4.3.11

Tragédias no RJ: a natureza é a maior culpada?

Segue o brilhante texto do amigo Edilson A. da Silva. Está publicado no site da CartaCapital, é só clicar aqui para conferir o original.
A análise é perfeita! Já havia caminhado na mesma linha com meus alunos do Colégio Parthenon, logo no início das aulas em fevereiro.
Chamei a atenção deles para a cobertura superficial e sensacionalista da grande mídia.
Alertei os amigos, por meio de um texto recebido pelo twitter, sobre o ocorrido em 1967, na Serra das Araras e em Caraguatatuba.
Além da grande contribuição oferecida pelo amigo devemos ressaltar que a grande mídia, a que arvora formadora de opinião e dona de todas as verdades existentes entre o céu e a Terra, continua perdendo o pouco de credibilidade dia após dia, isso em todos os segmentos da informação.
Boa leitura:


Culpa do homem ou do clima?

Edilson Adão Cândido da Silva

Há quem remeta a tragédia da serra fluminense ao aquecimento global, mas se trata de pura geografia urbana

O Brasil é um país privilegiado no quesito natureza. Por apresentar uma geologia muito antiga com alguns terrenos que datam ainda do período arqueozoico e rochas com mais de 3 bilhões de anos, o País praticamente está isento de grandes sismos e, consequentemente, das catástrofes tectônicas. Pelo mesmo motivo há ausência de vulcões ativos. Os temidos furacões que tanta destruição provocam são fenômenos oriundos de águas oceânicas com temperaturas acima de 26,5 graus, mas da América tropical centro-setentrional; não ocorrem no Sul, área mais sujeita a ciclones. Os tufões, não menos trágicos, são asiáticos e os tsunamis, tectonismo oceânico, também passam longe da costa brasileira. Isso justifica em parte a expressão “Deus é brasileiro” ou antiga piadinha de que Deus legou tudo ao Brasil e puniu o Japão.
Contudo, quando acontecem movimentos gravitacionais de massa, os deslizamentos, como os ocorridos em janeiro deste ano na região serrana do Rio de Janeiro, alguns repensam a anedota nacional. No entanto, é bom que se diga, não podemos atribuir exclusivamente à natureza os tristes episódios da abertura de 2011. Eles são, sim, um híbrido entre fatores naturais e sociais, mas com um peso bem maior ao segundo via ocupação desordenada em encostas­ com mais de 45 graus. Tampouco convém afirmar categoricamente ser “o maior desastre natural da história brasileira”; ainda não, pois os deslizamentos na Serra das Araras em 1967, levando-se em consideração os corpos desaparecidos pela inviabilidade da busca, somaram 1,4 mil mortos. Até o fechamento desta edição, o número de mortos não chegava a 900.
A geografia explica que a porção oriental do Sudeste brasileiro em grande parte é dominada por aquilo que Aziz Ab’Saber cunhou como domínio morfoclimático dos Mares de Morros e nós, professores, ensinamos que tal designação refere-se a um relevo embasado por um cráton cristalino recoberto pela floresta tropical atlântica em área de domínio tropical úmido, com verões chuvosos e invernos de estiagem. A topografia irregular dessa faixa intertropical foi esculpido por um alto índice pluviométrico que pode chegar a 4 mil milímetros anuais, como ocorre na Serra do Mar. Logo, sabemos das possibilidades de chuvas torrenciais episódicas que a cada ano castigam algum ponto desse domínio brasileiro. 2010 iniciou-se com tragédias em Angra dos Reis e Niterói. Em 2011, o mesmo se repetiu em Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Em 2012, lamentamos, dificilmente será diferente.
O natural e o social Parece difícil ao homem entender que a natureza coloca algumas placas de aviso: “Não se aproxime!” O homem ignora, retira a cobertura vegetal, coloca em seu lugar concreto ou deixa o solo desnudado e exposto à ação das chuvas. Feito isso, é só esperar pelo pior.
Deslizamentos e ocupação irregular de encostas não são novidades no Brasil. A presidenta acertou em cheio em afirmar que isso é regra, não exceção. Tragédias relacionadas a essa realidade frequentam o noticiário há décadas. Na leitura daqueles que se debruçam sobre o tema, o problema é bem mais de ordem social e política, mas outros atribuem imediatamente a responsabilidade à natureza tão logo caem as chuvas no verão austral. A interpretação é mais ou menos simples: as tragédias estão ligadas à fortíssima concentração de renda brasileira. Com raras exceções – e as houve nesta tragédia da serra fluminense –, as vítimas normalmente são os pobres. A pergunta é: “O que eles estão fazendo ali?” E a resposta: “Foram empurrados para lá”.
Ousaria afirmar que para nós, geógrafos, os constantes deslizamentos são bem mais uma questão de geografia urbana do que de clima, obviamente, associados. E a conclusão é que não haverá solução se não houver remoção e, a longo prazo, autoridades e sociedade haverão de compreender que sem melhora social o problema se perpetuará. Preocupa-nos particularmente o Novo Código Florestal, que na realidade é um retrocesso ambiental, pois aumentam os riscos ao permitir desmatamento em topos de morros. Será a legalização do caos.­ A ampliação da ocupação das áreas de várzea é outro absurdo do novo código. O nome científico deixa bem claro: várzea de inundação. Pertence ao rio, não a nós. É da natureza fluvial; uma hora ele ocupa!
Nossos colegas historiadores ensinam em suas aulas que, quando da libertação dos escravos, os negros saídos das senzalas iniciaram a ocupação dos morros cariocas, processo que se perpetuou pelos seus descendentes. Portanto, a questão da moradia nas grandes cidades brasileiras está diretamente ligada ao assunto, visto que as migrações internas que provocaram o inchaço urbano foi empurrando para os morros cariocas, paulistas, mineiros etc.

Aquecimento global: vilão conveniente ou ameaça real?
Na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 2010, um dos pontos altos do evento foi o caloroso debate entre aqueles que defendem a importância antropogênica nas mudanças climáticas e os que refutam essa tese. Foram escalados para defender as respectivas posições o físico da USP Paulo Artaxo e o meteorologista, também da USP, Ricardo Felício, cada qual com seus gráficos e tabulações para defender seus respectivos pontos de vista. Longe do linguajar científico, é nítida a preferência pela mídia quanto à primeira perspectiva, especialmente por jornalistas adeptos do estardalhaço em épocas de tragédias, quando de bate-pronto atribuem a responsabilidade das desgraças ambientais ao aquecimento global – ou até ao El Niño, fenômeno ambiental ainda pouco conhecido pela comunidade científica.
O efeito estufa, termo anterior ao atual, mas com o mesmo significado, é um processo natural e necessário à Terra. Contudo, com o advento da sociedade industrial a partir do fim do século XIX, a emissão de gases poluentes como o CO2 (gás carbônico) ou CH4, (gás metano) aumentou em proporções alarmantes. Muitos cientistas atribuem a esse aumento de incidência o aquecimento do planeta que, segundo eles, poderá elevar a temperatura da Terra para entre 2 e 3 graus, o que é muito. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), aponta para essa direção: 90% das alterações climáticas são causadas pelo homem e apenas 10% são naturais. Dentro dessa tônica, a humanidade está alterando o clima do planeta. E essa interferência vai mexer com a dinâmica atmosférica global, trazendo consequências drásticas como o derretimento das calotas polares, aumento de furacões e desertificação em pontos localizados, enchentes etc.
Contudo, essa perspectiva não é unânime na comunidade científica. Há aqueles que defendem a tese de que o homem não tem capacidade para alterar o clima da Terra e outros ainda que advoguem, inclusive, a tese do resfriamento global – estaríamos adentrando em uma nova glaciação. Um dos estudiosos dessa linha de raciocínio (contra a antropogenia) é o professor Luiz Carlos Molion, cientista da área de climatologia.
Totalmente cético à difusão do aquecimento global antropogênico, Molion afirma que a quantidade de gases emitida pela sociedade industrial é irrisória para alterar o clima, especialmente se comparado ao que a vegetação e os oceanos emitem. Outro ponto aventado pelo pesquisador do Instituto de Estudos Avançados de Berlim (Alemanha) é a necessidade praticamente irreversível de demanda energética; há muito discurso sobre a redução do consumo de energia, mas ela só se fará aumentar nos anos vindouros.
Outros corroboram a opinião de que há uma questão ideológica naquilo que classificam como “pseudoaquecimento” global e que tal difusão serviria aos interesses dos países ricos, inviabilizando o desenvolvimento de outros, com um particular embate entre Estados Unidos e China, o primeiro com as boas condições de vida de sua população já garantida, enquanto o segundo, ainda por construir. Seria uma espécie de “ecoterrorismo” para inviabilizar o desenvolvimento de países pobres. Com a inegável consolidação de uma sociedade de consumo mundial, é difícil discordar de que a Terra não aguentará tal tendência. Logo, nessa visão, a melhor forma de preservar o planeta é a não proliferação do consumo, o que esconde uma menção ideológica muito clara: quem garantiu, garantiu! “Não proliferação” não significa reverter o que já está posto.
Destarte o necessário embate científico sobre a real inferência do homem no clima, a verdade é que, independentemente do veredicto, o clima é cíclico e as tragédias verificadas este ano independem totalmente do aquecimento global. É sabido desde sempre pelos climatologistas (defensores ou não do aquecimento global) que o clima de um lugar só se define a longuíssimo prazo. Um ano pode ou não ter chuvas torrenciais, pode ou não ter estiagem. Logo, em regime de clima tropical úmido os aguaceiros eventuais são mais que naturais. Essas chuvas torrenciais já ocorreram antes, hoje e sempre voltarão.

