15.5.12

Mapa Social

O site Repórter Brasil preparou um material de excelente qualidade chamado de Mapa Social. Leiam abaixo a apresentação do trabalho:



Mapa Social: uma outra referência sobre a realidade

Mapas são úteis não apenas diante do desconhecido, mas também revelam novas e distintas facetas mesmo em contextos aparentemente familiares. Como ferramentas de orientação, não precisam, no nosso entender, se limitar à descrição das características físicas e materiais de uma área determinada. Podem, portanto, assumir um significado muito mais amplo, abarcando componentes sociais relacionados aos seres humanos que fazem parte das cartografias.
Abundam os exemplos de “guias” feitos a partir do ponto de vista dos “vencedores”, os quais encontram facilidade para disseminar a sua versão sobre os fatos. As reportagens que se seguem – e o conjunto de dados, estatísticas e infográficos que as acompanham – procuram levar em conta aquelas e aqueles que enfrentam um cotidiano de restrições e permanecem às margens dos processos do sistema desigual e excludente. São pessoas e grupos desfavorecidos, tidos como “empecilhos” ou como “efeitos colaterais” do “progresso” da gigante nação adormecida.
Esta edição inaugural, que está sendo apresentada em maio de 2012, pretende ser a primeira de muitas. Enquanto outros panoramas e balanços sobre o cenário nacional se esmeram em enfatizar as benesses do capital por meio do louvor a empreendimentos econômico-financeiro-empresariais –, este Mapa Social assume modestamente o intento de ampliar a perspectiva da sociedade acerca dos impactos do badalado “crescimento” na vida dos “perdedores”.
Segue-se aqui a linhagem de jornalismo e pesquisa que já se tornou marca dos trabalhos da Repórter Brasil, apresentando grandes reportagens – uma por cada região – baseadas em incursões e apurações de campo, complementadas e repercutidas junto às instituições, companhias e personagens envolvidos.
Ancorada na presença in loco da nossa equipe em todas as regiões brasileiras, o conteúdo é composto de textos, vídeos e fotos, em depoimentos e registros obtidos a partir das vivências e das trocas com as pessoas que encontramos nas respectivas localidades.
São enfocadas as temáticas trabalhista, agrária, socioambiental e dos direitos humanos – com especial destaque para as abordagens relacionadas ao trabalho escravo e a outras formas ilegais de exploração da mão de obra – sempre tendo como referência a problematização do modelo de desenvolvimento dominante no Brasil.
O projeto traz ainda infográficos produzidos a partir da colaboração de parceiros e apoiadores. São instituições que desenvolvem trabalhos de excelência em suas respectivas áreas de atuação e que acreditaram e colaboraram com a iniciativa do início ao fim.
As parcerias são uma prova da relevância de iniciativas de caráter compartilhado, mas também consistem em um reconhecimento de que o Brasil não deve ser “medido” apenas pelo tamanho e crescimento da sua economia, mas também pelo investimento na produção de conhecimento livre e crítico e, principalmente, na valorização de sua gente.

Clique aqui para ter acesso ao trabalho completo.

1.5.12

Uma longa viagem

Filme com pré-estréia no Memorial da Resistência de São Paulo, veja notícias clicando aqui.

Em virtude da limitação de vagas, os interessados deverão retirar a senha com 30 minutos de antecedência.  
PROGRAMA
05/05 - Sábado
14h: Exibição do filme Uma Longa Viagem
15h30: Debate com a diretora do filme Lúcia Murat e o ator Caio Blat
Mediação: Kátia Felipini Neves (Coordenadora do Memorial da Resistência de São Paulo)



O filme - sinopse

A história de três irmãos, com a linha dramática dada pela história do caçula, que vai para Londres em 1969, enviado pela família para não entrar na luta armada contra a ditadura no Brasil, seguindo os passos da irmã. Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, ele escreve cartas. Contrapondo-se à entrevista e às cartas, os comentários em off da irmã, presa política que virou cineasta e viaja pelo mundo, num processo inverso ao do irmão que, de viajante livre, foi obrigado a enfrentar diversos problemas. Um documentário que trabalha sobre a memória, não só pela forma como é feita a investigação, mas também sobre o motivo do filme: a morte do terceiro irmão.
Fonte: Taiga Filmes

21.4.12

Nova revista de humor na praça


A revista Veja conseguiu se superar! Só pode ser brincadeira essa capa! Resolveram nivelar-se com o CQC e Casseta e Planeta; agora não jogam mais no time das semanais, logo terão programa na Globo, com direito a piadas racistas, sexistas e imbecilidades correlatas.
A credibilidade da revista há muito foi para o brejo, pelo menos para as pessoas que conseguem pensar com certa autonomia.
Descrédito, envolvimento com o banditismo, manipulação eleitoral...
Como ela ainda consegue tantos e incautos leitores?


13.4.12

Cadê a reforma agrária?

Votei na Dilma em 2010, assim como votei em Lula em 2002 e 2006. Ante as alternativas colocadas não havia outra possibilidade, mesmo por que, ao contrário de alguns companheiros da esquerda, eu não acredito na história do "quanto pior melhor".
Isso não impede que eu desenvolva uma visão crítica quanto ao governo de Dilma, assim como o fiz com os governos de Lula.
Quanto a este último, minhas maiores queixas eram quanto a Reforma Agrária e ao atraso nas reformas da educação. Apesar de considerar a gestão do ex-ministro Haddad como razoável, a demora e as falhas apresentadas foram bem intensas.e de difícil compreensão.
Já no governo Dilma as críticas continuam. Aproveito para reproduzir abaixo parte de uma excelente matéria feita pelo jornal Brasil de Fato:

E a reforma agrária, presidenta Dilma

O acesso a terra por camponeses no Brasil pouco avançou no primeiro ano do governo de Dilma Rousseff (PT). Dados oficiais do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) revelam que a presidenta conquistou em 2011 a pior marca dos últimos dezessete anos, contrariando a expectativa dos movimentos sociais do campo. Não bastasse isso, Dilma está bem atrás do que Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram no primeiro ano de seus respectivos governos. Em 2011, 22.021 famílias conquistaram lotes em assentamentos, o que representa 51% da marca de FHC em 1995, quando 42.912 foram assentadas. Já em relação ao governo de seu antecessor, Dilma atingiu 61% do resultado de Lula, que em 2003 assentou outras 36.301 famílias. 

