30.1.24

Carluxo e a ABIN Paralela

 

Ontem, 29/01/24, foi um dia que fez a mídia, tanto a corporativa quanto a progressista, pegar fogo logo cedo com a notícia da Polícia Federal batendo à porta da família Bolsonaro, tendo como alvo o vereador do RJ Carlos Bolsonaro.

Fonte: ICL Notícias - 30/01/24

Como em qualquer cobertura ao vivo e no calor dos acontecimentos, muitos erros foram cometidos, mas nenhum deles comprometeu a cobertura dos veículos.

O ponta pé inicial foi dado pelo GloboNews, com a excelente âncora Daniela Lima. Eu sempre acompanho o ICL Notícias e eles repercutiram imediatamente a GN, com a vantagem de ter em seu time a excelente Gabriela Dal Piva.

Ao longo do dia foi sendo descortinado um escândalo digno dos melhores filmes de espionagem.

Mas como explicar uma pescaria às 5 horas da manhã numa segunda-feira? Logo essas pessoas que não são de pegar no pesado, ainda mais logo cedo. 

Como já havia anunciado publicamente, quando ainda era presidente, o Bolsonaro montou uma ABIN particular, que foi rebatizada a partir de ontem de ABIN Paralela.

Qual a função dessa ABIN? Espionar a oposição ou os desafetos da família Bolsonaro.

A mensagem destacada nas publicações de ontem tratava do monitoramento da delegada  da PF. Ela conduzia um inquérito que tinha por finalidade investigar as condutas do presidente e dos seus três filhos.

Clique aqui para ler a matéria do Correio Braziliense.

Mas hoje o jornalista Luis Nassif chamou a atenção para um detalhe importante: por que Angra dos Reis?

Ele apontou várias conexões políticas, envolvendo o jogo, legalização de cassinos, tráfico de drogas e armas etc. O jornalismo investigativo poderia se debruçar sobre esse tema.

Mas, para além das elocubrações, temos casos bem concretos: rachadinha na Câmara do RJ, rachadinhas da famílicia, Gabinete do ódio, caso Marielle e agora a ABIN Paralela.

É muito crime se acumulando na conta desses caras!


29.1.24

Luciano Huck e o jatinho subsidiado

 

Uma notícia de 2019 voltou a cena. Ela conta que o apresentador de TV, o milionário Luciano Huck, comprou um jatinho para sua empresa, financiado pelo BNDES com juros subsidiados.

Confira a notícia aqui na Revista Exame.

O negócio parece ser juridicamente perfeito, sem vícios ou privilégios. Então por que voltar ao assunto?

Em razão do apresentador ter desferido um ataque no “X” contra as empresas estatais, acusando-as de serem responsáveis pelo nosso baixo crescimento e produtividade.


Se ele pensa dessa maneira não seria mais lógico financiar o jatinho para sua empresa no Itaú ou no Bradesco? E com juros de mercado, obviamente.

Mas ele é o retrato pronto e acabado da elite nativa. As benesses do Estado devem estar ao seu dispor e para a patuleia basta pão e água, se não tiver que comam brioches.

Essa é a elite do atraso, como diz Jessé de Souza, e este em particular, ensaia vez por outra, candidatar-se a presidência da República.

O agronegócio sempre vem na mesma batida. Já viram algum expoente do agro reclamando da dinheirama subsidiada do plano safra? Não.

São contra a intervenção do Estado, mas basta um contratempo qualquer, que diminua seus lucros, para exigir, e conseguir, a participação do Estado malvado no seu prejuízo.

Assim também com os demais setores. Quando estão nadando em dinheiro, superexplorando seus trabalhadores, querem distância do Estado, mas quando têm prejuízos, exigem a partilha.

São esses mesmos, com raras exceções, que atacam as políticas públicas voltadas aos mais pobres e desfavorecidos, que endeusam a meritocracia dos herdeiros.

 

28.1.24

Fuzis para todos (os policiais)

 


Fonte: ICL Notícias - 27/01/24.

Qual a razão para um PM ter até 5 fuzis de uso pessoal?