Que delícia de samba!

Alguém me passou essa dica pelo twitter, como a memória não tá ajudando não poderei dar o crédito:

1.3.11

Todo poder aos conselhos escolares!

Em conversas com amigos educadores tenho insistido num ponto: a população não conhece os conselhos de escola!
O governo federal deveria investir numa publicidade agressiva para divulgá-los, isso é de suma importância para melhoria da escola pública.
Hoje o portal Terra publicou excelente matéria sobre o tema:

População desconhece os bem avaliados Conselhos Escolares

O Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou que 71% da população brasileira desconhece a existência dos Conselhos Escolares. Por outro lado, 91% dos que afirmaram saber da existência deles reconhecem que são importantes ou muito importantes para a fiscalização e aplicação dos recursos financeiros das escolas.
Os Conselhos Escolares são grupos constituídos por representantes de pais, estudantes, professores, demais servidores da escola e membros da comunidade local. Eles têm a função de acompanhar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da escola.
Segundo dados do Instituto Nacional de estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os alunos matriculados em escolas com Conselhos Escolares têm mostrado um desempenho médio superior em relação aos alunos de escolas sem conselhos.
De acordo com a pesquisa do Sips, além dos 91% que afirmam que os conselhos são importantes na gestão financeira, entre os que disseram conhecer a existência desses grupos também houve 94% de pessoas que consideraram os conselhos importantes no acompanhamento de questões pedagógicas.
Na questão de acompanhamento do rendimento escolar dos alunos, porém, houve menos aprovação por parte dos respondentes. Entre os entrevistados, 54,2% disseram que o desempenho é bom nesta função - 30,5% afirmaram ser regular e 15,2%, ruim.
Segundo o estudo, "o fraco vínculo que os respondentes observam em relação à contribuição dos conselhos escolares para o rendimento dos alunos pode ser explicado pela baixa percepção da ligação direta que há entre a boa gestão da escola e o rendimento particular de cada aluno".

Programa do Livro Didático
Entre os entrevistados, cerca de 68% também disseram desconhecer o Programa do Livro Didático. Mas entre os que disseram que conhecem o programa, as avaliações positivas predominaram.
Quanto à quantidade de livros distribuídos, 59,9% das mulheres disseram achar suficiente, número que cai para 48,3% entre os homens - houve também número expressivo de homens que considerou pouca, 42,9%.
A conservação dos exemplares é vista como boa para 52% das mulheres e 49,7% dos homens. O conteúdo e os métodos foram avaliados muito bem tanto por mulheres como por homens - 67,4% e 60,1%, respectivamente, acham bons.
A qualidade da encadernação também foi bem: entre as mulheres, 68,9% acham boa, e entre os homens, a avaliação positiva é de 62,7%.
Até 2002, só alunos do ensino fundamental recebiam os livros didáticos. A partir de então, o programa foi ampliada gradativamente, passando a atender os alunos do ensino médio.
A pesquisa também perguntou sobre o futuro do programa, e 64% dos entrevistaram opinaram que deveria ser ampliado.

Pesquisa
Segundo o Ipea, a pesquisa foi feita com a aplicação de um questionário de 21 questões objetivas para 2.773 pessoas, em suas residências, em todo o País, no período de 3 a 19 de novembro de 2010. A amostra foi definida por cotas, tendo como parâmetro a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) de 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todos os entrevistado responderam a perguntas sobre a qualidade de educação pública no Brasil independentemente de frequentarem a escola ou serem responsáveis por alunos.
A pesquisa também não delimitou um período de comparação.

Fonte: Terra Educação

17.2.11

Uma revolução na educação brasileira

É disso que precisamos para que o país seja colocado nos trilhos da justiça social e da igualdade de oportunidades para todos.
Para que tal aconteça, o governo – em todos os níveis – deve tomar a iniciativa de chamar para si a responsabilidade de torná-la realidade, mas, ao mesmo tempo, a sociedade tem que desenvolver uma participação ativa e dizer, sem rodeios ou meias palavras, o que ela espera do processo educacional.
Insisto que algumas críticas feitas ao ministro Haddad, desde o ano passado, são oportunistas e apressadas – à esquerda e à direita – guiadas por interesses nem sempre claros, de grupos empresariais ligados à educação ou então ligados as disputas internas do PT e dos partidos da base aliada pelo controle do Ministério da Educação.
Também devemos atentar para o discurso de alguns pensadores da educação, segundo o qual o sistema educacional não deve se preocupar com a empregabilidade, por exemplo, cabendo a ele formar “cidadãos”. Segundo estes pensadores o sistema educacional não deve tratar de conteúdos, mas sim de ensinar.
Ensinar o quê?
Como um jovem poderá julgar a proposta de um determinado candidato, que prega canalizar rios e córregos de uma grande cidade, se não teve, em algum momento de sua vida escolar, conteúdos de Geografia, Biologia e Física pertinentes ao tema?
Como entender as tragédias da região serrana do RJ sem a compreensão da dinâmica climática da região, do relevo e do uso e ocupação do solo, conteúdos de Geografia?
É possível desenvolver programas de saúde sem conteúdos de Biologia?
Dá para explicar poluição das águas sem compreender princípios elementares de Química?
Poderia citar exemplos e mais exemplos de como os conteúdos são pertinentes ao ensino e à formação de um cidadão capaz de decidir o seu destino e de participar dos destinos da coletividade.
Tal termo – cidadão – tomado isoladamente ou nos discursos demagógicos, não oferece nenhum significado real aqueles jovens que necessitam trabalhar para completar a renda ou para se manter nos estudos.
Por outro lado algumas pessoas não gostam de estudar e não querem cursar universidade, então é legítimo que formação técnica lhe possibilite empregos que garante sua sobrevivência e a da sua família com dignidade.
Nem todo mundo quer ser advogado, médico, engenheiro ou professor!
Por isso considero correto o investimento do governo federal na formação técnica de nível média, preferia que isso ocorresse por meio dos Institutos Federais e não da iniciativa privada, mas convém esperar a formatação da proposta para emitir melhor juízo.

Voltei!

Caros amigos e caras amigas,
estou de volta! Agora trabalhando numa nova escola na cidade de Guarulhos, com ótimas impressões até o momento e dando prosseguimento ao trabalho de coordenação no cursinho, também em Guarulhos.
No momento o nosso grande desafio está em mudar para a cidade, abandonando o trânsito e a correria de São Paulo.
Jaiminho está adorando a escola, principalmente Inglês e Ciências!
É um imenso prazer retomar esse espaço!

21.1.11

Enem, SiSU, ProUni e outras coisas mais...

