7.3.09

Mais de 7.000 já assinaram manifesto

REPUDIO E SOLIDARIEDADE
Ante a viva lembranca da dura e permanente violencia desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repudio a arbitraria e inveridica revisao historica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime politico vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direcao editorial do jornal insulta e avilta a memoria dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratizacao do pais. Perseguicoes, prisoes iniquas, torturas, assassinatos, suicidios forjados e execucoes sumarias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no periodo mais longo e sombrio da historia política brasileira. O estelionato semantico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisao historica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensao das liberdades e direitos democraticos no pos-1964.
Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redacao, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razoes ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrarios e irresponsaveis a atuacao desses dois combativos academicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insolitas criticas pessoais e politicas contidas na infamante nota da direcao editorial do jornal. Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fabio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

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Sou contra o aborto, mas as mulheres tem o direito de fazê-lo

Se me perguntarem digo de pronto: eu sou contra o aborto.
Colocado dessa maneira, cabe a ressalva: o corpo é da mulher e as maiores conseqüências sociais sobrarão para ela, portanto a decisão que ela tomar deve ser respeitada.
Temos um problema grave de saúde pública no país: os abortos clandestinos.
Eles são realidade e matam muitas mulheres, ou deixam sequelas físicas, além das mentais. A conta sempre acaba no sistema público de saúde.
Claro que estou falando das mulheres pobres, pois as mulheres ricas, que também abortam, o fazem em segurança com toda a proteção que o dinheiro pode pagar.
Phydia de Athayde fez uma matéria exemplar para a CartaCapital sobre o tema. Abaixo um pequeno trecho:

Cuidado ou cadeia?
Ninguém gosta, ninguém planeja. Ainda assim, todos os anos, cerca de 240 mil brasileiras são internadas nos hospitais do SUS em decorrência de abortos inseguros. Elas chegam com hemorragia, infecções e não raro são destratadas por médicos e enfermeiras. O aborto é crime no Brasil e, se isso não diminui as ocorrências, como mostram pesquisas no mundo todo, enche de medo, vergonha e fragilidade as mulheres que o praticam.
Enquanto o Ministério da Saúde trabalha para que o assunto seja tratado como questão de saúde pública, a Câmara dos Deputados caminha para o lado oposto. Na terça-feira 9 de dezembro, aprovou a criação da CPI do Aborto para “investigar profundamente as denúncias e fazer valer a aplicação da lei, atinja a quem atingir”, conforme o pedido de abertura.
Entre os atingidos estaria gente como a baiana Olívia (nome fictício), chefe de família, negra, de 39 anos e um filho de 5. Doméstica, estudou até o segundo grau. “Fiz o aborto quando tinha 29 anos. Decidi porque não tinha condições de assumir. Foi desesperador, eu tinha terminado um namoro de oito anos antes de saber da gravidez. Tomei inúmeros chás, achava que ia sangrar imediatamente, de raízes, de malmequer, gengibre, boldo, espinho-cheiroso. Passou uma semana, resolvi procurar o ex-namorado e ele providenciou os comprimidos, né? O Cytotec. Tive hemorragia, muita cólica e a dor não passava, minha patroa desconfiou, me colocou contra a parede e confessei. Ela me levou ao hospital e ajudou a me internar. Foi horrível, porque era véspera do Dia das Mães.”

Leia a matéria na íntegra clicando aqui.

Gravidez na adolescência: problema de saúde pública e de educação

A falta de educação pública de boa qualidade prejudica o país em diversos setores.
Perdemos o capital humano potencial aos caminhões, para pensarmos dentro dos marcos econômicos vigentes. Isso no atacado.
No varejo nossa estrutura educacional deixa milhares de jovens expostos ao risco da criminalidade e dos caminhos desajustados.
Por vezes a hipocrisia reinante deixa “buracos” espantosos.
Convivemos com uma verdadeira epidemia de gravidez na adolescência.
Crianças já emancipadas sexualmente, mas sem a maturidade suficiente para cuidar de outra criança.
A gravidez nestas jovens acarreta uma série de prejuízos, o maior deles é afastá-las da escolarização, embora de qualidade duvidosa, ainda representa saída e esperança dos muito pobres para alcançar coisa melhor na vida.
Não sei dizer com certeza de quem é a culpa. Podemos arriscar palpites: erotização precoce, ausência da família e falta de educação sexual.
A educação sexual e reprodutiva deveria ser uma disciplina à parte, com privilégios na grade curricular.
Não se trata de importar aqueles programas odiosos do Bush, o júnior, do tipo “mantenha-se virgem até o casamento”. Não estou falando de idiotices e nem da ilha da fantasia.
Devemos encarar esse problema e buscar soluções.
Se o problema é social ele deve pertencer a toda sociedade.
Só distribuir camisinha e contraceptivos é pouco, não resolveu o problema.
Precisamos de intervenção urgente, afinal é problema educacional e de saúde pública!
Vejam a matéria abaixo, do portal da Agência Brasil:

Gravidez na adolescência afasta jovens das salas de aula

Amanda Cieglinski - Repórter da Agência Brasil

Brasília - Nem a metade dos adolescentes de 15 a 17 anos está matriculada no ensino médio, etapa escolar indicada para essa faixa etária, e 18% estão fora da escola. O quadro pode ser ainda mais pessimista para as jovens. Quando cadernos e livros dão lugar às fraldas e mamadeira, boa parte das mães adolescentes acaba desistindo da escola.
Segundo informações do Ministério da Educação, um terço das jovens nessa faixa etária que estão fora da escola já é mãe.
Aos 19 anos, Juliana Rocha da Silva, é mãe de duas crianças. Ela parou de estudar aos 15 anos, quando ficou grávida pela primeira vez. Casou-se, mas acabou perdendo o bebê. Aos 16 anos, engravidou novamente, e nasceu Hugo. Logo depois, veio Danielle, hoje com um ano. De lá para cá, Juliana tentou voltar a estudar quatro vezes, mas acabou desistindo.
“Quando engravidei, eu enjoava. Depois, a barriga começou a aumentar e a ficar pesada e, para mim, era muito difícil ir à escola. Hoje quando eu penso em voltar, vêm outras dificuldades, porque não tem quem fique com as crianças”, conta Juliana.
Desde 1999, um projeto do Hospital Universitário de Brasília (HUB) oferece acompanhamento especial às adolescentes que já são mães. A coordenadora do programa, professora Marilúcia Picanço, que já atendeu mais de 800 meninas, destaca a vergonha e o cansaço como principais motivos apontados pelas jovens para abandonar a escola. Segundo a professora, 30% das adolescentes já estavam fora da escola antes de engravidar.
“Das que ainda estudavam, um percentual de 30% a 50% abandona os estudos. Elas dizem que sentem vergonha e cansaço. Algumas continuam a estudar, mas, quando chega mais perto do nascimento do bebê, param de ir à escola”, afirma a pesquisadora. E, quando já são mães, os cuidados com o bebê dificultam seu retorno à sala de aula.
De acordo com Marilúcia, as mães que conseguem retomar os estudos são aquelas que recebem apoio da família. Mas um colégio que seja adequado às necessidades da aluna também é importante para garantir o sucesso escolar.
“Eu já sinto que as escolas estão mudando, apoiando mais e discriminando menos, mas a família é essencial. Se a menina mora perto da escola, a mãe ou a sogra leva o bebê para ela amamentar. Mas, se estuda longe de casa, não tem como ficar com a criança dentro da sala de aula por quatro ou seis horas”, compara.
Juliana espera um dia conseguir terminar o ensino médio. Ela pretende voltar este ano para a escola. Como ela, 40% das jovens atendidas pelo projeto do HUB engravidam pela segunda vez nos dois anos seguinte após o parto.
“Sem estudo não dá para fazer nada na vida. Eu penso em chegar à faculdade, mas, se conseguir concluir pelo menos o ensino médio, para mim já é uma vitória”, afirma.
Fonte: Agência Brasil – disponível em http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/03/06/materia.2009-03-06.1966497764/view

5.3.09

Aborto e excomunhão

Vejam a notícia abaixo, publicada no JC Online de Pernambuco.
É de dar raiva e causar pena.
Mas a igreja católica se colocou contra o aborto. O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, nos trouxe à memória a Santa Inquisição. Excomungou a mãe, médicos e todos os demais que participaram do aborto.
Como se a decisão fosse algo satânico e não para o bem da saúde física e mental da criança estuprada pelo padrasto.
Some-se ainda a pressão realizada pelo tal arcebispo, que tentou falar com o governador para evitar o aborto. Em boa hora o governador não se deixou intimidar pela ação conservadora.
Venceu a lógica! Pelo menos desta vez!


Menina de 9 anos aborta gêmeos
Do JC OnLine
Com informações de Verônica Almeida

A menina de 9 anos que engravidou de gêmeos depois de ser estuprada pelo padrasto de 23 anos abortou os dois fetos na manhã desta quarta-feira (4).
O aborto, realizado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, Zona Norte do Recife, foi induzido por medicamentos. O primeiro feto foi expelido por volta das 9h. O segundo, às 11h30.
A menina, que teve alta do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip) no final da tarde desta terça-feira (3), deve passar ainda por uma curetagem - procedimento médico para retirar material placentário da cavidade uterina.
De acordo com os médicos, o estado de saúde da garota - que tem 33 quilos e 1,36 m de altura - é estável e ela deve continuar internada na unidade de saúde até esta sexta-feira.
PAIS - O aborto aconteceu em meio à polêmica envolvendo o pai da garota, que, evangélico, demonstrou ser contrário ao procedimento. No entanto, a mãe decidiu tirar a criança do Imip, onde estava internada, e levá-la ao Cisam para a realização do aborto.
No último dia 3, a polícia prendeu o trabalhador rural José Amâncio Vieira Filho, acusado de ter estuprado a enteada. A prisão ocorreu um dia depois de a história vir à tona no município de Alagoinha, no Agreste de Pernambuco. Em depoimento à polícia, José Amâncio confessou também ter violentado a irmã da menina, hoje com 14 anos e portadora de deficiência.

