24.1.24

Mentira tem perna curta

A fake News da Revista Oeste, ecoada aqui no LinkedIn por parte de alguns adeptos da extrema direita, não durou uma semana.

A Arquidiocese de SP anunciou o arquivamento da denúncia contra o Pe. Júlio Lancellotti por total ausência de provas. Ousaria dizer que, para além das provas, faltou também coerência!

Mais uma vez a revista mentiu e mais uma vez os idiotas de sempre repercutiram a mentira.

A decisão da Arquidiocese só acompanha a decisão do Ministério Público, que em 2020, de forma idêntica, arquivou o processo.

Espero que agora o MP exija as provas de quem acusa, inclusive dos “dois peritos”, que entre uma atividade golpista e outra, arrumaram tempo para “periciar” o tal vídeo.

Também se faz necessário medida contra o vereador autor da denúncia. Afinal não pode uma autoridade compactuar, divulgar e ampliar mentiras.

O trabalho do Pe. Júlio só merece elogios. Eu, que sou ateu convicto, faço contribuições mensais para a sua obra, além de divulgar os pedidos de ajuda feitos por ele.

Até quando as pessoas vão levar adiante essa crença na cretinice e na mentira?

Levaremos tempo até encontrar a cura para o bolsonarismo que infectou muitas pessoas no nosso país.

Fonte: ICL Notícias


22.1.24

Qual a PM que mais mata?

Uma competição tenebrosa está em curso no nosso país. Qual a PM campeã de assassinatos?

E mata principalmente os pobres, pretos, índios e aqueles que não podem se defender.

O caso da BA é emblemático, com 14 anos de governos petistas não conseguiram gestar uma política de segurança pública que, ao mesmo tempo, ofereça garantias aos cidadãos e cidadãs e respeite as leis e os direitos humanos.

Assim como a de SP, chegam atirando para matar, quando se trata de pessoas periféricas ou movimentos sociais, mas são de uma delicadeza impressionante quando o problema ocorre em uma região nobre ou envolve interesses de poderosos.

Lembro-me que em 2011 eu estava dando aula num curso preparatório para ingresso na Academia do Barro Branco, lugar de formação de oficiais da PM de SP, e o governo da época (Geraldo Alkimin – PSDB) introduziu as disciplinas de Sociologia e Filosofia na prova, visando ampliar a visão dos futuros oficiais sobre Direitos Humanos.

Poderia ser uma diretriz para a formação de oficiais da PM em todo o Brasil, bem como conteúdos semelhantes para os policiais, assim como a obrigatoriedade de câmeras corporais.

Tais ações não são contrárias à PM, mas sim protegem os bons policiais e reforçam suas ações.

Com esses recursos as cenas lamentáveis de PMs do PR torturando suspeitos não seriam mais vistas. Clique aqui e veja o vídeo desse crime.

Mas o que mais me chocou nesse final de semana foi saber do ataque de ruralistas baianos ao povo Pataxó Hã-hã-hãe com apoio da PM da Bahia com o olhar complacente da PM da BA.

O jornal Brasil de Fato fez uma boa matéria sobre o tema. Clique aqui para ler o texto.

Isso sem falar na PM do RJ, que mais parece um grupo de matadores profissionais. Tenho certeza de que tem gente boa, homens e mulheres, nessas instituições, mas elas estão tão viciadas que sempre vem a minha mente a frase do “Capitão Nascimento: a PM do RJ tem que acabar!” do filme Tropa de Elite.

Na verdade, a polícia brasileira precisa começar de novo e ser colocada a serviço da população e não da proteção ao patrimônio de quem já tem muito.

19.1.24

Escravidão continuada

O Brasil foi construído como nação assentado na escravidão.

Embora legalmente terminada em 1888, muitos ainda hoje acreditam nessa instituição, baseados na existência de seres humanos superiores e inferiores.

A escravidão, de fato, nunca foi abolida, basta vermos as denúncias de trabalhos análogos à escravidão, sem contar as dependências de empregada, a negativa de se pagar direitos trabalhistas às empregadas domésticas e a chaga de trocar trabalho por comida e pouso.

Nossos corações e mentes continuam escravistas. Muitos trabalhadores, apesar de essenciais ao funcionamento da sociedade, tornam-se invisíveis, como aqueles e aquelas que trabalham na faxina, na entrega por aplicativos e, de forma geral, aqueles que não ostentam o título de “doutor” na placa de identificação.

No meio rural esses casos de escravidão moderna ganham notoriedade, seja pela dificuldade em fiscalizar, seja pelo poder que os ruralistas têm.

Os casos aparecem nas fazendas dos mais diversos cultivos, abrangendo, inclusive, o agronegócio.

O Estado precisa ser reaparelhado para dar conta de executar as leis, fazendo com que sejam cumpridas.

Por outro lado, urge fazer a reforma agrária e incentivar a agricultura familiar. Também são meios para atingir o bem maior: dignidade para as pessoas do campo!



16.1.24

A praga da desigualdade: um fenômeno mundial

A OXFAM publicou um relatório nessa semana sobre a desigualdade no mundo. É aterrador!

O ICL Notícias publicou amplas análises com base no relatório, caso queira ler a excelente entrevista feita pelo Chico Alves é só clicar aqui.

Ao longo da pandemia os homens mais ricos do planeta ficaram mais ricos ainda, o mesmo acontece no Brasil. Enquanto os mais pobres tornaram-se mais pobres ainda, quer seja pela precarização do trabalho quer seja pela “crise do capitalismo” que teve a pandemia como causa maior.


Fonte: ICL Notícias

Segundo Kátia Maia, diretora da OXFAM Brasil, a grande concentração monopolista é a maior causa dessa crescente desigualdade.