Para ler o texto na íntegra basta clicar aqui

9.4.12

Serra só tem espaço em São Paulo

O José Serra perde espaço a cada dia que passa, pasmem, dentro do seu próprio partido. Parece que sua sobrevivência política está condicionada à prefeitura de São Paulo, única concessão que lhe parece acenar o governador Geraldo Alckmin.
Na últimas presidenciais, quando perdeu mais uma vez para o PT e seus aliados, Serra deixou muitas arestas por aparar, fez inimigos dentro e fora do seu partido e abraçou a direita sem nenhum pudor. Hoje é um dos seus principais porta-vozes.
No plano nacional o livro A Privataria Tucana (clique aqui se você quer o pdf do livro) cuidou de bater o último prego no seu caixão político. Só mesmo o povo paulistano para lhe dar crédito e força eleitoral.
Vejam aqui o comentário de hoje do Bob Fernandes no Jornal da Gazeta, apontando a estratégia do Aécio Neves, grande opositor do Serra dentro do PSDB:

8.4.12

Que belezura de texto!

Nesta semana me bateu uma saudade doida e doída das montanhas de Minas Gerais e dos meus amigos lá de Varginha, cidade onde vivi minha adolescência e início da idade adulta.
Meu primo, Marcelo Mascarenhas me mandou via facebook bela canção do Lô Borges e do Toninho Horta:

Ao abrir o site da CartaCapital, faz alguns minutos, me deparei com esse texto:

‘Apesar da censura e opressão, éramos felizes’

por Beatriz Mendes

Quando a ditadura foi instaurada no Brasil, Márcio Borges, o segundo filho de uma grande família de 11 músicos, era ainda um menino. Em 1964, aos 18 anos de idade, ainda não escrevia versos para as composições de Milton Nascimento. Aliás, nem mesmo as próprias músicas existiam: “Bituca” – apelido de Milton na época – estava em um curso pré-vestibular, estudando para tentar uma vaga no curso de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais.
Na esquina da Rua Divinópolis com a Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, não havia clube algum. Sem saber que poucos anos mais tarde seria o responsável pelas estrofes de clássicos como Clube da Esquina, Um girassol da cor de seu cabelo e Os Povos, Márcio Borges preenchia seus dias com uma quantidade considerável de idas ao cinema, batidas de limão, conversas infinitas com amigos pelos corredores do Edifício Levy – prédio onde morava com pais e irmãos – e o cotidiano da Escola Estadual Central. No mesmo período, lá também estudava a hoje presidenta Dilma Rousseff.
Dilma e Márcio nunca foram da mesma classe. Os dois se conheceram por amigos em comum do colégio estadual. Na época, a instituição era um pólo político e cultural da capital mineira – por lá também passaram os irmãos Henfil, Toninho Horta, Fernando Pimentel entre outras figuras célebres da história do Brasil – como Getúlio Vargas, Fernando Sabino e ex-jogador Tostão. “Todo mundo que estudava no Central era engajado com causas sociais, com a política, fazíamos oposição à ditadura. Foi lá que se consolidou o movimento estudantil da cidade”, conta Márcio Borges.

Clique aqui e leia essa delícia de texto até o fim.

De volta!

Agora é de verdade! Pretendo voltar a alimentar o blog com frequência justa, pelo menos uma vez por semana.
Assunto é o que não falta!
Um dos donos da moral, ética e dos bons costumes está atrás das grades. Faltam alguns outros é verdade, mas este primeiro nos causa um senso de justiça enorme.
Melhor ainda saber que junto com ele a revista asquerosa do Grupo Abril vai junto no embrulho.
As máscaras começam a cair, precisamos saber da velocidade dessa queda.

25.3.12

Racismo ambiental - higienismo

Essa dica recebi do amigo Prof. Ronaldo Mathias, via Facebook.
É uma matéria muito interessante, ainda mais para os meus aluninhos e aluninhas da 2ª Série do Ensino Médio, já que conversamos sobre higienismo por estes dias.

Brasília – A Constituição Federal estabelece que a assistência social deve ser prestada a quem necessite. Ainda assim, segundo servidores públicos do Distrito Federal, a atenção básica e a humanização do atendimento a moradores de rua enfrenta a oposição de muitas pessoas que não reconhecem em quem mora na rua um cidadão, detentor de direitos, entre eles, o de receber a devida atenção do Estado.
Ouvidos pela Agência Brasil, representantes das secretarias de Saúde e de Segurança Pública do Distrito Federal, além do presidente do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Michel Platini, afirmaram que o preconceito, o desconhecimento da realidade e o medo levam muitos a verem os moradores de rua apenas como uma ameaça ou um transtorno. E a exigir do Estado soluções imediatas para um problema social complexo. Para os três, os crimes contra moradores de rua de todo o país, que chegaram ao conhecimento da imprensa e da sociedade nos últimos dias, são apenas “a ponta de um iceberg”.

Caso queira ler a matéria na íntegra é só clicar no título dela.

17.3.12

Chegar aos 50

Meio século! Jamais pensei em chegar a essa marca e cá estou, mas com corpinho de 49 e meio, como diz compadre Sérgio.
Neste ano estabeleci metas severas para navegar no pós-50.
As primeiras foram atingidas, faltam agora aquelas que tratam da saúde, portanto as mais difíceis.
Perder peso é essencial. Reconheço que perdi uns 500 kg ao longo da vida, mas eles teimam em voltar.
Para isso preciso parar de comer pudim. Uma alternativa seria exterminar a cozinheira de uma das unidades da escola. A mulher tem mãos divinas para os doces! É só lembrar e começo a salivar. Tentarei fazê-lo sem adentrar o mundo do crime.
Outro sacrilégio: afastar-me do pão e da batata, duas iguarias sensacionais, só comparáveis a um pouco de feijão misturado com macarrão, gelados é claro.
A nutricionista que me aguarde, serei um freguês contumaz!
Depois preciso controlar a maldita da diabete, isso sim é um 13º trabalho. Pena que o Hércules não o fez, senão pegaria a receita.
Também preciso ser mais assíduo com os amigos, eles me fazem uma falta danada. Farei um grande esforço para tomar uma cerveja sem álcool, só pelo prazer da companhia deles.
Organizar o escritório é coisa para julho, mas não entro o segundo semestre sem ele organizado e pronto para produzir. Escrever, mesmo essas bobagens com as quais torturo meus dois ou três leitores, higieniza minha alma e renova minhas energias para o cotidiano.
Então o blog receberá minha atenção com disciplina e constância, mas preciso contar uma história muito bonita, da minha família, que vale um livro, nem que seja para o deleite de alguns poucos parentes e amigos.