 Nesta semana o exército publicou portaria que autoriza que um PM tenha até 5 fuzis para uso pessoal. Além deles também os bombeiros militares, servidores da Abin e do GSI da Presidência também receberam a absurda autorização.

Fico imaginando, do ponto de vista da racionalidade, a justificativa para tal estupidez. Será o desejo de distribuir mais armas para o crime organizado? Abastecer as milícias? Ou apenas confrontar a política do governo federal de restringir a circulação de armas no país?

Parece se desenhar mais um cabo de guerra entre setores das FFAA e o governo legitimamente eleito.

É necessário colocar ordem na casa e na caserna. Os militares devem se ater ao seu papel: cuidar das fronteiras! Vigiá-las, impedir a entrada de armas ilegais e drogas ilícitas. Precisamos que os militares obedeçam às autoridades eleitas, afinal elas que foram eleitas para isso: comandar o país!

Clique aqui para ler matéria do Metrópoles sobre o tema.

26.1.24

Arapongaem da ABIN: 30.000 cidadãos e cidadãs espionados ilegalemnte

Mais uma vez Bolsonaro mostra o que todo mundo já sabia: as instituições do Estado foram colocadas ao seu bel prazer! Desta vez foi a ABIN – Agência Brasileira de Inteligência – com um agravante muito sério, os dados foram compartilhados com um país estrangeiro!

A excelente jornalista Juliana Dal Piva nos mostra no ICL Notícias (clique aqui para ler a matéria) como agia a arapongagem comandada por Alexandre Ramagem, até onde se sabe.

Fonte: ICL Notícias - 26/01/24

Aproximadamente 30.000 pessoas foram espionadas pelo sistema clandestino, com o uso de funcionários públicos desviados de suas funções para servir, sabe-se lá a quem. Dentre eles estão políticos, promotores, juízes, jornalistas, além de cidadãs e cidadãos que discordavam do governo do inominável.

O ex delegado da PF ainda guardava, como se fosse seu, equipamentos da ABIN!

É urgente que o governo Lula promova alterações significativas no Gabinete de Segurança Institucional e no sistema de informação, tirando das mãos dos militares e colocando-os sob controle civil.

A maneira como foi conduzida a ABIN e demais órgãos da arapongagem, sempre comandados por militares, propiciou a tentativa de golpe do dia 8/01, que por muito pouco não obteve sucesso.

Também é preciso responsabilizar os militares tresloucados que se envolveram nessa tentativa de golpe, dando nome aos bois, ou ao gado, de forma inequívoca.

24.1.24

Mentira tem perna curta

A fake News da Revista Oeste, ecoada aqui no LinkedIn por parte de alguns adeptos da extrema direita, não durou uma semana.

A Arquidiocese de SP anunciou o arquivamento da denúncia contra o Pe. Júlio Lancellotti por total ausência de provas. Ousaria dizer que, para além das provas, faltou também coerência!

Mais uma vez a revista mentiu e mais uma vez os idiotas de sempre repercutiram a mentira.

A decisão da Arquidiocese só acompanha a decisão do Ministério Público, que em 2020, de forma idêntica, arquivou o processo.

Espero que agora o MP exija as provas de quem acusa, inclusive dos “dois peritos”, que entre uma atividade golpista e outra, arrumaram tempo para “periciar” o tal vídeo.

Também se faz necessário medida contra o vereador autor da denúncia. Afinal não pode uma autoridade compactuar, divulgar e ampliar mentiras.

O trabalho do Pe. Júlio só merece elogios. Eu, que sou ateu convicto, faço contribuições mensais para a sua obra, além de divulgar os pedidos de ajuda feitos por ele.

Até quando as pessoas vão levar adiante essa crença na cretinice e na mentira?

Levaremos tempo até encontrar a cura para o bolsonarismo que infectou muitas pessoas no nosso país.

Fonte: ICL Notícias


22.1.24

Qual a PM que mais mata?

Uma competição tenebrosa está em curso no nosso país. Qual a PM campeã de assassinatos?

