15.5.11

Curta a norma culta, mas com parcimônia!

Neste final de semana estive com alguns amigos, comemorando o aniversário de duas belas mocinhas: Letícia e Mariana.
Mas, como acontece com todos aqueles que abraçam o magistério com paixão, lá pelas tantas embarcamos, alguns dos convivas, numa animada discussão sobre tema educacional. O ponto de partida foi uma matéria que saiu no Jornal Nacional sobre um livro didático de Português.
Segundo uma das convivas do animado churrasco, o JN mostrou que o MEC aprovou um livro que ensina nossas crianças a falar errado.
Como não havia assistido a dita matéria, manifestei-me da seguinte forma: “prefiro ler a obra, não acredito nas notícias veiculadas pela grande mídia e muito menos acho possível formar juízo sobre as coisas a partir de textos de alguns minutos”.
Aproveitei este final de domingo para pesquisar sobre o tema.
O vídeo da matéria está aqui.
O portal IG tem algumas notícias sobre o tema. Leia aqui uma matéria com uma das autoras, aqui outra acompanhada pela nota oficial do MEC e aqui um blog hospedado no IG, mas com viés condenatório à obra.

Meu entendimento do que li até agora: um livro dedicado ao ensino de jovens e adultos (e não crianças) dedica um capítulo a língua falada nas ruas, fábricas, lojas, escolas etc. Tem como objetivo acolher os alunos que perderam o passo da escolarização formal, mostrando que a maneira de se fazer é válida no ambiente escolar, mas não naqueles de exames formais, busca de emprego etc. Não se trata, portanto de ensinar crianças a falar errado, mas sim de dizer a jovens e adultos que eles não precisam se envergonhar da forma como se expressam, isso não lhes pode cassar a cidadania e o direito à livre expressão das suas opiniões.
A edição do Jornal Nacional é de má fé, não diz claramente que o livro destina-se a educação de jovens e adultos. Também não diz que o tema é tratado em um único capítulo do livro e que tem por objetivo acolher os jovens e adultos que perderam o “tempo certo” de escolaridade.
Os autores do livro recomendem que não sejam usados os termos “certo” ou “errado” para qualificar o texto dos alunos, mas sim “adequado” ou “inadequado”. Qual o problema?
Para não ser acusado de estar jogando fora da minha posição – afinal sou professor de Geografia e não de Língua Portuguesa – recomendo a leitura dos textos do Sírio Possenti, particularmente Implicâncias, no Terra Magazine.
Da minha parte fico incomodado quando leio um texto jornalístico – ou ouço um profissional com formação universitária – escrevendo com erros grosseiros. Defendo ainda o ensino da Língua Portuguesa até o último ano da Universidade.
Mas não podemos transformar o domínio da norma culta em mais um instrumento de dominação e opressão!

21.4.11

Taiguara

Gostaria muito que as novas gerações conhecessem Taiguara, mas sua música não toca no rádio, para a mídia é como se os dois estivessem mortos.
Vale visitar a página www.taiguara.com.
A qualidade do som não é grande coisa, a imagem também não, mas o conteúdo vale ouro!

20.4.11

FHC abre a boca e só fala besteira

Nesta semana FHC voltou à ribalta. Espaço o tal sociólogo sempre tem com a grande mídia. Dentre muitas baboseiras escreveu que seu partido deveria preocupa-se apenas com os "homens bons", deixando os pobres de lado. Só faltou defender a volta do voto censitário!
Cláudio Lembor, um liberal conservador e lúcido escreveu um belo texto no Terra Magazine.
Confiram abaixo a íntegra do texto:

Palavras mal proferidas

Cláudio Lembo
De São Paulo

A última semana foi farta em acontecimentos político-partidários. Lançamento de novo partido. Finalização por Comissão do Senado de parecer sobre a Reforma Política. Só estes fatos bastariam para preencher a pauta de todos os veículos informativos. Houve mais, porém. As lideranças políticas - vivas e mumificadas - disseram o que queriam e ouviram o que não queriam.
Um texto político é muito diverso de um trabalho acadêmico. Neste as idéias devem jorrar sem qualquer limite. É a criação. Indica, por vezes, novos caminhos. Abre perspectivas. Novas veredas para o conhecimento.
O documento político, por seu turno, deve receber forte cuidado de seu autor. Com suas idéias ele está envolvendo toda a militância de sua agremiação e pode ferir sensibilidades da sociedade.
É, pois, imperdoável para o líder político equivocar-se nas palavras ou escrever descuidadamente. No mínimo demonstra profunda soberba e total desrespeito a seus pares. Muitos são os temas na sociologia contemporânea suportados em aspectos político-partidários das sociedades democráticas. Grandes espaços do mundo - dentre eles a América Latina - conheceram a plenitude das práticas democráticas há menos de cinqüenta anos.
Ingressar em terminologia chula para se referir ao conjunto do coletivo eleitoral é barbarizar as instituições e desrespeitar a cada eleitor em particular. Não há, na nossa legislação, o voto censitário. Aquele que dividia o eleitorado de conformidade com sua capacidade contributiva ou os bens que possuía.
A República adotou o voto universal, abandonando as velhas práticas da monarquia. Todo eleitor conta com um voto de igual peso ao de todos os demais eleitores. No momento atual, paira no ar uma vontade de retorno ao passado por parte de alguns políticos. Um divide o eleitorado de conformidade com visões elitistas.
Outros desejam retomar ao sistema de lista fechada. Este perdurou durante o Império e se transformou em instrumento de extinção das oposições. A situação tornou-se tão insustentável que, em determinado momento, D.Pedro II resolveu por instituir listas incompletas. Desta forma, permitia-se a eleição de representantes oposicionistas.
Apesar da experiência existente na História eleitoral pátria, alguns dos atuais legisladores parecem desconhecer o passado ou não se preocupar com os exemplos recolhidos por nossos antepassados.
Quando os tenentes de 1930 chamaram Assis Brasil para elaborar o novo Código Eleitoral, examinaram todos os contextos da sociedade e só depois editaram o novo diploma legal. A sociedade alterou-se profundamente nestes últimos oitenta anos, mas os princípios reformistas dos revolucionários daquela época mostram-se capazes de recolher as grandes mutações sociais.
Inseriram, por exemplo, na legislação nacional o voto feminino. Na época, era conquista que atingia a poucas mulheres. No entanto, hoje, qualquer estudioso de temas eleitorais, sabe que o voto da mulher é essencial para a conquista de vitórias eleitorais. Neste longo intervalo de tempo, aconteceu a Revolução Tecnológica. Basta aproximá-la da Revolução Industrial e se captarão todas as novas situações surgidas ou por surgir.
A Revolução Industrial destronou a burguesia e deu espaço aos trabalhadores. Permitiu a concepção de partidos socialistas e o surgimento do comunismo. Hoje, a Revolução Tecnológica contém elementos ainda mais explosivos no espaço social. Deverá levar a individualismo sem precedentes na História. Fragilizara as religiões tradicionais. Conduzirá a um hedonismo acentuado.
Tudo isto leva a um mundo novo, onde alguns constatam a crise dos intelectuais e das velhas elites. Esgotaram-se as formas clássicas de fazer política. Não há espaço para príncipes expor - sem censura - suas opiniões. Todos somos iguais nesta grande aurora. As palavras, em sua forma clássica, encontram-se no ocaso

Respeito é bom...

Esta vaga não é sua nem por um minuto from Bruno Siqueira (malha) on Vimeo.