É assim que a gente se renova aos 50: pensando nos próximos 50.

23.2.12

Boa música...

Bateu uma baita nostalgia...

Paulo Henrique Amorim racista? Claro que não...

Paulo Henrique Amorim fez um acordo na justiça para encerrar um processo que o Heraldo Pereira, jornalista da Globo, lhe movia em razão de ter sido chamado de "negro de alma branca" por PHA.
Quem domínio básico da língua portuguesa sabe o significado da expressão. Quer dizer que o "negro" em tela não se reconhece como tal, preferindo alinhar-se aos brancos, inclusive com posturas subservientes.
Sobre o ocorrido o jornalista Leandro Fortes, um dos melhores textos da imprensa brasileira, fez o texto que reproduzo abaixo:


Racista é a PQP, não PHA!


Paulo Henrique Amorim, assim como eu e muitos blogueiros e jornalistas brasileiros, nos empenhamos há muito tempo numa guerra sem trégua a combater o racismo, a homofobia e a injustiça social no Brasil. Fazemos isso com as poderosas armas que nos couberam, a internet, a blogosfera, as redes sociais. Foi por meio de pessoas como PHA, lá no início desse processo de abertura da internet, que o brasileiro descobriu que poderia, finalmente, quebrar o monopólio da informação mantido, por décadas a fio, pelos poderosos grupos de comunicação que ainda tanto fazem políticos e autoridades do governo se urinar nas calças. PHA consolidou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) e muitos outros com humor, inteligência e sarcasmo, características cada vez mais raras entre os jornalistas brasileiros. Tem sido ele que, diuturnamente, denuncia essa farsa que é a democracia racial no Brasil, farsa burlesca exposta em obras como o livro “Não somos racistas”, do jornalista Ali Kamel, da TV Globo.

Por isso, classificar Paulo Henrique Amorim de racista vai além de qualquer piada de mau gosto. É, por assim dizer, a inversão absoluta de valores e opiniões que tem como base a interpretação rasa de um acordo judicial, e não uma condenação. Como se fosse possível condenar PHA por racismo a partir de outra acusação, esta, feita por ele, e coberta de fel: a de que Heraldo Pereira, repórter da TV Globo, é um “negro de alma branca”.

O termo é pejorativo, disso não há dúvida. Mas nada tem a ver com racismo. A expressão “negro de alma branca”, por mais cruel que possa ser, é a expressão, justamente, do anti-racismo, é a expressão angustiada de muitos que militam nos movimentos negros contra aqueles pares que, ao longo dos séculos, têm abaixado a cabeça aos desmandos das elites brancas que os espancaram, violentaram e humilharam. O “negro de alma branca” é o negro que renega sua cor, sua raça, em nome dessa falsa democracia racial tão cara a quem dela usufrui. É o negro que se finge de branco para branco ser, mas que nunca será, não neste Brasil de agora, não nesta nação ainda dominada por essa elite abominável, iletrada e predatória – e branca. O “negro de alma branca” é o negro que foge de si mesmo na esperança de ser aceito onde jamais será. Quem finge não saber disso, finge também que não há racismo no Brasil.

Recentemente, fui chamado de racista por um idiota do PCdoB, partido do qual sou, eventualmente, eleitor, e onde tenho muitos amigos. Meu crime foi lembrar ao mundo que o vereador Netinho de Paula, pagodeiro recentemente convertido ao marxismo, havia espancado a esposa, em tempos recentes. E que havia dado um soco na cara do repórter Vesgo, do Pânico na TV. Assim como PHA agora, fui vítima de uma tentativa primária de psicologia reversa cujo objetivo era o de anular a questão essencial da discussão: a de que Netinho de Paula era um espancador, não um negro, informação esta que sequer citei no meu texto, por absolutamente irrelevante. Da mesma forma, Paulo Henrique Amorim se referiu a Heraldo Pereira como negro não para desmerecer-lhe a cor e a raça, mas para opinar sobre aquilo que lhe pareceu um defeito: o de que o repórter da TV Globo tinha “a alma branca”, ou seja, vivia alheio às necessidades e lutas dos demais negros do país, como se da elite branca fosse.

Não concordo com a expressão usada por PHA. Mas não posso deixar de me posicionar nesse momento em que um jornalista militante contra o racismo é acusado, levianamente, de ser racista, apenas porque se viu na obrigação de fazer um acordo judicial ruim. Não houve crime, sequer insinuação, de racismo nessa pendenga. Porque se pode falar muita coisa sobre Paulo Henrique Amorim, menos, definitivamente, que ele é racista. Qualquer outra interpretação é falsa ou movida por ma fé e vingança pessoal de quem passou a ser obrigado, desde o surgimento do blog “Conversa Afiada”, a conviver com a crítica e os textos adoravelmente sacanas desse grande jornalista brasileiro.

30.1.12

Ainda existe emoção

Tenho certeza de que 2012 não será o fim do ano, mas, às vezes, parece que tem uma galera que quer fazer um ensaio de fim de mundo.
A desocupação do Pinheirinho - em São José dos Campos - foi um exemplo desses ensaios.
Abaixo uma matéria da Record News.
Impossível não se emocionar.

26.1.12

Presidenta Dilma se solidariza com vítimas do Rio de Janeiro

Hoje no Blog do Planalto foi publicada a seguinte nota:

Presidenta Dilma manifesta solidariedade às vítimas de desabamento no Rio

A presidenta Dilma Rousseff manifestou solidariedade à população do Rio de Janeiro e aos familiares das vítimas do desabamento de três prédios do centro da capital fluminense. Em Porto Alegre, a presidenta afirmou que está em contato com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.
“Eu tenho certeza que a população gaúcha se une a mim para se solidarizar com a população carioca. Eu acompanhei no dia de hoje com o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral todo o esforço que o município e o estado estão fazendo e transmiti a eles meus sentimentos e a esperança de que as pessoas sejam encontradas com vida.”
Seria muito pedir à presidenta que ele fizesse algo semelhante com relação a desocupação do Pinheirinho em SJC? 
Uma ação ilegítima dos jagunços PMs, autorizada por juízes mentecaptos e comandados pelo fascista que governa o Estado, não foi condenada como deveria! 
Isso significa apoio? É concordância ou omissão?
Pobres perderam suas moradias e seus pertences, foram agredidos e humilhados por homens armados.
Nenhuma palavra da presidenta Dilma! Isso me decepciona muito!

