19.7.11

Votei na Dilma, tenho o direito de criticar o governo?

Para alguns companheiros e companheiras de esquerda não! Votar significa passar um cheque em branco e assinar embaixo tudo que o eleito fizer.
Noção tosca essa de democracia representativa, seria por falta de práticas democráticas?
Votei no Lula em 2002 e 2006. Reconheço em seu governo vários avanços, principalmente com relação aos mais pobres, mas muito ficou por fazer, principalmente para quem teve o apoio popular que Lula teve, inigualável na história republicana.
A reforma agrária parece ter virado letra morta. Estranho, pois passamos décadas repetindo que faltava apenas vontade política para fazê-la.
A educação titubeia, embora medidas paliativas valiosas tenham sido tomadas – como o ProUni – por exemplo, ainda estamos rumando para o abismo.
O excesso de conciliação pode levar ao fracasso no médio prazo.
Basta olharmos para o caso chileno. Aumentou a desigualdade, a educação está um caco, embora os indicadores da economia, do ponto de vista neoliberal, continuem bons. Além disso, a direita assumiu a presidência nas últimas eleições, depois de sucessivos governos de centro-esquerda.
O primeiro semestre do governo Dilma assemelha-se aos 8 anos de Lula: muita conciliação e uma pauta predominantemente “empresarial”.
A capacidade do governo de comunicar-se com o público continua uma lástima! Vimos Lula encerrar seu mandato numa grande entrevista para os blogs e a campanha vitoriosa de Dilma apoiar-se na capacidade de mobilização das redes sociais.
Imaginei que começaria aí uma nova era na difusão das informações do governo. Mas que nada, foi só acabar o período eleitoral e os perfis de muitos candidatos foram desativados. Continuam na rede, principalmente no Twitter, alguns poucos, a grande maioria preferiu recolher-se ao gabinete.
A questão é: podemos criticar e discordar das ações de governo, sem que sejamos nomeados quinta coluna, desonestos ou ingênuos?

2.7.11

As fusões, o monopólio e a concorrência

A minha ignorância em assuntos econômicos não me impediu de compreender que a concorrência é essencial para que nós – os consumidores – tenhamos um pouco de vantagem dentro do capitalismo.
Assim, já nos ensinava Adam Smith, cabe ao Estado zelar pelos mecanismos que garantam a existência da dita cuja.
Pois bem, no que as fusões de empresas, como vem ocorrendo ultimamente, contribuem para o ambiente concorrencial?
Numa primeira e rápida leitura, parece-me que o governo quer patrocinar e incentiva a criação de “empresas fortes” – global players no jargão globalizante –, evitando assim que setores importantes e estratégicos repousem nas mãos de grupos estrangeiros.
Foi assim com a BrOi, com a Friboi, com a Brasil Foods (Perdigão + Sadia) etc. e tal.

Mas como garantir que essas fusões não levem ao monopólio?
Fonte: Fonte: http://convergenciadigital.uol.com.br/
Essas empresas gigantescas sufocam a concorrência e passam a dominar largas fatias do mercado, gerando sobre os fornecedores uma pressão absurda e para os consumidores uma enorme ausência de alternativas.
A mais globalizada das empresas brasileiras, segundo maior grupo privado do país e a maior do mundo em proteína animal realiza estudos regulares com a Datastore para avaliar imagem da marca, potencial de mercado e posicionamento da sua linha de produtos. Os estudos recomendam medidas para ampliar ainda mais a participação de mercado e a satisfação dos consumidores de cortes especiais de carne.(...)

Para nós simples mortais – que ignoramos os mistérios dominados pelos iniciados em Economia –, soa muito estranho a posição do governo.
Num dado instante o BNDES – banco de desenvolvimento controlado pelo Estado – incentiva as fusões e participa delas com capital, de modo a viabilizá-las.
Depois vem o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica – autarquia vinculada ao Ministério da Justiça vetando a tal fusão.
Vai entender...
No caso que agitou a semana – fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour – tratamos de um setor vital para a economia: distribuição de alimentos, além do comércio de eletroeletrônicos.
Quais as consequências para os consumidores que uma fusão de tal porte traria?
E para os trabalhadores destas empresas?
Qual a fatia de mercado abocanharia?
Por que o BNDESPar deve aportar capital nessa fusão?
As três primeiras respostas são fundamentais. A depender delas a quarta poderá ou não ser feita.

25.6.11

José Luis Fiori e a geopolítica angloamericana

José Luis Fiori traça análises excelentes e elucidativas. Sempre vai ao "x" da questão, como no artigo abaixo, copiado da Agência Carta Maior:


A geopolítica angloamericana

O que diferencia a geopolítica anglo-americana é a sua pergunta fundamental: “que partes do mundo há que controlar, para dominar o mundo?”. Há, entretanto, uma grande incógnita no horizonte geopolítico anglo-americano. Uma vez conquistado o poder global, é indispensável expandi-lo, para mantê-lo. Mas, para onde expandi-lo?

José Luís Fiori
“Venho hoje reafirmar uma das mais antigas, uma das mais fortes alianças que o mundo já viu. Há muito é dito que os Estados Unidos e a Grã Bretanha compartilham uma relação especial.”