Fonte: JC Online – disponível em http://jc.uol.com.br/2009/03/04/not_193248.php

28.2.09

Profissão: PROFESSOR!

Escolhi essa profissão já maduro, comecei a lecionar aos 30 anos, mas sinto como se nunca tivesse feito outra coisa.
Tenho orgulho dela, quem deve sentir vergonha são os responsáveis pelas condições do sistema educacional do país, a mídia inclusive que, a cada dia que passa, assassina mais os textos e o pensamento crítico.
A cada instante estou pensando no que fazer na sala, novos projetos, trabalhos, textos...
Sempre trabalhei na rede privada, apenas num curto período na rede pública, mas adorei o tempo da Educação de Adultos na USP e o trabalho junto aos professores do Nordeste nos projetos da FE/USP.
Fiz grandes amigos, colegas de trabalho e também ex-alunos.
Alegra-me quando um dos ex-alunos me acha no Orkut ou no blog, é como se as ligações com o passado fossem retomadas.
No entanto tenho minhas tristezas. Quando perdemos algum colega valioso, ou, pior, quando vemos um projeto afundar, isso dói demais.
Por outro lado revolta-me como a grande mídia tem tratado a educação, no atacado e o professor no varejo.
Parece campanha orquestrada contra a autoridade do professor, base para a condução de uma sala de aula.
Claro que essa autoridade só pode ser legitimada pelo conhecimento e pela ética, mas o que faz a imprensa, principalmente a revista Veja e a Folha de S.Paulo, é um enorme desserviço à educação.
Hoje me encontrei, acidentalmente, com um ex-colega de faculdade e colega de profissão.
Ele começou a falar das agruras da profissão. Disse-lhe que isso não pode ser feito. Quando nos tornamos infelizes no nosso trabalho temos que mudar de trabalho.
Quando o desânimo se abate sobre mim, por causa de uma ou outra derrota, tenho um “arquivo” que me faz voltar à vida e a vibração com a profissão, seguem dois trechos de e-mails que recebi de alunas que concluíram o ensino médio ano passado. Claro que o texto deve ser repartido entre todos os professores da escola. Mantive o padrão do e-mail e excluí uma ou outra coisa:

“... esse email deve ser uma total surpresa para os dois, mas terminando agora o ensino médio queria dizer algumas coisas pra vcs...
Crescendo sempre fui uma pessoa de exatas, era apaixonada por minhas aulas de matemática e passava batida totalmente por história, geografia e, claro, português.
Mas vcs dois conseguiram no meu colegial mudar esse cenário totalmente. Gostava das aulas de vocês, me interessava pelos assuntos, vira e mexe quanto fugia da minha preguiça ia atrás de mais informação, e é claro, enchia o saco de vcs depois da aula...
Tá, claro, nunca fui aplicada ou excepcional, o Toni conseguiu me deixar mais de uma vez de recuperação – minhas notas não eram excelentes e nesse último ano meu desempenho em classe ficou longe de ser bom. Mas mesmo assim, me mudaram os gostos.
Meu segundo colegial com vcs foi incrível, comecei a me interessar por humanas e desisti, depois de 10 anos de certeza, de fazer engenharia, não que eu tenha conseguido escolher outra carreira agora, mas ainda vou descobrir, quero algo que me leve mais longe, que eu tenha que pensar, relacionar, refletir e não calcular.
O fórum FAAP me mostrou um caminho que nunca imaginava, tudo bem que me senti a pessoa mais burra da história naquele comitê, porém AMEI. Ainda mais os meses de preparação foram incríveis! como falei depois do fórum, pela primeira vez na minha vida aprendi porque queria, não porque precisava...
Ficava a tarde pros esportes e ADORAVA ficar no colegial depois das aulas, conversar das coisas mais diversas com vcs, em especial nesse final sabendo que o tempo era limitado antes de começar os treinos.
To indo agora passar seis meses fora, não é o momento de vestibular tenho muito que crescer pra entrar numa faculdade. Vou estudar ... e história da arte (tenho certeza que esse ultima curso eu nunca teria escolhido sem as aulas de vcs.).”

“... Aliás, conversei muito com amigos meus que também acabaram agora a escola, e só assim percebi a sorte que eu tive de ter professores como os que eu tive... Percebi a base enorme que eu tenho, como nesses últimos anos eu aprendi a pensar, aprendi a questionar (e como!), aprendi a desenvolver conhecimento! Hoje sou muito grata por ter escolhido ficar aí e ter tido uma educação livre e sensata, sem aquela preocupação sem sentido de escolas do tipo “vestibulantes”. Posso não saber tudo, mas tenho a capacidade de aprender o q. eu quiser.”
Embora não tenha revelado os autores dos textos acima, basta solicitar que eu apago, se assim o desejarem.

26.2.09

Para entender o jogo da Folha de S.Paulo

Para entender melhor o jogo da Folha de S.Paulo, recomendo as seguintes leituras (é só clicar nos títulos):


Por que a Folha não publica as cartas de Ivan Seixas? - por Rodrigo Vianna
O golpe de 64, por Otávio Frias Filho - no site Vi o Mundo
De rabo preso com quem? Artigo de Alípio Freire para o jornal Brasil de Fato
A Folha saúda a ditadura - Celso Marcondes para CartaCapital
Protesto contra a "ditabranda" - do Eduardo Guimarães no Cidadania.com, convocando ato público em frente à sede da Folha de S.Paulo
"Ditabranda na Folha" - Direita volver! - por Luiz Antônio Magalhães no Observatório da Imprensa

A Folha de S.Paulo resolveu acompanhar a revista Veja

O jornal Folha de S.Paulo resolveu acompanhar a revista Veja na prática do jornalismo de esgoto.
Não bastassem as suspeitas de jogar o jogo do banqueiro Daniel Dantas, agora mudou o qualificativo da ditadura brasileira: para a Folha foi apenas uma “ditabranda”.
Era de se esperar, afinal a Folha apoiou o golpe no seu início e ainda ofereceu infra-estrutura para as prisões arbitrárias e a prática de tortura.
Sua edição vespertina, Folha da Tarde, tinha o carinhoso apelido de Boletim do SNI, tanto que lhe serviu, dócil e amigavelmente.
Para quem ainda tem dúvidas é só conferir:

Do EDITORIAL DA FOLHA DE S.PAULO de 17.02.2009 contra Chávez
Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.
Mas, se as chamadas "ditabrandas" – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça –, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.


CARTAS DE PROTESTO E RESPOSTAS DA REDAÇÃO
EM 19 e 20.02.2009
"Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.
Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas – caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.
A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?
É a "novilíngua"?
Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.
É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário."
SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)
Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

"Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala – que horror!"
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES, professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)

"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."
FÁBIO KONDER COMPARATO, professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP)

Nota da Redação
A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa.


Eu já assinei a petição abaixo e convido-os a fazer o mesmo:
Repudio e Solidariedade
http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat
obs: depois de assinar abre-se um página pedindo doações para manutenção do sistema, mas não é obrigatório, é só fechar a página.

19.2.09


Faz poucos dias divulguei aqui a manifestação de uma aluna do curso de História da UNIESP.
A instituição mandava e desmandava!
Proposta de unificação de semestres (!), encerramento de curso e demissão de professores.
Toda a comunidade da UNIESP mobilizou-se. Eles foram para rua, para a associação de estudantes, sindicato e, todos juntos, chamaram a instituição às falas!
Saíram vitoriosos. Os professores demitidos foram readmitidos, os cursos não serão encerrados e os semestres não serão unificados.
Tenho certeza de que deste ninho sairão professores de ótima qualidade.



Amigos,

Tivemos boas notícias ontem.
Depois de nossa manifestação e de algumas reuniões com alunos, UEE, Sindicato dos Professores e a própria Instituição, foi decidido que não haverá unificação das turmas de História tampouco de Geografia; inclusive, as turmas de Geografia não serão ameaçadas e tem seu curso natural garantido através de alguns remanejamentos de alunos/turnos.
Os professores demitidos na segunda-feira – primeiro dia da manifestação dos alunos – foram readmitidos pela instituição.
Estas conquistas são fruto da coletividade e estes problemas fizeram ascender a construção de um grupo sólido de estudantes mais conscientes de seu papel na sociedade, de seus direitos e também de suas obrigações. Conscientes também do valor e da autenticidade que tem todo e qualquer tipo de manifestação que defenda direitos e exija deveres cumpridos. Tudo isso de forma pacífica, exatamente como se deu a manifestação de segunda-feira.
Agora temos mesmo é que consolidar e cultivar um grupo estudantil dentro do espaço acadêmico para dar continuidade a essa movimento, dando voz à classe estudantil.
Essas decisões tomadas e já comunicadas ao corpo estudantil têm de ser preservadas. Devemos cuidar, portanto, que nenhuma outra decisão de última hora, sem participação dos alunos, faça voltar a mesma cena que vimos diante de nós há poucos dias.
Obrigada aos que colaboraram de alguma forma, lendo e divulgando as mensagens!
E um forte abraço!