24.1.12

Pinheirinho: revolta e impotência

Fonte: G1

Fazia tempo que um episódio não despertava tantos sentimentos confusos como este do Pinheirinho.
Falta-me clareza para refletir, mas sobra dor para um desabafo.
É como se a tal desocupação coroasse a tragédia social na qual se transformou o governo do estado de São Paulo, um verdadeiro Tucanistão, como escreveu alguém no tuiter outro dia.
Outros estados de federação experimentaram alternância dos partidos na condução dos seus governos, menos São Paulo. É o mesmo grupo desde 1982, com algumas dissidências.
E não se trata de pragmatismo, mas sim de uma violência gratuita, de um desprezo pelos pobres e pelos indefesos que nos faz lembrar a ditadura militar.
É pura ideologia: defesa intransigente da propriedade privada, mesmo quando o proprietário é um notório salafrário, apoio a especulação imobiliária, enfim, NEOLIBERLISMO a toda prova!
São vários episódios, que marcam essa estratégia de castração da palavra e do pensamento.
Na USP começou pelo processo de escolha do Adolf Rodas e culminou com a ocupação policial do campus.
A limpeza da cracolândia mistura o desastre estadual com o municipal. Temendo uma ação do governo federal, adiantaram-se num show de violência, incompetência e desumanidade sem par.
Agora o Pinheirinho, em São José dos Campos.
O executivo, tanto o estadual como o municipal, aliado ao judiciário fez de um bairro pobre um lugar de terror e medo.
Não vou aqui contar a história, parte da imprensa o fez com competência.
Clique aqui para sentir um pouco do que foi o domingo de sangue de São José dos Campos. Aqui um brilhante texto do Rodrigo Martins, mostrando que o despacho do judiciário paulista orientava para o enfrentamento com a Polícia Federal. Aqui você pode ler um pouco da “justificativa” para a reintegração do Pinheirinho. Mais um pouco da história pode ser lida aqui.
Protegida pelos acordos entre executivo e judiciário a PM mostrou toda a sua selvageria. Bateu à vontade. Censurou a imprensa. Segregou e marcou com fitas azuis os moradores, talvez lição aprendida com os nazistas nos guetos da 2ª Guerra Mundial.
Abaixo links para alguns vídeos sobre o episódio:
Não sei como posso contribuir para que tais coisas não aconteçam. 
Não sei o que fazer neste instante. Isso me entristece e exaspera.

17.1.12

Posso ser do contra?

Saiu um artigo no site da CartaCapital – leia aqui – criticando aqueles que criticam o BBB. É uma peça um tanto quanto sacripanta, pois embola e empacota coisas diferentes na mesma embalagem.
A crítica ao clichê é correta, nisso o texto está coberto de razão.
Às vezes, a forma como a crítica ao BBB“n” é feita lembra-me o machismo dos anos 70, quando os homens desancavam as novelas, mas sempre davam uma boa espiada. Ou quando a classe média nutria grande desprezo - com certo verniz intelectual - pela programação da TV, mas estava sempre por dentro de tudo, alegando que via, de soslaio, na TV da empregada.
Eu também não gosto de clichês, mas não suporto modismos e pouco apreço tenho pelas peças da TV aberta. Quanto aos shows "realísticos", começados com a Casa dos Artistas no SBT do Sílvio Santos, meu desprezo é maior ainda.
Não consigo compreender de onde vem a satisfação das pessoas, algumas até com boas doses de inteligência, em apreciar a vida dos outros, ainda mais uma vida encenada, coreografada e bizarra na maioria das vezes. E ainda tem gente que paga por isso nos canais de TVs fechados.
Talvez a psicanálise explique. Ou não.
Podem me chamar de chato, mas passo ao largo das discussões sobre isso, uma vez que já me manifestei com veemência contra esta merda, pouco me importa se houve estupros, bebedeiras ou bacanais.
Não assisto. Meu filho, na minha casa, não assiste.
Outro dia, respondendo a uma onda de reclamações no tuiter e facebook sobre o tema, sugeri alguns sites para baixar filmes de excelente qualidade. Assim as pessoas podem ocupar melhor o seu tempo e, ao mesmo tempo, evitar importunar as pessoas adeptas de nova modalidade de voyeurismo.
Se levarmos o texto de autoria do Matheus Pichonelli ao pé da letra, deveremos, a partir de agora, seguir todas as ondas, guiarmo-nos pelo rumo da boiada. Gostar de MPB não é bacana, bacana mesmo é curtir Michel Teló ou Restart. Frida Kahlo deve ser renegada como o diabo, talvez trocada por uma popozuda da hora.
Para o meu gosto pessoal a TV deveria cumprir outro papel, principalmente num país tão grande como o nosso e tão desconhecido da maioria de nós. A minha TV ideal teria pouco espaço para enlatados, mesmo que produzidos aqui, teria muita educação, música e dramaturgia, espaços para manifestações regionais, além de estimular a participação política e auxiliar nos cuidados com a saúde da população.
Por outro lado, as pessoas têm o direito de assistir, ler, ouvir o que bem entenderem, mesmo que seja a coroação da futilidade e da imbecilidade, desde que preservem o direito dos outros a opção diversa, mesmo que essa opção seja um Chico Buarque, Tarsila do Amaral ou Hitchcock.

13.1.12

Cais - Elis Regina

Ela é perfeita como intérprete. Sua voz vai até a alma, emociona, lava, leva aos céus. A música brasileira é muito rica em vozes femininas. Mas Elis Regina é soberba!

18.11.11

Vazamento no RJ: Chevron é a responsável

A mídia começou a se manifestar ontem sobre esse vazamento, se fosse a Petrobras já teria uma galera produzindo marchas com vassouras e outros fazendo vídeo do tipo "Gota de óleo"...