Presidente Barack Obama: “Discurso no Parlamento Britânico”, em 25 de maio de 2011. Existe uma idéia generalizada de que a Geopolítica é uma “ciência alemã”, quando na verdade ela não é nem uma ciência, nem muito menos alemã. Ao contrário da Geografia Política, que é uma disciplina que estuda as relações entre o espaço e a organização dos estados, a Geopolítica é um conhecimento estratégico e normativo que avalia e redesenha a própria geografia, a partir de algum projeto de poder específico, defensivo ou expansivo. O “Oriente Médio”, por exemplo, não é um fenômeno geográfico, é uma região criada e definida pela política externa inglesa do século XIX, assim como o “Grande Médio Oriente”, é um subproduto geográfico da “guerra global ao terrorismo”, do governo Bush, do início do século XXI. 
Por outro lado, a associação incorreta, da Geopolítica com a história da Alemanha, se deve a importância que as idéias de Friederich Ratzel (1844-1904) e Karl Haushofer (1869-1946) tiveram – direta ou indiretamente – no desenho estratégico dos desastrosos projetos expansionistas da Alemanha de Guilherme II (1888-1918) e de Adolf Hitler (1933-1945). Apesar disto, as teorias destes dois geógrafos transcenderam sua origem alemã, e idéias costumam reaparecer nas discussões geopolíticas de países que compartilham o mesmo sentimento de cerco militar e inferioridade na hierarquia internacional. Mas a despeito disto, foi na Inglaterra e nos Estados Unidos que se formularam as teorias e estratégias geopolíticas mais bem sucedidas da história moderna. 
Sir Walter Raleigh (1554-1618), conselheiro da Rainha Elizabeth I, definiu no fim do século XVI, o princípio geopolítico que orientou toda a estratégia naval da Inglaterra, até o século XIX. Segundo Raleigh, “quem tem o mar, tem o comércio do mundo, tem a riqueza do mundo; e quem tem a riqueza do mundo, tem o próprio mundo”. Muito mais tarde, quando a Marinha Britânica já controlava quase todos os mares do mundo, o geógrafo inglês, Halford Mackinder (1861-1947), formulou um novo princípio e uma nova teoria geopolítica, que marcaram a política externa inglesa do século XX. Segundo Mackinder, “quem controla o “coração do mundo” comanda a “ilha do mundo”, e quem controla a ilha do mundo comanda o mundo”. 
A “ilha do mundo” seria o continente eurasiano, e o seu “coração” estaria situado - mais ou menos - entre o Mar Báltico e o Mar Negro, e entre Berlim e Moscou. Por isto, para Mackinder, a maior ameaça ao poder da Inglaterra, seria que a Alemanha ou a Rússia conseguissem monopolizar o poder dentro do continente eurasiano. Uma idéia-força que moveu a Inglaterra nas duas Guerras Mundiais, e que levou Winston Churchill a propor – em 1946 - a criação da “Cortina de Ferro” que deu origem a Guerra Fria. 
Do lado norte-americano, o formulador geopolítico mais importante da primeira metade do século XX, foi o Almirante Alfred Mahan (1840-1914), amigo e conselheiro do Presidente Theodor Roosevelt, desde antes da invenção da Guerra Hispano-Americano, no final do século XIX. A tese geopolítica fundamental de Mahan, sobre a “importância do poder naval na história”, não tem nenhuma originalidade. Repete Walter Raleigh, e reproduz a história da Marinha Britânica. E o mesmo acontece com as idéias de Nicholas Spykman (1893-1943), o geopolítico que mais influenciou a estratégia internacional dos EUA na segunda metade do século XX. 
Spykman desenvolve e muda um pouco a teoria de Mackinder, mas chega quase às mesmas conclusões e propostas estratégicas. Para conquistar e manter o poder mundial, depois da Segunda Guerra, Spykman recomenda que os EUA ocupem o “anel” que cerca a Rússia, do Báltico até a China, aliando-se com a Grã Bretanha e a França, na Europa, e com a China, na Ásia. No cômputo final, o que diferencia a geopolítica anglo-americana é a sua pergunta fundamental: “que partes do mundo há que controlar, para dominar o mundo”. Ou seja, uma pergunta ofensiva e global, ao contrário dos países que se propõem apenas a conquista e o controle de “espaços vitais” regionais. Além disto, a Inglaterra e os EUA ganharam, e no início do século XXI, mantém sua aliança de ferro com o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia: derrotaram e cercaram a Rússia; mantém seu protetorado atômico sobre a Alemanha e o Japão; expandiram sua parceria e seu cerco preventivo da China; estão refazendo seu controle da África; e mantém a América Latina sob a supervisão da sua IV Frota Naval. E acabam de reafirmar sua decisão de manter sua liderança geopolítica mundial. 
Existe, entretanto, uma grande incógnita no horizonte geopolítico anglo-americano. Uma vez conquistado o poder global, é indispensável expandi-lo, para mantê-lo. Mas, para onde expandi-lo?

José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

20.6.11

Será uma Comissão das Meias Verdades?

Artigo brilhante, como sempre, de Wálter Maierovitch:


Advogado da União constrange Dilma
Wálter Maierovitch

O advogado Geral da União, Luís Adams, acaba de colocar a presidente Dilma Roussef em situação embaraçoso. Adams, perante o Supremo Tribunal Federal e nos autos do processo que deu, por 7×2 votos, pela constitucionalidade da lei de Anistia de 1979, desconsiderou a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Segundo decisão da CIDH o Brasil está obrigado a investigar todos os crimes de lesa-humanidade e os militares elaboraram uma autoanistia.
Da tribuna do STF, o advogado geral Adams sustentou que todos os crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985) estão sob o manto dessa legislação, ou seja, são impunes.
Além de cassar a decisão da CIDH, o advogado Adams, —que no processo falou em nome do governo Dilma Roussef–, entende que a decisão do STF deve prevalecer sobre a da CIDH. No particular, tem a mesma e canhestra posição do ministro Nelson Jobim, aquele que, — conforme confessou em livro laudatório–, inseriu artigos na Constituição que não passaram pelos constituintes.
O momento não poderia ser pior para Dilma. Isto porque está em curso uma ação civil publica ajuizada contra o tenente-coronel Maurício Lopes Lima, dois outros oficiais do exército e um da polícia militar. Consoante observou o jornalista Luiz Cláudio Cunha, o oficial Maurício torturou nossa presidente Dilma Rousseff.
Não dá pra acreditar que a presidente Dilma tenha mudado de lado. Além de apoiar Sarney, Collor e Jobim, que querem esconder dos brasileiros documentos históricos.

Eternos segredos e impunidades
Os processos legislativos sobre o acesso à informação pública e à criação da Comissão da Verdade, a ser formada por sete membros, não podem continuar a ser tratados de forma desvinculada, como se possuíssem conteúdos estranhos e não comunicantes. Conferir, por exemplo, rito especialmente urgente apenas para um desses dois projetos legislativos significa capitular a interesses subalternos.
A Comissão da Verdade estava adormecida no Congresso. De repente, percebeu-se que ela poderia ser a tábua de salvação. Isto para driblar e retardar o cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, a cuja jurisdição o Brasil está vinculado. Em outras palavras, o Brasil está obrigado a cumprir as sentenças da Corte Interamericana, quer queiram, quer não, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Nelson Jobim.
Segundo a Corte Interamericana, o Brasil editou, imposto pela ditadura, uma lei de autoanistia. Essa legislação, que padece do vício da ilegitimidade, restou concebida para pessoas certas, ou melhor, beneficiou e conferiu impunidade aos que perpetraram, a serviço do regime de exceção, terrorismo de Estado. A Lei da Anistia de 1979 propiciou – e recentemente teve a chancela do STF por meio do voto do então ministro Eros Grau, de triste memória – impunidade àqueles que, para manter a ditadura, mataram, torturaram, sequestraram e desapareceram com corpos.
No processo, a Corte Interamericana apreciou o desaparecimento de guerrilheiros no Araguaia, 41 deles sob detenção militar. Apenas para lembrar, no Brasil, durante a ditadura de 1964 a 1985, foram assassinados, por motivação – -ideológica e resistência ao regime, 144 conacionais. E continuam desaparecidos 125 brasileiros que estavam sob- custódia- fardada. O governo brasileiro, no momento, está sendo cientificado da decisão da Corte Interamericana, que aguardará informações e providências. Está claro que a tentativa de aprovação no Congresso da cláusula de “urgência-urgentíssima” ao projeto de Comissão da Verdade deve-se à necessidade de se dar uma resposta, ainda que insincera, à Corte.
Segundo o deputado Brizola Neto, até os militares, pela voz do ministro Jobim, estão de acordo com a tal urgência. Ora, muitos deles apostam todas as fichas na confirmação da tradição brasileira de constituir, para não resolver, uma comissão. Mais ainda, dar a ela atribuições investigatórias de fatos históricos diversos: ditadura Vargas, regime militar, Guerra do Paraguai, Coluna Prestes e o que mais couber.
Existe forte resistência em aceitar a ilegitimidade da Lei da Anistia de 1979, proclamada pela Corte Interamericana. Esta, e até a venda da Têmis sabe, é possuidora de respaldo constitucional suficiente para um fim de questão, um tollitur quaestio, como diriam os romanos. O governo brasileiro, sem sucesso, já chegou a enviar à Corte o advogado e ex-ministro Sepúlveda Pertence, com a missão de sustentar o acerto da decisão do STF, pelo qual a anistia foi ampla e irrestrita. Na visão militar, defendida por Jobim e numa canhestra interpretação própria às repúblicas bananeiras, a decisão do Supremo Tribunal Federal seria soberana.
A deputada Luíza Erundina, pelo que circula na Câmara, será a relatora do projeto sobre a Comissão da Verdade e, também, quanto ao regime de urgência-urgentíssima. Ela sabe da importância da decisão da Corte Interamericana e também de estar em curso, com base nela, uma ação civil pública ajuizada contra o tenente-coronel Maurício Lopes Lima, dois outros oficiais do Exército e um da Polícia Militar. Consoante observou o jornalista Luiz Cláudio Cunha, o oficial Maurício torturou nossa presidenta Dilma Rousseff e, ao mandar torturar frei Tito, deu-lhe um pré-aviso: “Você vai conhecer a sucursal do inferno”.
Nesta semana, noticiou-se, a respeito da Lei de Acesso à Informação Pública, já emendada na Câmara e que tramita no Senado em regime de urgência, o sucesso da pressão dos senadores Sarney e Collor junto à presidenta Dilma. Querem mais tempo para discussões. Usaram de eufemismo, e espera-se que Dilma o perceba, para derrubar a “urgência” e a emenda da Câmara que estabeleceu sigilo pelo prazo máximo e improrrogável de 30 anos. A dupla almeja o sigilo eterno a documentos ultrassecretos.
Os dois senadores fingem esquecer que a transparência representa um dos alicerces do Estado Democrático e de o cidadão brasileiro contar com o direito natural à verdade. Manter sigilo não significa apenas esconder atos dos trágicos governos Sarney e Collor. A meta, mantido o segredo, é poder levantar uma questão de Estado para não atendimento de solicitações da futura Comissão da Verdade e de requisições do Ministério Público e da Justiça. Em resumo, mais um desserviço.


