8.3.08

Crise na América do Sul

A invasão que a Colômbia promoveu em território equatoriano foi flagrante desrespeito às normas jurídicas internacionais sob qualquer ponto de vista.
A alegação de defesa soa como ofensa a inteligência, por mais mediana que esta seja.
O que quer Uribe?
Parece claro: desmerecer e inviabilizar a mediação que Hugo Chávez promove junto à FARC para a libertação de reféns, mesmo que para isso tenha que sacrificar a vida de Ingrid Betancourt.
Ao atacar o Equador ele cria um fato contra um outro país que não a Venezuela, mas por acaso, aliado de Chávez.
A mídia brasileira, ou grande parte da grande mídia, passa a ecoar os documentos e declarações colombianas, como se fossem a mais absoluta expressão da verdade.
Vale lembrar que, embora isolado dentro da América do Sul, Álvaro Uribe conquistou importante visibilidade interna, inclusive junto à mídia, fato que poderá levá-lo a retumbante vitória política, pois agora tem uma quantidade enorme de informações sobre as FARC e vai liberá-las seletivamente, ao seu gosto e de acordo com suas necessidades.
O que nossa mídia não informa:
- infinidade de crimes cometidos pelo governo, exército e paramilitares (clique
aqui para ler algumas denúncias);
- que Álvaro Uribe já foi acusado pelos EUA de envolvimento com o narcotráfico e com o Cartel de Medellín (clique
aqui para ler);
- o presidente Uribe também se envolveu com os paramilitares de direita da AUC (clique
aqui para saber mais), assim como membros do seu governo (leia aqui).
Penso que este episódio, isoladamente, não apresenta perigo de evoluir para um conflito armado. O recrudescimento das ações da Colômbia em países vizinhos poderá agravar a situação, aumentando esse risco.


Leituras recomendadas:
Uribe e Bush, enfim sós
A história de um massacre (texto imperdível do Le Monde Diplomatique)

3 comentários:

Arthurius Maximus disse...

Suas observações são verdadeiras. Contudo em situações de combate em áreas onde a fronteira não é visível, é comum a invasão de território. existem protocolos internacionais que devem ser seguidos quando isso acontece. O que houve no caso, foi muito mais a exploração política por todos os lados, que buscavam visibilidade interna e externa; posando de "líderes" para seus eleitores.

A maior prova disso, foi o rápido "acerto" que aconteceu entre os "inimigos".

Excelente artigo.

Cássio Augusto disse...

Os Ianques fazem escola... o recém formado é Álvaro Uribe... tirou nota 10,0 na disciplina de Direito Internacional ministrada pelo professor Donald Rumsfeld!!!

Prof Toni disse...

Imagino que o acerto rápido funcionou mais para os holofotes do que para a vida prática, o problema se arrastará por mais tempo com um dado impoderável: o papel dos EUA na crise.