1.11.11

Maria Inês: Guia de boas maneiras na política e no jornalismo

Segue um brilhante texto da Maria Inês Nassif, abordando o tratamento que Lula recebeu de parte da imprensa e de seus adversários políticos, quando da divulgação do câncer que o afeta.
Fiquei entristecido com comentários, principalmente no Facebook, de ex-alunos, pessoas com elevado nível de escolarização, partidarizando a doença. Lamentável!
Fiquem com o texto:

Maria Inês: Guia de boas maneiras na política e no jornalismo
do Vermelho.org.br

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.

Por Maria Inês Nassif, em Carta Maior

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.
A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.
Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.
A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.
A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.
A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião têm a obrigação de disseminar esses valores.
A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.
No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.
* Maria Inês Nassif é colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=167668&id_secao=1

23.10.11

Caco Barcelos e o bom jornalismo

Caco Barcelos é genial! Ele não combina com a Globo, sempre que posso vejo Profissão Repórter. Vejam a aula de jornalismo que ele dá num programa da Globo News:

14.10.11

Não suporto o horário de verão

Inferno!
Santo desconforto! Será que isso compensa mesmo?
Tenho minhas dúvidas quanto à eficácia dessa mudança de horário.
Segundo li no portal Terra (é só clicar aqui para ler também), o horário de verão pode reduzir a produtividade, além de causar outros males, a depender do indivíduo. Alguém já mediu o custo disso?
Segundo nos informa a Wikipédia a ideia brilhante foi de Benjamin Franklin em 1784, mas não conseguiu convencer ninguém da utilidade da proposta – ressalte-se que nem mesmo existia luz elétrica.
Já a Divisão Serviço de Hora nos diz que a ideia foi do britânico William Willett em 1907.
Com todo respeito a ambos, deveriam ter ficado quietos!
Ainda segundo a mesma fonte, o primeiro país a usar do artifício foi a Alemanha durante a 1ª Guerra Mundial, tendo em seguida espalhado a “moda” para a Europa.
No Brasil o horário de verão foi utilizado pela primeira vez em 1931 e, pasmem, aplicado em todo o território nacional, mesmo naquela vasta porção que fica próxima a linha do Equador, portanto com ótima iluminação solar durante todo o ano.
Os defensores desse horário dos domínios das trevas usam argumentos como estes:
- 1% de economia de energia
- EUA e Europa também se utilizam
- redução significativa de consumo no horário de pico
Então por partes:
- será que os prejuízos (produtividade, acidentes de trânsitos, transtornos de saúde etc.) não são maiores do que este 1%?
- EUA e Europa estão fora da Zona Intertropical, portanto a diferença de insolação é substancialmente maior do que no nosso país, tal comparação não se justifica.
- se assim é, então por que não mudamos os horários dos diversos setores de atividade urbana, como comércio, banco, indústria etc., fazendo com haja um “descongestionamento” do tal horário de pico? Isso para sempre, e não apenas no horário de verão.
Eu não suporto tal mudança. Mais de um mês para entrar no ritmo novo e, assim que me acostumo, já está na hora de voltar ao ritmo antigo!
Além do tal horário de verão começar em plena primavera...

PS: esse texto foi publicado em 18.10.09.

11.10.11

Liberdade de expressão: valor inquestionável para o exercício da cidadania

Vagarosamente vamos-nos acostumando a democracia.
Um valor inquestionável para as práticas democráticas – e, principalmente, para o exercício da plena cidadania – é a liberdade de expressão.
Na Constituição de 1988 está escrito (Dos Direitos e Garantias Fundamentais – CAPÍTULO I – DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS):
“IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
Hoje presenciamos na mídia uma série de questionamentos quanto aos limites para esta liberdade – impostos por lei ou exigidos por parcela da sociedade para as tais liberdades.
No tocante a questão legal salta aos olhos o impedimento imposto ao jornal O Estado de São Paulo de mencionar as investigações que envolvem a família Sarney. De maneira equivocada o jornal trata o episódio como censura. É uma restrição jurídica.
Com relação às manifestações da sociedade sobre tais limites temos dois casos que considero emblemáticos: o episódio envolvendo Rafinha Bastos e a regulamentação da mídia.
Vamos tratá-los separadamente.
Rafinha Bastos, integrante da trupe que executa o tal stand up comedy – e tratam disso como se tivessem inventado a roda – foi extremamente grosseiro num comentário sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo (clique aqui para ver e ouvir a preciosidade). Aliás, foi apenas mais uma grosseria, dentre as várias outras cometidas por este moço, seja em rede nacional, no programa de TV ou nos seus shows. Piadas de cunho nazifacistóide são comuns no seu repertório.
Só que desta vez ele mexeu com a “minoria” errada: ricos e famosos com poder comercial na TV.
Marcus Buaiz, marido de Wanessa e sócio do Ronaldo Fenômeno, intercedeu junto à emissora de TV que emprega o boçal. Até o momento a notícia que corre é que ele se encontra afastado do programa.
Observem que o afastamento não se dá por conta da piada de mau gosto cometida pelo infante, mas sim pelo alvo que ele escolheu. Tal alvo tem poder de fogo na mídia e por isso o escarcéu.
Programas de TV como o CQC me irritam profundamente. Ora são humoristas, fazendo piadas, ora são jornalistas trabalhando com informação. A versão varia de acordo com a conveniência.
Por essas e outras, se faz necessário uma regulamentação para o funcionamento da mídia. Não é censura, é limite para o poder que a mídia tem, de maneira a garantir justiça e equidade no tratamento dos indivíduos em todos os órgãos de imprensa.
Os dispositivos constitucionais não foram suficientemente regulamentados, permanecem várias lacunas.
Basta lembrar o caso da Escola Base em São Paulo. Vidas foram destruídas, reputações destroçadas e negado o direito ao trabalho a partir da ação inconseqüente de uma autoridade – um delegado – e a divulgação feita pela TV, Rádio, Jornal e Revistas, do episódio. Para recordar o fato clique aqui.
Poderia listar vários outros exemplos, inclusive no campo da manipulação política, como foi o caso da edição do debate entre Collor e Lula na TV Globo nas eleições de 1989. Clique aqui para lembrar.
Ou ainda os artigos que pipocaram na mídia – com particular destaque para a Folha de S.Paulo e a sua colunista Eliane Catanhede – anunciando bombasticamente uma epidemia de febre amarela no país e sugerindo que as pessoas corressem ao posto de saúde mais próximo para se vacinar. Leia aqui sobre isso.
A punição no primeiro caso – Escola Base – demorou décadas. Os envolvidos pagam caro até hoje pela irresponsabilidade da mídia nativa.
Não vou nem falar da revista Veja, mas vejam aqui capas “brilhantes” desta semanal, que transforma mentira e fofoca em jornalismo.
Precisamos de intervenções legais para garantir a isonomia na liberdade de expressão, além de fazer com que descalabros como estes mencionados sejam seriamente apenados, inclusive com indenizações pesadíssimas, similares aquelas praticadas na imprensa europeia ou estadunidense.
Devem ser punidos os veículos e os executores, os profissionais não podem ficar impunes, alegando estrito cumprimento do dever e respeito à hierarquia. Tal argumento não colou nos tribunais argentinos, quando os oficiais de baixa patente tentaram usá-lo para safar-se das punições pelos crimes cometidos na ditadura.