17.6.11

Sobre a mudança das licitações visando a Copa e as Olimpíadas

É um absurdo o sigilo dos preços das obras para a Copa e Olimpíadas. Mas, sem querer ser chato, cadê o sigilo?

E lá vamos nós: com a mídia e a oposição atuando como corpo único, assistimos a criação de mais um escandaloso factoide. O Governo, essa diabólica entidade petista, estaria propondo o sigilo dos preços pagos pelas obras para a Copa e Olimpíadas.

Partindo dessa premissa, e aproveitando uma leviana confusão entre orçamento prévio e preço, todo o debate acerca da oportunidade de atualização dos métodos licitatórios é enterrado.

“Eles” querem roubar e, por isso, vão mudar a lei. O que “eles” querem é esconder o quanto vão pagar para poder roubar. Pronto, resolvido. Se o procedimento licitatório atual é lento e contraproducente, se dá margem à demora na contratação e ao encarecimento das obras, se a experiência diária vem ou não apontando nesse sentido, tudo isso é esquecido. Todas essas questões, relevantíssimas, contra ou a favor das mudanças na lei, são enterradas sobre uma única informação: “eles” querem tornar os preços sigilosos.

Pra ficar apenas num exemplo, veja o que disse a Folha:

“A decisão foi incluída de última hora no novo texto da medida provisória 527, que cria o RDC (Regime Diferenciado de Contratações), específico para os eventos. Com a mudança, não será possível afirmar, por exemplo, se a Copa-2014 estourou ou não o orçamento.”

Mas, afinal de contas, o que diz o projeto de lei? Ele diz que os preços serão secretos? Ele diz que nunca saberemos o valor orçado?

Adianto que não me parece o caso, mas, antes, quero fazer um observação, fruto da minha experiência pessoal – cinco anos trabalhando com licitações. Goste-se ou não da solução pretendida, a “desculpa” do Governo para esta alteração específica procede.

De fato, especialmente no pregão, a prévia divulgação do preço orçado tem sim desfavorecido a economia nas contratações públicas. E não se trata apenas da hipótese de conluio entre os participantes e, portanto, da presunção de má-fé por parte dos licitantes, como quer o Ministro Marco Aurélio de Mello (em entrevista ao Terra Magazine). O que acontece é o seguinte: mesmo que de boa-fé e sem qualquer combinação, sabendo que depois poderão concorrer na fase de lances, todos os licitantes apresentam uma proposta inicial muito próxima ao preço orçado, o que faz com que a fase competitiva seja iniciada com valores bem próximos ao teto orçado.

No modelo atual de licitação, o procedimento que a Administração Pública é obrigada a adotar seria o equivalente ao seguinte: você quer reformar a sua casa e resolve pesquisar preços para o serviço. Pede propostas a, sei lá, três empreiteiros, mas avisa: eu orcei esse serviço em R$ 50.000,00. Quais as chances de um propor um valor muito inferior ao que você disse estar disposto a pagar? Você começaria uma negociação assim? 

Agora, vejamos o que estabelece, neste ponto o PLV 17/2011, de conversão da MP 527/2011, disponível aqui.

O art. 6º do PL 17 diz que “O orçamento previamente estimado para a contratação será fornecido somente após o encerramento da licitação, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração das propostas.”

Os parágrafos 1º e 2º estabelecem duas exceções à regra do caput, ou seja, situações em que, como hoje, a informação concernente ao orçamento prévio deverá constar do edital.

Em seguida, o parágrafo 3º determina que “Se não constar do instrumento convocatório, a informação referida no caput deste artigo possuirá caráter sigiloso e será disponibilizada estritamente a órgão de controle interno e externo.” Quer dizer, no caso do caput, ou seja, quando o orçamento prévio for informado apenas após o encerramento da licitação, a informação será sigilosa, mas acessível aos órgãos de controle (leia-se Tribunal de Contas e CGU).

Parece óbvio, mas talvez não seja. Então, vamos lá. O valor estimado será sim informado, mas não no edital, como acontece hoje, e sim após o encerramento da licitação. Isto é, o orçamento será informado ao fim do procedimento, momento até o qual a informação deverá ser tratada como sigilosa, ressalvada a garantia de acesso pelos órgãos de controle.

Vale lembrar que, segundo o PL, esta é a única informação sigilosa do RDC, ao lado, é claro, das propostas apresentadas, até sua abertura. Em todos os seus demais aspectos, como, aliás, o art. 3º do projeto faz questão de esclarecer, o procedimento diferenciado deverá obedecer ao princípio da publicidade.

Assim, depois de superado o motivo ensejador do sigilo, todas as informações serão públicas, inclusive, por exemplo, aquelas referentes às decisões de classificação, desclassificação e aceitabilidade das propostas. E o art. 24 do projeto, em seu inciso III, estabelece que serão desclassificadas as propostas que “permaneçam acima do orçamento estimado.”

Esclarecendo: ao final da fase de classificação das propostas (no caso de concorrência ou tomada de preços), ou após a fase de lances (no caso de pregão), a autoridade competente deverá desclassificar as propostas superiores ao orçamento. E esta decisão, que tem por fundamentos fáticos básicos os valores do orçamento e das propostas, tem que ser motivada e não é sigilosa . Quer dizer, neste momento, quando, diga-se, os sigilos sobre as informações já não tem qualquer utilidade, os valores das propostas serão divulgados e "o orçamento previamente estimado para a contratação será fornecido.”