Hoje li inúmeras queixas e reclamações sobre o funcionamento do SiSU e do ProUni, tem até ações contra uma ou situação criada pelo MEC quanto a estes dois processos seletivos.
Alguns oportunistas estão esperneando. Querem a cabeça do ministro Haddad numa bandeja!
Os moços e as moças bem nascidos continuam reclamando de ter que dividir a possibilidade de acesso à universidade pública com a plebe ignara.
Esbravejam por que não conseguiram acessar o “sistema” na hora que quiseram, ou tiveram que persistir muito para consegui-lo.
Dos mais de 3 milhões de jovens que prestaram o Enem, pouco mais de 1 milhão se inscreveram no SiSU.
Os jovens pobres – oriundos da escola pública – não o fizeram em massa por que sabem que a concorrência continua desleal ou por não possuírem o conjunto de informações necessárias para fazê-lo.
Ignoram que a maioria das universidades públicas oferece moradia estudantil e bolsas de auxílio aos muito carentes, enfim, coisas que há uns 15 anos eram impensáveis para os garotos e garotas pobres.
Então podemos pensar que a maior parte das vagas das instituições federais disponíveis no SiSU ficará com os de sempre, mas agora eles reclamam pela democratização do acesso!
Há um perigo espreitando atrás dos muros das universidades: ela poderá ser de todos, um dia! Os primeiros e importantes passos estão dados com a afirmação do Enem.
Claro que precisa ser aprimorado!
Evidente que com os recursos disponíveis não deveríamos ter problemas nos sites do MEC!
Mas daí querer desqualificar todo o processo por causa de problemas operacionais vai uma grande distância!
Só mesmo o oportunismo político ou de classe para fazê-lo.

18.12.10

Ciclos que se encerram

Jaime Ernesto acaba de completar 11 anos. Ele é meu filho e tenho muito orgulho disso.
Primeiro explicando o nome. Jaime é uma singela homenagem ao irmão de minha esposa que nos deixou prematuramente, num trágico acidente. Ernesto é uma homenagem ao revolucionário mais coerente que a história conheceu: Ernesto Guevara de La Serna!
Jaiminho acaba de completar o 5º ano do ensino fundamental, na escola Pueri Domus da Rua Verbo Divino. Foi também seu último ano nesta escola, na qual fui professor por mais de quatro anos e que tantas boas recordações deixou.
Nossa alegria foi imensa por tudo que foi proporcionado a ele, tanto no campo do conhecimento quanto no da cidadania, além dos excelentes amigos que aqui deixa.
Não podemos deixar de mencionar suas professoras: Priscila, Márcia, Vera e Vânia, que acompanharam o desenvolvimento escolar do Jaime desde 2007 e também outras pessoas maravilhosas como Mirna, Heloíse, Bia, Bruno, Sílvia, Olga, Cristina e Lela, além de todos os outros trabalhadores do Pueri, que estiveram presentes no dia a dia do Jaiminho nestes anos todos.
Como esquecer Elisa, que foi diretora geral da Unidade, por quem o Jaime nutre especial carinho até hoje, embora ela tenha se afastado da Verbo na metade de 2008.
Foram muitos os momentos felizes e de sentimento de etapas cumpridas. Os trabalhos especiais, o crescimento intelectual e o ajustamento de condutas, grandes vitórias para ele e para nós.
Não esqueceremos das festas juninas, das jornadas esportivas, das preparações das tribunas livres, da Replago e principalmente do estudo do meio em Santos.
Apostamos sempre na educação que alimentasse a autonomia, o respeito ao outro e o hábito de estudar. Encontramos isso nas séries iniciais do Pueri quando fomos muito bem acolhidos pela Fernanda Zocchio, na época diretora e uma das mantenedoras.
Temos a certeza de que o caminho percorrido até aqui, em se tratando da escolarização de nosso filho, foi correto.
Nossa alegria vem misturada com uma dose de tristeza em razão da necessidade de ir embora.
Estamos de partida para outra cidade, aqui bem pertinho e ele para outra escola. Esperamos que sejam anos tão felizes como foram estes no Pueri Domus.

Na Rep Lago, cobertos de lama.


Agora é sério! Ao trabalho grupo!

Da esquerda para a direita: Pedro, Vânia e Jaime.


Da esquerda para a direita: Lela, Jaime, Mirna e Heloíse.


14.12.10

Sobre a emoção de ser professor

Sempre insisto que essa profissão que escolhi é espetacular. Considero-me um profissional da educação. Não sou pai, psicólogo, irmão ou amigo dos meus alunos. Sou professor. E como tal interesso-me pelo que aprendem, não só no tocante à Geografia, mas, sobretudo, aquilo que diz respeito às suas vidas.
Em 2008 trabalhei num projeto interessante, dentro da favela de Paraisópolis. Ali a instituição para a qual eu trabalhava, um colégio renomado, que atende a classe média alta da cidade, recebeu a incumbência de “montar” um curso de Ensino Médio.
Não era um trabalho voluntário, antes pelo contrário, éramos remunerados como no colégio e este, por sua vez, recebia pelo serviço prestado.
A condição para ser aluno era ser morador da favela de Paraisópolis.
O choque inicial foi grande. A quase totalidade dos alunos eram egressos da escola pública, com inúmeras dificuldades.
Também era perceptível que alguns eram brilhantes, apenas ofuscados pelos maus tratos do sistema público.
Os professores redobraram sua dedicação.
No fim daquele ano fui obrigado, por contingências da vida, a me retirar do projeto, mas nunca distanciei meu coração daqueles meninos e meninas.
Ontem recebi uma notícia que me deixou emocionado: três deles superaram a nota de corte da temida FUVEST.
Terminaram o ensino médio, uma vitória, e alguns irão para a Universidade, vitória maior ainda!
Imagino que a maioria deles nem se lembra de mim, mas aquela 1ª Série do Ensino Médio da Crescer Sempre será para sempre inesquecível!
Quero registrar aqui meus parabéns aos colegas que levaram a cabo essa primeira parte da missão.
Também ao mantenedor do projeto, que de maneira silenciosa oferece uma contribuição inestimável para a melhoria de vida destas pessoas.
Principalmente quero parabenizar aqui aqueles meninos e aquelas meninas, que com muita dedicação, sacrifício e abnegação venceram essa etapa da vida acadêmica!
Gostaria que não parassem, que dessem continuidade aos seus estudos e que pudessem oferecer à comunidade oportunidades de melhorar de vida!
Parabéns alunos e alunas da 3ª Série do Ensino Médio da Crescer Sempre de 2010!

Alunos da Crescer Sempre em 2009

9.12.10

Sobre as UPPs e a polícia comunitária

Bem aqui estamos com a postagem de número 1001! Ultrapassar a barreira dos 1.000 é muito bacana, me sinto quase um Pelé!
Feito o registro vamos ao que interessa: excelente a entrevista do Fazendo Média com o deputado estadual do RJ Marcelo Freixo (PSOL)!
Olhar lúcido, de quem conhece do riscado ele nos dá uma grande aula sobre a violência no RJ, o respeito aos moradores das favelas e um alerta vigoroso: só a polícia não basta! O Estado tem que ocupar de fato os morros com saneamento, educação, saúde, lazer, moradia etc.
Vejam um trecho da entrevista:

“Esse é o debate que está em jogo: a quem servirá o projeto das UPPs?”
Por Raquel Júnia /EPSJV-Fiocruz, 09.12.2010
O mandato de Marcelo Freixo, deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, tem acompanhado todo o processo de ocupação do Complexo do Alemão. Referência internacional na discussão sobre violência e direitos humanos, nesta entrevista ele analisa os episódios recentes e propõe um debate que questiona o modelo bélico de segurança pública, mas sem deixar de levar em conta o desejo da população das favelas de se ver livre da violência das armas. Essa população, explica, é vítima do tráfico e da ausência e truculência do Estado.

Para ler o restante da entrevista basta clicar aqui.