3.10.11

Nosso racismo quer ser suave

Caros amigos e amigas – que acompanham meus textos e indicações de leituras – peço-lhes licença para republicar aqui uma postagem copiada do Vi o Mundo, que buscou no blog Maria Frô. Ela é imensa para os padrões blogueiros, mas necessário que assim seja.
Ainda hoje conversava com um grupo de alunos da 2ª Série do EM sobre a política de cotas e outras políticas afirmativas.
Falei-lhes sobre autores que cometem livros para “provar” que não existe racismo no Brasil.
Nosso racismo é mais dissimulado do que o dos outros, mas mata!
Leiam o que segue e digam-me se não é para sentirmos vergonha!



As duas mortes do Toni

Por João Negrão, especial para o Maria Frô, no blog da Conceição Oliveira

26/09/2011

Quarta-feira, 21 de setembro de 2011, 19 horas, em Jackson, capital do estado da Geórgia, Estados Unidos, Troy Davis, um negro de 42 anos, recebeu a dose letal que o levaria à morte. Condenado por assassinato, Troy Davis deitou-se na maca para receber as injeções repetindo a mesma frase de 22 anos antes, quando foi preso e condenado: “Sou inocente”.
Quinta-feira, 22 de setembro de 2011, por volta das 23 horas, em Cuiabá, capital do estado de Mato Grosso, Brasil, Tony Bernardo da Silva, um negro de 27 anos, africano de Guiné-Bissau, estudante de Economia da Universidade Federal, recebeu um pontapé na traquéia e morreu. O golpe culmina uma sessão de socos e pontapés desferidos por dois policiais e um empresário que duraria em torno de 15 minutos.
Impossível não traçar um paralelo entre as duas mortes.
A primeira foi uma condenação legal, nos moldes da justiça norte-americana, que todos conhecemos, empenhada a condenar negros, ainda que, como é o caso de Troy, haja evidências de inocência. Inclusive depoimento de outro preso assumindo a autoria do crime atribuído a ele. Em vão: Troy não recebeu perdão, não teve a clemência do governador da Geórgia e muito menos direito a recurso na Suprema Corte, dado às evidências de sua inocência.
Difícil não imaginar que se trata de mais um caso de racismo como os que pontuam a crueldade do sistema jurídico e a sociedade racista dos Estados Unidos, especialmente nos estados sulistas como a Geórgia.
Como é difícil não suspeitar que o caso do Toni foi uma expressão pura e cabal de racismo.
Uma condenação prévia: um negro que adentra a uma pizzaria freqüentada por rapagões e moçoilas de classe média alta de Cuiabá, num bairro idem, embora predominantemente de repúblicas estudantis (o Boa Esperança fica ao lado do campus da UFMT) é um bandido. E ainda mais se este negro acidentalmente esbarra na namorada de um desses fregueses.
Afinal, aquele não é um lugar para negros. Pior ainda. Que atrevimento! Um negro que deveria estar na senzala não pode adentrar a uma casa grande dos pequenos burgueses e tocar a mulher branca do sinhozinho.
Então, eis seu crime. E está decretada a pena de morte. Não se sabe se os policiais e o empresário (sinhozinho) estavam armados. Se estivessem teriam desferido vários tiros?  Tenho dúvida. Não sei se não preferiram mesmo usar como instrumentos de execução os socos e pontapés. Afinal, esta na moda uma das marcas da intolerância: matar a porradas negros, homossexuais e todos que esses “bad boys” não toleram por serem diferentes deles, supostamente bem nascidos, bem nutridos e crentes da impunidade. E com um ingrediente macabro: eles se divertem.  E não raras vezes filmam e jogam em suas redes sociais.
Seguindo o mesmo “modelito” que a imprensa em geral aplica a esses casos, todos ciosos a dar voz e vez aos assassinos da elite, tentam desqualificar o morto. Versões diversas surgem por todos lados dando conta que ele tinha passagens pela polícia, era drogado, perdeu a vaga no convênio da UFMT e outras informações nefastas. Como sempre trabalham com meias-verdades, com deturpações dos fatos e a omissão de outros.
Essas versões são disseminadas por advogados e familiares dos assassinos, que encontram voz em veículos de comunicação que, deliberadamente ou não, as propagam sem questionar o contexto da vida do Toni e os depoimentos de amigos, colegas e ex-namorada, todos, unanimemente, testemunhando sua conduta passível e respeitadora.
É compreensível que os advogados e familiares tomem tal atitude. Mas não justifica a postura dos representantes da Universidade Federal de Mato Grosso, que qualificaram o Toni como um indivíduo de má conduta.
O setor da UFMT responsável pelo convênio entre o governo brasileiro e os governos dos países africanos de língua portuguesa, que permitem jovens daqueles países estudarem no Brasil, sempre foi omisso e racista com esses estudantes. Poderia desfilar aqui uma série de descasos, dificuldades criadas e declarações preconceituosas. Não é o caso agora.
Por enquanto fica o registro de que o Toni sempre buscou desesperadamente lutar contra o vício do crack e encontrou pouco apoio na UFMT. Seus amigos se mobilizaram, igualmente seus colegas e professores. Mas a instituição se agarrou na burocracia. Por ele não conseguir mais freqüentar as aulas, o desligaram do convênio, pura e simplesmente. E ficou por isso. Contudo não pouparam declarações cruéis, insensíveis e até irresponsáveis na imprensa.
Esta é a mesma instituição que ignora que drogas como o crack estão se proliferando dentro e na periferia do campus da UFMT do Boa Esperança. Foi ali mesmo que o Toni se viciou. Nas imediações da república em que ele morava, assim como nos corredores da UFMT, a droga e traficantes transitam livremente. Que providência a instituição tem tomado acerca disso? Prefere tapar os olhos e ajudar a condenar seus jovens alunos.
Foi-se o tempo em que o romantismo e a rebeldia de fumar um baseado faziam parte do cotidiano universitário. Agora o ambiente universitário é um dos mercados de drogas pesadas, assim como seu entorno. E a tragédia do crack, a pior delas, bate à porta de todos nós. Meus amigos e colegas, muitos deles vivendo esse drama familiar, sabem do que estou dizendo. Acompanhei esses dramas quando morava ainda em Cuiabá.
