9.10.08

Petróleo no Brasil

Ótima matéria do Clarín, de Buenos Aires, sobre petróleo.
Mostram o desempenho do Brasil na prospecção, falam da distribuição da renda e, por fim, comparam a situação do país com a Argentina no tocante à questõa energética.

http://www.clarin.com/diario/2008/07/10/conexiones/home.html

8.10.08

Graças a Deus o Brasil não é São Paulo!

A "Onda” Kassab e a classe média paulistana.
Uma Nova Velha História.

"(...) O indivíduo completo é aquele que tem capacidade de entender o mundo, sua situação no mundo e que, se ainda não é cidadão, sabe o que poderiam ser os seus direitos.
É neste sentido que me pergunto se a classe média é formada de cidadãos. Eu digo que não. Em todo caso, no Brasil não o é, porque não é preocupada com direitos, mas com privilégios. O processo de desnaturação da democracia amplia a prerrogativa da classe média, ao preço de impedir a difusão de direitos fundamentais para a totalidade da população. E o fato da classe média gozar de privilégios, não de direitos, que impede aos outros brasileiros ter direitos. É por isso que no Brasil não há cidadãos. Há os que não querem ser cidadãos, que são as classes médias, e há os que não podem ser cidadãos, que são todos os demais, a começar pelos negros que não são cidadãos. Digo-o por ciência própria. (...) "
Milton Santos

De novo a cidade de São Paulo nos presenteia com sua tradição política conservadora.
No momento em que qualquer pessoa minimamente informada e bem intencionada comemora o 'funeral' nacional do PFL, agora disfarçado ou travestido de DEM (Democratas, belo nome pra justamente eles que foram a base de sustentação da Ditadura Fascista de 64) derrotado até na Bahia terra de seu ícone ACM – justamente em São Paulo a maior cidade do Hemisfério Sul vergonhosamente representa a grande esperança de sobrevivência do partido que é a cara do Coronelismo do Sertão, do atraso, dos Generais, da antiga UDN, etc.
Especialmente na cidade de São Paulo esse 'ideal' se é que podemos chamá-lo assim, importado de Portugal Medieval, aqui 'adaptado' pelos Bandeirantes (Bandoleiros e Assassinos fundadores da sociedade mais violenta do planeta) e "aperfeiçoado" pelos Barões do café – (Jecas Aristocráticos metidos a Europeus que enriqueceram esfolando escravos e imigrantes e condenando o país a um atraso secular)
Este mesmo 'ideal' ressurge e sobrevive sistematicamente na cidade de São Paulo, por vezes de forma inacreditável em jovens e em pobres – que se pensam classe média e reproduzem sem saber ou mesmo com convicção – argumentos reeditados de seus avós ou bisavós que outrora votaram em Carlos Lacerda, Jânio, Ademar de Barros e saíram às ruas com "Deus, a Família e etc.". Renasce novamente e de novo se afirma "orgulhosamente’: avesso à política. Mas são os mesmos de sempre que não perdem uma oportunidade de elegerem Maluf, Collor, Pitta e agora Kassab.
Esta História (ou farsa?) é monótona em sua estranha fixação de sempre andar para trás.
Como também é monótona a 'ladainha' de seus argumentos propagados por pólos de excelência: tipo Revista Veja, Caras, e por aí vai.
Argumentos que sempre objetivam uma única e sagrada garantia: que no final das contas nada mude nem um milímetro!
E talvez aí resida a alma desta herança maldita: o medo!
No fundo parece que esta 'tacanhice' crônica nasce mesmo do medo daquilo que não conhecemos ou por profunda ignorância não queremos conhecer. E se há uma coisa que praticamente nunca existiu no Brasil – o país onde a escravidão foi (ou é?) a instituição mais importante de toda a sua história – essa “coisa” assustadora se chama solidariedade. Daí esse modelo de “civilidade” anti-social onde nossa classe média é especialista e o maior objetivo de votar em Kassab assim como votou em Serra: manter a periferia como sempre esteve (EXCLUÍDA).
Num mundo que cada vez mais se torna analfabeto, o analfabetismo “espiritual” desta cidade chega a impressionar.
A história também mostra o que uma classe média tacanha é capaz.
É claro que exemplo maior é o Nazismo Alemão, onde uma classe média egoísta, ambiciosa, assustada, medrosa e ignorante foi a principal responsável pela ascensão de Hitler e seu "ideal" também conservador.
Nossa classe média, penso, é de fato muito parecida. Vemos o preconceito como seu traço principal. Mas, muito mais forte que isso é o seu desejo de receber ordens. (Atualmente Universidades, que já foram centros de excelência, recorrem a reuniões de pais e pedagogia infantil para educar jovens de classe média “geração Malhação ou pós Xuxa”) Este grupo parece desejar ardentemente ordens: seja de um deus, de um patrão, de um governo, ou especialmente daquele que ela mais respeita e teme: a mídia.
Como uma criança que não quer crescer, tudo que ela sonha é com um "pai” autoritário que lhe diga o que é certo e retire o insuportável peso de ter de assumir responsabilidades assim como fazem as marcas, as “tendências" da moda, as “grifes” que tanto são obedecidas.
Essa mesma classe média que cotidianamente nos brinda com exemplos de sua “civilidade” em reuniões de condomínio, clubes, escolas, universidades e no espaço público em geral, é a mesma que se exprime politicamente agora.
Adestrada em sua profunda despolitização pelos novos sábios do mundo corporativo com os maravilhosos 'ideais' arrivistas, egoístas e narcisistas, sacralizados pela sua nova religião individualista: a propaganda.
É ela que agora reafirma seu jeito de ser.
Como uma nova tecnologia de celular ou computador, ela agora "embarca" de cabeça na "onda" Kassab.
Assim como, por medo que alguma coisa mudasse, em segundos escolheu e entregou o país nas mãos do Collor em 89 e depois não assumiu sua irresponsabilidade e leviandade. Assim como não satisfeita com Maluf elegeu Pitta e nós todos pagamos esta conta. Assim como daqui alguns dias fará com seu celular. É esta mesmo que, outra vez rapidamente irá negar ter votado em Kassab, inflar o peito e repetir orgulhosa: "Eu odeio política!”
Hoje, nossa classe média, eternamente ávida por salvadores da pátria (um novo D Sebastião!) engole, assim como faz com seus fast-foods, sem mastigar o novo lançamento do mercado: Kassab!
É impressionante a forma semelhante com isso se dá.
Kassab em menos de um mês ultrapassou Maluf, Alckmin e Marta e desponta como favorito.
Não lembra o Collor? Que saiu do esgoto, como um rato, aparentemente sem apoio e de uma hora pra outra virou um fenômeno eleitoral especialmente em SP? Estranho né?
Não lembra o Pitta? Um candidato fabricado na Eucatex. Que era um ninguém e num instante virou também prefeito de São Paulo.
Coincidência?
Aliás, Pitta a quem Kassab serviu!
Seria engraçado se não fosse trágico.
Os argumentos parecem ser sempre os mesmos. Quer ver:
1º "Ele" é uma pessoa nova! Representa mudança!
(seu currículo já era!)
2º "Ele" não atacou ninguém!
(apesar de não ser a verdade, já está santificado)
3º “Ele” está fazendo coisas que outros não fizeram!
(Dá-lhe mentiras e marketing!)
Aliás, deve ser fácil ser marqueteiro em SP. É só reproduzir o mesmo discurso e pronto. Assim com nas novelas, no Faustão, na Malhação, no programa da Hebe, no cinema norte-americano que a classe média tanto gosta. Tudo sempre igual! Haja monotonia!
Ah, mas tem de disfarçar um pouco, como fez o PFL: mudar o nome, o número e a cor do partido e pronto Então, você, assim como prometem os maravilhosos e qualificados programas femininos da TV - se transformará em uma nova pessoa! Não é fantástico?
A psicanálise há muito conhece bem estes “mecanismos de defesa”, mas para que qualquer neurose seja superada é necessário que o paciente reconheça sua condição. Exatamente o mais difícil pra essa gente, pois exige aquilo que mais lhe falta: personalidade.
Ah, por falar em personalidade. Cadê os eleitores do PSDB? Hein?
O que aconteceu com o Alckmin? Até agora pouco ele não era o frisson de nossa classe média? O candidato mais maravilhoso. O anti-Lula! O próximo presidente?
Se com seus “aliados”, já na campanha eles fazem assim, imagine com a cidade.