17.4.11

Aprendendo com exemplos

Dentre os educadores sempre discutimos a questão do aprendizado por meio de exemplos.
Essa pedagogia é elementar, está associada ao desenvolvimento do indivíduo e não somente a escolarização. 
É fundamental para ensinar valores como ética, honestidade, respeito ao coletivo etc.
Por isso é essencial que os pais forneçam exemplos decentes às crianças, assim como as figuras públicas -  como professores, artistas, atletas de renome ou políticos - devem fornecer esses exemplos a toda a sociedade.
Isso deve ocorrer sem causar prejuízo a individualidade e a privacidade dessas pessoas públicas.
Por isso é de causar estranheza a atitude do senador Aécio Neves que negou-se a fazer o teste do bafômetro, conforme noticiado pela imprensa no dia de hoje - clique aqui para ver a notícia.
Além de negar-se a dar provas do cumprimento da lei, ou seja, provar que não havia ingerido álcool além da conta, o senador estava dirigindo com sua habilitação vencida.
Sabemos que tais desobediências são comuns no nosso país, são fatos do cotidiano dos policiais e fiscais de trânsito, mas não se espera isso de um senador que acaba de lançar-se como principal baluarte da oposição ao governo Dilma.

8.4.11

Rose Nogueira

No capítulo de ontem da novela Amor e Revolução - SBT - o depoimento final coube a jornalista Rose Nogueira.
Emocionante e de causar muita revolta.
Sobre Rose Nogueira recomendo também a leitura de um excelente artigo no Blog Escrevinhador, de autoria do Rodrigo Vianna, contando a história dela na Folha da Tarde - que ela cita no início do depoimento que foi ao ar ontem.
Clique aqui para ler o artigo.

7.4.11

Amor e Revolução

Fato incomum aqui neste blog: vou elogiar uma novela!
Estreou na terça-feira no SBT a novela Amor e Revolução. Pela primeira vez a TV apresenta ao grande público uma novela com a temática envolvendo a ditadura militar de 1964. É verdade que a Globo apresentou Anos Rebeldes nos anos 1990, mas não era novela.
Nos dois primeiros capítulos o excesso de didatismo atrapalhou o ritmo da trama. Ou isso ou os atores jovens não estão habituados a linguagem televisiva.
A ficção acompanhada de momentos dramáticos da quartelada - como o incêndio criminoso da sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) no Rio de Janeiro -, tem a missão de mostrar um pouco deste momento triste da nossa história.
Gostei muito dos depoimentos finais, como faz Benedito Ruy Barbosa nas suas tramas globais. O primeiro de autoria da Amélia Telles foi impressionante. O de ontem à noite foi mais intenso ainda, com relatos horripilantes.
Espero que essa trama seja bem sucedida.
Abaixo os vídeos dos dois depoimentos iniciais:

28.3.11

Precisamos nos reencontrar com a verdade

Aproxima-se o dia 01.04! Mais um aniversário do golpe cívico-militar que colapsou a nação!
Alguns dizem que foi no dia 31.03, mas isso é desculpa, foi só pra não pagar mico. O golpe mesmo - a quartelada respaldada pela grande mídia, pela igreja católica conservadora, empresários de vários naipes - aconteceu num autêntico 1º de abril!
Não foi uma mentira! Doeu em muita gente! Muitos tiveram a coragem e a honradez de travar o bom combate, entregando suas vidas por um ideal!
Tortura, mortes, silêncios e muito choro. Isso foi o que sobrou para quem ousou enfrentar os bandidos fardados!
Bandidos sim! Afinal é desse jeito que devemos chamar quem desrespeita as leis e eles as desrespeitaram, até criaram outras para fingir que tudo era legal, mas rasgaram a Constituição, aniquilaram o sistema jurídico, acabaram com o direito a defesa e o habeas corpus, censuraram, torturaram e assassinaram.
Destes, a meu ver, o crime mais covarde é a tortura. Não dá direito a defesa, não tem limites, senão o sadismo do torturador. Quebra a vítima, por dentro e por fora, as cicatrizes são para sempre, até a hora da morte.
Precisamos ter a coragem dos nossos vizinhos argentinos, uruguaios e chilenos e apurar todos os crimes, localizar todos os corpos e deixar claro que a tortura e o assassinato não é crime tolerado, em nenhuma circunstância.
Não estou pedindo que se julguem as mortes em combate, essas tem seu grau de legitimidade, de um lado e do outro, mas quero no cárcere, sem honras, sem farda ou pensão, todos aqueles que torturaram e mataram sob tortura.
Já basta de fingir que a ditadura não aconteceu!
Já basta de anistiar moralmente esses criminosos!
Só assim faremos com que tal tragédia jamais se repita!
Abaixo a ditadura!

26.3.11

A Educação em São Paulo continua mal

O modo tucano de governar prevalece em São Paulo faz tempo!
Parece que a implantação do sistema de “bônus por produtividade” para os professores da rede pública não deu certo.
A nota do IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo), uma espécie de "nota" da educação do Estado, continua ladeira abaixo em todos os segmentos de ensino.
O Ensino Médio, por exemplo, tirou 1,8 numa escala de 0 a dez, nota que não seria suficiente para deixá-lo em recuperação na grande maioria das escolas privadas, ou seja, reprovação direta como os alunos costumam dizer.
As receitas que as cabeças neoliberais criaram só fazem água e água ruim de beber, de péssima qualidade.
Se minha memória não me traí, esse descaminho foi seriamente impulsionado pela secretária de educação do Governo Covas conhecida por Rose Neubauer, mas de nome Terezinha Roserlei.
A tal aprovação automática, a responsabilização dos professores pelo desempenho ruim dos alunos, a precariedade dos recursos em sala de aula, enfim, ocorreu um grande sucateamento da escola e um enorme desprezo pelo conhecimento, prevalecendo apenas a ideia de produtividade, como se escolas fossem fábricas e a sala de aula apenas uma linha de montagem.
Foi nessa época que o governo curvou-se às políticas “deseducacionais” patrocinadas pelos financiamentos do Banco Mundial.
O liberalismo campeava solto, com uma pitadinha de discurso nacionalista aqui e outra acolá, mas nossa elite concordava com o papel que nos atribuía a divisão Norte-Sul: fornecedores de mão-de-obra, mas com qualificação suficiente para não quebrarmos a maquinaria moderna e capacitados a aprender com a leitura dos manuais!
Clique aqui e aqui para ler mais sobre a brilhante nota que o estado mais rico da federação tirou na prova que ele mesmo inventou.
Pior do que os resultados das avaliações – municipais, estaduais e federais – é a inércia diante deles. Parece até, segundo me disse um amigo, que os gênios pensadores da educação brasileira brincam com as probabilidades: quantas avaliações precisarão ser aplicadas para que, em pelo menos uma, a nota seja satisfatória?
Não observamos mudanças de fato que possam levar a mudanças significativas neste quadro. A formação dos professores continua sendo cada dia mais precária, a profissão desvalorizada com salários aviltantes, gestões ineficientes, quando não catastróficas, condições de trabalho inadequadas e um papel secundário, de figurantes, reservado às famílias.
A sociedade deve tomar para si a responsabilidade pela construção de um sistema educacional que vise eliminar as injustiças e desigualdades, além de preparar o jovem para o mundo, tanto o da cidadania quanto o do trabalho.
Não podemos confiar um setor tão sério para a construção do nosso país ao sabor dos ventos político-partidários. 
Educação é uma questão de Estado e não de governo, portanto a sociedade tem que tomar em suas mãos a construção de um projeto sério, duradouro e competente!

Viagem ao centro da Terra

O Estadão apresentou uma matéria muito bacana no caderno de Ciências sobre a viabilidade de explorar o centro da Terra. Clique aqui para lê-la.
Veja abaixo o infográfico sobre o tema (clique sobre a imagem para ampliá-la):

Organizando a bagunça

Bom dia!
Guarulhos amanheceu com muito sol e eu já estou trabalhando, planejando as aulas da semana!
O trabalho está intenso, até pegar o ritmo é assim mesmo, ainda mais com provas, simulados etc. e tal.
Agora tentarei reorganizar minha presença no Blog com mais assiduidade, afinal esta é uma tarefa que faço com imenso prazer, serve inclusive como atividade de lazer.

4.3.11

Tragédias no RJ: a natureza é a maior culpada?

Segue o brilhante texto do amigo Edilson A. da Silva. Está publicado no site da CartaCapital, é só clicar aqui para conferir o original.
A análise é perfeita! Já havia caminhado na mesma linha com meus alunos do Colégio Parthenon, logo no início das aulas em fevereiro.
Chamei a atenção deles para a cobertura superficial e sensacionalista da grande mídia.
Alertei os amigos, por meio de um texto recebido pelo twitter, sobre o ocorrido em 1967, na Serra das Araras e em Caraguatatuba.
Além da grande contribuição oferecida pelo amigo devemos ressaltar que a grande mídia, a que arvora formadora de opinião e dona de todas as verdades existentes entre o céu e a Terra, continua perdendo o pouco de credibilidade dia após dia, isso em todos os segmentos da informação.
Boa leitura:


Culpa do homem ou do clima?

Edilson Adão Cândido da Silva

Há quem remeta a tragédia da serra fluminense ao aquecimento global, mas se trata de pura geografia urbana

O Brasil é um país privilegiado no quesito natureza. Por apresentar uma geologia muito antiga com alguns terrenos que datam ainda do período arqueozoico e rochas com mais de 3 bilhões de anos, o País praticamente está isento de grandes sismos e, consequentemente, das catástrofes tectônicas. Pelo mesmo motivo há ausência de vulcões ativos. Os temidos furacões que tanta destruição provocam são fenômenos oriundos de águas oceânicas com temperaturas acima de 26,5 graus, mas da América tropical centro-setentrional; não ocorrem no Sul, área mais sujeita a ciclones. Os tufões, não menos trágicos, são asiáticos e os tsunamis, tectonismo oceânico, também passam longe da costa brasileira. Isso justifica em parte a expressão “Deus é brasileiro” ou antiga piadinha de que Deus legou tudo ao Brasil e puniu o Japão.
Contudo, quando acontecem movimentos gravitacionais de massa, os deslizamentos, como os ocorridos em janeiro deste ano na região serrana do Rio de Janeiro, alguns repensam a anedota nacional. No entanto, é bom que se diga, não podemos atribuir exclusivamente à natureza os tristes episódios da abertura de 2011. Eles são, sim, um híbrido entre fatores naturais e sociais, mas com um peso bem maior ao segundo via ocupação desordenada em encostas­ com mais de 45 graus. Tampouco convém afirmar categoricamente ser “o maior desastre natural da história brasileira”; ainda não, pois os deslizamentos na Serra das Araras em 1967, levando-se em consideração os corpos desaparecidos pela inviabilidade da busca, somaram 1,4 mil mortos. Até o fechamento desta edição, o número de mortos não chegava a 900.
A geografia explica que a porção oriental do Sudeste brasileiro em grande parte é dominada por aquilo que Aziz Ab’Saber cunhou como domínio morfoclimático dos Mares de Morros e nós, professores, ensinamos que tal designação refere-se a um relevo embasado por um cráton cristalino recoberto pela floresta tropical atlântica em área de domínio tropical úmido, com verões chuvosos e invernos de estiagem. A topografia irregular dessa faixa intertropical foi esculpido por um alto índice pluviométrico que pode chegar a 4 mil milímetros anuais, como ocorre na Serra do Mar. Logo, sabemos das possibilidades de chuvas torrenciais episódicas que a cada ano castigam algum ponto desse domínio brasileiro. 2010 iniciou-se com tragédias em Angra dos Reis e Niterói. Em 2011, o mesmo se repetiu em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Em 2012, lamentamos, dificilmente será diferente.
O natural e o social Parece difícil ao homem entender que a natureza coloca algumas placas de aviso: “Não se aproxime!” O homem ignora, retira a cobertura vegetal, coloca em seu lugar concreto ou deixa o solo desnudado e exposto à ação das chuvas. Feito isso, é só esperar pelo pior.
Deslizamentos e ocupação irregular de encostas não são novidades no Brasil. A presidenta acertou em cheio em afirmar que isso é regra, não exceção. Tragédias relacionadas a essa realidade frequentam o noticiário há décadas. Na leitura daqueles que se debruçam sobre o tema, o problema é bem mais de ordem social e política, mas outros atribuem imediatamente a responsabilidade à natureza tão logo caem as chuvas no verão austral. A interpretação é mais ou menos simples: as tragédias estão ligadas à fortíssima concentração de renda brasileira. Com raras exceções – e as houve nesta tragédia da serra fluminense –, as vítimas normalmente são os pobres. A pergunta é: “O que eles estão fazendo ali?” E a resposta: “Foram empurrados para lá”.
Ousaria afirmar que para nós, geógrafos, os constantes deslizamentos são bem mais uma questão de geografia urbana do que de clima, obviamente, associados. E a conclusão é que não haverá solução se não houver remoção e, a longo prazo, autoridades e sociedade haverão de compreender que sem melhora social o problema se perpetuará. Preocupa-nos particularmente o Novo Código Florestal, que na realidade é um retrocesso ambiental, pois aumentam os riscos ao permitir desmatamento em topos de morros. Será a legalização do caos.­ A ampliação da ocupação das áreas de várzea é outro absurdo do novo código. O nome científico deixa bem claro: várzea de inundação. Pertence ao rio, não a nós. É da natureza fluvial; uma hora ele ocupa!
Nossos colegas historiadores ensinam em suas aulas que, quando da libertação dos escravos, os negros saídos das senzalas iniciaram a ocupação dos morros cariocas, processo que se perpetuou pelos seus descendentes. Portanto, a questão da moradia nas grandes cidades brasileiras está diretamente ligada ao assunto, visto que as migrações internas que provocaram o inchaço urbano foi empurrando para os morros cariocas, paulistas, mineiros etc.

Aquecimento global: vilão conveniente ou ameaça real?
Na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 2010, um dos pontos altos do evento foi o caloroso debate entre aqueles que defendem a importância antropogênica nas mudanças climáticas e os que refutam essa tese. Foram escalados para defender as respectivas posições o físico da USP Paulo Artaxo e o meteorologista, também da USP, Ricardo Felício, cada qual com seus gráficos e tabulações para defender seus respectivos pontos de vista. Longe do linguajar científico, é nítida a preferência pela mídia quanto à primeira perspectiva, especialmente por jornalistas adeptos do estardalhaço em épocas de tragédias, quando de bate-pronto atribuem a responsabilidade das desgraças ambientais ao aquecimento global – ou até ao El Niño, fenômeno ambiental ainda pouco conhecido pela comunidade científica.
O efeito estufa, termo anterior ao atual, mas com o mesmo significado, é um processo natural e necessário à Terra. Contudo, com o advento da sociedade industrial a partir do fim do século XIX, a emissão de gases poluentes como o CO2 (gás carbônico) ou CH4, (gás metano) aumentou em proporções alarmantes. Muitos cientistas atribuem a esse aumento de incidência o aquecimento do planeta que, segundo eles, poderá elevar a temperatura da Terra para entre 2 e 3 graus, o que é muito. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta para essa direção: 90% das alterações climáticas são causadas pelo homem e apenas 10% são naturais. Dentro dessa tônica, a humanidade está alterando o clima do planeta. E essa interferência vai mexer com a dinâmica atmosférica global, trazendo consequências drásticas como o derretimento das calotas polares, aumento de furacões e desertificação em pontos localizados, enchentes etc.
Contudo, essa perspectiva não é unânime na comunidade científica. Há aqueles que defendem a tese de que o homem não tem capacidade para alterar o clima da Terra e outros ainda que advoguem, inclusive, a tese do resfriamento global – estaríamos adentrando em uma nova glaciação. Um dos estudiosos dessa linha de raciocínio (contra a antropogenia) é o professor Luiz Carlos Molion, cientista da área de climatologia.
Totalmente cético à difusão do aquecimento global antropogênico, Molion afirma que a quantidade de gases emitida pela sociedade industrial é irrisória para alterar o clima, especialmente se comparado ao que a vegetação e os oceanos emitem. Outro ponto aventado pelo pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de Berlim (Alemanha) é a necessidade praticamente irreversível de demanda energética; há muito discurso sobre a redução do consumo de energia, mas ela só se fará aumentar nos anos vindouros.
Outros corroboram a opinião de que há uma questão ideológica naquilo que classificam como “pseudoaquecimento” global e que tal difusão serviria aos interesses dos países ricos, inviabilizando o desenvolvimento de outros, com um particular embate entre Estados Unidos e China, o primeiro com as boas condições de vida de sua população já garantida, enquanto o segundo, ainda por construir. Seria uma espécie de “ecoterrorismo” para inviabilizar o desenvolvimento de países pobres. Com a inegável consolidação de uma sociedade de consumo mundial, é difícil discordar de que a Terra não aguentará tal tendência. Logo, nessa visão, a melhor forma de preservar o planeta é a não proliferação do consumo, o que esconde uma menção ideológica muito clara: quem garantiu, garantiu! “Não proliferação” não significa reverter o que já está posto.
Destarte o necessário embate científico sobre a real inferência do homem no clima, a verdade é que, independentemente do veredicto, o clima é cíclico e as tragédias verificadas este ano independem totalmente do aquecimento global. É sabido desde sempre pelos climatologistas (defensores ou não do aquecimento global) que o clima de um lugar só se define a longuíssimo prazo. Um ano pode ou não ter chuvas torrenciais, pode ou não ter estiagem. Logo, em regime de clima tropical úmido os aguaceiros eventuais são mais que naturais. Essas chuvas torrenciais já ocorreram antes, hoje e sempre voltarão.

