era amiga dele, chegaram de Guiné-Bissau juntos. Ele para curso Economia e ela, Publicidade. Éramos capazes de deixar nossa casa aberta para ele, junto com meus filhos. O Toni não era um bandido. Repito: era uma pessoa amável e respeitadora.
Naquela tarde fria de julho e Cuiabá melancólica devido à carência de seu sol escaldante, o Toni chegou desesperado. Primeiro pediu dinheiro emprestado. Depois, muito envergonhado, chorou no nosso colo. Pediu ajuda, implorou para que afastássemos aquela sua vontade incontrolável de querer consumir a droga. Então começamos a mobilizar os amigos, colegas e seus professores. Ele necessitava de tratamento para poder concluir os estudos e voltar para o seu país.
Dois meses depois voltei para Brasília. Mas acompanhamos daqui a vida do Toni. Ficamos sabendo que ele havia ido para o tratamento. Depois fomos informados que havia vendido tudo que tinha e foi obrigado a entregar toda a sua bolsa de estudos para os traficantes. Quando perdeu a bolsa, foi para a rua mendigar. Foi num desses momentos que entrou na pizzaria naquela noite do dia 22 de setembro.
O Toni é filho de uma família de classe média alta em Guiné-Bissau. Seu pai é agrônomo e possui uma pequena fazenda. Idealista, sempre quis que os filhos tivessem boa formação para ajudarem no desenvolvimento do país. Tem irmãos que estudam ou estudaram na França, Inglaterra e Portugal. Parte da família fez carreira nas forças armadas, onde um tio seu é um dos comandantes.
Certa vez o Toni foi flagrado pela polícia em Cuiabá carregando um botijão de gás que ganhou de um dos colegas, pois o seu ele havia vendido para comprar crack. A polícia o abordou, o levou preso, apesar de afirmar que o objeto era dele. Passou o dia inteiro na delegacia, jogado numa sala e só saiu de lá depois que acionou a Polícia Federal, jurisdição da qual estão os estudantes africanos.
Aqui abro um parêntese. Não foram poucas as vezes que a UFMT acionou a Polícia Federal para perseguir os estudantes africanos que, por um motivo ou outro, não estavam freqüentando aulas ou haviam formado e ainda estavam no Brasil tentando pós-graduações ou empregos.
Setores da imprensa de Cuiabá, motivados por advogados e familiares dos assassinos, utilizam este caso do botijão, entre outros sem gravidade, para propagar que o Toni tinha passagens pela polícia. Como se a tal “passagem” fosse uma sentença de morte.
Antes de continuar, peço licença para contar duas histórias:
Em 1980, um rapaz que faria 20 anos dali a poucas semanas, cursava Agrimensura na antiga Escola Técnica Federal de Goiás e fazia estágio numa cidade a 20 quilômetros de Goiânia. Numa tarde, como fazia todos os dias, entrou às 17 horas no ônibus que o levaria de volta para casa, quando dois policiais o abordaram, algemaram, jogaram no camburão e levaram para a delegacia. Lavraram um boletim e mal ouviram a versão do rapaz. Em seguida, para fazê-lo confessar que havia feito um assalto, os policiais deram-lhe tapas nos ouvidos, murros, beliscões no nariz, nas orelhas, cascudos e ameaçaram quebrar seus dedos com um alicate e queimá-lo com cigarros.
As sevícias duram até que um dos policiais sugeriu ao delegado que o rapaz fosse levado para que a vítima identificasse o assaltante. Àquela altura a cidade inteira já sabia da prisão. Ao chegar à casa da senhora assaltada, de onde foram levados um televisor, aparelho de som e uma bicicleta do filho, o carro da polícia encontrou uma multidão que queria linchar o “bandido”. Os policiais com dificuldade abriram um corredor para a mulher chegar até o carro. Quando ela olhou pelo pára-brisa foi logo dizendo: “Não, não é este. O ladrão é branco!”.
Em 2004, um homem de 44 anos foi abordado pela polícia próximo à sua casa. Estranhou o fato de os policiais o obrigarem a ficar ao lado da viatura, longe do seu carro. Então um dos policiais faz uma rápida revista e aparece com um revolver e um pacote do que seriam drogas. Imediatamente o homem protesta, denuncia a “plantação” e só não vai preso porque estava com a identificação de secretário-adjunto de Comunicação Social do governo de Mato Grosso e ameaçou denunciar os policiais, que imediatamente fugiram do local.
O homem e o rapaz de 24 anos antes é a mesma pessoa: eu. Poderia aqui contar outras várias histórias de arbitrariedades e prisões às quais fui submetido.  Por ser negro, tido como ladrão, drogado e traficante, tive passagens pela polícia. Infelizmente aquela piadinha infame que de vez em quando ouvimos por aí  é de fato uma máxima entre policiais: “Preto parado é suspeito, correndo é ladrão”.
Quantas passagens pela polícia justificam uma morte?
Mereceria eu morrer por ter cometido o crime de ter nascido negro?
Mereceria eu morrer pelo crime de provocar aos policiais a sanha assassina de quem ainda nos vê como escravos, como sub-raça, como seres desprezíveis?
Mereceria eu morrer porque há cinco séculos retiraram meus antepassados da África, jogaram num navio negreiro, atravessaram o Atlântico, os leiloaram, os submeteram a ferro e fogo, os jogaram nos canaviais, minas e fazendas, os subjugaram nas senzalas, colocaram no pelourinho, humilharam, sugaram seus sangues e suores, para depois, com a abolição, os jogarem as ruas como se fossem animais, sem direito a dignidade?
Deveria eu morrer por ser filho de Clarice Laura e José Orozimbo, neto de José e Regina e de Josefa e Pedro Alves, por sua vez netos e filhos de escravos?
Este é meu crime?
Por favor, se é este o meu crime, então que me matem! Mas me matem apenas uma vez. Não façam como estão fazendo com o Toni.
Depois de ser trucidado pelos “bad boys da intolerância”,  Toni corre o risco de ser massacrado, pisoteado, sangrando até a última gota da sua dignidade.