Boa Sorte São Paulo!

Milton Fernandes
Professor de História

7.10.08

Mais inteligência na blogosfera

É com alegria e muito prazer que comunico a volta do Blog do Mino. Ele havia fechado o blog quando do episódio envolvendo o IG e o Paulo Henrique Amorim (clique aqui para ler sobre esse episódio).
Parece-me que o Luiz Carlos Azenha conseguiu trazê-lo de volta ao mundo virtual.
Clique aqui para acessar o Blog do Mino e adicione-o aos seus favoritos!

O resultado na cidade de São Paulo, por zonas eleitorais

Está no site do Estadão o desempenho dos candidatos à Prefeitura por Zona Eleitoral. Clique aqui para ver.
A vitória de Marta ocorreu nas regiões mais carentes da cidade: extremos da zona Oeste, Leste e Sul.
As regiões Central e Norte optaram por Kassab, sendo que em algumas zonas eleitorais, como na Bela Vista, Marta ocupa o 3º lugar, atrás de Alckmin.
Interessante observar zonas eleitorais nas quais o PT sempre obteve boas votações, como a do Rio Pequeno, por exemplo, na Zona Oeste. Nesta zona Soninha (PPS) tem 5,25% dos votos e Ivan Valente (PSOL) conseguiu 1,04%, considerando os eleitores destes candidatos como potenciais eleitores do PT, Marta teria votos suficientes para superar Kassab nesta área. Aliás, caso não houvesse tais defecções no PT, o partido somaria 37,65%.
Conheça o site de campanha da Marta, clicando aqui e o site do Kassab clicando aqui.