Kátia Portes Leão

Isso me faz lembrar o saudoso Gonzaguinha!

17.2.09

Sobre a Venezuela

Recomendo a cobertura da RecordNews, com correspondente fazendo entradas ao vivo, correspondente este que também nos oferece relatos no próprio blog - do Rodrigo Vianna -, linkado aí ao lado.

Governo Serra também tira nota zero na Educação

E depois ainda dizem que a culpa é do professor...

O governo Serra divulgou o absurdo da quantidade de zeros que os professores eventuais receberam numa prova feita pela Secretaria da Educação.
O que o tal (des)governo não mostra são os absurdos da educação em São Paulo: a existência desse enorme contingente de professores temporários, por exemplo, eles não são funcionários públicos, mas também não são “celetistas”. Ausência de condições de trabalho adequadas, salários desestimulantes etc.
Claro que machuca a idéia de que um número tão grande de professores, habilitados, não consiga acertar uma única questão em 25.
Perguntinhas básicas: onde foram formados esses professores? Quem autorizou que tais arapucas funcionassem como faculdades? Quem as fiscaliza e como são fiscalizadas?
A mídia se ausenta dessa discussão, essencial para a construção de um país preocupado com os seus cidadãos.
Além disso, a grande mídia se omite em momentos cruciais. Cadê os jornais quando os estudantes pedem MAIS QUALIDADE nos seus cursos, como é o caso daqueles da UNIESP?
Hoje a Folha de S. Paulo, em texto excelente de Laura Caprioglione, nos mostrou, de maneira surpreendente, uma faceta da incompetência tucana na educação, leiam abaixo.

Estado põe aluno em puxadinho de madeira

LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

Os alunos da Escola Estadual Professora Eulália Silva, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, começaram as aulas com uma novidade. Onde havia a quadra de esportes, coberta há cerca de dois anos, os gols e as tabelas de basquete, a gestão José Serra (PSDB) improvisou seis salas de aula feitas de madeirite, aquelas folhas de madeira usadas para cercar obras.
As aulas de educação física, a partir de agora, serão ministradas em um pátio interno da escola, inadequado à prática de esportes de quadra -o pé direito é baixo e a área é pequena.
Ontem, as salas de madeirite não estavam prontas. Operários pintavam as paredes e fixavam as telhas de brasilite. O mobiliário escolar continuava empilhado. Não havia lousas.
Segundo a diretora Tânia Lucia dos Santos Escaler, 44, tudo deverá estar pronto hoje, quando devem começar as aulas dos 504 alunos de 1ª a 4ª séries, que serão alojados no "puxadinho".
A construção de alvenaria da escola tem 30 anos. Dispõe de 12 salas de aula. Mas o número é insuficiente para os 2.000 alunos dos ensinos fundamental e médio (há ainda uma classe para deficientes auditivos).

Seis por meia dúzia
Para acomodar todo mundo, o Eulália sempre teve três turnos diurnos (7h-11h, 11h-15h, 15h-19h), em vez dos clássicos turnos da manhã e da tarde.
Como o tempo de permanência dos estudantes na escola fosse pequeno durante a semana, obrigavam-se professores e alunos a também ter aulas aos sábados. "Nós não estamos trocando seis por meia dúzia", diz a diretora. De fato. Troca-se meia dúzia de dias de aula por cinco, com duração maior (7h-12h e 13h-18h). Com isso, acaba o chamado "turno da fome" -das 11h às 15h.
Segundo a diretora, as novas classes permitirão atender à reivindicação dos professores, que assim economizarão tempo e dinheiro de transporte.
Pais e alunos não ficaram tão animados. No auge do programa Escola da Família, ao qual o Eulália aderiu com entusiasmo em 2003, abrindo suas instalações para atividades extra-classe nos finais de semana, um dos pontos fortes, dizia-se, era o "efeito psicológico" de franquear a quadra a alunos que antes eram obrigados a pular o muro às escondidas para bater uma bolinha.
E agora? "A comunidade tem uma enorme capacidade de adaptação. Encontrará outros lugares para a prática desportiva", diz a diretora, para a qual as aulas de educação física também não serão afetadas. "É só mudar as atividades."
A engenheira Maria Célia Ribeiro Sapucaí, 58, diretora do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, diz que um ponto crítico das novas salas pode ser o isolamento acústico, já que os ambientes serão usados por turmas em geral barulhentas (cerca de 30 meninos com idades entre 7 e 10 anos).
No governo Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1995), na zona leste de São Paulo, construiu-se a Escola Estadual Cohab Carrãozinho com placas de madeira. Era para ser provisório. Durou 10 anos. Na época, um garoto dizia: "Gosto das aulas de português. Só que, quando a professora faz as leituras, a gente não consegue ouvir tudo nem consegue fazer as lições. O barulho é muito grande".
A diretora do Eulália não se intimida com o precedente: "Eu não crio problema antes de ele existir".
Folha de S. Paulo – 17/02/09.

14.2.09

Imprensa oba oba!

Boa parte da grande imprensa brasileira passou da conta de novo!
A falta de massa crítica e a onda do tipo “Galvão Bueno” no episódio da brasileira que alega ter sido agredida na Suíça, levou o governo brasileiro ao exagero.
Antes dos fatos apurados e antes de ouvir as autoridades locais, já havia por aqui certezas, convicções e condenações.
No Jornal da Band de quinta-feira o âncora Ricardo Boechat ficou indignado com a falta de firmeza do governo brasileiro no episódio.
E agora? Vai falar o quê?
O site da BBCBrasil oferece uma visão mais equilibrada, clique aqui.
O Estadão de hoje recobra o equilíbrio, depois de começar chutando o pau da barraca, embora, reconheçamos, o episódio, se verdadeiro, justificará esse sentimento de repulsa e horror. Clique aqui para acompanhar a cobertura do Estadão.
A Folha Online - clique aqui para ler - reproduz a BBC e acrescenta algumas matérias novas, também equilibradas, mas na edição impressa a Folha capricha, até com um enviado especial a Zurique. Na primeira matéria de 12/2, a Folha dizia que:
“Uma advogada brasileira de 26 anos foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira.
Grávida de três meses de gêmeas, Paula Oliveira sofreu aborto na mesma noite, quando foi socorrida e internada em hospital universitário de Zurique. Ela continua em repouso, mas já não corre mais risco de morte.
De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dubendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde trabalha.
A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.
Quando foi abordada, a advogada, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Um dos agressores tinha uma suástica na cabeça.”

Somente a partir do dia 14, com a presença do enviado especial, a cobertura recebeu um tom mais crítico.
Não se trata de condenar a advogada brasileira, mesmo por que não tenho elementos para tal, mas sim de desejar que a imprensa tenha compromisso com os fatos e com a apuração dos mesmos. Nossa mídia está mal acostumada, apenas reproduz as declarações que recebe, claro, as que lhes são convenientes.

13.2.09

Hier encore

Recebi a dica do mestre Paim.
Linda interpretação, daquelas de arrepiar!


Trecho de concurso de jovens cantoras com a participação de Charles Aznavour. Tradução e legendas: Sérgio Pereira - slagp@uol.com.br

Enterprise

Vejam no vídeo abaixo a canção "Enterprise", letra do amigo Rogério Sanots e música de Tony Pituco Freitas.
Rogerio Santos: Vocal
Floriano Villaça: Violão
Caio Góes: Baixo
André Kurchal: Percussão


Esse vídeo foi gravado em julho/08 no Café Piu Piu e também fez parte do recital "Geopoemas e Canções do Espaço Paulistano", apresentado em outubro/08 no Congresso Brasileiro de Poesia, de Bento Gonçalves.

Oportunistas estão sobrando no ensino superior privado

Recebi a correnspondência abaixo de uma ex-aluna do Cursinho da Poli. Percebe-se a diluição do encanto com o curso escolhido em razão da picaretagem protagonizada pelos mantenedores da instituição.
É um pena!
O que faz o MEC com relação a esse descalabro?
Olá, Toni.
Talvez eu não tenha lhe contado a novidade: acabo de entrar nas faculdades integradas Teresa Martin – atual UNIESP, no primeiro semestre do curso de licenciatura em História.
Encontrei por lá um corpo docente de muita qualidade. São competentes professores que, como descobri sem muita surpresa, têm de lecionar da melhor forma possível em uma instituição que se mostra puramente privada e de uma administração desrespeitosa para com todos os alunos.
A instituição está prestes a tomar decisões que afetam negativamente os cursos de História e Geografia em especial, mas também outros cursos como Biologia e Pedagogia.
Uma destas decisões é a unificação de semestres que, se implementada, reduzirá a qualidade e colocará em jogo todo um projeto pedagógico construído já em 2006.
Os professores que adotarem a tarefa de dar aulas a turmas unificadas terão de escolher entre não repetir os conteúdos para alguns e deixar que outros percam o fio da meada em disciplinas fundamentais no curso.
Como já disse, estou no curso de licenciatura.
Honestamente, não sei se um dia darei aulas de fato – decisão que só cabe a mim.
Por outro lado, um curso que pretende formar futuros professores não pode oferecer um ensino confuso por conta de interesses administrativos e, justificando-se através de "crises econômicas".
O que a instituição UNIESP pretende fazer é de uma tamanha IRRESPONSABILIDADE SOCIAL, sem qualquer sensibilidade e espaço de participação-comunicação-discussão entre diretoria/aluno na tomada de decisões disciplinares que afetam completamente os próprios alunos e o futuro da educação.
Profissionais da educação mal formados SÓ perpetuarão o ensino de baixa qualidade das escolas.
Outra decisão é a inclusão de 20% dos cursos em EAD, o que já seria ruim o bastante caso uma das disciplinas inclusas no ensino à distância não fosse História da África que, dentro da realidade em que vivemos, é de extrema importância em qualquer nível da nossa sociedade.
Por conta desta situação, os alunos da instiuição UNIESP se manifestarão nesta segunda-feira, 16/02, em frente ao prédio da UNIESP (Conselheiro Crispiniano – Centro de São Paulo), defendendo também a manutenção do corpo docente e a manutenção do quadro do curso sequencial para o qual fomos matriculados, preservando um ensino claro e de futuras intervenções positivas na sociedade através de profissionais da educação.
Esta mensagem é para você, enquanto professor que tem meu profundo respeito, ser informado sobre esta manifestação e descontentamento dos estudantes – dentre eles, eu mesma.
Se puder, compareça na segunda-feira – desde às sete e meia da manhã estaremos lá – ou divulgue.
Grande abraço!