Que delícia de samba!

Alguém me passou essa dica pelo twitter, como a memória não tá ajudando não poderei dar o crédito:

1.3.11

Todo poder aos conselhos escolares!

Em conversas com amigos educadores tenho insistido num ponto: a população não conhece os conselhos de escola!
O governo federal deveria investir numa publicidade agressiva para divulgá-los, isso é de suma importância para melhoria da escola pública.
Hoje o portal Terra publicou excelente matéria sobre o tema:

População desconhece os bem avaliados Conselhos Escolares

O Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que 71% da população brasileira desconhece a existência dos Conselhos Escolares. Por outro lado, 91% dos que afirmaram saber da existência deles reconhecem que são importantes ou muito importantes para a fiscalização e aplicação dos recursos financeiros das escolas.
Os Conselhos Escolares são grupos constituídos por representantes de pais, estudantes, professores, demais servidores da escola e membros da comunidade local. Eles têm a função de acompanhar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da escola.
Segundo dados do Instituto Nacional de estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os alunos matriculados em escolas com Conselhos Escolares têm mostrado um desempenho médio superior em relação aos alunos de escolas sem conselhos.
De acordo com a pesquisa do Sips, além dos 91% que afirmam que os conselhos são importantes na gestão financeira, entre os que disseram conhecer a existência desses grupos também houve 94% de pessoas que consideraram os conselhos importantes no acompanhamento de questões pedagógicas.
Na questão de acompanhamento do rendimento escolar dos alunos, porém, houve menos aprovação por parte dos respondentes. Entre os entrevistados, 54,2% disseram que o desempenho é bom nesta função - 30,5% afirmaram ser regular e 15,2%, ruim.
Segundo o estudo, "o fraco vínculo que os respondentes observam em relação à contribuição dos conselhos escolares para o rendimento dos alunos pode ser explicado pela baixa percepção da ligação direta que há entre a boa gestão da escola e o rendimento particular de cada aluno".

Programa do Livro Didático
Entre os entrevistados, cerca de 68% também disseram desconhecer o Programa do Livro Didático. Mas entre os que disseram que conhecem o programa, as avaliações positivas predominaram.
Quanto à quantidade de livros distribuídos, 59,9% das mulheres disseram achar suficiente, número que cai para 48,3% entre os homens - houve também número expressivo de homens que considerou pouca, 42,9%.
A conservação dos exemplares é vista como boa para 52% das mulheres e 49,7% dos homens. O conteúdo e os métodos foram avaliados muito bem tanto por mulheres como por homens - 67,4% e 60,1%, respectivamente, acham bons.
A qualidade da encadernação também foi bem: entre as mulheres, 68,9% acham boa, e entre os homens, a avaliação positiva é de 62,7%.
Até 2002, só alunos do ensino fundamental recebiam os livros didáticos. A partir de então, o programa foi ampliada gradativamente, passando a atender os alunos do ensino médio.
A pesquisa também perguntou sobre o futuro do programa, e 64% dos entrevistaram opinaram que deveria ser ampliado.

Pesquisa
Segundo o Ipea, a pesquisa foi feita com a aplicação de um questionário de 21 questões objetivas para 2.773 pessoas, em suas residências, em todo o País, no período de 3 a 19 de novembro de 2010. A amostra foi definida por cotas, tendo como parâmetro a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os entrevistado responderam a perguntas sobre a qualidade de educação pública no Brasil independentemente de frequentarem a escola ou serem responsáveis por alunos.
A pesquisa também não delimitou um período de comparação.

Fonte: Terra Educação

17.2.11

Uma revolução na educação brasileira

É disso que precisamos para que o país seja colocado nos trilhos da justiça social e da igualdade de oportunidades para todos.
Para que tal aconteça, o governo – em todos os níveis – deve tomar a iniciativa de chamar para si a responsabilidade de torná-la realidade, mas, ao mesmo tempo, a sociedade tem que desenvolver uma participação ativa e dizer, sem rodeios ou meias palavras, o que ela espera do processo educacional.
Insisto que algumas críticas feitas ao ministro Haddad, desde o ano passado, são oportunistas e apressadas – à esquerda e à direita – guiadas por interesses nem sempre claros, de grupos empresariais ligados à educação ou então ligados as disputas internas do PT e dos partidos da base aliada pelo controle do Ministério da Educação.
Também devemos atentar para o discurso de alguns pensadores da educação, segundo o qual o sistema educacional não deve se preocupar com a empregabilidade, por exemplo, cabendo a ele formar “cidadãos”. Segundo estes pensadores o sistema educacional não deve tratar de conteúdos, mas sim de ensinar.
Ensinar o quê?
Como um jovem poderá julgar a proposta de um determinado candidato, que prega canalizar rios e córregos de uma grande cidade, se não teve, em algum momento de sua vida escolar, conteúdos de Geografia, Biologia e Física pertinentes ao tema?
Como entender as tragédias da região serrana do RJ sem a compreensão da dinâmica climática da região, do relevo e do uso e ocupação do solo, conteúdos de Geografia?
É possível desenvolver programas de saúde sem conteúdos de Biologia?
Dá para explicar poluição das águas sem compreender princípios elementares de Química?
Poderia citar exemplos e mais exemplos de como os conteúdos são pertinentes ao ensino e à formação de um cidadão capaz de decidir o seu destino e de participar dos destinos da coletividade.
Tal termo – cidadão – tomado isoladamente ou nos discursos demagógicos, não oferece nenhum significado real aqueles jovens que necessitam trabalhar para completar a renda ou para se manter nos estudos.
Por outro lado algumas pessoas não gostam de estudar e não querem cursar universidade, então é legítimo que formação técnica lhe possibilite empregos que garante sua sobrevivência e a da sua família com dignidade.
Nem todo mundo quer ser advogado, médico, engenheiro ou professor!
Por isso considero correto o investimento do governo federal na formação técnica de nível média, preferia que isso ocorresse por meio dos Institutos Federais e não da iniciativa privada, mas convém esperar a formatação da proposta para emitir melhor juízo.

Voltei!

Caros amigos e caras amigas,
estou de volta! Agora trabalhando numa nova escola na cidade de Guarulhos, com ótimas impressões até o momento e dando prosseguimento ao trabalho de coordenação no cursinho, também em Guarulhos.
No momento o nosso grande desafio está em mudar para a cidade, abandonando o trânsito e a correria de São Paulo.
Jaiminho está adorando a escola, principalmente Inglês e Ciências!
É um imenso prazer retomar esse espaço!

21.1.11

Enem, SiSU, ProUni e outras coisas mais...

Hoje li inúmeras queixas e reclamações sobre o funcionamento do SiSU e do ProUni, tem até ações contra uma ou situação criada pelo MEC quanto a estes dois processos seletivos.
Alguns oportunistas estão esperneando. Querem a cabeça do ministro Haddad numa bandeja!
Os moços e as moças bem nascidos continuam reclamando de ter que dividir a possibilidade de acesso à universidade pública com a plebe ignara.
Esbravejam por que não conseguiram acessar o “sistema” na hora que quiseram, ou tiveram que persistir muito para consegui-lo.
Dos mais de 3 milhões de jovens que prestaram o Enem, pouco mais de 1 milhão se inscreveram no SiSU.
Os jovens pobres – oriundos da escola pública – não o fizeram em massa por que sabem que a concorrência continua desleal ou por não possuírem o conjunto de informações necessárias para fazê-lo.
Ignoram que a maioria das universidades públicas oferece moradia estudantil e bolsas de auxílio aos muito carentes, enfim, coisas que há uns 15 anos eram impensáveis para os garotos e garotas pobres.
Então podemos pensar que a maior parte das vagas das instituições federais disponíveis no SiSU ficará com os de sempre, mas agora eles reclamam pela democratização do acesso!
Há um perigo espreitando atrás dos muros das universidades: ela poderá ser de todos, um dia! Os primeiros e importantes passos estão dados com a afirmação do Enem.
Claro que precisa ser aprimorado!
Evidente que com os recursos disponíveis não deveríamos ter problemas nos sites do MEC!
Mas daí querer desqualificar todo o processo por causa de problemas operacionais vai uma grande distância!
Só mesmo o oportunismo político ou de classe para fazê-lo.

18.12.10

Ciclos que se encerram

Jaime Ernesto acaba de completar 11 anos. Ele é meu filho e tenho muito orgulho disso.
Primeiro explicando o nome. Jaime é uma singela homenagem ao irmão de minha esposa que nos deixou prematuramente, num trágico acidente. Ernesto é uma homenagem ao revolucionário mais coerente que a história conheceu: Ernesto Guevara de La Serna!
Jaiminho acaba de completar o 5º ano do ensino fundamental, na escola Pueri Domus da Rua Verbo Divino. Foi também seu último ano nesta escola, na qual fui professor por mais de quatro anos e que tantas boas recordações deixou.
Nossa alegria foi imensa por tudo que foi proporcionado a ele, tanto no campo do conhecimento quanto no da cidadania, além dos excelentes amigos que aqui deixa.
Não podemos deixar de mencionar suas professoras: Priscila, Márcia, Vera e Vânia, que acompanharam o desenvolvimento escolar do Jaime desde 2007 e também outras pessoas maravilhosas como Mirna, Heloíse, Bia, Bruno, Sílvia, Olga, Cristina e Lela, além de todos os outros trabalhadores do Pueri, que estiveram presentes no dia a dia do Jaiminho nestes anos todos.
Como esquecer Elisa, que foi diretora geral da Unidade, por quem o Jaime nutre especial carinho até hoje, embora ela tenha se afastado da Verbo na metade de 2008.
Foram muitos os momentos felizes e de sentimento de etapas cumpridas. Os trabalhos especiais, o crescimento intelectual e o ajustamento de condutas, grandes vitórias para ele e para nós.
Não esqueceremos das festas juninas, das jornadas esportivas, das preparações das tribunas livres, da Replago e principalmente do estudo do meio em Santos.
Apostamos sempre na educação que alimentasse a autonomia, o respeito ao outro e o hábito de estudar. Encontramos isso nas séries iniciais do Pueri quando fomos muito bem acolhidos pela Fernanda Zocchio, na época diretora e uma das mantenedoras.
Temos a certeza de que o caminho percorrido até aqui, em se tratando da escolarização de nosso filho, foi correto.
Nossa alegria vem misturada com uma dose de tristeza em razão da necessidade de ir embora.
Estamos de partida para outra cidade, aqui bem pertinho e ele para outra escola. Esperamos que sejam anos tão felizes como foram estes no Pueri Domus.

Na Rep Lago, cobertos de lama.


Agora é sério! Ao trabalho grupo!

Da esquerda para a direita: Pedro, Vânia e Jaime.


Da esquerda para a direita: Lela, Jaime, Mirna e Heloíse.


14.12.10

Sobre a emoção de ser professor

Sempre insisto que essa profissão que escolhi é espetacular. Considero-me um profissional da educação. Não sou pai, psicólogo, irmão ou amigo dos meus alunos. Sou professor. E como tal interesso-me pelo que aprendem, não só no tocante à Geografia, mas, sobretudo, aquilo que diz respeito às suas vidas.
Em 2008 trabalhei num projeto interessante, dentro da favela de Paraisópolis. Ali a instituição para a qual eu trabalhava, um colégio renomado, que atende a classe média alta da cidade, recebeu a incumbência de “montar” um curso de Ensino Médio.
Não era um trabalho voluntário, antes pelo contrário, éramos remunerados como no colégio e este, por sua vez, recebia pelo serviço prestado.
A condição para ser aluno era ser morador da favela de Paraisópolis.
O choque inicial foi grande. A quase totalidade dos alunos eram egressos da escola pública, com inúmeras dificuldades.
Também era perceptível que alguns eram brilhantes, apenas ofuscados pelos maus tratos do sistema público.
Os professores redobraram sua dedicação.
No fim daquele ano fui obrigado, por contingências da vida, a me retirar do projeto, mas nunca distanciei meu coração daqueles meninos e meninas.
Ontem recebi uma notícia que me deixou emocionado: três deles superaram a nota de corte da temida FUVEST.
Terminaram o ensino médio, uma vitória, e alguns irão para a Universidade, vitória maior ainda!
Imagino que a maioria deles nem se lembra de mim, mas aquela 1ª Série do Ensino Médio da Crescer Sempre será para sempre inesquecível!
Quero registrar aqui meus parabéns aos colegas que levaram a cabo essa primeira parte da missão.
Também ao mantenedor do projeto, que de maneira silenciosa oferece uma contribuição inestimável para a melhoria de vida destas pessoas.
Principalmente quero parabenizar aqui aqueles meninos e aquelas meninas, que com muita dedicação, sacrifício e abnegação venceram essa etapa da vida acadêmica!
Gostaria que não parassem, que dessem continuidade aos seus estudos e que pudessem oferecer à comunidade oportunidades de melhorar de vida!
Parabéns alunos e alunas da 3ª Série do Ensino Médio da Crescer Sempre de 2010!

Alunos da Crescer Sempre em 2009

9.12.10

Sobre as UPPs e a polícia comunitária

Bem aqui estamos com a postagem de número 1001! Ultrapassar a barreira dos 1.000 é muito bacana, me sinto quase um Pelé!
Feito o registro vamos ao que interessa: excelente a entrevista do Fazendo Média com o deputado estadual do RJ Marcelo Freixo (PSOL)!
Olhar lúcido, de quem conhece do riscado ele nos dá uma grande aula sobre a violência no RJ, o respeito aos moradores das favelas e um alerta vigoroso: só a polícia não basta! O Estado tem que ocupar de fato os morros com saneamento, educação, saúde, lazer, moradia etc.
Vejam um trecho da entrevista:

“Esse é o debate que está em jogo: a quem servirá o projeto das UPPs?”
Por Raquel Júnia /EPSJV-Fiocruz, 09.12.2010
O mandato de Marcelo Freixo, deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, tem acompanhado todo o processo de ocupação do Complexo do Alemão. Referência internacional na discussão sobre violência e direitos humanos, nesta entrevista ele analisa os episódios recentes e propõe um debate que questiona o modelo bélico de segurança pública, mas sem deixar de levar em conta o desejo da população das favelas de se ver livre da violência das armas. Essa população, explica, é vítima do tráfico e da ausência e truculência do Estado.

Para ler o restante da entrevista basta clicar aqui.

29.11.10

O Enem no olho do furacão

As mazelas da educação no Brasil são conhecidas por todos. Elas guardam correspondência com o gigantismo do nosso território e das nossas potencialidades.
O desarranjo é de tal dimensão que aquele que conseguir colocar o sistema educacional nos trilhos passará para a história como herói nacional!
Isso explica a visibilidade que o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – alcançou, para o bem e para o mal.
Infelizmente as duas últimas edições deste exame trouxeram inúmeros dissabores para os estudantes, familiares, educadores e sociedade em geral.
Em 2009 ocorreu o roubo da prova e seu posterior vazamento para a mídia – um ato criminoso ainda não esclarecido. O desgaste foi imenso e os prejuízos – financeiros, pedagógicos e políticos – idem.
Já neste ano, os erros formais ganharam destaque. Cabeçalhos dos gabaritos invertidos, cadernos misturados, numeração das questões fora de ordem, dentre outros problemas, destacaram-se.
A mídia superdimensionou tais problemas e o poder Judiciário intercedeu de maneira estabanada, gerando um clima de intranqüilidade desnecessário por todo o país.
Neste momento, tudo indica que a solução encaminha-se para o bom senso, dando aos alunos e alunas prejudicados o direito de realizarem a prova novamente. Dos 3,3 milhões de candidatos que prestaram a prova, algo próximo de 2.000 deverão refazê-la.
É preciso aproveitar este momento para desencadear uma discussão acerca do Enem que envolva professores e pensadores da Educação. Não se trata, em absoluto, de negar a validade do exame ou querer extingui-lo, como desejam alguns, movidos por puro oportunismo político.
No entanto, não podemos nos negar a refletir sobre ele e buscar o seu aperfeiçoamento.
No nosso contexto – grande dimensão territorial, diversidade cultural e regional, convém perguntar: cabe um exame de caráter nacional? Não seria mais interessante sua regionalização?
E ainda, pode o mesmo instrumento ser usado para vários propósitos de avaliação?
Na forma como está o Enem, ele serve para o ingresso na universidade, assemelhando-se a um imenso vestibular nacional ou certificação do Ensino Médio, substituindo os exames de suplência e ainda para balizar os projetos pedagógicos das escolas.
Os professores precisam ser ouvidos. Cabe ao MEC criar instrumentos para que aqueles que estão na sala de aula, vivenciando o cotidiano da educação, possam manifestar-se.
É necessário explicar como a prova é elaborada, a maneira como é corrigida e deixar claro todos os critérios de avaliação.
Afinal não se pode avaliar os alunos e as alunas sem explicar-lhes o que se quer saber!

Texto publicado na Revista Weekend - nº 57 - 26/11/2010.

25.11.10

Oriente Médio - a gênese das fronteiras

Recomendo a leitura do excelente livro Oriente Médio - a gênese das fronteiras.
Trabalho feito com esmero e muita competência pelo amigo Edílson Adão C. da Silva, fruto de muita pesquisa e reflexão.
No site da editora encontramos a seguinte apresentação:

O livro
A gênese das fronteiras do Oriente Médio remonta ao início do século XX, mais precisamente, ao término da Primeira Guerra Mundial quando, fruto de um processo híbrido entre a dissolução do Império Otomano e da investida imperialista na região, em particular, da Grã-Bretanha e da França, foram se constituindo os primeiros Estados modernos. O livro faz uma rápida retrospectiva desde a constituição do Islã como catalizador da história regional, passando por vários califados, até o último, o sultanato turco, findado pelo movimento “Jovens Turcos” que encaminhou a criação da Turquia moderna. Momento capital à formação dos Estado locais, a “Revolta do Deserto” é narrada a partir da releitura da obra “Os sete pilares da sabedoria”, um depoimento de Thomas Edward Lawrence, personagem polêmica e que esteve envolvida diretamente com os bastidores do traçado das fronteiras no Oriente Médio, quando combateu ao lado de Feissal ibn Ali, da Casa Hachemita.

19.11.10

Por que todo mundo se mete a falar sobre educação?

Tal pergunta sempre me intrigou. Quando temos um problema de saúde pública no país a imprensa ouve o Ministro da Saúde e também médicos. Quando ocorrem os "deslizamentos" de terra no verão eles ouvem o prefeito e alguém da área de Geografia, Geologia ou Engenharia. Sempre buscam os especialistas.
Mas, quando o assunto é educação, até a Miriam Leitão opina!
Sobre isso o cientista Miguel Nicolelis, brilhante como sempre, concedeu uma entrevista para Conceição Lemes, registrada no site Vi o Mundo do jornalista Luiz Carlos Azenha.
Vejam a introdução da matéria:

Nicolelis: Só no Brasil a educação é discutida por comentarista esportivo
por Conceição Lemes
Desde o último final de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Ministério da Educação (MEC) estão sob bombardeio midiático.
Estavam inscritos 4,6 milhões estudantes, e 3,4 milhões submeteram-se às provas. O exame foi aplicado em 1.698 cidades, 11.646 locais e 128.200 salas. Foram impressos 5 milhões de provas para o sábado e outros 5 milhões para o domingo. Ou seja, o total de inscritos mais de 10% de reserva técnica.
No teste do sábado, ocorreram dois erros distintos. Um foi assumido pela gráfica encarregada da impressão. Na montagem, algumas provas do caderno de cor amarela tiveram questões repetidas, ou numeradas incorretamente ou que faltaram. Cálculos preliminares do MEC indicavam que essa falha tivesse afetado cerca de 2 mil alunos. Mas o balanço diário tem demonstrado, até agora, que são bem menos: aproximadamente 200.
O outro erro, de responsabilidade do Inep, foi no cabeçalho do cartão-resposta. Por falta de revisão adequada, inverteram-se os títulos. O de Ciências da Natureza apareceu no lugar de Ciências Humanas e vice-versa. Os fiscais de sala foram orientados a pedir aos alunos que preenchessem o cartão, de acordo com a numeração de cada questão, independentemente do cabeçalho. Inep é o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, órgão do MEC encarregado de realizar o Enem.
“Nenhum aluno será prejudicado. Aqueles que tiveram problemas poderão fazer a prova em outra data”, tem garantido desde o início o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Isso é possível porque o Enem aplica a teoria da resposta ao item (TRI), que permite que exames feitos em ocasiões diferentes tenham o mesmo grau de dificuldade.”
Interesses poderosos, porém, amplificaram ENORMEMENTE os erros para destruir a credibilidade do Enem. Afinal, a nota no exame é um dos componentes utilizados em várias universidades públicas do país para aprovação de candidatos, além de servir de avaliação parabolsa do PRO-UNI.
“Só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem”, afirma, indignado, ao Viomundo o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte. “Eu vi a entrevista do ministro Fernando Haddad ao Bom Dia Brasil, TV Globo. Que loucura! Como jornalistas que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!”
Nicolelis é um dos maiores neurocientistas do mundo. Vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde há décadas existe o SAT (standart admissions test), que é muito parecido com o Enem. Tem três filhos. Os três já passaram pelo Enem americano.

Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.

10.11.10

O Enem não deve ser cancelado!

Novamente o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – está no meio da confusão!
Ano passado foi o roubo e vazamento da prova, aliás, as investigações sobre o episódio seguem em passo de tartaruga manca.
Desta vez uma série de erros trouxe o exame para as manchetes dos jornais.
Para alguns se trata do 3º turno da campanha presidencial! Mostrar que o governo Lula – usando o Ministério da Educação e o ministro Haddad como exemplo.
Então, vamos por partes.
Os erros são impensáveis para um empreendimento deste tipo. O INEP deveria ser mais zeloso na elaboração do Enem. Os responsáveis pelos erros devem ser exemplarmente punidos e, caso seja a empresa contratada, que pague por isso.
A troca dos cabeçalhos nas provas do primeiro dia é um erro primário e seria facilmente evitado. Pergunta-se: isso inviabilizou a realização da prova? Claro que não! No máximo um pequeno dissabor para os alunos e alunas.
Também apareceram erros na montagem do caderno amarelo. Aproximadamente 30.000 exemplares dos mesmos estavam comprometidos, destes 21.000 foram distribuídos. Isso num total de 10 milhões de provas impressas representa 0,3% de problemas.
Esse erro foi impedimento para que o candidato ou candidata fizesse a prova? Não! Foi dada a eles a possibilidade de trocar o caderno.
Aqui temos um problema maior do que o anterior, pois em razão do tempo pode não ter dado tempo de se fazer a troca. O MEC propõe que estes alunos façam uma nova prova.
A OAB alega que isso fere a universalidade do exame. Claro que ela desconhece o método de construção da prova do Enem. Ele permite que se estabeleça igual parâmetro de dificuldade para provas diferentes.
Foi esse método – desenvolvido a partir da Teoria de Resposta ao Item – que permitiu ao MEC aplicar o Enem 2009 a 160 candidatos que não puderam participar da prova em razão das enchentes no Espírito Santo.
Interessante que naquela ocasião não houve essa grita a respeito da “universalidade” da prova!
Os outros erros encontrados não comprometem ou invalidam o Enem, devemos observá-los com atenção.
Os professores devem ser consultados a respeito das próximas edições e também discutir a metodologia do exame para assim compreendê-lo melhor.
Algumas críticas que surgiram foram tão pesadas e desproporcionais que mais parecem oportunismo, eleitoral, pedagógico ou de “mercado”.

4.11.10

Gato no telhado

A cada dia que passa a vida nos reserva novas e instigantes surpresas. Hoje, por exemplo, descobri que tem um gato preso no forro da minha casa.
O barulho ocorre há dois ou três dias. Minha mulher temia por uma infestação de ratos.
Pelos ruídos que ouvi disse a ela que o rato deveria ser praticamente um Ronaldo Fenômeno, tal o barulho que fazia.
Hoje os sons se intensificaram. Disse então a minha mulher: isso só pode ser um gato!
Profunda conhecedora do idioma dos felinos, minha senhora soltou alguns miados, imediatamente respondido pelo coiso que se encontra no forro.
Constatado o problema, basta abrir um alçapão e adentrar o forro para liberar o gatinho.
Problema número 1: minha circunferência impede o acesso ao alçapão!
Problema número 2: não tem mais ninguém em casa com coragem para chegar ao telhado.
Ligamos então para os bombeiros. Fomos gentil e prontamente atendidos. Pediram que ligássemos para a Prefeitura e nos deram dois números: 151 ou 156.
Ao ligar para o Centro de Controle de Zoonoses, Ana, minha dileta companheira, travou o seguinte diálogo com a atendente:
- Boa noite!
Atendente: Boa noite, a senhora poderia está informando seu nome completo, endereço e um ponto de referência?
Foi prontamente atendida.
Atendente: Qual o problema?
Ana repetiu o relato que fiz acima.
Atendente: Como a senhora sabe que é um gato?
Ana: Por que ele miou.
Atendente: Tem certeza?
Ana: (silêncio)
Atendente: ok senhora, nós vamos estar abrindo um protocolo e num prazo de até 30 dias estaremos buscando o animal em epígrafe!
Ana: Moça, ele está no forro, onde tem a fiação elétrica, está preso, sem comida, como podemos esperar 30 dias?
Atendente: Senhora me desculpe, mas este é o prazo regulamentar.
Ana: E até lá faço o quê?
Atendente: A senhora cuide de acalmar o animal!
O imbecil no gato continua preso no forro! Sei lá até quando...

30.10.10

Dilma 13!

Vou repetir o voto do 1º turno: Dilma!
Como escreveram no twitter outro dia: Dilma não é a candidata dos meus sonhos, mas Serra é o maior dos meus pesadelos!
A edição da revista Istoé que está nas bancas nos apresenta um comparação entre os governos do FHC e do Lula.
Embora reconheça enormes deficiências no atual governo, a comparação é uma goleada de Lula sobre FHC. Então, na minha forma de ver, votar em Dilma é sepultar definitivamente o discurso neoliberal que conduziu o governo FHC e a presença do PSDB e do DEM no cenário político Nacional.
Ao mesmo tempo significa derrotar a direita raivosa, presente nas igrejas, tanto católica quanto evangélica, e em "coisas" como a TFP, Monarquistas e outras anomalias anacrônicas que vimos colocar as manguinhas de fora durante a campanha.
Além dessas forças, votar em Dilma significa derrotar também o PIG - Partido da Imprensa Golpista - ativo como nunca na manipulação e invenções de crises nesta campanha.
Por isso meu voto vai para Dilma! O da minha esposa também.  Meu filho Jaime, com 10 anos, disse que também votaria em Dilma, por que ela é "idealista" e de esquerda e o Serra é um capitalista que só pensa em privatização e lucro.
Bom Dilma para todos!
Abaixo, alguns inforgráficos que copiei da Istoé, edição nº 2138 (clique sobre eles para ampliá-los):

29.10.10

Que raloim que nada!

A onda neoconservadora no discurso do PSDB

Quem refletir um pouco sobre a linha da campanha presidencial do PSDB neste ano de 2010, terá dificuldades em associar esta agremiação direitista a pessoas como Franco Montoro e Mário Covas.
A guinada neoliberal não é nova, mas o discurso conservador, que consegue angariar simpatias naquilo que há de mais atrasado na civilização contemporânea é.
Nunca imaginei ver um partido que se auto-intitulado socialdemocrata lado a lado com a TFP, instituições monarquistas e católicas que sentem saudades da Santa Inquisição.
Outra característica é o machismo!
José Serra usa e abusa do preconceito com Dilma nos enfrentamentos públicos, fala num tom que nunca ousaria usar se do outro lado estivesse um homem.
Quando foi defender o seu vice – o tal Índio da Costa – Serra disse que não via problema em ter amante, desde que a relação fosse discreta.
Somem-se a isso as declarações homofóbicas e temos o quadro que compõem o atual cenário peessedebista.
Alguém se lembra de ter ouvido tantas sandices numa outra campanha eleitoral?
Para coroar a campanha, segundo o UOL – Eleições, José Serra nos brindou com a seguinte fala ontem:
“José Serra com os tucanos Antonio Anastasia e Aécio Neves, em Uberlândia (MG)

“Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você”, pediu o presidenciável tucano, José Serra, diante de simpatizantes em Uberlândia (MG), nesta quinta-feira (28).”

Qual o real significado dessas palavras? O que ele quis dizer com isso?

24.10.10

A armação que pode vir nesta semana final

O Luiz Carlos Azenha, do ótimo Vi o Mundo, nos alerta sobre a possibilidade armações - das mais variadas - que poderão ocorrer nesta reta final da campanha eleitoral.
Leiam:

Alerta de quem é do ramo: a armação que pode vir nos dias finais de campanhapor

Luiz Carlos Azenha

O alerta é de um jornalista experiente, com amplos contatos na comunidade de informações, com arapongas e ex-arapongas.
Não nasce de um evento específico, mas de um encadeamento lógico de fatos: a campanha sórdida e subterrânea na internet, os panfletos apócrifos, as chamadas por robôs e a farsa de Campo Grande, onde o único ferido — realmente ferido — foi um militante petista com um corte no supercílio (que não apareceu no Jornal Nacional).
Vem da repetição de um padrão no telejornal de maior audiência: Dilma, agressiva; Serra, vítima. Um padrão que se manteve na noite deste sábado, quando a Globo omitiu o discurso do governador paulista Alberto Goldman em que ele sugeriu uma comparação entre Lula e Hitler (com menção ao incêndio do Reichstag), omitiu que militantes de PT fizeram um cordão de isolamento para que uma passeata tucana avançasse em Diadema e destacou o uso, por eleitores de Serra, de capacetes para se “proteger” das bolinhas de papel.
O colega, em seu exercício de futurologia, mencionou o Rio de Janeiro como o mais provável palco de uma armação, por dois motivos:

1) é onde fica a Globo;

2) é onde subsiste a arapongagem direitista.

Como lembrei neste espaço, anteriormente, foi assim o golpe midiático perpetrado em 2002, na Venezuela, retratado nos documentários A Revolução Não Será Televisionada e Puente LLaguno.
Parte essencial daquele golpe, que juntou militares insatisfeitos com a oposição em pânico e apoio maciço da mídia, foi a acusação de que militantes chavistas tinham atirado em civis desarmados, quando as 19 mortes registradas num confronto entre militantes das duas partes resultaram de tiros disparados por franco-atiradores e policiais de Caracas leais à oposição. Porém, foram semanas até que tudo ficasse claro para boa parte dos venezuelanos e para a opinião pública internacional.
O Brasil de 2010 não é a Venezuela de 2002, mas não custa ficar alerta.

23.10.10

Estou gravemente ferido!

Verdade!
Um pombo cagou na minha cabeça!
Isso aconteceu na Praça Getúlio Vargas, em Guarulhos, São Paulo.
O UOL e o Jornal Nacional filmaram tudo.
Será que eu consigo uma licença de uns dois dias por concussão cerebral?
O pombo vestia vermelho e só pude ver as primeiras letras de um cartaz que ele segurava: Dil...
Infelizmente a pancada foi muito forte, causou-me tonturas e náuseas, esses sintomas apareceram logo depois que recebi uma ligação no celular.
Vejam o local do crime hediondo:

11.10.10

Pérolas do José Serra

Vejam que singela a entrevista concedida por José Serra ao SPTV em 2006.
Prestem atenção ao pensamento do "jênio" sobre as questões educacionais, elas aparecem a partir dos 5'30", mas o mais brilhante aparece por volta dos 5'50".

5.10.10

Qual o problema com a candidatura do Tiririca?

Levei essa questão outro dia ao twitter. Muitas pessoas estavam revoltadas com a candidatura do palhaço.
Do ponto de vista legal e do jogo democrático ele tem todo o direito de se candidatar. Eu não votaria nele nunca, assim como não votaria em José Serra, Alckmin, Ana Paula Junqueira ou Maguila.
A razão é simples: não me sinto representado por nenhum deles!
O problema é que mais de 1.300.000 paulistas sentem-se representados pelo Tiririca, assim como 11.500.000 desejam que Alckmin governe São Paulo, dentre os quais eu não me incluo. Então vamos combinar: ou aceitamos e participamos do jogo ou ficamos fora dele. Não vale elogiar a democracia só quando o resultado nos agrada.
Ou será que alguns querem o retorno do voto censitário, quando só os “bons” opinavam?
O grande problema que vivemos neste processo é a despolitização do processo. A mídia não abriu espaço para discussão dos projetos, apenas lançou denuncias ao léu!
Por outro lado o PT e os seus aliados não responderam politicamente aos ataques, ancorados na vantagem que as pesquisas demonstravam. Erraram!
Também não se mobilizaram para responder adequadamente e politicamente aos ataques dos setores reacionários das igrejas, tanto a católica quanto a evangélica. Na minha modesta e inútil opinião nesse item ela perdeu mais do que 3% dos votos.
Aqui em São Paulo Mercadante seguiu o mesmo caminho. Agarrou-se a alguns slogans de gosto popular, como a tal “aprovação automática” e deixou o debate político de lado.
Espero que a campanha de Dilma não repita os mesmos erros no 2º turno. Poderá custar-lhe caro e também ao país, não escaparemos da bancarrota com mais 4 anos de tucanos na condução do Brasil.
Terá que ser ágil em responder às questões indigestas, como o aborto por exemplo. Mas fazê-lo do ponto de vista política e não dizer que o Serra também é. Não! É um direito da mulher, a sua criminalização é responsável por inúmeras mortes por ano além de enorme prejuízo aos cofres públicos.
As igrejas teem todo o direito de expressar sua opinião sobre este e outros fatos, mas o Estado e as políticas públicas não podem ser reféns desta ou daquela religião e muito menos o PT e sua candidata podem aceitar as ofensas e mentiras que padres, bispos, pastores e outros idiotas do mesmo porte tem publicado. Que paguem pelas suas mentiras de acordo com a lei!
Também não dá para assistir a truculência da mídia e não tomar nenhuma medida, dentro do jogo legal, contra os latifundiários da informação. Querem se apoderar das mentes das pessoas, vendendo a ideia de que a opinião publicada é a mesma que opinião pública. Não é!
Para isso a coordenação da campanha tem que atuar de maneira bem afinada com a blogosfera, lançando mão dos blogs sujos para difundir informações e também desmentir, com agilidade, as mentiras lançadas pela mídia ou pelos meliantes, que infestam a rede a soldo de determinados sujeitos políticos.
Sem essa prontidão a candidatura de Dilma corre o risco de ser derrotada e aí pobre do nosso país e pobres de nós!

Aborto é armadilha da direita

Excelente texto do Altamiro Borges, peguei no Blog do Miro!

Por Altamiro Borges

Nas manchetes dos jornalões e nos monólogos da televisão, a direita tenta forçar a candidatura Dilma Rousseff a discutir unicamente o tema do aborto. A mídia evita tratar dos grandes temas nacionais, das diferenças abissais de projetos entre os dois concorrentes no segundo turno, e se esforça para impor uma pauta carregada de ignorância, preconceitos e dogmas religiosos.
A armadilha é visível. Na campanha, Dilma tratou o tema como uma questão de saúde pública, evitando visões simplistas. Já o demotucano Serra até poderia ser mais facilmente prejudicado pelos preconceitos. Como ministro da Saúde de FHC, ele liberou o uso da “pílula do dia seguinte”. Em 1998, ele também foi demonizado pela cúpula da Igreja Católica por normatizar a realização do aborto nos casos previstos em lei. Agora, ele simplesmente foi poupado pela direita e sua mídia.

A demonização de Dilma
Entre as baixarias da campanha da direita, muitos avaliam que este tema foi um dos responsáveis pelas surpresas nos últimos dias do primeiro turno – queda de Dilma Rousseff, identificada com as lutas feministas, e crescimento de Marina Silva, evangélica e conservadora. Serra, blindado pela mídia, acabou se beneficiando da polêmica travada entre as duas candidatas mulheres.
O jogo sujo foi pesado. A Regional Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que contempla São Paulo, divulgou documentonas missas em que “recomenda encarecidamente” que não se vote em Dilma por ser “contra a vida”. Pela internet, um culto da Igreja Batista de Curitiba, visto por quase 3 milhões de pessoas, mostra cenas fortes de fetos mortos e despedaçados e o pastor pedindo que não se vote na petista, que “defende o aborto e o casamento gay”.

Campanha fascista de boataria
O impacto desta boataria foi corrosivo. Marcelo Déda, reeleito em Sergipe, garante que “a queda de Dilma e o crescimento de Marina no final se deveu ao recrudescimento do fundamentalismo religioso. É o efeito do púlpito nas igrejas”. No mesmo rumo, Eduardo Campos, reeleito em Pernambuco, afirma que “nos últimos 15 dias, especialmente, houve uma campanha fascista de boataria”. O senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, lembra que “o pastor pode ter dificuldade para conseguir votos dos fiéis. Para tirar voto, o efeito é inverso”.
Apesar de vários alertas – o blogueiro Rodrigo Vianna foi um dos primeiros a advertir sobre os estragos nas bases católicas e evangélicas –, a comando de campanha de Dilma, sempre muito hermético, não percebeu o efeito nefasto da onda de boatos. Agora, finalmente ele reconhece que subestimou o tema. “Foi uma campanha perversa, com inverdades sobre o que penso, o que digo. Vamos fazer um movimento no sentido de esclarecer com muita tranqüilidade nossas posições... A gente percebeu tarde, mas percebeu”, explica a candidata.

Da cegueira ao exagero
O comando de campanha afirma agora que a reconquista destes votos passou a ser prioridade no segundo turno. Ou seja, de um extremo ao outro – da cegueira ao exagero. De fato, é necessário esclarecer a sociedade, principalmente os setores religiosos mais conservadoras. Mas este não é o principal tema da campanha, nem sequer para os movimentos feministas mais lúcidos. Deve-se evitar a armadilha imposta pela direita. O que está em debate na sucessão é o futuro do Brasil.