Também não há sigilo, por exemplo, na apreciação de eventuais recursos, de forma que, também neste momento, as informações teriam que ser fornecidas, como motivação da decisão.

Conforme o art. 39 do PLV 17, ademais, “os contratos administrativos celebrados com base no RDC reger-se-ão pelas normas da Lei 8.666 (…)”. E, em seu art. 55, esta lei estabelece que “são cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (…) III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento; (…)”.

E aí, concorde-se ou não com a alteração, será que dá pra afirmar, com a Folha, que "(...) não será possível afirmar, por exemplo, se a Copa-2014 estourou ou não o orçamento"? 

Ora, o valor orçado tem que ser fornecido após o fim da licitação (e desde o início para os órgãos de controle); o valor orçado é fundamento de aceitabilidade da proposta; o preço do contrato, resultante da proposta, é cláusula obrigatório do contrato administrativo, que é público.

Então, pergunta-se, o que impede que se apure a extrapolação do orçamento? Cadê a dificultação ao controle? Cadê o preço sigiloso?

12.6.11

Eduardo Galeano, soberbo como sempre!

Galeano: O mundo está dividido entre os indignos e os indignados

Confira a íntegra da entrevista concedida por Eduardo Galeano ao programa Singulars, de TV3, no dia 23 de maio. Ali, ele conta as suas impressões ao se deparar com a Espanha dos "Indignados" e fala sobre a crise do sistema econômico e político institucional.

Por Redação [05.06.2011 10h30]
Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida por Eduardo Galeano ao programa Singulars, de TV3, no dia 23 de maio. Ali, ele conta as suas impressões ao se deparar com a Espanha dos "Indignados", fala sobre a crise do sistema econômico e político institucional e também comenta a respeito de futebol. Sobre as manifestações, ele acredita que "são os invisíveis se fazendo visíveis, e os que pareciam mudos fazendo-se escutar. E estão dizendo aquilo que têm que dizer. E neste mundo em que todos falam sem dizer, eles dizem dizendo."
Eduardo, você chega e encontra as praças cheias de gente gritando “outra democracia é possível!”. Que te parece?
Eduardo Galeano – Me parece uma experiência estupenda. A verdade é que foi muito emocionante, para mim, estar entre essas pessoas quando cheguei a Madrid e recuperar esta energia, este entusiasmo. Esta vitamina “E” de entusiasmo, que às vezes parecia perdida neste mundo que nos convida ao desânimo. Então acho que é uma experiência estupenda, e segue sendo, e a palavra entusiasmo é uma palavra linda, de origem grega, que significa “ter os deuses aqui dentro”. E isto foi o que senti quando perambulava entre as pessoas na Puerta del Sol.
“Nos tiraram a justiça, e nos deixaram a lei.” Esta é uma das frases que você pode ler na Puerta del Sol. Que lei nos deixaram, senhor Galeano?
Galeano – A lei do mais forte. É esta lei que rege hoje o mundo, dentro de cada país e entre os países também, e é uma lei insuportável. Parece hoje que os jovens vêm crescendo em matéria de desobediência contra esta lei que os condena à resignação, à aceitação do mundo tal qual é. E hoje há na América Latina toda, ou quase toda, um problema visível e preocupante que é o divórcio, a separação – eu diria que é um divórcio – entre os jovens, as novas gerações, e o sistema político e o de partidos vigente. Eu não reduziria a política às atividades dos partidos, porque a política vai muito além. Mas, sim, me preocupa que, por exemplo, nas últimas eleições chilenas dois milhões de jovens não tenham votado. E não votaram porque não se deram ao trabalho de se registrar e porque, no fundo, não creem nisto. Suponho que, principalmente, por não acreditarem nisto. E me parece que isto não é culpa dos jovens, é muito fácil culpá-los, mas a questão vem de cima, está concentrada no topo, e a estes não importa nada de nada. E também nesse sentido gostei de estar nas manifestações, pelo menos na da Puerta del Sol que foi onde pude estar.
Clique aqui para ler a íntegra da entrevista.


Fonte: Revista Fórum

31.5.11

SBT Brasil, mais um telejornal conservador e requenguela

Faz algum tempo prometi a mim mesmo não dar ouvidos ao noticiário da TV, mas, confesso, me deixei seduzir pela vistosa propaganda de mais uma investida do SBT pelo jornalismo. Realmente sou reincidente, também acreditei que eles fariam um bom jornalismo quando contrataram a Ana Paula Padrão.
Pois bem, enquanto preparava a janta sintonizei a TV da cozinha no SBT.
Lá estavam Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade. Na página de apresentação do telejornal está escrito: “Liberdade editorial e credibilidade, fatores para o exercício de um jornalismo claro e transparente, são os alicerces que formam o compromisso do SBT com a notícia e a análise profunda dos fatos.”. Não é animador?
Pois é! A primeira notícia que assisti dizia respeito ao livro de Português que ensina “a falar errado”. A Globo deitou e rolou sobre o tema. Na tentativa de linchamento do ministro Haddad valeu até o Zorra Total, aquele humorístico que não faz ninguém rir.
A matéria até que foi honesta. Deu a palavra ao ministro no bate boca com o senador Álvaro Dias.
Um repórter explicou didaticamente o que o livro apresenta, entrevistou uma professora, daquelas que está na sala de aula trabalhando com educação de adultos, que demonstrou a validade da teoria que o tal livro apresenta.
Aliás, leia aqui o texto que escrevi sobre o tema.
A coisa foi bem, até o momento que a loirinha Rachel Sheherazade comentou a matéria. Aí a coisa desandou completamente.
Disse que o MEC distribuiu livros com doutrinação ideológica, que ensinam a falar errado e ainda distribuí um kit-gay de quebra!
Não é possível! Os caras requentam notícias de alguns anos atrás – o caso da doutrinação ideológica – e manipulam descaradamente!
Melhoria seria uma novelinha mexicana nesse horário.
Clique na imagem e veja a matéria:

28.5.11

Kraftwerk

Anos Rebeldes: a ditadura na telinha da TV

Anos Rebeldes: a ditadura na TV a cabo

Leio agora no IG que a minissérie Anos Rebeldes será apresentada no canal Viva. Ótimo! Bom ver a ditadura nas telas (clique aqui para ler a matéria todinha).
Gostei muito desta minissérie, embora o “romance” tenha prevalecido na trama, e, às vezes dava a ideia que tudo era uma fantasia.
A qualidade técnica e dramática da série global salta aos olhos, principalmente se comparada com a produção do SBT – Amor e Revolução – atualmente no ar que trata do mesmo tempo.
O time de atores da Globo é espetacular. A estréia da Bety Lago foi sensacional e a Cláudia Abreu interpretando Heloísa foi espetacular.
Na época fiquei incomodado com a suavidade do tratamento aos temas que tanto nos marcaram: censura, papel da Igreja e, principalmente, a tortura e a morte de ativistas de esquerda.
A trama do Thiago Santiago – do SBT – leva vantagem ao expor de forma clara e inequívoca a selvageria dos gorilas fardados, mas perde para a trama global tanto em qualidade “técnica”, quanto dramática.
Naquele período me perguntava quais eram os interesses da Globo em apresentar tal minissérie. Nunca descobri. Talvez fosse para posar de democrática ou qualificar-se junto ao público mais intelectualizado.
Abaixo algumas cenas para recordar:

15.5.11

Curta a norma culta, mas com parcimônia!