11.2.09

Nação Palmares

O documentário Nação Palmares é uma obra interativa. Está disponível no portal de "Grandes Reportagens" da Agência Brasil.
Vídeos e textos que, juntos, compõem uma obra, assistindo ao vídeo, ícones irão surgir. Ao clicar neles, outros vídeos e textos irão se abrir.
Caso queira chegar até uma informação específica, opte por acionar os vídeos e textos sob demanda.
Ótimo material para pesquisa sobre a questão dos quilombolas.
Para ter acesso ao documentário, clique aqui.

10.2.09

Adão Pretto (1945-2009)




Estava pronto para publicar uma homenagem a este grande líder que veio lá do sul. Hoje, lendo os links aí do lado, encontrei essa maravilha de texto, publicado no Diário Gauche.
Brilhante!
Por isso reproduzo abaixo:
Um forte que fez forte os seus irmãos
Semana passada, quando morreu o lutador Adão Pretto eu não estava em Porto Alegre e não pude comparecer ao seu velório e enterro no cemitério Jardim da Paz. Sempre admirei o Adão à distância, votei nele sempre, acho que ele nem sabia disso, porque também não é muito importante, afinal.
Hoje à tarde, quando a Assembléia estadual fez uma homenagem à sua memória e não podendo comparecer, fiz um esforço para assistir na TV Assembléia a sessão especial dedicada ao eterno pequeno agricultor de Miraguaí e líder político de primeira grandeza.
Vários deputados de todas as bancadas com representação no legislativo estadual se manifestaram. Disseram aquelas coisas de praxe que se diz nestas ocasiões, o básico do básico que se pode dizer de alguém inatacável e que foi um bravo na luta pela emancipação do pequeno agricultor e pela dignidade cidadã dos sem-terras. Concluí que é fácil falar de Adão Pretto, o difícil é medir com a régua justa o tamanho da sua grandeza.
Finalmente, quero protestar contra alguns deputados, inclusive um do PT, vejam só, que referiu-se a ele como um “humilde”.
O senso comum acha que é bonito ser humilde, ter humildade. A ideologia criou e estimulou esse mito moral para assegurar a obediência passiva e o bom comportamento individual à ordem hegemônica.
O dicionário nos assegura, porém, que humilde é aquele que “manifesta sentimento de fraqueza”. Adão Pretto nunca foi um fraco, foi um forte e fez forte os seus irmãos de luta. O dicionário aponta, entretanto, que humilde é aquele que está “inferiormente situado em uma hierarquia ou escala”. Adão Pretto nunca esteve paralisado de maneira inferior ou submissa a nenhuma hierarquia. O dicionário ensina, contudo, que humilde é aquele indivíduo que “expressa ou reflete deferência ou submissão”. Adão Pretto nunca se submeteu a nada ou a ninguém, apenas e exclusivamente ao que ditava sua consciência cidadã sobre ideais de autonomia e liberdade.

9.2.09

CartaCapital: uma no cravo, outra na ferradura

A CartaCapital desta semana apresenta uma verdadeira aula de bom jornalismo: Reprovar não resolve.
Escrita por Rodrigo Martins assume uma posição, favorável ao sistema de ciclos na educação básica, mas da voz aos discordantes, permitindo ao leitor formar seu próprio juízo.
É uma pena que não esteja online no site da revista.
O jornalista ouve especialistas das Universidades, técnicos dos governos, professores universitários e professores e diretores de escola.
Ao contrário de outra revista, não se lê um palpite de economista.
Realmente brilhante matéria sobre essa questão tão delicada no ensino: reprovação e evasão escolar.
Por outro lado continua cerrando fileiras na campanha contra o asilo político concedido ao italiano Cesare Battisti.
Confesso que não formei opinião sobre o caso, mas o martelar freqüente da revista, sem dar voz ao outro lado, causa-me enorme estranheza.
Numa das matérias, li que não se levanta uma única voz da esquerda italiana favorável ao tal Battisti. Não é verdade! O portal Agência Carta Maior publicou entrevista com o ex-senador italiano (nascido no Brasil), José Luis Del Roio. A entrevista é francamente favorável ao Battisti – clique aqui para ler.
Na revista, em 2009, creio que já chega a uma dezena o número de artigos com o caso, é de causar estranhamento.

8.2.09

Alguns prazeres da vida

Em 2009 reorganizei minha vida.
Pretendo colocar uma série de coisas em dia, antes que seja tarde.
Nesta reorganização reservei os finais de semana para coisas prosaicas, como ir ao supermercado – odeio –, sacolão (adoro), açougue, conversar e curtir minha família.
Uma das habilidades que tento desenvolver já faz um tempo é a culinária.
Nem me aproximo dos queridos primos lá de Bauru e Marília, respectivamente Jorge e Toninho, mas vou tentando.
Segue abaixo uma receita, muita fácil que executei hoje:

Maminha ao molho de cebolas
Ingredientes:
1 peça de maminha (aproximadamente 1,2kg)
8 cebolas grandes em anéis
2 tabletes de caldo de carne

Preparo
Retire a gordura da maminha
Descasque e corte a cebola em fatias bem finas.
Coloque a carne na panela de pressão, cubra com metade das cebolas e depois coloque os tabletes de caldo de carne. Agora é só colocar o restante da cebola, tampe e leve ao fogo.
Após pegar pressão conte mais 50 minutos. Pronto, é só esperar sair a pressão e deixar apurar o molho.
Se você tiver boa memória e tempo, arrume os ingredientes na panela no dia anterior, vai ficar bem mais saboroso.


Fonte: Cozinha Clássica para o diabético, nº 1, Fundação Zerbini/Incor.

7.2.09

Greve do ABC de 1980

Inspirado pelo Diário Gauche estou procurando por um grande líder sindical que pontificou nesse país nas décadas de 70/80 e tornou-se símbolo da esperança de um novo tempo para a maioria dos brasileiros.
Ele aparece na cena final do vídeo abaixo, se alguém souber de seu paradeiro, favor avisar neste blog.

A Veja erra até quando acerta

No ano de 2007 tive o prazer de participar da implantação de um curso de ensino médio na favela de Paraisópolis, juntamente com vários colegas, todos professores do Colégio Pueri Domus.
Não foi serviço voluntário, ele foi bem remunerado, mas nos entregamos de corpo e alma para que o objetivo da empresa que nos escolher fosse atingido: preparar alguns garotos e garotas da favela de Paraisópolis para o ingresso nas universidades públicas e qualificá-los para o mundo do trabalho.
Infelizmente, por motivos de ordem pessoal, tive de me afastar do projeto, não deixei lá ex-alunos, mas sim novos amigos.
Nesse curto período de permanência relembrei minha infância, na periferia de São Paulo, claro que num outro tempo.
Muitos dos meus amigos da 6ª série do fundamental cursada em 1974, no bairro do Jardim Ângela, estão mortos. Alguns pelas mãos de bandidos, outros pelas mãos da polícia.
Poucos sobreviveram e “venceram”. Entendido o “vencer” como ter uma profissão, constituir família e permanecer vivo.
Hoje a situação na periferia é bem pior e, em 1974, o índice de favelamento na capital era bem menor.
Nesta semana que agora termina houve uma explosão de violência em Paraisópolis.
As pessoas com as quais convivo, a classe média branca, formaram uma imagem a partir dos instantâneos que a grande mídia mostrou.
Paraisópolis passou a ser no imaginário destas pessoas um lugar de bandidos e vendedores de drogas.
A esse respeito leiam abaixo o primor da apresentação da Veja São Paulo, esta obra-prima do jornalismo de esgoto como diz Luis Nassif, da reportagem sobre os acontecimentos:
“Uma cidade chamada Paraisópolis
Incrustada no Morumbi, a segunda maior favela da cidade tem 80 000 moradores, uma loja das Casas Bahia que fatura 1 milhão de reais por mês, assistência de 54 ONGs e uma rotina de venda de drogas. Na semana passada, desordens, vandalismos e cenas de violência chocaram a vizinhança e os paulistanos que acompanharam os episódios pela TV”
Quer dizer que as CB faturam um R$ 1 milhão, vendendo o quê e para quem? A rotina da favela é de venda de drogas? Quem são os compradores? Os próprios moradores ou os vizinhos abastados?
Quer dizer então que a vizinhança ficou chocada? Mas não é esta vizinhança que usa a mão-de-obra barata e abundante da favela? Os paulistanos não se chocam com o que acontece no dia-a-dia simplesmente por que não conhecem de perto aquela realidade.
O “ladeirão” – epicentro das cenas de violência da segunda-feira – é apenas a ligação da av. Giovane Gronchi com a Morumbi e por lá, nós paulistanos de classe média, passamos com os vidros dos automóveis fechados.
Estou pensando se reproduzo a matéria toda e comento parágrafo a parágrafo ou se essa amostra aí de cima basta.
Os repórteres Filipe Vilicic, Giuliana Bergamo, Maria Paola de Salvo e Sara Duarte fizeram uma longa matéria, muito bem ilustrada com muitas fotos, inclusive das cenas de guerra.
No desenvolvimento do texto as entrevistas desmentem a chamada da capa e a abertura da matéria.
Serão esses autores da matéria esquizofrênicos?
Para a classe média típica paulistana vale o que esta na capa e na chamada da matéria. Quem viu isso tem uma idéia. Quem lê a reportagem com atenção se surpreende com a quantidade de dados positivos da favela e sem muito esforço tem uma idéia oposta à primeira.
Claro que estes dados não merecem capa ou chamada especial. Só aquilo que faz aumentar o preconceito é que vale.
Caso desejem e tenham paciência a íntegra da matéria está aqui.

4.2.09

Só as "otoridades" conseguem superar a burocracia

Graças a intervenção do governador do Piauí, Welligton Dias (PT), o vestibulando Geovan de Souza Araújo conseguiu matricular-se no curso de Matemática da UFRGS.
Vejam a notícia completa cliando aqui.

3.2.09

Resumo das reuniões do Fórum Social Mundial

O Fórum Social Mundial reuniu centenas de milhares de pessoas em Belém por estes dias.
Vejam abaixo um resumo das discussões:



Fonte: Agência Carta Maior

A mídia transforma em verdade a versão de um dos lados do conflito

Ontem fui surpreendido pelo Record News com a cobertura sobre os conflitos na favela de Paraisópolis.
Cenas que lembravam a asquerosa invasão que Israel promoveu em Gaza recentemente.
Bombas explodindo, tiros, barricadas, muita fumaça e notícias de mortos e feridos.
UOL, Terra, G1 e demais portais soltaram a informação de que a reação da população era por conta do assassinato, em confronto com os policiais, de um morador fugitivo do sistema prisional.
A Folha de S. Paulo de hoje apresenta uma matéria equilibrada, redigida por três bons jornalistas, mas que não apresenta nenhuma novidade e muito menos um “outro lado”.
Já no Estado de S. Paulo o “outro lado” é apresentado, também de forma equilibrada (clique aqui para ler).
Segundo informações que circulam na favela o confronto foi uma reação a EXECUÇÃO de três pessoas, uma delas o indivíduo apontado pela polícia, que estavam ao lado de um carro roubado.
Os executores eram policiais.
É muito comum entre a população pobre e/ou negra da periferia de São Paulo o sentimento de ódio despertado pelas forças policiais. Ou medo. O que dá no mesmo, pois o primeiro sentimento é fruto do segundo.
Basta verificar o grau de violência das forças policiais e contra quem, preferencialmente, essa violência é praticada, de forma indiscriminada.
Falta a nossa imprensa esse saudável hábito, como fez o Estadão no caso, de ouvir e publicar o outro lado.
Falta ainda mais investigação e também jornalistas competentes para escrever textos claros e corajosos, que não se limitem a replicar o que dizem as autoridades ou vender proteção para criminosos da patota.

Morador de rua passa no vestibular mas não consegue se matricular

É isso. O cabra é ex-morador de rua, negro e nordestino.
Aos 38 anos foi aprovado no curso de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio das cotas de reparação, mas não conseguiu efetivar a matrícula.
Culpa de quem?
Da burocracia!
Ele não possuía o histórico escolar original (ou cópia autenticada do mesmo) e a Secretaria de Educação do Piauí - estado onde cursou o ensino médio - demoraria um mês para emitir uma 2ª via.
É este o nosso país!
E olhem que já tivemos até um Ministério da Desburocratização!
Leia matéria do UOL Vestibulares clicando aqui.

2.2.09

Gaza? Não, zona sul de São Paulo!

As imagens são chocantes! As notícias tomaram conta dos jornais televisivos agora à noite e ganharam as páginas de abertura dos principais sites da Internet. Vejam a foto que está na capa do Terra (22 horas):


Clique aqui para ler no UOL e aqui para ler no Terra.
Estou esperando contato com moradores de Paraisópolis para saber a versão deles.

26.1.09

Leitura imperdível da semana: CartaCapital

A primeira observação digna de nota é um pedido de desculpas pela capa da semana passada. No mínimo exagerada, confesso que levei um baita susto com ela. Clique aqui para vê-la.
Depois temos uma excelente matéria sobre os 25 anos do MST. Clique aqui e leia um trecho.
Nela líderes do movimento, inclusive Stedile, deixam claro almejar uma reforma agrária de cunho capitalista.
Também entrevista com o matemático Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Ele manifesta o temor da comunidade científica quanto ao corte de 18% no orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Péssimo sinal e grande contradição para um governo que aponta a necessidade do protagonismo do país na busca da inovação tecnologia!
Clique aqui para acessar a revista na Internet.

24.1.09

Demorou!

Leio na Agência Brasil a notícia que segue:

Ministério estuda sanções para empresas que receberam recursos do governo e demitiram Vinicius Konchinski Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, afirmou hoje (24) que o Departamento Jurídico do ministério está estudando formas de punir empresas que receberam recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e mesmo assim demitiram funcionários. Segundo ele, as leis que criaram os dois fundos prevêem que companhias beneficiadas por empréstimos devem garantir o emprego dos contratados. As sanções cabíveis serão divulgadas na próxima semana.
“A lei que criou o FAT e a lei que criou o FGTS já dizem sobre essa garantia do emprego. Eu só vou cumprir”, disse ele, em entrevista coletiva, após discursar na festa do Dia do Aposentado organizada pelo sindicato da classe. “Na semana que vem, o [departamento] jurídico [do ministério] vai me dar um parecer jurídico informando tudo o que pode ser feito.”
De acordo com o ministro, saber quais as empresas receberam dinheiro dos fundos e demitiram é muito fácil. Ele afirmou inclusive que já sabe quais são as companhias que se enquadram nesta situação. “Eu já tenho tudo o que foi investido, já tenho a lista de todo mundo que contratou e demitiu, e agora nós vamos ver o que pode ser feito.”
Lupi disse também que a análise das sanções está sendo feita caso a caso. Disse ainda que há possibilidade de punir até as companhias que já tomaram empréstimos há tempos e que começaram a demitir recentemente. “A lei não retroage, mas tem validade a partir do momento de sua edição. Eu vou me basear na lei.”
Segundo o ministro, caso sejam necessárias regulamentações adicionais para que sejam aplicadas as punições, ele mesmo vai reivindicá-las aos conselhos curadores do FAT e do FGTS e também ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pois é isso mesmo senhor ministro! Quer dizer que os caras fazem negócios equivocados, apostam no fracasso do país, pegam dinheiro dos trabalhadores e depois os demitem! E ainda tem gente que defende o modelo de capitalismo sem riscos e sem obrigações sociais!
Pasmei com a notícia das automobilísticas. No Brasil elas têm lucro, com recordes sucessivos de vendas, recebem R$ 4 bilhões do governo federal, aqui em Sampa mais R$ 4 bilhões do governo estadual e ainda têm a cara de pau de anunciar demissões!
Chama o Protógenes, o De Sanctis...

23.1.09

Presidente Lula é o 'encadeirado' da vez no programa, neste sábado, às 22h30

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, é o convidado do programa Bola da Vez deste sábado, que vai ao ar às 22h30 na ESPN Brasil. Em entrevista aos repórteres Paulo Vinícius Coelho, João Palomino e Helvídio Mattos, o chefe de estado brasileiro não se furtou a responder questões sobre assuntos polêmicos, como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Pan-americanos do Rio e a Olimpíada de 2016.
Na conversa, Lula garantiu, por exemplo, que o Governo Federal não desembolsará um centavo para a construção de estádios para o Mundial de futebol a ser disputado no país e que a ajuda, assim que as cidades-sede forem definidas, virá através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e será destinada a obras de infra-estrutura.
No bate-papo, é claro, não poderiam faltar os pitacos do presidente sobre o seu time de coração, o Corinthians, e a seleção brasileira, a qual Lula não deixa de citar em público quando vai bem ou mal dentro das quatro linhas e até fora delas.
Enfim, são motivos mais que suficientes para você, fã de esporte e, mais do que isso, fã de política no esporte, ficar em casa e saborear esta entrevista. Não esqueça, é na noite deste sábado, às 22h30, na ESPN Brasil.

Confira o making of da entrevista do presidente Lula ao 'Bola da Vez'

Fórum Social Mundial 2009

Acompanhem a cobertura da Agência Carta Maior, é só clicar na figura abaixo:

21.1.09

O COPOM acordou!

Todos os sites destacam a decisão do COPOM: redução de 1% na taxa SELIC.
O Estadão deu um baita destaque, veja aqui. Veja como UOL noticiou clicando aqui. Já na Agência Brasil foi noticiado assim (compensa ver os links do box lateral).
Então a CartaCapital tem razão: Meirelles está com o pé fora do Banco Central!


20.1.09

Obama assume o leme

O 44º presidente da nação mais poderosa do planeta assumiu hoje. O primeiro negro a chegar à presidência dos EUA.
Embora mais civilizado do que os republicanos, não podemos esquecer que é o presidente do “império” e tudo fará para que o tal império não desande.
Interessante observar que a mídia tenta passar a imagem de salvador do mundo e, nos EUA, o grande salvador da pátria!
Isso não existe!
Durante a campanha angariou o apoio da esquerda pelo mundo afora, mas assim que ganhou convocou alguns conservadores para o governo.
Parece-me, aqui de longe, que é adepto da diplomacia mais do que das armas, isso já é um sinal.
Por outro lado os democratas são mais protecionistas do que os republicanos, aí nossa economia tende a perder alguns pontinhos preciosos.
Do meu lado estou na expectativa e tão somente.
Será ele capaz de aplicar algumas regras ao mercado? Sucumbirá ao discurso neoliberal, aquele que deifica o mercado? Só o tempo nos dirá.

19.1.09

O mito da neutralidade

Costumo afirmar nas minhas aulas de apresentação que não existe ninguém neutro, seja professor, jornalista, religioso etc.
Todos nós somos formados em sociedade, com a influência de nossos familiares, amigos, professores e tantos que nos cercam.
Dessa forma fica impossível exercer uma atividade com neutralidade, pois é impossível despir-se de toda uma história de vida para entrar numa sala de aula ou escrever um texto jornalístico.
No entanto, precisamos ter o cuidado de mostrar o “outro lado”, mesmo que discordemos dele, e mais ainda, não nos transformamos em pregadores e panfletários fanáticos, renunciando assim à missão de educar.
Isso não significa esconder a opinião, mas ter o cuidado de mostrá-la como tal e respeitar a opinião diversa ou, melhor ainda, apresentá-la ao grupo.
Por outro lado não significa que sejamos obrigados a ter opinião sobre tudo.
Assim conduzo minhas aulas e também este blog.
Sintam-se à vontade para manifestar quaisquer opiniões, desde que obedeçam ao que está informado logo no início:
“... Não aceito postagens anônimas, ofensivas, injuriosas ou preconceituosas, ou que não possam ser respondidas - para isso é necessário um e-mail válido - de resto faça desse blog o seu espaço de reflexão.”

Promessa

Prometo a todos que voltarei a atormentá-los com meus textos ainda nesta semana. Continuo na minha batalha inglória contra o Banco Fiat (leia-se Itaú).
Depois de buscar toda a hierarquia do serviço (?) Fale Conosco, recebi a seguinte reposta do citado banco (aliás, o maior do país, não é mesmo?):
Prezado(a) Sr.(a),
Informamos que o processo de liberação do veículo de placa DMV0541 foi concluído em 16/01/09, onde o documento do veículo será postado em 05 dias úteis via sedex para Av... . Orientamos que aguarde a recepção do documento em até 10 dias úteis.
Agradecemos a utilização de nossos serviços e permanecemos à sua disposição.
Atenciosamente,
Kamila Livramento,
Banco Fiat Responde
E ainda chamam isso de atendimento ao consumidor.

15.1.09

Banco Fiat: o banco que não existe!

Nós, consumidores, vivemos numa terra sem lei!
Minha mais recente batalha é contra o Banco Fiat.
Comprei um carro por meio de leasing deste banco. Terminei de pagá-lo julho de 2008.
Liguei para o banco para saber da documentação e fui informado que a liberação seria automática. Eu acreditei! Tanto que nem me preocupei em anotar nome do atendente e horário da conversa.
Resolvi trocar de carro no final do ano e coloquei o carro citado como parte do pagamento.
Solicitei a liberação da documentação junto ao Banco Fiat e me assustei com o verdadeiro “manual” que foi enviado para obter o gravame (até agora não sei o que isso significa).
No final de dezembro encaminhei a documentação. Percebendo que existiam duas multas em aberto, cuidei de pagá-las para não ter problemas.
Viajei crente que teria o meu carro novo ao retornar.
Ledo engano!
Quando retornei de viagem procurei saber o que tinha acontecido e descobri que tinha mais uma multa, totalmente fora de propósito, diga-se de passagem, mas, como estava com pressa resolvi pagá-la.
No dia 9/01 mandei os comprovantes, inclusive das duas multas anteriores, por fax para o tal banco que não existe.
A atendente, toda educadinha, disse que poria uma mensagem de urgência no meu caso e no dia 12/1 estaria tudo em ordem.
Liguei novamente na segunda-feira para confirmar a recepção dos comprovantes e para saber a data da liberação do tal gravame. Depois de algum bate-boca fui informado que a liberação ocorreria somente no dia 14/01.
Hoje liguei para confirmar a liberação e fui informado que a postagem do documento ocorrerá até o dia 20!
Solicitei o endereço do banco para retirar o documento: não existe! Solicitei conversar com alguém que pudesse me ajudar quanto ao problema: não existe!
Não temos a quem recorrer num caso como este.
Amanhã dedicarei meu dia para o PROCON e buscar um advogado!
Enquanto isso recomendo aos amigos: não façam negócios com o Banco Fiat e não façam negócios com o Itaú!

Alguns equívocos do governo Lula

A mídia ataca o governo por puro preconceito de classe!
As críticas que merecem ser feitas são ignoradas sistematicamente.
Vejamos alguns tópicos interessantes:

Acordo com o Vaticano
Lula esteve recentemente com o Papa e assinou um acordo que interfere na vida republicana ao determinar o ensino religioso, por exemplo.
A BBCBrasil noticiou o encontro e mencionou, ainda que brevemente, o Acordo Brasil - Santa Sé. Clique aqui para ler a BBC e aqui para ler o acordo assinado. Outros órgãos da grande mídia preocuparam-se mais com detalhes sem nenhuma importância.
Chama-me a atenção o artigo 11º do referido acordo:
“Artigo 11
A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.
§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.”
O acordo nesses termos hierarquiza as religiões, dando importância maior à Católica, coisa que não cabe ao Estado laico. Também não cabe às religiões ministrar coisa alguma na escola pública.

Exoneração do delegado Paulo Lacerda da ABIN
Paulo Lacerda fez da Polícia Federal um órgão respeitado e colocou ordem na casa. Na ABIN caminhava para uma profissionalização da antiga arapongagem do SNI.
Foi envolvido numa mentira costurada por Gilmar Mendes, o todo poderoso presidente do Supremo e pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim, amparados pela Revista Veja e por boa parte da grande mídia.
O Ministro mentiroso continua no cargo e Paulo Lacerda foi “promovido” para um cargo inexistente de adido policial em Portugal.

Fusão BrT Oi
Com raras exceções, como Estadão, a mídia conservadora ignorou essa fusão, no mínimo estranha.
Ela envolve empresa doadora de recursos milionários (legais) para as campanhas petistas, embora também tenha doado para outros partidos e uma sociedade com o filho do presidente Lula.
Para que a fusão fosse feita a ANATEL alterou a regulamentação do setor a toque de caixa.
De quebra o governo resolveu um impasse de maneira favorável ao grupo do Daniel Dantas.
Leiam aqui as críticas à fusão (que não deu no Jornal Nacional e nem foi capa de Veja):
Todos pela BrOi
A BrOi vai beneficiar quem?
A revista CartaCapital, o site Teletime e o site Conversa Afiada – do Paulo Henrique Amorim – dedicaram bastante espaço aos estranhamentos dessa fusão.

Por enquanto isso, no correr da semana vamos lembrar mais temas para críticas justas e corretas, que precisam ser feitas e a grande imprensa não se dá ao trabalho.

Janis Joplin

14.1.09

Sobre a invasão do exército israelense

Em vários outros textos deixei claro minha solidariedade para com o povo palestino pela busca do seu Estado nacional.
Não discuto quem atirou a primeira pedra, nem estou envolvido por paixões nacionais ou pretextos religiosos.
Como humanista penso ser inaceitável o massacre ao qual são submetidos os palestinos, da mesma forma que foi inaceitável o Holocausto.
Compreendo o que escreve o amigo-virtual Roy em seu comentário na minha postagem de regresso. Para facilitar nossa leitura e compreensão reproduzo abaixo o comentário na íntegra:
“Roy Frenkiel disse...
Como pessoas inteligentes como você e outros dessa net vasta conseguem dormir à noite vestindo o pijaminha confortável do unilateralismo, como se os palestinos tolerassem a versão esquerdista de justiça aos direitos humanos. Repito aqui minha maior verdade: Estou cansado de defender palestinos de israelenses unilaterais, mas cansado na mesma medida de defender Israel do mundo unilateral.
abrax,
RF”
Na verdade caro Roy o atual episódio desencadeado pelo exército israelense não pode ter outro nome senão MASSACRE!
A opinião não é somente minha, mas de respeitados analistas internacionais, inclusive israelenses, que percebem a truculência e a desproporção do que o exército israelense faz em Gaza.
Não dá para esconder, para aqueles que são bons leitores, que a ação é meramente eleitoreira e que se trava uma disputa feroz entre a extrema direita e a direita israelense, entre o Likud e o Kadima.
Em nome de uma disputa eleitoral admite-se então o sacrifício de crianças? A destruição completa da infra-estrutura de Gaza? O que querem os sionistas? Um novo holocausto?
Na minha humilde concepção de professor de Geografia da educação básica, creio que a ação do exército israelense apenas reforça o fundamentalismo do Hamas. É uma ação fundamentalista (a israelense) reforçando outra (a do Hamas).
Roy e as resoluções da ONU? Tornam-se letra morta para o exército de Israel e dos EUA?
Se o sistema internacional permite o surgimento de uma força bélica como a de Israel no Oriente Médio somente outra força, com a mesma intensidade, poderá equilibrar o poder na região.
Voltamos então a idiotice do MAD (destruição mútua assegurada, da sigla em inglês) dos tempos da Guerra Fria.
A produção de artefatos nucleares pelo Irã é condição para estabelecer o equilíbrio na região, caso contrário Israel continuará com a sua ação de extermínio contra o povo palestino.
A retirada de Israel dos territórios ocupados, como determinou a Resolução 242 da ONU (para ler sobre essa resolução clique aqui e aqui), seria um bom caminho para a solução dos problemas.
Veja que tal resolução data de 1967 e Israel nunca a cumpriu!
Por isso, amigo Roy, defendo a causa palestina no tocante a construção do seu Estado Nacional, livre e soberano. Isso não quer dizer concordar com as ações do Hamas.

11.1.09

As voltas que o munda dá

As fotos estão no blog O BiscoitoFino e a Massa (clique no título para acessar) e o trabalho de montagem foi do amigo Marco Antônio.

Volta ao batente!

Depois de um ano bastante estressante, com muito trabalho e alguns problemas de saúde, resolvi descansar de verdade.
Do dia 30 de dezembro até 8 de janeiro não liguei o computador, não li jornais, não vi nem o Jornal Nacional. Isso fez um bem danado, meu filho e minha esposa adoraram.
O problema está sendo a retomada.
Perdi completamente o ritmo de escrever.
São tantas novidades!
Enquanto não volto à labuta, sugiro-lhes o blog do meu sobrinho, um garoto genial de 16 anos (quase dezessete): http://www.pensamentos2010.blogspot.com/.

9.1.09

Sobre a ocupação de Gaza

Algumas leituras são imperdíveis e não podemos deixar de fazê-las.
O caderno especial que a Agência Carta Maior fez sobre a invasão israelense é uma dessas leituras.
Clique sobre a imagem para ler.

19.12.08

Protógenes Queiroz no Roda Viva da TV Cultura

DIA 22/12/08
22 HORAS 10 MINUTOS

Ao vivo

PROTÓGENES QUEIROZ - Delegado da Polícia Federal
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A Operação Satiagraha teve início há 3 anos, como desdobramento do caso do mensalão. O trabalho da CPI dos Correios levou a Polícia Federal a iniciar uma investigação, que acabou apresentando indícios dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, alem de uso indevido de informação privilegiada. A Operação Satigraha foi realizada dia 8 de julho nas cidades de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e contou com a participação de 300 policiais federais, que executaram 24 mandados de prisão e 56 mandados de busca e apreensão.O juiz do caso, Fausto de Sanctis, autorizou a prisão do banqueiro Daniel Dantas, duas vezes e, em ambas, o dono do Banco Opportunity recebeu um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal poucas horas depois. Atualmente, as investigações estão sob a responsabilidade do delegado Ricardo Saadi. Ele assumiu o posto depois que Protógenes Queiroz, responsável pela investigação e pela Operação, deixou o caso 8 dias após as prisões. Ele é alvo de um processo administrativo que apura desvio de conduta e quebra de sigilo funcional.Além da Satiagraha, Protógenes Queiroz foi responsável por outras grandes operações da PF, como as que resultaram nas prisões do ex-prefeito Paulo Maluf e do contrabandista chinês Law Kin Chong e investigou também crimes financeiros realizados com o uso de contas CC5 e a organização criminosa comandada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal.
Entrevistadores: Ricardo Noblat, colunista do jornal O Globo e titular do Blog do Noblat; Renato Lombardi, comentarista do Jornal da Cultura; Fernando Rodrigues, colunista e repórter do jornal Folha de S. Paulo em Brasília e Fausto Macedo, repórter de política do jornal O Estado de S. Paulo.
Apresentação: Lillian Witte Fibe

17.12.08

Tem gente que aprende enquanto ensina

Peço-lhes licença para publicar uma mensagem muito pessoal, de tão pessoal que tem que ser pública, assim dessa maneira. Trata-se da despedida do Coordenador Pedagógico com quem trabalhei nos últimos 3 anos e meio e que muito me ensinou. Como não tive condições de fazê-lo pessoalmente, registro aqui esta pequena homenagem ao José Ricardo Marcondes Paim:


Mestre,

Gostaria de registrar minha gratidão pelos anos de convivência profissional. De agora em diante ela se dará apenas na qualidade de amigo, não mais na de profissional, mas a amizade e o respeito que cultivamos neste tempo não terminam aqui, só se fortalecem.
Hoje, Jaiminho ficou sabendo de sua saída e ameaçou chorar. Tranquilizou-se quando disse que você saiu do Pueri, mas não deixou de ser nosso amigo.
É assim que sinto, por isso uso meu espaço, que é público, para a despedida formal. Não tive coragem de fazê-lo pessoalmente.
Considero-me privilegiado por ter contado com grandes mestres na minha vida: meu pai, o maior deles, pois dele trago aquilo que escola nenhuma poderia ter me ensinado como ele o fez; alguns saudosos professores da escola básica, poucos é verdade; na Universidade marcaram-me Milton Santos, Manoel Seabra, Regina Sader, André Martin, Aziz Ab’Saber, Amália Ignez, Nídia Nacib, José Sérgio, dentre tantos outros; na política a formidável figura de Florestan Fernandes, além dos companheiros que entregaram os melhores anos de suas vidas para a construção da CUT e do PT, não esta CUT e este PT de hoje, nossos sonhos eram outros; finalmente na minha profissão pude conviver com educadores maravilhosos e dedicados ao ofício, uns famosos, outros nem tanto, mas todos verdadeiros mestres.
Você está neste restrito e seleto grupo de mestres, dos quais guardarei o muito que me ensinaram e o pouco que consegui aprender, sendo-lhes grato para sempre.
Sua generosidade em compartilhar os seus saberes, sua maneira doce de liderar e de conquistar o respeito daqueles que coordena, o humor refinado e sutil, são invejáveis e inesquecíveis.
Desejo-lhe sucesso nos seus novos caminhos!

Grande abraço amigo Paim!

14.12.08

AI - 5: quando a ditadura transformou em lei o que já praticava

Ontem o Ato Institucional nº 5 fez 40 anos.
Em 13 de dezembro de 1968 os bandidos que derrubaram o governo legítimo de João Goulart, puseram no papel aquilo que já praticavam desde o fatídico 1º de abril de 1964: terror de estado, tortura, censura e tudo o mais que os fardados e os civis boquirrotos ousaram fazer, com apoio de uma parcela da classe média insossa e ignorante e de uma mídia alinhada com os EUA.
Nossa elite de merda temia perder uns poucos anéis com as Reformas de Base propostas pelo governo de João Goulart.
A mídia nativa, tão cretina quanto hoje, com Carlos Lacerda e os Mesquita à frente, compunham editoriais alertando para o perigo “vermelho”, brandindo contra o presidente “comunista” – como se um latifundiário, da estirpe de Jango, pudesse ser comunista!
O Estado de S. Paulo produziu caderno especial sobre o AI-5. Clique aqui para ouvir, ver e ler. O material é excelente do ponto vista técnico, pena omitir o papel do próprio jornal no golpe de 64 e, ainda por cima, nos dá a impressão, em muitos momentos, que tudo eram flores entre 64 e 68. Faz parecer que somente depois do AI-5 a liberdade foi cerceada. Não foi assim. Veja, por exemplo, o texto do AI nº 1 clicando aqui, ele data de 9/4/64.
Clique aqui e leia especial na Agência Brasil. Preste atenção aos links indicados, particularmente neste, que comenta sobre o papel da OAB neste episódio de tão amarga lembrança para os brasileiros.
O melhor texto, que nos dá a exata dimensão desse crime hediondo cometido pelos bandidos, de farda e também pelos sem farda, é o editorial de CartaCapital desta semana assinado por Mino Carta.
Lá pelas tantas Mino diz o seguinte:
“Diz o Estadão no seu suplemento que a sociedade brasileira apoiou o golpe. Que sociedade, caras-pálidas? Agrada-me, entre parênteses, usar o lugar-comum, tão apropriado, no entanto, para acentuar a palidez dos rostos privilegiados. Sim, a sociedade dos clubes faustosos, dos bairros elegantes, das redações abastadas, e do seu time aspirante, sequioso de ascensão. Enfim, dos democratas da democracia sem povo.”
Clique aqui para ler na íntegra, texto imperdível.
O Rodrigo Vianna fez ótima matéria na TV Record sobre o tema, clique aqui para vê-la.
O que mais me deixa triste é notar que tais episódios, essenciais para compreendermos nosso país, estão banidos dos programas de História da escola básica. Parece que não existiram. Costumo brincar com os amigos professores que a História do Brasil termina em Getúlio Vargas. Espero que a ousadia de algumas instituições universitárias, que têm cobrado o período mais recente da nossa história nos seus exames de ingresso, contribua para uma melhor reflexão sobre esses temas.


Para entender um pouco mais sobre o tema ou personalidade, basta clicar no título:
Atos Institucionais
Reformas de Base
Ditadura Militar no Brasil
Carlos Lacerda
João Goulart

No Youtube
Comício da Central do Brasil
Ditadura Militar no Brasil
Discurso de Márcio Moreira Alves

9.12.08

Quem é o corrupto mesmo?

Em minhas aulas insisto com os alunos que a corrupção é uma via de mão dupla: não existiriam os corruptos se não existissem corruptores!
Parece óbvio, mas diante da mania de nossa mídia de culpar somente os agentes públicos pela corrupção, penso que seja necessário traçar tal obviedade.
Hoje a BBC Brasil apresenta uma matéria na qual afirma que as empresas brasileiras corrompem escancaradamente no exterior! Uns alegarão que estamos ladeados de países de boa estirpe, como a Itália, mas isso não nos engrandece e só vem confirmar aquilo que afirmei no início deste pequeno texto.
Para maior clareza reproduzo abaixo a matéria da BBC:


Brasil é um dos primeiros em ranking de suborno

O Brasil ocupa uma das primeiras posições em um ranking de percepção de suborno transnacional elaborado pela ONG Transparência Internacional (TI).
O estudo, intitulado Bribe Payers Index (“Índice de Pagadores de Suborno”, em tradução livre), foi elaborado a partir de entrevistas com 2.742 empresários de 26 países e analisou a propensão ao pagamento de suborno de empresas dos 22 maiores países exportadores.
Durante as entrevistas, questionou-se sobre a freqüência com que as empresas desses 22 países participam de operações que envolvem subornos nos países de origem dos entrevistados.
A partir daí, foi criado um ranking que lista, nas primeiras posições, os países cujas empresas têm menores índices de corrupção e, em último, os países cujas companhias mais praticam subornos. O Brasil aparece em 17° lugar, empatado com a Itália - na listagem inversa, com os países que mais pagam propina no topo, o Brasil ocupa a 5ª posição.

Brics
Os outros três países que formam com o Brasil o chamado grupo dos Bric (Rússia, Índia e China) tiveram classificações piores no ranking, sendo que a Rússia aparece como o país cujas empresas mais se envolvem em casos de pagamentos de propina no exterior.
Já a Bélgica e o Canadá ficaram empatados em primeiro lugar, o que indica que suas empresas se envolvem menos em casos de corrupção, segundo os entrevistados.
“O índice traz evidências de que companhias dos maiores países exportadores ainda se utilizam de suborno para fazer negócios em países estrangeiros”, diz a presidente da Transparência Internacional, Huguette Labelle.
“A desigualdade e a injustiça que a corrupção causa, tornam vital que os governos redobrem seus esforços para reforçar as leis contra o suborno por parte de companhias estrangeiras. Do mesmo modo, todos os grandes países exportadores devem se comprometer com as medidas da Convenção Anti-Corrupção da OCDE”, completa.

Tipos de corrupção
O relatório também mostra quais os diferentes tipos de subornos utilizados por empresas dos 22 maiores exportadores do mundo.
Segundo pouco mais de 20% dos entrevistados, o tipo de corrupção mais praticado por empresas brasileiras no exterior é o suborno a autoridades públicas menos graduadas, que é definido pela ONG como aquele utilizado para “apressar as coisas”.
Já cerca de 50% dos entrevistados afirmaram que as empresas russas, além do suborno a autoridades menos graduadas, costumam também corromper partidos políticos e altas autoridades.
As empresas mexicanas, por outro lado, foram apontadas por 38% dos empresários ouvidos como aquelas que mais utilizam relações pessoais e familiares para conseguir contratos públicos.
O estudo ainda traz a opinião de empresários sobre quais empresas estrangeiras se envolvem em mais casos de corrupção em seus países.
Os empresários da Europa e Estados Unidos que responderam à pesquisa, por exemplo, consideram que a China e a Itália são países cujas empresas costumam se envolver mais em corrupção na região. Já as companhias suíças e belgas são vistas como as mais honestas.
As empresas chinesas também são vistas nos países da América Latina que participaram da pesquisa (Argentina, Brasil, Chile e México), como as que mais pagam suborno nesta região. As empresas alemãs foram consideradas as mais idôneas.

Setores
O índice também traz os setores da economia cujas empresas mais se envolvem em casos de corrupção.
Um dos rankings aponta quais os tipos de companhia que mais se envolvem, de acordo com os entrevistados, em casos de suborno a autoridades públicas.
Entre os que mais oferecem estes subornos estão empresas que prestam serviços públicos, de construção, imobiliárias e petrolíferas. As mais honestas neste ranking são as que trabalham com computação, pesca e bancos.
Outro ranking aponta aqueles setores cujas empresas mais se envolvem em casos de suborno com o objetivo de influenciar decisões políticas e leis.
Neste caso, as apontadas como mais corruptas também são aquelas dos setores de serviços públicos, construção, imobiliárias e petrolíferas.
Já o setor bancário, que aparece como um dos mais honestos no ranking anterior, não tem um classificação tão boa neste.
O índice ainda aponta que para 49% dos empresários latino-americanos, os esforços de seus governos para erradicar a corrupção têm sido “muito ineficientes”.
O relatório não permite uma comparação com o ranking anterior, realizado em 2006, por analisar menos e diferentes países.


Fonte: BBC Brasil

8.12.08

Vestibular FGV

Ontem foi a prova da GV-Adm. Vestibular muito concorrido e, às vezes, polêmico. Desta feita a prova surpreendeu pelo que trouxe de bom.
Sem abrir mão dos conteúdos ditos tradicionais, a prova foi de excelente qualidade, oferecendo ao aluno adequadamente preparado uma ótima oportunidade de pensar.
Pena que seja o dia inteiro de prova, o que torna a tarefa muito estressante.
Caso queiram ver a prova é clicar aqui, além da prova terão também a resolução dos amigos do CPV, competentes como sempre, noves fora o semblante carrancudo do mestre Vanderlei, mas é só aparência, ele é praticamente um papai noel de bondade!

4.12.08

Algumas leituras recomendadas

Agora estou de volta mesmo! Vamos atualizar as leituras essenciais:

Agência Carta Maior
A tragédia geológica que, a propósito de chuvas intensíssimas, abateu-se sobre a população de várias cidades de Santa Catarina atinge a sociedade brasileira pela dor das mortes e tanto sofrimento humano, mas também como pungente peça acusatória pela histórica e acomodada omissão dos agentes sociais públicos e privados que a poderiam ter evitado.
Impossível não nos ficar a impressão que autoridades e mídia, e talvez uma boa parte da sociedade, já assimilaram como fatos naturais do destino brasileiro as horríveis mortes por soterramento e enchentes que anualmente fazem dezenas de vítimas nessas épocas de chuvas mais intensas. Diluem-se assim comodamente nesse cenário de pretenso destino compulsório as responsabilidades públicas e privadas na verdade responsáveis por tantas vidas violentamente ceifadas.
Leia a íntegra da matéria clicando aqui.

CartaCapital
O banqueiro Daniel Dantas foi condenado a 10 anos de prisão por corrupção ativa, em razão do suborno que Humberto Braz e Hugo Chicaroni fizeram em seu nome ao delegado da polícia federal Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira quando da deflagração da Operação Satiagraha.
O autor da sentença foi o juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que considerou Dantas, Braz e Chicaroni culpados da acusação de praticarem corrupção ativa. A informação foi divulgada pela TV Globo.
Clique aqui e leia o artigo inteiro.

Escrinhador (Rodrigo Vianna)
Chavez tem que mudar o discurso, pra lidar com um novo tipo de oposição nos próximos anos. Já não bastará colar nos adversários o rótulo de “golpistas”. Além disso, o presidente venezuelano precisa se adaptar a uma nova conjuntura mundial, em que Bush deixa de ser o inimigo e o Petróleo perde valor.
Essa é a leitura que Gilberto Maringoni faz do futuro da Venezuela, depois da eleição do último domingo.
Jornalista, professor da Faculdade Cásper Líbero e pesquisador do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Gilberto Maringoni é o autor de um livro fundamental para se entender o que se passa no país vizinho: “A Venezuela que se inventa” (editora Fundação Perseu Abramo).
Ontem, ele foi um dos entrevistados do “Entrevista Record - Mundo”, programa que eu apresento todas as segundas-feiras, às 22horas, na Record News.
A tese de Maringoni é de que Chavez agora não pode mais ficar repetindo (como fez nos últimos anos): “comigo está o povo, na oposição estão os golpistas”. Para ganhar, não basta mais colar esse rótulo nos adversários.
Para ler a matéria completa é só clicar aqui.

2.12.08

Saindo da reclusão

As línguas afiadas andam espalhando que estou fazendo bico como papai noel, é mentira! Além de odiar aquele velho babaca sou muito calorento para a missão.
Na verdade estava ocupado com o fechamento de notas dos meus alunos do Ensino Médio. Este período é o pior que pode haver para o professor, pois temos que transformar o trabalho anual dos nossos alunos em números e julgá-los. Não é fácil!
Apesar do esforço do final de semana, sobrevivi e estou voltando! Azar de vocês que têm que me aturar.