O capitalismo sendo ceifador dele mesmo. Dizem por aí que quanto mais eficiente for a empresa mais ela terá sucesso e, no caso, tende a eliminar a concorrência, ou seja, aniquila uma suposta vantagem do capitalismo impondo o monopólio do setor.

As grandes farmacêuticas são exemplos prontos e acabados disso, assim como as empresas de tecnologia.

Segundo ela afirma é a primeira vez em 25 anos que a desigualdade cresce entre os países do norte e do sul, bem como internamente dentro das nações.

O triunfo do neoliberalismo não deixará pedra sobre pedra. Sugiro a leitura do livro O Horror Econômico, que traça um resumo assustador do neoliberalismo, é emblemático para que possamos compreender esse fenômeno.


https://editoraunesp.com.br/catalogo/8571391475,o-horror-economico

É como se dissessem: quem não produz é melhor que morra para não atrapalhar.

Isso serve para o Sul global ou para os enjeitados dentro de cada nação, pobres em geral ou grupos vulneráveis.

É necessário que o Estado assuma o seu papel, tanto na regulação da economia, quanto das regras sociais como um todo, o contrário disso nos levará a barbárie.

9.1.24

Um ano depois: democracia inabalada?

Dia 8/1/23 fomos surpreendidos por uma tentativa de golpe de estado no Brasil.

Uma turba bolsonarista, instruída ao longo do mandato do inelegível, resolveu tomar de assalto os prédios dos três poderes da República e depredá-los.

A primeira reação foi de incredulidade. Não pensei que o bolsonarismo fosse tão longe nos seus intentos. Na sequência apareceu a ansiedade: qual seria o poder de reação do governo Lula?

A reação veio rápida, projetando as figuras do ministro Flavio Dino e do seu segundo homem do Ministério Ricardo Capelli, que com rapidez e agilidade coordenaram a reação do governo a sanha golpista.

A intervenção decretada na Segurança Pública do DF evitou o segundo e definitivo passo do golpe: entregar o poder de restaurar a ordem pública às FFAA por meio de uma GLO, dispositivo constitucional da Garantia da Lei e da Ordem.

Por outro lado, o Ministro Múcio, tentou, e continua tentando proteger os golpistas das Forças Armadas, principalmente o alto oficialato golpista, fatos amplamente documentados, até porque eles, os militares golpistas, se incriminaram com relativo prazer e gozo.

Outra coisa que chamou a atenção foi a autoincriminação dos marginais que invadiram os palácios! Filmaram-se, fotografaram-se, discursaram, quase sempre apoiados em teorias conspiratórias ou ideias estúpidas, como pedir auxílio aos Ets.

Quando voltamos os olhos para esses fatores aleatórios a vontade é de rir, pois são muito idiotas, e, às vezes, chorar.

Não podemos simplesmente sorrir em razão do avanço da extrema direita no mundo, estão ganhando eleições, como na Itália e marcham sem pudor com manifestações fascistas em todos os cantos, inclusive, mais recentemente, na vizinha Argentina.

A democracia brasileira é frágil, basta atentar para o histórico de golpes de estado em nosso país, e continua abalada, embora o título da manifestação institucional de ontem diga o contrário. Falta povo na rua para defendê-la!

Falta também punições exemplares a quem tentou o golpe de estado, sejam os próprios baderneiros, quem os financiou e quem os instigou, sejam políticos, militares ou gente rica.

Ontem o ICL Notícias estampou uma foto emblemática no seu portal, que reproduzo abaixo com o link da matéria. 


2.1.24

Carolina Maria de Jesus – 110 anos do seu nascimento

Ainda na década passada, quando estava dando aulas no ensino médio, topei um desafio chamado Geografia Literária e propus a obra de Carolina Maria de Jesus chamada Quarto de Despejo – diário de uma favelada.

Essa obra me emocionou muito, confesso que era única que eu conhecia dela, mas, junto com meus alunos e alunas, mergulhamos no mundo dessa brilhante escritora.

Conheci as outras obras dela, um disco de samba e toda a teia que ela teceu partindo da sua imensa cultura, apesar do letramento básico para os padrões da literatura brasileira.

Lemos o livro por inteiro, discutindo trechos dele e buscando compreender o que ela tentou nos dizer. Foram descobertas maravilhosas para mim e parte importante das alunas e alunos.

Terminamos com uma caminhada pelo bairro – Canindé – onde ela foi “descoberta” pelo jornalista Audálio Dantas. Percorremos trechos, a pé e de ônibus, por ruas que ela descreve e nomina no livro.

Foi um projeto maravilhoso, pena que o universo por onde enveredamos a partir de 2018, impossibilitou a continuidade dele. Logo vieram os itinerários formativos, no bojo da reforma do ensino médio e, o pior de tudo, o tal Escola Sem Partido, um grande movimento da direita visando a censura dentro da sala de aula.

Tenho certeza de que os professores e professoras que me antecederam têm ótimas recordações das obras estudadas, assim como me recordo com muito carinho da primeira obra da qual participei Hora da Estrela, de Clarice Lispector, que estava sendo estudada quando cheguei na escola.

Logo na sequência desse estudo – salvo engano em 2017 – Quarto de Despejo foi incluído nas obras obrigatórias da Unicamp e da URFGS, o que me deixou muito feliz pelo acerto na escolha desse livro e dessa escritora.

Vejam que matéria bacana, de autoria de Eliana Alves Cruz, publicado no ICl Notícias, sobre os 110 anos do nascimento de Carolina Maria de Jesus clicando aqui

26.12.23

Vamos falar sobre censura?

O que os "libertários do Brasil" fizeram com o jornalista Breno Altman é censura da pior qualidade, pois tem o aval da justiça estadual.
Uma representação da Conib conseguir apagar algumas postagens do jornalista no "X", alegando discriminação.
Houvesse regulamentação das mídias sociais isso seria resolvido de forma mais fácil.
Impressionante a máquina do sionismo, conseguem censurar um judeu por discordar dos crimes de guerra cometidos por eles.

Leia mais aqui

25.12.23

Sobre o Forte Apache que ganhei de Natal

Amigos e amigas, não estou fazendo "publi" do Forte Apache, nem da Gulliver, mas esse presente de Natal dado pelo meu filho, Jaime Mello, está repleto de significados para mim.

Vamos a história.

Quando ele era criança sempre deixei claro que ele, um dia, faria as suas próprias escolhas e quando esse dia chegasse, ele jamais poderia negar de onde vinha: filho de trabalhadores, neto de trabalhadores com origem no campo e por aí vai.

Então, muito cedo, cuidei de desmistificar uma série de coisas. Um pouco antes de completar três anos ele soube por mim que o papai noel era uma fraude capitalista e que quem dava os presentes eram os pais, avós, tios e tias etc.

Fui duramente criticado por parte da família, mas não desisti de deixar claro que o dinheiro que nos permitia existir não era uma dádiva do patrão, mas sim fruto do empenho e da dedicação, o que nos impedia de ficar mais tempo com ele.

E continuei contando histórias para que ele entendesse sempre.

Numa dessas, não lembro exatamente quando, contei que quando criança meu pai enfrentou muitas dificuldades financeiras, sempre procurando não deixar faltar o básico para mim e minha irmã, mas sem poder atender nossos desejos.

Entendi isso muito cedo, sem que houvesse a necessidade de ser comunicado.

Nunca pedi presentes de Natal ou aniversário, mas claro que desejava o que a TV nos mostrava na época, principalmente o Autorama e o Ferrorama da Estrela, mas meus olhos brilhavam mesmo com o Forte Apache.

Aliás não compreendia a razão de sempre torcer para os índios, isso só ficou claro bem mais tarde, quando percebi a importância de ficar do lado dos mais fracos e oprimidos.

Foram muitas histórias ao longo desses 24 anos. Minhas e dos meus amigos, algumas aconteceram, outras, tenho certeza, que nasceram da minha imaginação.

Eu só não imaginava o Forte Apache ficaria tão gravado na memória dele e que, com parte do seu primeiro salário como Desenhista da Prefeitura de Assis, emprego que ele conquistou por meio de um concurso público ele me compraria o dito cujo.

Imaginem um senhorzinho, bem capenga, recebendo um presente de Natal, que ele desejava desde a infância, aos 62 anos!

Não canso de ficar emocionado toda hora que olho pra aquela caixa da Gulliver.

Claro que nossa situação financeira melhorou um pouco.

Hoje conseguimos atender também alguns desejos, com dificuldades aqui e ali, mas conseguimos.

Mas sempre faço questão de lembrar, para que não reste ilusões: somos trabalhadores, filhos de trabalhadores com origem no campo. Estamos de um lado na luta de classes e os donos do capital do outro, por mais bonzinhos que sejam.

 

 



 

 

22.12.23

Sobre a corrupção

Gostaria de retomar um tema que tratei na Revista Galileu Vestibular de 2007? A corrupção.

Embora publicado na primeira década do século XXI o texto pode ser atualizado para os dias atuais com muita facilidade, basta somar os episódios do Cunha, do Petrolão e do governo Bolsonaro.

Imagino que hoje poderíamos colocar, sem medo de errar, que o presidencialismo de coalizão, coisa só existente no Brasil, é um dos motores das ações atuais.

O que há de pior no Congresso chantageia o presidente da República por meio do orçamento secreto. Foi assim na segunda metade do governo Bolsonaro e continuou no início do governo Lula.

Culpa do eleitor que votou pessimamente nos seus representantes? Talvez. Prefiro culpar o campo progressista pela incapacidade de angariar votos para os bons representantes do povo.

Isso não pode fazer com que criminalizemos a política. Existem políticos ruins, assim como profissionais de todas as áreas, a grande diferença é que esses políticos definem a vida de todas as outras pessoas.

O falecido Plínio de Arruda Sampaio defendia que o PT centrasse suas energias no legislativo, compondo quando possível, chapas para o Executivo. Hoje penso que ele tinha razão.

Mas a questão da qualidade do voto fica para outro texto.

 

                                                                                                                                                                                              Lula Marques/Agência Brasil

 

Texto publicado na revista Galileu Vestibular 2007

PROBLEMA HISTÓRICO E GENERALIZADO

Prática da corrupção foi disseminada em praticamente todos os governos do país

A corrupção no País é sistêmica, atingindo todos os setores da sociedade, pautando-se quase sempre pela oportunidade. 

Temos o jovem rico pagando ao segurança para furar a fila da balada, o moço pobre furando a fila na bilheteria do estádio, o bancário subornando o guarda para que ele ignore o desrespeito à lei, o deputado ou qualquer outra autoridade do poder público visando engordar seus lucros. 

Não podemos ignorar que a corrupção não é uma via de mão única: se tem um corrupto tem também um corruptor, ambos criminosos. 

Entra governo e sai governo, os escândalos se multiplicam e se renovam. 

Às vezes disfarçados de "megaobra", às vezes camuflados de caixa 2 — ou dinheiro não contabilizado. Definitivamente, a corrupção não foi inventada pelo governo Lula e muito menos é este o governo mais corrupto da história. 

Num rápido passeio por um desses sites de busca, como o Google, encontraremos referências à corrupção nos governos de Getúlio, JK, Jango, nos presidentes da ditadura militar, Sarney, Collor, FHC e Lula. Em todas as crises, a imprensa trombeteia tratar-se da maior da História. 

A sucessão de escândalos neste governo, no entanto, foi impressionante. Já a incapacidade do seu principal partido, o PT, em responder a eles de forma convincente, optando pela estratégia do silêncio e apostando no esquecimento do eleitor, parece ter sido bem-sucedida.

A Polícia Federal está muito mais atuante do que em governos anteriores, é claro. 

Independentemente dessa atuação, podemos lembrar o mensalão, a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro de Brasília e agora a compra do dossiê contra o candidato ao governo de São Paulo José Serra. 

Divulgar documentos comprobatórios ou indicativos de atos de corrupção não é crime. O crime está no método usado e principalmente na origem do dinheiro para comprá-lo, quase R$ 2 milhões.

Quando pensamos que o governo e o PT encontraram fácil o caminho da reeleição do presidente Lula, eles mesmos atiram contra si.

Aqui a publicação original





19.12.23

Eu não gosto de você papai noel

Faz tempo que o clima de Natal não me agrada, não fosse pela possibilidade de me juntar aos familiares eu preferiria continuar na minha toca, sem ver ninguém.

Lembro-me de quando contei para o meu filho que papai Noel não existia, e esse que a gente via no Natal era uma invenção da Coca-Cola, fruto do mais puro capitalismo. Fui muito criticado, só porque ele tinha acabado de fazer três anos.

Nos últimos o governo do genocida me fez ficar mais triste ainda com essa data.

O aumento da população de rua, da pobreza e da fome, somados as inúmeras intrigadas familiares, por conta do fascismo, me entristeceram bastante.

Neste ano o país parece caminhar melhor, embora com dificuldades. A esperança parece melhorar, mas ainda estou ressabiado.

Por isso volto com essa poesia que é emocionante e que faz com que lembremos das pessoas que não tem acesso aos bens mais essenciais, quanto mais ao papai Noel.




18.12.23

Parabéns Jaime Ernesto!

 
Em 1999, num dia como hoje de muito calor e sol escaldante, fomos para a maternidade,  Ana Lúcia  e eu , numa ansiedade, misturada com medo, pela expectativa da chegada de nosso filho.

Depois de alguns alarmes falsos ele veio a este mundão trazer muitas alegrias e algumas preocupações também.

Naquele momento, quando aquele “pequeno repolho”, com uma cabeça enorme, saiu da sala de parto e foi exibido a nós, estavam na antessala, o tio Anselmo, a vovó Dalva e  eu, que nem sabia o que dizer.

Só pensava em como fazê-lo feliz, mesmo sabendo que isso não seria possível o tempo todo. Ou ainda em como ser um excelente pai, mas lembrei que não tinha um curso para isso, embora o hospital escolhido tenha oferecido um curso nesse sentido, mas o lanche era bem melhor do que o curso.

O médico veio até mim dizer que o parto tinha corrido bem, embora tivesse sido “2 em 1”, foi feita toda a preparação para o parto normal, mas na “hora h” o rapaz em questão resolveu olhar na direção errada e o médico teve que tomar a decisão pela cesariana.

Veio o primeiro susto, ele deveria ir para a isolete neonatal, acho que é esse o nome e talvez não voltasse pra casa conosco. Mas foi só um susto e dois dias depois fomos para casa, levados pelo camarada Edílson, que o presenteou com o primeiro uniforme do Timão (o segundo veio do Maurício).

E pensar que isso tudo já faz 24 anos!

Vieram então as etapas escolares, com uma pré-escola maravilhosa, que demoramos a acertar, com o Fundamental I feito na escola na qual eu lecionava, depois o Fundamental II, quando mudamos de escola e o Ensino Médio.

Para alegria da família ele foi aprovado no Instituto Federal, na ETEC e no Liceu de Artes e Ofícios. Era o tempo que ele dizia querer fazer arquitetura, então escolheu o Liceu.

Momentos tensos, quando por desencontros, entre as expectativas e o ensino oferecido, fizeram com que ele desistisse da Arquitetura.

Depois de várias agruras veio a decisão difícil: o que fazer no ensino superior?

Escolheu engenharia biotecnológica, unindo as exatas com a biologia.

Falta um ano para terminar o curso.

Neste ano iniciou sua trajetória profissional ao ser aprovado no concurso para desenhista na prefeitura da cidade na qual mora e estuda.

Nós o amamos.

Não sabemos o quanto acertamos e o quanto erramos na sua educação, mas hoje ele pode caminhar sozinho.

É uma pessoa despida de preconceitos, solidário, companheiro, e, para mim o essencial: um cidadão consciente,  que pensa sempre naqueles não cuidados pela sociedade.

Ainda por cima corintiano!

Penso que, para finalizar, só nos cabe deixar aqui uma declaração bastante simples:

NÓS TE AMAMOS MUITO!

Que faça as escolhas certas e, se errar, estaremos aqui.

 



14.12.23

Dilma: de presidenta injustiçada à presidência do banco dos BRICS

Parabéns, Dilma

Dilma foi muito injustiçada, inclusive por setores da esquerda.
Mulher brilhante, com uma história de lutas irretocável.

Hoje preside o banco dos BRICS e foi escolhida como a melhor economista do ano!
Que tenha forças pra lutar por muito tempo ainda!

Viva Dilma!

Vejam o vídeo no link, no qual ela dá uma resposta bem bacana pra uma "lacradora" de redes sociais


5.12.23

A herança precisa ser taxada com urgência

Durante um tempo dei aulas num preparatório para vestibular muito chique aqui em Sampa.

A grande maioria dos alunos e alunas eram preparados para assumir os negócios da família. Tinham uma infinidade de cursos extracurriculares e muitas milhas acumuladas.

Quando eu dizia que a herança era uma fábrica de vagabundos e que banco não produz nada, então deveria ser taxado de uma forma diferente, frequentemente eu sofria alguns aborrecimentos.

Não dou mais aulas lá faz tempo, mas gostaria de ver reação do pessoal com essa notícia do UBS, um banco gestor de fortunas, portanto não cabe a alcunha de "comunista".

Em tempo: tive excelentes alunos humanistas, solidários e também do ponto de vista cognitivo.

Pela primeira vez, bilionários acumularam mais riqueza pela herança que com trabalho, diz UBS

4.12.23

Arte e Cultura Guarani


 

Censura ou reparação?

O STF entendeu que os órgãos de imprensa são responsáveis pelo que o entrevistado fala no caso de falsa imputação de crime.

Alguns jornalistas se rebelaram contra a medida, no meu entender por justa razão.
Imagine como seriam as entrevistas ao vivo nessa situação? Impossíveis de serem feitas.

Mas, por outro lado, é necessário tomar algumas medidas para que não aconteça novamente o que aconteceu com o ex-deputado, já falecido, Ricardo Zarattini, que foi acusado, de forma caluniosa, pelo Jornal Diário de Pernambuco de ter realizado um atentado no Aeroporto de Guararapes, que resultou em uma morte.

O ponto de partida da acusação foi uma entrevista, com informações falsas, do ex delegado de polícia, alinhado à ditadura militar, Wandenkolk Wanderley.
Não houve o chamado “o outro lado” nem a checagem da notícia, ainda não estava em moda. 

A reparação só veio agora, decorridos 30 anos do fato.
Podemos perceber uma enorme lacuna no judiciário pela demora descabida. Justiça tardia é injustiça, sabemos todos.

Mais recentemente o jornalista Leandro Demori foi caluniado pelo deputado federal Gustavo Gayer. De forma mais ágil a justiça decidiu pela reparação, obrigando o deputado mentiroso a ler uma nota nas suas redes sociais, escrita pelo próprio Demori, restabelecendo a verdade. 

A medida do STF é censura?
Nos casos das entrevistas "ao vivo", sim, mas se usado o bom senso, as notícias mentirosas, ou fake News, não podem servir de base para acusações infundadas ou ainda para escaladas dos noticiosos, como nos casos da cassação da presidenta Dilma Roussef e da prisão do presidente Lula. 

A medida correta seria criar um instrumento ágil da justiça para reparação da verdade, de imediato, sem prejuízo das indenizações cíveis.



Privatiza que dá certo!

O mito neoliberal da privatização dos serviços públicos não resiste a um olhar pra realidade, quer seja aqui ou em terras estrangeiras.


 

20.5.23

Governo Lula 3

Desde 1 de janeiro de 2023 vivemos momentos de esperança e desejos de mudanças na sociedade brasileira.


O caminho será longo, uma vez que foi interrompido pelo golpismo de 2016, e teve um grande estrago nos quatro anos de governo do inominável.

Esse governo Lula é fruto de um grande acordo, envolvendo um leque enorme de forças políticas e sociais. Vai do MST, o maior movimento social de luta pela terra nesse país, até acenos ao agronegócio, na figura de Simone Tebet ocupando um ministério.

É preciso entender esse contexto para elaborar uma crítica assertiva, que contribua para o entendimento desse momento histórico.

São inúmeras frentes de atuação. Podemos destacar, no âmbito social, o combate às fake News, que tanto mal tem nos causado, ao preconceito – racial, homofobia, transfobia etc. –, à violência contra a mulher, enfim, inúmeros desafios de reconstrução de padrões civilizatórios para o Brasil.

Precisamos ainda de especial atenção às questões ambientais, sejam elas referentes à preservação e conservação de recursos e buscar o “desmatamento zero” a todo custo, além de especial atenção às energias renováveis.

No campo econômico temos que enfrentar as desigualdades sociais, construídas ao longo de pouco mais de 500 anos de história. A recuperação do salário-mínimo é urgente, além de mudanças no sistema tributário, cobrando impostos sobre a propriedade e os rendimentos elevados e aliviando a carga tributária para os mais pobres, principalmente nos impostos indiretos.

Mas como fazer isso com um Congresso da qualidade que foi eleito? Com tantos políticos desonestos e de péssima índole, conseguiremos chegar numa sociedade justa, tolerante e menos desigual?

Alguns amigos da esquerda precisam compreender que não se trata de um processo revolucionário, nos moldes da URSS ou Cuba. Não temos o controle das armas e nem a hegemonia da sociedade para fazer valer a “justiça revolucionária”.

Para alcançarmos um país melhor precisamos do Congresso, Judiciário e do Executivo, mas, antes de qualquer outra coisa, precisamos de consciência de classe, de entender o que é melhor para a maioria das pessoas.

Nesse contexto se conseguirmos melhorar substancialmente a saúde e educação pública, construir uma política de melhoria habitacional e do ambiente e recuperar a renda dos mais pobres, diminuindo a desigualdade salarial, já poderemos nos considerar razoavelmente felizes.

No entanto o governo Lula poderia ser mais austero com relação às despesas nas viagens internacionais. Embora em nada pareçam com as viagens do governo anterior, uma vez que tem se traduzido em investimentos e importantes acordos de cooperação com os países visitados, ainda assim os gastos parecem um tanto extravagantes. Uma boa dose de parcimônia nesses gastos teria um efeito positivo.

9.5.23

Aílton Nunes Júnior

 O amigo Ailton, companheiro dos tempos de USP, de quando me apaixonei por estudar a educação, se foi.

Deixou saudades e, de certa forma, uma grande interrogação: como assim?

Vao fazer uma falta danada

Segue texto do Tarcisio, que escreve lá do sul da Bahia, sobre esse companheiro que se foi. 


O crítico…

Parece fácil um apelido pegar, mas difícil é ele pegar e ao mesmo tempo sincronizar com o perfil da pessoa. Aqui no sul da Bahia os que pegam, são justamente aqueles que a pessoa não gosta!! Mas neste caso nosso amigo Osvaldo Camilo acertou em cheio: “O Ailton é muito crítico!”…

A criticidade é, antes de mais nada, um elemento essencial a produtividade, qualidade e outros, então não vamos confundir, de antemão, o sujeito crítico com o sujeito problemático. Mas ele não perdoava, em seus ácidos comentários, a ninguém: da executiva nacional de estudantes aos próprios professores doutores da faculdade. E caso você que ache que não cabe críticas aos professores universitários eu sei bem as dificuldades hercúleas para trocar copos descartáveis por xícaras definitivas, junto aos titulares e livre-docentes da faculdade de educação.

E sobrou até pra mim, julgado como o “redundante” por ele. Bom, fazem bem uns vinte anos que ele disse isso e, se até hoje não me esqueci, é porque serviu para me policiar a todo tempo sobre a arte de escutar melhor antes de sair falando, ou a “escutatória” como diria Rubem Alves.

Mas ele sempre complementava os seus comentários com aquele bordão que buscava suavizar a crítica: “é uma figura complicada”… Que figura era ele também. Nunca foi assíduo em nossos rolês de happy hour ou escapadas no bar porque costumava dizer: “não é minha turma”. E qual era a turma dele? Quem sabe… Tinha amigos em todos os cantos, mas espalhados, pois frequentava a faculdade há tempos… Fora o famoso Jorge, não se sabe muito sobre sua galera, mas o fato é que ele não se encaixava em turmas, tribos e movimentos. O lobo solitário só foi agregado a turma com a vivência no NEA que envolveu muita gente, inclusive nós do 505D.

Aliás, foi no 505 que os papos rolavam noite a dentro… Sem ter como voltar a casa na zona leste, restava a ele o “sofá” da sala para dormir, em meio aos perrengues da moradia estudantil. Questionávamos todas as mazelas da universidade e o embate teórico, versava sobre tudo. Até me vendeu um carro que era dele com o irmão e passei então a me esconder, porque ter carro e vaga na moradia, à época, eram coisas incompatíveis na cabeça de muitos, até de alguns que coordenavam o processo… A falta de consciência de classe já fazia vítimas desde aqueles tempos!

E por falar em consciência de classe, éramos todos vindos da periferia da cidade eu, ele e Ney e desta clareza que tínhamos, as nossas conversas sempre foram construtivas e auxiliaram o entendimento das desigualdades e da importância da universidade pública. Que figura!!

Mais um fato ainda lembro: foi ele que me acordou de madrugada, certa vez, para dizer que nosso colega de quarto, Flávio, estava em crise de epilepsia. Debati-me alguns instantes até ele retomar a consciência e eu terminar com o rosto cheio de sangue. Depois do ocorrido ele passou a me considerar mais.

Aquele apê tem muitas histórias, Ailton foi uma delas, com sua fixação por cabelos e seu famoso rabo de cavalo… Chegou a virar resenha nas palavras das cursistas de Alagoas, no programa alfabetização solidária.

Bem, agora que ele se foi. e precocemente, deixo cá essas lembranças das milhares de desventuras que a universidade nos impõe e a forma de cativar de Ailton, o crítico!!!

 

Aperto na mente!

28.1.23

Foi golpe

Michel Temer discorda do Lula sobre o golpe sofrido por Dilma Rosseuf em 2016, mas vejam, na própria voz do golpista, o que disse no programa Roda Viva há um ano.

O que mais me surpreende é o que os jornalistas e comentaristas da própria TV Cultura, são incapazes de recuperar essas imagens durante os noticiários da emissora.



23.1.23

Genocídio

Em face dos crimes cometidos pelo governo anterior muitos se apegam as questões semânticas para justificar o injustificável, assim não querem que chamemos de terroristas os vândalos que destruíram os prédios públicos da praça dos 3 Poderes em Brasília no último dia 8 e nem de genocídio o que aconteceu ao povo Ianomami nos últimos quatro anos.

Não vou perder nosso tempo com essas sutilezas do idioma, mas gostaria de recorrer à definição de uma das expressões citadas: genocídio.

“Genocídio é a eliminação sistemática e intencional de um grupo por meios ativos (aplicação de forças que resultem na morte) ou passivos (negligência e negativa de prestação de assistência). Em geral, os grupos vítimas de genocídios apresentam indivíduos com ligações étnico-raciais, de nacionalidade e religiosas.

O extermínio desses grupos acontece por conta de fatores discriminatórios que consideram a existência dos indivíduos daquele grupo algo tão insignificante a ponto de ter sua extinção “permitida” na visão dos genocidas”

Fonte: Mundo Educação. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/genocidio.htm>. Acesso em 23/01/23.

Ante tal definição não resta dúvida sobre como chamar o que aconteceu nas terras do Povo Ianomami.

Foram inúmeros pedidos de socorro por parte dos nativos, endereçados a ministros e outras autoridades, ignorados, seguidos por medidas que agravaram a situação daquele povo.

Essa política foi anunciada pelo ex-presidente durante sua campanha, ou seja, quem votou nele concordou com a ação criminosa.

Há toda uma cadeia de responsáveis diretos pelo ocorrido: presidente da república, vice-presidente – que acompanhava de perto a agonia da floresta e seus povos – a ministra Damares, os ministros Ricardo Salles, Moro, a Funai e os agentes econômicos interessados em eliminar os povos originários (garimpeiros ilegais, pecuaristas, madeireiros etc.).

A morte de 570 crianças e o sofrimento causado pela malária, além de outras doenças, foi resultado da omissão deliberada do governo, da negação da FUNAI (militarizada e evangélica) em atendê-los, da supressão de verbas destinadas à saúde indígena, ou seja, um autêntico GENOCÍDIO.

 

16.1.23

Ladrões, mentirosos, burros e malvados


Ontem fez uma semana que uma horda de gente tosca tentou um golpe no Brasil.

Imagino que, por debaixo dos panos, havia uma quantidade enorme de fascistas, alguns com fardas outros não, elaborando o roteiro que, felizmente, não obteve sucesso.

São ladrões em razão dos roubos praticados, muitos deles usando dinheiro público. Além disso tentaram destruir a incipiente democracia na qual vivemos.

Criaram narrativas embasadas apenas em mentiras, atualmente chamadas de fake News, e nelas acreditam com uma devoção cega.

Burros por terem produzido provas contra si mesmos, em rede nacional.

Atacaram patrimônio público valioso pelo prazer da destruição, apenas por maldade, ignorando o valor histórico e material dos bens destruídos ou surrupiados.

Vemos agora um grande grupo de pessoas presas e esperamos que caia sobre eles o rigor da Lei e que paguem por todas as barbaridades cometidas.

6.1.23

Um país destruído

 

Os últimos 4 anos foram marcados pela destruição do país e, consequentemente, da sociedade brasileira.

Laços de amizade e familiares foram rompidos pela pregação de ódio, a ignorância e o delírio coletivo destacaram-se de forma inacreditável.

A violência, física e verbal, atingiu níveis insuportáveis no chamado período democrático, parecia não haver saída.

Mas parte da sociedade brasileira, a maioria, resolveu mudar e, com muita luta, conseguimos uma importante vitória sobre o fascismo que se destacava.

No entanto o estrago foi imenso.

Reconstruir a nação dará um imenso trabalho e não poderá ser obra de um período de governo.

A jornalista Natuza Nery fez excelente matéria mostrando a destruição de um patrimônio público, símbolo do poder central, detonado por um bando de imbecis.

 



1.1.23

Feliz 2023, 2024, 2025, 2026...

 


Só agora, com Lula e o ministério empossado, me animei a desejar um bom ano novo para todos vocês.

Foram quatro anos de apreensão, muito choro e desânimo. A cada dia a sensação de que estávamos no fundo do poço e, no dia seguinte, a gente descobria que era mais fundo, parecia um buraco sem fundo.

Um período duro, mesmo para pessoas que, como eu, viveram o período da ditadura.

Em 2023 a esperança vai nos acompanhar, tenho certeza. Esperança de humanidade, de inclusão, de combate sem tréguas à desigualdade social.

Claro que todos os problemas, produzidos ao longo dos mais de 500 anos de invasão, não serão resolvidos por um homem ou um período de governo.

Precisamos de mudanças profundas, de vigilância constante, creio que teremos que nos dedicar à militância, nos limites das possibilidades de cada um de nós, para que a desigualdade seja reduzida.

Penso que as tarefas serão maiores do que aquelas realizadas nos dois primeiros mandatos. O estrago desses quatro anos do governo do coisa ruim foi muito grande, os retrocessos foram enormes.

Para 2023 tenho um foco pessoal: acertar, no limite do possível, minha saúde física e mental. Já no campo político quero me juntar aos coletivos de militância virtual.

Por isso, nesse momento, gostaria de desejar a todas as amigas e todos os amigos, inclusive aqueles do campo virtual, um feliz 2023 e agradecer a companhia de cada um de vocês, só com essa solidariedade foi possível ultrapassar esses quatro anos.

Muito obrigado, mas é importante lembrar que ainda não podemos soltar a mão de ninguém!



 

 

12.11.22

O mercado que se dane!

Falar em matar a fome e diminuir as desigualdades sociais causa enorme desconforto ao “mercado”.

Mas quem é esse mercado afinal de contas? É a Bolsa de Valores? São os banqueiros? É o mercadinho da esquina?

 

Como nos ensinou Maria da Conceição Tavares: existe uma grande diferença entre os economistas e os tecnocratas. Esses analistas preocupados com o mercado, sejam economistas ou jornalistas, não passam de tecnocratas, que não conseguem ver a importância da justiça social na construção da nação.

Fui perguntar ao Google quem era esse tal mercado e ele não me deu uma resposta convincente.

Só sei dizer que o “mercado” ficou nervoso quando o Lula disse que o teto de gastos não está acima do direito das pessoas a ter “café da manhã, almoço e janta”. E aí foi mais ou menos o fim dos tempos: a bolsa de valores caiu e o dólar subiu.

Pode-se resumir em uma palavra: especulação! Mais riqueza para os muito ricos e mais dureza para a classe média e os pobres.

E o jornalismo econômico, com raras exceções, segue a onda, advogam sem parar o respeito ao teto de gastos, só falta dizer que tem que “esperar o bolo crescer para distribuir pedaços fartos mais tarde”, como fez um antigo mago dos economistas da ditadura.

Mas esse mesmo mercado não ficou nervoso, ou tenso, com as diatribes de Paulo Guedes, o falecido posto Ipiranga. Não se abalou com os quase 700.000 mortos pela pandemia de COVID-19 e nem se coçou com os seguidos anos de rompimentos do tal teto no governo moribundo.

Aliás, também não vi reação, virulenta ou branda, quanto a proposta de deputados estaduais de São Paulo de reajustar o salário do governador (secretários e demais cargos comissionados) em 50% para o governo que tomará posse em 2023.

Mas bastou Lula falar em cumprir a sua principal promessa de campanha para o mundo desabar.

 

3.11.22

Na luta contra o fascismo a democracia marcou seu primeiro gol

Estamos nos aproximando do fim de um triste período da nossa história republicana, com pouco republicanismo.

Em alguns setores a mentira, agora apelidada de fake news, tem prevalecidos e assistimos cenas patéticas, ou assustadoras, a depender da percepção do espectador.

Adultos usam crianças como escudo em protestos, ilegais, contra o resultado das urnas. Inventam supostas prisões, às vezes do Lula, presidente eleito, às vezes de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo que conduziu com maestria o processo eleitoral.


Rodovia Castelo Branco – 1/11/22. - TV Globo

As narrativas se acumulam e o ridículo e a cafonice da nossa classe média salta aos olhos, tanto de quem tem, pelo menos, dois neurônios em funcionamento como para o público do exterior.

Enquanto isso Lula, o presidente escolhido pela maioria, trabalha sem descanso, mesmo sendo sua posse apenas primeiro de janeiro de 2023.

O trabalho de reconstrução será gigantesco.

Este não será um governo petista, assim como não foram os de Lula e Dilma, pois contaram com forças políticas diversas, caminhando sempre para o centro político, mas com a inserção do povo mais pobre.

Desta vez a diferença é a própria campanha eleitoral, que de início incorporou amplos setores da sociedade que perceberam o risco da escalada fascista na nossa sociedade.

A habilidade do presidente Lula será a fiadora da participação desses setores no governo, mas será preciso que se coloque claramente para a sociedade sob quais condições isso acontecerá.

Precisamos recuperar a política e a credibilidade dos políticos e isso demandará tempo, paciência e sabedoria.

As instituições precisarão ser recuperadas, deixando claro que elas pertencem ao estado brasileiro e não ao governo a ou b.

Aqui a torcida organizada do Corinthians fazendo o serviço que caberia  à Polícia Rodoviária Federal: desmanchar um bloqueio criminoso!


O novo governo também deverá clarear para a sociedade que não cabe às religiões interferirem nas questões de Estado.

São tantas coisas a serem feitas que o trabalho será hercúleo e precisaremos da união do campo progressista, sob a liderança do presidente Lula, para fazê-las.


22.10.22

Contribuições bolsonaristas para a eliminação dos pobres

 Este governo desunamo quer acabar com os pobres, atirando-os na lata do lixo, não oferecendo as oportunidades de acesso à educação, saúde, renda e moradia.

Veja um resumo:



12.10.22

Casos de família: a luta contra o fascismo num momento crucial

O segundo turno se aproxima e dos votos dos eleitores teremos o resultado que vai determinar o projeto de nação que seremos.

De um lado a democracia e o respeito aos indivíduos e a proteção aos mais fracos e do outro os defensores da ditadura, tortura, do preconceito e da morte.

Carregamos quase 700.000 mortos pela pandemia.

Nesse período vimos pessoas morrendo por falta de oxigênio e muitos por falta de vacinas, enquanto o (des)presidente da república (assim mesmo, com letras pequenas) e seus asseclas riam e se divertiam com a morte.

O país se dividiu e minha família – numerosa família de nordestinos que há muito tempo residem no Sudeste – também.

Somos todos trabalhadores. Professores e professoras, funcionários de universidades, policiais, engenheiros, pequenos proprietários, bancários, profissionais de TI etc. Mas todos são trabalhadores, uns com um bom padrão de renda e outros lutando com mais dificuldades.

Pois bem, também nos dividimos.

Divisão marcada pela fake News e pelo fanatismo religioso.

Como é normal numa família tão numerosa não tenho contato próximo com todos os parentes, até porque muitos moram em outras cidades, principalmente no interior de São Paulo e outros moram em bairros distantes na capital mesmo.

Então a pregação fascista desses me entristeceu, mas o mecanismo foi simples: bloque nas redes sociais!

Mas outras pessoas eram muito próximas e, nesse caso, o sentimento é de luto. Primos com os quais compartilhamos ótimos momentos de vida, festas de final de ano, aniversários e encontros diversos me trouxeram um sentimento de luto.

É como se tivesse perdido uma pessoa amada para sempre.

Não posso conviver com quem defende a tortura. Com quem acha que uma pessoa preta vale menos do que uma pessoa branca ou que uma mulher é fruto de uma fraquejada e que merece ganhar menos do um homem porque engravida. Que tem em professores e cientistas seus inimigos pessoais. Que discrimina pessoas trans.

Dentre estes que me enlutaram existem pessoas com bom nível de instrução formal, pessoas por quem eu nutria profundo respeito e muito carinho.

Divergência de opinião é normal e bacana, mas não posso aceitar o fascismo como opinião.

Aqui jaz uma pessoa ferida pela política, que sempre foi minha paixão.

Mas tem suas compensações. Tenho um grupo no WhatsApp com o nome de “Florianos com Lula 2022”; meus pais, ele com 80 e ela com 78 anos, estão firmes no 13; minhas irmãs e sobrinhos também e, aqui em casa, eu e minha companheira de vida temos nos apoiados mutuamente nos momentos de tristeza.

Minha felicidade maior está na convicção política do meu filho, jovem estudante de engenharia no interior de São Paulo.

Isso pra não falar dos amigos, todos eleitores convictos, embora nem todos petistas, do Lula e do Haddad aqui em São Paulo.