E mata principalmente os pobres, pretos, índios e aqueles que não podem se defender.

O caso da BA é emblemático, com 14 anos de governos petistas não conseguiram gestar uma política de segurança pública que, ao mesmo tempo, ofereça garantias aos cidadãos e cidadãs e respeite as leis e os direitos humanos.

Assim como a de SP, chegam atirando para matar, quando se trata de pessoas periféricas ou movimentos sociais, mas são de uma delicadeza impressionante quando o problema ocorre em uma região nobre ou envolve interesses de poderosos.

Lembro-me que em 2011 eu estava dando aula num curso preparatório para ingresso na Academia do Barro Branco, lugar de formação de oficiais da PM de SP, e o governo da época (Geraldo Alkimin – PSDB) introduziu as disciplinas de Sociologia e Filosofia na prova, visando ampliar a visão dos futuros oficiais sobre Direitos Humanos.

Poderia ser uma diretriz para a formação de oficiais da PM em todo o Brasil, bem como conteúdos semelhantes para os policiais, assim como a obrigatoriedade de câmeras corporais.

Tais ações não são contrárias à PM, mas sim protegem os bons policiais e reforçam suas ações.

Com esses recursos as cenas lamentáveis de PMs do PR torturando suspeitos não seriam mais vistas. Clique aqui e veja o vídeo desse crime.

Mas o que mais me chocou nesse final de semana foi saber do ataque de ruralistas baianos ao povo Pataxó Hã-hã-hãe com apoio da PM da Bahia com o olhar complacente da PM da BA.

O jornal Brasil de Fato fez uma boa matéria sobre o tema. Clique aqui para ler o texto.

Isso sem falar na PM do RJ, que mais parece um grupo de matadores profissionais. Tenho certeza de que tem gente boa, homens e mulheres, nessas instituições, mas elas estão tão viciadas que sempre vem a minha mente a frase do “Capitão Nascimento: a PM do RJ tem que acabar!” do filme Tropa de Elite.

Na verdade, a polícia brasileira precisa começar de novo e ser colocada a serviço da população e não da proteção ao patrimônio de quem já tem muito.

19.1.24

Escravidão continuada

O Brasil foi construído como nação assentado na escravidão.

Embora legalmente terminada em 1888, muitos ainda hoje acreditam nessa instituição, baseados na existência de seres humanos superiores e inferiores.

A escravidão, de fato, nunca foi abolida, basta vermos as denúncias de trabalhos análogos à escravidão, sem contar as dependências de empregada, a negativa de se pagar direitos trabalhistas às empregadas domésticas e a chaga de trocar trabalho por comida e pouso.

Nossos corações e mentes continuam escravistas. Muitos trabalhadores, apesar de essenciais ao funcionamento da sociedade, tornam-se invisíveis, como aqueles e aquelas que trabalham na faxina, na entrega por aplicativos e, de forma geral, aqueles que não ostentam o título de “doutor” na placa de identificação.

No meio rural esses casos de escravidão moderna ganham notoriedade, seja pela dificuldade em fiscalizar, seja pelo poder que os ruralistas têm.

Os casos aparecem nas fazendas dos mais diversos cultivos, abrangendo, inclusive, o agronegócio.

O Estado precisa ser reaparelhado para dar conta de executar as leis, fazendo com que sejam cumpridas.

Por outro lado, urge fazer a reforma agrária e incentivar a agricultura familiar. Também são meios para atingir o bem maior: dignidade para as pessoas do campo!



16.1.24

A praga da desigualdade: um fenômeno mundial

A OXFAM publicou um relatório nessa semana sobre a desigualdade no mundo. É aterrador!

O ICL Notícias publicou amplas análises com base no relatório, caso queira ler a excelente entrevista feita pelo Chico Alves é só clicar aqui.

Ao longo da pandemia os homens mais ricos do planeta ficaram mais ricos ainda, o mesmo acontece no Brasil. Enquanto os mais pobres tornaram-se mais pobres ainda, quer seja pela precarização do trabalho quer seja pela “crise do capitalismo” que teve a pandemia como causa maior.