29.11.10

O Enem no olho do furacão

As mazelas da educação no Brasil são conhecidas por todos. Elas guardam correspondência com o gigantismo do nosso território e das nossas potencialidades.
O desarranjo é de tal dimensão que aquele que conseguir colocar o sistema educacional nos trilhos passará para a história como herói nacional!
Isso explica a visibilidade que o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – alcançou, para o bem e para o mal.
Infelizmente as duas últimas edições deste exame trouxeram inúmeros dissabores para os estudantes, familiares, educadores e sociedade em geral.
Em 2009 ocorreu o roubo da prova e seu posterior vazamento para a mídia – um ato criminoso ainda não esclarecido. O desgaste foi imenso e os prejuízos – financeiros, pedagógicos e políticos – idem.
Já neste ano, os erros formais ganharam destaque. Cabeçalhos dos gabaritos invertidos, cadernos misturados, numeração das questões fora de ordem, dentre outros problemas, destacaram-se.
A mídia superdimensionou tais problemas e o poder Judiciário intercedeu de maneira estabanada, gerando um clima de intranqüilidade desnecessário por todo o país.
Neste momento, tudo indica que a solução encaminha-se para o bom senso, dando aos alunos e alunas prejudicados o direito de realizarem a prova novamente. Dos 3,3 milhões de candidatos que prestaram a prova, algo próximo de 2.000 deverão refazê-la.
É preciso aproveitar este momento para desencadear uma discussão acerca do Enem que envolva professores e pensadores da Educação. Não se trata, em absoluto, de negar a validade do exame ou querer extingui-lo, como desejam alguns, movidos por puro oportunismo político.
No entanto, não podemos nos negar a refletir sobre ele e buscar o seu aperfeiçoamento.
No nosso contexto – grande dimensão territorial, diversidade cultural e regional, convém perguntar: cabe um exame de caráter nacional? Não seria mais interessante sua regionalização?
E ainda, pode o mesmo instrumento ser usado para vários propósitos de avaliação?
Na forma como está o Enem, ele serve para o ingresso na universidade, assemelhando-se a um imenso vestibular nacional ou certificação do Ensino Médio, substituindo os exames de suplência e ainda para balizar os projetos pedagógicos das escolas.
Os professores precisam ser ouvidos. Cabe ao MEC criar instrumentos para que aqueles que estão na sala de aula, vivenciando o cotidiano da educação, possam manifestar-se.
É necessário explicar como a prova é elaborada, a maneira como é corrigida e deixar claro todos os critérios de avaliação.
Afinal não se pode avaliar os alunos e as alunas sem explicar-lhes o que se quer saber!

Texto publicado na Revista Weekend - nº 57 - 26/11/2010.

25.11.10

Oriente Médio - a gênese das fronteiras

Recomendo a leitura do excelente livro Oriente Médio - a gênese das fronteiras.
Trabalho feito com esmero e muita competência pelo amigo Edílson Adão C. da Silva, fruto de muita pesquisa e reflexão.
No site da editora encontramos a seguinte apresentação:

O livro
A gênese das fronteiras do Oriente Médio remonta ao início do século XX, mais precisamente, ao término da Primeira Guerra Mundial quando, fruto de um processo híbrido entre a dissolução do Império Otomano e da investida imperialista na região, em particular, da Grã-Bretanha e da França, foram se constituindo os primeiros Estados modernos. O livro faz uma rápida retrospectiva desde a constituição do Islã como catalizador da história regional, passando por vários califados, até o último, o sultanato turco, findado pelo movimento “Jovens Turcos” que encaminhou a criação da Turquia moderna. Momento capital à formação dos Estado locais, a “Revolta do Deserto” é narrada a partir da releitura da obra “Os sete pilares da sabedoria”, um depoimento de Thomas Edward Lawrence, personagem polêmica e que esteve envolvida diretamente com os bastidores do traçado das fronteiras no Oriente Médio, quando combateu ao lado de Feissal ibn Ali, da Casa Hachemita.

19.11.10

Por que todo mundo se mete a falar sobre educação?

Tal pergunta sempre me intrigou. Quando temos um problema de saúde pública no país a imprensa ouve o Ministro da Saúde e também médicos. Quando ocorrem os "deslizamentos" de terra no verão eles ouvem o prefeito e alguém da área de Geografia, Geologia ou Engenharia. Sempre buscam os especialistas.
Mas, quando o assunto é educação, até a Miriam Leitão opina!
Sobre isso o cientista Miguel Nicolelis, brilhante como sempre, concedeu uma entrevista para Conceição Lemes, registrada no site Vi o Mundo do jornalista Luiz Carlos Azenha.
Vejam a introdução da matéria:

Nicolelis: Só no Brasil a educação é discutida por comentarista esportivo
por Conceição Lemes
Desde o último final de semana, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Ministério da Educação (MEC) estão sob bombardeio midiático.
Estavam inscritos 4,6 milhões estudantes, e 3,4 milhões submeteram-se às provas. O exame foi aplicado em 1.698 cidades, 11.646 locais e 128.200 salas. Foram impressos 5 milhões de provas para o sábado e outros 5 milhões para o domingo. Ou seja, o total de inscritos mais de 10% de reserva técnica.
No teste do sábado, ocorreram dois erros distintos. Um foi assumido pela gráfica encarregada da impressão. Na montagem, algumas provas do caderno de cor amarela tiveram questões repetidas, ou numeradas incorretamente ou que faltaram. Cálculos preliminares do MEC indicavam que essa falha tivesse afetado cerca de 2 mil alunos. Mas o balanço diário tem demonstrado, até agora, que são bem menos: aproximadamente 200.
O outro erro, de responsabilidade do Inep, foi no cabeçalho do cartão-resposta. Por falta de revisão adequada, inverteram-se os títulos. O de Ciências da Natureza apareceu no lugar de Ciências Humanas e vice-versa. Os fiscais de sala foram orientados a pedir aos alunos que preenchessem o cartão, de acordo com a numeração de cada questão, independentemente do cabeçalho. Inep é o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais, órgão do MEC encarregado de realizar o Enem.
“Nenhum aluno será prejudicado. Aqueles que tiveram problemas poderão fazer a prova em outra data”, tem garantido desde o início o ministro da Educação, Fernando Haddad. “Isso é possível porque o Enem aplica a teoria da resposta ao item (TRI), que permite que exames feitos em ocasiões diferentes tenham o mesmo grau de dificuldade.”
Interesses poderosos, porém, amplificaram ENORMEMENTE os erros para destruir a credibilidade do Enem. Afinal, a nota no exame é um dos componentes utilizados em várias universidades públicas do país para aprovação de candidatos, além de servir de avaliação parabolsa do PRO-UNI.
“Só os donos de cursinhos e aqueles que não querem a democratização do acesso à universidade podem ter algo contra o Enem”, afirma, indignado, ao Viomundo o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, no Rio Grande do Norte. “Eu vi a entrevista do ministro Fernando Haddad ao Bom Dia Brasil, TV Globo. Que loucura! Como jornalistas que num dia falam de incêndio, no outro, de escola de samba, no outro, ainda, de esporte, podem se arvorar em discutir um assunto tão delicado como sistema educacional? Pior é que ainda se acham entendedores. Só no Brasil educação é discutida por comentarista esportivo!”
Nicolelis é um dos maiores neurocientistas do mundo. Vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde há décadas existe o SAT (standart admissions test), que é muito parecido com o Enem. Tem três filhos. Os três já passaram pelo Enem americano.

Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.

10.11.10

O Enem não deve ser cancelado!

Novamente o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – está no meio da confusão!
Ano passado foi o roubo e vazamento da prova, aliás, as investigações sobre o episódio seguem em passo de tartaruga manca.
Desta vez uma série de erros trouxe o exame para as manchetes dos jornais.
Para alguns se trata do 3º turno da campanha presidencial! Mostrar que o governo Lula – usando o Ministério da Educação e o ministro Haddad como exemplo.
Então, vamos por partes.
Os erros são impensáveis para um empreendimento deste tipo. O INEP deveria ser mais zeloso na elaboração do Enem. Os responsáveis pelos erros devem ser exemplarmente punidos e, caso seja a empresa contratada, que pague por isso.
A troca dos cabeçalhos nas provas do primeiro dia é um erro primário e seria facilmente evitado. Pergunta-se: isso inviabilizou a realização da prova? Claro que não! No máximo um pequeno dissabor para os alunos e alunas.
Também apareceram erros na montagem do caderno amarelo. Aproximadamente 30.000 exemplares dos mesmos estavam comprometidos, destes 21.000 foram distribuídos. Isso num total de 10 milhões de provas impressas representa 0,3% de problemas.
Esse erro foi impedimento para que o candidato ou candidata fizesse a prova? Não! Foi dada a eles a possibilidade de trocar o caderno.
Aqui temos um problema maior do que o anterior, pois em razão do tempo pode não ter dado tempo de se fazer a troca. O MEC propõe que estes alunos façam uma nova prova.
A OAB alega que isso fere a universalidade do exame. Claro que ela desconhece o método de construção da prova do Enem. Ele permite que se estabeleça igual parâmetro de dificuldade para provas diferentes.
Foi esse método – desenvolvido a partir da Teoria de Resposta ao Item – que permitiu ao MEC aplicar o Enem 2009 a 160 candidatos que não puderam participar da prova em razão das enchentes no Espírito Santo.
Interessante que naquela ocasião não houve essa grita a respeito da “universalidade” da prova!
Os outros erros encontrados não comprometem ou invalidam o Enem, devemos observá-los com atenção.
Os professores devem ser consultados a respeito das próximas edições e também discutir a metodologia do exame para assim compreendê-lo melhor.
Algumas críticas que surgiram foram tão pesadas e desproporcionais que mais parecem oportunismo, eleitoral, pedagógico ou de “mercado”.