PS: O corpo do Toni ainda está no IML de Cuiabá aguardando resultados de exames pedidos pelo delegado que acompanha o caso e a chegada da família para liberá-lo. Dona Cecília, mãe dele, me informou que um de suas irmãs, que é arquiteta na França, deve vir ao Brasil. A Embaixada de Guiné-Bissau em Brasília também está acompanhando o caso e prestando apoio à família. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, já se manifestou, repudiando o crime e pedindo desculpas à família e aos guineenses. Amigos e compatriotas do Toni estão se mobilizando em Cuiabá e aqui em Brasília, denunciando o assassinato e pedido para que seja tipificado como motivado por racismo.

24.10.10

A armação que pode vir nesta semana final

O Luiz Carlos Azenha, do ótimo Vi o Mundo, nos alerta sobre a possibilidade armações - das mais variadas - que poderão ocorrer nesta reta final da campanha eleitoral.
Leiam:

Alerta de quem é do ramo: a armação que pode vir nos dias finais de campanhapor

Luiz Carlos Azenha

O alerta é de um jornalista experiente, com amplos contatos na comunidade de informações, com arapongas e ex-arapongas.
Não nasce de um evento específico, mas de um encadeamento lógico de fatos: a campanha sórdida e subterrânea na internet, os panfletos apócrifos, as chamadas por robôs e a farsa de Campo Grande, onde o único ferido — realmente ferido — foi um militante petista com um corte no supercílio (que não apareceu no Jornal Nacional).
Vem da repetição de um padrão no telejornal de maior audiência: Dilma, agressiva; Serra, vítima. Um padrão que se manteve na noite deste sábado, quando a Globo omitiu o discurso do governador paulista Alberto Goldman em que ele sugeriu uma comparação entre Lula e Hitler (com menção ao incêndio do Reichstag), omitiu que militantes de PT fizeram um cordão de isolamento para que uma passeata tucana avançasse em Diadema e destacou o uso, por eleitores de Serra, de capacetes para se “proteger” das bolinhas de papel.
O colega, em seu exercício de futurologia, mencionou o Rio de Janeiro como o mais provável palco de uma armação, por dois motivos:

1) é onde fica a Globo;

2) é onde subsiste a arapongagem direitista.

Como lembrei neste espaço, anteriormente, foi assim o golpe midiático perpetrado em 2002, na Venezuela, retratado nos documentários A Revolução Não Será Televisionada e Puente LLaguno.
Parte essencial daquele golpe, que juntou militares insatisfeitos com a oposição em pânico e apoio maciço da mídia, foi a acusação de que militantes chavistas tinham atirado em civis desarmados, quando as 19 mortes registradas num confronto entre militantes das duas partes resultaram de tiros disparados por franco-atiradores e policiais de Caracas leais à oposição. Porém, foram semanas até que tudo ficasse claro para boa parte dos venezuelanos e para a opinião pública internacional.
O Brasil de 2010 não é a Venezuela de 2002, mas não custa ficar alerta.

18.8.09

Carta aberta à companheira Marina Silva

Belo texto que li no Vi o Mundo.
Abaixo pequeno trecho dele:
As esquerdas têm o dever de ouvir a voz de Marina Silva. As razões de Marina Silva. Ela, que já deu tanto à nossa geração, receba, agora, por todos os lados, a nossa mão estendida. As mãos que teceram ao longo de três décadas a rede de sonhos e esperanças que nos mobilizou a todos; a capacidade de organizar nossa ação na base da sociedade para reivindicar direitos sociais por meio da CUT; levantar bandeiras ambientais como nos "empates" liderados por Chico Mendes para deter a voracidade dos desmatadores da Amazônia; ou para formular e conduzir políticas públicas de desenvolvimento sustentável no Ministério do Meio Ambiente, liderados por ela. Nós que já sonhamos tanto por uma sociedade de harmonias, livre das opressões, precisamos também saber compor com as harmonias da Terra.
Para lê-lo na íntegra, altamente recomendável, clique aqui.

21.6.09

O Irã é um grande mistério para nós ocidentais

Sendo uma República Fundamentalista Islâmica o assombro é sempre maior, principalmente por parte daqueles que acham que tudo que não segue o padrão europeu não é civilizado.
Sempre lemos sobre o islamismo, particularmente sobre o Irã, com os olhos enviesados do preconceito.
A declaração de Lula, pondo em dúvida a fraude nas últimas eleições daquele país, serviu de munição para nossa mídia preconceituosa, sempre pronta a desqualificar o ex-torneiro mecânico, não por seus erros, mas sim por puro preconceito de classe.
No site Vi o Mundo encontrei um texto que merece ser lido com atenção. Abaixo segue um trecho dele:


Moussavi & Rafsanjani deram com os burros n'água

por M.K. Bhadrakumar*, no Asia Times Online

Tradução: Caia Fittipaldi

A política iraniana nunca é fácil de decifrar. A agitação criada em torno do resultado das eleições presidenciais da 6ª-feira passada intrigou muitos dos sempre presentes jornalistas e analistas autoproclamados decifradores bem informados dos códigos políticos iranianos. Tanto se escreveu sobre tantas pistas falsas que, hoje, já ninguém parece saber quem é quem na disputa política no Irã, e o que mais interessa a cada um.
O grande vitorioso foi o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei; esse, sim, alcançou vitória retumbante. A 'eminência parda' da política iraniana, Akbar Hashemi Rafsanjani, é o perdedor, obrigado agora a lidar com os efeitos de uma acachapante derrota.
Resta saber se, afinal, estará caindo a cortina, depois de encerrado o último ato da tumultuada carreira do "Tubarão" –, apelido que 'colou' em Rafsanjani, desde o tempo em que nadava no poço sem fundo de intrigas que é o Parlamento (Majlis) iraniano. Naquele poço, Rafasanjani acostumou-se a nadar sem qualquer restrição, como predador político e como deputado porta-voz da Revolução Iraniana, desde os primeiros dias.

Para concluir a leitura clique aqui, vale a pena.