Fonte: ICL Notícias

Segundo Kátia Maia, diretora da OXFAM Brasil, a grande concentração monopolista é a maior causa dessa crescente desigualdade.

O capitalismo sendo ceifador dele mesmo. Dizem por aí que quanto mais eficiente for a empresa mais ela terá sucesso e, no caso, tende a eliminar a concorrência, ou seja, aniquila uma suposta vantagem do capitalismo impondo o monopólio do setor.

As grandes farmacêuticas são exemplos prontos e acabados disso, assim como as empresas de tecnologia.

Segundo ela afirma é a primeira vez em 25 anos que a desigualdade cresce entre os países do norte e do sul, bem como internamente dentro das nações.

O triunfo do neoliberalismo não deixará pedra sobre pedra. Sugiro a leitura do livro O Horror Econômico, que traça um resumo assustador do neoliberalismo, é emblemático para que possamos compreender esse fenômeno.


https://editoraunesp.com.br/catalogo/8571391475,o-horror-economico

É como se dissessem: quem não produz é melhor que morra para não atrapalhar.

Isso serve para o Sul global ou para os enjeitados dentro de cada nação, pobres em geral ou grupos vulneráveis.

É necessário que o Estado assuma o seu papel, tanto na regulação da economia, quanto das regras sociais como um todo, o contrário disso nos levará a barbárie.

9.1.24

Um ano depois: democracia inabalada?

Dia 8/1/23 fomos surpreendidos por uma tentativa de golpe de estado no Brasil.

Uma turba bolsonarista, instruída ao longo do mandato do inelegível, resolveu tomar de assalto os prédios dos três poderes da República e depredá-los.

A primeira reação foi de incredulidade. Não pensei que o bolsonarismo fosse tão longe nos seus intentos. Na sequência apareceu a ansiedade: qual seria o poder de reação do governo Lula?

A reação veio rápida, projetando as figuras do ministro Flavio Dino e do seu segundo homem do Ministério Ricardo Capelli, que com rapidez e agilidade coordenaram a reação do governo a sanha golpista.

A intervenção decretada na Segurança Pública do DF evitou o segundo e definitivo passo do golpe: entregar o poder de restaurar a ordem pública às FFAA por meio de uma GLO, dispositivo constitucional da Garantia da Lei e da Ordem.

Por outro lado, o Ministro Múcio, tentou, e continua tentando proteger os golpistas das Forças Armadas, principalmente o alto oficialato golpista, fatos amplamente documentados, até porque eles, os militares golpistas, se incriminaram com relativo prazer e gozo.

Outra coisa que chamou a atenção foi a autoincriminação dos marginais que invadiram os palácios! Filmaram-se, fotografaram-se, discursaram, quase sempre apoiados em teorias conspiratórias ou ideias estúpidas, como pedir auxílio aos Ets.

Quando voltamos os olhos para esses fatores aleatórios a vontade é de rir, pois são muito idiotas, e, às vezes, chorar.

Não podemos simplesmente sorrir em razão do avanço da extrema direita no mundo, estão ganhando eleições, como na Itália e marcham sem pudor com manifestações fascistas em todos os cantos, inclusive, mais recentemente, na vizinha Argentina.

A democracia brasileira é frágil, basta atentar para o histórico de golpes de estado em nosso país, e continua abalada, embora o título da manifestação institucional de ontem diga o contrário. Falta povo na rua para defendê-la!

Falta também punições exemplares a quem tentou o golpe de estado, sejam os próprios baderneiros, quem os financiou e quem os instigou, sejam políticos, militares ou gente rica.

Ontem o ICL Notícias estampou uma foto emblemática no seu portal, que reproduzo abaixo com o link da matéria. 


2.1.24

Carolina Maria de Jesus – 110 anos do seu nascimento

Ainda na década passada, quando estava dando aulas no ensino médio, topei um desafio chamado Geografia Literária e propus a obra de Carolina Maria de Jesus chamada Quarto de Despejo – diário de uma favelada.