4.11.10

Gato no telhado

A cada dia que passa a vida nos reserva novas e instigantes surpresas. Hoje, por exemplo, descobri que tem um gato preso no forro da minha casa.
O barulho ocorre há dois ou três dias. Minha mulher temia por uma infestação de ratos.
Pelos ruídos que ouvi disse a ela que o rato deveria ser praticamente um Ronaldo Fenômeno, tal o barulho que fazia.
Hoje os sons se intensificaram. Disse então a minha mulher: isso só pode ser um gato!
Profunda conhecedora do idioma dos felinos, minha senhora soltou alguns miados, imediatamente respondido pelo coiso que se encontra no forro.
Constatado o problema, basta abrir um alçapão e adentrar o forro para liberar o gatinho.
Problema número 1: minha circunferência impede o acesso ao alçapão!
Problema número 2: não tem mais ninguém em casa com coragem para chegar ao telhado.
Ligamos então para os bombeiros. Fomos gentil e prontamente atendidos. Pediram que ligássemos para a Prefeitura e nos deram dois números: 151 ou 156.
Ao ligar para o Centro de Controle de Zoonoses, Ana, minha dileta companheira, travou o seguinte diálogo com a atendente:
- Boa noite!
Atendente: Boa noite, a senhora poderia está informando seu nome completo, endereço e um ponto de referência?
Foi prontamente atendida.
Atendente: Qual o problema?
Ana repetiu o relato que fiz acima.
Atendente: Como a senhora sabe que é um gato?
Ana: Por que ele miou.
Atendente: Tem certeza?
Ana: (silêncio)
Atendente: ok senhora, nós vamos estar abrindo um protocolo e num prazo de até 30 dias estaremos buscando o animal em epígrafe!
Ana: Moça, ele está no forro, onde tem a fiação elétrica, está preso, sem comida, como podemos esperar 30 dias?
Atendente: Senhora me desculpe, mas este é o prazo regulamentar.
Ana: E até lá faço o quê?
Atendente: A senhora cuide de acalmar o animal!
O imbecil no gato continua preso no forro! Sei lá até quando...

30.10.10

Dilma 13!

Vou repetir o voto do 1º turno: Dilma!
Como escreveram no twitter outro dia: Dilma não é a candidata dos meus sonhos, mas Serra é o maior dos meus pesadelos!
A edição da revista Istoé que está nas bancas nos apresenta um comparação entre os governos do FHC e do Lula.
Embora reconheça enormes deficiências no atual governo, a comparação é uma goleada de Lula sobre FHC. Então, na minha forma de ver, votar em Dilma é sepultar definitivamente o discurso neoliberal que conduziu o governo FHC e a presença do PSDB e do DEM no cenário político Nacional.
Ao mesmo tempo significa derrotar a direita raivosa, presente nas igrejas, tanto católica quanto evangélica, e em "coisas" como a TFP, Monarquistas e outras anomalias anacrônicas que vimos colocar as manguinhas de fora durante a campanha.
Além dessas forças, votar em Dilma significa derrotar também o PIG - Partido da Imprensa Golpista - ativo como nunca na manipulação e invenções de crises nesta campanha.
Por isso meu voto vai para Dilma! O da minha esposa também.  Meu filho Jaime, com 10 anos, disse que também votaria em Dilma, por que ela é "idealista" e de esquerda e o Serra é um capitalista que só pensa em privatização e lucro.
Bom Dilma para todos!
Abaixo, alguns inforgráficos que copiei da Istoé, edição nº 2138 (clique sobre eles para ampliá-los):

29.10.10

Que raloim que nada!

A onda neoconservadora no discurso do PSDB

Quem refletir um pouco sobre a linha da campanha presidencial do PSDB neste ano de 2010, terá dificuldades em associar esta agremiação direitista a pessoas como Franco Montoro e Mário Covas.
A guinada neoliberal não é nova, mas o discurso conservador, que consegue angariar simpatias naquilo que há de mais atrasado na civilização contemporânea é.
Nunca imaginei ver um partido que se auto-intitulado socialdemocrata lado a lado com a TFP, instituições monarquistas e católicas que sentem saudades da Santa Inquisição.
Outra característica é o machismo!
José Serra usa e abusa do preconceito com Dilma nos enfrentamentos públicos, fala num tom que nunca ousaria usar se do outro lado estivesse um homem.
Quando foi defender o seu vice – o tal Índio da Costa – Serra disse que não via problema em ter amante, desde que a relação fosse discreta.
Somem-se a isso as declarações homofóbicas e temos o quadro que compõem o atual cenário peessedebista.
Alguém se lembra de ter ouvido tantas sandices numa outra campanha eleitoral?
Para coroar a campanha, segundo o UOL – Eleições, José Serra nos brindou com a seguinte fala ontem:
“José Serra com os tucanos Antonio Anastasia e Aécio Neves, em Uberlândia (MG)

“Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você”, pediu o presidenciável tucano, José Serra, diante de simpatizantes em Uberlândia (MG), nesta quinta-feira (28).”

Qual o real significado dessas palavras? O que ele quis dizer com isso?

24.10.10

A armação que pode vir nesta semana final

O Luiz Carlos Azenha, do ótimo Vi o Mundo, nos alerta sobre a possibilidade armações - das mais variadas - que poderão ocorrer nesta reta final da campanha eleitoral.
Leiam:

Alerta de quem é do ramo: a armação que pode vir nos dias finais de campanhapor

Luiz Carlos Azenha

O alerta é de um jornalista experiente, com amplos contatos na comunidade de informações, com arapongas e ex-arapongas.
Não nasce de um evento específico, mas de um encadeamento lógico de fatos: a campanha sórdida e subterrânea na internet, os panfletos apócrifos, as chamadas por robôs e a farsa de Campo Grande, onde o único ferido — realmente ferido — foi um militante petista com um corte no supercílio (que não apareceu no Jornal Nacional).
Vem da repetição de um padrão no telejornal de maior audiência: Dilma, agressiva; Serra, vítima. Um padrão que se manteve na noite deste sábado, quando a Globo omitiu o discurso do governador paulista Alberto Goldman em que ele sugeriu uma comparação entre Lula e Hitler (com menção ao incêndio do Reichstag), omitiu que militantes de PT fizeram um cordão de isolamento para que uma passeata tucana avançasse em Diadema e destacou o uso, por eleitores de Serra, de capacetes para se “proteger” das bolinhas de papel.
O colega, em seu exercício de futurologia, mencionou o Rio de Janeiro como o mais provável palco de uma armação, por dois motivos:

1) é onde fica a Globo;

2) é onde subsiste a arapongagem direitista.

Como lembrei neste espaço, anteriormente, foi assim o golpe midiático perpetrado em 2002, na Venezuela, retratado nos documentários A Revolução Não Será Televisionada e Puente LLaguno.
Parte essencial daquele golpe, que juntou militares insatisfeitos com a oposição em pânico e apoio maciço da mídia, foi a acusação de que militantes chavistas tinham atirado em civis desarmados, quando as 19 mortes registradas num confronto entre militantes das duas partes resultaram de tiros disparados por franco-atiradores e policiais de Caracas leais à oposição. Porém, foram semanas até que tudo ficasse claro para boa parte dos venezuelanos e para a opinião pública internacional.
O Brasil de 2010 não é a Venezuela de 2002, mas não custa ficar alerta.

23.10.10

Estou gravemente ferido!