26.2.09

Para entender o jogo da Folha de S.Paulo

Para entender melhor o jogo da Folha de S.Paulo, recomendo as seguintes leituras (é só clicar nos títulos):


Por que a Folha não publica as cartas de Ivan Seixas? - por Rodrigo Vianna
O golpe de 64, por Otávio Frias Filho - no site Vi o Mundo
De rabo preso com quem? Artigo de Alípio Freire para o jornal Brasil de Fato
A Folha saúda a ditadura - Celso Marcondes para CartaCapital
Protesto contra a "ditabranda" - do Eduardo Guimarães no Cidadania.com, convocando ato público em frente à sede da Folha de S.Paulo
"Ditabranda na Folha" - Direita volver! - por Luiz Antônio Magalhães no Observatório da Imprensa

27.8.08

Obama visto do Quênia

A excelência de CartaCapital ganhou cores mais fortes, agora conta com a colaboração de Luiz Carlos Azenha, também editor do site Vi o Mundo. Com ótimos textos ele vem abrilhantando as edições desta que considero a melhor semanal publicada no Brasil.
Sua última contribuição trata da família queniana de Barack Obama, o candidato dos Democratas para ocupar a cadeira de presidente dos EUA, ou, como diz um blog listado aí do lado, candidato ao cargo de “próximo porteiro” deste império moderno.
Como é bom ler jornalista que ainda honram a profissão.
Abaixo pequena amostra do texto:

Obama visto do Quênia

Luiz Carlos Azenha, de Kogelo

Diante de uma barraquinha de refrigerantes, numa rodovia do interior do Quênia, a imagem de Osama Bin Laden desperta a atenção. O chefe da Al-Qaeda é definido na mídia ocidental como o inimigo público número 1. É curioso que um pintor de placas queniano use a imagem do mentor de ataques terroristas para fazer propaganda de seu trabalho.
A imagem é surpreendente, especialmente em um país onde um atentado atribuído a Al-Qaeda matou mais de 200 em 1998, quando carros-bomba explodiram simultaneamente nas embaixadas dos Estados Unidos na capital, Nairóbi, e na vizinha Tanzânia. O mundo então mal tinha ouvido falar de Bin Laden.
Resolvo perguntar ao motorista:
– Steve, quem é mais popular aqui, Bush ou Bin Laden?
– Bin Laden.
A resposta reflete a relação de amor e ódio dos habitantes com o Ocidente. Nos maneirismos, no sotaque e nos rituais, o Parlamento do Quênia parece cópia da Casa dos Lordes, um exemplo concreto da influência que o Reino Unido ainda exerce sobre a ex-colônia.


Clique aqui para ler toda a matéria.

24.7.08

Leituras sobre o grande irmão do Norte

Para quem deseja acompanhar as eleições presidenciais dos EUA como se lá estivesse, aconselho a leitura do blog “A escolha do próximo porteiro”, do Roy, o primeiro linkado aí ao lado.
O Luiz Carlos Azenha também apresenta matérias especiais sobre o tema no seu site “Vi o Mundo”, o último link dos favoritos.
Na Agência Carta Maior publicou matéria O declínio do sonho americano (é só clicar no título para acessar o texto), excelente para a compreensão das “benesses” do capitalismo estadunidense.

13.7.08

A mídia e Daniel Dantas

De repente todos os órgãos da chamada grande imprensa descobriram que Daniel Dantas não é flor que se cheire. Será?
As revistas Veja e Istoé Dinheiro esmeravam-se, não faz muito tempo, em dar páginas e capas, inclusive a primeira foi porta-voz de um dos seus dossiês, aquele no qual denunciava que figuras de proa do governo atual, incluído o próprio presidente Lula, detinham contas “secretas” no exterior.
A grande exceção nessa trama sempre foi a revista CartaCapital. A revista comandada por Mino Carta não economizou tinta para denunciar e mostrar as falcatruas que o banqueiro de ACM aparecia. De 1998 para cá conta-se, pelo menos, 20 notícias de capa sobre as artimanhas de Daniel Dantas e seus bons companheiros.
A revista eletrônica Teletime também. Assim como alguns jornalistas como Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Bob Fernandes.
Destaca-se na semana a cobertura da revista eletrônica Terra Magazine para as peripécias do Daniel Dantas. Prende-solta-prende-solta. Vejam alguns textos que merecem ser lidos:
Exclusivo: PF prende Dantas e organização criminosa
Inferno de Dantas - Um Raio X do Opportunity Fund
Dantas-Nahas: Para entender a organização
PF viveu guerra e espionagem para prender Dantas
Com prisão preventiva, um xeque-mate em Dantas
Dantas: "Vou contar tudo! Detonar!"
Maierovitch: Gilmar Mendes está "extrapolando"
Para quem desejar compreender esse episódio em profundidade, recomendo algumas leituras do blog Luiz NassifOnline, especialmente as listadas a seguir:
O caso Veja (série de matérias denunciando o péssimo jornalismo de Veja, suas maquinações e estripulias, dentre elas as ligações de alguns jornalistas com Daniel Dantas)
Fogo de encontro
A luta contra os paraísos fiscais
O xadrez de Dantas
Considero estas leituras, bem como o acompanhamento do Conversa Afiada, do Paulo Henrique Amorim e do Vi o Mundo do Luiz Carlos Azenha, indispensáveis àqueles que querem compreender o imbróglio Daniel Dantas.

1.7.08

Novidades mirabolantes do mundo árabe

Nos últimos meses tenho recebido e-mails com imagens espetaculares dos Emirados Árabes.
São fotos maravilhosas, parecendo coisa de ficção científica ou filme do Spielberg!
Fico sempre ressabiado, hábito dos tempos de Minas Gerais.
Desta feita me deparei com uma matéria de um jornalista excelente, que “in locum” verificou tais avanços tecnológicos e nos manda um bom texto, recheado com algumas imagens significativas.
Clique aqui para ler “No século 21, tecnologia se descola da fé”, de Luiz Carlos Azenha.

6.6.08

Carta aberta ao Presidente do Brasil

Quarta-feira, 04 de Junho de 2008 11h16min
Porto-Principe, HAITI Quarta-feira 28 de maio de 2008.

Senhor Presidente,

O senhor deve ter se dado conta que sua visita de hoje, 28 de maio do 2008, não recebeu as boas-vindas como aquela de 2006 quando, acompanhado da "seleção", enlouquecia meio-mundo, tratando de nos fazer pensar que a lua é um queijo. Na realidade, caíram as mascaras. Primeiro pelo rotundo fracasso da Minustah no que toca aos objetivos de maio de 2004, do mesmo Conselho de Segurança da ONU. Depois, porque ninguém mais acredita na "desinteressada ajuda" dessa missão. Nós, de imediato entendemos o que faz parte desta "benevolência”. A vinda do filho do vice-presidente José Alencar, proprietário da mais importante indústria têxtil do Brasil, para localizar as zonas francas e verificar com seus próprios olhos nossa famosa "mão de obra barata", acabou por abrir-nos os olhos. Hoje, quando novamente capitalistas nos visitam, seguramente ávidos em apostar neste "ouro vivo", os objetivos vão ficando mais precisos.

Mas há mais. O povo inteiro viu o comportamento tanto dos altos responsáveis pela missão, cobrando um dinheirão - neste país tão desprovido de tudo -, como dos militares: a repressão nos bairros populares demonstra, tal qual a arrogância dos chefes no comando ou a atitude dos soldados nos tanques, com a metralhadora sempre apontada para nós, que, se aproveitando da situação de dominação instalada, acometem violações e outras ações que não tem nome. Ou o terror semeado durante os últimos acontecimentos. O fundo e a forma já não deixam mais nenhuma dúvida: trata-se obviamente de uma tutela armada, de uma ocupação, que a suposta "ajuda sul-sul" (que não é mais que uma solidariedade entre classes dominantes de país a país sob a direção das multinacionais de rapina) já não consegue mais enganar. Como tudo isto chegou tão longe? Como a mais extraordinária revolução do continente pôde dar à luz a tão profunda humilhação? Como governos resultantes das lutas dos trabalhadores e das mobilizações populares puderam chegar a jogar conscientemente o papel tão degradante de executor dos planos imperialistas?
Tratamos de explicar no texto "Toda a roupagem da mentira", que expõe a lógica de tal sentença, e os reais objetivos do projeto imperialista-burguês de exploração ilimitada e o papel que toca a você, recusa a sua "ajuda" tal como a concebe, repudia totalmente a presença das suas tropas armadas e termina preconizando que outra cooperação é possível". Uma cooperação que unificaria todos os operários, todos os trabalhadores e todos os povos, naturalmente, fundamentalmente irmãos; na agricultura, na medicina, na construção das suas cidades, no riso franco, nas danças e cantos libertários, na produção e no intercâmbio coletivo.”.

Assim, senhor presidente, considerando que a presença das forças de ocupação da ONU no Haiti constitui uma gigantesca bofetada no povo haitiano e em nossos ancestrais que lutaram para nos deixar um território livre de toda dominação estrangeira: em nome desta luta contra a dominação, em nome do direito a autodeterminação o do povo haitiano, em nome do direito a vida de toda a gente morta nos bairros populares pelas balas criminosas dos seus soldados, mas também com o mesmo sentimento que o ajudou a declarar como não grata a quarta frota norte-americana nos portos do seu país; e, considerando a necessidade de estabelecer uma cooperação horizontal entre os povos do sul onde não existiria exploração, requeremos, Senhor Presidente, que proceda a imediata retirada de suas tropas armadas do nosso país.

Yannick ETIENNE - Batay Ouvriye
Camille CHALMERS - Plateforme Haitienne pour um Droit Alternatif
Marc-Arthur FILS-AIME - Institut Culturel Karl Leveque
Guy NUMA - Mouvman Demokratik Popile


PS. Queríamos entregar esta carta em suas próprias mãos, mas a Polícia Nacional, que está sob o comando dos seus militares, nos proibiu categoricamente toda e qualquer aproximação bem como qualquer livre manifestação de opinião.

Fonte: Palavra Latina (mas fiquei sabendo dela no Vi o Mundo)

24.5.08

As terras indígenas e a soberania territorial

A disputa na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, envolvendo arrozeiros e nativos tem trazido a tona muitas discussões sobre as terras indígenas no Brasil.
Para minha surpresa até mesmo alguns órgãos da mídia conservadora, como é caso da Folha de S.Paulo, têm defendido os interesses indígenas que, neste caso, significa defender a lei e a Constituição.
Por outro lado, grupos apoiados por bobagens e grosserias, como aquelas ditas por um general recentemente, mostram-se preocupados com a soberania sobre o território brasileiro, dentre outras asneiras.
Tal manifestação só pode ter origem na má fé ou na ignorância, pois é garantido ao Estado brasileiro fazer-se presente nesta reserva, como em quaisquer outras, de acordo com o prescrito na própria constituição brasileira: ameaça às fronteiras, garantia da soberania sobre recursos minerais e outros estratégicos.
No excelente site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, encontrei a entrevista com o antropólogo Fernando Vianna, que reproduzo a seguir:


"ESSA É UMA IDÉIA QUE OSCILA ENTRE A TOLICE E A PARANÓIA"

Uma entrevista com o antropólogo Fernando Vianna sobre a polêmica em torno da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima:
Como você vê a disputa judicial?
Olha, procurando ter a real medida do que significa essa disputa. Por um lado, ela está longe de ser apenas judicial; por outro, naquilo que tem de judicial, está por demais desgastada. O processo de demarcação da Raposa/Serra do Sol foi demoradíssimo e conturbadíssimo, mas está concluído. Sua conclusão, conforme o procedimento pertinente, foi um decreto de confirmação oficial, a chamada homologação, de abril de 2005.
Com a homologação, também conforme manda o figurino, veio a ordem de retirada dos ocupantes não-índios. O que há agora é uma reabertura de discussão no STF, motivada por ação que quer evitar essa retirada dos não-índios – retirada, sobretudo, entenda-se, de um grupo de seis ou sete produtores de arroz que se recusam de todo modo a sair dali.
Tem gente que olha para isso, não conhece a história que há por trás, e diz: “está certo; é um estado da federação defendendo o seu setor produtivo”. Têm outros que olham, também ignoram a história regional, e pensam: “é legítimo; a Justiça está aí para acolher as posições em litígio e decidir o que for melhor para a sociedade; não apenas os índios têm direitos, mas os produtores também”. É legítimo que os arrozeiros e o governo que os apóia briguem na Justiça? Sem dúvida. Ocorre que, há vários anos, eles não têm feito senão brigar, de maneira às vezes demasiado literal, e não parecem ser o tipo de pessoa que se conforma em perder...
Por que você diz isso?
Porque considero um duplo pano-de-fundo. Primeiro, o fundo histórico, jurídico, moral e ético do que é demarcar terras indígenas em nosso país, e o tanto de disputa que já está aí implícito. Demarcar não é algo que se faça assim de qualquer jeito, para “dar terra para os índios”. É um longo e detalhado processo definido por lei. Nas esferas judiciais e políticas apropriadas, ao longo pelo menos das duas últimas décadas, os setores contrários à demarcação da Raposa já promoveram a disputa que se admite num Estado de Direito, e, apesar da enorme pressão de que são capazes, perderam.
Perderam porque a área é incontestavelmente indígena, e o ordenamento jurídico brasileiro ampara os direitos territoriais indígenas. A esta altura, então, a retirada dos ocupantes não-índios era para ser um procedimento pacífico: um mero cumprimento do que está previsto no Decreto de Homologação. Mas o fato é que, antes e depois da homologação, o poder local de Roraima – esse estado criado em 1988 e que até hoje vive de absorver verbas federais e de oferecer incentivos fiscais – partiu para uma briga muito mais literal do que a judicial e política.
Estou falando – e este é o segundo pano-de-fundo da questão – de bloqueio de estradas, de queima de construções, de invasões de entidades, de atentados, seqüestros, tiroteios e assassinatos contra os defensores da demarcação da Raposa, algo que se verifica, em reiteradas ondas de violência, desde o início dessa história. Eu diria, enfim, que isso que hoje pode parecer uma singela “disputa judicial” no Supremo entre partes em litígio é a repetição de um esperneio de quem não admite perder e, quando perde, recorre à violência – como já recorreu tantas vezes.
Como foi o processo de demarcação da Raposa/Serra do Sol?
Difícil, como eu já disse. O reconhecimento de que a Raposa/Serra do Sol é área indígena começou em 1917, com um ato legislativo do governo do estado do Amazonas. A luta indígena pela efetiva demarcação remonta à década de 1970. Já o processo de demarcação nos moldes atuais, pós-Constituição de 1988, arrastou-se de 1992 a 2005. Como todos os processos de demarcação de terra indígena no Brasil, ele encontra seu lastro na Constituição Federal, e obedece a um complexo procedimento administrativo, bastante detalhado e minuciosamente regulamentado pelo Decreto 1775 e pela Portaria 14 do Ministério da Justiça, ambos de 1996.
Tal procedimento, importa destacar, prevê que todos os que se sintam prejudicados (particulares, estados, municípios) apresentem oficialmente seus argumentos, para que o Ministro da Justiça decida se fazem jus a indenizações, se a demarcação deve ser revista nessa ou naquela área ou mesmo se merece ser anulada. É o chamado direito ao contraditório.
Esse direito já foi exercido à exaustão no caso da Raposa/Serra do Sol, conforme os ritos estipulados no decreto 1.775 e conforme, também, os caminhos judiciais disponíveis. Falar do processo de demarcação da Raposa é tratar de uma história cujo tramo final começa em 1996, quando o então ministro da Justiça Nelson Jobim emite um Despacho em que, levando em conta o direito ao contraditório, encaminha a demarcação da Raposa de uma forma que acabará não saindo do papel. Dois anos depois, o ministro da Justiça da vez, Renan Calheiros, refaz o procedimento de seu antecessor e ordena a demarcação física segundo os estudos que haviam sido, de fato, concluídos em 1993.
De lá para cá, se a gente fosse recapitular as idas e vindas desse caso nos três poderes da República – no Executivo, entre Ministério da Justiça, Casa Civil e outros órgãos; no Judiciário, entre TRF da 1ª Região, STJ e o próprio STF; e até no Legislativo Federal, que, embora não tivesse porque analisar o assunto, acabou entrando no jogo – rechearíamos uns tantos parágrafos.
Foram anos de imbróglio administrativo, político e judicial, que atravessaram mandatos presidenciais, gestões de ministros da Justiça, e terminaram com a já tardia homologação de abril de 2005. Quer dizer: depois de várias iniciativas da Funai no sentido de estudar detalhadamente a área (entre 1977 e 1993), depois de mais de 40 contestações à demarcação terem sido formalmente produzidas e encaminhadas ao Ministério da Justiça em 1996, depois de vários titulares da pasta terem avaliado o caso (entre 1993 e 2005), depois de deputados e senadores terem discutido a matéria (sobretudo entre 2003 e 2004), depois de uma sucessão de ações e decisões judiciais que culminaram com o STF “limpando a área” das querelas judiciais em abril de 2005, depois de tudo isso, foi que veio o decreto presidencial de homologação, de 15 de abril de 2005. Não custa lembrar que esse decreto excluiu da terra indígena algumas áreas que nela estavam presentes, conforme o desenho demarcatório definido em 1993 e aprovado em 1998.
O que diz exatamente a Constituição sobre as terras dos índios?
A Constituição de 1988 reflete o reconhecimento, por parte do Estado brasileiro, de que os índios sofreram um significativo esbulho territorial ao longo do processo de colonização. Seu artigo 231 afirma que os índios são detentores de direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. A noção de “direitos originários” implica a assunção por parte do Estado de que os índios, por serem quem são – habitantes destas plagas desde antes da formação do Brasil –, têm direitos territoriais que antecedem a própria constituição do Estado.
E um corolário disso é que as terras indígenas existem independentemente de o Estado reconhecê-las, sendo obrigação dele, entretanto, reconhecê-las, demarcá-las, protegê-las. O texto constitucional também deixa claro que essas terras que os índios “tradicionalmente ocupam” devem ser entendidas em termos daquilo que é necessário para sua reprodução física e cultural.
Daí que sejam descabidos raciocínios ancorados na mera relação entre extensão territorial e densidade populacional indígena, para pretender estipular a quantidade de terra que deve ser reconhecida como indígena. Aos índios se reconhece a extensão territorial que, com base em processos sociais específicos, lhes é imprescindível para sua reprodução. Fatores econômicos e/ou ecológicos - como a prática da agricultura de coivara, rotativa –, e também sócio-políticos – como freqüentes fissões e a conseqüente multiplicação de grupos locais fundados no parentesco – fazem com que tal território seja mais amplo do que se pode supor numa primeira abordagem da questão. Importante frisar que as terras indígenas são propriedades da União; o que se reconhece aos índios é a posse e o usufruto exclusivo sobre elas.
É possível obter uma solução que atenda aos rizicultores?
Aqui, a primeira coisa a ter em mente é que os títulos de que dispõem esses rizicultores são precários, como já afirmou publicamente o ministro Tarso Genro. Eles adquiriram as terras que ora ocupam no início dos anos 1990, num momento em que o processo de demarcação já estava em curso. Tratou-se, deliberadamente, de uma estratégia de enfrentamento ao governo federal e aos trabalhos demarcatórios.
A produção de arroz na área cresceu, ao longo dos anos 1990 e dos primeiros anos do século XXI, beneficiada por isenção fiscal concedida pelo governo roraimense. Ou seja: estamos falando de um claro e articulado processo de criação de um fato consumado, que depois pudesse ser usado – como está sendo – contra a demarcação.
A idéia que o poder local roraimense quer apresentar à opinião pública nacional é a de que a demarcação seria uma grande injustiça com quem esteve tantos anos dedicando-se a trabalhar a terra, mas o fato é que esse trabalho iniciou-se exatamente para obstaculizar o processo de demarcação. Isso para não falar no modo como tais rizicultores, em geral, desrespeitaram a legislação ambiental, ao desviar e poluir cursos d’água, e destruir a vegetação que os ladeia.
Então, estamos diante de uma situação que é desequilibrada por definição: de um lado, sociedades instaladas na região desde que começa a haver documentação histórica, sociedades que dependem da totalidade dessas terras (e de sua integridade ambiental) para continuar-se reproduzindo física e culturalmente; de outro, meia dúzia de caras que, modernamente, resolveram montar seu negócio justamente ali, o que afeta a reprodução física e cultural daquelas sociedades.
Pensar em atender aos rizicultores é pensar em formas de transformar porções de um território indígena – que, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, são de propriedade da União e de posse coletiva dos índios – em propriedade privada. Não me parece que tal transformação seja o melhor caminho para melhorar a vida da população rural de Roraima, 52% da qual é indígena. Eu diria que, antes de se pensar em formas de atender aos arrozeiros, mais vale voltar os olhos para o progresso da reforma agrária – e, enquanto houver um único latifúndio no país, não serão as terras indígenas que impedirão o acesso de não-índios à terra, sobretudo num estado relativamente pouco povoado como Roraima.
A integridade territorial do Brasil corre risco?
Por conta da demarcação da Raposa ou de qualquer outra terra indígena? De jeito nenhum. Essa é uma idéia que oscila entre a tolice e a paranóia, mas que atende ao propósito de desviar o foco das questões realmente pertinentes ao debate. Ela entra de contrabando nessa discussão toda. Não sei bem que papel desempenham nesse jogo os militares que a andaram trazendo de novo à tona bem agora.
O que sei é que o chefe deles, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, quando ministro da Justiça, declarou de posse dos índios e determinou a Funai a demarcação de cinco terras indígenas contíguas na chamada Cabeça do Cachorro, na fronteira do Brasil com Colômbia e Venezuela.
Parece-me que o ministro Jobim não tem nenhuma dúvida de que terras indígenas na fronteira não implicam, de forma alguma, fragilização do Estado Nacional, perspectiva de fracionamento territorial do Brasil. Por que implicariam, por sinal? Que raciocínio mirabolante sustenta essa idéia?
Primeiro, lembremos que não há absolutamente nenhuma restrição a que os militares tenham acesso ao interior das terras indígenas – presença que, por outro lado, já não é tão simples quando se trata de propriedades particulares, diga-se de passagem. Segundo, é uma grande hipocrisia usar essa suposta fragilização como argumento no caso específico da Raposa, quando, como acabamos de ver, há outras terras indígenas homologadas e regularizadas em faixa de fronteira (são dezenas: além das que estão na Cabeça do Cachorrro, mencione-se Yanomami, Vale do Javari, Oiapoque, Tumucumaque, Tikuna, Ashaninka etc.).
Terceiro, fica parecendo que as terras indígenas seriam, no fundo, terra de ninguém, quando não é absolutamente verdade. A sacanagem com os índios, nesse particular, é dupla.
Sacanagem histórica, que não leva em conta o fato de que, há cerca de um século, quando os diplomatas brasileiros tiveram de negociar a definição do trecho da fronteira onde hoje está a Raposa, a presença por lá dos Ingarikó, dos Macuxi, dos Wapixana, e as manifestações de lealdade dos seus chefes ao estado brasileiro, foram fundamentais para que a área, então chamada de “área do contestado”, pretendida pela Inglaterra, viesse finalmente a integrar o território nacional.
Joaquim Nabuco atuou e registrou essa negociação. Então: para ajudar a definir os limites do Brasil os índios servem, mas para continuar vivendo ali não??!!
O outro lado da sacanagem é prático, porque, muitas vezes, são os índios que atuam como fiscalizadores da fronteira, e comunicam fatos preocupantes às autoridades brasileiras. Isso é corriqueiro. Nos últimos tempos, deram-se a conhecer, sobretudo, denúncias indígenas sobre incursões das FARCs na Cabeça do Cachorro, e também sobre a entrada de madeireiros peruanos para cortar árvores em território brasileiro, na terra dos Ashaninka, no Acre.
Na realidade, o risco que a integridade territorial do Brasil corre, a perspectiva da tal da “internacionalização da Amazônia”, vem de outra frente, muitíssimo menos alardeada nos meios de comunicação: a enorme quantidade de terras que vêm sendo adquiridas por estrangeiros na região norte do país. O nacionalismo inteligente deveria estar com os olhos postos nesse tipo de processo, e não apontar suas armas, mais uma vez, contra os índios. Esquece-se que, para internacionalizar a Amazônia, demarcar porções dela como terra indígena pode ser muito mais complicado do que comprá-la, simplesmente.

Fonte: Vi o Mundo – Atualizado em 22 de maio de 2008 às 22H01 Publicado em 22 de maio de 2008 às 21H57.

20.5.08

Eleições nos EUA

Para acompanhar as eleições na matriz, sugiro dois endereços (clique nos títulos para acessá-los):

Os intensos
Vi o mundo

O primeiro é escrito pelo Roy, que faz tempo está radicado nos estaites, portanto habilitado a tentar desvendar o pensamento daquele povo estranho do norte.
O segundo é de autoria do Luiz Carlos Azenha, brilhante jornalista que atuou na Vênus Platinada durante bom tempo e agora se dedica a infovia. Além disse tem publicado artigos, ótimos como o desta semana, na CartaCapital.

22.4.08

Vitória de Fernando Lugo

A vitória do ex-bispo católico Fernando Lugo nas eleições presidenciais do Paraguai, sopra novos ventos neste pequeno país pobre.
Com um discurso nacionalista e um agrupamento político de centro-esquerda põe fim ao domínio dos conservadores do Partido Colorado, domínio este de mais de meio século.
Possivelmente represente um distanciamento dos EUA e a busca do fortalecimento do Mercosul.
A mídia brasileira não deu muita importância a eleição paraguaia, mas com certeza tentará crucifica-lo ao lado de Evo Morales, Rafael Correa e o anticristo de plantão, Hugo Chávez.
Alguns sites e blogs deram excelente cobertura, vejam (é só clicar nos nomes):
Agência Carta Maior
Vi o Mundo
História em Projetos

26.3.08

Ex-agente da CIA conta as armações dos EUA

No site www.viomundo.com.br o Luiz Carlos Azenha reproduz excelente entrevista:
EX-AGENTE DA CIA: COMO OS ESTADOS UNIDOS FINANCIAM A DERRUBADA DE GOVERNOS QUE ATRAPALHAM
É só clicar aqui!

5.3.08

Arthur Virgílio: senador dos contos do vigário

O senador Arthur Virgílio é um arremedo de incendiário. Sonha em ser Carlos Lacerda um dia (clique aqui se você não sabe de quem estou falando), mas falta-lhe carismo e, acima de qualquer coisa, inteligência.
No papel de reprodutor das notícias encomendadas na grande mídia parece um ator canastrão, daqueles em fim de carreira.
A bola da vez é o ataque gratuito à Venezuela, Hugo Chávez por tabela, mas tentanto alvejar Lula, mesmo que para isso tenha que arrastar empresas do porte da TAM.
Parece aqueles personagens de antigamente que viviam de conto do vigário.
Bem fez a população do seu Estado que lhe negou o voto nas últimas eleições!
Sobre o seu mais recente destempero Luiz Carlos Azenha publicou no blog Vi o Mundo:
A NOTA DA TAM E UM IRRESPONSÁVEL CHAMADO ARTHUR VIRGÍLIO
Atualizado em 05 de março de 2008 às 12:10 Publicado em 05 de março de 2008 às 12:04
Um senador da República irresponsável. É Arthur Virgílio. Diz qualquer coisa para atingir seus objetivos políticos, ainda que no processo prejudique o Brasil em escala internacional. Não faz mal. Desde que ele consiga faturar um pontinho. Mais uma para desmoralizar completamente o pilar da oposição brasileira:
São Paulo, 04 de março de 2008 – Sobre declaração feita hoje no Senado sobre suposto transporte secreto de armamento para a Venezuela, a TAM esclarece:
1. A companhia não realiza “vôos secretos” à Venezuela ou a qualquer outro destino. A TAM mantém vôo regular diário para Caracas, de passageiros e cargas, desde setembro de 2007;
2. A pedido do Ministério da Defesa, a companhia realizou, em caráter de urgência, uma pesquisa em seus registros dos últimos 15 dias, sem encontrar nenhuma exportação de armas, e repassou essa informação às autoridades. Em seguida, iniciou buscas nos dias anteriores, localizando uma exportação de uma carga de revólveres Taurus para um importador venezuelano, totalizando 1.329,4 kg.
3. A exportação, que seguiu todos os trâmites legais, contou com as autorizações oficiais devidas, e o transporte desse tipo de carga pela TAM é autorizado pelo Exército (Certificado de Registro nº 34704, de 11.10.2006, válido até 30.09.2008), que também emitiu a permissão ao exportador (Guia de Tráfego nº 000319/2008, de 15.01.2008).
4. O transporte regular de exportações da Taurus também é feito para países como os EUA e Argentina, sempre cumprindo todos os requisitos previstos em lei.

A Taurus foi uma das grandes financiadoras da campanha contra o desarmamento no Brasil. Espero que Arthur Virgílio, com apoio da Veja, inicie uma campanha para banir a fabricação de armas no país.

Acesse aqui a publicação original.

16.1.08

Um médico escreve sobre a febre amarela

O novo site do Azenha está “matando a pau!”, como a gente dizia lá no interior. Clique aqui para fazer uma visita.
Vejam a matéria veiculada ontem, tratando da febre amarela e respondendo, em parte, dúvida que expressei aqui por estes dias:

IMUNIZAÇÃO DE 60 MILHÕES MATOU QUATRO; MÉDICO COMENTA TEXTO ALARMISTA: "DEUS ME LIVRE"

Acabo de entrevistar o Dr. Celso Francisco Granato, da UNIFESP de São Paulo. Ele contou que, na vacinação do ano passado, de 60 milhões de pessoas, resultaram 4 mortes. Ou seja, o risco da vacina causar a doença é de 1 em 15 milhões. Porém, ele lembrou que esse risco É MAIOR do que o enfrentado por pessoas que vivem em cidades ou regiões em que o risco de pegar febre amarela é ZERO. Li, como se fosse meu, texto publicado por colunista da Folha, para que o médico decidisse se eu deveria publicá-lo ou não. Reação do Dr. Granato: "De jeito nenhum, Deus me livre". Sobre a mídia: "É preciso ter uma responsabilidade muito grande nessa hora." A entrevista está na Rádio Viomundo. Fiquem com o texto de outra pessoa que é do ramo:

POR PEDRO SARAIVA

Caro Azenha, sou médico clínico geral e nefrologista formado pela UFRJ. Sou seu leitor assíduo, e resolvi escrever-lhe para ver se pelo menos aqui, no seu blog, um médico consegue espaço para falar sobre essa histeria que envolve a febre amarela.
A cobertura da grande imprensa parece que não consegue chegar ao fundo do poço. Depois de inúmeros factóides e de acusar o presidente até de derrubar aviões comerciais, eles agora aparecem com essa irresponsabilidade de criar pânico na população através de um problema de saúde pública. Tive acesso a um texto da jornalista da Folha, Eliane Cantanhêde (que, aliás, parece ser casada com um dos donos de uma produtora ligada as campanhas eleitorais do PSDB), que dizia o seguinte logo no primeiro parágrafo:
"Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem... Vacine-se logo!”
E depois de alguns parágrafos em que não esclarece nada, termina assim:
"O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial, para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais. Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano --e nos seguintes.”
ABSURDO! ESTÃO USANDO A SAÚDE PÚBLICA PARA POLITICAGEM BARATA!

Alguns esclarecimentos:
Colunistas falam de epidemia com uma facilidade incrível para quem não entende o que quer dizer o termo. Epidemia não é o aparecimento de casos de uma doença no jornal. Uma epidemia só se caracteriza quando ocorre um aumento maior que 2x o desvio padrão sobre a incidência média de uma doença nos últimos anos.
Ou seja: Incidência média + 2x desvio padrão.
Não vi até agora nenhum jornal mostrar a incidência da febre amarela nos últimos 10 anos para uma comparação. Repare na média de casos do período FHC e Lula, será por isso que ninguém mostra os números?
1996 - 15 casos
1997 - 3 casos
1998- 34 casos
1999 - 76 casos
2000- 85 casos e 42 mortes
2001 - 41 casos e 22 mortes
2002 - 15 casos e 6 mortes
2003 - 64 casos e 22 mortes - obs.: 58 dos casos diagnosticados na região sudeste, principalmente MG
2004 - 5 casos e 3 mortes
2005 - 3 casos e 3 mortes
2006 - 2 casos e 2 mortes
2007 - 6 casos e 5 mortes
(fonte: Min. Saúde)

Todos esses casos são da forma de transmissão em área silvestre da febre amarela. Desde a década de 1940 que não há relatos da transmissão urbana da febre amarela. Veja bem, transmissão em zona urbana é diferente de diagnóstico em zona urbana. A forma silvestre é endêmica principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste e se comporta de forma cíclica, com surtos a cada 5-7 anos
A transmissão em área silvestre é feita pelo mosquito do gênero Haemagogus, e se dá através, principalmente, de macacos infectados para humanos não imunizados por vacina. A forma urbana é transmitida do homem para homem através do Aedes aegypti, o mesmo da dengue. O risco de retorno da forma urbana não é novo, e existe desde a década de 80 quando houve a reintrodução do Aedes aegypti no Brasil.
Até o momento (15/01/08), apesar de toda histeria, apenas 2 casos foram comprovadamente de febre amarela este ano. E todos contraídos em áreas silvestres. Ou seja, nada de anormal.
Feitos os esclarecimentos, vamos aos comentários sobre a cobertura da mídia.

1- Estão noticiando morte de macacos, supostamente com febre amarela, como se isso fosse um sinal de que a doença está fora de controle. O pior, vários dos macacos noticiados tiveram exame negativo para febre amarela. Ou seja, estão noticiando apenas morte de macacos.
2- Estão noticiando as mortes por febre amarela como um fato novo do governo Lula, como se ninguém morresse da doença nos anos anteriores. Estão confundindo a ausência de casos urbanos com ausência de casos em geral.
3- E o mais grave, estão criando pânico na população e levando a uma corrida desnecessária e prejudicial aos postos de vacinação. Os comentários dos leitores nas edições da internet do Globo, por exemplo, são assustadores. A mídia informa mal os leitores, e deixa que o boca-a-boca crie teorias da conspiração contra o governo.
A vacina da febre amarela não é vitamina C. Ela é feita com vírus vivo atenuado e por isso apresenta contra-indicações e efeitos colaterais. Quem não mora em área de risco ou não vai viajar para uma, não precisa e não deve receber a vacina. Além de tudo, ainda há o risco de falta da vacina para quem precisa.

Contra-indicações
Crianças com 4 meses ou menos de idade, devido ao risco de encefalite viral (contra-indicação absoluta).
Gestantes, em razão de um possível risco de infecção para o feto.
Pessoas com imunodeficiência resultante de doenças ou de terapêutica: infecção pelo HIV, neoplasias em geral (incluindo leucemias e linfomas), Aids, uso de medicações ou tratamento imunossupressores (corticóides, metotrexate, quimioterapia, radioterapia), disfunção do timo (retirada cirúrgica ou doenças como miastenia gravis, síndrome de DiGeorge ou timoma).
Pessoas que tenham alergia a ovos, uma vez que a vacina é preparada em ovos embrionados.
Pessoas com alergia a eritromicina, um antibiótico que faz parte da composição da vacina.
Pessoas com alergia a gelatina, que faz parte da composição da vacina.
Pessoas com antecedentes de reação alérgica a dose prévia da vacina antiamarílica.
Efeitos colaterais.
Reação alérgica grave (anafilática) ocorre em aproximadamente 1 em cada 131.000 doses aplicadas.
Reações no sistema nervoso central (encefalite) – cerca de 1 caso para cada 150.000 - 250.000 doses.
Comprometimento de múltiplos órgãos com o vírus da febre amarela vacinal - aproximadamente 1 caso para cada 200.000 - 300.000 doses. Acima de 60 anos a incidência desta complicação é maior (cerca de 1 caso para cada 40.000 - 50.000 doses). Mais da metade dos indivíduos com febre amarela vacinal evolui para o óbito.
Se na remota hipótese de alguém morrer por tomar desnecessariamente a vacina a Sra. Eliane Cantanhêde vai se responsabilizar? Ou vai culpar o governo de novo?
Em vez de focar nos inúmeros problemas reais do nosso sistema de saúde, a imprensa prefere criar factóides que em nada ajudam a população.

Clique aqui para conferir a matéria em sua publicação original.

22.11.07

Do blog Vi o Mundo

Já abusei do “control V” por hoje, portanto agora segue a recomendação de leitura de um dos melhores jornalistas da atualidade: Luiz Carlos Azenha do blog Vi o Mundo.
O cara é fera nas análises e como construiu um caminho que parece não necessitar de financiamentos do tipo “troca-se caráter por contracheque”. Tece artigos ótimos, aproveitando-se como poucos da Internet e dando voz ao contraditório, algo tão precioso ao bom jornalismo, mas abandonado pela mídia grande “picareta”.
Abaixo o início de um texto publicado hoje:

Pela lógica do Estadão, o governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Eduardo Azeredo, do PSDB, era subalterno de Walfrido dos Mares Guia, do PTB, vice-governador que era "um dos organizadores da campanha" de Azeredo, segundo a denúncia apresentada hoje ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da Justiça.

O artigo é imperdível, clique aqui para lê-lo na íntegra.