Essa obra me emocionou muito, confesso que era única que eu conhecia dela, mas, junto com meus alunos e alunas, mergulhamos no mundo dessa brilhante escritora.

Conheci as outras obras dela, um disco de samba e toda a teia que ela teceu partindo da sua imensa cultura, apesar do letramento básico para os padrões da literatura brasileira.

Lemos o livro por inteiro, discutindo trechos dele e buscando compreender o que ela tentou nos dizer. Foram descobertas maravilhosas para mim e parte importante das alunas e alunos.

Terminamos com uma caminhada pelo bairro – Canindé – onde ela foi “descoberta” pelo jornalista Audálio Dantas. Percorremos trechos, a pé e de ônibus, por ruas que ela descreve e nomina no livro.

Foi um projeto maravilhoso, pena que o universo por onde enveredamos a partir de 2018, impossibilitou a continuidade dele. Logo vieram os itinerários formativos, no bojo da reforma do ensino médio e, o pior de tudo, o tal Escola Sem Partido, um grande movimento da direita visando a censura dentro da sala de aula.

Tenho certeza de que os professores e professoras que me antecederam têm ótimas recordações das obras estudadas, assim como me recordo com muito carinho da primeira obra da qual participei Hora da Estrela, de Clarice Lispector, que estava sendo estudada quando cheguei na escola.

Logo na sequência desse estudo – salvo engano em 2017 – Quarto de Despejo foi incluído nas obras obrigatórias da Unicamp e da URFGS, o que me deixou muito feliz pelo acerto na escolha desse livro e dessa escritora.

Vejam que matéria bacana, de autoria de Eliana Alves Cruz, publicado no ICl Notícias, sobre os 110 anos do nascimento de Carolina Maria de Jesus clicando aqui

26.12.23

Vamos falar sobre censura?

O que os "libertários do Brasil" fizeram com o jornalista Breno Altman é censura da pior qualidade, pois tem o aval da justiça estadual.
Uma representação da Conib conseguir apagar algumas postagens do jornalista no "X", alegando discriminação.
Houvesse regulamentação das mídias sociais isso seria resolvido de forma mais fácil.
Impressionante a máquina do sionismo, conseguem censurar um judeu por discordar dos crimes de guerra cometidos por eles.

Leia mais aqui

25.12.23

Sobre o Forte Apache que ganhei de Natal

Amigos e amigas, não estou fazendo "publi" do Forte Apache, nem da Gulliver, mas esse presente de Natal dado pelo meu filho, Jaime Mello, está repleto de significados para mim.

Vamos a história.

Quando ele era criança sempre deixei claro que ele, um dia, faria as suas próprias escolhas e quando esse dia chegasse, ele jamais poderia negar de onde vinha: filho de trabalhadores, neto de trabalhadores com origem no campo e por aí vai.

Então, muito cedo, cuidei de desmistificar uma série de coisas. Um pouco antes de completar três anos ele soube por mim que o papai noel era uma fraude capitalista e que quem dava os presentes eram os pais, avós, tios e tias etc.

Fui duramente criticado por parte da família, mas não desisti de deixar claro que o dinheiro que nos permitia existir não era uma dádiva do patrão, mas sim fruto do empenho e da dedicação, o que nos impedia de ficar mais tempo com ele.

E continuei contando histórias para que ele entendesse sempre.

Numa dessas, não lembro exatamente quando, contei que quando criança meu pai enfrentou muitas dificuldades financeiras, sempre procurando não deixar faltar o básico para mim e minha irmã, mas sem poder atender nossos desejos.

Entendi isso muito cedo, sem que houvesse a necessidade de ser comunicado.

Nunca pedi presentes de Natal ou aniversário, mas claro que desejava o que a TV nos mostrava na época, principalmente o Autorama e o Ferrorama da Estrela, mas meus olhos brilhavam mesmo com o Forte Apache.

Aliás não compreendia a razão de sempre torcer para os índios, isso só ficou claro bem mais tarde, quando percebi a importância de ficar do lado dos mais fracos e oprimidos.