Verdade!
Um pombo cagou na minha cabeça!
Isso aconteceu na Praça Getúlio Vargas, em Guarulhos, São Paulo.
O UOL e o Jornal Nacional filmaram tudo.
Será que eu consigo uma licença de uns dois dias por concussão cerebral?
O pombo vestia vermelho e só pude ver as primeiras letras de um cartaz que ele segurava: Dil...
Infelizmente a pancada foi muito forte, causou-me tonturas e náuseas, esses sintomas apareceram logo depois que recebi uma ligação no celular.
Vejam o local do crime hediondo:

11.10.10

Pérolas do José Serra

Vejam que singela a entrevista concedida por José Serra ao SPTV em 2006.
Prestem atenção ao pensamento do "jênio" sobre as questões educacionais, elas aparecem a partir dos 5'30", mas o mais brilhante aparece por volta dos 5'50".

5.10.10

Qual o problema com a candidatura do Tiririca?

Levei essa questão outro dia ao twitter. Muitas pessoas estavam revoltadas com a candidatura do palhaço.
Do ponto de vista legal e do jogo democrático ele tem todo o direito de se candidatar. Eu não votaria nele nunca, assim como não votaria em José Serra, Alckmin, Ana Paula Junqueira ou Maguila.
A razão é simples: não me sinto representado por nenhum deles!
O problema é que mais de 1.300.000 paulistas sentem-se representados pelo Tiririca, assim como 11.500.000 desejam que Alckmin governe São Paulo, dentre os quais eu não me incluo. Então vamos combinar: ou aceitamos e participamos do jogo ou ficamos fora dele. Não vale elogiar a democracia só quando o resultado nos agrada.
Ou será que alguns querem o retorno do voto censitário, quando só os “bons” opinavam?
O grande problema que vivemos neste processo é a despolitização do processo. A mídia não abriu espaço para discussão dos projetos, apenas lançou denuncias ao léu!
Por outro lado o PT e os seus aliados não responderam politicamente aos ataques, ancorados na vantagem que as pesquisas demonstravam. Erraram!
Também não se mobilizaram para responder adequadamente e politicamente aos ataques dos setores reacionários das igrejas, tanto a católica quanto a evangélica. Na minha modesta e inútil opinião nesse item ela perdeu mais do que 3% dos votos.
Aqui em São Paulo Mercadante seguiu o mesmo caminho. Agarrou-se a alguns slogans de gosto popular, como a tal “aprovação automática” e deixou o debate político de lado.
Espero que a campanha de Dilma não repita os mesmos erros no 2º turno. Poderá custar-lhe caro e também ao país, não escaparemos da bancarrota com mais 4 anos de tucanos na condução do Brasil.
Terá que ser ágil em responder às questões indigestas, como o aborto por exemplo. Mas fazê-lo do ponto de vista política e não dizer que o Serra também é. Não! É um direito da mulher, a sua criminalização é responsável por inúmeras mortes por ano além de enorme prejuízo aos cofres públicos.
As igrejas teem todo o direito de expressar sua opinião sobre este e outros fatos, mas o Estado e as políticas públicas não podem ser reféns desta ou daquela religião e muito menos o PT e sua candidata podem aceitar as ofensas e mentiras que padres, bispos, pastores e outros idiotas do mesmo porte tem publicado. Que paguem pelas suas mentiras de acordo com a lei!
Também não dá para assistir a truculência da mídia e não tomar nenhuma medida, dentro do jogo legal, contra os latifundiários da informação. Querem se apoderar das mentes das pessoas, vendendo a ideia de que a opinião publicada é a mesma que opinião pública. Não é!
Para isso a coordenação da campanha tem que atuar de maneira bem afinada com a blogosfera, lançando mão dos blogs sujos para difundir informações e também desmentir, com agilidade, as mentiras lançadas pela mídia ou pelos meliantes, que infestam a rede a soldo de determinados sujeitos políticos.
Sem essa prontidão a candidatura de Dilma corre o risco de ser derrotada e aí pobre do nosso país e pobres de nós!

Aborto é armadilha da direita

Excelente texto do Altamiro Borges, peguei no Blog do Miro!

Por Altamiro Borges

Nas manchetes dos jornalões e nos monólogos da televisão, a direita tenta forçar a candidatura Dilma Rousseff a discutir unicamente o tema do aborto. A mídia evita tratar dos grandes temas nacionais, das diferenças abissais de projetos entre os dois concorrentes no segundo turno, e se esforça para impor uma pauta carregada de ignorância, preconceitos e dogmas religiosos.
A armadilha é visível. Na campanha, Dilma tratou o tema como uma questão de saúde pública, evitando visões simplistas. Já o demotucano Serra até poderia ser mais facilmente prejudicado pelos preconceitos. Como ministro da Saúde de FHC, ele liberou o uso da “pílula do dia seguinte”. Em 1998, ele também foi demonizado pela cúpula da Igreja Católica por normatizar a realização do aborto nos casos previstos em lei. Agora, ele simplesmente foi poupado pela direita e sua mídia.

A demonização de Dilma
Entre as baixarias da campanha da direita, muitos avaliam que este tema foi um dos responsáveis pelas surpresas nos últimos dias do primeiro turno – queda de Dilma Rousseff, identificada com as lutas feministas, e crescimento de Marina Silva, evangélica e conservadora. Serra, blindado pela mídia, acabou se beneficiando da polêmica travada entre as duas candidatas mulheres.
O jogo sujo foi pesado. A Regional Sul da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que contempla São Paulo, divulgou documentonas missas em que “recomenda encarecidamente” que não se vote em Dilma por ser “contra a vida”. Pela internet, um culto da Igreja Batista de Curitiba, visto por quase 3 milhões de pessoas, mostra cenas fortes de fetos mortos e despedaçados e o pastor pedindo que não se vote na petista, que “defende o aborto e o casamento gay”.

Campanha fascista de boataria
O impacto desta boataria foi corrosivo. Marcelo Déda, reeleito em Sergipe, garante que “a queda de Dilma e o crescimento de Marina no final se deveu ao recrudescimento do fundamentalismo religioso. É o efeito do púlpito nas igrejas”. No mesmo rumo, Eduardo Campos, reeleito em Pernambuco, afirma que “nos últimos 15 dias, especialmente, houve uma campanha fascista de boataria”. O senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, lembra que “o pastor pode ter dificuldade para conseguir votos dos fiéis. Para tirar voto, o efeito é inverso”.
Apesar de vários alertas – o blogueiro Rodrigo Vianna foi um dos primeiros a advertir sobre os estragos nas bases católicas e evangélicas –, a comando de campanha de Dilma, sempre muito hermético, não percebeu o efeito nefasto da onda de boatos. Agora, finalmente ele reconhece que subestimou o tema. “Foi uma campanha perversa, com inverdades sobre o que penso, o que digo. Vamos fazer um movimento no sentido de esclarecer com muita tranqüilidade nossas posições... A gente percebeu tarde, mas percebeu”, explica a candidata.

Da cegueira ao exagero
O comando de campanha afirma agora que a reconquista destes votos passou a ser prioridade no segundo turno. Ou seja, de um extremo ao outro – da cegueira ao exagero. De fato, é necessário esclarecer a sociedade, principalmente os setores religiosos mais conservadoras. Mas este não é o principal tema da campanha, nem sequer para os movimentos feministas mais lúcidos. Deve-se evitar a armadilha imposta pela direita. O que está em debate na sucessão é o futuro do Brasil.