Neste final de semana estive com alguns amigos, comemorando o aniversário de duas belas mocinhas: Letícia e Mariana.
Mas, como acontece com todos aqueles que abraçam o magistério com paixão, lá pelas tantas embarcamos, alguns dos convivas, numa animada discussão sobre tema educacional. O ponto de partida foi uma matéria que saiu no Jornal Nacional sobre um livro didático de Português.
Segundo uma das convivas do animado churrasco, o JN mostrou que o MEC aprovou um livro que ensina nossas crianças a falar errado.
Como não havia assistido a dita matéria, manifestei-me da seguinte forma: “prefiro ler a obra, não acredito nas notícias veiculadas pela grande mídia e muito menos acho possível formar juízo sobre as coisas a partir de textos de alguns minutos”.
Aproveitei este final de domingo para pesquisar sobre o tema.
O vídeo da matéria está aqui.
O portal IG tem algumas notícias sobre o tema. Leia aqui uma matéria com uma das autoras, aqui outra acompanhada pela nota oficial do MEC e aqui um blog hospedado no IG, mas com viés condenatório à obra.

Meu entendimento do que li até agora: um livro dedicado ao ensino de jovens e adultos (e não crianças) dedica um capítulo a língua falada nas ruas, fábricas, lojas, escolas etc. Tem como objetivo acolher os alunos que perderam o passo da escolarização formal, mostrando que a maneira de se fazer é válida no ambiente escolar, mas não naqueles de exames formais, busca de emprego etc. Não se trata, portanto de ensinar crianças a falar errado, mas sim de dizer a jovens e adultos que eles não precisam se envergonhar da forma como se expressam, isso não lhes pode cassar a cidadania e o direito à livre expressão das suas opiniões.
A edição do Jornal Nacional é de má fé, não diz claramente que o livro destina-se a educação de jovens e adultos. Também não diz que o tema é tratado em um único capítulo do livro e que tem por objetivo acolher os jovens e adultos que perderam o “tempo certo” de escolaridade.
Os autores do livro recomendem que não sejam usados os termos “certo” ou “errado” para qualificar o texto dos alunos, mas sim “adequado” ou “inadequado”. Qual o problema?
Para não ser acusado de estar jogando fora da minha posição – afinal sou professor de Geografia e não de Língua Portuguesa – recomendo a leitura dos textos do Sírio Possenti, particularmente Implicâncias, no Terra Magazine.
Da minha parte fico incomodado quando leio um texto jornalístico – ou ouço um profissional com formação universitária – escrevendo com erros grosseiros. Defendo ainda o ensino da Língua Portuguesa até o último ano da Universidade.
Mas não podemos transformar o domínio da norma culta em mais um instrumento de dominação e opressão!

21.4.11

Taiguara

Gostaria muito que as novas gerações conhecessem Taiguara, mas sua música não toca no rádio, para a mídia é como se os dois estivessem mortos.
Vale visitar a página www.taiguara.com.
A qualidade do som não é grande coisa, a imagem também não, mas o conteúdo vale ouro!

20.4.11

FHC abre a boca e só fala besteira

Nesta semana FHC voltou à ribalta. Espaço o tal sociólogo sempre tem com a grande mídia. Dentre muitas baboseiras escreveu que seu partido deveria preocupa-se apenas com os "homens bons", deixando os pobres de lado. Só faltou defender a volta do voto censitário!
Cláudio Lembor, um liberal conservador e lúcido escreveu um belo texto no Terra Magazine.
Confiram abaixo a íntegra do texto:

Palavras mal proferidas

Cláudio Lembo
De São Paulo

A última semana foi farta em acontecimentos político-partidários. Lançamento de novo partido. Finalização por Comissão do Senado de parecer sobre a Reforma Política. Só estes fatos bastariam para preencher a pauta de todos os veículos informativos. Houve mais, porém. As lideranças políticas - vivas e mumificadas - disseram o que queriam e ouviram o que não queriam.
Um texto político é muito diverso de um trabalho acadêmico. Neste as idéias devem jorrar sem qualquer limite. É a criação. Indica, por vezes, novos caminhos. Abre perspectivas. Novas veredas para o conhecimento.
O documento político, por seu turno, deve receber forte cuidado de seu autor. Com suas idéias ele está envolvendo toda a militância de sua agremiação e pode ferir sensibilidades da sociedade.
É, pois, imperdoável para o líder político equivocar-se nas palavras ou escrever descuidadamente. No mínimo demonstra profunda soberba e total desrespeito a seus pares. Muitos são os temas na sociologia contemporânea suportados em aspectos político-partidários das sociedades democráticas. Grandes espaços do mundo - dentre eles a América Latina - conheceram a plenitude das práticas democráticas há menos de cinqüenta anos.
Ingressar em terminologia chula para se referir ao conjunto do coletivo eleitoral é barbarizar as instituições e desrespeitar a cada eleitor em particular. Não há, na nossa legislação, o voto censitário. Aquele que dividia o eleitorado de conformidade com sua capacidade contributiva ou os bens que possuía.
A República adotou o voto universal, abandonando as velhas práticas da monarquia. Todo eleitor conta com um voto de igual peso ao de todos os demais eleitores. No momento atual, paira no ar uma vontade de retorno ao passado por parte de alguns políticos. Um divide o eleitorado de conformidade com visões elitistas.
Outros desejam retomar ao sistema de lista fechada. Este perdurou durante o Império e se transformou em instrumento de extinção das oposições. A situação tornou-se tão insustentável que, em determinado momento, D.Pedro II resolveu por instituir listas incompletas. Desta forma, permitia-se a eleição de representantes oposicionistas.
Apesar da experiência existente na História eleitoral pátria, alguns dos atuais legisladores parecem desconhecer o passado ou não se preocupar com os exemplos recolhidos por nossos antepassados.
Quando os tenentes de 1930 chamaram Assis Brasil para elaborar o novo Código Eleitoral, examinaram todos os contextos da sociedade e só depois editaram o novo diploma legal. A sociedade alterou-se profundamente nestes últimos oitenta anos, mas os princípios reformistas dos revolucionários daquela época mostram-se capazes de recolher as grandes mutações sociais.
Inseriram, por exemplo, na legislação nacional o voto feminino. Na época, era conquista que atingia a poucas mulheres. No entanto, hoje, qualquer estudioso de temas eleitorais, sabe que o voto da mulher é essencial para a conquista de vitórias eleitorais. Neste longo intervalo de tempo, aconteceu a Revolução Tecnológica. Basta aproximá-la da Revolução Industrial e se captarão todas as novas situações surgidas ou por surgir.
A Revolução Industrial destronou a burguesia e deu espaço aos trabalhadores. Permitiu a concepção de partidos socialistas e o surgimento do comunismo. Hoje, a Revolução Tecnológica contém elementos ainda mais explosivos no espaço social. Deverá levar a individualismo sem precedentes na História. Fragilizara as religiões tradicionais. Conduzirá a um hedonismo acentuado.
Tudo isto leva a um mundo novo, onde alguns constatam a crise dos intelectuais e das velhas elites. Esgotaram-se as formas clássicas de fazer política. Não há espaço para príncipes expor - sem censura - suas opiniões. Todos somos iguais nesta grande aurora. As palavras, em sua forma clássica, encontram-se no ocaso

Respeito é bom...

Esta vaga não é sua nem por um minuto from Bruno Siqueira (malha) on Vimeo.

17.4.11

Aprendendo com exemplos

Dentre os educadores sempre discutimos a questão do aprendizado por meio de exemplos.
Essa pedagogia é elementar, está associada ao desenvolvimento do indivíduo e não somente a escolarização. 
É fundamental para ensinar valores como ética, honestidade, respeito ao coletivo etc.
Por isso é essencial que os pais forneçam exemplos decentes às crianças, assim como as figuras públicas -  como professores, artistas, atletas de renome ou políticos - devem fornecer esses exemplos a toda a sociedade.
Isso deve ocorrer sem causar prejuízo a individualidade e a privacidade dessas pessoas públicas.
Por isso é de causar estranheza a atitude do senador Aécio Neves que negou-se a fazer o teste do bafômetro, conforme noticiado pela imprensa no dia de hoje - clique aqui para ver a notícia.
Além de negar-se a dar provas do cumprimento da lei, ou seja, provar que não havia ingerido álcool além da conta, o senador estava dirigindo com sua habilitação vencida.
Sabemos que tais desobediências são comuns no nosso país, são fatos do cotidiano dos policiais e fiscais de trânsito, mas não se espera isso de um senador que acaba de lançar-se como principal baluarte da oposição ao governo Dilma.

8.4.11

Rose Nogueira

No capítulo de ontem da novela Amor e Revolução - SBT - o depoimento final coube a jornalista Rose Nogueira.
Emocionante e de causar muita revolta.
Sobre Rose Nogueira recomendo também a leitura de um excelente artigo no Blog Escrevinhador, de autoria do Rodrigo Vianna, contando a história dela na Folha da Tarde - que ela cita no início do depoimento que foi ao ar ontem.
Clique aqui para ler o artigo.

7.4.11

Amor e Revolução

Fato incomum aqui neste blog: vou elogiar uma novela!
Estreou na terça-feira no SBT a novela Amor e Revolução. Pela primeira vez a TV apresenta ao grande público uma novela com a temática envolvendo a ditadura militar de 1964. É verdade que a Globo apresentou Anos Rebeldes nos anos 1990, mas não era novela.
Nos dois primeiros capítulos o excesso de didatismo atrapalhou o ritmo da trama. Ou isso ou os atores jovens não estão habituados a linguagem televisiva.
A ficção acompanhada de momentos dramáticos da quartelada - como o incêndio criminoso da sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) no Rio de Janeiro -, tem a missão de mostrar um pouco deste momento triste da nossa história.
Gostei muito dos depoimentos finais, como faz Benedito Ruy Barbosa nas suas tramas globais. O primeiro de autoria da Amélia Telles foi impressionante. O de ontem à noite foi mais intenso ainda, com relatos horripilantes.
Espero que essa trama seja bem sucedida.
Abaixo os vídeos dos dois depoimentos iniciais:

28.3.11

Precisamos nos reencontrar com a verdade

Aproxima-se o dia 01.04! Mais um aniversário do golpe cívico-militar que colapsou a nação!
Alguns dizem que foi no dia 31.03, mas isso é desculpa, foi só pra não pagar mico. O golpe mesmo - a quartelada respaldada pela grande mídia, pela igreja católica conservadora, empresários de vários naipes - aconteceu num autêntico 1º de abril!
Não foi uma mentira! Doeu em muita gente! Muitos tiveram a coragem e a honradez de travar o bom combate, entregando suas vidas por um ideal!
Tortura, mortes, silêncios e muito choro. Isso foi o que sobrou para quem ousou enfrentar os bandidos fardados!
Bandidos sim! Afinal é desse jeito que devemos chamar quem desrespeita as leis e eles as desrespeitaram, até criaram outras para fingir que tudo era legal, mas rasgaram a Constituição, aniquilaram o sistema jurídico, acabaram com o direito a defesa e o habeas corpus, censuraram, torturaram e assassinaram.
Destes, a meu ver, o crime mais covarde é a tortura. Não dá direito a defesa, não tem limites, senão o sadismo do torturador. Quebra a vítima, por dentro e por fora, as cicatrizes são para sempre, até a hora da morte.
Precisamos ter a coragem dos nossos vizinhos argentinos, uruguaios e chilenos e apurar todos os crimes, localizar todos os corpos e deixar claro que a tortura e o assassinato não é crime tolerado, em nenhuma circunstância.
Não estou pedindo que se julguem as mortes em combate, essas tem seu grau de legitimidade, de um lado e do outro, mas quero no cárcere, sem honras, sem farda ou pensão, todos aqueles que torturaram e mataram sob tortura.
Já basta de fingir que a ditadura não aconteceu!
Já basta de anistiar moralmente esses criminosos!
Só assim faremos com que tal tragédia jamais se repita!
Abaixo a ditadura!

26.3.11

A Educação em São Paulo continua mal

O modo tucano de governar prevalece em São Paulo faz tempo!
Parece que a implantação do sistema de “bônus por produtividade” para os professores da rede pública não deu certo.
A nota do IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo), uma espécie de "nota" da educação do Estado, continua ladeira abaixo em todos os segmentos de ensino.
O Ensino Médio, por exemplo, tirou 1,8 numa escala de 0 a dez, nota que não seria suficiente para deixá-lo em recuperação na grande maioria das escolas privadas, ou seja, reprovação direta como os alunos costumam dizer.
As receitas que as cabeças neoliberais criaram só fazem água e água ruim de beber, de péssima qualidade.
Se minha memória não me traí, esse descaminho foi seriamente impulsionado pela secretária de educação do Governo Covas conhecida por Rose Neubauer, mas de nome Terezinha Roserlei.
A tal aprovação automática, a responsabilização dos professores pelo desempenho ruim dos alunos, a precariedade dos recursos em sala de aula, enfim, ocorreu um grande sucateamento da escola e um enorme desprezo pelo conhecimento, prevalecendo apenas a ideia de produtividade, como se escolas fossem fábricas e a sala de aula apenas uma linha de montagem.
Foi nessa época que o governo curvou-se às políticas “deseducacionais” patrocinadas pelos financiamentos do Banco Mundial.
O liberalismo campeava solto, com uma pitadinha de discurso nacionalista aqui e outra acolá, mas nossa elite concordava com o papel que nos atribuía a divisão Norte-Sul: fornecedores de mão-de-obra, mas com qualificação suficiente para não quebrarmos a maquinaria moderna e capacitados a aprender com a leitura dos manuais!
Clique aqui e aqui para ler mais sobre a brilhante nota que o estado mais rico da federação tirou na prova que ele mesmo inventou.
Pior do que os resultados das avaliações – municipais, estaduais e federais – é a inércia diante deles. Parece até, segundo me disse um amigo, que os gênios pensadores da educação brasileira brincam com as probabilidades: quantas avaliações precisarão ser aplicadas para que, em pelo menos uma, a nota seja satisfatória?
Não observamos mudanças de fato que possam levar a mudanças significativas neste quadro. A formação dos professores continua sendo cada dia mais precária, a profissão desvalorizada com salários aviltantes, gestões ineficientes, quando não catastróficas, condições de trabalho inadequadas e um papel secundário, de figurantes, reservado às famílias.
A sociedade deve tomar para si a responsabilidade pela construção de um sistema educacional que vise eliminar as injustiças e desigualdades, além de preparar o jovem para o mundo, tanto o da cidadania quanto o do trabalho.
Não podemos confiar um setor tão sério para a construção do nosso país ao sabor dos ventos político-partidários. 
Educação é uma questão de Estado e não de governo, portanto a sociedade tem que tomar em suas mãos a construção de um projeto sério, duradouro e competente!

Viagem ao centro da Terra

O Estadão apresentou uma matéria muito bacana no caderno de Ciências sobre a viabilidade de explorar o centro da Terra. Clique aqui para lê-la.
Veja abaixo o infográfico sobre o tema (clique sobre a imagem para ampliá-la):

Organizando a bagunça

Bom dia!
Guarulhos amanheceu com muito sol e eu já estou trabalhando, planejando as aulas da semana!
O trabalho está intenso, até pegar o ritmo é assim mesmo, ainda mais com provas, simulados etc. e tal.
Agora tentarei reorganizar minha presença no Blog com mais assiduidade, afinal esta é uma tarefa que faço com imenso prazer, serve inclusive como atividade de lazer.

4.3.11

Tragédias no RJ: a natureza é a maior culpada?

Segue o brilhante texto do amigo Edilson A. da Silva. Está publicado no site da CartaCapital, é só clicar aqui para conferir o original.
A análise é perfeita! Já havia caminhado na mesma linha com meus alunos do Colégio Parthenon, logo no início das aulas em fevereiro.
Chamei a atenção deles para a cobertura superficial e sensacionalista da grande mídia.
Alertei os amigos, por meio de um texto recebido pelo twitter, sobre o ocorrido em 1967, na Serra das Araras e em Caraguatatuba.
Além da grande contribuição oferecida pelo amigo devemos ressaltar que a grande mídia, a que arvora formadora de opinião e dona de todas as verdades existentes entre o céu e a Terra, continua perdendo o pouco de credibilidade dia após dia, isso em todos os segmentos da informação.
Boa leitura:


Culpa do homem ou do clima?

Edilson Adão Cândido da Silva

Há quem remeta a tragédia da serra fluminense ao aquecimento global, mas se trata de pura geografia urbana

O Brasil é um país privilegiado no quesito natureza. Por apresentar uma geologia muito antiga com alguns terrenos que datam ainda do período arqueozoico e rochas com mais de 3 bilhões de anos, o País praticamente está isento de grandes sismos e, consequentemente, das catástrofes tectônicas. Pelo mesmo motivo há ausência de vulcões ativos. Os temidos furacões que tanta destruição provocam são fenômenos oriundos de águas oceânicas com temperaturas acima de 26,5 graus, mas da América tropical centro-setentrional; não ocorrem no Sul, área mais sujeita a ciclones. Os tufões, não menos trágicos, são asiáticos e os tsunamis, tectonismo oceânico, também passam longe da costa brasileira. Isso justifica em parte a expressão “Deus é brasileiro” ou antiga piadinha de que Deus legou tudo ao Brasil e puniu o Japão.
Contudo, quando acontecem movimentos gravitacionais de massa, os deslizamentos, como os ocorridos em janeiro deste ano na região serrana do Rio de Janeiro, alguns repensam a anedota nacional. No entanto, é bom que se diga, não podemos atribuir exclusivamente à natureza os tristes episódios da abertura de 2011. Eles são, sim, um híbrido entre fatores naturais e sociais, mas com um peso bem maior ao segundo via ocupação desordenada em encostas­ com mais de 45 graus. Tampouco convém afirmar categoricamente ser “o maior desastre natural da história brasileira”; ainda não, pois os deslizamentos na Serra das Araras em 1967, levando-se em consideração os corpos desaparecidos pela inviabilidade da busca, somaram 1,4 mil mortos. Até o fechamento desta edição, o número de mortos não chegava a 900.
A geografia explica que a porção oriental do Sudeste brasileiro em grande parte é dominada por aquilo que Aziz Ab’Saber cunhou como domínio morfoclimático dos Mares de Morros e nós, professores, ensinamos que tal designação refere-se a um relevo embasado por um cráton cristalino recoberto pela floresta tropical atlântica em área de domínio tropical úmido, com verões chuvosos e invernos de estiagem. A topografia irregular dessa faixa intertropical foi esculpido por um alto índice pluviométrico que pode chegar a 4 mil milímetros anuais, como ocorre na Serra do Mar. Logo, sabemos das possibilidades de chuvas torrenciais episódicas que a cada ano castigam algum ponto desse domínio brasileiro. 2010 iniciou-se com tragédias em Angra dos Reis e Niterói. Em 2011, o mesmo se repetiu em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Em 2012, lamentamos, dificilmente será diferente.
O natural e o social Parece difícil ao homem entender que a natureza coloca algumas placas de aviso: “Não se aproxime!” O homem ignora, retira a cobertura vegetal, coloca em seu lugar concreto ou deixa o solo desnudado e exposto à ação das chuvas. Feito isso, é só esperar pelo pior.
Deslizamentos e ocupação irregular de encostas não são novidades no Brasil. A presidenta acertou em cheio em afirmar que isso é regra, não exceção. Tragédias relacionadas a essa realidade frequentam o noticiário há décadas. Na leitura daqueles que se debruçam sobre o tema, o problema é bem mais de ordem social e política, mas outros atribuem imediatamente a responsabilidade à natureza tão logo caem as chuvas no verão austral. A interpretação é mais ou menos simples: as tragédias estão ligadas à fortíssima concentração de renda brasileira. Com raras exceções – e as houve nesta tragédia da serra fluminense –, as vítimas normalmente são os pobres. A pergunta é: “O que eles estão fazendo ali?” E a resposta: “Foram empurrados para lá”.
Ousaria afirmar que para nós, geógrafos, os constantes deslizamentos são bem mais uma questão de geografia urbana do que de clima, obviamente, associados. E a conclusão é que não haverá solução se não houver remoção e, a longo prazo, autoridades e sociedade haverão de compreender que sem melhora social o problema se perpetuará. Preocupa-nos particularmente o Novo Código Florestal, que na realidade é um retrocesso ambiental, pois aumentam os riscos ao permitir desmatamento em topos de morros. Será a legalização do caos.­ A ampliação da ocupação das áreas de várzea é outro absurdo do novo código. O nome científico deixa bem claro: várzea de inundação. Pertence ao rio, não a nós. É da natureza fluvial; uma hora ele ocupa!
Nossos colegas historiadores ensinam em suas aulas que, quando da libertação dos escravos, os negros saídos das senzalas iniciaram a ocupação dos morros cariocas, processo que se perpetuou pelos seus descendentes. Portanto, a questão da moradia nas grandes cidades brasileiras está diretamente ligada ao assunto, visto que as migrações internas que provocaram o inchaço urbano foi empurrando para os morros cariocas, paulistas, mineiros etc.

Aquecimento global: vilão conveniente ou ameaça real?
Na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 2010, um dos pontos altos do evento foi o caloroso debate entre aqueles que defendem a importância antropogênica nas mudanças climáticas e os que refutam essa tese. Foram escalados para defender as respectivas posições o físico da USP Paulo Artaxo e o meteorologista, também da USP, Ricardo Felício, cada qual com seus gráficos e tabulações para defender seus respectivos pontos de vista. Longe do linguajar científico, é nítida a preferência pela mídia quanto à primeira perspectiva, especialmente por jornalistas adeptos do estardalhaço em épocas de tragédias, quando de bate-pronto atribuem a responsabilidade das desgraças ambientais ao aquecimento global – ou até ao El Niño, fenômeno ambiental ainda pouco conhecido pela comunidade científica.
O efeito estufa, termo anterior ao atual, mas com o mesmo significado, é um processo natural e necessário à Terra. Contudo, com o advento da sociedade industrial a partir do fim do século XIX, a emissão de gases poluentes como o CO2 (gás carbônico) ou CH4, (gás metano) aumentou em proporções alarmantes. Muitos cientistas atribuem a esse aumento de incidência o aquecimento do planeta que, segundo eles, poderá elevar a temperatura da Terra para entre 2 e 3 graus, o que é muito. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta para essa direção: 90% das alterações climáticas são causadas pelo homem e apenas 10% são naturais. Dentro dessa tônica, a humanidade está alterando o clima do planeta. E essa interferência vai mexer com a dinâmica atmosférica global, trazendo consequências drásticas como o derretimento das calotas polares, aumento de furacões e desertificação em pontos localizados, enchentes etc.
Contudo, essa perspectiva não é unânime na comunidade científica. Há aqueles que defendem a tese de que o homem não tem capacidade para alterar o clima da Terra e outros ainda que advoguem, inclusive, a tese do resfriamento global – estaríamos adentrando em uma nova glaciação. Um dos estudiosos dessa linha de raciocínio (contra a antropogenia) é o professor Luiz Carlos Molion, cientista da área de climatologia.
Totalmente cético à difusão do aquecimento global antropogênico, Molion afirma que a quantidade de gases emitida pela sociedade industrial é irrisória para alterar o clima, especialmente se comparado ao que a vegetação e os oceanos emitem. Outro ponto aventado pelo pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de Berlim (Alemanha) é a necessidade praticamente irreversível de demanda energética; há muito discurso sobre a redução do consumo de energia, mas ela só se fará aumentar nos anos vindouros.
Outros corroboram a opinião de que há uma questão ideológica naquilo que classificam como “pseudoaquecimento” global e que tal difusão serviria aos interesses dos países ricos, inviabilizando o desenvolvimento de outros, com um particular embate entre Estados Unidos e China, o primeiro com as boas condições de vida de sua população já garantida, enquanto o segundo, ainda por construir. Seria uma espécie de “ecoterrorismo” para inviabilizar o desenvolvimento de países pobres. Com a inegável consolidação de uma sociedade de consumo mundial, é difícil discordar de que a Terra não aguentará tal tendência. Logo, nessa visão, a melhor forma de preservar o planeta é a não proliferação do consumo, o que esconde uma menção ideológica muito clara: quem garantiu, garantiu! “Não proliferação” não significa reverter o que já está posto.
Destarte o necessário embate científico sobre a real inferência do homem no clima, a verdade é que, independentemente do veredicto, o clima é cíclico e as tragédias verificadas este ano independem totalmente do aquecimento global. É sabido desde sempre pelos climatologistas (defensores ou não do aquecimento global) que o clima de um lugar só se define a longuíssimo prazo. Um ano pode ou não ter chuvas torrenciais, pode ou não ter estiagem. Logo, em regime de clima tropical úmido os aguaceiros eventuais são mais que naturais. Essas chuvas torrenciais já ocorreram antes, hoje e sempre voltarão.

Que delícia de samba!

Alguém me passou essa dica pelo twitter, como a memória não tá ajudando não poderei dar o crédito:

1.3.11

Todo poder aos conselhos escolares!

Em conversas com amigos educadores tenho insistido num ponto: a população não conhece os conselhos de escola!
O governo federal deveria investir numa publicidade agressiva para divulgá-los, isso é de suma importância para melhoria da escola pública.
Hoje o portal Terra publicou excelente matéria sobre o tema:

População desconhece os bem avaliados Conselhos Escolares

O Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que 71% da população brasileira desconhece a existência dos Conselhos Escolares. Por outro lado, 91% dos que afirmaram saber da existência deles reconhecem que são importantes ou muito importantes para a fiscalização e aplicação dos recursos financeiros das escolas.
Os Conselhos Escolares são grupos constituídos por representantes de pais, estudantes, professores, demais servidores da escola e membros da comunidade local. Eles têm a função de acompanhar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da escola.
Segundo dados do Instituto Nacional de estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os alunos matriculados em escolas com Conselhos Escolares têm mostrado um desempenho médio superior em relação aos alunos de escolas sem conselhos.
De acordo com a pesquisa do Sips, além dos 91% que afirmam que os conselhos são importantes na gestão financeira, entre os que disseram conhecer a existência desses grupos também houve 94% de pessoas que consideraram os conselhos importantes no acompanhamento de questões pedagógicas.
Na questão de acompanhamento do rendimento escolar dos alunos, porém, houve menos aprovação por parte dos respondentes. Entre os entrevistados, 54,2% disseram que o desempenho é bom nesta função - 30,5% afirmaram ser regular e 15,2%, ruim.
Segundo o estudo, "o fraco vínculo que os respondentes observam em relação à contribuição dos conselhos escolares para o rendimento dos alunos pode ser explicado pela baixa percepção da ligação direta que há entre a boa gestão da escola e o rendimento particular de cada aluno".

Programa do Livro Didático
Entre os entrevistados, cerca de 68% também disseram desconhecer o Programa do Livro Didático. Mas entre os que disseram que conhecem o programa, as avaliações positivas predominaram.
Quanto à quantidade de livros distribuídos, 59,9% das mulheres disseram achar suficiente, número que cai para 48,3% entre os homens - houve também número expressivo de homens que considerou pouca, 42,9%.
A conservação dos exemplares é vista como boa para 52% das mulheres e 49,7% dos homens. O conteúdo e os métodos foram avaliados muito bem tanto por mulheres como por homens - 67,4% e 60,1%, respectivamente, acham bons.
A qualidade da encadernação também foi bem: entre as mulheres, 68,9% acham boa, e entre os homens, a avaliação positiva é de 62,7%.
Até 2002, só alunos do ensino fundamental recebiam os livros didáticos. A partir de então, o programa foi ampliada gradativamente, passando a atender os alunos do ensino médio.
A pesquisa também perguntou sobre o futuro do programa, e 64% dos entrevistaram opinaram que deveria ser ampliado.

Pesquisa
Segundo o Ipea, a pesquisa foi feita com a aplicação de um questionário de 21 questões objetivas para 2.773 pessoas, em suas residências, em todo o País, no período de 3 a 19 de novembro de 2010. A amostra foi definida por cotas, tendo como parâmetro a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os entrevistado responderam a perguntas sobre a qualidade de educação pública no Brasil independentemente de frequentarem a escola ou serem responsáveis por alunos.
A pesquisa também não delimitou um período de comparação.

Fonte: Terra Educação