Foram muitas histórias ao longo desses 24 anos. Minhas e dos meus amigos, algumas aconteceram, outras, tenho certeza, que nasceram da minha imaginação.

Eu só não imaginava o Forte Apache ficaria tão gravado na memória dele e que, com parte do seu primeiro salário como Desenhista da Prefeitura de Assis, emprego que ele conquistou por meio de um concurso público ele me compraria o dito cujo.

Imaginem um senhorzinho, bem capenga, recebendo um presente de Natal, que ele desejava desde a infância, aos 62 anos!

Não canso de ficar emocionado toda hora que olho pra aquela caixa da Gulliver.

Claro que nossa situação financeira melhorou um pouco.

Hoje conseguimos atender também alguns desejos, com dificuldades aqui e ali, mas conseguimos.

Mas sempre faço questão de lembrar, para que não reste ilusões: somos trabalhadores, filhos de trabalhadores com origem no campo. Estamos de um lado na luta de classes e os donos do capital do outro, por mais bonzinhos que sejam.

 

 



 

 

22.12.23

Sobre a corrupção

Gostaria de retomar um tema que tratei na Revista Galileu Vestibular de 2007? A corrupção.

Embora publicado na primeira década do século XXI o texto pode ser atualizado para os dias atuais com muita facilidade, basta somar os episódios do Cunha, do Petrolão e do governo Bolsonaro.

Imagino que hoje poderíamos colocar, sem medo de errar, que o presidencialismo de coalizão, coisa só existente no Brasil, é um dos motores das ações atuais.

O que há de pior no Congresso chantageia o presidente da República por meio do orçamento secreto. Foi assim na segunda metade do governo Bolsonaro e continuou no início do governo Lula.

Culpa do eleitor que votou pessimamente nos seus representantes? Talvez. Prefiro culpar o campo progressista pela incapacidade de angariar votos para os bons representantes do povo.

Isso não pode fazer com que criminalizemos a política. Existem políticos ruins, assim como profissionais de todas as áreas, a grande diferença é que esses políticos definem a vida de todas as outras pessoas.

O falecido Plínio de Arruda Sampaio defendia que o PT centrasse suas energias no legislativo, compondo quando possível, chapas para o Executivo. Hoje penso que ele tinha razão.

Mas a questão da qualidade do voto fica para outro texto.

 

                                                                                                                                                                                              Lula Marques/Agência Brasil

 

Texto publicado na revista Galileu Vestibular 2007

PROBLEMA HISTÓRICO E GENERALIZADO

Prática da corrupção foi disseminada em praticamente todos os governos do país

A corrupção no País é sistêmica, atingindo todos os setores da sociedade, pautando-se quase sempre pela oportunidade. 

Temos o jovem rico pagando ao segurança para furar a fila da balada, o moço pobre furando a fila na bilheteria do estádio, o bancário subornando o guarda para que ele ignore o desrespeito à lei, o deputado ou qualquer outra autoridade do poder público visando engordar seus lucros. 

Não podemos ignorar que a corrupção não é uma via de mão única: se tem um corrupto tem também um corruptor, ambos criminosos. 

Entra governo e sai governo, os escândalos se multiplicam e se renovam. 

Às vezes disfarçados de "megaobra", às vezes camuflados de caixa 2 — ou dinheiro não contabilizado. Definitivamente, a corrupção não foi inventada pelo governo Lula e muito menos é este o governo mais corrupto da história. 

Num rápido passeio por um desses sites de busca, como o Google, encontraremos referências à corrupção nos governos de Getúlio, JK, Jango, nos presidentes da ditadura militar, Sarney, Collor, FHC e Lula. Em todas as crises, a imprensa trombeteia tratar-se da maior da História. 

A sucessão de escândalos neste governo, no entanto, foi impressionante. Já a incapacidade do seu principal partido, o PT, em responder a eles de forma convincente, optando pela estratégia do silêncio e apostando no esquecimento do eleitor, parece ter sido bem-sucedida.

A Polícia Federal está muito mais atuante do que em governos anteriores, é claro. 

Independentemente dessa atuação, podemos lembrar o mensalão, a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro de Brasília e agora a compra do dossiê contra o candidato ao governo de São Paulo José Serra. 

Divulgar documentos comprobatórios ou indicativos de atos de corrupção não é crime. O crime está no método usado e principalmente na origem do dinheiro para comprá-lo, quase R$ 2 milhões.

Quando pensamos que o governo e o PT encontraram fácil o caminho da reeleição do presidente Lula, eles mesmos atiram contra si.

Aqui a publicação original





19.12.23

Eu não gosto de você papai noel

Faz tempo que o clima de Natal não me agrada, não fosse pela possibilidade de me juntar aos familiares eu preferiria continuar na minha toca, sem ver ninguém.

Lembro-me de quando contei para o meu filho que papai Noel não existia, e esse que a gente via no Natal era uma invenção da Coca-Cola, fruto do mais puro capitalismo. Fui muito criticado, só porque ele tinha acabado de fazer três anos.

Nos últimos o governo do genocida me fez ficar mais triste ainda com essa data.

O aumento da população de rua, da pobreza e da fome, somados as inúmeras intrigadas familiares, por conta do fascismo, me entristeceram bastante.

Neste ano o país parece caminhar melhor, embora com dificuldades. A esperança parece melhorar, mas ainda estou ressabiado.

Por isso volto com essa poesia que é emocionante e que faz com que lembremos das pessoas que não tem acesso aos bens mais essenciais, quanto mais ao papai Noel.




18.12.23

Parabéns Jaime Ernesto!

 
Em 1999, num dia como hoje de muito calor e sol escaldante, fomos para a maternidade,  Ana Lúcia  e eu , numa ansiedade, misturada com medo, pela expectativa da chegada de nosso filho.

Depois de alguns alarmes falsos ele veio a este mundão trazer muitas alegrias e algumas preocupações também.

Naquele momento, quando aquele “pequeno repolho”, com uma cabeça enorme, saiu da sala de parto e foi exibido a nós, estavam na antessala, o tio Anselmo, a vovó Dalva e  eu, que nem sabia o que dizer.

Só pensava em como fazê-lo feliz, mesmo sabendo que isso não seria possível o tempo todo. Ou ainda em como ser um excelente pai, mas lembrei que não tinha um curso para isso, embora o hospital escolhido tenha oferecido um curso nesse sentido, mas o lanche era bem melhor do que o curso.

O médico veio até mim dizer que o parto tinha corrido bem, embora tivesse sido “2 em 1”, foi feita toda a preparação para o parto normal, mas na “hora h” o rapaz em questão resolveu olhar na direção errada e o médico teve que tomar a decisão pela cesariana.

Veio o primeiro susto, ele deveria ir para a isolete neonatal, acho que é esse o nome e talvez não voltasse pra casa conosco. Mas foi só um susto e dois dias depois fomos para casa, levados pelo camarada Edílson, que o presenteou com o primeiro uniforme do Timão (o segundo veio do Maurício).

E pensar que isso tudo já faz 24 anos!

Vieram então as etapas escolares, com uma pré-escola maravilhosa, que demoramos a acertar, com o Fundamental I feito na escola na qual eu lecionava, depois o Fundamental II, quando mudamos de escola e o Ensino Médio.

Para alegria da família ele foi aprovado no Instituto Federal, na ETEC e no Liceu de Artes e Ofícios. Era o tempo que ele dizia querer fazer arquitetura, então escolheu o Liceu.

Momentos tensos, quando por desencontros, entre as expectativas e o ensino oferecido, fizeram com que ele desistisse da Arquitetura.

Depois de várias agruras veio a decisão difícil: o que fazer no ensino superior?

Escolheu engenharia biotecnológica, unindo as exatas com a biologia.

Falta um ano para terminar o curso.

Neste ano iniciou sua trajetória profissional ao ser aprovado no concurso para desenhista na prefeitura da cidade na qual mora e estuda.

Nós o amamos.

Não sabemos o quanto acertamos e o quanto erramos na sua educação, mas hoje ele pode caminhar sozinho.

É uma pessoa despida de preconceitos, solidário, companheiro, e, para mim o essencial: um cidadão consciente,  que pensa sempre naqueles não cuidados pela sociedade.

Ainda por cima corintiano!

Penso que, para finalizar, só nos cabe deixar aqui uma declaração bastante simples:

NÓS TE AMAMOS MUITO!

Que faça as escolhas certas e, se errar, estaremos aqui.

 



14.12.23

Dilma: de presidenta injustiçada à presidência do banco dos BRICS

Parabéns, Dilma

Dilma foi muito injustiçada, inclusive por setores da esquerda.
Mulher brilhante, com uma história de lutas irretocável.

Hoje preside o banco dos BRICS e foi escolhida como a melhor economista do ano!
Que tenha forças pra lutar por muito tempo ainda!

Viva Dilma!

Vejam o vídeo no link, no qual ela dá uma resposta bem bacana pra uma "lacradora" de redes sociais


5.12.23

A herança precisa ser taxada com urgência

Durante um tempo dei aulas num preparatório para vestibular muito chique aqui em Sampa.

A grande maioria dos alunos e alunas eram preparados para assumir os negócios da família. Tinham uma infinidade de cursos extracurriculares e muitas milhas acumuladas.

Quando eu dizia que a herança era uma fábrica de vagabundos e que banco não produz nada, então deveria ser taxado de uma forma diferente, frequentemente eu sofria alguns aborrecimentos.

Não dou mais aulas lá faz tempo, mas gostaria de ver reação do pessoal com essa notícia do UBS, um banco gestor de fortunas, portanto não cabe a alcunha de "comunista".

Em tempo: tive excelentes alunos humanistas, solidários e também do ponto de vista cognitivo.

Pela primeira vez, bilionários acumularam mais riqueza pela herança que com trabalho, diz UBS

4.12.23

Arte e Cultura Guarani


 

Censura ou reparação?

O STF entendeu que os órgãos de imprensa são responsáveis pelo que o entrevistado fala no caso de falsa imputação de crime.

Alguns jornalistas se rebelaram contra a medida, no meu entender por justa razão.
Imagine como seriam as entrevistas ao vivo nessa situação? Impossíveis de serem feitas.

Mas, por outro lado, é necessário tomar algumas medidas para que não aconteça novamente o que aconteceu com o ex-deputado, já falecido, Ricardo Zarattini, que foi acusado, de forma caluniosa, pelo Jornal Diário de Pernambuco de ter realizado um atentado no Aeroporto de Guararapes, que resultou em uma morte.

O ponto de partida da acusação foi uma entrevista, com informações falsas, do ex delegado de polícia, alinhado à ditadura militar, Wandenkolk Wanderley.
Não houve o chamado “o outro lado” nem a checagem da notícia, ainda não estava em moda. 

A reparação só veio agora, decorridos 30 anos do fato.
Podemos perceber uma enorme lacuna no judiciário pela demora descabida. Justiça tardia é injustiça, sabemos todos.

Mais recentemente o jornalista Leandro Demori foi caluniado pelo deputado federal Gustavo Gayer. De forma mais ágil a justiça decidiu pela reparação, obrigando o deputado mentiroso a ler uma nota nas suas redes sociais, escrita pelo próprio Demori, restabelecendo a verdade. 

A medida do STF é censura?
Nos casos das entrevistas "ao vivo", sim, mas se usado o bom senso, as notícias mentirosas, ou fake News, não podem servir de base para acusações infundadas ou ainda para escaladas dos noticiosos, como nos casos da cassação da presidenta Dilma Roussef e da prisão do presidente Lula. 

A medida correta seria criar um instrumento ágil da justiça para reparação da verdade, de imediato, sem prejuízo das indenizações cíveis.



Privatiza que dá certo!

O mito neoliberal da privatização dos serviços públicos não resiste a um olhar pra realidade, quer seja aqui ou em terras estrangeiras.