26.9.10

A liberdade de expressão está ameaçada no país

Isso é fato! Mas, ao contrário do que dizem Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Rede Globo, Revista Veja e toda a turma da grande mídia, as ameaças não tem origem no governo Lula ou nos blogs sujos.
Quem ameaça a liberdade de livre expressão no Brasil é a mídia, por meio de seus grandes conglomerados e do pensamento único conservador, reacionário e preconceituoso.
Embora o atual governo, ao longo de seus dois mandatos, pouco tenha incomodado as estruturas desses poderosos grupos, eles não conseguem perdoar um nordestino, mestiço e operário no palácio que estava reservado somente aos privilegiados, que comandam esse país desde antes de sua existência como tal.
O governo Lula merece críticas, como tudo aquilo que é obra humana. Para aqueles que, como eu, militaram durante muito tempo na construção de um partido popular – o PT –, que venderam muitas estrelas para alimentar núcleos, diretórios e campanhas, tais críticas beiraram o desencanto ao final do primeiro mandato.
No entanto, não podemos negar os avanços significativos para a maioria da população, resultantes das políticas levadas a cabo por este governo.
No combate a miséria, por exemplo, os programas de transferência de renda teem sido bem sucedidos.
A política externa tem se firmado de maneira autônoma com relação às grandes potências, distanciando-se de maneira inequívoca da órbita estadunidense e assumindo um protagonismo mundial jamais visto em nossa história.
Por outro lado as iniciativas quanto à Reforma Agrária foram muito tímidas, da mesma forma que considero a questão educacional um nó que o governo federal apenas arranhou.
Mas jamais a mídia gozou de tanta liberdade.
Em parte pela sua irresponsabilidade, em parte pela conivência dos aparatos que deveriam conter os exageros cometidos pela mesma.
Os órgãos da grande mídia manipulam, mentem, inventam, injuriam e difamam de forma tranqüila e sossegada. Parecem confiar nas falhas do sistema judiciário para agirem impunemente.
Quando são punidos por seus destemperos, tais punições sequer fazem cócegas em seus bolsos. Por isso compensa continuar com as irresponsáveis matérias de cunho político eleitoral ou que servem a interesses de grupos específicos.
Brigam com os fatos dia após dia, sem se importar com as conseqüências. A máquina de denúncia consiste – neste momento de intensa disputa eleitoral – oferecer argumentos, melhor seria dizes munição, a determinados candidatos.
Estes, de caráter duvidoso, escudam-se nas publicações. Aparecem então no horário eleitoral as marretadas: “conforme noticiou a revista tal...”, ou, “deu no jornal tal...”.
Não quero censura prévia, mas sim uma justiça rápida, que ofereça o direito de resposta ao ofendido na mesma proporção da ofensa e que faça pesa no bolso desses grandes grupos a sua irresponsabilidade.
Precisamos, como fazem Reino Unido e EUA, só para simplificar, de pesadas indenizações contra esses imbecis. Suas mentiras e invencionices devem custar muito caro, assim pensarão duas vezes antes de atirar contra a honra de pessoas e instituições, agirão com mais responsabilidade ao informar e tratar a notícia.
Também urge uma grande depuração ética e mudanças profundas nos hábitos desses safados.
Louvo o Estado de S. Paulo, que seguindo o exemplo de CartaCapital, declarou em editorial qual o candidato que apóia. Pena que, ao contrário do que faz a revista dirigida por Mino Carta, continua misturando opinião com notícia, fatos com torcida eleitoral.
E assim caminha a nossa mídia, mais uma vez tenta um golpe contra o processo eleitoral na sua reta final. Em 2006 conseguiu evitar a reeleição de Lula no primeiro turno. Tenta o mesmo recurso agora.
Desta vez, porém temos a blogosfera! Os temidos blogs sujos, dentre os quais humildemente gostaria de ver este incluído, reagem contra a manipulação midiática.
Luiz Carlos Azenha, Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim, Maria Frô, Eduardo Guimarães, Cloaca News, NaMaria News, DoLaDoDeLá, O Biscoito Fino e a Massa e mais um grande número de combatentes da liberdade de expressão, colocam sua energia, tempo e inteligência contra as tentativas de manipulação e contra a mentira.
Por isso temos o dever de denunciar esses canalhas!

18.9.10

Repórter de Veja denunciado à Polícia Federal

Essa notícia foi publicada em primeira mão no Blog do Len, alguma coisa aconteceu e ele saiu do ar, corri para copiar do Blog do Saraiva:

Bomba! Onésimo denuncia Policarpo da VEJA em depoimento à Polícia Federal

Notícia quente de fonte mais quente ainda. A coisa está prestes a feder para um jornalista da Veja.
Segundo a fonte, o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, deu depoimento à Polícia Federal que desdiz a alegação que teria sido convidado a participar de um grupo de inteligência da campanha de Dilma Rousseff. Quando perguntado sobre afirmações anteriores respondeu que “ouviu errado”.
Segundo Onésimo, quem inventou toda a história de grupo de espionagem da campanha de Dilma foi o jornalista Policarpo Junior, da revista Veja. Onésimo acusa o jornalista ainda de estar de posse de documentos que foram roubados no comitê de Dilma, o tornando responsável no mínimo de receptação de produto de furto. Policarpo poderá ser processado segundo o agente da Polícia Federal que informou a nossa fonte.
Onésimo, que depois de aposentado se tornou da membro equipe de espionagem chefiada pelo Marcelo Itagiba que José Serra montou no Ministério da Saúde, revelou que depois brigou com o grupo, porém ainda possui as gravações ilegais que fez a mando do grupo de espionagem montado por Serra. Segundo Onésimo, o grupo investigou a vida de todo mundo, desde adversários até aliados.
O depoimento de Onésimo à Polícia Federal corre em segredo de justiça, portanto não temos link para apontar para o depoimento, mas podemos afirmar que a fonte é quente e depois que vazar essa informação, a PF não vai mais conseguir segurar a informação.
Em breve, muito em breve, essa bomba vai estourar no colo do Serra e do jornalismo criminoso da revista Veja. O jantar entre Policarpo e Onésimo noticiado pelo Conversa Afiada na semana passada era um acerto de contas entre os dois. Policarpo está tremendo na base e querendo saber do teor do depoimento de Onésimo.
Se nós conseguirmos a cópia do documento nós publicamos aqui.

Do Blog do LEN (Coeditor do Terra Brasilis)

4/03/2010

Direto da pena do Latuff!

As diferentes pesquisas eleitorais

O trabalho do Ale Porto, do blog http://www.aleporto.com.br/, é fantástico.
Gráficos de excelente qualidade nos ajudam na leitura e comparação das pesquisas de diferentes institutos, confiram:


Fonte: www.aleporto.com.br

14.9.10

Mercadante para governador

Nestes tempos bicudos ando me perguntando: qual será o feitiço que os tucanos usam no povo paulista?
Sim, não há explicação possível no mundo da razão para que sejam perpetuados no poder do estado mais rico da federação.
Escolha um assunto da gestão pública e encontrará pela frente um grande desastre nestas últimas décadas de administração tucana em São Paulo.
Se houvesse um ou outro setor onde os acertos se sobrepusessem, vá lá, mas não uma única escassa exceção!
A educação segue morro abaixo! No quesito aprendizagem somos um desastre! Os alunos saem da escola fundamental mal sabendo ler e escrever. Os professores são tratados a pão e água, e olhe lá, às vezes falta pão, às vezes falta água.
Além disso, o dr. Paulo Renato, que é o secretário de educação, mas também assessor de grupo educacional multinacional, continua servindo os amigos. É só dar uma olhada no Blog NaMaria News para se ter uma ideia da cafajestada!
Quanto à segurança pública podemos observar que o PCC já foi exterminado umas 4 ou 5 vezes e continua no comando de parte dos presídios e da deliquência. Outro dia só não mataram o comandante da temida ROTA por que não quiseram.
Os pedágios continuam extremamente caros.
Na saúde pública os caras não conseguem nem mesmo gastar as verbas federais com competência, não faz muito tempo que CartaCapital (clique aqui para ler a notícia) que os governos de SP, RS e MG estavam investindo tais verbas no mercado financeiro para garantir o chamado ajuste fiscal.
Lembram-se do Rio Tietê, aquele que o Alckmin havia “despoluído” e que fez uma mega-intervenção para acabar com as enchentes? Então, continua poluído e causando enchentes!
Confesso a vocês que as candidaturas de oposição postas à mesa não me convencem.
Os pequenos partidos não oferecem nenhuma novidade, nem ao menos no campo da formação política. Os de esquerda com um discurso anacrônico, que não atinge o povo de jeito algum. Os de direita asquerosos, servindo apenas como legenda de aluguel ou central religiosa.
Sinto falta de Ciro Gomes. Talvez se ele fosse o candidato ao governo do estado trouxesse o oxigênio que nos falta para derrotar o picolé de chuchu.
Mercadante, apesar do bom papel que sempre cumprir no legislativo, não me empolga!
Não tenho outra opção no campo progressista. Já que resolvi votar novamente neste ano vou fazer o serviço completo: Mercadante para governador!