5.10.08

Eleições muncipais, ensaio para 2010?

Clique na capa do livro para obter mais informações sobre ele.


Embora eu não tenha nenhuma confiança nelas (clique aqui e veja a razão), graças ao desempenho das urnas eletrônicas já temos os resultados das eleições municipais na grande maioria das cidades brasileiras.
Num primeiro olhar o PT aparece bem na foto, com destaque nas grandes cidades e nas capitais, ganhando numas e indo para o segundo turno noutras.
Não sei se é rabugice de minha parte, mas parece que as eleições perderam a graça.
Cadê as bandeiras, camisetas, militantes – sem remuneração – e os grandes comícios?
Interessante que as autoridades conseguiram barrar a festa, o que tinha de mais bonito no processo, mas não estacaram a sangria do tal caixa 2, que se tornará caixa 1 de alguns após a posse. É só observar a grana torrada nas campanhas, pelo menos aqui em Sampa!
Nos três maiores colégios eleitorais do país, surpresas.
No Rio de Janeiro a disputa de Eduardo Paes (PMDS, mas até há pouco tempo figura de proa do PSDB) e Fernando Gabeira (o moço candidato da Rede Globo) trouxe alguma surpresa, pois se acreditava numa disputa entre Paes e Marcelo Crivela (PR).
Ponto para o governador Sérgio Cabral. Mais uma estaca no peito da esquerda carioca, com o frágil desempenho do PT, que, de certa forma, receberá a culpa pelo desempenho mediano de Jandira Feghali do PC do B.
Belo Horizonte também terá 2º turno. De um lado o Márcio Lacerda (PSB), apoiado por Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT), tido até alguns dias como imbatível no primeiro turno, e do outro lado Leonardo Quintão (PMDB), que contou com apoio do ministro das comunicações, Hélio Costa.
Já São Paulo Gilberto Kassab (DEM) largar na frente de Marta Suplicy (PT), rumo ao 2º turno.
Expressiva vitória de José Serra e da mídia conservadora e fim de feira para o
picolé de chuchu, Geraldo Alckmin. Como consolo ele conseguiu fazer de seu ex-secretário de educação, Gabriel Chalita, o vereador mais votado de São Paulo.
Embora com um bom tempo de campanha até o 2º turno, Marta começa em desvantagem, pois largou na frente, com uma vantagem considerável – de acordo com todas as pesquisas – e foi perdendo fôlego, enquanto seu adversário, Gilberto Kassab, político com a expressão de um “poste”, só cresceu durante a maior exposição do horário eleitoral.
E estas eleições com a sucessão de Lula em 2010? O tabuleiro está posto e os contendores começam a arrumar as peças.
Com a vitória de Kassab, Serra torna-se o grande nome do PSDB, mas resta saber se isso significará alguma coisa.
Aécio Neves (PSDB-MG) deverá procurar outro ninho, talvez o mesmo de Ciro Gomes (PSB-CE). Será?
Lula continuará apostando suas fichas em Dilma para sucedê-lo? Primeiro temos que esperar o resultado de Porto Alegre, terra da super-ministra do PAC.
E o DEM? Perdeu seu principal nome “jovem”, afinal o ACMinho foi abatido, contra todos os prognósticos, na disputa pela prefeitura de Salvador, lá deu João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT) praticamente empatados no primeiro turno.
O país ficará de olho no 2º turno em importantes capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, pois os resultados nelas indicarão a rota que os partidos e as lideranças políticas traçarão para a sucessão – presidente e governadores – em 2010.

Ainda esperanças no eleito - editorial da CartaCapital

Todos que me conhecem sabem da minha admiração por Mino Carta. Na CartaCapital desta semana ele escreveu texto que, sinceramente, eu gostaria de ter tido a competência de escrever. Fiz algo parecido outro dia (clique aqui para ler) quando tentei explicar para alguns amigos as razões do meu desencanto com o governo Lula, embora ainda o considere o melhor governo da minha existência como ser político.
Seria muito interessante que Lula ouvisse, ou pelo menos lesse o que escreve o jornalista que, afinal, o acompanha desde as jornadas grevistas do ABC, nos distantes anos 70. Mino Carta é muito melhor conselheiro do que muitos que cercam Lula nas reuniões ministeriais.



Ainda esperanças no eleito
Mino Carta

A crise econômica e financeira que abala o mundo não somente desnuda a falácia da religião do deus mercado, mas também oferece uma lição do Congresso americano, capaz de portar-se como convém à democracia dos três poderes iguais e independentes. A despeito do fracasso de Bush júnior, o regime de governo herdado pelos Estados Unidos dos “pais fundadores” às vezes dá sinais de vitalidade.
Comparações com o Brasil não se recomendam, e tampouco seriam justas. A rigor, carecemos de pais fundadores e da experiência determinante da Revolução Francesa. Poucos países são tão desiguais. Quanto à liberdade, é para a minoria, e os três poderes giram por conta própria e com propósitos distintos, como partes de um mecanismo incoerente antes que ineficaz.
Clareza há em um ponto, indiscutivelmente. Se é verdade que o presidencialismo projeta de forma peremptória a figura presidencial, está claro que Luiz Inácio Lula da Silva atingiu um patamar de popularidade nunca dantes navegado. Na semana passada, neste mesmo espaço, destacava seus 70% de aprovação, conforme as pesquisas de opinião. Escassos dias depois atingimos 80%.
Não é arriscado prever que a influência de Lula pesará sobre os resultados das eleições municipais, sem exclusão de uma ou outra surpresa, decerto rara. Esta profunda, transcendente afinação com o povo brasileiro, que também é afinidade, teria de ser aproveitada muito além dos efeitos de um apoio popular destinado à extinção ao cabo do segundo mandato. Nada impede que o sucessor de Lula faça um governo excelente, mas a aprovação das pesquisas não terá os mesmos alcances. Antes de mais nada, porque o futuro eleito não será um ex-metalúrgico que manteve intacta a fé em si mesmo depois de três derrotas seguidas.
Agora, vejamos: quem é Luiz Inácio Lula da Silva? Pouparei os pacientes leitores de lucubrações psicológicas, sem deixar de acentuar o que é evidente na personalidade do presidente, do cidadão e do indivíduo. Lula é um conciliador. Um negociador. São características largamente exibidas tanto nos tempos de liderança sindical quanto na criação do Partido dos Trabalhadores.
Tal foi, aliás, um dos argumentos de CartaCapital, ao optar pela candidatura dele em 2002 e 2006. A contradizer os pavores empresariais que, em 1989, levaram o presidente da Fiesp, Mario Amato, a anunciar o êxodo de centenas de milhares de brasileiros, na expectativa de razias vermelhas caso Lula chegasse ao poder. Lula alimenta a convicção de que inexiste problema passível de não ser resolvido na conversa, e inúmeras vezes provou ter razões para tanto. Resta ver a que preço, pois há conversas e conversas. De todo modo, outro aspecto é transparente na personalidade do presidente: a sua capacidade de resistir. De insistir com tenacidade incansável. De voltar à carga. No Brasil de hoje, sem descurar das conseqüências da crise americana, muitas são as questões que merecem a aplicação deste Lula negociador tenaz. Sobram-lhe dois anos, e é o espaço à disposição para fazer o que não fez até agora, de sorte a apontar o caminho para o sucessor.
Há reformas a serem realizadas para combater o problema mais grave entre aqueles que assoberbam e tolhem o Brasil, a gritante desigualdade. Rui o cassino global criado pelo neoliberalismo, a bem da compreensão de que o dinheiro tem o valor do puro ar se não for alicerçado pela produção, em proveito do desenvolvimento e da distribuição da riqueza. Do ex-operário apoiado por quatro quintos da nação esperam-se passos decisivos neste terreno.
Muito além do Bolsa Família, recurso medíocre e símbolo de uma situação dolorosa. Não pelas razões de quem clama contra as precariedades do assistencialismo, e sim por causa daquilo que de fato representa. Vejo o povo que mergulha debaixo da mesa dos poderosos para colher as migalhas. E é trágico que estas bastem para seduzi-lo. Dois anos é tempo suficiente para grandes empreitadas.


Fonte: CartaCapital – 03/10/2008.

4.10.08

1 dólar




Não sei quem é o autor, mas ficou legal!

Lula chama Sadia e Aracruz pelo nome: especuladores!

Esse é o Lula que mereceu meu voto! Esperava essa coragem dele no enfrentamento com as forças reacionárias que dominam este país, escoradas em velhas estruturas partidárias carcomidas, somadas a outras travestidas de portadores da modernidade e da sabedoria erudita.
Tomara que isso não seja uma fase passageira e, na esteira desse discurso, enfrente Gilmar Mendes, defenestre Jobim e mantenha a Polícia Federal e o aparato repressivo do Estado na linha de frente do combate à corrupção!


Lula diz que não haverá pacote e critica Aracruz e Sadia por "ganância"

Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (4), em São Bernardo do Campo, que as empresas Aracruz e Sadia estavam especulando e por isso tiveram perdas com a valorização do dólar no mercado financeiro brasileiro. Lula negou a adoção de um pacote de medidas para fazer frente à crise financeira internacional e disse que os efeitos serão combatidos com medidas pontuais, quando necessárias.
“Essas empresas, no fundo, no fundo, estavam especulando contra a moeda brasileira. Portanto, não tiveram prejuízo. Elas praticaram, por conta própria, por ganância, esse prejuízo. Portanto, não coloque isso na crise não. Isso é problema delas, que tentaram especular de forma pouco recomendada”, afirmou o presidente.
As duas empresas apostaram na cotação baixa do dólar e realizaram contratos futuros na expectativa da não valorização da moeda norte-americana. Se o dólar caísse abaixo do que foi contratado, as empresas obteriam lucro. A manobra é conhecida como hedge. Mas com a valorização do dólar diante do real, tiveram perdas nas operações, o que motivou a queda de suas ações.
A assessoria de imprensa da Aracruz disse que não iria responder os comentários do presidente Lula. A Agência Brasil não conseguiu, até o momento, falar com a assessoria da Sadia.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

Brilhante!

Indicação de algumas boas leituras

Final de semana com a obrigação de votar, mesmo que você não se sinta representado por nenhum candidato!
Uma leitura que me chamou a atenção está no site Vi o Mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha. Uma série de reportagens da Conceição Lemes denuncia o O LOBBY DO AMIANTO EM VISITA A GILMAR MENDES (clique no título para ler). Além desta, existem no site outras sobre o mesmo tema, imperdíveis.
Para quem gosta de cinema recomendo uma navegada no blog Sombras Elétricas (clique no título para acessá-lo).
Pouco se diz do “mar de lama” (já que a grande mídia gosta da expressão...) vigente no Rio Grande do Sul. É um escândalo se sobrepondo ao outro. Mas qual a razão de não lermos nada sobre isso nos grandes jornais do país? Será que é porque o governo do RS é do PSDB? Por isso é bom dar uma passadinha no RS Urgente para saber dos podres dos tucanos do Sul. Clique aqui para lê-lo.
O ótimo Ferréz solta a pena no texto Sobre políticos e Porcos.
No Blog do Rovai uma boa análise sobre a campanha eleitoral municipal e seus possíveis reflexos na campanha de 2010. Clique aqui para ler.
Para ler sobre a campanha que mobiliza a atenção da mídia no mundo, recomendo o blog A Escolha do Próximo Porteiro.

30.9.08

Um pouco de saudade

Hoje bateu uma saudade de um monte de coisas. Talvez por causa de alguns debates sobre eleições.
Confesso que essa temporada de caça ao voto me deixa nostálgico dos bons tempos de construção do PT como alternativa popular, dos bons combates travados e da militância em tempo integral.
Alguns dos velhos companheiros mantêm-se apenas pragmáticos e ainda escolhem o 13, partindo do pressuposto do “menos pior”; outros debandaram para o PSOL, outros para o PC do B e, finalmente, outros como eu, tornaram-se pessimistas com relação às opções políticas vigentes, mas sem ânimo de buscar construir outra opção.
Após o jantar sentei-me no sofá e fui remexer nos CDs. Encontrei um do Taiguara, na verdade uma coletânea que fazia tempo que eu não ouvia.
O cara era muito bom mesmo!
Arranjos sensacionais e letras ousadas, no tocante à sensualidade e também à política, não podemos esquecer que sua produção destaca-se em plena ditadura.
Bateu uma saudade danada!
Para os jovens que me lêem e ignoram esse grande músico sugiro uma breve leitura sobre ele clicando aqui. Clique aqui para saber tudo sobre Taiguara (site sensacional!).
Gostaria de ouvir um pouco de boa música?
Siga as pistas do YouTube:
Universo do teu corpo
Que as crianças cantem livre (com um bom papo sobre a censura)
O cavaleiro da esperança (homenagem para Luis Carlos Prestes)
Viagem
Hoje
Chorei!

29.9.08

Karl Marx desperta novos interesses em tempos bicudos para o neoliberalismo

A Agência Carta Maior nos brinda com uma ótima entrevista. Abaixo segue a chamada da mesma. A leitura é oportuna e provocante.
A lucidez de Eric Hobsbawm é assustadora, sua análise brilhante como sempre.

Agência Carta Maior

A crise do capitalismo e a importância atual de Marx

Em entrevista a Marcello Musto, o historiador Eric Hobsbawm analisa a atualidade da obra de Marx e o renovado interesse que vem despertando nos últimos anos, mais ainda agora após a nova crise de Wall Street. E fala sobre a necessidade de voltar a ler o pensador alemão: “Marx não regressará como uma inspiração política para a esquerda até que se compreenda que seus escritos não devem ser tratados como programas políticos, mas sim como um caminho para entender a natureza do desenvolvimento capitalista”.
Eric Hobsbawm é considerado um dos maiores historiadores vivos. É presidente do Birbeck College (London University) e professor emérito da New School for Social Research (Nova Iorque). Entre suas muitas obras, encontra-se a trilogia acerca do “longo século XIX”: “A Era da Revolução: Europa 1789-1848” (1962); “A Era do Capital: 1848-1874” (1975); “A Era do Império: 1875-1914 (1987) e o livro “A Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991 (1994), todos traduzidos em vários idiomas.
Entrevistamos o historiador por ocasião da publicação do livro “Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later” (Os Manuscritos de Karl Marx. Elementos fundamentais para a Crítica da Economia Política, 150 anos depois).


Clique aqui para ler a matéria na íntegra.


Fonte: Agência Carta Maior -29/9/09.

27.9.08

Boas leituras para o final de semana

Neste final de semana considero algumas leituras imperdíveis, basta clicar no título:
Antes e depois – ótimo texto do Roy, no blog “A escolha do próximo porteiro do império”. Dá para acompanhar a marcha, além das contramarchas, da eleição estadunidense pela pena de quem vive lá.
Folha de Cima – um pouco de poesia com o Rogério Santos. Se tiver um tempinho compensa uma visita no myspace para ouvir as músicas.
Chico Science encontra Josué de Castro – No Le Monde Diplomatique Brasil, Moisés Neto tece ótimo ensaio sobre Josué de Castro e Chico Science.
A visão dos bancos – No blog do Luis Nassif, aba de economia, excelentes artigos sobre a crise atual.
1 Da Sul – no caso trata-se da indicação de uma loja virtual, bem diferente daquelas que conhecemos, pelo menos no tocante ao conteúdo. Compensa um belo passeio pelo site.
Estes são os destaques, mas fica o convite para um passeio completo nos links aí do lado.

26.9.08

Voto obrigatório: uma anomalia!

Estamos às vésperas da eleição municipal e muitos me perguntam em quem vou votar. Respondo: não vou votar! Não voto enquanto o voto for obrigatório.
Sem meias palavras ou justificativas toscas. A obrigatoriedade do voto é uma anomalia que precisa ser corrigida imediatamente, deveria ser item prioritário da Reforma Política, aquela prometida faz tempo e que nunca acontece.
Obrigar o indivíduo, sob coação, a fazer algo não pode ser encarado como exercício de um direito.
Tal obrigatoriedade fragiliza um dos principais elos do exercício político: o partido!
O partido político além de disputar o poder, o que é legítimo, deveria também preocupar-se em educar o cidadão para a política e a representação, esforçando-se por ser um canal de participação, ao mesmo tempo em que renovaria suas próprias lideranças.
Considero que dentre os vários problemas políticos existentes em nossa legislação o voto obrigatório é o mais escandaloso, seguido de perto do instituto da reeleição.
A reeleição permite a criação de “donos de cargos representativos”. Isso à direita e à esquerda, afinal já tem ex-guerrilheiro com 24 anos como deputado federal “profissional”. Isso inibe o surgimento de novas lideranças e a oxigenação da representação parlamentar.
O voto facultativo obrigaria os partidos políticos a fazerem-se presentes no cotidiano das pessoas, na fábrica, escola, banco etc., pois seria mais importante convencê-la a participar, para depois pedir-lhe o voto.
Com a obrigatoriedade vemos os partidos jogando suas fichas no “marquetingue” político em detrimento de idéias e propostas. Programa de governo então é coisa que só é produzida depois que ocorre a eleição e olhe lá!
As legendas de aluguel, que pontificam no horário político obrigatório, tenderiam ao desaparecimento, pois o teatro político seria transferido para a vida real, longe das telinhas e das jogadas asquerosas.
Vejamos o caso de São Paulo nestas eleições municipais, quem conhece algum programa de governo de algum candidato? Ninguém, simplesmente por que eles não existem, são obras de ficção.
Uma candidata diz que vai conectar a cidade à rede mundial de computadores, sem fio e de graça! Outro vai construir uma “freeway”, outro promete trabalhar por São Paulo, bom, também só faltava um candidato aparecer prometendo “se for eleito, prometo não fazer nada, serei o maior vagabundo que está cidade já teve!”.
Quando vamos verificar os candidatos a vereança então o desespero é geral.
Por essas e outras não irei votar, pelo menos no primeiro turno, agora, se no segundo turno o picolé de chuchu estiver presente, bom, aí a prosa muda de rumo.

25.9.08

A crise dos EUA na visão de Joseph Stiglitz

Segue abaixo a entrevista que Joseph Stiglitz concedeu a Nathan Gardels, do El País, numa tradução do Marco Aurélio Weissheimer, publicada hoje na Agência Carta Maior.
Escolhi esse texto por ser o moço quem ele é. Afinal, qualquer outro que dissesse isso poderia ser tomado por neocomunista, ou, como disse um dia o FHC – Farol de Alexandria segundo Paulo Henrique Amorim – neobobo.
Clique aqui para ler o seu breve currículo e aqui para a versão completa.


A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim

Para o prêmio Nobel de Economia de 2001, a crise financeira que atingiu Wall Street e os mercados financeiros de todo o mundo equivale, para o fundamentalismo de mercado, ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. "Ela diz ao mundo que esse modelo não funciona. Esse momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas", diz Stiglitz.

Nathan Gardels – El País
Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, sustenta que a crise de Wall Street evidencia que o modelo de fundamentalismo de mercado não funciona. Para ele, a crise que sacudiu Wall Street é para esse modelo o equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. Stiglitz critica a complexidade dos produtos financeiros que provocaram a crise e os incentivos ao risco dos sistemas de recompensa dos executivos.
Barack Obama afirma que o naufrágio de Wall Street é a maior crise financeira desde a Grande Depressão. John McCain diz que a economia está ameaçada, mas é basicamente forte. Qual deles tem razão?
Stiglitz – Obama está muito mais próximo da verdade. Sim, os Estados Unidos tem talentos, grandes universidades e um bom setor de alta tecnologia. Mas os mercados financeiros desempenham um papel muito importante, sendo responsáveis nos últimos anos por cerca de 30% dos lucros empresariais. Os executivos dos mercados financeiros obtiveram esses lucros com o argumento de que estavam ajudando a gerir o risco e a garantir maior eficácia ao capital. Por isso, diziam, mereciam rendimentos tão altos. Ficou demonstrado que isso não é certo. A gestão que eles executaram foi muito mal. Agora, o tiro saiu pela culatra e o resto da economia pagará porque as trocas comerciais cairão devido à redução do crédito. Nenhuma economia moderna pode funcionar bem sem um setor financeiro vibrante.
Assim, o diagnóstico de Obama, quando diz que nosso setor financeiro está em estado deplorável, é correto. E se está em um estado deplorável, isso significa que nossa economia está em um estado deplorável. Ainda que não levássemos em conta a comoção financeira, mas só a dívida doméstica, nacional e federal, isso já bastaria para ver a seriedade do problema. Estamos nos afogando. Se observarmos a desigualdade, que é a maior desde a Grande Depressão, o problema é sério. Se observarmos o estancamento dos salários, o problema é sério. A maior parte do crescimento econômico dos últimos cinco anos baseava-se em uma bolha do setor imobiliário, que agora estourou. E os frutos desse crescimento não foram repartidos amplamente. Em resumo, os fundamentos não são bons.
Qual deveria ser, em sua opinião, a resposta política ao afundamento de Wall Street?
Stiglitz – Está claro que necessitamos não só voltar a regular, mas também redesenhar o sistema regulador. Durante seu reinado como chefe do Federal Reserve, no qual surgiu essa bolha hipotecária e financeira, Alan Greenspan tinha muitos instrumentos ao seu alcance para freá-la, mas não conseguiu fazer isso.
Afinal de contas, Ronald Reagan escolheu-o por sua atitude contrária à regulação. Ele substituiu a Paul Volcker no Federal Reserve, conhecido por manter a inflação sob controle. O governo Reagan não acreditava que ele fosse um “liberalizador” adequado. Por conseguinte, nosso país sofreu os efeitos de escolher como regulador supremo da economia a alguém que não acreditava na regulação. De modo que, para corrigir o problema, a primeira coisa que precisamos é de líderes políticos e responsáveis que acreditem no papel da regulação. Além disso, precisamos estabelecer um sistema novo, capaz de suportar a expansão das finanças e dos instrumentos financeiros de um modo melhor que os bancos tradicionais.
Precisamos, por exemplo, regulamentar os incentivos. Eles têm que ser pagos baseando-se nos resultados de vários anos, e não no de apenas um, porque este último modelo fomenta as apostas. As opções de compra de ações fomentam a adulteração da contabilidade e é preciso frear essa prática. Em resumo, oferecemos incentivos para que se alimentasse um mau comportamento no sistema.
Além de freios, precisamos de faixas de controle. Historicamente, todas as crises têm estado associadas a uma expansão muito rápida de determinados tipos de ativos. Se conseguimos frear esse processo, podemos impedir que as bolhas cresçam de modo descontrolado. O mundo não desapareceria se as hipotecas crescessem 10% e não 25% anualmente. Conhecemos tão bem o patrão que deveríamos fazer algo para dominá-lo. Precisamos ainda de uma comissão de segurança para os produtos financeiros, assim como temos no caso dos produtos de consumo. O setor financeiro estava inventando produtos que não geriam o risco, mas sim o produziam.
Certamente, acredito na necessidade de uma maior transparência. No entanto, desde o ponto de vista dos critérios reguladores, esses produtos eram transparentes em um sentido técnico. Mas eram tão complexos que ninguém os entendia. Mesmo que fossem tornadas públicas todas as cláusulas destes contratos, elas não trariam a nenhum mortal alguma informação útil sobre seu risco. Muita informação equivale a nenhuma informação. Neste sentido, aqueles que pedem mais revelações como solução para o problema não entendem a informação. Se alguém compra um produto, necessita de uma informação simples e básica: qual é o risco. Essa é a questão.
Os ativos hipotecários que provocaram o caos estão em mãos de bancos ou fundos soberanos da China, Japão, Europa e países do Golfo. Como essa crise os afetará?
Stiglitz – É certo. As perdas das instituições financeiras européias com as hipotecas subprime foram maiores do que as verificadas nos Estados Unidos. O fato de os EUA terem diversificado esses ativos hipotecários por todo o mundo, graças à globalização dos mercados, suavizou o impacto interno. Se não tivéssemos disseminado o risco por todo o mundo, a crise seria muito pior. Uma coisa que agora se entende, a conseqüência dessa crise, é a informação assimétrica da globalização. Na Europa, por exemplo, não se sabia muito bem que as hipotecas norte-americanas são hipotecas sem lastro: se o valor da casa baixa mais que o da hipoteca, pode-se devolver a chave ao banco e ir embora. Na Europa, a casa serve de garantia, mas o tomador do empréstimo segue endividado, aconteça o que aconteça. Este é um dos perigos da globalização: o conhecimento é local, sabe-se muito mais sobre sua própria sociedade do que sobre as outras.
Qual é então, em última análise, o impacto do naufrágio de Wall Street na globalização regida pelo mercado?
Stiglitz - O programa da globalização esteve estreitamente ligado aos fundamentalistas do mercado: a ideologia dos mercados livres e da liberalização financeira. Nesta crise, observamos que as instituições mais baseadas no mercado da economia mais baseada no mercado vieram abaixo e correram a pedir a ajuda do Estado. Todo mundo dirá agora que este é o final do fundamentalismo de mercado. Neste sentido, a crise de Wall Street é para o fundamentalismo de mercado o que a queda do Muro de Berlim foi para o comunismo: ela diz ao mundo que este modo de organização econômica é insustentável. Em resumo, dizem todos, esse modelo não funciona. Este momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas.
A hipocrisia entre o modo pelo qual o Tesouro dos EUA, o FMI e o Banco Mundial manejaram a crise asiática de 1997 e o modo como procedem agora acentuou essa reação intelectual. Agora os asiáticos dizem: “Um momento, para nós, vocês disseram que deveríamos imitar o modelo dos Estados Unidos. Se tivéssemos seguido vosso exemplo, agora estaríamos nesta mesma desordem. Vocês, talvez, possam se permitir isso. Nós, não”.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer
Fonte: Agência Carta Maior – 25/9/08.

Veja: a imagem invertida da realidade!

A capa de Veja me surpreendeu!
Não é que ela conseguiu transformar os bandidos em mocinhos, mais uma vez!
Vejam vocês a capa da dita cuja:

Quer dizer que os caras que enterraram os EUA numa das maiores crises de sua história, arrastando parte do mundo com eles, nos salvaram?
Dá para explicar?
O cidadão médio estadunidense que tem comprado essa história de que o “mercado” tudo vê, tudo resolve e tudo vê, deve estar se coçando dentro das calças nesse momento.
O socialismo dos EUA obedece a uma lógica peculiar: a distribuição da renda é feita para os “de cima”. Bancos falidos, mal geridos, recebem grana dos contribuintes, aqueles mesmos que acreditavam na falsa expectativa de riqueza fácil criada pelo sistema.
Isso se deve a mais completa ausência do Estado.
Então a galera que saudou entusiasticamente o neoliberalismo pode enfiar a viola no saco e procurar outras razões para comemorar a derrocada da URSS.

Estou de volta!

Olá a todos! Depois de uma bem sucedida cirurgia de catarata no olho direito, cá estou novamente a atormentá-los com meus pequenos textos.
Motivo para escrever não falta. São inúmeras inquietações pessoais, campanha eleitoral para prefeito e vereador, crise nos EUA, nossa servil imprensa grande etc. e tal.
Vamos por partes.

20.9.08

Novas indicações de leitura

No menu aí do lado aparecem novos blogs e sites, não deixem de prestigiá-los:
Agência Brasil
Agência noticiosa do governo federal, excelente qualidade, diversidade de temas e respeito às regiões do país.

Alcinéa Cavalcante
Informação de verdade, lá do Amapá.

Blog da Glória
Ela fala sobre crianças e adolescentes, justiça, direitos humanos, imprensa etc. e tal, de uma maneira corajosa e muito franca.

Bahia de Fato
Boa cobertura política lá da Bahia.
Blog do Renato Rovai, editor da Revista Fórum. Notícias de política, economia e sociedade de um ângulo diferente da mídia grande.

Etiqueta (Bolívia)
Este blog, editado por um jesuíta, discute a ética, desde a Bolívia, convulsionada e em luta.

Ladislau Dowbor
O site deste grande economista apresenta interessantes discussões sobre novas tecnologias, educação, gestão e meio ambiente, dentre outros temas.

Observatório da Imprensa
A mídia em permanente discussão, com espaço para a pluralidade e também expressão dos leitores.

Página 12 (Argentina)
Ótimo site do jornal diário argentino que leva o mesmo nome.

Palestina do Espetáculo Triunfante
A autora fala sobre cinema, música, poesia, ambiente, dentre outras coisas, sempre com muita sensibilidade e senso crítico.

Karl Marx manda lembranças

Didático texto do César Benjamin na Folha de S.Paulo de hoje, sábado.
Karl Marx manda lembranças

O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas
AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional". Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação. Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria. Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade. Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo. O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de "Bom Combate" (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
Fonte: Folha de S.Paulo - 20/9/08.

19.9.08

Tapa na Pantera

Um dos vídeos mais hilários que vi no Youtube até hoje.
Agora está no Portacurtas e ganhou status de cult.
Divirtam-se!


Tapa na Pantera
Gênero Ficção, Conteúdo Adulto
Diretor Esmir Filho, Mariana Bastos, Rafael Gomes
Elenco Maria Alice Vergueiro
Ano 2006
Duração 3 min
Cor Colorido
Bitola Vídeo
País Brasil
Aplicabilidades
Disciplinas/Temas transversais: Biologia. Faixa Etária: a partir de 14 anos. Nível de Ensino: Ensino Fundamental II, Ensino Médio.

Clique no link abaixo para assistir:

Tapa na Pantera