Eu mesmo o vivo bem de perto. Tenho um irmão que vive a perambular pelas ruas de Goiânia se consumindo pelo crack. Gilmar, um dos sete filhos adotivos de minha mãe, era um rapaz trabalhador desde criança. Estudou, casou, formou família. Suas três filhas e esposa não agüentaram viver aquela tragédia e o abandonaram. Desde então passou a viver nas cracolândias do bairro Vila Nova, na capital de Goiás.
Minha mãe, já com seus 74 anos e morando agora em Goiânia, acompanha seu infortúnio e, dentro de suas limitações, nos mobiliza a todos para tentar salvá-lo.
O Toni tentou sobreviver. Poucos meses antes de voltar para Brasília, o recebi na minha casa, a qual ele freqüentava com os demais estudantes guineenses. Minha mulher era amiga dele, chegaram de Guiné-Bissau juntos. Ele para curso Economia e ela, Publicidade. Éramos capazes de deixar nossa casa aberta para ele, junto com meus filhos. O Toni não era um bandido. Repito: era uma pessoa amável e respeitadora.
Naquela tarde fria de julho e Cuiabá melancólica devido à carência de seu sol escaldante, o Toni chegou desesperado. Primeiro pediu dinheiro emprestado. Depois, muito envergonhado, chorou no nosso colo. Pediu ajuda, implorou para que afastássemos aquela sua vontade incontrolável de querer consumir a droga. Então começamos a mobilizar os amigos, colegas e seus professores. Ele necessitava de tratamento para poder concluir os estudos e voltar para o seu país.
Dois meses depois voltei para Brasília. Mas acompanhamos daqui a vida do Toni. Ficamos sabendo que ele havia ido para o tratamento. Depois fomos informados que havia vendido tudo que tinha e foi obrigado a entregar toda a sua bolsa de estudos para os traficantes. Quando perdeu a bolsa, foi para a rua mendigar. Foi num desses momentos que entrou na pizzaria naquela noite do dia 22 de setembro.
O Toni é filho de uma família de classe média alta em Guiné-Bissau. Seu pai é agrônomo e possui uma pequena fazenda. Idealista, sempre quis que os filhos tivessem boa formação para ajudarem no desenvolvimento do país. Tem irmãos que estudam ou estudaram na França, Inglaterra e Portugal. Parte da família fez carreira nas forças armadas, onde um tio seu é um dos comandantes.
Certa vez o Toni foi flagrado pela polícia em Cuiabá carregando um botijão de gás que ganhou de um dos colegas, pois o seu ele havia vendido para comprar crack. A polícia o abordou, o levou preso, apesar de afirmar que o objeto era dele. Passou o dia inteiro na delegacia, jogado numa sala e só saiu de lá depois que acionou a Polícia Federal, jurisdição da qual estão os estudantes africanos.
Aqui abro um parêntese. Não foram poucas as vezes que a UFMT acionou a Polícia Federal para perseguir os estudantes africanos que, por um motivo ou outro, não estavam freqüentando aulas ou haviam formado e ainda estavam no Brasil tentando pós-graduações ou empregos.
Setores da imprensa de Cuiabá, motivados por advogados e familiares dos assassinos, utilizam este caso do botijão, entre outros sem gravidade, para propagar que o Toni tinha passagens pela polícia. Como se a tal “passagem” fosse uma sentença de morte.
Antes de continuar, peço licença para contar duas histórias:
Em 1980, um rapaz que faria 20 anos dali a poucas semanas, cursava Agrimensura na antiga Escola Técnica Federal de Goiás e fazia estágio numa cidade a 20 quilômetros de Goiânia. Numa tarde, como fazia todos os dias, entrou às 17 horas no ônibus que o levaria de volta para casa, quando dois policiais o abordaram, algemaram, jogaram no camburão e levaram para a delegacia. Lavraram um boletim e mal ouviram a versão do rapaz. Em seguida, para fazê-lo confessar que havia feito um assalto, os policiais deram-lhe tapas nos ouvidos, murros, beliscões no nariz, nas orelhas, cascudos e ameaçaram quebrar seus dedos com um alicate e queimá-lo com cigarros.
As sevícias duram até que um dos policiais sugeriu ao delegado que o rapaz fosse levado para que a vítima identificasse o assaltante. Àquela altura a cidade inteira já sabia da prisão. Ao chegar à casa da senhora assaltada, de onde foram levados um televisor, aparelho de som e uma bicicleta do filho, o carro da polícia encontrou uma multidão que queria linchar o “bandido”. Os policiais com dificuldade abriram um corredor para a mulher chegar até o carro. Quando ela olhou pelo pára-brisa foi logo dizendo: “Não, não é este. O ladrão é branco!”.
Em 2004, um homem de 44 anos foi abordado pela polícia próximo à sua casa. Estranhou o fato de os policiais o obrigarem a ficar ao lado da viatura, longe do seu carro. Então um dos policiais faz uma rápida revista e aparece com um revolver e um pacote do que seriam drogas. Imediatamente o homem protesta, denuncia a “plantação” e só não vai preso porque estava com a identificação de secretário-adjunto de Comunicação Social do governo de Mato Grosso e ameaçou denunciar os policiais, que imediatamente fugiram do local.
O homem e o rapaz de 24 anos antes é a mesma pessoa: eu. Poderia aqui contar outras várias histórias de arbitrariedades e prisões às quais fui submetido.  Por ser negro, tido como ladrão, drogado e traficante, tive passagens pela polícia. Infelizmente aquela piadinha infame que de vez em quando ouvimos por aí  é de fato uma máxima entre policiais: “Preto parado é suspeito, correndo é ladrão”.
Quantas passagens pela polícia justificam uma morte?
Mereceria eu morrer por ter cometido o crime de ter nascido negro?
Mereceria eu morrer pelo crime de provocar aos policiais a sanha assassina de quem ainda nos vê como escravos, como sub-raça, como seres desprezíveis?
Mereceria eu morrer porque há cinco séculos retiraram meus antepassados da África, jogaram num navio negreiro, atravessaram o Atlântico, os leiloaram, os submeteram a ferro e fogo, os jogaram nos canaviais, minas e fazendas, os subjugaram nas senzalas, colocaram no pelourinho, humilharam, sugaram seus sangues e suores, para depois, com a abolição, os jogarem as ruas como se fossem animais, sem direito a dignidade?
Deveria eu morrer por ser filho de Clarice Laura e José Orozimbo, neto de José e Regina e de Josefa e Pedro Alves, por sua vez netos e filhos de escravos?
Este é meu crime?
Por favor, se é este o meu crime, então que me matem! Mas me matem apenas uma vez. Não façam como estão fazendo com o Toni.
Depois de ser trucidado pelos “bad boys da intolerância”,  Toni corre o risco de ser massacrado, pisoteado, sangrando até a última gota da sua dignidade.

PS: O corpo do Toni ainda está no IML de Cuiabá aguardando resultados de exames pedidos pelo delegado que acompanha o caso e a chegada da família para liberá-lo. Dona Cecília, mãe dele, me informou que um de suas irmãs, que é arquiteta na França, deve vir ao Brasil. A Embaixada de Guiné-Bissau em Brasília também está acompanhando o caso e prestando apoio à família. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, já se manifestou, repudiando o crime e pedindo desculpas à família e aos guineenses. Amigos e compatriotas do Toni estão se mobilizando em Cuiabá e aqui em Brasília, denunciando o assassinato e pedido para que seja tipificado como motivado por racismo.

1.10.11

Wall Street sob ocupação

Amigos e amigas o mundo virou do avesso!
Parte da Europa de pires na mão, pedindo ajuda a países que até bem pouco tempo eram chamados de “terceiro mundo”; os EUA – com um negro na presidência da república – numa crise sem precedentes em sua história e, agora, com Wall Street ocupada por ativistas que pregam valores políticos estranhos às tradições estadunidenses; o Brasil – liderado por uma mulher – dando lições de política e economia aos outros países poderosos do globo.
Chamou-me a atenção o protesto realizado em Wall Street. Buscando leituras que me fizessem compreendê-lo deparei-me com o texto que segue abaixo:

Ocupar Wall Street: o que todos querem saber sobre o movimento

É um coletivo de ativistas, sindicalistas, artistas, estudantes, que se reunira antes na campanha “New Yorkers Against Budget Cuts” [Novaiorquinos contra os cortes no orçamento]. Para muitos norte-americanos, essa ação direta não violenta é a única oportunidade que resta para que tenha alguma voz política. E isso tem de ser levado a sério pelos que ganham a vida na imprensa-empresa. Em artigo sob a forma de uma entrevista, ativista do movimento diz a que ele veio.

Nathan Schneider - The Nation

PERGUNTA: Ouvi dizer que o grupo Adbusters organizou o movimento Occupy Wall Street? Ou os Anonymous? Ou US Day of Rage? Afinal, quem juntou todo mundo lá?

RESPOSTA: Todos esses grupos participaram. Adbusters fez a convocação inicial em meados de julho, e produziu um cartaz muito sexy, com uma bailarina fazendo uma pirueta no lombo da estátua do Grande Touro [ing. Charging Bull], com a polícia antitumultos no fundo. O grupo US Day of Rage, criação da estrategista de Tecnologias da Informação, TI [ing. Information Technologies, IT] Alexa O'Brien, que existe quase exclusivamente na Internet, também se envolveu e fez quase todo o trabalho inicial de encontros e pelo Tweeter. O grupo Anonymous – com suas múltiplas, incontáveis e multiformes máscaras – agregou-se no final de agosto. Mas em campo, em New York, quase todo o planejamento foi feito pelo pessoal envolvido na Assembleia Geral de NYC.
É um coletivo de ativistas, artistas, estudantes, que se reunira antes na campanha “New Yorkers Against Budget Cuts” [Novaiorquinos contra os cortes no orçamento]. Essa coalizão de estudantes e sindicalistas acabou de levantar a ocupação de três semanas perto do City Hall, que recebeu o nome de Bloombergville, na qual protestaram contra os planos do prefeito, de demissões e cortes no orçamento da cidade. Aprenderam muito naquela experiência e estavam ansiosos para repetir a dose, dessa vez em movimento mais ambicioso, aspirando a ter mais impacto. Mas, de fato, não há ninguém, nem grupo nem pessoa, comandando toda a ocupação de Wall Street.

PERGUNTA: Ninguém manda? Ninguém é responsável? Como se tomam as decisões?

RESPOSTA: A própria Assembleia Geral tomou as decisões para a ocupação na Liberty Plaza, apenas alguns quarteirões ao norte de Wall Street. (Ali ficava o Parque Zuccotti, antes de 2006, quando o espaço foi reconstruído pelos proprietários da área, Brookfield Properties, que lhe deram o nome do presidente da empresa, John Zuccotti.) Agora, lá vai; vai soar como jargão. A Assembleia Geral é um coletivo horizontal, anônimo, sem chefia, sistema de consenso autogerido com raízes no pensamento anarquista, muito semelhante às assembleias que têm conduzido vários movimentos sociais em todo o mundo (na Argentina, na Praça Tahrir no Cairo, na Puerta Del Sol em Madrid e em outros pontos). Não é simples trabalhar para gerar consensos novos. É difícil, frustrante e lento. Mas os ocupantes estão usando o tempo e trabalhando sem parar. Quando chegam a algum consenso, o que muitas vezes exige dias e dias de discussões e de tentativas, a sensação de alegria é quase indescritível e inacreditável. Ouvem-se os gritos de alegria por toda a praça. É experiência difícil de descrever, ver-se ali, cercado de centenas de pessoas apaixonadas, empenhadas, rebeladas, criativas e todos em perfeito acordo sobre alguma coisa.

Para ler a matéria na íntegra é só clicar aqui.