10.9.10

Batismo de Sangue

Batismo de Sangue é a atração brasileira do Cine Ibermedia, série que reúne obras de países da América Latina, Espanha e Portugal, e que está sendo exibida aos domingos, na TV Brasil. Dirigido pelo mineiro Helvécio Ratton, o filme é baseado em fatos reais e conta a participação de frades dominicanos na luta clandestina contra a ditadura militar, no final dos anos 60.
Na cidade de São Paulo, o convento dos frades dominicanos torna-se uma das mais fortes resistências à ditadura militar vigente no Brasil. Movidos por ideais cristãos, os freis “Tito”, “Betto”, “Oswaldo”, “Fernando” e “Ivo” decidem apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional, comandado à época por Carlos Marighella. Eles logo passam a ser vigiados pela polícia e, posteriormente, são presos e torturados. A única exceção é Frei Tito, que, liberto por uma negociação de troca por um embaixador, exila-se na França. Ali, atormentado pelas imagens de seus carrascos, acaba suicidando-se.
Batismo de Sangue recebeu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Fotografia no Festival de Cinema de Brasília, e é uma adaptação do livro homônimo de memórias do religioso e escritor mineiro Frei Betto. O livro venceu o Prêmio Jabuti de melhor livro de memórias em 1982.
Ano 2006. Origem: Brasil. Genêro: Drama. Direção: Helvécio Ratton. Roteiro: Dani Patarra, Helvécio Ratton. Elenco: Caio Blat, Daniel de Oliveira, Léo Quintão, Odilon Esteves, Ângelo Antônio, Cassio Gabus Mendes, Marku Ribas, Marcelia Cartaxo, Murilo Grossi.

Não recomendado para menores de 18 anos

Horário: Domingo, às 23h - 12/9 - TV Brasil

APEOESP divulga fotos dos deputados que votaram contra os professores

7.9.10

A mídia se desespera, os tucanos perdem as plumas e minha caixa de e-mail paga o pato!

Na reta final das eleições a direita faz um esforço danado para derrotar Dilma.
A mídia "porco"rativa bate na tecla da quebra de sigilo 24 horas por dia! Ninguém sabe o que o tal sigilo revelou, mas é um deus nos acuda!
Alguns incautos, normalmente impregnados de preconceito contra o metalúrgico-presidente, entram no jogo.
Os profissionais da blogosfera, denunciados por Nassif, Azenha, Eduardo Guimarães e outros blogueiros que não se prestam ao jogo sujo da manipulação, aprimoram seus ataques.
A última diz respeito a uma foto de Dilma ladeada por um fuzil!
Antes que me mandem mais e-mails idiotas com tal imagem aí vai a resposta.
O Brizola Neto e o Jornalisticamente Falando, dois excelentes blogs, cuidaram de desmontar a farsa.
Tudo está relatado no Vi o Mundo, do Luiz Carlos Azenha. Leia clicando aqui.
Por isso não deixarei sem resposta um único e-mail falso de agora em diante. Querem encher a minha paciência? Aguentem o troco!
E não mudarei meus votos:

Dilma - Presidente
Marta - Senadora
? : 2º Senador
Luiza Erundina - Deputada Federal - 4021 - http://luizaerundina4021.wordpress.com/
Ronaldo Mathias - Deputado Estadual - 43369 - http://www.professorronaldo.com.br/

16 anos de (des)governo tucano em São Paulo e a saúde pública

Os sucessivos governos tucanos em São Paulo tem se destacado pela destruição dos serviços públicos.
Talvez os amigos sociólogos consigam explicar a razão de ainda terem o apoio de grande parte da população deste estado. Eu tenho muitas dificuldades em compreender tal fenômeno.
São Paulo tem piorado seus indicadores sistematicamente ao longo dos últimos anos. Escolha uma área e lá encontrará o estado mais rico da federação em franca decadência.
Chamam-me a atenção a educação e a saúde particularmente.
Vejam que excelente texto sobre o caos da saúde pública em São Paulo, em que pese todo o repasse de verbas federais:

O sucateamento da saúde pública de São Paulo

João Paulo Cechinel Souza (*)

Os mutirões da saúde, proclamados e anunciados por José Serra como sua principal plataforma de trabalho na Saúde, têm na falácia do discurso e na grande mídia seus sustentáculos operacionais. Para os seguidores de teorias inocentes e despudoradas, como se faz parecer o dito presidenciável, os mutirões são a salvação da lavoura em meio a uma grande seca. Traz a resolução dos mais diversos problemas, que cotidianamente enfrentamos no país nessa área, através da contratação de alguns profissionais, que sairiam Brasil afora com essa nobre tarefa.
Numa análise simplista pode parecer plausível. E é – para problemas pontuais, que, diga-se de passagem, são raros na assistência à saúde. Em sua maioria, cirurgias para correção de catarata e problemas de próstata (apenas para citar aqueles referidos por Serra com mais frequencia), necessitam de avaliação pré e pós-operatória imediatas, além, obviamente, do seguimento ambulatorial dos pacientes submetidos a tais intervenções.
Infelizmente, como já escrevemos e evidenciamos em artigo anterior (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16821), o acompanhamento prolongado e qualificado dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) não parece ser a preocupação do ex-governador de São Paulo.
Para se ter uma idéia melhor do que estamos falando, basta trazer aos leitores a avaliação de 350 mil usuários do SUS de São Paulo, efetuada pela própria Secretaria de Estado da Saúde (SES) – e cuja publicação só foi divulgada (tardiamente) após esforços oriundos de várias instituições e entidades vinculadas à Saúde no Estado, além de alguns órgãos de imprensa (http://www.saude.sp.gov.br/content/vuuecrupru.mmp). Resumidamente, a maior parte desses cidadãos relata ausência de vacinas do calendário básico em diversas unidades de saúde da SES, analgesia durante o parto realizada com “panos quentes” e a demora absurda na realização de diversos exames complementares.
No município de São Paulo, o atual prefeito Gilberto Kassab, seguidor e fiel escudeiro de Serra, pauperizou a tal ponto alguns dos hospitais sob tutela da Autarquia Municipal, que há vários meses, por exemplo, não existem colchões em hospitais da Zona Leste da cidade – uma das regiões de concentração das famílias mais carentes economicamente, enquanto a população atendida se aglomera dentro dos pronto-socorros como animais num abatedouro. A estratégia é clara – e antiga: o próprio Serra, junto com FHC, já a utilizou diversas vezes antes, durante sua gestão no Governo Federal, com os hospitais e universidades federais. Primeiramente, precariza-se ao máximo uma das “portas de entrada” da população aos serviços oferecidos pelo Estado (no caso, um pronto-socorro, hospital ou unidade básica de saúde).
Num segundo momento, aproveita-se a divulgação midiática da situação (demora no atendimento ou na realização de exames) e sua reverberação junto à população atingida pelo caso. Apresenta-se, então, a estratégia “milagrosa” – e sofismável, que há quase duas décadas permeia o dia-a-dia do atendimento à saúde no Estado de São Paulo: a entrega dessas instituições às Organizações Sociais (OSs).
Para se ter uma ideia da dimensão do problema, essas mesmas OSs, regulamentadas pela Lei 9637/98 (mas instituídas por Medida Provisória anterior), têm autorização para contratar (com dinheiro público) funcionários e serviços sem a necessidade de se realizar qualquer concurso ou licitação. Parece estranho, não? Mas assim têm funcionado em boa parte das instituições vinculadas à SES de São Paulo e que prestam atendimento por essas latitudes. A forma sui generis de administração de recursos oriundos do erário público encontra na alegação de que são entidades “sem fins lucrativos” a explicação nada plausível e totalmente incompreensível que Serra pretende utilizar de um lado a outro do país – e Geraldo Alckmin terminará de implantar em São Paulo. Os privilégios de alguns poucos diretores e gestores privados e o oferecimento à população, em contrapartida e como regra absoluta, de serviços de baixa complexidade tecnológica (que não realizam transplantes ou sessões de hemodiálise, por exemplo), já foi alvo de questionamento de diversas entidades e do próprio Ministério Público do Estado – que encontraram nessas aberrações administrativas uma forma quase perfeita de ludibriar uma série princípios legais ora vigentes no país, como a lei de licitações e o controle público dos gastos do setor.
Detalhe administrativo. Foi a isto que se resumiu a Saúde Pública paulista e paulistana sob a gerência demotucana. No mais, o ignominioso tratamento dispensado ao setor e a forma displicente de tratar aquele que deveria ser seu público alvo faz com que Serra continue utilizando álcool gel para higienizar suas mãos toda vez que chega perto desses cidadãos – e óleo de peroba no rosto toda vez que vai à televisão dizer que a Saúde foi, é ou será sua prioridade. De concreto, não deve conseguir mais do que o cantores genéricos para suas propagandas...

(*) João Paulo Cechinel Souza é médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior.